quinta-feira, 25 de abril de 2019

Brasil pátria amada


Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Brasil, Pátria amada.
Nem tão amada
por quem deveria cuidar.
De belas paisagens,
Belos campos,
Muita riqueza,
Solapada, vilipendiada,
Roubada. Destruída.
Brasil, que chora o luto
Dos teus filhos perdidos,
Vítimas da violência
Sem freios
que mata que destrói.
Até quando??

terça-feira, 16 de abril de 2019

Um ritual de passagem...

Olívia de Cássia – jornalista

Aprendi desde cedo na escola, como católica apostólica romana, que a Páscoa é um ritual de passagem e que representa a passagem de um tempo de trevas para outro de luz, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade.

Estamos vivendo nos dias atuais também um ritual de passagem. Páscoa é uma ocasião muito especial e segundo Fernanda Ferraz, muita gente pensa, principalmente as crianças, que esta data está somente ligada ao coelhinho da Páscoa e os ovos de chocolate; mas na verdade, o verdadeiro significado desta data tão importante e única é a ressurreição de Jesus Cristo, um fato que marcou o mundo e todas as gerações.

Os historiadores contam que a celebração da Páscoa era feita desde a antiguidade, principalmente pelos povos europeus, mas com o objetivo de comemorar a entrada da primavera, que traz vida e a possibilidade de plantio e colheita de alimento.

Dizem que para entender a Páscoa é necessário que se volte para a Idade Média e a gente lembre dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, a deusa da Primavera.

Com o passar dos anos essa época passou a ter significações religiosas, com interpretações diferentes dependendo da religião. A palavra Páscoa vem do hebreu e significa a passagem da escravidão para a liberdade. Será que voltaremos no País a ter uma verdadeira Páscoa?

É nessa data que se celebra a ressurreição de Cristo e é uma festa móvel, ou seja, varia o dia dependendo do ano, pois ocorre aos 47 dias após o Carnaval, e esse período é chamado de Quaresma.

Depois de ser crucificado e morrer na cruz, o corpo de Jesus foi colocado em um sepulcro, onde permaneceu por três dias, até sua ressurreição. Esse momento onde Jesus ressuscitou que dá o verdadeiro significado para a Páscoa, pois foi um ritual de passagem, tornando-se o dia santo mais importante para os cristãos.

Diante da história de Jesus, o Homem que morreu para nos salvar, segundo a tradição cristã, o que seria dele se estivesse por aqui, diante de um Brasil que defende torturadores, armamento e morte?

Sempre me emocionei nessa época do ano, pois quando a gente era criança, lá na Rua da Ponte, meus pais jejuavam e nos davam orientações de que durante esse período era um tempo de orações e de a gente procurar ser melhor, não machucar os animais, não brigar com os irmãos e ficávamos na torcida porque não íamos apanhar, caso fizéssemos um mal feito.


Na Sexta-feira Santa, nós também só fazíamos as principais refeições e era um dia triste. Papai levava a gente para beijar o Senhor morto na igreja; os santos ficavam todos cobertos de panos roxos, na igreja e nas casas também.

Seu Antônio Timóteo, pai das amigas Nivalda e Tita, proprietário de um bar na cabeça da ponte, passava o dia todo ouvindo bem alto a história de Jesus e eu me comovia ouvindo aquela saga de um homem tão bom que morreu na cruz para salvar a humanidade.

No cinema era exibida a história do ‘Marcelino Pão e Vinho’ e lembro-me de uma única vez que meu pai foi com toda a família ao cinema para assistir a fita. Além disso, minha mãe preparava um verdadeiro banquete, além da casa arrumada que era sempre um brinco, como se dizia no interior.

Sinto-me reflexiva também nessa época do ano. E a gente não deve esquecer do que representa para todos nós: o ritual de passagem para uma vida melhor. É o que espero para todos os brasileiros e alagoanos. Uma feliz Páscoa para todos e que possamos meditar um pouco sobre o que estamos fazendo das nossas vidas.

domingo, 14 de abril de 2019

Estamos ficando sem memória...


Olívia de Cássia Cerqueira

Jornalista

Estamos ficando sem memória. O patrimônio arquitetônico das cidades está sendo destruído e ninguém toma providência, salvo raríssimas exceções como aconteceu em 2008 com a restauração do palacete que serviu de residência ao poeta Jorge de Lima, em Maceió, entregue aos alagoanos no dia 15 de dezembro daquele ano, com recursos do governo federal (governo Lula) e a intervenção do deputado Paulão (PT), que foi pessoalmente a Brasília solicitar os recursos para que a restauração acontecesse, embora a imprensa, na época, não tenha dado o destaque devido.

Também teve o empenhbo do dr. Ib Gatto, vale lembrar que a obra só saiu com esses esforços.

Salvo isso e algumas poucas obras, o resto está sendo literalmente tombado, ou seja, demolido, por causa da ganância de alguns empresários que só visam lucro e não têm consciência da destruição que estão causando à história do País e ao patrimônio cultural da humanidade. Estão mais interessados no lucro do que na preservação da identidade cultural das cidades.

Só para citar um exemplo, basta que o alagoano percorra o centro de Maceió. Na Rua do Imperador, dois casarões foram destruídos. Um foi sede do Diretório Central dos Estudantes na década de 80, quando o movimento estudantil de Alagoas era atuante, e agora serve de depósito de lixo para os catadores e recicladores.

O outro prédio, vizinho, depois que os proprietários faleceram, está quase todo destruído. As janelas foram fechadas com tijolos e logo se transformará em lucrativo estacionamento, a exemplo do que tem acontecido com diversos casarões de Alagoas.

Na Rua Barão de Atalaia, bem próximo a esses dois exemplos citados, outro casarão de cor rosa está só com a parte da frente inteira, mostrando o descaso dos nossos governantes com o patrimônio histórico e cultural.

Na Rua Pedro Monteiro acontece o mesmo. Casas que serviram de residência para a classe média de Maceió estão sendo derrubadas, transformadas em laboratórios, em estacionamentos e em pontos comerciais. Quando eu vejo uma situação igual a essa eu fico de coração partido.

Na minha cidade natal, União dos Palmares, o descaso não ficou por menos. Primeiro demoliram a casa onde morou a professora Salomé de Barros. Um casarão histórico ajardinado onde muitos dos seus alunos freqüentaram e que poderia ter se transformado em museu. Depois demoliram a Vila Magdala, antiga residência da família Cardoso, tradicional no município.

Outros exemplos em União foram a demolição da residência da família Sarmento, em frente à drogaria Palmarina e que hoje virou galeria, o fechamento da casa da professora e jornalista Maria Mariá, que é um museu.

Sempre que percorro as ruas, agora de táxi devido as limitações impostas oela Doença de \Machado Joseph, me ponho a observar tudo isso. Do shopping da Mangabeiras até o centro, sentido Santa Casa, é só bagaceira.

Em todo o Estado de Alagoas é possível perceber isso. É necessário que a Defesa Civil, as prefeituras, as secretarias de Cultura, o governo do Estado tomem uma providência imediata para que isso estacione e não aconteça mais, porque estamos correndo o risco de não deixar legado nenhum para as gerações que estão vindo, no que diz respeito à história do nosso País. É preciso atitude e uma atitude urgente, pois a cultura do nosso Estado pede socorro.

(Esse mesmo assunto eu abordei em 2008, em meu primeiro blog)


Da série Meus pets


Fotos: Olívia de Cássia Cerqueira

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Canto escuro

Por Olívia de Cássia Cerqueira Mais uma vez, o autor Daniel Barros leva o leitor/leitora até a última página, sem nem sequer pensarmos em ...