sábado, 30 de abril de 2016

Convivendo com ataxia



Por Olívia de Cássia

Boa noite, diário, depois de algum tempo sem me comunicar com você, volto a interagir para falar de mim, do que se passa na minha cabecinha inquieta e de como estou vivendo.  Queria dizer que não estou passando um momento maravilhoso na vida, mas que estou tentando dar um novo significado a ela.

Conviver com ataxia não é fácil e só quem está passando por isso sabe o que digo. Ataxia é uma doença rara e hereditária, de fundo neurológico, causada por genes defeituosos que se transmitem de uma geração à seguinte.

Dizer que os primeiros sintomas são dificuldades com equilíbrio e coordenação, depois com a fala e deglutição, e, finalmente, problemas respiratórios.  Já fui aconselhada a procurar um fono. Diferente de algumas pessoas que têm o problema, eu sinto muitas dores nas pernas e enxaqueca crônica. 

Os portadores desse problema tornam-se  incapacitados, aos poucos,  e vêm a precisar da ajuda de outras pessoas. Enquanto o cérebro trabalha na velocidade normal, o corpo responde em câmara lenta. Ninguém conhece ainda a causa básica da doença, que não tem cura.

Por isso mesmo sabemos que vamos precisar de apoio e solidariedade, sem pieguice, de todos. A gente sabe disso, mas procuramos viver o que nos resta de maneira leve, embora muitos portadores da doença se tornem revoltados e chegam a cometer suicídio, como vários que aconteceram na minha família. 

Nasci e me criei na cidade de União dos Palmares, onde meu pai era comerciante e minha mãe uma dona de casa, vindos da roça, para tentar a vida no lugar, muito mais pela vontade e teimosia da minha mãe, porque se não fosse por ela, meu pai tinha continuado na roça. 

Meu pai se criou órfão de pai e de mãe, primo legítimo da minha mãe, e embora meu avô materno tenha sido senhor de engenho, acabou a vida sem nada, porque vendeu as terras a preço miúdo, para cuidar de sobrinhos órfãos. 

Meu avô Manoel Correia Paes e minha avó Olívia Maria Vieira de Siqueira, que quando casou passou a se chamar Olívia Maria de Siqueira Paes, criaram os filhos com muito sacrifício. Cresci ouvindo as histórias da minha família, cujos membros alguns tinham posse de terra e outros não. 

Aprendi com meu pai, minha mãe e meus avós que mais vale a gente deitar e dormir tranquilamente com a cabeça no travesseiro, do que viver com insônia por causa de coisa mal feita ou de dinheiro ilegal. Ensinamentos singelos, de pessoas simples, mas de caráter. 

Na minha família foram vários membros que tiveram ou ainda têm ataxia, porque estão vivos, segundo o relato de um familiar, já se foram quase 80 vítimas dessa doença, que era conhecida em nosso núcleo familiar como a maldição da família. 

Alguns tiveram fins trágicos e outros tiveram a sorte de ser acompanhados pelos familiares até o fim, como no caso do meu pai e meu irmão… Comecei a sentir os sintomas nem sei mais dizer quando foi e fui associando ao que meu pai viveu. 

Sei e tenho consciência das limitações que terei daqui por diante. Não é fácil sair de  casa sem companhia e de ônibus. Cada dia o transporte tem que ser o táxi e isso tudo encarece. O tratamento é paliativo, mas continuo na fisioterapia. 

Muitos médicos ainda não conhecem essa doença até às vezes nos descontrolamos quando começamos a fazer relatos e os médicos não conhecem ou dão outro diagnóstico. Mas só vim ter a comprovação médica, por meio do mapeamento genético este ano, com ajuda dos amigos, mesmo já sabendo qual seria o resultado. 

Quando comecei  a apresentar marcha cambaleante, desejava que as pessoas soubessem que não estava bêbada nem drogada, mesmo eu gostando de beber socialmente. Eu quero comandar os membros superiores ou inferiores, mas as pernas, principalmente, já não  obedecem à mensagem.

Mas como bem dizem alguns portadores “Ataxia não é coisa do outro mundo”. Isso ajuda a descontrair um pouco e lembro do meu pai que era um  homem engraçado e gostava de dizer emboladas, feito literatura de cordel. 

Estou procurando seguir os exemplos que seu João me deu e não vou decepciona-lo. Um homem de caráter, caridoso e sempre disposto a ajudar a quem era necessitado. Eu não me furto a falar do meu problema, diferente de alguns membros da minha família. 

Por qual motivo eu vou ter vergonha disso, se herdei e tenho que conviver com as limitações que vão surgindo e tentar sobreviver até quando Deus permitir. Dá para perceber que já não dá para acompanha as pessoas para alguns programas. 

Estou tentando ser positiva e encaminhar sempre uma mensagem de amor e paz. Não é fácil e não posso dizer que estou vivendo meus melhores dias, mas que ainda é possível acreditar em um mundo melhor, embora cada dia fique mais difícil. Boa noite.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Nova fase da vida...





Por Olívia de Cássia

Inauguro uma nova fase da minha vida que não esperava chegar, mas a gente tem que agradecer a Deus por tudo, mesmo se sentindo um pouco triste. A partir do dia 20 deste abril estou de benefício  e fora do batente, mas atualizarei as informações com artigos, fotos, poesias e outros que tais, aqui no meu blog pessoal. 

Ser portadora de Ataxia do tipo SCA3, Doença de Machado Joseph, não é fácil. Muita gente dizia que era impressão minha, que eu não tinha nada, mas pelos meus sintomas e acompanhamento do quadro do meu irmão, dava para notar que eu teria a mesma coisa, pelo meu desequilíbrio, quedas, engasgos, visão dupla e outros sintomas.

Cada dia vou encontrando um obstáculo a ser superado a nos moldarmos a ele. Estou tentando viver com suavidade, desde que percebi o agravamento de meus sintomas. Não adianta ficar reclamando, reclamando, se não vou melhorar com isso; muito pelo contrário: o psicológico nesses casos ajuda muito ou pode atrapalhar, se não tiver disposta a ter tolerância diante das limitações que vão surgindo. 

Aos amigos que me ajudaram a conseguir fazer o exame de mapeamento genético, que comprovou o problema, eu só tenho a agradecer, pois se não fosse por eles, eu não teria conseguido; muito menos teria iniciado o tratamento. 

Não vou citar nomes para não correr o risco de esquecer alguém, mas sou eternamente agradecida pela ajuda e solidariedade de todos. Muito grata mesmo; não me canso de agradecer.
Com o atual neurologista que está me acompanhando, dr. Fernando Gameleira, eu já havia passado por mais cinco, mas fui desistindo ao longo do caminho pelo desestímulo que eu encontrava; pelos exames muito caros que eram solicitados e eu não tinha condições de arcar.

Acompanhei de perto meu pai, meu irmão e tive notícias de muitos parentes que foram e ainda são portyadores, porque ainda vivem, acometidos da DMJ-SCA3. Um dos médicos que eu fui me pediu um eletroencefalograma e com o resultado insinuou que eu tivesse Esclerose Múltipla e eu discordei do diagnóstico dele informando os casos na minha família de ataxia hereditária. 

Mesmo assim, chegando em casa neste dia chamei os amigos, as sobrinhas para comemorar a notícia. Por que eu avaliei que não  teria que chorar diante de uma notícia dessa. Outra profissional, que também não citarei o nome, quando eu pedi um remédio ou uma vitamina para os sintomas que tenho ela foi bastante indelicada e jogou na minha cara que a minha doença não tem cura que não adiantava passar nenhum remédio e que eu sabia disso. 

Sim, eu sei, é verdade, que a ataxia não tem cura porque o problema é uma mutação genética, afeta o cerebelo, que é responsável pelo tônus muscular  e por isso vai afetando nossos membros superiores e inferiores; também porque a maioria das pessoas que conheço na família e que têm o problema sempre afirmam que não tem cura e isso eu sei.

É muito complicado tudo isso. A gente sabe que ainda não foi encontrada a cura para a ataxia, mas existem tratamentos paliativos como a fisioterapia e medicações para alguns sintomas que vão surgindo e afetando algum movimento do corpo.

Li hoje que cientistas estão testando um gene mutante da ataxia em peixes zebra e que a cura pode ser descoberta daqui a 15 anos.   15 anos, também,  um cientista português estava estudando um gene da mosca, na esperança de encontrar a cura para DMJ. Os estudos ainda são muito raros, devido à doença também ser rara e ter 50% de chance de acometer um filho de um atáxico. 

O psiquiatra  que me diagnosticou com Esclerose Múltipla me fez um alerta: ‘dona Olívia, vá vier a sua vida; seu problema é muito sério e desista de adotar essa criança que a senhora está querendo. E lá se vão quase dez anos, desde aquele dia. 

Se eu tivesse adotado Maria Clara, talvez ela tivesse aqui correndo solta  na rua, sendo obediente ou rebelde, como eu sempre fui, estudando, se dedicando às artes, ou não. São pensamentos que vão aflorando agora. 

Detalhes dessa minha nova vida que eu quis compartilhar com os meus leitores, em tempos de tanto desamor, desafeto, intolerância e falta de carinho. Dizer que vocês aproveitem a vida muito mais, porque eu gostaria de ter muito mais saúde para me dedicar à arte, à cultura e à vida. 

Avisar que daqui por diante meus escritos se voltarão para artigos do cotidiano, ou não,  poesias, já que estou afastada do trabalho. Desde já, sinto falta do estresse do batente, mas não posso esmorecer nem ficar triste, porque minha saúde o exige. 

Tentarei dar um novo rumo a tudo isso e que Deus permita que ainda possa me expressar por muitos anos. Boa noite e fiquem com Deus.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Sobre os dias atuais...

Olívia de Cássia - jornalista

Estamos vivendo tanto retrocesso na sociedade brasileira que chega dá arrepios de a gente tocar nesse assunto. Mas eu não poderia deixar de comentar aqui o espetáculo dantesco que aconteceu no último domingo, 17, com aquela votação na Câmara Federal.

Um verdadeiro circo de horrores, patrocinado pelos partidos e parlamentares de oposição, que votaram pela admissibilidade da continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Uma mulher de coragem e determinação.

Votou-se pela mãe, pelo pai, pelo filho, pelo neto, mas poucos foram os que alegaram as tais das pedaladas fiscais para justificarem seus votos sacanas. Jornais do mundo todo criticaram o golpe e o retrocesso político que estão orquestrando no País.

Não sou eu quem está dizendo, mas jornais do mundo todo o disseram, sem meias palavras: “Foi uma assembleia geral de ladrões, presidida por um ladrão”. Assuntos que, como disse Fernando Brito, no site Tijolaço, dezenas de comentaristas políticos deste país acham e que nenhum deles tem coragem de dizer.

Estamos às voltas com uma imprensa conservadora, cheia de profissionais que só pensam em seus próprios umbigos e pouco se importam com o social e que transformaram revistas em panfletos de quinta categoria, que inventam inverdades, notícias sem comprovação e tidas como verdades inquestionáveis.

E nesse contexto influenciam a opinião pública que acredita nessas infâmias proferidas. E volto aqui a dizer que não estou isentando todos desse processo. Sempre defendi que a apuração das acusações fosse para todos e não apenas para o Partido dos Trabalhadores.

Muito pior ainda é que Justiça brasileira faz vistas grossas para o deputado Eduardo Cunha e sua malandragem, seu desvio de dinheiro para suíça, os gastos milionários das dondocas, mas o juiz Sérgio Moro quer mesmo é criminalizar o ex-presidente Lula e a presidente eleita com mais de 50 milhões de votos e que não tem nenhuma denúncia tramitando sobre sua pessoa.

Por outro lado, quase todos os digníssimos que votaram a favor do impeachment estão envolvidos até a alma em corrupção e desvio de dinheiro. A prova mais hilária foi a da deputada que votou pela ‘administração coerente de seu marido’ e que no outro dia o tal honesto foi preso pela Polícia Federal, desmoralizando e colocando abaixo toda a farsa.

Foi um teatro dantesco, um circo de horrores jamais esquecido e que vai ficar na história do País como uma mancha. O atraso na sociedade vai desde a contestação de projetos na área de educação, como se as crianças hoje em dia não soubessem mais de sexo do que nós adultos, a quererem proibir que professores falem sobre assuntos que a sociedade hipócrita e conservadora não quer ver tratados nas escolas. E muito menos conversam com seus filhos.

Elis Regina um dia cantou: ‘o Brasil não conhece o Brasil’, e Cazuza disse: Brasil mostra a tua cara. E agora mostrou. A sociedade brasileira está representada naqueles parlamentares hipócritas e conservadores. Um exemplo disso são os comentários que vemos nas redes sociais e que são dignos de dó e piedade.

Uma pessoa que tem coragem de dizer em sua página que é eleitor de Jair Bolsanaro e que votaria nele para presidente, esse estou excluindo do meu ciclo de amizades virtuais, porque não concebo que alguém aprove um parlamentar que defenda um torturador que colocava ratos nas vaginas das mulheres.

Por todas as companheiras e companheiros que morreram lutando pela liberdade e por uma sociedade mais justa; por todos os meus princípios, pelo passado de luta de guerreiros que ainda hoje clamam por justiça, eu digo NÃO AO GOLPE, DILMA FICA E LULA LÁ EM 2018. E tenho dito!


domingo, 17 de abril de 2016

Servidores do Samu criam ONG para salvar vidas

Projeto realizou curso de capacitação numa chácara, no Benedito Bentes neste domingo

Olívia de Cássia – Repórter
Foto: Olívia de Cássia

Um grupo de servidores do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) criou um projeto solidário voluntário de socorristas, para realizar atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência nas comunidades, quando acaba o expediente de trabalho.

Segundo Ricardo Lima, que é condutor do Samu, com o passar do tempo, o projeto foi amadurecendo, conquistou  o CNPJ (que o CPF das entidades), “e descobrimos que seria da nossa parte uma injustiça deixar de fora tantos profissionais no mercado, da área de saúde e fora desse projeto”, observa.

O projeto Salve (Serviço Alagoano Voluntário de Emergência) foi criado há três anos e neste domingo, 17, durante todo o dia, realizou um curso de capacitação para integrantes de uma igreja evangélica, para fazerem atendimento básico de primeiros socorros, com palestras, aulas práticas de procedimentos com bonecos, entre outras técnicas.

O curso foi realizado numa chácara no Benedito Bentes, para lançar  oficialmente à comunidade a proposta do projeto.  “Quando o Salve tiver funcionando por inteiro, a sociedade vai ver e temos certeza de que teremos uma maior colaboração e o abraço da população”, avalia.

Na próxima terça-feira, 19, os voluntários do Salve foram convidados para participar de uma simulação feita pelo Corpo de Bombeiros, com 50 vítimas de afogamento, na Praia de Pajuçara. 
Na oportunidade terá a participação da Marinha, do Exército, Polícia Militar, Bombeiros, Samu e voluntários do projeto Salve. “Para nós já é gratificante, um sinal positivo por parte dos gestores de passar a crer no projeto como esse”, destaca Ricardo Lima.

AMPLIAÇÃO

O condutor-socorrista avalia que, com a chegada do Samu, criado pelo governo Lula há quase 12 anos, o Serviço trouxe para as pessoas da área de saúde um desejo enorme de fazer parte desse serviço. “Por esse motivo nós pensamos em abrir o leque para essas pessoas e chegamos ao ponto de ter uma procura enorme”, pontua.

Agora o Salve, segundo Ricardo Lima, parte para uma nova vertente, que é qualificar os profissionais da saúde que já estão inseridos no mercado e os que estão chegando como: acadêmicos de medicina, técnicos em enfermagem, socorristas, enfermerandos, que estão prestes a se formar e que verão a prática na universidade e no Salve a prática de aprender, indo para as BRs, onde acontecem vários acidentes.

Ricardo Lima observa ainda que o Salve está ampliando seu serviço e que será instalado no município de Messias: “Segundo um levantamento da Polícia Rodoviária Federal e do Samu, até a divisão com Pernambuco é onde está o maior índice de acidentes automobilísticos gravíssimos. A nossa escolha foi baseada em cima desse levantamento e temos a pretensão de colocar no futuro também em São Miguel dos Campos, próximo ao posto da PRF”, destaca.

Salve tem cerca de 100 profissionais envolvidos

Atualmente quase 100 profissionais estão envolvidos no projeto Salve e com a estruturação ele observa que pretendem colocar uma ambulância na BR. O projeto atualmente se sustenta com uma contribuição de R$ 50 mensal de cada voluntário, para pagar o aluguel de uma sala na Rua Miguel Palmeira, no Farol, material de trabalho e todo equipamento necessário foi financiado pelos voluntários. 

Segundo Ricardo Lima, o projeto está buscando mais parcerias: “Já temos empresas de manutenção mecânica, que vão dar gratuitamente a manutenção das viaturas; com dois fornecedores de insumos de material hospitalar, um de Pernambuco e outra de Alagoas; e outras parcerias estão surgindo”, pontua.

“O trabalho é apaixonante e tem duas vertentes: não existe coisa mais gratificante do que você ver o olhar de alguém, muitas vezes o último rosto que ele vê é o do socorrista; não tem nada mais gratificante do que quando a pessoa aperta a sua mão. Naquele gesto está envolvido pedido de socorro, e um muito obrigado, mesmo que morra ali”, define Ricardo Lima.

 O voluntariado funciona assim: o profissional dá o horário que pode; diz o dia e o horário que pode prestar o serviço e não é obrigado a ir todos os dias na semana. Faz o horário disponível para que possa desempenhar e se adequar ao seu horário de trabalho, de 12 ou de 24 horas.

Além desse trabalho, Ricardo Lima explica que a ONG vai fazer alguns trabalhos sociais de blitze da saúde nas grotas de Maceió: levar médico para consultas, exames de glicemia e aferição de pressão arterial; e vários outros serviços a exemplo de corte de cabelo, a cada 90 dias, levando o projeto para as comunidades mais carentes.   

A médica Mira Jurema da Rocha Leão é médica cirurgiã e atua como médica do Samu, ela é intervencionista e reguladora e fala que está participando do trabalho voluntário de socorrer as vítimas de acidentes nas BRs. “Atualmente estamos trabalhando com a capacitação do pessoal”, observa.  

Pedro Calheiros é natural de Messias, parceiro e incentivador do projeto e está levando a ideia para o município de Messias. Ele disse que é uma satisfação estar aproveitando a estrutura da administração para as pessoas de boa vontade, no sentido de contribuir com a vida humana.

“Eu acho que pra gente é satisfatório a gente poder fazer o bem para o nosso próximo e o Salve é um serviço que vem para somar. A gente sabe que o atendimento de urgência do Samu, muitas vezes não consegue chegar em muitas situações, por conta das demandas que é alta; as dificuldades que são muitas e o projeto Salve objetiva suprir essa necessidade e chegar mais rápido aos lugares e levar o atendimento de qualidade às pessoas”, destaca.


Pedro Calheiros  comenta que Messias é uma região que não tem atendimento municipal, com o investimento necessário “e nós também não temos uma base do Samu para prestar o atendimento. “Eu acredito que uma base do Salve lá, vai levar esse serviço àquelas pessoas, principalmente na região, porque estamos à margem da BR-101, que é uma das principais vias de escoamento de mercadoria e com isso temos grandes problemas, acidentes, virada de carretas, uma situação muito complicada

terça-feira, 12 de abril de 2016

Impeachment não passará no plenário da Câmara dos Deputados - Portal Vermelho

Impeachment não passará no plenário da Câmara dos Deputados - Portal Vermelho: Comissão especial aprova admissibilidade do processo, mas parlamentares avaliam que defensores do impeachment não têm votos suficientes para afastar Dilma Rousseff da Presidência da República.

Por Christiane Peres

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Revisitando textos antigos

Olívia de Cássia – jornalista

Fui revisitar alguns escritos meus, para escrever o artigo da semana e observei que as notícias anteriores não são velhas. Na seara política o lenga lenga continua, desde 2014, agravado com a solicitação da saída da presidente Dilma e as trapalhadas de algumas autoridades jurídicas que avaliam que são deuses.

Ando cansada de bater na mesma tecla, mas não abro mão dos meus princípios. Vendo a postura de alguns personagens da nossa política, fico imaginando em que lugar foram parar suas argumentações antigas, modo de ver a vida; ideologias pregadas. É muita hipocrisia o que a gente vê por aí, tentando enganar os tolos e ludibriar a credibilidade alheia.

E enquanto isso, a máquina administrativa do país está estacionada, nada caminha por força dessas circunstâncias. Não querem deixar a presidente trabalhar. Projetos sociais que precisam ter continuidade, que tiraram muitos brasileiros da miséria absoluta e que por isso revoltam a direita, estão sem encaminhamentos.

Esses setores da oposição, que cometem trapalhada, bizarrices e atos ridículos em público, não querem deixar o governo trabalhar, para terem a argumentação de que não está fazendo nada. Erros foram cometidos, é verdade, mas isso não justifica o ódio social das camadas dominantes aos menos favorecidos, a um partido. Isso não dá o direito de quererem o impeachment de Dilma.

Se querem mudanças, aguardem a eleição, em 2018, e votem em seus candidatos, mas deixem a Dilma trabalhar.  Eu nem argumento mais com algumas pessoas, que se recusam a enxergar o óbvio e embotaram suas mentes para outras informações. Pensamentos atrasados, na minha avaliação, mas que respeito da mesma forma que o exijo para mim.

Gente agressiva, intransigente movida pelo ódio, rancor, falta de educação e sem compostura, eu já estou ignorando os comentários e deixando no limbo. Vivemos numa democracia e nem isso eles aceitam, porque não têm noção do ridículo que é querer que todo mundo pense igual.

Estamos lutando pela nossa democracia que foi conquistada ao longo de tantas lutas, mortes e violência, orquestradas por um regime nojento, de exceção, que não admitia que pensássemos diferente. E é isso que essas pessoas não querem entender. Defendem o ódio pelo ódio.

Como disse o professor Leandro Karnal, quando vejo um jovem defendendo a ditadura, entendo que ele precisa de uma aula de história; quando vejo um adulto fazendo o mesmo, ou é má-fé, ou perdeu a memória, ou estava morando em outro plana quando tudo aconteceu.

Nossa educação está capenga, com professores apenas decorando conteúdos a serem transmitidos; alunos que não respeitam mais o professor, que por sua vez é vítima de agressão e violência na sala de aula.

Pais que relaxam na educação dos filhos e deixam a cargo das escolas um papel que seria deles. Li um artigo na internet, no site da revisa Brasil Escola, que entramos no século XXI com muitas mudanças na educação.

O texto trata da seguinte questão: ao mesmo tempo em que a escola desenvolve-se, ela, juntamente com a família parece perder o poder e o espaço que outrora tiveram na formação do indivíduo, pois as crianças começaram a entrar mais cedo na escola, fato que pode favorecê-las (quando a criança é bem acompanhada pelos pais) ou prejudicá-las (quando os pais por deixá-la durante muito tempo na escola geram, um sentimento de descaso em relação ao seu desenvolvimento).

Outro dia eu conversava com uma universitária da área de saúde e ela perguntou o que eu estava lendo e eu mostrei um livro da escritora ucraniana naturalizada brasileira Clarice Lispector e a moça me disse: “Essa escritora já escreveu coisas melhores, agora não estou gostando muito dos livros que ela está escrevendo”.

Fiquei calada, para ela não passar vergonha, pois Clarice morreu em 1977 e ninguém é obrigado a conhecer todos os escritores, mas fiquei com vários questionamentos e a certeza de que é preciso mais investimentos na educação. Fiquem com Deus.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Pré-candidato a vereador fala sobre conjuntura em União

Olívia de Cássia - Repórter 

Pré-candidato a vereador pelo PPL, Clezivaldo Mizael da Silva se apresenta à Câmara de Vereadores de União dos Palmares e na entrevista concedida por e-mail ele nos fala de suas propostas, caso venha a assumir um mandato no Legislativo palmarino; analisa a conjuntura atual e diz que o principal objetivo é cumprir fielmente os requisitos para ocupar com dignidade o cargo. Confira a entrevista.
- Como presidente do Rotary, no segundo mandato, você tem se destacado por algumas ações desenvolvidas na instituição, em União dos Palmares, e tem sido elogiado por isso. Quando foi que você despertou para esse lado social?
Antes de tudo quero te agradecer pelo importante espaço que você me concede ao bater este papo comigo, por meio desta entrevista. Realmente é extraordinário o momento que a gente tem pra discutir ações e projetos pra nossa comunidade. Fui eleito presidente do Rotary em 2014; assumi em 2015. No primeiro mandato tive experiências incríveis nesta que é uma organização internacional, muito séria e voltada aos serviços profissionais em favor da comunidade. Desde a minha tenra idade fui inclinado voluntariamente a gostar de agir em prol da coletividade; poderia dizer que começou na época de escola, no grêmio estudantil.
- Comenta-se que você sairá candidato a vereador pelo município; por qual partido será?
Sim, esse é um assunto muito sério. Durante anos relutei a respeito da possibilidade de ser candidato a vereador. Talvez por conta de tudo o que tem acontecido na politica brasileira e na politica local. Mas fui convencido de que se não fizermos nada agora, se não interferirmos no processo, pior, pode ficar! Então tive coragem e vamos pra luta – estou filiado no PPL (Partido da Pátria Livre).
- Foi esse trabalho que tem incentivado você disputar uma eleição, mesmo sabendo dos entraves que vai encontrar?
Verdade, os entraves já são enfrentados... Principalmente no quesito financeiro, eleição político-partidária envolve recursos, mesmo em cidades pequenas, costuma-se gastar muito em eleições, disputar uma eleição com quem é forte financeiramente, é muito difícil. Acredito que essa será a maior batalha. Ainda mais uma cidade que vive emblematicamente uma crise de desemprego preocupante. Mas a paixão pelas causas que atuo me deu coragem, ânimo e força pra resistir e insistir na candidatura. Tenho fé que juntos podemos reconstruir nossa identidade, nossa posição como cidade polo, nossa condição de crescimento e reestabelecer a confiança da população na politica verdadeira.
- Enquanto agente político, o vereador faz parte do Poder Legislativo, sendo eleito por meio de eleições diretas e, dessa forma, escolhido pela população para ser seu representante. Caso seja eleito o que pretende fazer para cumprir com afinco sua função?
O principal objetivo é cumprir fielmente os requisitos para ocupar com dignidade o cargo, estar presente nas seções, participar delas, me envolver e defender as classes sociais, os grupos, nossa história, valores, a ética e a justiça de direito. Pretendo representar fielmente a população que está cansada de vereador mudo, vereador faltoso, vereador descomprometido e indiferente com a situação atual.
- Esta noção de representante da sociedade está entre as noções mais caras dentre suas funções, pois as demandas sociais, os interesses da coletividade e dos grupos devem ser objeto de análise dos vereadores e de seus assessores na elaboração de projetos de leis, os quais devem ser submetidos ao voto da assembleia (câmara municipal). Você se  sente preparado para isso?
Absolutamente preparado! Participar de movimentos estudantis, movimento religioso e sociais, presidir uma organização tão importante quanto o Rotary, que precisa de projetos para gerir recursos, ter ocupado pastas de governo e ter assessorado por diversas vezes gestores, me deixou capacitado, eu me sinto pronto para representar minha cidade na Câmara de Vereadores. Buscando sempre ouvir, conversar e trabalhar os planos junto às classes de nossa comunidade. 
- Como você avalia o atual momento político em União dos Palmares?  Dá para ter esperança?
Uma situação caótica, o país vive uma crise política sem precedentes e o município de igual forma; estamos assustados, ansiosos, mas ainda existem vozes mesmo que em tom muito baixo clamando por renovação, por clareza, por transparência e por justiça e é essa voz que me chama para ir adiante, ir em frente, acreditando que é possível se fazer uma politica de diálogo, buscando fazer as coisas de forma decente. Peço a Deus que dê sabedoria às nossas lideranças e ao nosso povo.
- Qual a avaliação que você faz da atual legislatura na Câmara Municipal?
É muito precipitado e perigoso fazer um diagnóstico sobre a Câmara atual: vejo que alguns colegas têm se esforçado para fazer cumprir o papel de legislador, agindo de maneira que sua consciência ordena. No entanto, vejo com muita tristeza a falta de comprometimento de alguns vereadores, que saem das reuniões sem justificativa, não apresentam projetos, não usam a palavra para trazer proveito social, que não respeitam a mesa, enfim... Defendo a renovação da Câmara de União.
- No que esse entra e sai de prefeito tem prejudicado a cidade?
Acredito que de todos os aspectos o principal é a descrença da comunidade na Justiça de Alagoas, no momento houve uma estabilidade nas decisões, o prefeito Eduardo está entrando para o segundo mês de mandato na decisão recente de afastamento dos 180 dias, resta-nos saber se irá até o fim. Por ora, consigo observar que obras importantes estão paradas, licitações têm dificuldades de ser concretizadas; o comércio deixa de vender pela falta de pagamento por ocasião da troca de prefeito. É um raio X superficial que nos deixa em maus lençóis. Mas vamos sair desta crise, eu acredito.
- União dos Palmares é um dos principais polos da região da Mata Alagoana, mas atualmente tem vivido muitas dificuldades por conta da incerteza política. Comente.
Atravessamos quatro anos de grandes dificuldades, oriundos de uma administração sem norte, sem planejamento ou engajamento. As pessoas já sofreram o suficiente para compreenderem o erro que se comete numa urna ao escolher alguém que não corresponde às expectativas para o cargo, espero que tenhamos aprendido a lição. Não merecemos passar por isso novamente.
- A questão da violência está sendo um dos piores itens que tem gerado reclamação da população. Que projeto você pretende apresentar para melhorar esse quadro?
O governo pensa rapidamente em ampliar o sistema prisional, em construir novas casas de custódia, equipar policiais, etc; esquece-se que o jovem ou a criança é atraída pela ociosidade, pelo dinheiro fácil, oferecer para ela uma alternativa pode ser uma solução. Buscarei apresentar projetos e discutir ideias que fomentem nas comunidades alternativas viáveis e sustentáveis de fortalecimentos dos vínculos sociais e educacionais.
- Em que área de ação você pretende atuar. Deixe uma mensagem para os palmarinos e faça suas considerações finais.
Defenderei primordialmente a organização da cidade, a construção de um plano piloto que reestabeleça nosso crescimento, nosso espaço na região; a valorização de nossa gente (cultura, história, valores, família) discutindo pontos como emprego, educação, social. Também acredito que se faz necessária a ajuda para as comunidades como Muquém, Várzea Grande, Rocha Cavalcante, Santa Fé, Laginha, Timbó, Newton Pereira e Nova Esperança as reivindicações são várias e existe solução, basta um pouco de força de vontade e fé para agir e fazer acontecer. Essa é a minha maior vontade, construir uma cidade melhor para mim e para os meus filhos.

E agora, o que fazer?

Por Olívia de Cássia E agora, o que fazer? Essa pergunta me veio à baila, antes e depois da aposentadoria por invalidez e em alguns dias q...