segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Show do Matuto de Luxo em Palmeira dos Índios foi um sucesso de público e levou 2.000 pessoas

 Foto: Paulo Tourinho
Olívia de Cássia-Ascom

Como parte das comemorações de nove anos da Associação de Mulheres de Palmeira dos Índios (Ampi), o show do Matuto de Luxo Geraldo Cardoso foi sucesso de público e conseguiu juntar cerca de duas mil pessoas.

O alagoano de Quebrangulo mostrou mais uma vez seu talento, animando a festa que teve a participação do deputado federal Paulão (PT), deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT), entre outras personalidades.

O evento, organizado pela vereadora Sheila Duarte (PT), idealizadora da entidade, teve apoio das entidades comerciais: Sindilojas, Fécomercio, Sesc, Senac, Ampi e Comercial Gil, patrocinador oficial, proporcionando entretenimento e diversão ao público, considerado o show do ano, além das apresentações do repentista João de Lima e Chau do Pife.

Geraldo Cardoso fez o público dançar e cantar, num evento que é fruto de uma parceira com a Fundação Municipal de Cultura (Fmac) com o Ministério da Cultura (Minc), por intermédio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (convênio nº 798826/2013).

O convênio, intitulado Programa Ações Culturais para Maceió é resultado de uma emenda do deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT) e viabiliza ainda uma série de outros espetáculos promovidos até dezembro de 2016 por diversos grupos culturais de Maceió.

O Matuto de Luxo soltou a voz; levou muita alegria e descontração no evento e fez todo mundo dançar. O show teve músicas do novo CD do forrozeiro e que foram sucesso na sua voz e de outros nomes da Música Popular Brasileira.

O alagoano Geraldo Cardoso está entre os melhores nomes do forró do Nordeste, já tendo recebido várias premiações, pelo reconhecimento de seu belo trabalho.

O Matuto de Luxo é hoje um dos autores mais gravados no contexto regional, por artistas como: Jorge de Altinho e Flávio José, que gravou Casa de Tapera, de autoria de Geraldo Cardoso e Ari Persiano, música de trabalho do novo CD de Flávio José.


domingo, 29 de novembro de 2015

Uma rotina quase estranha ...

Olívia de Cássia - jornalista

A gente pode estar seguro do que quer, mas chega um dia em que todas as lembranças vêm à tona e nos pegamos viajando em pensamentos, vivenciando coisas que fazem parte de um passado distante, da adolescência e juventude, mas que às vezes se faz tão presente que dói na alma da gente.

Todas essas lembranças nos servem de lição, são acontecimentos que fizeram parte do nosso crescimento interior, aquelas vivências mais profundas que influenciaram de alguma forma na nossa vida e construíram a nossa personalidade.

Acho que é isso o que faz a pessoa madura. Eu sou o que sou e nunca fingi ser diferente, de dupla personalidade, porque não posso passar para os que estão próximos de mim uma imagem diferente, não sei fingir.

Sempre tive uma maneira de pensar diferente, o que me rendeu na família algumas situações e conceitos precipitados. Alguns me tomaram por louca e outros por radical. Quem me conhece sabe que eu sou assim mesmo: às vezes um pouco louca, romântica, antagônica ao extremo. Mas nunca dissimulada.  Apenas uma pessoa querendo ser feliz e justa.

Às vezes a gente se angustia pela falta de reconhecimento pelo nosso esforço, mas isso também faz parte do jogo. Não vamos esperar que tudo saia perfeito, da forma  como desejamos.  

Tem momentos que me pego fazendo interrogações, querendo saber o motivo de tais situações, mas nem isso vai tirar o meu foco se acredito e amo  o que faço. Tem momentos que me falta paciência, talvez isso seja os sinais da idade que batem á porta, mas procuro amenizá-los.

Só sinto a idade que tenho quando as limitações dão aquele sinal de alerta e me dizem que terei um pouco de dificuldade perante aquela situação, mas que devo tentar. É fim de tarde de domingo e o barulho na rua é apenas do álcool que já mostrou seus sinais na vizinhança.

Crianças correrem pela rua brincando; ainda um privilégio por aqui, feito aquele tempo do interior que não tínhamos violência e podíamos brincar nas calçadas e na vizinhança. Meus bebês de quatro patas já se aquietaram diante do barulho de final de tarde de domingo, lá de fora, e ainda me sinto sonolenta, apesar de ter dormido tanto no fim de semana.


Preciso de poesia para suavizar meus caminhos ainda que tortuosos e incertos. Quero continuar semeando a tolerância, a paz, a humildade  e que haja ainda um longo caminho a percorrer. Boa tarde. 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

VII Bienal do Livro retrata universos de sentidos

Olívia de Cássia - Repórter \ Tribuna Independente

Até o dia 29 deste mês, os leitores alagoanos podem visitar a VII Bienal do Livro, no Centro de Convenções Ruth Cardoso, que este ano tem como tema ‘palavras, sons, imagens: universos de sentidos”, uma proposta contemporânea que inclui literatura com arte e outras ideias.
Até o dia 29 deste mês, os leitores alagoanos podem visitar a VII Bienal do Livro, no Centro de Convenções Ruth Cardoso (Fotos: Olívia de Cássia)
São mais de 80 palestrantes convidados para a VII Bienal e cerca de 134 expositores, que estão com seus estandes à espera de consumidores. Sebastião Medeiros é da equipe de organização do evento e disse que o primeiro dia superou todas as expectativas dos organizadores.
“Nunca tivemos tanto público numa abertura da bienal; estamos batendo todos os recordes de público, até porque a Bienal está sendo bem artístico-cultural e começou a atrair um público maior. Tivemos uma atriz e poeta da rede Globo, Elisa Lucinda, e alagoanos como Eliezer Setton e Júnior Almeida”, destacou.
Na programação da Bienal, durante todos os dias, segundo Sebastião Medeiros, terá atrações culturais e artísticas, no Palco Gogó da Ema, no Teatro Gustavo Leite; apresentações de grupos culturais e associações teatrais, para todos os gostos.
Elias Abílio é livreiro e já está na quarta edição da Bienal em Alagoas. Ele comercializa miniaturas de livros e disse que a proposta é chamar atenção e incentivar a leitura, com um formato de livro diferenciado. “Ao atrair as pessoas para a proposta diferente, elas ficam curiosas e pelo menos faz com que as pessoas abram o livro e despertem para a leitura”, observa.
Elias Abílio disse, que tendo como experiência o evento passado, as vendas ainda estão tímidas, mas que está com esperança de que melhorem.
O estante do Arquivo Público do Estado de Alagoas inovou na VII Bienal do Livro. A superintendente Vilma Nóbrega disse que a ideia foi seguir a temática do evento: sons, palavras e imagens, e nada melhor do que mostrar a cara do Arquivo Público, trazendo um pouco do seu acevo fotográfico.
Segundo ela a inspiração foi em Luiz Lavenére, um dos fotógrafos mais antigos, que fotografou lugares de Maceió, que ninguém nunca conhecia. “Nós trouxemos do acervo que o Arquivo dispõe dele 400 imagens; vai ser publicado um catálogo, mas a gente separou algumas que retratam Maceió do século XX”, pontua.
Segundo Vilma Nobre, a proposta também é tornar o estande interativo para atrair a criança, com o produto viajar no tempo, que é a ideia dos monóculos pendurados em cordões, muito usados pelas famílias, em décadas passadas.
“O monóculo com cem imagens, também comemorando os 200 anos de Maceió, que essa também é uma proposta nossa e os monóculos têm imagens que vão desde a festa do centenário de Maceió a temas diversos como: cangaceiros, regatas, fotos de pessoas ilustres ea s pessoas têm viajado no tempo”, observa.
No mural, as pessoas deixam poesias e mensagens. “Expomos o mapa de Alagoas e os visitantes vêm deixando suas mensagens
Vilma disse que tem pessoas que visitam o estande e choram quando veem as imagens antigas do tempo de infância. “Há pessoas que dizem que no seu tempo só tinha fotos com monóculos, outras dizem que têm em casa e não tinham tido essa ideias para mostrar à família e outro lado do estante colocamos Minha Alagoas em Palavra”, observa.
No mural, as pessoas deixam poesias e mensagens. “Expomos o mapa de Alagoas e os visitantes vêm deixando suas mensagens; o que vem nos surpreendendo porque os jovens têm deixado poemas, Adultos; crianças de todas as idades; e o mapa já está todo colorido eu acho que o Arquivo está mostrando que não é um lugar morto; é um lugar vivo , de memória, onde preservamos um rico acervo preservado de jornais, revistas, fotografias, é um convite para que as pessoas o visitem mais e conheçam o acerto”, ressalta.
Os estudantes Carlos Henrique e Graciele disseram que gostaram da ideia: “Tem o Gogó da Ema; os antigos carnavais de Maceió; imagens de como era a praia antigamente, modo de vida da população, o policiamento e outras imagens”, disseram.

Edufal

Maria Estela Torres Barros da  Editora da Ufal (Edufal) disse que apesar das dificuldades, fazer o evento a deixa muito feliz. “Não sou eu apenas, é uma equipe que favorece todo esse trabalho nosso”. O evento é uma realização conjunta com o Governo do Estado e Prefeitura de Maceió e a Fundepes (Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa).
Segundo Estela Torres, mais do que economia para o Estado, o evento fomenta a promoção da cultura, da literatura, e esse congraçamento da sociedade alagoana; a presença das escolas públicas, privadas, o interesse pelas pessoas convidadas, sejam elas de outros estados, fora do Brasil; pessoas de Alagoas.
“Há espaço onde as pessoas podem livremente pedir autógrafos, vir expor seus produtos. Hoje perguntaram a um expositor que tem roupas e sacolas e contextos de cultura, como era a presença de roupas e enfeites numa bienal do livro e ele mostrou justamente o nosso pensamento: que a bienal do livro é mais do que palavra, a bienal são todas essas imagens, todos esses sons, que fazem esses sentidos maravilhosos, nesse momento que estamos  vivendo”, observa.
Com relação às palestras ela disse que tem algumas muito concorridas, outras dentro do previsto. “Alguns nomes mais presentes na mídia, provocam um frisson e número excede e agente tem que limitar e não há favorecimento; é ordem de chegada”, destaca.  
Zeca Machado é escritor e está com um estande lançando seu trabalho ‘ A Chave dos Mundos’, que faz parte da chamada Literatura Fantástica. Ele disse que é um autor independente e seu livro é uma fantasia clássica.
“Minha literatura é fantástica, mas a linha é clássica, um pouco diferente do que  se vê no Brasil. A divulgação que faço do meu livro é uma série chamada a Chave dos Mundos, onde até o momento foram publicados dois livros e até o final de dezembro será lançado o terceiro livro da série, que é composta de seis livros”, explica.
Alexandre Rodrigo dos Santos estava procurando livro para o filho e para ele.  Disse que gosta de leitura e de incentivar o filho a ler. “Estou tentando incentivar meus filhos a começarem a leitura também; eu gosto de romance policial e biografias”, observou. 
O jornalista Teodomiro Júnior estava com o filho de dez anos no estante da Livraria e Editora Paulinas, procurando um livro de quando fez a primeira eucaristia, mas disse que não encontrou. Não estão publicando mais. “Meu filho está fazendo a primeira eucaristia e por isso vim procurar”. Thiago disse que gosta de gibi: Turma da Mônica Jovem; Tio Patinhas e outros.
O jornalista Teodomiro Júnior estava com o filho de dez anos no estante da Livraria e Editora Paulinas, procurando um livro de quando fez a primeira eucaristia, mas disse que não encontrou.
Adrielly é estudante da Escola Estadual Margarez Lacet e estava na Bienal com uma turma de estudantes da escola. Envergonhada para falar, ela disse que está na sexta série e que gostou das apresentações culturais que estão acontecendo no evento. 

Geraldo Cardoso faz show na VII Bienal Internacional do Livro

Cantor forrózeiro Geraldo Cardoso- Foto: Paulo Tourinho

Olívia de Cássia - Ascom

Uma boa pedida para o maceioense que gosta de literatura, cultura e música regional será o show do Matuto de Luxo Geraldo Cardoso, que se apresenta na VII Bienal Internacional do Livro, dia 27, sexta-feira, às 18h, no Centro de Convenções, em Jaraguá, que este ano tem como tema palavras, sons, imagens: universos de sentidos; uma proposta contemporânea que inclui literatura com arte e outras ideias.

A participação do cantor forrozeiro na Bienal do Livro é uma realização da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), através da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (convênio nº 798826/2013).

 O convênio, intitulado Programa Ações Culturais para Maceió é resultado de uma emenda do deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT) e viabiliza ainda uma série de outros espetáculos promovidos até dezembro de 2016 por diversos grupos culturais de Maceió e será antecedida das apresentações de Chau do Pife e do repentista João de Lima. 

O evento acontece no hall de entrada, do lado esquerdo, próximo à escada do Centro de Convenções, onde será instalado um tablado com toda estrutura. 

Para quem gosta do autêntico forró Geraldo Cardoso é sempre uma boa pedida para iniciar o fim de semana com descontração e alegria. O artista vai trilhando seu caminho de sucesso, com simplicidade e determinação e uma carreira já consolidada nos palcos do Brasil.

O Matuto de Luxo compartilha essa alegria com o público, na próxima sexta-feira, quando promete muita alegria, descontração e forró, pela qualidade do seu trabalho e empreendimento na sua carreira.

O alagoano de Quebrangulo está entre os melhores nomes do forró do Nordeste; prova disso é que ele foi escolhido mais uma vez para representar o Estado de Alagoas nas gravações do "São João do Nordeste", da Rede Globo, com apresentação de Wesley Safadão.

Para Geraldo Cardoso, cantar na Bienal do Livro é uma grande satisfação: “É emocionante para mim fazer um show  num local que respira cultura e arte. Cada apresentação que eu faço a emoção é diferente, o prazer aumenta cada vez mais quando sinto que toco no coração e na emoção das pessoas”, disse o forrozeiro.    


O show do Matuto de Luxo será depois do lançamento do livro de Sandra Mary Vasconcelos, que está lançando na Bienal o seu sétimo livro. No repertório do artista alagoano terá músicas de sua autoria e de autores como Petrúcio Amorim, Dominguinhos, Nando Cordel, entre outros.

sábado, 21 de novembro de 2015

Mais um ano de comemoração da Consciência Negra

Olívia de Cássia - jornalista

Esse foi mais um ano em que pude cumprir minha tradição de ir até a Serra da Barriga, para reverenciar meu herói Zumbi dos Palmares, como faço todo ano ou sempre que posso. Estar naquele lugar mágico é uma troca constante de energia, a gente se sente renovada quando sai de lá.  
As autoridades que me deram entrevistas e que fizeram uso da palavra no palanque, repudiaram a intolerância; o ódio e o preconceitos contra quem pensa diferente, tem credos outros e a discriminação racial.
Debaixo de um sol escaldante, a gente ouviu e viu celebrações, cortejos, salva de tiros e discursos: seria bom que todos os que se posicionaram contra a intolerância o tenha feito de fato e acredito que sim.
Como bem disse a consulesa da França, Alexandra Loras, é preciso que mais  brancos se juntem aos negros, para lutarem contra o preconceito; afinal, somos todos seres humanos.  “É preciso ter mais brancos ao nosso lado, para entender como é difícil se desenvolver numa sociedade que só incentiva acusações ou estimativas ao redor do negro”, disse ela.
“Estamos vivendo numa sociedade onde o estigma está presente, com o reforço da televisão e meios de comunicação e é preciso acabar com isso”, ressaltou. Estamos em pleno século XXI, com conceitos de barbárie na sociedade brasileira. É preciso dar um basta a tudo isso.
O governador do Estado repudiou o ato de violência cometido na Marcha Nacional das Mulheres Negras, dia 18 em Brasília. Renan Filho disse que o que aconteceu na Marcha Nacional das Mulheres Negras, em Brasília, foi uma atitude arbitrária, “de simpatizantes de uma coisa ultrapassada que chama-se ditadura militar, sem tolerância; sem reconhecimento do direito da raça negra”, pontuou.
Outra pauta posta na ordem do dia pelo movimento negro é a violência cometida contra jovens negros, de 15 aos 29 anos. “O que chama a atenção, é o genocídio dessa população; é a faixa etária onde mais se elimina pessoas negras”, observou o professor Zezito Araújo, pesquisador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab).
O jornalista Leonardo Sakamoto em seu blog no dia 20, considerou  um insulto alguém dizer que brancos são vítimas de preconceito estrutural e se comparar a negros e indígenas. Segundo ele, o que muitos chamam de “racismo contra brancos'' por aqui nada mais é do que a reação de alguns inconformados diante dos ainda tímidos e minúsculos resultados de políticas públicas, adotadas por pressão da sociedade civil, para diminuir o preconceito estrutural.
“Há um pessoal que não se indigna diante do fato da mulher negra ganhar, em média, muito menos que o homem branco para uma mesma função. Indigna-se com quem diz que racismo existe no Brasil”, disse Sakamoto.
Há 320 anos morria Zumbi, abatido pelo ódio de seus perseguidores, por defender uma sociedade justa, onde negros, índios e brancos vivessem em harmonia. Que a utopia de Zumbi permaneça em cada coração que luta por liberdade. Para refletir.

Zumbi é celebrado em União dos Palmares com discursos contra o ódio e a intolerância racial

Escrito por Olívia de Cássia – Repórter 


O Dia da Consciência Negra, sexta-feira, 20, foi pautado de discursos das autoridades contra o racismo e a intolerância. Debaixo de um sol escaldante, militantes, simpatizantes, população local e visitantes foram reverenciar Zumbi dos Palmares, durante todo o de ontem, na Serra da Barriga, onde o herói liderou, viveu e morreu há 320 anos.

Segundo Cida Abreu, o conselho tem um papel fundamental de colaborar, contribuir e fiscalizar ações de políticas públicas para a cultura Afro-brasileira no país. Fotos: Olívia de Cássia

 No espaço do Parque Memorial onde Zumbi se reunia com seus conselheiros, a presidente da Fundação Palmares, Maria Aparecida da Silva Abreu (Cida Abreu) deu posse ao Conselho Curador, que faz parte da constituição da diretoria da Fundação Palmares. São dez membros: seis da sociedade civil e quatro do governo.
Segundo Cida Abreu, o conselho tem um papel fundamental de colaborar, contribuir e fiscalizar ações de políticas públicas para a cultura Afro-brasileira no país.
A secretária de Cultura, Melina Freitas, disse o momento simbólico é importante  não só para Alagoas, mas para todo o mundo. “A Serra da Barriga é um símbolo de liberdade, terra de Zumbi, um herói universal, e nós entendemos ser esse um momento para reflexão, da importância que povo negro tem para a cultura de todo o povo brasileiro. Trabalhamos  para que não seja apenas um dia”, disse ela.
O prefeito de União dos Palmares, Eduardo Pedroza, disse que estava emocionado com a solenidade. “Estou muito alegre com as autoridades que estão vindo aqui hoje em União, para nossa terra querida, terra essa que amo, onde eu nasci e também pelo 20 de novembro, que é muito importante para a cidade”, ressaltou.


O prefeito de União dos Palmares, Eduardo Pedroza, disse que fez uma parceria e se for uma vírgula para a Serra da Barriga ele vai colocar. 
O prefeito disse ainda que fez  uma parceria com a secretária de Cultura [Melina Freitas] e com a presidente da Fundação Palmares [Cida Abeu], “para que a gente não deixe que as atividades fiquem apenas no dia 20. Já entremos em contato e assumi um compromisso de que se vier uma vírgula para a Serra da Barriga, eu vou vir colocar”, observou.
Ainda na solenidade de posse dos conselheiros, a representante do escritório da Fundação Palmares em Alagoas e região, jornalista Élida Miranda, disse que o 20 de novembro é a data máxima da simbologia, na luta pela valorização da cultura afro-brasileira no combate ao racismo e todas as formas de intolerância.

“Estamos fazendo um debate, nesse Mês da Consciência Negra: seminário sobre o turismo étnico, na perspectiva da economia, como transformar a Serra da Barriga num grande roteiro turístico, cultural e histórico e possa contribuir com a economia da cidade de União dos Palmares e do Estado de Alagoas, trazendo o diferencial histórico, aquecendo a economia e reafirmando a nossa identidade negra”, destacou.
A representante do escritório da FCP em Alagoas disse ainda que o turismo ético vem dar uma resposta à reclamação da subutilização da Serra da Barriga durante o ano todo. É preciso melhorar o acesso; fazer com que o turismo desse espaço sagrado seja viável  no cotidiano. Outra prioridade, segundo Élida Miranda,  é  a questão dos capoeiristas, como fortalecer e valorizar essa questão, que os capoeiristas vêm defendendo. Sobre a questão da juventude, ela disse que foi feito um seminário para dar um não, um basta ao genocídio da juventude negra. “A gente não pode permitir que esse tipo de coisa aconteça e Alagoas é um dos estados com maior índice de violência contra jovens negros pobres e esse debate precisa ser feito e será uma bandeira encampada por nós ao longo dos anos”, pontuou.
No palanque oficial governador Renan Filho repudia violência na Marcha das Mulheres Negras
Depois da posse dos conselheiros, aconteceu a atividade oficial, no palanque central das atividades comemorativas ao 20 de novembro. Com presenças de personalidades como: o ministro da Cultura, Juca Fereira; deputados; secretários de Estado e artistas como Arlindo Cruz, Henri Castelli, ambos da Globo, o governador Renan Filho fez uma fala repudiando a violência cometida no dia 18, durante a Marcha Nacional das Mulheres, em Brasília.
 O governador pediu autorização do ministro Juca Ferreira para dispensar a nominata por conta do calor escaldante que estava fazendo na serra, próximo ao meio dia e para dispensar o discurso preparado. “Vou publicá-lo nas minhas redes sociais para que as pessoas possam ter acesso depois”, disse o governador.
Renan Filho disse que o que aconteceu na Marcha Nacional das Mulheres Negras, em Brasília, foi uma atitude arbitrária, “de simpatizantes de uma coisa ultrapassada que chama-se ditadura militar, sem tolerância; sem reconhecimento do direito da raça negra, eles entraram na Marcha, sacaram armas e atiraram para cima para intimidar. Não vão nos intimidar, como lá atrás não intimidaram”, destacou.
O governador disse ainda que na Serra da Barriga e em todo o Brasil ecoa esse voto de pesar contra a intolerância. Outro destaque à fala do governador foi sobre um apelo que disse que fará pessoalmente à presidente Dilma Roussef: a vinda da Fundação Palmares para União, observando  que alguns lugares do mundo têm muita legitimidade, segundo ele.
“O Rio de Janeiro tem o cristo Redentor; São Paulo, legitimidade de ser um dos grandes produtores econômicos do Brasil; Alagoas, a legitimidade de ser o Estado da resistência, da luta pela liberdade, onde ecoaram os primeiros sintomas de que quando o ser humano resiste,  a coisa verdadeiramente acontece”, disse ele.
Renan Filho também observou que nesse grito que começou a ecoar no Quilombo dos Palmares,  se conseguiu criar, muitos anos depois,  muitas coisas que organizam a nossa sociedade: “Democracia e a cidadania e é por isso que em nome dos alagoanos: ministro Juca Ferreira,  leve à presidente da República, para estar aqui em Alagoas, a Fundação Palmares, na terra de Zumbi dos Palmares. EE quando a Fundação vier para cá, tudo será facilitado, para que a gente recupere o sítio histórico, faça valer a cidade de União dos Palmares”, pontuou.
DIFICULDADE
O governador disse ainda que o Estado vive um momento de dificuldade, com a questão da violência. “Espero que ao final desse ano, podemos ver o Alagoas como não mais o mais violento do Brasil: talvez incluído entre os cinco, nem entre os cinco”.
Segundo o governador, é preciso para com a matança de jovens negros, ou que tenham preferência sexual diferente, orientação religiosa, para que, em homenagem à história de Zumbi dos Palmares, podemos acabar com a intolerância e colher a paz.
Consulesa da França disse que é preciso ter mais brancos ao lado dos negros
A consulesa da França, Alexandra Loras, disse que acha importante historicamente celebrar o Dia da Consciência Negra “e emponderar  o povo negro ao lado dos brancos, porque hoje o racismo precisa mais ser debatido no ativismo negro”, ressaltou.

Segundo Alexandra Loras, ainda tem muito para fazer, para resgatar a autoestima do negro. João Paulo Farias.

Segundo Alexandra Lora, é preciso “ter mais brancos ao nosso lado, para entender como é difícil se desenvolver numa sociedade que só incentiva acusações ou estimativas ao redor do negro. Já chega a estigmatização na televisão,  em que os personagens nas novelas de mulheres em cargos serviçais como faxineiras, babás ou como pessoas que destroem os casamentos dos brancos ricos”, pontua.
A autoridade francesa disse ainda que é preciso ver mulheres negras sendo juízas, advogadas, médicas. “Precisamos ver homens  professores e governadores negros; mudar e deixar o homem e a mulher negra entrarem em todos os setores da sociedade. Hoje é importante, porque temos ainda 85% das crianças negras que escolhem a boneca branca como a bonita e a boazinha e a negra como a feia e a má”, explicou.
Segundo Alexandra Loras, ainda tem muito para fazer, para resgatar a autoestima do negro. “Ainda sobrevive uma mancha da escravidão; precisamos deixar entrar nos livros didáticos grande figuras negras como: Teodora Sampaio; Machado de Assis. É muito importante saber que a geladeira foi inventada por negros; que o marca passo;  a antena parabólica também. Incentivar coisas positivas sobre o povo negro”, avalia.
A consulesa da frança disse ainda que é preciso também “tirar das costas do branco a mochila do passado; marchar todos juntos para deixar esse país, que tem mais negros no mundo, depois da Nigéria, ter uma representatividade nas empresas brasileiras”, ressalta.
FUNDO DE COMBATE AO RACISMO
 Mário Teodoro, de Brasília, da Campanha Nacional pelo Fundo Nacional de Combate ao Racismo, Fundo semelhante ao que foi criado no Estado. Ele disse que sua vinda a Alagoas no dia 20 foi para homenagear a iniciativa do governador, “uma iniciativa pioneira e que vai ajudar muito a construção do Fundo Nacional. Agora vamos correr todo o Brasil, noticiando que alguns estados tem e a primazia de Alagoas na elaboração de um fundo que vai dar recurso para a questão da igualdade racial no Brasil, que é fundamental”, observou.
Preço cobrado por condutores, assustou quem quis ir à serra
 Todos os anos, para se subir a serra, o visitante e o nativo passam por alguma dificuldade e sempre há muita reclamação. Ontem o impedimento maior era a cobrança exorbitante de taxistas e mototaxistas, que cobraram preços salgados para que quem quisesse participar do evento no platô da serra.
Da rodoviária de União até o pé da serra, estava sendo cobrado R$ 4; de lá até o local dos eventos, R$ 20, fato que causou muita reclamação de quem foi até o Parque Memorial Quilombo dos Palmares.

Seu Linaldo Genésio da Silva, mais conhecido como Dinho, é artesão, comercializa artesanatos com a temática de Zumbi. Olívia de Cássia

Seu Linaldo Genésio da Silva, mais conhecido como Dinho, é artesão, comercializa artesanatos com a temática de Zumbi e a Serra da Barriga no espaço cultural da antiga Estação Ferroviária de União e estava expondo e vendendo seus produtos na Serra.
Ele disse que trabalha com artesanato desde os dez anos e faz material de pintura de quadros, argila, bancos, Os preços variam dependendo do tamanho da peça e do trabalho empregado para fazê-lo. “Tem Preto Velho, tem Zumbi, o pescador e espero vender muito hoje”, disse ele.

Consciência negra é celebrada no Estado

Olívia de Cássia - Tribuna Independente \ Portal \Primeiro Momento

Hoje, 20 de novembro, é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, data da morte de Zumbi dos Palmares, último líder do maior do quilombo do período colonial do país, o Quilombo dos Palmares. Nessa data, os olhos do mundo se voltam à Serra da Barriga, local onde Zumbi se estabeleceu com mais de 20 mil refugiados: índios, negros e brancos.
Hoje, 20 de novembro, é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, data da morte de Zumbi dos Palmares, último líder do maior do quilombo do período colonial do país, o Quilombo dos Palmares. (Foto: Paulo Tourinho)
A data é também feriado em mais de mil cidades brasileiras e para o movimento negro é um  dia é de reflexão. Comemorado há mais de 30 anos por ativistas, a data foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional, mas somente com a Lei 12.519 de 2011 foi instituído oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Nessa data, os olhos do mundo se voltam à Serra da Barriga, local onde Zumbi se estabeleceu com mais de 20 mil refugiados: índios, negros e brancos. (Foto: Paulo Tourinho)
Militante do movimento, pesquisador do Neab – Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de Alagoas e técnico pedagógico da diversidade da Secretaria Estadual de Educação, o professor  Zezito Araújo observa que o 20 de novembro cria várias expectativas para o segmento negro.
“O que nós percebemos, a partir da década de 1980, é que a data tem uma perspectiva política no sentido amplo, de resgate da história do povo negro, de uma forma geral”, pontua. Segundo ele, é preciso refletir sobre os ganhos e conquistas, onde os negros estão presentes.  “Nesse sentido eu acredito que o 20 é um momento de reflexão. Nós não celebramos nada”, observa.

CONQUISTAS

Zezito Araújo destaca que a população negra teve algumas conquistas de ordem pública. Ele cita a Lei 10.639 de janeiro de 2003, que em seu Art. 26-A, que determina que nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira.
Militante do movimento, pesquisador do Neab – Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de Alagoas e técnico pedagógico da diversidade da Secretaria Estadual de Educação, o professor Zezito Araújo observa que o 20 de novembro cria várias expectativas para o segmento negro. (Foto: Olívia de Cássia)
Essa lei, segundo ele, é fruto da militância do movimento negro e assumida por setores avançados da sociedade. Foi uma das primeiras leis assinadas pelo presidente Lula e significa o reconhecimento da importância da questão do combate ao preconceito, ao racismo e à discriminação na agenda brasileira de redução das desigualdades. 
Outra conquista apontada pelo professor são as diretrizes: “Elas vêm regulamentar a implementação e a aplicação da lei. Implementação das diretrizes curriculares nacionais para educação das relações etnicorraciais e para o ensino de história e cultura afrobrasileira e africana”, pontua.
Zezito Araújo destaca que a legislação proporcionou uma mudança radical nesse sentido.  “Nós não pensamos o 20 de novembro só na Semana Nacional da Consciência Negra; é todo dia; são algumas práticas que o estado brasileiro assumiu. Nós já criamos espaços de discussões, já criamos políticas que ou são aplicadas diretamente ou monitoradas por nós”, explica.

Professor destaca que é preciso fiscalizar e cobrar aplicação da lei

Zezito Araújo ressalta que é preciso cobrar e fiscalizar a aplicação da Lei 10.639; em Alagoas e observa que o movimento negro, nesse sentido, não tem se mobilizado para isso. “Eu tenho percebido que precisamos nos organizar, ser mais efetivos para cobrar a implantação da lei”, destaca. Segundo ele, é preciso que o movimento negro faça mais pressão junto ao Estado e municípios.
“É esse contexto que eu vejo na área de educação e na área cultural. Na área das relações sociais, são gritantes os índices de assassinatos de jovens negros, de 15 aos 29 anos. O que chama a atenção é o genocídio dessa população; é a faixa etária onde mais se elimina pessoas negras”, argumenta.
O professor diz ainda que essa estatística está vinculada à falta de oportunidade desses jovens, nos municípios onde há o maior índice de assassinatos dessas populações. “Não vemos políticas públicas, a não ser a repressão do Estado, por meio das polícias, tanto Militar quanto Civil”, avalia.
Zezito Araújo ressalta que é preciso cobrar e fiscalizar a aplicação da Lei 10.639; em Alagoas e observa que o movimento negro, nesse sentido, não tem se mobilizado para isso.
Segundo ele não se justifica a fala de algumas autoridades “que legitima o crime ou não se faz um processo investigativo efetivo, que diz o seguinte: o envolvimento com drogas; generaliza como se fosse um passe para autorizar aquele adolescente a ser assassinado por um grupo, ou então a omissão de não se fazer uma investigação para punir os assassinatos”, ressalta.
O coordenador do Neab destaca também que não são oferecidos equipamentos públicos para que esses jovens tenham atividades como: escola de qualidade, em tempo integral; uma discussão étcnicorracial, entre outras questões.
Segundo ele, tem outras variantes que contribuem para que a violência apareça e vitime esses jovens, que na sua maioria são analfabetos, que não passam mais que dois anos em sala de aula, “e a droga e a violência captam eles”, observa.  Zezito pontua que é necessário um olhar especial de outros setores da sociedade para essa questão da violência contra esses jovens.

Quilombolas estão à margem de todo processo de política pública

O professor Zezito Araújo observa que os quilombolas em Alagoas estão à margem de todo o processo de política pública. No Estado, segundo ele, são 69 comunidades certificadas; são locais submetidos a um estudo histórico, topográfico e antropológico de reconhecimento, que é encaminhado à Fundação Cultural Palmares e ela emite um documento dizendo que aquela comunidade é de remanescente quilombola.
“Essas comunidades estão dentro do quadro de maior incidência de miséria e pobreza no Estado; estão desprovidas de todo de políticas sociais tanto municipais, quanto estadual ou federal efetiva, que possa transformar essas comunidades”. O professor pontua que o índice de analfabetismo e miserabilidade é altíssimo e que as drogas já estão presente também nessas comunidades.

MUQUÉM

A comunidade quilombola do Muquém, em União dos Palmares, afetada profundamente pela enchente de 2010, pode perder a identidade, segundo o Zezito Araújo. Ele explica que o espaço territorial e de produção de conhecimento; da tradição, da forma como foi feita a mudança no local, depois da enchente, desarticulou totalmente o sentido de comunidade.
Moradora do Muquém, dona Irinéia Rosa Nunes da Silva é uma mulher simples; patrimônio imaterial do Estado e assim como os demais moradores do local sobrevive da confecção de panelas e peças de barro. (Foto: Olívia de Cássia)
“Com o novo espaço organizado sem consultar a população local, está destruindo as tradições.  Em nenhum momento você vê o respeito à comunidade.  Ao chegarem a essas comunidades não levam em consideração as tradições. Essas comunidades quilombolas vivem de prática agrícola, criação de animais, artesanato de barro, entre outras atividades”, destaca.
Moradora do Muquém, dona Irinéia Rosa Nunes da Silva é uma mulher simples; patrimônio imaterial do Estado e assim como os demais moradores do local sobrevive da confecção de panelas e peças de barro.
Na última visita que a reportagem fez a sua casa ela reclamou que a tradição da arte do barro pode acabar no local, porque os netos e as filhas não querem saber de aprender a fazer as cabeças e outras peças de barro.

 Programação dos 320 anos da morte de Zumbi finalizará com show de Mart’nália

A programação cultural desta sexta-feira à noite, na Praça Basiliano Sarmento, em União dos Palmares, em celebração aos 320 anos da morte de Zumbi, será encerrada com um show da cantora Mart’nália. As atividades em União dos Palmares vêm acontecendo desde o dia 17 e nesta sexta acontecem durante todo o dia; contará com a presença do governador Renan Filho, do ministro Juca Ferreira, entre outras personalidades de destaque.
A presidente da Fundação Cultural Palmares, Cida Abreu, ressaltou a importância da data e disse que faz parte do calendário nacional, especial em Alagoas e União dos Palmares e que foi  elaborado em conjunto com o Governo do Estado, os religiosos e os fazedores e ativistas da cultura de Alagoas e União.
A presidente da Fundação Cultural Palmares, Cida Abreu, ressaltou a importância da data e disse que faz parte do calendário nacional, especial em Alagoas e União dos Palmares e que foi elaborado em conjunto com o Governo do Estado, os religiosos e os fazedores e ativistas da cultura de Alagoas e União. (Foto: Olívia de Cássia)
Segundo ela, essa contribuição é extremamente positiva para se inaugurar uma nova agenda na relação Palmares e os governos estadual e municipal. “A nossa agenda é bem extensa; está distribuída em toda a cidade de União e alguns mocambos, que são espaços de resistência negra e envolve não só a cultura de matriz africana, mas também as comunidades quilombolas locais, no sentido de a gente recuperar e afirmar a importância desse patrimônio cultural nacional que é a Serra da Barriga”, pontuou.
Cida Abreu explica ainda que a programação para as atividades comemorativas aos 320 anos da morte de Zumbi foi pensada em três contextos. “O contexto de União, observando a programação local; o Estado, que também apresentou uma proposta; a gente ouviu uma consulta pública que envolve os movimentos culturais e religiosos do Estado e a Fundação Cultural Palmares, que trouxe a sua proposta de ações nacionais”, explicou.
Segundo a presidente da FCP, a presença dos quilombolas no evento é importantíssima, “para que a gente possa ter a legitimidade da atividade fortalecida dentro do patrimônio cultural brasileiro”, observa.  Segundo  a assessoria da FCP, nas atividades também há o convite à sociedade para refletir, denunciar o racismo; além de reconhecer a contribuição que a tradição ancestral africana deu para a formação das diversas matrizes da cultura brasileira foi e sempre será o maior legado do herói nacional Zumbi dos Palmares. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Audiência Pública na Assembleia discute “Os Caminhos das Políticas Negras, em Alagoas”

Por Olívia de Cássia \ foto: Olívia de Cássia \ arquivo


Ainda como parte das comemorações do Mês da Consciência Negra, na segunda-feira, 23, a partir das 9h, a Assembleia Legislativa realiza a sessão pública “Os Caminhos das Políticas Negras, em Alagoas”.

A sessão é de autoria do deputado Ronaldo Medeiros, por solicitação da coordenadora do Instituto Raízes de África, para debater sobre a realidade do povo negro, em Alagoas. “ O tema é de fundamental importância, para que se amplie o debate do combate ao racismo. Eu apoio essa ação e parabenizo o governador Renan Filho pelo apoio ao movimento”, disse Medeiros.

Na audiência pública também será discutido o Fundo Estadual de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial e segundo Arísia Barros, a ação é a primeira grande convergência da sociedade civil e do governo  e traz o ineditismo de  transformar Alagoas, no primeiro estado no Brasil a lançar lei desse teor.


O projeto de lei que cria, objetiva garantir, por meio das receitas do Estado, disposição de recursos, para o financiamento de políticas públicas, com ênfase na questão negra. O fundo financiará ações de  capacitação, aperfeiçoamento e promoção da igualdade, englobando comunidades quilombolas, indígenas e religiões afro-brasileiras, fazendo assim o enfrentamento aos danos às vítimas de violência do racismo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Do palco às ruas, Confraria Nós Poetas vai se destacando e levando sua poesia em cada canto do Estado

Olívia de Cássia – Repórter \ Repórter Primeiro Momento


A Confraria Nós Poetas começou com um encontro de cinco amigos, no Baba Som, um bar de roqueiros, no Conjunto Santo Eduardo. A ideia original do grupo era publicar o livro ‘Nós Poetas’, segundo Eduardo Proffa, professor e poeta que já tem vários trabalhos publicados.
Eduardo Proffa comenta que propôs aos amigos fazer um livro: “Quando eu lancei o “Hopedaria” (seu livro de poesias), Guilherme Ramos Miranda, do Sesc, propôs que fosse feita uma atividade lá e foi surpreendente", destaca. Fotos: Paulo Tourinho
 “Eu já tenho um trabalho de poesia e me senti incomodado com amigos que têm poesias, musicalidade e não tinham publicado nenhum livro; isso me incomodava de uma forma angustiante, que eu não achava que tanto talento ficasse guardado debaixo da gaveta”, comenta.  
Eduardo Proffa comenta que propôs aos amigos fazer um livro: “No começo eles ficaram em dúvida. Quando eu lancei o “Hopedaria” (seu livro de poesias), Guilherme Ramos Miranda, do Sesc, propôs que fosse feita uma atividade lá e foi surpreendente. O recital do Sesc abriu várias portas pra gente”, destaca.
A poesia contagia e atualmente o grupo se apresenta em recitais do Sesc, escolas, alvoradas poéticas, escolas e diversos locais e tem mais de mil confrades numa página do Facebook; uma amizade virtual que transformou-se em algo real, palpável.
Eduardo Proffa conta que em três recitais o grupo já colocou cerca de 1.500 pessoas; queriam sair do comum e surgiu a ideia de fazer os movimentos da poesia e foi colocada sonorização. “A gente declamava dentro da melodia; isso foi num primeiro momento. Num segundo momento, declamamos nas praças, nas ruas, fazendo recitais; no Quintal Cultural, escolas, entre outros lugares”.
Proffa, que é paulistano e alagoano de coração, comenta ainda que em outra atividade do Sesc, com fotografia, foi feita uma atividade num dia de chuva e mesmo assim foi um sucesso. “Debaixo de um dilúvio, pensávamos que não ia ter ninguém na atividade e tinha muita gente. Assustadoramente fantástico”, avalia.
O grupo é feito de coragem e da sensibilidade que a poesia proporciona; atualmente está com uma exposição no anexo do Teatro Deodoro, até o mês de dezembro. São 30 poetas que convidaram fotógrafos e fizeram as fotos em cima da temática das poesias.
Ele conta que dessas atividades foram surgindo outras oportunidades para o grupo e abriram as portas. Daí Eduardo Proffa diz que receberam o convite de Carlito Lima para participarem da Flimar (Festa Literária que aconteceu de 11 a 14 último).
O grupo fez uma alvorada poética, com apresentação no evento e colocaram um box com os livros dos poetas da Confraria. Pelas ruas da cidade de Marechal Deodoro, no último sábado, eles saíram pelas ruas da cidade declamando suas poesias e foi um sucesso na comunidade.
“Dividimos dois grupos um foi para uma parte da cidade e outro em outro local e terminou no palmo, maravilhoso; só emoção”, exalta. No dia 25 de novembro a Confraria vai fazer uma tarde de autógrafos, com livros de poetas do grupo.  
Pedro César, confrade,  está lançando um novo trabalho ‘A Palavra vira poesia’, que tem 50 poesias comemorando os 50 anos de vida do autor. Ele diz que a publicação é uma comemoração para celebrar a data e a temática do livro é o amor.
“A palavra de ordem é amar; nesse livro as pessoas vão encontrar diversas formas de amar; o amor ao próximo, no ato de você acolher, de cuidar do próximo; o amor retratado na passagem bíblica, em Corintos, que fala do amor que não tem inveja nem vaidade; além da temática do relacionamento de duas pessoas que se conhecem numa clínica terapêutica”, explica.
Geo Santos é um dos fundadores da Confraria e diz que até então as poesias eram colocadas apenas no Facebook e  partir desse encontro no Santo Eduardo nasceu a ideia da Confraria e por meio do grupo surgiu a oportunidade de lançar o livro.
“Sou um dos sócios fundadores, mas já escrevia poesia na adolescência, inclusive na abertura da minha parte poética no livro, eu coloco que já no grupo escolar eu fiquei encantado com aa A fonte e a flor, que é uma poesia de Vicente de Carvalho”, pontua.
Ele termina a entrevista recitando um poema seu dedicado aos jornalistas franceses da revista Charlie Hebdo, alvo de um ataque mortal de um comando jihadista em janeiro de 2015.

Jornalista mambembe, Mário Lima inova e diz que onde tem cultura ele está

Olívia de Cássia - Repórter\ Primeiro Momento


O jornalista Mário Lima, atualmente como free-lance, está fazendo incursos culturais em feiras e eventos. Mário já foi repórter sênior de vários jornais no Estado, trabalhou na assessoria do Governo e agora está apostando em cultura.

Segundo ele, a ideia dos quadrinhos foi  influenciada na decoração de casas populares nas periferias do interior, onde se  vê aqueles quadros com imagens da família, misturados com santos.. Foto: Paulo Tourinho

 A reportagem o encontrou com um box na Festa Literária de Marechal Deodoro, onde falou de suas atuais atividades. Agora está fazendo incursões culturais em feiras e eventos, onde expõe CDs de rock in roll e discos de artistas da MPB que não se encontra facilmente nas lojas, ou quadrinhos com fotos de artistas, fazendo uma mistura, um caldo de cultura.
Segundo ele, a ideia dos quadrinhos foi influenciada na decoração de casas populares nas periferias do interior, onde se  vê aqueles quadros com imagens da família, misturados com santos.
“A concepção é colocar três quatros quadrinhos nos cantos de parede; um ensaio tipo interior de Alagoas, onde você mais vê um santinho, um pai, uma mãe, uma foto antiga, aí eu pensei em fazer: agora faço uma coisa mais moderna com arte pop, com símbolos icônicos, atores e atrizes de cinema, pintores. Chama-se ‘quadritos’; eu já registrei, o nome é meu”, observa.
Mário Lima diz que é mambembe: “Estou sempre em feiras, vou começar este domingo na praia fechada da Pajuçara, comecei na Praça do Centenário, no projeto da Prefeitura; sempre estou levando. Sou um guerrilheiro cultural, onde tem espaço eu estou chegando”, comenta.
No espaço, além dos CDs e outros itens de cultura, Mário expôs seu livro que lançou ano passado, sobre o jogador Mané Garrincha.
“Conto a história do seu Amaro, que era o pai dele, índio de Quebrangulo, a ancestralidade do Garrincha não fui eu quem descobriu, foi o Rui Castro (escritor e jornalista), que é o grande biógrafo de Garrincha, que escreveu a Estrela Solitária, fui atrás desses lugres, fui a Quebrangulo para ver se achava alguma pista do pai dele; Águas Belas”, explica.
O jornalista conta que fez um ensaio biográfico para um curso de especialização da pós-graduação em Jornalismo Esportivo, do Instituto Pitágoras de Belo Horizonte e terminou virando livro. “Dessa minha busca que é mais um tributo pois eu sou botafoguense roxo e terminou o livro de uma tese de pós graduação”, finaliza.. 


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Flimar deixa saudade

Olívia de Cássia - jornalista

Quatro dias de muita cultura, música, poesia e literatura foram vividos pelos moradores da cidade turística de Marechal Deodoro, durante a Flimar, idealizada pelo secretário de Cultura do município, Carlito Lima, o nosso Capita.


Ali, escritores, poetas, cantores, atores, artesãos e artistas diversos interagiram com a comunidade, principalmente as crianças, que se encantaram com tudo aquilo. O poeta Jorge de Lima e o cantor Nando Cordel foram os principais homenageados.
 O escritor Ovídio Poli Júnior, da Feira de Paraty, falou a respeito das festas literárias e disse que é uma ferramenta que aproxima os participantes. “Escrever é uma espécie de convivência permanente com o outro”, disse ele.
Segundo o escritor, a literatura é uma forma de comunicação entre os homens e que uma festa literária aproxima as pessoas e exercita a arte do encontro. É um dos poucos instrumentos que permite o reconhecimento social do escritor; não há política sem palavras; o silêncio é o território das ditaduras”, disse ele.
Segundo Ovídio, ver o escritor Inácio de Loyola Brandão rodeado de crianças, na saída do auditório da Flimar, é cena que não se apaga da memória. “E para algumas crianças de Marechal, essa foi a primeira vez que tiveram contato com um escritor”, pontuou.
O escritor falou ainda de história, da história do nosso país que se tornou literatura. “Estamos aqui hoje regando o chão da casa do Marechal Deodoro. Quando a literatura ganha as ruas, amplia-se o canal de comunicação, para que a literatura sirva de reflexão. É nas festas literárias que a literatura pode ser democratizada e difundida para todos”, observa.
O contista disse ainda que o sequestro da palavra conduz ao inferno, “ao racismo, ao machismo, à homofobia e ao terrorismo”. O escritor ainda citou Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e vários outros escritores brasileiros.
Ovídio disse ainda que a importância das festas literárias é difundir as diversidades culturais, num país de dimensões continentais e promover a arte do encontro, do que a geografia e a história distanciaram.
A bisneta do poeta Jorge de Lima esteve na homenagem a seu bisavô e disse que a família se sente muito agradecida pela honraria que os alagoanos concedem ao poeta. Pena que não vi na plateia nenhuma autoridade da minha terra, para prestigiar o evento, que homenageou um palmarino.
O jornalista, poeta, escritor, especialista na obra de Jorge de Lima, Claufe Rodrigues, que participou pela terceira vez da festa de Marechal, disse que sua poesia se divide em duas fases: antes de conhecer a obra do poeta e depois que conheceu os poemas de Jorge. “Jorge é meu padrinho poético”, disse ele.
A Flimar teve contação de história para crianças, com a Flimarzinha e contato delas com textos de autores, fazendo com que se aproximem da literatura e da arte. No final da tarde do sábado as crianças saíram pelas ruas, cantando músicas de Nando Cordel e recitando poemas de Jorge de Lima. De parabéns, Carlinto Lima e que venham outros eventos maravilhosos e aglutinadores como a Flimar.

Alguns instantes. Vivendo por aí...