sábado, 27 de fevereiro de 2016

Ser humano

Olívia de Cássia

Se o criador está
na natureza,
Por qual motivo
ela é tão maltratada
Pelo ser humano?
Ser humano?
Que humanidade
é essa que
Devasta florestas,
dizima
Outros da sua espécie,
Maltrata animais,
Discrimina pessoas
pela Cor de sua pele
e pelo seu pensar?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Geraldo Cardoso representa forrozeiros alagoanos em audiência no Ministério do Turismo

Por Olívia de Cássia 

O Matuto de Luxo Geraldo Cardoso representou os forrozeiros alagoanos, na última quarta-feira, 17, em Brasília, em audiência com o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, que contou com a presença dos principais nomes do forró de raiz do Brasil.

Na oportunidade os forrozeiros solicitaram ao ministro a inclusão do São João no Calendário Oficial do Turismo de Inverno no Brasil e segundo Geraldo Cardoso, o encontro também serviu para mostrar algumas demandas da categoria. Os artistas também agradeceram ao ministro e pediram para que o Cadastur (cadastro de artistas direto ao Ministério) seja simplificado.

Na audiência com o ministro, Geraldo Cardoso disse que houve reclamação observando que o São João está sendo descaracterizado na região. “É importante destacar que, durante o São João, os forrozeiros de raiz estão sendo deixados de lado, em detrimento da contratação de artistas e bandas descaracterizadas”, observa o cantor.

Segundo ele, o turismo repassava valores para empresas que criavam uma festa que não tem nada a ver com o São João.  Na audiência,  entre as demandas reivindicadas, os artistas solicitaram ao ministério que reforçasse ações para promover a festa junina nos principais mercados emissores de turistas para o Brasil.

 “Também solicitamos a realização de uma pesquisa para fazer o levantamento da economia gerada pela festa nos principais polos brasileiros, para que no futuro possa facilitar a captação de patrocínios privados e investimentos”, pontuou.

Geraldo Cardoso comenta ainda que a proposta é que o São João do Brasil cresça ainda mais, a partir da divulgação nacional, pois uma festa típica e cultural como o São João precisa de reforço para ser mais divulgada.   

APOIO

O ministro Henrique Eduardo Alves prometeu atender a pauta dos músicos. “Ainda acrescentou que tentará levar um grande evento para Brasília e prometeu lutar por um palco dedicado ao forró nas Olimpíadas do Rio de Janeiro", explicou.

Participaram da audiência, além de Geraldo Cardoso, Aldemario Coelho, os cantores Santana, o Cantador, Genival e João Lacerda, Nádia Maia, Jorge de Altinho, Alcymar Monteiro e integrantes do grupo Quinteto Violado, além de artistas da Bahia e da Paraíba. O encontro teve  o apoio do deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT), autor de emendas para a cultura do Estado.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Não consigo entender...

Olívia de Cássia - jornalista

Não consigo entender alguns apelos ao atraso que pessoas ditas religiosas fazem invocando a Bíblia. Às vezes o estranho comportamento vem de pessoas ditas letradas, que se deixam engabelar por conversas de aproveitadores e enganadores que usam a religião para alienar ainda mais gente que já não gosta de ler e de se informar e para se locupletarem.

 Venho me perguntando até quando essa gente vai levar esse comportamento? Será que apostam na desinformação eterna das pessoas? Opinião sem conhecimento de causa, não é muito legal, pois a gente corre o risco de ‘pecar’ por falta de aparato teórico.

As religiões às vezes alienam as pessoas de forma que elas ficam, parece-me que com a mente embotada; embora eu respeite a opinião de quem pensa diferente de mim, apesar de tudo. Parece-me um tanto quanto precipitada e alienante, fazer comparações que não têm fundamento, só porque um sujeito desinformado e ‘doido’ falou isso ou aquilo.

Não devemos misturar as coisas. Existe um quesito chamado informação, e quanto mais a gente procura se inteirar dos fatos, menos falhas a gente comete nas nossas avaliações.

Segundo um texto que vi postado na internet, “um dos maiores perigos que envolve a liberdade religiosa não está exposto nas vitrines das lojas de armamento, nem nas lojas de bíblias e nem tampouco nas rodas de debate científico: está na mente de pessoas cujo poder de argumentação poderoso fomenta outros ao fundamentalismo religioso”.

O exemplo que aprendi com a religiosidade do meu pai e com o que li na Bíblia, quando jovem, vai de encontro a muita coisa que é colocada hoje e que me causa arrepio de ver tanta gente alienada, apesar de jovem.

Nunca fui muito de aceitar as coisas que me eram impostas e ainda hoje, apesar de ser mais tolerante, não consigo assimilar ideias atrasadas que se propaga em nome da religião. Nasci de uma família católica, mas nem por isso desrespeito a religião alheia, mas há que se considerar que existem pessoas que professam uma crença e querem impor sua filosofia de vida pra gente.

Não gosto disso e abomino algumas práticas nessa direção. Tenho minhas convicções; minha formação e não abro mão delas por nenhuma outra filosofia;  respeito muito quem pensa diferente, só acho que as pessoas deveriam ler mais e tentar se aprofundar em alguns assuntos, deixar de acreditar em lendas que são propagadas como verdades absolutas.

Não existe uma verdade única, várias vezes já fiz essa avaliação. Cada pessoa tem a sua verdade e deve respeitar a do outro. Também posso estar errada na minha avaliação, mas quero ter o direito de dizer o que penso. Só isso.


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Serigrafias de Carybé podem ser vistas em exposição gratuita no Sesc Centro até março

Olívia de Cássia - Repórter

Até o dia 4 de março está aberta no Sesc-Centro, na Rua Barão de Alagoas, Maceió, para visitação, a exposição gratuita  “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”. Os grupos interessados devem agendar visitação à mostra, que pode ser vista de 12h às 18h.
Até o dia 4 de março está aberta no Sesc-Centro, na Rua Barão de Alagoas, Maceió, para visitação, a exposição gratuita “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”. (Fotos: Adailson Calheiros)
A itinerância da mostra é uma realização do Arte Sesc, projeto de circulação cultural criado em 1981 pelo Departamento Nacional do Sesc e tem o objetivo de promover o intercâmbio cultural e democratizar o acesso de diferentes públicos à produção artística do país.
O  projeto propõe divulgar a arte nas suas nuances, formas e expressões, características que sobrepõem as criações, tendo o Brasil como um celeiro cultural de diversidades e estilos. Fabrício Barros recepcionou a reportagem e deu esclarecimentos sobre o evento.
Segundo Fabrício, a exposição “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”, será ampliada até março para atender ao público de escolas.
“Esse ano a gente está chegando a 35 anos com o Projeto Arte Sesc, que é o mais antigo de circulação artística que o Sesc tem. Dentro de artes visuais, a gente recebe várias exposições ao longo do ano, em especial o Carybé, que chegou em Alagoas o ano passado, fez Teotônio Vilela e Palmeira dos Índios e agora está aqui em Maceió, sempre de segunda a sexta, de meio dia às 18h, para o público espontâneo”, observa.
Segundo Fabrício, a exposição “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”, será ampliada até março para atender ao público de escolas. “É quando eles estão retomando das férias, pós-carnaval, a gente vai até março para ter essa mobilização de escolas e outras instituições que queiram visitar”, explica.
A exposição é composta de obras originais de Carybé, que criou sua obra baseado nos livros de Jorge Amado. Dono de traços simples que revelam expressões e movimento nas cores vibrantes de suas obras, Carybé foi um dos homens que incorporou a missão de apresentar a cultura popular ao universo erudito, aplicando seu talento no registro de cenas cotidianas características do Brasil.
“São 30 criações originais do Carybé, que o Sesc passou a ter, a partir de uma parceria  com a Centro Cultural Banco do Brasil, e está compondo o acervo Sesc. São obras produzidas em cima da obra literária O compadre de Ogum, que inicialmente foram criadas para uma ilustração da TV. Jorge Amado fez o livro e quando foi para a minissérie da TV o Carybé fez a ilustração, em 1997”, destaca.
As ilustrações são de figuras da Bahia e da cultura afro-brasileira, que retratam aquele momento, que Jorge Amado tem na sua obra. “Carybé também acompanhava movimento de terreiros, mas não fazia registro de imediato, no momento da celebração, por respeito e só fazia as ilustrações quando chegava em casa, à noite, do que tinha vivenciado”, comenta.  
Entre palavras e traços, Carybé criou em diversos suportes e formatos. O que é explorado na exposição O Compadre de Ogum, no Sesc-Centro, em Maceió, é o seu trabalho em conexão com a literatura.
A obra de Carybé constitui uma apresentação da estética do candomblé para o próprio Brasil, assim como Jorge Amado fez na literatura. O Compadre de Ogum é a segunda parte do romance Os Pastores da Noite, publicado em 1964.
Todo o acerto tem uma sequência, a ordem que está no livro. Dentro da exposição também, do dia 20 a 23 de janeiro, teve oficinas de gravura, ministrada por Alice Barros, fazendo experimentações com 20 alunos, público de iniciação e também com quem já lida com artes visuais; o resultado também está em exposição no local.

QUEM FOI

Hector Julio Páride Bernabó nasceu na Argentina, em 1911 e quando tinha apenas oito meses seus pais se mudaram para a Itália. Ainda na infância, aos nove anos, a família fixou-se no Rio de Janeiro onde ele ganhou o apelido de Carybé, que o acompanhou por toda a vida, assim como as artes plásticas e a paixão pelo Brasil.
Somente depois de formado pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro o artista foi conhecer seu país natal, onde viveu por alguns anos até conseguir o que ele chamou de trabalho dos sonhos: viajar a bordo de um navio registrando cenas do Brasil em pinturas que eram vendidas para jornais.

Serviço

Exposição O compadre de Ogum
Local: Galeria de Artes da Unidade Sesc Centro
Período de visitação, de 20 de janeiro a 04 de março de 2016, de 12h às 18h.
Agendamento para visitação de grupos: 3326-3133

Carnaval de Maceió acabou?


O sociólogo Carlos Martins, que também é professor universitário,
disse que é um equívoco dizer que em Maceió não tem carnaval
Olívia de Cássia - Repórter - Tribuna Independente

De uns anos para cá, Maceió foi vendida para outros estados como cidade para descanso, em época de carnaval; uma festa que nos anos 60 e 70 era de muita animação e folia na capital alagoana, quando havia banho de mar à fantasia, mascarados nas ruas, corso, carnaval de clube e só se tocava frevo, marchinhas e músicas do autêntico período momesco.
O tempo foi passando e outras formas de diversão foram surgindo, mas muitos carnavalescos reclamam que o carnaval de Maceió se reduziu às prévias, período quando saem as ruas do bairro histórico de Jaraguá, vários blocos, que tentam resgar os carnavais antigos.  Na avaliação dos estudiosos, brincar Carnaval, ontem e hoje, ainda é deixar-se levar pelas cores, pelo ritmo, pela alegria e vale qualquer coisa para ser feliz.
“Carnaval é vestir-se de forma bizarra, e gaiata; é mascarar-se para surpreender e provocar risos, é dançar e pular no asfalto, acompanhando blocos, trios elétricos, carros de som que dão o tom da animação”.
O sociólogo Carlos Martins, que também é professor universitário, disse que é um equívoco dizer que em Maceió não tem carnaval, porque, segundo ele, não se leva em consideração que o modelo de carnaval da capital alagoana é um modelo construído quase que espontaneamente, sem a indústria do carnaval operando. Na avaliação do professor, em Maceió existe, sim, carnaval.
“Além disso, a característica marcante do carnaval de Maceió são os carnavais de bairros como em Bebedouro; Ponta Grossa; Pitanguinha; Benedito Bentes;  Ipioca, que são ações, em muitos lugares, espontâneas”, avalia.
Carlos Martins destaca que o carnaval de Maceió é  “diferente dos carnavais midiáticos, depende do ponto de vista de um carnaval modelo, aqui não existe carnaval para turistas, mas para o maceioense existe sim”, observa.
Segundo ele, não é possível resgatar o carnaval de Maceió, porque só se resgata o que se perdeu.  O professor avalia que existe um tipo ideal de carnaval construído a partir de alguns modelos no Brasil. O carnaval da Bahia, o carnaval do Rio e o carnaval de Pernambuco: “O que há de comum nesses três modelos?  Multidões  e mídia nacional, criando assim uma espécie de tipo ideal de carnaval”, observa.
Segundo Carlos Martins, quando se olha para Maceió, não se vê os mesmos elementos que existem nesses carnavais citados, “então ocorre a conclusão de que na capital alagoana não existe carnaval”, destaca.
Carnavalesco avalia que maceioense ficou sem carnaval de 20 anos para cá
O secretário de Cultura de Marechal Deodoro, o carnavalesco Carlito Lima, disse que o carnaval é a maior manifestação cultural do povo brasileiro e que o maceioense ficou sem a festa de uns 20 anos par cá, por falta de apoio dos governantes de cada época. Além disso, ele disse que a ideia dos que fazem turismo de "vender" Maceió como uma cidade de descanso “é estapafúrdia”.
Segundo Carlito Lima, isso nunca foi aceito pela população alagoana. “Escrevi artigos, fui às rádios e jornais e ainda hoje defendo haver carnaval nos dias de carnaval. Os ricos vão à procura de alegria em suas casas de praias em Salvador, no Rio ou no Recife; os pobres pegam as kombis velhas caindo aos pedaços e vão em busca de carnaval na Barra de São Miguel, Marechal; Paripueira”, reclama.
Segundo Carlito Lima, saem mais de 200 mil maceioenses buscando carnaval em outros lugares. “Se cada um gastar R$ 200 durante o carnaval deixa de circular na cidade de Maceió em torno de R$ 40 milhões de reais. O turista vem para Maceió porque é uma belíssima cidade não precisava inventar essa história de Maceió não ter carnaval”, avalia.
No entanto, o secretário de Cultura de Marechal Deodoro reconhece que na periferia o carnaval resiste: “Tanto que a Prefeitura de Maceió organizou nove polos de carnaval nos bairros onde existe tradição carnavalesca”. Carlito Lima ressalta também o ‘desaparecimento’ dos bailes de carnaval de clube no Brasil.
RESGATE
“No Rio de Janeiro há dez anos praticamente só havia as escolas de Samba, mas houve uma preocupação em incentivar blocos de ruas e o carnaval do Rio está ‘bombando’ com os blocos que levam alegria e aproveitam para fazer críticas ao momento atual. Aqui em Maceió tem as prévias, mas prévias de quê, se não existe carnaval?”, pergunta.
Ele argumenta que devia ter carnaval nos dias de carnaval e também robustecer as prévias que são fantásticas. “São a prova de que o alagoano como todo brasileiro sente a necessidade de um desabafo de quatro dias, uma alegria fugaz que se chama carnaval. Não é fazer um carnaval igual aos antigos onde brinquei muito na Rua do Comércio é fazer uma adaptação ao modernismo, o que interessa é a alegria que o pobre e o rico têm direito”, defende.
Carlito diz ainda que tem pena quando observa Maceió abandonada nos dias de carnaval. “Ano passado fui aos restaurantes e estavam vazios; fui aos hotéis, cheios, todos os turistas que perguntei se vieram a Maceió porque não havia carnaval, eles respondiam que nem sabiam desse detalhe. Na Praia do Francês, em Marechal os turistas saem atrás dos blocos, Siri Mole, e até no Bloco do Garçons, na Quarta-feira de Cinzas é cheio de turista”, pontua.
Para fugir da mesmice e da cidade-cemitério, como ele diz, Carlito Lima criou o bloco Nêga Fulô, que sai pela primeira vez este ano. “Estamos fazendo uma experiência, para desfilar no domingo de carnaval às 15h30, saindo dos Sete Coqueros; é um pequeno bloco, entre amigos que não se conformam em ver Maceió uma cidade cemitério”, disse esse.
Professor de história avalia que Carnaval precisa ser regatado
O professor de História Gustavo Pessoa avalia que o carnaval de Maceió precisa ser resgatado. “Acho que existe uma parcela da população que não pode sair da cidade e acaba sendo órfã de outra possibilidade. É refém de uma escolha de mercado. Acho que o poder público precisa estar atento a essas demandas e reconstruir o Carnaval nos bairros em parceria com as comunidades”, opina. 
Segundo Gustavo Pessoa, uma cidade é concebida para quem vive nela e não para quem é visita.  “Quando erguemos uma casa, atribuímos os sentidos que queremos para ela e não o sentido que os visitantes querem eventualmente atribuir. Maceió não pode ser vista como Hotel; precisa ser vista como casa. A semiótica da cidade precisa ser construída por quem vive nela;  isso não significa fechar o diálogo com as possibilidades turísticas”, analisa.
MARCHINHAS E FREVOS
Já a administradora de empresas Zejane Cardoso disse que sente muita saudade dos carnavais passados, principalmente das marchinhas e frevo canção, músicas que eram tocadas amplamente nessa época do ano. Segundo ela, hoje o que se toca não é música de carnaval.
O comerciante Jobson Albuquerque, carnavalesco ‘das antigas’, concorda com a ideia de que deveria haver carnaval nos dias de carnaval e aplaude a ideia de algumas pessoas “que vêm tentando recuperar o tempo perdido”, destaca.
Prefeitura realiza carnaval nos bairros da capital
A  Prefeitura de Maceió divulgou o calendário das festas carnavalescas nos bairros da capital. As atrações vão começar no dia 6 de fevereiro e vão até o dia 9. Além de desfiles, haverá shows de diversos tipos musicais como samba, funk e axé.
Seis Regiões Administrativas (R.A) tiveram projetos aprovados pela Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac). Na Região 1, será realizado o Polo Alternativo no bairro de Jaraguá; na R.A. 2 três bairros diferentes receberão apoio para realização dos festejos momescos, são eles: Vergel do Lago, Ponta Grossa e Pontal da Barra.
Na Região 4, o bairro de Fernão Velho foi o contemplado e na R.A. 5 o multicultural Jacintinho foi selecionado como polo para folia. Na parte mais alta da cidade, onde está a R.A. 6, dois polos concentrarão a festa no bairro do Benedito Bentes. Fechando a lista, o litoral norte segue representado pelo bairro de Ipioca, integrante da Região 8.
Segundo a Prefeitura, a realização do carnaval em núcleos espalhados em diversos bairros e realizado pela própria comunidade reafirma a proposta de descentralização das festas adotada pelo órgão. A ideia é fomentar e valorizar o carnaval nos bairros levando oportunidades de acesso à cultura e à diversão para mais perto das pessoas.
Ainda de acordo com a Prefeitura, cada projeto recebe um kit que viabilizará a estruturação do evento, contendo palco, som, luz e banheiros químicos, além da contratação de artistas com cachês que não ultrapassem o valor de R$ 5 mil por núcleo festivo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Bloco Nêga Fulô quer fazer resgate do carnaval de rua de Maceió

Olívia de Cássia - Repórter 

O recém-criado bloco carnavalesco Nêga Fulô, sairá pela primeira vez no domingo de carnaval, 7 de fevereiro, deste ano, impreterivelmente às 15h30 e fará seu desfile até 17h, sem atraso, na rua fechada da Ponta Verde. O evento será animado pela orquestra de frevo W & K, de Marechal Deodoro, que tem 16 componentes. Segundo o idealizador do bloco e secretário de Cultura de Marechal Deodoro, Carlito Lima, certamente o público será de pessoas com mais de 50 anos.
Segundo o idealizador do bloco e secretário de Cultura de Marechal Deodoro, Carlito Lima, certamente o público será de pessoas com mais de 50 anos. (Foto: Olívia de Cássia)
Carlito Lima observa que o objetivo da iniciativa é fazer um resgate do verdadeiro carnaval de rua de Maceió. “De uns anos para cá, essa tradição quase acabou, pouquíssimos blocos saem às ruas no dos dias de carnaval. Nos anos 60, havia o tradicional Banho de Mar à Fantasia, no domingo anterior ao carnaval, onde os blocos fantasiados desfilavam, com muito frevo e marchinhas”, lembra.
O produtor cultural observa ainda que no bom português ‘prévia’ é aquilo que antecipa alguma coisa. “Prévia para mim é uma mostra do que vai acontecer, se não tem carnaval, como pode ter prévia?, indaga Carlito Lima, ressaltando que não é contra as prévias carnavalescas. “Gosto do Pinto da Madrugada, é muito bom, vou sempre, mas me dá uma tristeza danada quando vejo o carnaval em Maceió  atualmente”, destaca. 
Segundo ele, a criação do bloco Nêga Fulô tem o objetivo de retornar a animação da cidade nos dias de carnaval e que o povo da cidade tenha motivo para ficar em Maceió durante a festa. “Sempre houve uma tradição de carnaval de rua em Maceió, mas lamentavelmente, foram acabando com isso e queremos fazer um resgate da história da folia de Momo”, destacou.
Carlito observou ainda que na Rua do Comércio de Maceió, 15 dias antes do carnaval, já começava a maratona carnavalesca toda noite, com orquestras de frevo em cada esquina. “Por conta de tudo isso, estamos criando o bloco, com a finalidade única de divertimento durante o carnaval, a mais espontânea manifestação popular do povo brasileiro”, reforça.
Para a viabilização do desfile, Carlito Lima destaca que já deu entrada em todos os órgãos da Prefeitura e demais departamentos oficiais de Maceió, para os devidos licenciamentos e que não pretende competir com nenhum outro bloco. “Não queremos ser igual ao Pinto, que tem 15 orquestras e tem toda estrutura; no nosso não vai ter som; é pé no chão todo mundo”, ressalta.
O nome Nêga Fulô foi escolhido em homenagem ao poeta alagoano Jorge de Lima, autor do poema ‘Essa Nêga Fulô’. “Ressalto que não vai ter trio elétrico, não tem carro de som. Para sair no bloco o folião não paga nada: é só cair no frevo e nas marchinhas antigas”, disse ele.
Carlito Lima destaca ainda que os carnavais de Maceió nos anos 30\40 do século passado; eram animados com festas, tradições do Major Bonifácio, “depois veio o Moleque Namorador, o Rás Gonguila com seu bloco Cavaleiros dos Montes; entre tantos outros”.
“Vamos fazer na Ponta Verde, mas não é uma coisa da elite; a rua é pública e quem quiser pode participar. Geralmente o ricaço da Ponta Verde tem casa na Barra de São Miguel, no Francês e vai pra lá. Todo mundo pode entrar no frevo do bloco; é uma aposta que estamos fazendo, pois Maceió precisa de carnaval nos dias de folia. Todo ano, depois do carnaval a gente reúne várias pessoas e todo mundo fica falando que precisamos fazer o carnaval de Maceió, daqui a pouco nada faz; aí eu disse: pois eu vou fazer um bloco”, comenta.
Carlito Lima disse que o bloco Nêga Fulô já está com uma boa aceitação em Maceió e que a Facima (Faculdade de Maceió), que tem o curso de Agentes Sociais, para pessoas da terceira idade, vai fazer um bloco para desfilhar no Nêga Fulô. “Éum projeto de médio prazo, vamos fazer a primeira experiência; não estamos tendo apoio financeiro nem do governo e nem da Prefeitura”, pontuou.
HOMENAGEADO
O bloco Nêga Fulô também fará uma homenagem ao carnavalesco Prego, líder da Escola de Samba Gaviões da Pajuçara. “Eu pensei em todo ano homenagear um carnavalesco José Hilton Feitosa, mais conhecido por Prego. “Pensei em vários nomes e resolvi homenagear o Prego: um cara batalhador, da Gaviões da Pajuçara, que não vai sair esse ano, por falta de verba”, destacou.
Foi o pai do carnavalesco homenageado (Manoel Feitosa Neto, o mestre Netinho, primeiro bonequeiro do País) que começou a confeccionar os bonecos de Olinda, em Riacho Doce. Depois ele levou a ideia para Olinda e Pernambuco e lá se popularizou.
Procurado para falar sobre a homenagem, Prego, como gosta de ser chamado, disse que para ele é uma honra ser homenageado pelo Nêga Fulô.  “Vamos sair com o bloco Bonecos da Cidade e encontraremos o Nêga Fulô, onde serei homenageado. Para mim é uma alegria muito grande essa homenagem que o Carlito, secretário de Cultura de Marechal, está fazendo. Depois do carnaval, vamos fazer uma oficina de bonecos”, pontuou.
Prego informou ainda que atualmente os bonecos confeccionados em Maceió (a cabeça) é de papel marchê e os de Olinda são de fibra.

Alguns instantes. Vivendo por aí...