domingo, 17 de abril de 2016

Servidores do Samu criam ONG para salvar vidas

Projeto realizou curso de capacitação numa chácara, no Benedito Bentes neste domingo

Olívia de Cássia – Repórter
Foto: Olívia de Cássia

Um grupo de servidores do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) criou um projeto solidário voluntário de socorristas, para realizar atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência nas comunidades, quando acaba o expediente de trabalho.

Segundo Ricardo Lima, que é condutor do Samu, com o passar do tempo, o projeto foi amadurecendo, conquistou  o CNPJ (que o CPF das entidades), “e descobrimos que seria da nossa parte uma injustiça deixar de fora tantos profissionais no mercado, da área de saúde e fora desse projeto”, observa.

O projeto Salve (Serviço Alagoano Voluntário de Emergência) foi criado há três anos e neste domingo, 17, durante todo o dia, realizou um curso de capacitação para integrantes de uma igreja evangélica, para fazerem atendimento básico de primeiros socorros, com palestras, aulas práticas de procedimentos com bonecos, entre outras técnicas.

O curso foi realizado numa chácara no Benedito Bentes, para lançar  oficialmente à comunidade a proposta do projeto.  “Quando o Salve tiver funcionando por inteiro, a sociedade vai ver e temos certeza de que teremos uma maior colaboração e o abraço da população”, avalia.

Na próxima terça-feira, 19, os voluntários do Salve foram convidados para participar de uma simulação feita pelo Corpo de Bombeiros, com 50 vítimas de afogamento, na Praia de Pajuçara. 
Na oportunidade terá a participação da Marinha, do Exército, Polícia Militar, Bombeiros, Samu e voluntários do projeto Salve. “Para nós já é gratificante, um sinal positivo por parte dos gestores de passar a crer no projeto como esse”, destaca Ricardo Lima.

AMPLIAÇÃO

O condutor-socorrista avalia que, com a chegada do Samu, criado pelo governo Lula há quase 12 anos, o Serviço trouxe para as pessoas da área de saúde um desejo enorme de fazer parte desse serviço. “Por esse motivo nós pensamos em abrir o leque para essas pessoas e chegamos ao ponto de ter uma procura enorme”, pontua.

Agora o Salve, segundo Ricardo Lima, parte para uma nova vertente, que é qualificar os profissionais da saúde que já estão inseridos no mercado e os que estão chegando como: acadêmicos de medicina, técnicos em enfermagem, socorristas, enfermerandos, que estão prestes a se formar e que verão a prática na universidade e no Salve a prática de aprender, indo para as BRs, onde acontecem vários acidentes.

Ricardo Lima observa ainda que o Salve está ampliando seu serviço e que será instalado no município de Messias: “Segundo um levantamento da Polícia Rodoviária Federal e do Samu, até a divisão com Pernambuco é onde está o maior índice de acidentes automobilísticos gravíssimos. A nossa escolha foi baseada em cima desse levantamento e temos a pretensão de colocar no futuro também em São Miguel dos Campos, próximo ao posto da PRF”, destaca.

Salve tem cerca de 100 profissionais envolvidos

Atualmente quase 100 profissionais estão envolvidos no projeto Salve e com a estruturação ele observa que pretendem colocar uma ambulância na BR. O projeto atualmente se sustenta com uma contribuição de R$ 50 mensal de cada voluntário, para pagar o aluguel de uma sala na Rua Miguel Palmeira, no Farol, material de trabalho e todo equipamento necessário foi financiado pelos voluntários. 

Segundo Ricardo Lima, o projeto está buscando mais parcerias: “Já temos empresas de manutenção mecânica, que vão dar gratuitamente a manutenção das viaturas; com dois fornecedores de insumos de material hospitalar, um de Pernambuco e outra de Alagoas; e outras parcerias estão surgindo”, pontua.

“O trabalho é apaixonante e tem duas vertentes: não existe coisa mais gratificante do que você ver o olhar de alguém, muitas vezes o último rosto que ele vê é o do socorrista; não tem nada mais gratificante do que quando a pessoa aperta a sua mão. Naquele gesto está envolvido pedido de socorro, e um muito obrigado, mesmo que morra ali”, define Ricardo Lima.

 O voluntariado funciona assim: o profissional dá o horário que pode; diz o dia e o horário que pode prestar o serviço e não é obrigado a ir todos os dias na semana. Faz o horário disponível para que possa desempenhar e se adequar ao seu horário de trabalho, de 12 ou de 24 horas.

Além desse trabalho, Ricardo Lima explica que a ONG vai fazer alguns trabalhos sociais de blitze da saúde nas grotas de Maceió: levar médico para consultas, exames de glicemia e aferição de pressão arterial; e vários outros serviços a exemplo de corte de cabelo, a cada 90 dias, levando o projeto para as comunidades mais carentes.   

A médica Mira Jurema da Rocha Leão é médica cirurgiã e atua como médica do Samu, ela é intervencionista e reguladora e fala que está participando do trabalho voluntário de socorrer as vítimas de acidentes nas BRs. “Atualmente estamos trabalhando com a capacitação do pessoal”, observa.  

Pedro Calheiros é natural de Messias, parceiro e incentivador do projeto e está levando a ideia para o município de Messias. Ele disse que é uma satisfação estar aproveitando a estrutura da administração para as pessoas de boa vontade, no sentido de contribuir com a vida humana.

“Eu acho que pra gente é satisfatório a gente poder fazer o bem para o nosso próximo e o Salve é um serviço que vem para somar. A gente sabe que o atendimento de urgência do Samu, muitas vezes não consegue chegar em muitas situações, por conta das demandas que é alta; as dificuldades que são muitas e o projeto Salve objetiva suprir essa necessidade e chegar mais rápido aos lugares e levar o atendimento de qualidade às pessoas”, destaca.


Pedro Calheiros  comenta que Messias é uma região que não tem atendimento municipal, com o investimento necessário “e nós também não temos uma base do Samu para prestar o atendimento. “Eu acredito que uma base do Salve lá, vai levar esse serviço àquelas pessoas, principalmente na região, porque estamos à margem da BR-101, que é uma das principais vias de escoamento de mercadoria e com isso temos grandes problemas, acidentes, virada de carretas, uma situação muito complicada
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