terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Dias difíceis para a democracia.

Por Olívia de Cássia Cerqueira

De repente, na porta da casa do meu irmão, passa um senhor, endurecido pela lida na roça, montado em seu cavalo já exausto. Estava eu em União dos Palmares e um filme passa na minha cabeça. A vida na roça não é fácil. Lembro dos meus antepassados.

Sigo procurando uma referência. A vida da gente é uma roda gigante, como diz a música. E nesse giro da vida vou seguindo, procurando não me impressionar com os sintomas da DMJ (ataxia), que vão aumentando a cada dia. Enquanto eu tiver forças eu vou lutar.

Estamos vivendo no país dias difíceis na conjuntura política e social, desde que em 2016 uma presidente foi injustamente afastada. Assume um vice golpista que só prejudicou os trabalhadores e em seguida eleito um homem que não entende nada de gestão, com ideias atrasadas, colocando em seu governo a maioria militares, acompanhados de evangélicos atrasados.

Enquanto isso, um ex-presidente continua preso na masmorra da Polícia Federal, em Curitiba, por conta de um juiz tendencioso e golpista. E cada dia é uma notícia inusitada, que não me surpreende mais nesse governo, dado ao perfil dessas personalidades.

E como disse o jornalista Elio Gaspari, sobre governo Bolsonaro: “plataforma conservadora com propostas atrasadas”. Segundo a Revist Forum, ele explica as razões do presidente Jair Bolsonaro se colocar, sobretudo, como uma pessoa atrasada.

O jornalista observa que o Bolso elegeu-se presidente da República com uma plataforma conservadora, amparado pelo atraso. “Sua campanha contra os organismos defensores do meio ambiente foi a prova disso. Não falava em nome do empresariado moderno do agronegócio, mas da banda troglodita que se confunde com ele. Felizmente, preservou o Ministério do Meio Ambiente”, disse.

O deputado Marcelo Freixo (PSOL), eleito com a segunda maior votação do Rio de Janeiro e a nona do país, logo que foi eleito, disse em entrevista ao site Uol que os brasileiros vão ter retrocessos em todas as áreas.

“Eu não tenho a menor dúvida disso. Nós vamos ter retrocesso no SUS [Sistema Único de Saúde], no MEC [Ministério da Educação e Cultura], na previdência, na política de segurança. Qual o tamanho desse retrocesso, em que medida ele vai impactar na vida das pessoas? Nós vamos saber durante o governo", pondera.

E não é preciso ir tão longe, pois em poucos dias de governo já vimos a que veio. Aqueles que o elegeram já mostram sinais de arrependimento, mas agora é tarde. Corremos o risco de termos um Mourão na presidência, o que pode ser muito pior, apesar de ele estar se mostrando mais flexível e democrático. Desconfiem de tudo, antes de ficarem postando abobrinhas nas redes sociais.

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