terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mês da Consciência Negra


Olívia de Cássia – jornalista

Novembro bate à nossa porta, é um mês de comemorações para o povo negro e de reflexão também. É o mês de a gente reverenciar e saudar o nosso herói Zumbi e todos os quilombolas que se aventuraram no sonho de querer uma sociedade melhor, mais igualitária e mais justa.

Podemos dizer que tivemos muitos ganhos, ao longo dos séculos que se sucederam à epopeia de Zumbi, mas ainda é preciso muitas lutas para que a gente acabe com o preconceito velado que ainda existe na sociedade brasileira.

Infelizmente ainda é possível no Brasil e no Estado se julgar as pessoas pela cor da pele, como se isso fosse o passaporte para se medir o caráter  de alguém. Sempre lutei contra o preconceito racial e por uma sociedade mais justa.

Fui lutadora assídua dessa causa, dede muito cedo; também sofri preconceito por ter tido um companheiro de cor por quase 20 anos. Sempre tive a convicção de que não se mede competência e nem caráter de homens e mulheres pela cor ou sexo.

Acompanho o movimento desde a década de 1980, sempre fui apaixonada pela história de Zumbi, mesmo que as lendas que meu avô me contasse fossem preconceituosas, porque seu Manoel Paes de Siqueira era um descendente de português racista, mas se rendia às minhas falas e brincadeiras.

Eu sempre acreditei, desde a mais tenra idade, que não só a comunidade negra, mas todos nós merecemos um mundo melhor e mais justo, sem discriminações pela cor da pele, religião ou opção de vida.

O povo negro sofreu a opressão da escravidão branca e não se aquietou enquanto não conseguiu a libertação, diferente de outros povos que a gente pode conhecer na história. Todos já conhecem a história de Zumbi dos Palmares, que teve início em 1655 com seu nascimento em Alagoas, em um dos mocambos do Quilombo dos Palmares.

Segundo as pesquisas dos historiadores, com apenas sete anos  Zumbi é capturado por soldados e entregue ao padre  António Melo, que o alfabetizou e foi responsável por sua formação.

Batizado na igreja Católica como Francisco, Zumbi ajudava nas missas além de estudar Português e Latim. Conta a lenda que aos quinze anos ele foge para o Quilombo dos  Palmares onde obtém reconhecimento pelas suas habilidades marciais e com apenas vinte anos já é um respeitável estrategista militar e guerreiro, atuando na luta contra os soldados do Sargento-mor Manuel Lopes.

Há muitas lendas a respeito do nosso herói negro, mas eu prefiro acreditar naquela de Décio de Freitas, Abdias Nascimento, Joel Rufino e de tantos historiadores respeitados no País.

Zumbi vive em cada coração que sonha com a utopia, que luta por causas justas, a luta  contra a opressão e o cativeiro. A história do nosso herói faz a gente refletir sobre o que queremos para a nossa juventude de hoje e o que pretendemos para a sociedade e para as nossas vidas. Salve Zumbi. Zumbi vive!

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