quarta-feira, 30 de junho de 2010

Confira reportagem no segundo post do link abaixo, sobre o presídio abandonado da Santa Fé, em União dos Palmares, feita por mim em junho de 2008, publicada no jornal Tribuna Independente. Ontem o profissão repórter exibiu matéria sobre o tema. Hoje a TV Pajuçara também exibiu matéria no Pajuçara Manhã. Confira meuu texto e as fotos e vejam que tudo permanece como antes.
http://oc-cerqueira.zip.net/arch2008-06-01_2008-06-15.html

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ajuda de toda a parte

Olívia de Cássia - jornalista

Nessa catástrofe que Alagoas está passando, muita gente está empenhada em ajudar, independente de classe ou de tendência política, mas outros vão se aproveitar para fazer palanque de campanha, podem ficar certos disso. Outras pessoas estão tão desacreditadas em nossos governantes, que por falta de informação estão culpando os prefeitos das cidades atingidas pela catástrofe das enchentes.
Gente, não vão confundir as coisas. O fenômeno das enchentes faz parte da natureza. Enchente ou cheia é, geralmente, uma situação natural de transbordamento de água do seu leito natural, qual seja, córregos, arroios, lagos, rios, mares e oceanos provocadas geralmente por chuvas intensas e contínuas.
A ocorrência de enchentes é mais frequente em áreas mais ocupadas, quando os sistemas de drenagem passam a ter menor eficiência. Desta vez foi exagerado por conta das devastações ambientais, da ocupação desordenada do solo, da poluição, assoreamento dos rios e todo tipo de maus-tratos que a natureza vem sofrendo ao longo desses anos.
Alagoas e Pernambuco estão em estado de emergência, mas tem muita gente em todo o País ajudando e querendo ajudar. Tem pessoas e autoridades que estão com material pronto para mandar, mas estão com receio que os donativos sejam desviados para outros fins que não sejam a ajuda a quem está em situação de risco. Tenho provas disso.
Em Alagoas, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) decretou situação de emergência na saúde pública por conta de possíveis surtos e casos de doenças em decorrência das enchentes que atingiram 28 municípios do Estado. Além dos profissionais que vieram de fora para ajudar as populações que sofreram com as enchentes, 200 profissionais da área estão nas cidades atingidas pelas cheias realizando atendimentos e orientando a população.
Segundo os profissionais de saúde, a maior preocupação hoje é com os casos de leptospirose e temor do retorno do cólera e o governo está alertando a população via propaganda nos meios de comunicação.
Segundo boletim epidemiológico divulgado pelo estado, entre os dias 23 a 28 Alagoas registrou 110 casos de diarréia, 58 de síndrome respiratória, 50 de acidente por animal peçonhento e dez casos suspeitos de leptospirose – quatro deles em Capela. O resultado dos testes deve ser divulgado nesta quarta-feira pelo Laboratório Central do Estado (Lacen).
TOQUE DE RECOLHER
Já o Ministério Público (MP) Estadual sugeriu que os municípios afetados pelas enchentes em Alagoas tenham toque de recolher a partir das 22 horas, delegacias abertas por 24 horas e que seja proibida a venda de bebidas alcoólicas por 90 dias. As medidas, que serão publicadas em recomendação no Diário Oficial, são para evitar casos de violência, como assaltos e saques.
O procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares, teve uma reunião nesta terça-feira com o coordenador da Defesa Civil do Estado, coronel Neitônio Freitas, para discutir como estão as ações nas áreas atingidas e anunciou as sugestões. “Essas medidas que sugerimos são profiláticas, preventivas contra ações de violência. Nesses municípios, nós teremos muitos moradores em casas de lona e será necessário manter a ordem”, destacou.
USO POLÍTICO
Tavares também fez questão de frisar que não vai admitir ingerência de políticos que possam vir a prejudicar o trabalho de resgate e entrega de donativos que está sendo realizado no estado. Uma das denúncias recebida é a retenção de cestas básicas para distribuição durante período eleitoral.
“Se essas informações forem confirmadas iremos exigir a prisão dessas pessoas. Não vamos aceitar uso político da dor dos alagoanos”, assegurou o procurador-geral. Ele disse que foi informado pelos promotores de que em alguns municípios estão fazendo listas de cadastros paralelas às da Defesa Civil.
“Nós defendemos o cadastro único, o comando único das operações para evitar manipulações e que lideranças políticas se utilizem da situação”, disse.
A promotora de Justiça Cecília Carnaúba foi designada para acompanhar o Fundo Estadual de Defesa Civil, para onde estão sendo encaminhados recursos federais e doações em dinheiro.
Na ocasião, o coronel Neitônio apresentou a prestação de contas dos R$ 25 milhões que foram repassados pela União na primeira semana da tragédia. (Com informações do site Tudo Na Hora)
O colégio

Petrúcio Manoel Correia de Cerqueira – bancário (*)

Em 1966, no mês de janeiro, estava eu quase que terminando as provas do Admissão ao Ginásio. Tinha passado em segundo lugar na quarta série, só perdendo pra Jorge, que morava no fim da Rua do Frei João. (O Jorge tinha barriga d'água, por isso o chamavam de Jorge buchudo) Passei direto, mas, mesmo assim, teria que fazer provas do Admissão (um pré-vestibular). Nessa época só era admitido ao ginásio quem, além de passar direto na 4ª série, passasse também no admissão.
Meu pai e minha mãe tinham um sonho com referência a minha carreira profissional; ser padre ou trabalhar no Banco do Brasil. A primeira opção, logo surgiu. Não sei como, mas, ela descobriu um colégio em Jaboatão dos Guararapes (Colégio Agrícola Pe. Rinalde, pertencente à congregação Salesiana) e para lá era que eu teria que ir; estudar para ser padre.
Perdi um ano na carreira estudantil, lá teria que fazer o admissão durante o correr do ano todo. Mas, fui sem contestar ( tenho comigo gosto pela aventura até hoje), e, emocionalmente, preparava-me para o feito.
Nesse colégio, já estudava uma turma de União dos Palmares. De conhecimento, tinha Emídio e os dois primos, Afonso e Edinaldo, que já estudavam no colégio. Pressenti que não sentiria muita saudade dos tempos da Rua da Ponte. Num dia de Domingo, partiríamos de trem para Recife. O trem saía de Maceió às 5 horas da manhã, chegava em União dos Palmares às 8 horas da manhã. Só não me lembro o tempo que levava para chegar em Recife.
O mês era fevereiro. Cheguei ao colégio muito antes do começo das aulas. Tinha ainda poucos alunos no colégio. Todos os dias chegavam mais novatos. Lá pelos meados do mês, o colégio já agregava um bocado de meninos, e nesses chegou uma turma do Ceará, e no meio deles, um metido a besta, que logo de cara não topei com o indivíduo.Diziam os amigos do antipático do Ceará, que o pai tinha muita posse (era rico), e por isso o cara era metido.
Os que iam chegando, logo iam sendo convocados pelos padres para a organização do colégio; limpeza do prédio, conservação do parque infantil, campo de futebol, salão de jogos e etc. Certo dia da semana, um dos padres encarregados pelo setor de recreação, nos convidou, e fomos todos para o campo de futebol para cortar o capim que estava alto. O meu material de trabalho era um facão rabo de galo (muito usado hoje pelos cortadores de cana).
Mas, certos casos só aconteciam comigo. Ainda possuía o destemor daquele menino que era respeitado pela maioria da Rua da Ponte, não sabia ainda como era a vida num internato. -O Cearense olhou pra mim e disse: - Todo alagoano é vagabundo e preguiçoso.
Na mesma hora, o facão rabo de galo foi acionado e o cara ficou sem o dedo mindinho. Correram todos pra separar aquela que seria uma briga bem infernal no começo da minha vida episcopal. Passei dois meses na solitária. Pra sair, só se fosse pra assistir a missa, comer ou estudar. Nada de brincadeiras.
Um dos padres, bem abusado, falou: - Você está pensando que isso aqui é um matadouro? Você é açougueiro? Vamos escrever para o seu pai e contar o que aconteceu. Esperaremos Pe. Antonio Ferreira chegar da Itália, e ver como é que fica a sua situação com relação a tua permanência ou não aqui no colégio.
Eu em meus pensamentos: “Meu Deus, o que será de mim se eu for expulso?” Mas, meu anjo é muito bom. Nesse colégio, tinha um padre que era quase um santo, o nome dele era padre . Manoel. Era tio de Antonio Manoel de Sá Cavalcante, de União e ele tinha um certo carinho por nós que fomos de União pra estudar lá. O padre. Manoel, em toda vida, só teve uma decepção; o sobrinho não quis ser padre, seguiu a carreira jurídica.
Quando terminou o castigo (saída da solitária), estava sendo vigiado em dobro. O difícil era suportar as galhofas dos outros sem poder tomar uma atitude, pois tinha prometido ao padre Manoel, que daquela data por diante, se nada acontecesse (ser expulso), eu seria um exemplo de comportamento.
A vontade dos meus pais com relação à carreira profissional realizou-se. Fui trabalhar no Banco do Brasil, onde passei 22 anos, e hoje, labuto na Caixa Econômica Federal. Os padres, ainda conseguiram me suportar por dois anos. (* É meu irmão mais velho)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Agora tudo acabou

Olívia de Cássia – jornalista

Agora tudo acabou; só restaram as recordações da Rua da Ponte na nossa memória. Tomara que ela não me falhe em tempo de lembrar todas aquelas vivências que nós passamos por ali. O cenário é de destruição e ontem o Rio Mundaú voltou a subir. A Defesa de Civil de Pernambuco avisou para Alagoas.
As chuvas desse domingo (27) colocaram as cidades de Pernambuco em Alerta e as de Alagoas também. Em algumas cidades, como Catende e Palmares, a população ribeirinha teve de desocupar as casas por precaução, com medo de uma nova tragédia por causa dos temporais que causaram 18 mortes e deixaram mais de 80 mil desabrigadas ou desalojadas no Estado de Pernambuco.
Em Palmares, a situação é similar. Segundo o grupo que coordena a reconstrução no município, a desocupação das casas é preventiva. “Não é uma cheia grande, mas é uma cheia. O rio começou a encher depressa. A Defesa Civil mandou tirar todo mundo da parte baixa. Quem estava lavando as casas, querendo se mudar, está voltando para os abrigos”, disse. Segundo ele, as chuvas prejudicaram o trabalho de reconstrução da cidade. “As máquinas que estavam fazendo serviço nessas áreas a gente mandou tirar. Os trabalhadores que estavam lá saíram, voltaram para suas casas”, relatou o prefeito de Palmares, José Bartolomeu.
De acordo com o prefeito, as comportas da barragem do Rio Prata foram abertas, para que o fluxo da água fosse controlado, em uma atitude de precaução para evitar enchentes.O clima é de medo nas cidades da Mata Sul de Pernambuco e em Alagoas. Sem informações, vários moradores das cidades devastadas pela chuva ligaram, ontem, para amigos e para os sites tentando obter informações.
A previsão é de mais chuva para o Estado de Pernambuco de acordo com o Laboratório de Meteorologia do Estado. “Na Mata Sul está chovendo e vai continuar chovendo, mas não com aquela intensidade (que causou as cheias)”, afirmou ontem o meteorologista Lindemberg Lucena. Pela previsão de outro laboratório, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), haverá chuva em todo o Estado, pelo menos, até quarta-feira.
Por causa da chuva que voltou a cair ontem, foi adiado o encontro dos governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e Téo Vilela, de Alagoas, que ocorreria hoje, no Recife. Eles discutiriam a reconstrução das cidades atingidas. Vilela preferiu ficar no seu Estado, acompanhando os problemas provocados pelas enchentes.

De acordo com o governo, aumentou para 12 o número de municípios em calamidade pública em Pernambuco, já que Catende, Primavera e Maraial mudariam hoje de situação de emergência para estado de calamidade.
Assim que receberam o comunicado de Pernambuco, os prefeitos alagoanos ficarm em alerta. Em União dos Palmares, o Rio Mundaú voltou a subir; o Riacho Canabrava chegou a transbordar de novo. Consequência de construções que foram feitas no local em que o rio corre.
Meu Deus! É muito sofrimento daquele povo que agora não tem nem onde morar e muitos sem o que vestir e comer. Outros perderam a vida. Cada vez que começo a lembrar, dá uma vontade danada de chorar. E como o inverno esse ano, parece, vai ser rigoroso, avalio que teremos muitos sustos durante esses meses. Resta saber se teremos condições de superar tudo isso, se aquele povo vai conseguir se reerguer diante de tantos atropelos e tragédias. (Com informações adicionais do JC On-Line)

sábado, 26 de junho de 2010

Estou de volta

Olívia de Cássia – jornalista

Estou de volta, meu computador foi reparado, já posso escrever em casa, com mais regularidade e sem tantos atropelos que a falta dessa ferramenta tão importante em casa me causou por esses dias, apesar de tê-lo no meu local de trabalho. Cheguei de União dos Palmares tem pouco tempo; fui levar mais donativos para os desabrigados das enchentes.
Felizmente nosso povo é muito solidário quando chamado à responsabilidade para ajudar tantas pessoas que passam por dificuldades. Muita ajuda está chegando de todo canto do País e até do exterior. O governo federal já liberou, em regime de emergência, R$ 25 milhões para compra de itens mais urgentes.
Serão comprados com parte desse dinheiro, cinco mil caixas de água para distribuir nos municípios atingidos pela enchente ocorrida no dia 19 deste mês. A ação visa possibilitar que as famílias desabrigadas possam armazenar água potável, já que a distribuição foi interrompida em decorrência da destruição das tubulações e reservatórios da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal).
As primeiras mil caixas d'água foram distribuídas em seis municípios afetados pela enchente: Santana do Mundaú recebeu 200 caixas, São José da Laje recebeu 150, União dos Palmares foi contemplada também com 150, Branquinha recebeu 200 caixas d’água, 150 foram levadas para Murici e 150 foram destinadas a Rio Largo, de acordo com o que foi divulgado no site Tudo na Hora.
As demais serão distribuídas a partir da próxima terça-feira. De acordo com a Defesa Civil Estadual, desse modo, todos os 15 municípios em estado de calamidade pública irão receber as caixas de água já adquiridas.
Além desse montante dos 25 mil emergencias, o governo federal anunciou a liberação de 275 milhões de reais para as ações que forem necessárias para a reconstrução das cidades atingidas. É muito dinheiro que está chegando para ajudar nessa tragédia.
O governo venezuelano, por meio do Consulado da Venezuela em Recife, doou oito toneladas de ajuda para os afetados pelas enchentes em Alagoas. Entre os produtos doados, estão alimentos, água, colchões, cobertores e roupas. De acordo com a Defesa Civil Estadual, os donativos devem chegar na noite deste sábado.
Eu só espero, de coração, que tudo isso que estamos passando não seja usado como plataforma política de políticos corruptos e oportunistas, que se aproveitam da miséria dos outros para fazerem palanque eleitoral. É necessário que haja fiscalização da sociedade civil organizada, mas sem paranóia para não atrapalhar os trabalhos de quem está fazendo alguma coisa para ajudar todos os desabrigados.
Ainda não tive oportunidade de percorrer os abrigos e escolas em seus interiores, mas fiquei sabendo que a situação é de muita tristeza, apesar de essas pessoas estarem sendo bem-assistidas pelo Poder Público nos municípios. Não se pode reclamar da falta de assistência, temos que reconhecer que a sociedade e o governo estão se mobilizando para promover ajuda a essas pessoas e o que não faltam são pessoas querendo ajudar de alguma forma.
Sabemos que haverá segundas e terceiras intenções na atitude de outros, mas, para essas, a gente deixa para o julgamento a quem de direito. Essas pessoas que estão envolvidas apenas querendo se promover terão respostas que poderão vir de formas diversas. Alguns já tiveram mas não entenderam.
Essa tragédia veio, avalio eu, para mostrar ao ser humano que ele não é superior à força da natureza, que ele precisa cuidar mais do meio ambiente, deixar de ser tão poluidor e de devastar nossas florestas. O meio ambiente reclama a falta de cuidado. Precisamos ter mais amor à natureza, aos nossos rios, aos animais e ao nosso próximo. Humildade e solidariedade são dois sentimentos que nunca são demais.

Resultado da tragédia de União dos Palmares




23-6-2010-© Olívia de Cássia-

Pequena amostra do resultado da enchente ocorrida no dia 18 de junho de 2010 - fotos de Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

terça-feira, 22 de junho de 2010


Das tragédias da vida

Olívia de Cássia – jornalista

Já tinham me avisado que o cenário que eu ia encontrar na Rua da Ponte não seria agradável de ver. O coração bateu mais forte quando vi tudo acabado, todo o meu passado destruído. Não existe mais nada ali, apenas as lembranças na memória da infância e dos belos dias que vivemos na nossa querida rua da infância. Parece que foi atingida por um míssil, uma força extra-terrestre ou um tusinami.
As águas agitadas do Rio Mundaú, provocadas por uma enxurrada que desceu de Pernambuco, levaram tudo o que encontraram pela frente. Tudo mesmo. Ficou apenas um grande vazio naquele lugar onde nasci. Lembranças fortes de uma infância cheia de vida, cheia de história para contar, onde meus pais começaram a vida negociando na mercearia, no armazém e bem antes, no pequeno hotel.
Só sobraram restos de escombros, de tijolos, lama e areia. A pouca vegetação da rua e da orla ribeirinha foi toda levada pelas águas que vieram por baixo e por cima da ponte, nossa querida ponte, que ficou sem grades de proteção e sem as cabeceiras que estão sendo refeitas pelas máquinas da prefeitura.
É impossível e não se deve mais construir nada no local. O Rio Mundaú, nosso querido rio, ficou mais largo, mais raso ainda, com os entulhos que foram para o seu leito de águas que ficaram mais barrentas. A fúria com que tudo foi levado causou espanto e desespero aos moradores das cidades ribeirinhas pro onde ele passa.
É impossível a gente não se emocionar, não se comover diante de tanta tragédia e de tanta tristeza. Diminuído o volume das águas, ficou o rastro da destruição no caminho; agora o que resta é só a saudade, lembrar dos momentos bons que ali vivemos, contabilizar o prejuízo e usar de toda a solidariedade para com tantas famílias desabrigadas e sem ter onde viver.
As escolas e o ginásio de esportes estão cheios. As famílias choram a perda de seus bens materiais e alguns até a vida de outros. É muita calamidade e muita tristeza. Sinto-me insuficiente e impotente diante disso tudo. Queria ter poder aquisitivo disponível para ajudar os meus conterrâneos que estão sofrendo com isso tudo, independente de quem sejam eles.
As histórias de como as vítimas conseguiram se salvar do afogamento se propagam na cidade, mas algumas pessoas aproveitam também para espalhar boatos maldoso de fatos que não aconteceram também. Algumas mortes anunciadas, graças a Deus não se concretizaram, mas outras foram reais e deixaram a todos entristecidos.
Para descontrair um pouco a situação, há relatos de uma senhora que diz ter sido salva porque se agarrou a uma porca enorme que ia descendo nas águas do Mundaú. Outro senhor de 70 anos conseguiu se salvar agarrando em uma cerca com arame farpado, por volta das sete horas da noite, apesar de ser diabético, ter problemas de saúde, mas encontrou forças pra lutar e conseguir se livrar do afogamento.
Outro morador da Rua da Ponte, seu Antônio, dono de um mercadinho, não teve a mesma sorte e morreu junto com seu filho porque tentou salvar seus pertences. As águas subiram muito rapidamente e não deu tempo para que conseguisse se salvar.

Catástrofe e destruição

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e foto)

A tromba d’água que veio de Pernambuco para Alagoas e as chuvas que caíram copiosamente naquele estado, durante uma semana, trouxeram destruição e mortes. Mais de vinte municípios alagoanos contabilizam seus prejuízos que vão da perda total de bens materiais até mortes. O cenário é de devastação total, parece que aconteceu uma guerra de grandes proporções.
Ruas inteiras foram destruídas, levadas pelas águas. Em União dos Palmares, na segunda-feira, máquinas da Prefeitura trabalhavam tirando os entulhos das ruas. Móveis destruídos, casas dizimadas e algumas que restam no Jatobá estão em total ruína.
A Rua Demócrito Gracindo, conhecida como Rua da Ponte, acabou. Não restou ma só casa: apenas a residência do ex-governador Manoel Gomes de Barros, na Fazenda Jurema, que fica a poucos metros dali. Na segunda-feira, o helicóptero da defesa civil sobrevoava a cidade. As águas do Rio Mundaú baixaram, mas o que se vê são cenas de um filme de terror americano; nunca imaginávamos que isso fosse acontecer em nosso Estado.
Há muitos escombros daquela que no passado foi a principal rua de acesso à cidade, quando não existia a rodovia que dá acesso a Maceió e isso era feito por meio de uma ponte, na Cabeça de Porco, que há muitos anos foi destruída por outras enchentes e nunca foi recuperada.
Nessa cheia de agora, as pessoas estão contabilizando seus prejuízos. Além da Rua da Ponte, o Rio Mundaú, em União dos Palmares, destruiu locais como as ruas do Jatobá e Cachoeira; o Muquém ficou isolado e outras localidades pedem socorro. Seis corpos já foram encontrados e sepultados, vítimas das enchentes em União.
Do outro lado da entrada da cidade, no bairro Roberto Correia, conhecido como Os Terrenos, a energia ainda não tinha voltado na segunda-feira; ruas escuras, entulhos nas portas das casas e um forte mau cheiro.
A população atingida está abrigada em escolas, no ginásio de esportes da entrada da cidade ou em casas de parentes e amigos. Contam com a ajuda do poder público e da solidariedade de quem não sofreu nenhum problema em consequência das chuvas.
Mutirões de voluntários se revezam para fazer sopas cozinhadas em panelões que são distribuídos na hora das refeições. Arrecadação de alimentos, roupas, água potável e velas estão sendo providenciadas pelos alagoanos para ajudar as pessoas que estão passando essas dificuldades.
São pessoas que perderam tudo e esperam a solidariedade e a ajuda de seus conterrâneos. Quando chega a comida, a cena é de guerra. As pessoas correm para os carros desesperadas e pedem ajuda. Não dá para a gente não se comover com aquilo tudo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Brigas de rua

Petrúcio Manoel Correia de Cerqueira – bancário (*)


No meu tempo de infância, brigas de ruas eram constantes, e tudo não passava de entrave instantâneo, tanto era, que com poucos dias voltava-se a amizade. Só tinha um detalhe, quando nossos pais sabiam do acontecido, era melhor não apanhar na rua, pois se fosse o caso, a surra seria dobrada, em casa levaria outra.
Meu pai alugou uma casa nossa que ficava vizinha a que nós morávamos para um conhecido dele chamado Joel Bizerra,(com "i" mesmo). O mesmo tinha três filhos. O mais velho era da minha idade, bem como os amigos que eu tinha na Rua Ponte. O sujeito virou o terror da Rua. Até eu, que naquele tempo não fugia de uma briga, fiquei com medo do cara.
O nome do cara era Edvaldo. Os meus amigos tinham cada nome: Boy, João Bolinho, Lobinho, Pepino, Tonho Gretinha, Paulo Cego, Zé Buchada, Gago, Chico Peneira (era o goleiro do nosso time). O único que ainda tinha laços de amizade com o cara era o João Bolinho. Nessa época, o armazém do meu pai era bastante espaçoso, e, nos dias que não tinha feira, eu usava o armazém para me reunir com amigos.
Foi numa dessas reuniões que surgiu a idéia de prepararmos uma emboscada para o Edvaldo. O cara era valente demais. Até brigar com dois de uma vez ele já tinha brigado, e tinha conseguido vencer. Armamos uma pra pegá-lo com a ajuda do João Bolinho (pois era o único que ainda tinha laços de amizade com ele), na saída do Grupo Escolar, mas, felizmente não deu certo, felizmente porque estava toda turma querendo vingança, e talvez o acontecido tivesse sido pior
O cara desconfiou das armações que nós estávamos preparando pra ele, e ficou mais cauteloso. Todas as reuniões que fazíamos no armazém, era o assunto predileto da turma. Chegaram as férias escolares, e o cara se mandou pra fazenda do pai dele, frustrando nossa ansiedade para desbancar o machão. Combinamos então, que quando terminasse o período das férias, nós nos voltaríamos ao assunto
Com as férias chegando, estava também chegando o Natal. Perto de onde morávamos, no outro lado da ponte, tinha o Zumbi Esporte Clube (onde hoje é a Praça. Benon Maia Gomes). Era um clube completo. Bem em frente morava o sobrinho do meu Avó materno, Otávio Paes e a esposa Dona Izabel. Os filhos dele são: Edinho, Nete, Nilda, Nilza, Sônia, Edwards e Nado. O Edwards, era chamado de Vévé. Sempre que podia brincávamos juntos.
Com a organização de D. Maria Bão, o Natal lá no Zumbi era muito animado, Pastoris e Reisados abrilhantando as festividades, e como era pertinho da nossa casa, íamos todos para a casa do primo Otávio. Mas uma fatalidade que só acontecia comigo. Saí correndo de dentro da casa dos meus primos para a Rua, e, Catimbaaa. Fui atropelado por uma bicicleta. A casa ficava bem no fim de uma ladeira. Imaginem a velocidade que o cara vinha.
Quando chegava alguma criança no hospital fora de hora, o José da Farmácia, que era o enfermeiro encarregado (plantão), já dizia logo: é o filho de Seu João Jonas é? Só pegou 44 pontos na cabeça. Não sei como o traumatismo não chegou a proporções piores. Ainda hoje, o couro cabeludo da minha cabeça, na parte de atrás é todo ondulado.
Voltou as aulas, mais demorei a voltar para as aulas por causa do acidente, como também ficaram para depois as reuniões do conselho do armazém, para planejamento da vingança do Edvaldo. (*Meu irmão mais velho)

domingo, 20 de junho de 2010

Senhor da razão

Olívia de Cássia – jornalista

Vinte anos podem não parecer nada para quem é jovem ainda e tem um mundo pela frente para sonhar e realizar muitos sonhos. Mas para quem já passou esse período vivendo uma situação e de repente se vê despido daquilo tudo, a aceitação da perda é muito difícil. Em vinte anos você pode construir uma vida, fazer carreira, pode melhorar de situação financeira ou ter passando pela vida sem que tenha alterado muita coisa.
O tempo, esse senhor da razão, é o dono do nosso destino e é ele que vai mostrar no futuro onde foi que erramos, onde foi que pecamos. Às vezes a gente está tão envolvido emocionalmente em determinada história, que não consegue perceber certos detalhes que estão contidos naquele enredo, naquela trama.
Em muitas situações, estamos tão preocupados com nossos próprios umbigos que somos incapazes de enxergar o outro que está bem próximo de nós, precisando de uma atenção maior ou da nossa compreensão.
E vamos seguindo naquele pensamento individualista, egoísta, pensando apenas em nossa felicidade, em nos realizar plenamente e não pensamos que bem perto de nós outras pessoas estão necessitando mais da nossa solidariedade, da nossa fraternidade e que a vida não é feita apenas daquelas suas expectativas. Tem muito mais coisas entre o céu e aterra do que imaginamos.
De vez em quando, é bom a gente colocar a mão na consciência e perceber isso tudo, ser mais humilde, não achar que podemos tudo, que somos ilimitados, porque um dia a vida e o tempo podem nos dar uma grande rasteira e aí o tombo é mais grave, porque o tempo é o senhor da razão. Na sua rotina, de repente, você se sente envelhecido, vê que o tempo passou e sobrou muito pouco daquela juventude cheia de sonhos e esperanças.

sábado, 19 de junho de 2010


Contadores de histórias

Olívia de Cássia – jornalista

Nós, jornalistas, somos contadores de histórias. Infelizmente, na maioria das vezes, são histórias tristes. Quando eu era criança e até bem pouco tempo, achava fascinante as enchentes. Só que naquela época, eu não sabia avaliar os prejuízos que causavam aos moradores das cidades.
Só sabia que era uma movimentação danada da população curiosa para ver o nível das águas do Rio Mundaú aumentando. Com o tempo, a gente vai crescendo, aprendendo e tendo consciência das coisas. Sentimentos se misturam diante de uma situação dessas. O de impossibilidade de estar na cidade, a falta de estrutura momentânea para o deslocamento e as estradas alagadas também.
Não há coisa pior do que você querer se comunicar, hoje em dia, e os telefones estarem todos mudos. A gente fica se perguntando como viviam os nossos ancestrais e parentes próximos que nos antecederam, se essas facilidades do mundo moderno não existiam: celular, telefone sem fio, computador , internet e outros meios de comunicação.
Passei o dia ouvindo noticiário no rádio e procurando complementar as informações nos programas televisivos. Dá uma impaciência danada você querer ajudar de alguma forma e não ter como. São tantas notícias tristes de pessoas desabrigadas que perderam tudo o que tinham de bens materiais e alguns até a própria vida.
Na hora da Ave Maria de hoje eu fiz uma prece. Pedi perdão pelos meus pecados, por reclamar tanto diante dos meus pequenos problemas, se pessoas conterrâneas estão passando por problemas superiores aos meus. Pessoas que passam aflições de tão grandes proporções. E olha que o inverno oficialmente ainda nem começou.

Vamos ser solidários

Olívia de Cássia – jornalista

Sinto-me de pés e mãos atadas neste momento, diante dessa situação, dessa tragédia que se abateu na minha cidade. Ontem, choveu muito. As informações que me chegavam de União dos Palmares e região eram as de que as águas do Rio Mundaú estavam subindo muito depressa e o povo estava assustado.
Dia de sexta-feira, nas redações dos jornais, é muita correria, tem muito trabalho, não deu nem pra pensar em viajar à minha terra para ver o rio cheio e ajudar aqueles que precisavam. A gente não consegue dimensionar a gravidade da situação, mesmo os amigos assegurando o perigo.
Quando liguei o rádio, hoje pela manhã, e escutei a voz emocionada da minha colega Zélia Cavalcanti, assessora da AMA- Associação dos Municípios Alagoanos, confirmando a catástrofe nas cidades alagoanas, eu não me contive e desatei a chorar copiosamente também.
Vieram-me as imagens das enchentes que eu já tinha presenciado na infância e adolescência e a aflição dos meus pais naquela época, por causa do rio cheio. Ao meio dia, ao ver as imagens na televisão, minha aflição aumentou.
Com essa tragédia fenomenal da natureza, reclamando os maus-tratos dos seres humanos e procurando, de alguma forma seu lugar a gente tem que fazer uma reflexão de tudo o que está acontecendo.
São rios cujas encostas foram destruídas pelos assoreamentos constantes ao longo dos anos, os desmatamentos e tudo o mais e quando vem uma enchente inesperada dessas, coisa que não se pode evitar, pois o volume exagerado das águas se deu por conta de uma tromba d’água vinda de Pernambuco, o problema superdimensiona e se torna gigante.
Ouvi, no programa do França Moura, o prefeito Kil falando da situação e também meu primo Anizão, de Murici que, aflitos, descreveram a situação. Tentei ligar para ambos para prestar minha solidariedade, mas não obtive êxito. Tenho vários parentes em Murici também e não consegui notícias.
Que eu me lembre, nesses meus 50 anos de existência, essa foi a pior das enchentes, muito maior do que a de 69, 89 e 2000. A conhecida cheia da Laje, naquela época foi uma catástrofe e pegou a população numa noite de festa, mas muitos dormiam e também foi por conta de uma tromba d’água. Essa de agora pelo menos foi mais durante o dia, mas já há registros de mortes também.
Estou sem computador em casa e fico limitada para obter mais informações do que está acontecendo por lá. Eu soube que está faltando energia, o estoque de velas do supermercado está acabando e a bomba que fazia tratamento da água que abastece a cidade o rio levou.
Não pude ir para lá, não tive condições de me deslocar, mas já comecei a fazer uma campanha de arrecadação de roupas e agasalhos e quem quiser ajudar pode me ligar no telefone 3223-5109 ou no meu celular 9649-8761 para saber onde entregar a doação que levarei até lá, assim que as águas baixarem e eu tenha segurança de chegar até a cidade.
Vamos ser solidários, esquecer as nossas diferenças e ajudar esse povo que está sofrendo. Meu amigo Josivaldo Ramos me enviou e-mail com os telefones onde as doações também podem ser feitas, caso prefira leve suas doações para:

Capital:
1º Grupamento de Bombeiros Militar (1º GBM) – Rodovia 316, Km 14, Tabuleiro dos Martins, próximo a Policia Rodoviária Federal, 3315-2900 / 3315-2905.
Grupamento de Socorros de Emergência (GSE) – Conjunto Senador Rui Palmeira, S/N, 3315-2400.
Subgrupamento Independente Ambiental (SGIA) – Av. Dr. Antônio Gouveia, S/A, Pajuçara, próximo ao Iate Clube Pajuçara, 3315-9852.
Quartel do Comando Geral (QCG) – Av. Siqueira Campos, S/N, Trapiche da Barra, próximo a Pecuária, 3315-2830.
Defesa Civil Estadual (CEDEC) - Rua Lanevere Machado n.º 80, Trapiche da Barra, próximo a Pecuária, 3315-2822 / 3315-2843.
Grupamento de Salvamento Aquático (GSA) – Av. Assis Chateaubriand, S/N, Pontal, próximo a Braskem, 3315-2845.
Interior:
2º Grupamento de Bombeiros Militar – Maragogi, (82) 3296-2026 / 3296-2270.
6º Grupamento de Bombeiros Militar – Penedo, (82) 3551-7622 / (82) 3551-5358.
7º Grupamento de Bombeiros Militar – Arapiraca e Palmeira dos Índios, (82) 3522-2377, (82) 34212695.
9° Grupamento de Bombeiros Militar – Santana do Ipanema e Delmiro Gouveia, (82) 3621-1491 / (82) 3621-1223.

quarta-feira, 16 de junho de 2010


O golpe: o dia em que deu macaco

Petrúcio Manoel Correia de Cerqueira - bancário *

Em 1964 foi deflagrado o golpe militar no Brasil. Eu tinha nove anos, estudava no Grupo Escolar Rocha Cavalcante. O caminho que seguia sempre para o grupo, era o mais distante, gostava de ir devagar, apreciando a paisagem, e, sem pressa. Subia pela Rua das Pedreiras, chegava na Avenida Monsenhor Clóvis, cheia de amendoeiras e prédios antigos, e, bem em frente à Avenida, a imponente Estação Ferroviária.
A Avenida Monsenhor Clóvis só tinha mão única. O outro lado, que dava para a Estação Ferroviária, era todo de jardins e fontes, que se estendiam até a esquina dos Correios. Num desses prédios (onde hoje é o Bar de Zé Veras), antigamente era a sorveteria de Seu Pedro Cavalcante, marido de Dona Quitéria. Esse Sr. Pedro, era parente de Seu Zuzinha, dono do Muquém. Vizinho tinha um ponto, em outro prédio, de jogo do bicho, que pertencia ao pai de Chico Cordeiro, delegado de trânsito em União.
No fim de março de 1964, mais precisamente no dia 30, antes do Dia “D” (do golpe), notei algo que nunca me saiu da memória, um soldado, com uma metralhadora em punho, estava em cima de uma locomotiva com um comboio vazio. O soldado era o marido da minha tia Osória, o Seu Fernando Freitas. Teria recebido ordens vindas de Maceió, para que o trem não chegasse ao destino final (Maceió). Esse comboio iria para Maceió, para que o pessoal daquela cidade fosse a Recife para o comício de Miguel Arraes. Isso foi no dia 30 de março; no dia 31, foi o golpe.
Numa dessas minhas idas para o grupo, ia eu passando na Avenida, perto do ponto do jogo de bicho, quando Heleno, filho mais velho de Dona Necí (amiga de minha família), me chama, e diz:
- Pepe (apelido que me chamavam), hoje vai dar “macaco” pode jogar todo o dinheiro que você tem aí. Relutei: - Eu só tenho o do lanche. Nunca tinha jogado. Aí fui na tentação. E não é que ganhei? Acertei logo na milhar. Foi seis mil e oitocentos cruzeiros.
Aí menino, prestou não. Quando cheguei em casa com aquela dinheirama, veio logo as perguntas difamatórias. Contei o acontecido, e não acreditaram. Vim pendurado pela orelha, da Rua da Ponte até a casa do pai de Chico Cordeiro (dono da banca), que ficava no fim da Avenida Monsenhor Clóvis, perto dos Correios, para saber realmente se eu tinha ganho todo aquele dinheiro.
Nunca mais eu quis saber de jogar dinheiro em nada. Nem na Mega-Sena eu jogo, ainda hoje tenho trauma. (* Meu irmão mais velho)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sem ferramentas de trabalho e diversão

Olívia de Cássia - jornalista

Tem mais de uma semana que meu computador doméstico pifou de novo, está no técnico. Coisa muito difícil para quem, como eu, depende dele, tanto para o trabalho quanto para o lazer. Como se não bastasse isso, além da crise alérgica, dois dias sem energia na minha rua, justamente em época de jogos da Copa. Isso porque a Eletrobrás garantiu que não faltaria energia nessa época.
E tasca ligar pra antiga Ceal reclamando do problema. Disseram lá que já tinham recebido mais de 400 ligações com esse tipo de reclamação. Lá na minha rua faltou energia na hora do segundo jogo, por volta das 15h30 do domingo e só voltou hoje de madrugada. A alegação foi a de que aconteceu um problema num fusível que, segundo a companhia, não sabia quando ia chegar.
O interessante é que o problema aconteceu na maioria das casas da Perdigão, mas tinha local em que logo chegou e não faltou mais. Disseram que faltou energia em vários bairros de Maceió, por conta da ventania. Só espero que mais tarde, na hora do jogo do Brasil, essa marmota não volte a acontecer . Dá-lhe Brasil!
Viva São João!

Olívia de Cássia – jornalista

Hoje o Brasil enfrenta a Coreia do Norte, em jogo que será disputado logo mais à tarde. O clima na rua é de feriado. Tomara que cheguemos ao Hexa, mas nem posso comemorar porque tenho que ir pra Tribuna Independente, no máximo depois do primeiro tempo.
Mas agora eu quero falar de festas juninas, que por aqui, não têm o mesmo sabor das nossas antigas festas tradicionais, com fogueira, arrasta-pé, muita comida típica e forró dos bons, lá na Praça Basiliano Sarmento, em União, na Festa do Milho ou na rua mesmo, quando éramos criança.
No interior, nessa época do ano, as moças faziam simpatias para Santo Antônio, o santo casamenteiro. Tinha a brincadeira da faca no tronco da bananeira, dos pingos de vela numa bacia com água para ver se se formava o nome ou inicial do futuro marido, a da aliança no cabelo dentro de um copo, para saber se realmente casavam e muitas outras brincadeiras próprias da época que eu não participava e achava tudo besteira.
Minha mãe fazia para mim vestidos com muitas estampas e bolsos dos lados para que eu colocasse os artefatos infantis de pólvora: traques, chuvinhas, estalos bebes e outros. Numa dessas festas, quando amanheceu o dia, a fogueira ainda estava queimando, algumas brasas apenas.
Fiquei de cócoras para acender uma chuvinha e pegou fogo no meu vestido. Não contei história entrei correndo, tirei a roupa e escondi o que sobrou debaixo do meu colchão. Quando mamãe descobriu o que foi feito do vestido, eu não preciso nem dizer...
Naquela época, ao redor da fogueira, o povo se reunia para contar histórias e adivinhações, comer milho assado e cozinhado. Uma brincadeira e tradição que estão se perdendo e com tendência a acabar, a não ser em cidades como Caruaru e Campina Grande, onde a tradição ainda é preservada e parece que ali, sim, não vai acabar nunca.
Agora a investida é contra as tradicionais fogueiras juninas. Já existe até projeto de lei por conta da devastação ambiental. Não se pensava antigamente que o corte das árvores fosse causar o desmatamento como estão alegando agora para proibir as fogueiras. Essa tradição acontece apenas uma vez no ano e acho que não é isso que causa o desmatamento da nossa Mata Atlântica.
Eu tenho a opinião de que ao invés do fim da tradição deveria se estipular uma meta: para cada árvore cortada, duas ou três fossem plantadas. Até por que, em muitos casos, lá no interior, o corte dos galhos para as fogueiras eram daqueles, em sua maioria, que estavam sobrando e necessitavam de podas, os excedentes.
Por que se pensar em uma atitude radical do fim de uma tradição tão bonita se a gente pode ter alguma alternativa coerente? Se fosse uma tradição perniciosa e assassina como a farra dos bois, eu já não diria nada e concordaria, mas essa das nossas fogueiras tem uma solução: vamos replantar, despoluir, repovoar os rios, não jogar lixo nas encostas e córregos, vamos preservar e não destruir.
Atchim!

Olívia de Cássia – jornalista

Minha colega Gracinha Carvalho fez um blog só para falar desse assunto, o Maria Alérgica. Pense num negócio chato, que incomoda muito. Quem tem esse problema vive muito incomodado nesse mundo de ambientes tão insalubres. Salas com ar-condicionado no mundo de hoje têm que ter, mas é um incômodo desgraçado.
São tantos os espirros, ar cansado, nariz que não para de corizar e o transtorno é medonho mesmo. Basta um cheiro mais ativo para provocar espirros, dores de cabeça e nariz coçando. Quem não sofre de alergia pode até achar que se trata de frescura, mas não é. Eu também pensava assim, antes de desenvolver isso no meu organismo, há cerca de oito anos.
Ambientes com carpetas para nós é um perigo constante. É o local que freqüento de terça a quinta-feira, à tarde, no plenário da Assembleia Legislativa. Esse tipo de assoalho deveria ser proibido por lei. Será que os construtores não pensam quando vão planejar a estrutura de prédios públicos nas pessoas que têm alergia, rinite e outras ites por aí?
Nesse tempo de festa junina, apesar de gostar muito desses eventos , fico torcendo para que não façam muitas fogueiras na rua. Estou em crise novamente e passei véspera e dia de Santo Antônio de molho, passei dois dias péssimos. Atchim!

sexta-feira, 11 de junho de 2010


O empreendedor

Petrúcio Manoel Correia de Cerqueira - bancário

Os negócios do meu pai, graças a Deus, melhoraram muito, e, a expansão do prédio para armazenamento das mercadorias (que era essencial), estava mais que evidente. Antes da nossa mudança para a nova casa, minha mãe fez-me uma grata surpresa. Passei para o terceiro ano primário com as melhores notas da minha turma no Rocha Cavalcante. Ganhei de presente um velocípede todo de metal (não tinha de plástico na minha época), todo vermelho, a coisa mais linda do mundo. O brinquedo era tão bom, que brincávamos eu e meu irmão Petrônio ao mesmo tempo.
Nós nos mudamos e perto da nossa nova casa tinha a Praça Costa Rêgo; de lado, o imponente prédio do Rocha Cavalcante. Era na calçada do Rocha que gostava de brincar, pois era cheia de curvas. Num dia desses, chegou me interpelando uma vizinha que mora ainda hoje na Praça Costa Rêgo, o porquê de eu não deixar o filho dela brincar com meu velocípede. Eu, que não era lá nenhum diplomata, respondi rispidamente e ela partiu pra cima de mim pra tomar o meu brinquedo, quando, de repente, ela não esperava pela minha reação e meti um tijolo nas pernas dela.
Pela primeira vez, a reação na minha casa foi de apoio para mim; naquele dia não apanhei. Sempre que vou a União dos Palmares eu passo por lá e converso com ela e os seus vizinhos:só não sei se ainda lembra do acontecido.
O tempo que moramos nessa Rua (a Presciliano Sarmento), foi um período de mais ou menos dois anos, pois o comércio do meu pai estava se expandindo, e apareceu a oportunidade. Meu pai, para aquela época, tinha uma visão muito boa para comércio (não era letrado), agregou valores, e com isso, aumentou o comércio.
Comprava milho, algodão (quanta fartura, naquela época), fava, feijão. Todo tipo de cereais que aparecia. Tinha que ter dinheiro em espécie para tocar os negócios. Ele notava que, quando o matuto trazia cereais para vender na cidade, era a sobra da produção que o agricultor vendia para comprar os outros gêneros de primeira necessidade.
Foi aí que a idéia de quem não tinha estudo brilhou: por que não botar uma bodega (Mercearia) pra vender aos matutos? Os mesmos recebiam pelas mercadorias, e iam comprar em outros lugares da cidade. Como diz o ditado, foi a faca e o queijo no prato; tudo deu certo e aí o comércio prosperou. O capital de giro que papai possuía, devia ser de bom tamanho (bela quantia), pois, passava todo o inverno vendendo fiado (a crédito) para a matutada que pagava só no verão com os cereais produzidos.
Uns vizinhos nossos, que ainda eram parentes do meu avô materno, tinham um armazém e duas casas pra vender, num lugar estratégico para o comércio do meu pai. Com o incentivo de minha mãe, não sei como foi que fizeram, mas meu pai comprou tudo.
Desde pequeno, eu tinha, e tenho uma fraqueza. É gostar de dinheiro. Quando pequeno não media esforços para consegui-lo (honestamente). Meu pai dava todos os dias para o lanche no Grupo Escolar. Nunca me faltou a mesada (graças a Deus). Só que eu vi num negócio que ninguém fazia um meio de ganhar mais um por fora; era juntar garrafas quebradas e ferro velho para vender.
Todos os dias, depois que fazia as lições escolares, partia eu com um carro de mão para o lixão da cidade que não ficava muito longe de onde morávamos. Não era orgulhoso, e não ligava para o que as pessoas diziam (que não precisava daquilo). Passei mais de um ano nessa luta, juntando tudo no quintal do armazém de meu pai.
Quando chegou o grande dia, eu pensei comigo mesmo: ‘agora estou feito, vou ganhar um dinheirinho extra’. Vocês não acreditam, foram seis toneladas de vidro e ferro velho. Naquela época a maior cédula do cruzeiro (moeda da época), era a cédula de dez mil cruzeiros com a estampa de Santos Dumont. Em sequência vinha a cinco mil cruzeiros com estampa de Tiradentes. Sabe quanto foi que recebi? Seis mil e oitocentos cruzeiros, pagos por Zé Pintor (pai de Cordeirinho). Imaginem só a alegria. Já estava planejando começar de novo, quando de repente entrou minha mãe na conversa, e, sobrou pra mim. Pegou todo o dinheiro que ganhei e disse: ‘vou compra roupas pra vocês’.
Fiquei revoltado com a atitude de minha mãe, e com isso, também veio a preguiça pra ajudar nos dias de feira, tanto na bodega como no armazém. (* É meu irmão mais velho)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O telefonema

Olívia de Cássia – jornalista

Ela acordou, como há muitos dias, pensando naquele com quem dividiu quase 20 anos de sua vida e que agora está afastado há sete. De repente, resolveu telefonar, usando como desculpa procurar saber o preço de uma geladeira usada – coisa que não seria uma mentira, já que a sua está em petição de miséria; ele trabalha no ramo da refrigeração e não estranharia aquele contato.
Seria uma desculpa convincente, na avaliação dela, para ouvir aquela voz que não ouvia fazia tempo. Do outro lado do aparelho, a voz que atende pareceu enfadada, desanimada, como se ele tivesse convalescendo de algum problema de saúde, ou acabado de acordar.
Ela: - Oi, sou eu. Você sabe dizer quanto está custando uma geladeira usada?
Ele:- Oi, não tenho aqui. Está tão barato uma nova que não vale a pena investir.
Ela - Ah, é que eu queria saber, pois aquela (a geladeira que ele tinha adquirido há oito anos) está toda enferrujada e a conta de energia está vindo alta. Queria saber o preço de uma em bom estado de conservação. Não posso, agora, comprar uma nova; meu computador pifou e vou gastar R$ 390 no conserto.
Ele- Não vale a pena, comprei um novo (computador) tela plana; as facilidades de aquisição hoje estão imensas.
Ela: - Tá certo, eu só queria saber, então. Tchau!
Ele - Tchau!
Depois que encerra a conversa, ela ficou com os olhos marejados de lágrimas. Fazia muito tempo que não ouvia aquela voz, tampouco via seu dono. Quanta falta ela ainda sente dele, apesar do tempo e de tanta coisa que aconteceu, desencadeando aquela separação.
Por mais que ela repita para si que esse caminho não tem mais volta, o coração ainda pende para o lado dele, ainda pensa em tudo o que eles viveram. De repente, alguém interrompe aquele pensamento....
Mas ela sabe que aquele pensamento seu é só uma saudade. Saudade de um tempo que achava que era feliz. Ela sabe, tem consciência de que ele está bem, vivendo outra vida, com várias mulheres, com filhos. Os filhos que ela não pôde dar para ele.
E quando pensa nesse detalhe, uma dor transpassa o seu coração. Foram tantos anos de convivência, de bons momentos; enfrentaram tantos obstáculos, a oposição da família, da sociedade, para viver aquela relação. Teria valido a pena tanta briga, tanta confusão?
O peso da saudade é grande, mas só lhe resta seguir o seu caminho, cheio de incertezas, em busca da felicidade. De resto, apenas a ligação pro celular, que foi quase impessoal. (FIM)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O tempo muda a vida

Olívia de Cássia – jornalista

Deixei de acreditar em cegonha, em Papai Noel e em contos de fadas muito cedo. Aprendi com as amigas da rua como nascem as criancinhas, numa idade ainda tenra e em que para nós tudo era novidade.
As curiosidades da infância para esses assuntos se revelavam a cada nova informação adquirida. Quando as mulheres da Rua da Ponte casavam ou tinham seus bebês, ou quando se reuniam para falar de suas vidas pessoais na nossa presença.
Lá em casa a gente não podia presenciar a conversa dos adultos; a educação de antigamente não permitia isso. Quando um adulto estava conversando com outro, na maioria das vezes, dependendo do assunto, as crianças tinham que se retirar do local ou não podiam se meter na conversa.
Não era como hoje em dia que as crianças desmentem os pais na frente dos outros. Era assunto de adulto, não permitido para nós, criança não cabia na sala. Mesmo assim, algumas vezes, dava para escutar quando minha mãe fazia algumas confidências para suas amigas ou para minhas tias.
As crianças e adolescentes nas décadas de 60 e 70 eram muito vigiados. Meu tio Antônio Paes de Siqueira, irmão mais velho de mamãe, de vez em quando chegava lá em casa para contar para meus pais o que ficava sabendo de nós na rua. Fosse no Bar da Sinuca, localizado na Avenida Monsenhor Clóvis, ou em outro local de União dos Palmares.
Minha tia Osória Paes de Freitas estava sempre atenta para as nossas traquinagens; era minha segunda mãe. Quando a gente dava uma escapulida da vigilância cerrada lá de casa, lá estavam meu tio Antônio e minha tia Osória para intercederem se fosse o caso, se fosse alguma coisa errada, na avaliação dos dois.
Nunca fui muito seletiva em se tratando de paqueras e acabava me interessando por meninos que não estavam a fim de mim. Sofria muito com isso. Esse sentimento me perseguiu a vida inteira, quem me conhece desde a infância sabe disso.
O tempo passou, mudou a vida. Dizem os escritores que o tempo é como o vento; ambos são soberanos. Quando a gente é criança tem mais tempo para viver e para sonhar, para observar o vento, para ver o balanço das folhas, o deslocar das nuvens. Eu ficava deitada no colo do meu avô observando os carneirinhos que se formavam nas nuvens, à noite, na porta da mercearia do meu pai.
Cada mudança das nuvens era um animalzinho que se formava e mostrava pro meu avô, que sorridente participava de todos os meus sonhos e fantasias de criança. Tinha mais tempo, tempo pra viver e para sonhar, mas só percebemos que o tempo passou quando olhamos para dentro de nós e não vemos mais aquela criança sonhadora e pura.
O vento foi tomando conta de tudo, levando os restos de esperança daquela menina acanhada e sonhadora que eu era. O tempo mudou o rumo da minha vida, só não sei dizer se foi para melhor.

terça-feira, 8 de junho de 2010

De volta à infância

Olívia de Cássia – jornalista

A gente era pequenina, gostava de brincar de roda, de pular corda, de pega-ladrão, de ciranda cirandinha, de casinha, avião e outras brincadeiras da infância da década de 60. A Rua da Ponte não era pavimentada e quando chovia muito ficávamos na chuva brincando; ninguém pensava em contrair doenças.
Eu tomava muito banho de chuva nas biqueiras das casas, catando sapinhos pequenos com meu irmão Paulinho. Era uma brincadeira que gostávamos muito de fazer e quando chovia granizo também íamos para a rua catar aquelas bolinhas de gelo e nos divertíamos muito com tudo aquilo.
No fundo do armazém do meu pai tinha uma goiabeira enorme que dava pra gente ficar em cima, por horas a fio, comendo aquelas frutas gostosas e confidenciando segredos da infância com a amiga Mariza Matias, irmã do meu amigo Quitério Matias, ou tomando banho no Mundaú com as outras amigas da infância.
Quando ia pro Rio Mundaú tomar banho ou acompanhar alguma vizinha que ia lavar roupa ou prato, eu ficava escutando as conversas daquelas mulheres, cujo repertório quase sempre era enorme, e se referia, na maioria das vezes, à vida da vizinhança.
Eu vivia pela vizinhança ou na casa dos meus avós Manoel e Olívia e não parava em casa, o que rendia muitas críticas da minha tia Osória Paes, irmã mais nova de minha mãe, que quase sempre dizia:
– Antônia, essa menina vive muito solta na rua, gosta de ficar com os meninos da vizinhança, pode aprender safadeza com eles.
Um dia, por conta dessas brincadeiras de boneca com meninos e meninas da vizinhança, e de uma das reclamações da minha tia, levei uma surra danada de mamãe e outra de meu pai, que quase nunca me batia.
Como se não bastasse isso, certa feita peguei uma briga com uma vizinha que era colega de escola no Rocha Cavalcante e apanhei muito da menina que era mais velha e bem maior que eu.
Foram todos os meninos e meninas da escola me acompanhar até em casa, na Rua da Ponte e quando cheguei casa foi um labafero desgraçado. Fiquei com a garganta doendo por muitos dias de tanto aperto que levei.
Foi a única pessoa que nunca mais eu fiz as pazes, que eu me lembre, não que eu não quisesse, mas a vida tratou de nos separar e ainda hoje eu lembro dessa amiga. Fiquei chateada por muito tempo, mas depois passou.
Quando eu não estava nas brincadeiras com a meninada da Rua da Ponte, estava na casa do meu avô Manoel Paes, ouvindo ele me contar seus causos ou lendo para ele os livrinhos de literatura de cordel que comprava na feira livre de União. Meu avô gostava de ir à Barriguda a pé e uma vez ele passou três dias sumido, causando preocupação à minha avó e minha mãe. Disse que tinha se perdido no mato e que tinha sito vítima das caiporas que tinham pegado ele, mas não se lembrava do que tinha acontecido e contava várias vezes para mim essas histórias.
Seu Francisco, o vizinho da frente da casa do meu avô, tinha uma fabriqueta rústica de confeccionar colchões de palha forrados com chita e nós adorávamos pular em cima das palhas do seu Chico, fazendo a maior folia na casa dele. Depois que saí do Rocha Cavalcante fui estudar no Monsenhor Clóvis. As ladeiras de acesso à escola eram de barro e eu levei vários tombos e quedas em época de chuva. Chegava em minha casa com o fardamento todo sujo de barro, o que causava a ira de minha mãe com aquela sujeira da roupa.
Meu pai dava duro para criar e educar os filhos tinha pouca leitura, mas sabia fazer contas de cabeça muito mais que os filhos que estavam na escola. São tantas as lembranças que tenho da minha infância, que por vezes tenho muita saudade daquele tempo. O melhor tempo do mundo.
Minhas peripécias e artimanhas

Petrúcio Manoel Correia de Cerqueira - bancário

Financeiramente, tudo ia bem com os negócios do meu pai. Nos dois anos seguintes ao da enchente (1962 e 1963), pagou os débitos, e ainda conseguiu comprar uma pequena casa longe da beira do rio.
Eu, sinceramente, não achei boa essa mudança. Era na Rua da Ponte que eu me soltava, vivia livre como um passarinho. Pintava e bordava (como se dizia antigamente). Banhos de rio, saídas para passeios sem tempo predeterminados, visitas constantes à Serra da Barriga (onde eu conhecia quase todos os moradores, pois, eram quase todos clientes do meu pai).
Logo nos primeiros dias de morada nova, tudo que eu pensava, estava sendo concretizado. Meu pai proibiu qualquer um de nós de sair para a rua, e olhe, que nem carro naquela época existia por lá. Era a Rua Presciliano Sarmento, que terminava na entrada da Fazenda Terra Cavada, com um sítio de mangueiras que não tinha mais tamanho. Pra vocês terem uma idéia, hoje, onde era esse sítio, é a continuação da Rua até a Vila Kennedy, e a sede do sitio é onde está instalada a AABB.
Sim, como estava dizendo, a mudança não foi boa pra mim. Eu mesmo só saía de casa, pra levar o café ou o almoço pra meu pai na Rua da Ponte. Era uma tirada e tanto. Foi nessa rua que comecei também a me revoltar com a ordem de não sair, e com a revolta veio também as primeiras surras, e não foram poucas.
Se naquele tempo existisse, como hoje existe, negócio de Conselho Tutelar, era capaz de meu pai e minha mãe terem de explicar algumas vezes, tamanha eram as surras que eu levava. E tem um pequeno agravo nisso tudo, às vezes (isso era o que eu achava) era sem motivo declarado, mas nem por isso, virei marginal, nem tão pouco deixei de gostar do meu pai e de minha querida mãe.
Numa dessas, fui um dia de feira (sábado é dia de feira em União) levava café pra meu pai. Pra cortar caminho, fui por trás do Grupo Rocha Cavalcante. A Rua Costa Rêgo naquela época não era pavimentada e era apelidada de "Apertado da Hora". Levava uma garrafa térmica com café e marmita com cuscuz e carne.
Escorreguei na lama, e lá se foi o café do meu pai. Imaginei logo no que iria acontecer. Não voltei pra casa. Imaginei que seria pior, e continuei. Quando cheguei ao armazém, todo melado de lama, inventei logo uma mentira pra ver se me safava daquela. Um boi vindo da Terra Cavada, e solto, teria me feito aquela desgraça. Ufa, consegui me safar, mas, só Deus sabe como.
Outra feita (essa não teve jeito), inventei de ir com um amigo pra essa tal de Terra Cavada (que eu nem conhecia), pra caçar pássaros. Saímos pela manhã umas nove horas. Entretidos, nem prestamos atenção no passar do tempo. Quando demos por conta, já estava perto de escurecer. Foi aí que bateu a agonia em nós. Estávamos perdidos, sem rumo que tomar, e ainda por cima escurecendo.
Foi quando o protetor dos meninos nos mandou um homem que voltava da pescaria no Rio Mundaú. Quando chegamos na rua em que morávamos, imaginem só a confusão que estava. Aí eu pensei, é hoje.
Quando me aproximava de casa, todo cabisbaixo, minha tia Osória se encontrava na calçada e disse-me: “Hoje quem vai te bater sou eu, pois sua mãe está sem condições, e não quero que teu pai te bata; o porquê, você já sabe, não é”? Pense na surra.
A falta de condições que minha tia alegava, depois eu soube, foi que, com a preocupação que ela teve nesse dia, ela abortou por minha causa. Surra bem merecida essa. (* Meu irmão mais velho)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

VIDA

Petrúcio Manoel Correia de Cerqueira - bancário (*)

O tempo era de inverno. Mais precisamente no mês de junho de 1961. Essa época, um pouco remota, eu tinha seis anos. Sou o mais velho de quatro irmãos. Minha irmã, a mais nova, estava apenas com seis meses de idade. É a lembrança mais antiga que tenho da vida.
Minha mãe nos colocou pra dormir logo cedinho, umas sete horas da noite, antes que o gerador da prefeitura fosse desligado (o aparelho só trabalhava até as dez horas da noite). Naquela época, ainda não tínhamos energia de Paulo Afonso. Chovia intensamente. Morávamos na Rua Demócrito Gracindo, mas, era conhecida por Rua da Ponte. Fomos todos nos deitar. Quando deitado, ouvia a conversa de meu pai e minha mãe.
- Nêga (era assim que meu pai carinhosamente chamava por minha mãe), está chovendo muito, se continuar assim, vamos ter que levar os meninos pra casa de Osória (era minha tia).
- É, de vez em quando é bom ir olhar na porta que dá pra rua se tem gente se aglomerando em cima da ponte (era o sinal mais evidente que às águas do rio estavam subindo).
Notei, pela conversa que meu pai estava tendo com minha mãe, que a situação não estava muito boa.
- Nêga, acho melhor você aprontar os meninos, e logo em seguida nós irmos pra casa da Osória, tem muita gente olhando o rio em cima da ponte.
Minha mãe acordou os outros um pouco apressada, pegou a novinha (minha irmã), e fomos todos pra o outro lado da cidade.
Quando chegamos bem no meio da ponte, um gaiato gritou aos berros: - a ponte está caindo. Foi uma correria que Deus nos acuda. Não ficou ninguém. Só sei que meu pai, que estava com minha irmã novinha, tirou a distância que faltava pra atravessar a ponte num pulo só.
Passada a agonia da correria, estávamos todos sãos e salvos na casa da nossa tia. E o rio? Encheu mesmo pra valer. Se tivéssemos ficado em casa, a coisa teria sido pior. Mas, no interior, cada coisa tem Estória. É estória com “E” mesmo. E nessa enchente também teve a própria estória. Enquanto o nível das águas subia, era ouvido por todos um “assobio” forte.
Começou então a tradução para tal acontecimento. Teria sido uma moça prendada que caiu na desgraça e, como a mãe teria a expulsado de casa, a mesma, revoltada, teria dado uma surra na mãe. Como castigo, a moça virou serpente, e a enchente era pra levar pra bem longe a infeliz.
Baixou o nível das águas. Voltamos uns dois dias depois pra nossa casa. Quando chegamos lá, minha mãe não se conteve em lágrimas. O prédio da nossa residência estava todo avariado. Meu pai, sem avisar nada a ela, procura o seu Zé Cardoso (comerciante mais rico da época em União), e vende o prédio.
Quando foi avisada que tinha que ir ao cartório assinar a escritura, aí não prestou não. A mulher ficou braba igual a um escorpião. Só não chamou meu pai de bonito. Botou o pé na parede e não assinou nada de papel nenhum, quanto mais escritura. Nisso, o Sr. José Cardoso, que também era amigo do meu pai, ajudou o meu velho financeiramente e emprestou dinheiro para recuperar o prédio e sossegar minha mãe. (* É meu irmão mais velho)
Fujo de mim

Olívia de Cássia - jornalista

Venho buscando respostas para muitas incertezas. Quero fugir de mim, esquecer o passado, porque ele não volta mais, tal qual a água do rio em correnteza daquela bela história entre o homem e um rio.
Conta a lenda, que um homem muito apaixonado por um rio gastava longas horas vendo as águas do rio passar, carregando em seu dorso suave, folhas e histórias das cidades e isto lhe dava felicidade. Sua grande alegria era quando chegava a tarde, depois do trabalho.
O homem ia correndo para o rio, falava muito, confidenciava segredos àquele rio, dava gargalhadas, nunca ia embora, enquanto houvesse luz. E por muitas vezes só se deu conta que era noite quando a lua brilhava nas águas do rio. Ficava lá, remoendo lembranças, seus olhos só viam o rio.
Um dia, porém, o céu escureceu. Nuvens cobriram a terra a chuva desabou sobre o mundo. A cabeceira do rio foi enchendo e logo tudo virou correnteza. Árvores foram arrancadas folhas deram lugar aos galhos pesados, as barrancas desmaiavam e sumiam devoradas pela fúria das águas.
O rio cresceu, ultrapassou as margens, derrubou cercas, foi crescendo até chegar à casa do homem. Avançou o jardim. Margaridas e rosas desapareceram. Quando veio o sol, veio também a desolação. Tinha que recomeçar e como é difícil recomeçar.
Diz essa lenda também que o homem fez o que pôde, sem olhar em direção ao rio. Seu peito era uma amargura só. Sua cabeça não ficava em silêncio. Então falou: - Por quê? Por que fez isto? Eu confiava em você, tinha certeza que isto não iria acontecer. Havia muito amor entre nós...
Amor que não merecia acabar assim. Não é só a lama que está no jardim, é a confiança que nunca mais será confiança, o amor que nunca mais será amor, é o adeus que será para sempre adeus...
Foi inútil o rio tentar explicar. Nunca mais se encontraram. Nunca mais a lua cantou naquele lugar e as águas daquele rio, como o coração daquele homem, nunca mais foram os mesmos. O homem mudou-se para muito longe e o rio, quando passava por lá, tentava não olhar, mas sonhava, bem dentro, em suas águas mais profundas, um dia ver ali, debaixo do ingá, quem nunca deveria ter ido embora.. "
Da mesma forma que esta bonita história acima, às vezes eu queria voltar no tempo para poder refazer o meu caminho, mas isso não é mais possível. É um caminho sem volta, somos fruto das nossas escolhas. Por que passei a maior parte da minha vida alimentando ilusões?
O bom é a gente ser realista e ter os pés no chão. Saber que não podemos tudo, que somos tão pequenos diante das coisas de Deus. Ser humilde perante a natureza e com relação ao nosso próximo.
Ando divagando, querendo me encontrar e ser feliz. Não tenho mais tempo, o pouco que me resta é curto. Não preciso de muita coisa para ser feliz. Olho a estrada da janela do carro que faz o percurso de Maceió a União dos Palmares. As imagens se distorcem. Revejo paisagens já bem conhecidas, pessoas passam apressadas em busca de seus rumos.
Adiante a paisagem muda. De urbana fica mais rural. A viagem prossegue e eu busco respostas, respostas que estão guardadas no fundo do meu coração. De volta a Maceió a angústia me persegue, mas é preciso continuar, a vida continua e nós somos simples passageiros por aqui.

sexta-feira, 4 de junho de 2010


Eleição do Conselho Tutelar de União

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Nesta quinta-feira, 3, aconteceu em União dos Palmares a eleição do Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente do município, com participação de 17 candidatos que concorreram a cinco vagas na entidade. Segundo informações que circularam no local da votação, a Escola Monsenhor Clóvis Duarte, seriam 18 candidatos, mas um não pôde participar porque o nome não constava na lista dos candidatos.

O pleito foi concorrido e parecia até uma eleição para vereador tal foi o nível da disputa e dos investimentos que foram feitos com o envolvimento de vereadores e políticos da região, a exemplo de João Caldas e sua assessoria, que compareceram ao local de votação, bem como o prefeito Kil de Freitas e o médico Beto Baia, além de vereadores e outras lideranças da cidade.
A eleição para o Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente em União dos Palmares, teve início as 8h da manhã desta quinta-feira e se estendeu até depois das 17h, quando estava previsto o final da votação, porque muita gente chegou para votar perto da hora do encerramento. Os portões da escola foram fechados mas foi garantido o direito de quem estava lá.
Filas enormes se formaram no local e a ansiedade de quem estava lá era visível. A comunidade compareceu ao chamamento dos candidatos para votar, mas a divulgação não foi muito ampla, mesmo assim foi participativa; eu nunca tinha ido votar para o Conselho e fiquei impressionada com o interesse que despertou, principalmente por estarmos num ano eleitoral onde essa eleição vai pontuar o desempenho das lideranças de União.
O promotor da Infância e do Adolescente, Dr Tácito Yuri, acompanhou tudo de perto. Alguns candidatos alegaram que circulou no local de votação uma chapa contendo cinco nomes, indicados como pessoas preferidas do Poder Executivo municipal. Na porta da escola e nas proximidades os cabos eleitorais se revesavam para distribuir papéis com o número dos candidatos ou levavam eleitores num clima de eleição majoritária mesmo.
Muita gente se aglomereou no local, curiosa com o resultado do pleito que causou insatisfação a quem não se elegeu e torcedores. Os conselhieotos tutelares de União terão três anos de mandato para exercerem um papael importante; 1.523 eleitores anularam o voto; 3.231 votaram em branco e 4.340 escolheram os cinco que vão dirigir a entidade.
Foram eleitos: Manoel Simeão da Adefup - 1.610 votos, Ana Peixoto - 1.260 votos, Anderson da Igreja - 1.642 votos, Elizabeth de Souza do Conselho - 1.314 votos e Madalena do Conselho - 1.370 votos.
No Brasil, os Conselhos Tutelares são órgãos municipais destinados a zelar pelos direitos das crianças e adolescentes. Sua competência e organização estão previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente e surgiram com a criação da Lei Nº. 8.069, de 13 de julho de 1990. Regimentalmente, o Conselho Tutelar é composto por cinco membros, eleitos pela comunidade para acompanharem as crianças e os adolescentes e decidirem em conjunto sobre qual medida de proteção para cada caso.
Devido ao seu trabalho de fiscalização, o Conselho tem autonomia funcional, não havendo nenhuma relação de subordinação com qualquer outro órgão do Estado. Talvez seja por conta dessa garantia de independência na lei que muita autoridade fica de olho nessa eleição.
Tem gente que se candidata a um cargo de conselheiro achando que vai ganhar apenas um salário, que no interior chega a R$ 1.200, mas a responsabilidade de quem atua nessas entidades é muita. Ninguém pense que passará por um Conselho Tutelar apenas para isso. É preciso que a comunidade acompanhe o desempenho de cada um.

terça-feira, 1 de junho de 2010



Deputados destrancam pauta e aprovam vários projetos na ALE

Olívia de Cássia – jornalista

Depois de um intervalo sem apreciar projetos e com a pauta trancada, os deputados fizeram o dever de casa na tarde desta terça-feira, 1º, e aprovaram vários projetos que se encontravam nas gavetas da Casa. Com a presença 17 deputados, o deputado Alberto Sextafeira (PSB) solicitou em requerimento verbal a suspensão da sessão para que os deputados, em entendimento de lideranças, analisassem as matérias que estavam pendentes na ALE.

A sessão retomou por volta das 17h30 e foi presidida pelo presidente Fernando Toledo (PSDB), de volta à Casa depois de uma licença particular de quinze dias. Os vetos governamentais que estavam trancando a pauta da Casa foram apreciados quando o quorum diminuiu e estavam no plenário apenas 15 parlamentares.
A plenária votou várias matérias de origem do Executivo estadual que estavam pendentes nas comissões temáticas da Assembleia Legislativa, como foi reclamado na semana passada por deputados da oposição. Três vetos estavam engessando os trabalhos dos parlamentares, entre eles o veto parcial ao Projeto de Lei Complementar nº 32/09 – que altera a Lei Orgânica da Procuradoria-Geral do Estado – mantido por unanimidade pelos parlamentares presentes à sessão.
Também foi mantido o veto total ao projeto de lei nº 548/2009, de iniciativa do deputado Maurício Tavares (PTB), que determina aos hospitais, casas de saúde e às clínicas conveniadas com o Sistema Único de Saúde (SUS) a colocarem, em local visível e de maior circulação de público, o seguinte dizer: “Temos convênio com o SUS”.
Durante a sessão plenária, os parlamentares também analisaram e votaram pela manutenção do veto parcial ao projeto de lei nº 33/2007, de autoria do deputado Edival Gaia Filho (PSDB), que tinha por finalidade proibir o depósito prévio – a chamada caução – para internação em hospitais públicos e privados no Estado.

O deputado Judson Cabral (PT) lamentou o posicionamento do plenário, alegando que tanto o projeto de lei nº 548/2009 quanto o de nº 33/2007 eram de grande alcance social. “Projeto semelhante a esse já foi sancionado em alguns estados, inclusive no Rio de Janeiro. Ele coíbe o abuso de algumas instituições, que se aproveitam das pessoas nos momentos de grande desespero, quando se encontram com um familiar em situação de emergência”, observou o petista.


Bancada do PT vota contra projeto de precatórios por achar valores pequenos


A bancada do Partido dos Trabalhadores votou contra o projeto que regulamenta pagamento de precatórios de pequeno valor, por considerar que o Executivo poderia avançar nessa questão. O projeto de lei estabelece valor para os débitos judiciais a serem pagos mediante Requisição de Pequeno Valor (RPV) pela administração pública direta e indireta do Estado de Alagoas.
O deputado Paulão disse que a oposição no Legislativo votou contra a matéria, sem o objetivo de prejudicá-la, mas em protesto contra a ausência de debate na Casa. “A oposição votará contrária porque os valores são muito pequenos frente à grande expectativa dos milhares de servidores”, comentou Paulão, sendo referendado pelo colega de bancada Judson Cabral.
“O Governo do Estado deveria colocar o valor ao menos entre cinco ou seis mil reais. Não vamos prejudicar a matéria pedindo adiamento, devido ao prazo para apreciação do projeto. Votamos contra apenas em protesto, porque a medida não atende por completo a necessidade do servidor”, avaliou.
Paulão observou que o servidor que já ultrapassou os 60 anos de idade e é portador de doença em estado terminal deverá aceitar o pagamento do irrisório valor devido ‘a um momento de desespero’. “O ideal seria se o Governo somente abatesse os pouco mais de três mil reais no valor total a que um servidor tem direito, no caso daqueles que esperam receber vinte ou trinta mil reais, por exemplo, deixando o restante como precatório”.
Segundo o petista, o processo foi encaminhado ao Legislativo de forma ‘açodada’. “O secretário de Estado da Fazenda veio a esta Casa, hoje à tarde, e me disse não haver um estudo de impacto ambiental acerca deste tema”, complementou o deputado. (Com informações da Ascom/ALE e de Bruno Soriano, da Gazeta WEB)

Alguns instantes. Vivendo por aí...