quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Que vença o melhor

Por Olívia de Cássia

Às vésperas do dia da eleição municipal os boatos correm soltos nas redes sociais, 'como um rastilho de pólvora', como dizia aquela personagem Altiva, da novela Indomada. Tem candidato ficha suja com medo de ser impedido; enrolado na Justiça, mas desmentindo o que foi dito.

Teve candidato que se perdeu pelas besteiras que andou dizendo por aí; e não foram poucas e em quase todos os municípios aconteceu isso: todo ano é a mesma novela enfadonha. Cada um querendo ser melhor que o outro e querendo mostrar serviços que deixaram para fazer de última hora. E 'os podres' de cada um aparecem no horário político.

Mas estranhamente, em município como São Paulo, o melhor prefeito dos últimos tempos aparece nas pesquisas lá embaixo. Fernando Haddad é o homem público que toda pessoa do bem quer ter como gestor. Mas os paulistanos nos criticam dizendo que não sabemos votar e estão apostando em candidatos da direita golpista, por ódio e preconceito.

Se bem que eu não acredito muito em pesquisa, pois elas são encomendadas em cada reduto eleitoral do candidato interessado nos números altos. Tenho acompanhado pelas redes sociais essa peleja. Todo ano o mesmo ritual se repete.

Confesso que já fui muito mais entusiasmada com campanhas e eleições; em dia de votação, papai, que era fanático por eleição, nos mandava andar na rua para assuntar o que estava acontecendo em União e depois passar o relatório para ele, quando já estava inválido, por 14 anos.

E assim fomos seguindo as paixões de seu João Jonas por política. Mas este ano, por motivo de saúde, me limitei mesmo às redes sociais. Minha empolgação se dá mais, no momento, com a conjuntura nacional, cujo desdobramento me dá arrepio a cada notícia que leio.

E quantos cometários sem noção a gente observa por aqui, nas redes sociais. Comentários inescrupulosos de pessoas que sequer abriram um livro de história na vida e emprenham pelos ouvidos, ou manipulados pela grande mídia, principalmente a Rede Globo.

O governo ilegítimo a cada dia comete mais burrice e irregularidade, levando o país ao fundo do poço e à volta para pedir penico ao Fundo Monetário Internacional (FMI), coisa que Lula conseguiu sanar.

E o que acusavam a presidente Dilma e a tiraram do governo por essa alegação, as famosas pedaladas fiscais, já não é mais crime para esses farsantes. E muita gente 'inocente' acreditou no veredito apresentado por poderes comprometidos e parciais.

Com inverdades e hipocrisias proferidas que a cada dia são desmentidas por intelectuais e juristas e de renome, os golpistas fingem que não viram, ou deturpam o que disseram. Só veem quando a irregularidade é cometida por um partido só: o PT.

É verdade que muitos erros foram cometidos pelas esquerdas brasileiras, mas entre escolher uma esquerda que deu seus tropeços e uma direita fascista, sigo sempre à esquerda, como sempre segui.

Tenho feito críticas e observado o comportamento de lideranças; muitas que já perderam a credibilidade: pelo discurso raso e sem veracidade. Mas a direita quer acabar com o Partido dos Trabalhadores e invalidar a possível campanha de Lula às eleições de 2018.

Isso é o que está posto. O jogo é muito sujo, raso, asqueroso e só não entende quem não quer, ou finge que não ver. Boa noite e boa votação para todos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

E ali estava eu

Por Olívia de Cássia

E ali estava eu: um tanto quanto incrédula diante daquela reviravolta; eu sabia que poderia ser verdade, mas fazia de conta que poderia não ser: como a gente faz quando não quer acreditar em algum fato corriqueiro da nossa convivência pessoal, ou não quer enxergar.

Às vezes damos uma de 'João sem braço', para continuar lutando por aquilo que a gente acredita. Muitos anos pensando que aquela situação fosse a 'felicidade' que eu porocurava, para não ter que dar o braço a torcer e acreditar que as outras pessoas tinham razão quando insinuavam o contrário.

Eu não queria aceitar ou fingia que não acontecia. A vida é assim: no livro O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini (2012) Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970.

Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de
seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas.

E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Da mesma forma, assim como na ficção, a vida imita a arte e muitas vezes agimos assim, deixando escapar a chance de sermos outra pessoa.

Deixamos passar alguns momentos na vida, que não adianta o lamento depois. E como dizem por aí, quando a gente abre o olho, o tempo já passou. "O tempo passa muito rápido, e a pior coisa é se arrepender. Não adianta a gente lamentar pelo o que não fez, e se arrepender do que fez".

Eu me arrependi do que não fiz. Não temos uma segunda chance em muitos aspectos da vida e quando temos ela não vem da mesma forma. Eu aproveitei muito; vivi bons momentos ao lado dos amigos e posso dizer que fui muito feliz. Mas também tive meus dias tumultuados: na juventude e nos meus relacionamentos pessoais, como todo mundo.

Afora isso, não nego que gostaria de ter uma segunda chance: e quem não gostaria de tê-la! Mas não o tendo, precisamos aprender 'a fazer a limonada com apenas um limão', aproveitar o que a vida ainda tem para oferecer e pensar positivamente, não deixando que os maus fluídos e gente negativa nos influencie.

Nem sempre isso é possível, mas temos que tentar, ser persistente, teimoso. Gostar de poesia, de mar, de suavidade, de bichos; não se contentar com o que está estabelecido apenas por comodidade, mas não ser arrogante ao ponto de não aceitar ajuda dos outros.

É assim que tenho procurado viver meus dias de ocaso, até que Deus ou o destino ou sejaz lá que entidade for tenha tomado conta de mim e me leve para um lugar de luz, de céu, de mar, de flores, de muitos anjos protetores. É só o que peço, todos os dias, se eu merecer... Bom dia e boa tarde.

sábado, 24 de setembro de 2016

Quando o ter vale mais

Por Olívia de Cássia

Desde que tive consciência da minha existência terrena, ou como dizem no popular, que eu me entendo por gente, que observo as desigualdades na sociedade. Na infância nunca passei fome, mas ouvia os relatos dos meus pais a respeito de exemplos de quando moravam na roça.

Nasci em União dos Palmares, numa comunidade que antes era referência de entrada na cidade, quando as estradas de acesso à comunidade eram muito ruins e de barro. Era pela Rua da Ponte que passavam ônibus interestaduais, mercadorias e por onde o trânsito fluía para a capital, mesmo que de forma rude.

Depois que construíram a BR 104, o local passou a ser periferia e eu já não morava lá, mas estava sempre no local, pois meu pai continuou com a mercearia e o armazém que nos deu o sustento até a sua aposentadoria e da minha mãe, e meus avós moraram por lá até meus 14 anos.

A saudosa Rua da Ponte me serviu de laboratório para meus escritos. Lá moravam, desde pessoas da classe média remediada, até o mais carente e disso tudo tive muitos exemplos. Naquela época os relacionamentos eram mais fraternos; um ajudava o outro e éramos uma família.

Com o tempo a situação foi se modificando, a violência foi chegando e não foi diferente com o resto do país. A escolas sempre esteve presente em minha vida de uma maneira muito forte.

Eu era aplicada, mas sempre tive dificuldade com os números, principalmente depois de uma 'bela surra' que levei ao tirar nova vermelha na matéria. Não sei se pelos exemplos familiares, mas sempre valorizei as minhas amizades e o ser, antes do ter.

Meu avô Manoel Correia Paes vendeu o pequeno engenho, o Mucuri, para cuidar de sobrinhos órfãos, quando o irmão faleceu. Ele e minha avó Olívia Vieira de Siqueira, de quem herdei o primeiro nome, venderam as terras, que não tinham muito valor naquela época.

As poucas posses foram vendidas a preço miúdo para que fosse possível o sustento deles. Meus avós permaneceram na roça, até que meus tios, que já estavam residindo no Rio de Janeiro, trouxeram eles para União dos Palmares e passaram a morar numa casinha bem simples, na Rua da Ponte.

Meus avós eram iletrados, mas vovô adorava literatura de cordel e me pedia para ler e contar aquelas histórias que envolviam Lampião e o cangaço e o padre Cícero, quase sempre. Passaram a viver do passado e a nos relatar as histórias da família.

Aprendi com eles que família a gente não escolhe e muitos deles aprendemos a amar mesmo com todos os defeitos e erros, mas os amigos a gente pode escolher e aprender a amar, saber que pode contar muitas vezes mais com eles ou sempre com eles, prontos a nos ajudarem a qualquer hora.

Num mundo onde o ter passou a valer mais que o ser, fui entendendo com os anos passados e as experiências vividas, a valorizar as pessoas e perceber que o que vale nelas não é o tanto de posses que têm.

Sou uma sonhadora, admito, mas não sou a única, como disse John Lennon. E por conta da minha maneira de pensar já atravessei moinhos de vento.

Fazendo uma releitura de tudo, naquela época os preconceitos até eram admitidos, tal o atraso social em que o País vivia; assim entendíamos, mas agora? Em pleno século 21?

De uns tempos para cá nosso país deu uma reviravolta em tudo, em todos os aspectos e a sociedade regrediu de um jeito espantoso e inacreditável. Eu costumava dizer brincando aos meus pais que se vivesse à época da inquisição que teria acontecido comigo o mesmo que aconteceu com Joana D'Arc.

Mas parece até que estamos regredindo à Idade Média ou à Idade da Pedra Lascada, tal o retrocesso dos dias atuais. Uma sociedade que elogia figuras como Eduardo Cunha e outrosassemelhados que seguem a mesma linha, pelas suas práticas e crenças, vai dar em quê? Como acreditar no ser humano?

O primitivismo observado em algumas camadas da sociedade impressiona, pois quanto mais se observa o grau de acumulação de bens, mais atraso se percebe com relação às questões sociais, guardadas as devidas proporções.

Me limito a falar aqui, meu querido Diário, da minha decepção com alguns 'seres humanos'; talvez seja por isso que cada dia me apego ainda mais aos meus filhotes de quatro patas. Acho que eles são menos irracionais do que profetizam.

Como dizer que são racionais e humanos, lideranças que fomentam a guerra entre países e colocam os mais humildes no from do combate, enquanto eles ficam encastelados usufruindo do melhor?

Segundo um texto que li na internet sobre essa temática, "as ações excessivas do homem, dito civilizado, fazem parte de um contexto mais complexo da sociedade em que vive. Mesmo em países considerados de Primeiro Mundo, com educação primordial, encontram-se notícias de atos irracionais praticados por seus habitantes".

Para citar um exemplo, no Brasil e em nosso Estado, a violência campeia e o cidadão se enclausura em muros de concreto a sete chaves, com medo de ser assaltado e violentado. Corriqueiramente, moradores fecham suas ruas, com medo de assaltos e de serem violentados.

A impunidade reina aqui e alhures, quando se trata de punição para quem cometeu a violência se seu poder aquisitivo é considerável e tiver dinheiro para pagar um bom advogado. Do contrário, muitas vezes o apenado se torna mais perigoso ainda, ou morre dentro do próprio sistema prisional, sem que o inquérito policial seja concluído.

Falta políticas públicas de educação, antes de se construir mais presídios e de se condenar apenas os meliantes menos favorecidos."Independente das causas sociais, no Brasil está faltando punição exemplar aos agentes criminosos para que a banalização criminal não continue se tornando um fato cotidiano, segundo o advogado Júlio César Cardoso.

Para ele, a raiz do problema está na cúpula político-governamental que não investe maciçamente em educação pública de alta qualidade para nivelar todos - brancos, pardos, negros, índios, para poderem disputar o mercado de trabalho.

Não querendo isentar os erros cometidos por algumas figuras, nos governos Lula-Dilma, os brasileiros mais carentes tiveram esperança e oportunidade de cursar uma universidade, tiveram boas escolhas para fazer.

Agora o país está caminhando para um abismo, cujo fundo do poço não é possível avistar, se continuarem essas medidas desse governo ilegítimo e sem credibilidade nenhuma perante nós e a comunidade internacional. Para refletir faltando poucos dias para a eleição municipal, em que serão eleitos prefeitos e vereadores.

sábado, 17 de setembro de 2016

Indignada

Olívia de Cássia

Já diz o dito popular que da vida a gente não leva nada, a não ser as boas ações que pratica, os amigos que a gente faz ao longo da vida e a humildade que a gente carrega.

Desde a quinta-feira, 15 de setembro, quando do anúncio do desaparecimento do ator Domingos Montaigner nas águas límpidas do São Francisco, que telespectadores assistem incrédulos o desenrolar dos fatos.

A morte trágica do ator, veio a ser confirmada quatro horas depois de ter mergulhado nas águas do rio, comovendo a quem aprendeu a admirá-lo e acompanha a história de Santo dos Anjos na novela.

Mas estranhamente o ser humano tem uma verve para a maldade e ao mesmo tempo que muitos lamentavam e prestavam homenagem ao ator e se solidarizavam com a família, pessoas infames e inescrupulosas deixavam recados torpes, imbecis e sem noção nas redes sociais.

O mundo está empobrecendo a cada dia; as pessoas estão ficando sem índole e sem sentimentos. Como avaliar um indivíduo que numa hora de comoção social e de dificuldade que o país está vivendo, é capaz de dizer que foi a atriz Camila Pitanga que empurrou Domingos para longe, porque é filiada ao PT?

O que pensar de um monstro desse? Outro imbecil disse que não sabe o que o ator veio fazer no Nordeste, quando deveria estar no Sudeste. Respeitem o Nordeste, porque se não fosse a nossa região, o que seria da sua região?

Respeitem o sentimento das pessoas, respeitem o ser humano, as opiniões diferentes das suas. Reflitam sobre esse ódio disseminado ao Nordeste e a um partido político. Sejam pessoas do bem, que lá no cemitério, todos vão para debaixo do chão. Fica aqui a minha Indignação.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Há esperança ainda

Por Olivia de Cássia Cerqueira

O sol voltou a brilhar
para nos dizer
que ainda há esperança.
Basta semear
a semente do bem
e querer o melhor para si
seus semelhantes.
Dividir o pão, sem egoísmo.
Ainda há tempo de sonhar
De acreditar e de querer amar
um sonho maior de se sonhar.
Há esperança ainda.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O que esperar?

Por Olívia de Cássia

O que esperar de um governo que está tirando todos os direitos conquistados pelos trabalhadores e movimentos sociais, durante esses anos e por intermédio da Constituição de 1988?

O que dizer de quem foi às ruas, alguns da classe média baixa, que depende de seu emprego para sobreviver, para defender Eduardo Cunha, Temer e gritar Fora Dilma? Eles agora estão vendo o que foi que angariaram para si e seus assemelhados colegas de trabalho.

Ideologia e lado político, cada um tem o seu. É como futebol e religião: devemos respeitar; mas a de se convir que o país sofreu um golpe e que aqueles deputados e senadores que votaram pela saída da presidente Dilma, sem nada provado, estão mais sujos do que pau de galinheiro.

Uma prova disso é que dois dias depois da saída da presidente Dilma, eles já consideraram e aprovaram no Senado que pedalada fiscal não é crime. Cada um para se livrar de suas tramoias.

Não devemos silenciar diante de tudo isso: mulheres, negros, movimento LGBT, movimentos sociais, entidades de classe e afins. Em entrevistas depois do impeachment, alguns senadores reconheceram que Dilma Rousseff não praticou crime de responsabilidade e que haviam votado pela sua destituição porque ela não teria mais condições de governar.

Isso confirma como já foi dito largamente pelos petistas e apoiadores de Dilma e Lula, que o processo de impeachment foi forjado para retirar do poder uma presidente democraticamente eleita.

A classe dominante não tem nada a perder com esse desgoverno, pois a maioria dos empresários aprovaram as medidas anunciadas pelo interino temeroso (para mim vai ser sempre interino).

Repórteres milionários, principalmente da Rede Globo, estão extasiados com o pacote de maldades anunciado por esse desgoverno, noticiado com satisfação. Isso é só o começo, infelizmente para nós, simples mortais.

Movimentos sociais que foram e estão indo às ruas, protestar contra as artimanhas dos golpistas estão sendo reprimidos pela polícia, comandada por aqueles que apoiaram o golpe. Muito pior do que estava a crise no país, está agora.

Agora eu pergunto: é ou não é golpe de estado? É ou não é um retrocesso político e social tudo isso que está acontecendo no Brasil? . E fora Temer!Para reflexão nesse início de tarde e bom fim de semana a todos.

sábado, 3 de setembro de 2016

Quando bate a incerteza...


Por Olívia de Cássia

Sabe meu Diário, quando bate aquela tristeza e o momento de incerteza do que se vai por aí? É como me sinto neste momento que posso dizer que não é mágico e nem tão suave como eu queria que fosse.

Ando à flor da pele, sensível por demais; talvez seja culpa das novas descobertas e dessa nova vida que estou levando. Dentro de mim mora uma menina que queria mudar o mundo, se fazer um ser humano melhor, coisa que nem sempre a gente é compreendida.

O padre Fábio de Melo, que muito admiro, disse que devemos dar valor às palavras e pensamentos produtivos, construtivos, normalmente vindos de pessoas que nos amam verdadeiramente.

Mas não sei por qual motivo, quem a gente ama, seja lá quem for, família ou amigo, nos deixa mais entristecida do que deveria. Por esses dias, Diário, eu talvez não tenha sido compreendida nas minhas atitudes e deixei insatisfeitas algumas pessoas.

Tem momentos que tomamos iniciativas com objetivo de mostrar o nosso amor pelo próximo e o resultado sai pelo avesso, mas interpretado e mal conduzido. E nesse momento eu fico arrasada por demais; vou ao chão.

É como se tivessem me roubado a alegria, a minha forma de mostrar o meu carinho e a boa vontade. Não que eu seja melhor do que outras pessoas; muito pelo contrário. Tenho infinitos defeitos e não tenho medo de confessá-los ou de expor o que sou. Sou um ser humano errante à procura da minha missão aqui na terra.

Não sou do tipo que se esconde por trás de uma couraça ou de um mundo que não é o meu. Não nego minhas raízes. Nasci nua comunidade que hoje já não existe e foi levada pelo Rio Mundaú. Vivi ali até nove anos, mas volta e meia estava eu no mesmo local.

Avalio que existem situações que são difíceis de enfrentar, assumir e superar para todos nós, como o abandono, a rejeição, o desprezo, a culpa, etc. Sim, a culpa e o medo são os piores sentimentos que a gente carrega e talvez esteja aí a chave do problema.

Segundo os estudiosos no tema, quem age de maneira rude e mal educada com seus semelhantes é porque carrega dentro de si fardos muito pesados e é nessas horas que tem que perceber que as outras pessoas não têm culpa de seus destemperos, suas querelas interiores.

"A personalidade e o temperamento de cada pessoa influenciam no seu comportamento diante deste tipo de situações que podem provocar uma grande dor emocional. Por isso, há quem se exponha a situações dolorosas sem se proteger, com certa tendência ao masoquismo, até ficar tremendamente machucado e ferido", diz a psicanálise.

Eu não quero e não desejo essa situação para mim. Muitas vezes fazemos algo achando que estamos agradando, sendo gentil, registrando momentos importante do convívio familiar, avaliando que isso pode ser uma prova de amor aos seus.

Ledo engano. Não nos veem assim. Por outro lado, devemos procurar entender o motivo pelo qual as pessoas agem dessa forma. Segundo os estudiosos, pode ser alguma sitação mal resolvida; negação do passado.

O psicanalista Sigmund Freud analisou a questão e dividiu a repressão psicológica em dois tipos: "a repressão primária, na qual o inconsciente é constituído; e a repressão secundária, que envolve a rejeição de representações inconscientes", pontuou.

Segundo ele, "a repressão é o processo psíquico através do qual o sujeito rejeita determinadas representações, ideias, pensamentos, lembranças ou desejos, submergindo-os na negação inconsciente, no esquecimento, bloqueando, assim, os conflitos geradores de angústia".

Talvez seja essa a explicação para a classe média brasileira estar se achando burguesa e esquecendo de seu passado e de suas origens. Para reflexão na manhã de sábado. Bom dia.

E agora, o que fazer?

Por Olívia de Cássia E agora, o que fazer? Essa pergunta me veio à baila, antes e depois da aposentadoria por invalidez e em alguns dias q...