segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Crônica do dia...

Fotos de Olívia de Cássia
Olívia de Cássia – jornalista

Ontem foi o desfile do bloco A Franga da Madrugada, com concentração em frente à Escola Carlos Gomes. Os foliões saíram pelas ruas de União dos Palmares com toda a irreverência e alegria. O evento teve seu ponto final na Praça Basiliano Sarmento, onde a Franga foi batizada pelo primo, O Pinto da Madrugada, que se fez presente com alguns membros de sua diretoria.

Foi muito animado e já deu uma mostra de como será o reinado de Momo em União. Sexta-feira tem desfile de blocos, sábado também. Na Quadra de Esportes, vizinha à Prefeitura, tem concurso da franga e depois, como todos os anos, o bloco sairá pelas ruas da cidade com toda a sua animação.

Depois do desfile fomos a uma festinha de aniversário. Encontrei meu amigo de longas datas Aldo Ferreira e batemos um bom papo. É véspera de Carnaval, semana que antecede os festejos de Momo este ano. Nem fui à prévias de Jaraguá no fim de semana. Há uns anos passados nós não perdíamos uma prévia.

Em Maceió, sempre desfilávamos nos blocos Os Meninos da Albânia e Filhos da Pauta, mas esses blocos nem defilam mais. Era a oportunidade de a gente comemorar com os amigos. Um encontro festivo e fraterno. Saía da extinta Tribuna de Alagoas tarde da noite, já deixava com antecedência a roupa no carro para trocar no jornal e ainda pegar um pouco da brincadeira na orla da Pajuçara.

Íamos na sexta-feira e no sábado. Mas isso faz parte do passado, passou. Continuo gostando de tudo isso, mas alguns probleminhas de ordem operacional impediram de ir à orla de Maceió. Fiquei na festinha de aniversário do Igor, meu vizinho, mas saí logo. A turma jovem estava empolgada. A festa terminou quase à meia noite. E haja fôlego.

Minha gatinha Lolita foi operada hoje de manhã, já a trouxe para casa, mas ainda não acordou, está sob o efeito da anestesia ainda. Sento no chão, ao lado da caixinha onde Sophia Loren amamenta os seus filhotes. Eles mamam sem parar, dois deles disputam a mesma teta e brigam. Ela teve cinco gatinhos, dia 22, quase todos parecidos com ela, são lindos e ainda não dá para saber o sexo deles, são muito pequeninhos.

Estava em dúvida se eu ia a União dos Palmares no Carnaval, mas o desfile do bloco ontem me reanimou, não tenho com quem deixar meus filhotes de quatro patas. Ainda tenho que resolver isso também. Tomara que daqui para amanhã eu tenha uma boa notícia a respeito de emprego, esse problema está me incomodando.

Não sei ainda quando vou poder solucionar esses meus problemas operacionais. Peguei outro livro já lido na estante. Desta vez foi “Travessia”, de Carmem Fischer, livro adquirido em outubro de 1982, ano em que muitos colegas de trabalho da Tribuna Independente estavam nascendo.

Estou ficando velha, o tempo passou rápido, para mim; vai passar para eles também. Sinto falta da minha juventude. Não perdi o gosto por festas, mas já não tenho a mesma disposição, energia e vitalidade para tanto. Depois do desfile de ontem, amanheci toda quebrada hoje, mas sábado, se Deus quiser, vou desfilar de novo. Até lá.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Vem aí o Batizado da Franga da Madrugada!

© João Paulo Farias


O radialista Sílvio Sarmento e diretor da Rádio Zumbi FM de União dos Palmares convida a sociedade em geral para o batizado da Franga da Madrugada, bloco de carnaval de União dos Palmares que está completando 10 anos de existência e tradição nesta cidade.

A Franga da Madrugada criada em meados de 2001 pelo radialista Sílvio Sarmento e mais quatro amigos virou atração e começou a atrair mais adeptos a cada ano, “Foi uma brincadeira com o intuito de resgatar os carnavais de antigamente que se tornou o mais tradicional bloco de Rua de União e hoje arrasta uma multidão pelas ruas de União dos Palmares”. Ressaltou Sílvio Sarmento.

A festa dos 10 anos do Bloco A Franga da Madrugada se inicia neste próximo domingo 27, com o “Batizado” da Franga pelo Bloco Pinto da Madrugada de Maceió. As festividades terão início com um desfile pelas ruas de União dos Palmares com animação da Orquestra de Carnaval do Maestro Jaégero, composta de 40 músicos.

A concentração será às 15 horas em frente ao Ginásio de esportes na entrada da cidade e a saída está marcada para as 16 horas e não haverá venda de camisas para este evento, onde os foliões deverão organizar suas fantasias, suas alas, seus cordões de isolamento. A segurança ficará por conta da Polícia Militar de União dos Palmares. A chegada do bloco será na Praça Basiliano Sarmento onde ocorrerá o “Batizado” da Franga pelo Pinto da Madrugada.

As inscrições para as Alas do bloco podem ser feitas em SS Papelaria na Rua Marechal Deodoro da Fonseca n° 191 Centro da Cidade (Em frente à Rodoviária) a inscrição de sua Ala não custará nada e será uma forma de dinamizar mais este bloco.


PREMIAÇÃO DA FRANGA DA MADRUGADA 2011

3° Lugar:

Um litro de uísque Teatcher, dois pacotes de Skol, um pacote de guaraná de 2 litros e 5 camisas dos 10 anos da Franga para o carnaval;

2° Lugar:

Um litro de uísque Teatcher, três pacotes de Skol, um pacote de guaraná de 2 litros e 10 camisas dos 10 anos da Franga;

1° Lugar:

Um litro de uísque Teatcher, dois pacotes de Skol, um pacote de guaraná de 2 litros e 15 camisas dos 10 anos da Franga para o carnaval.

A fantasia do Carnaval

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e foto)


Desde criança aprendi a gostar de festas, todas elas. Desde a Festa de Santa Maria Madalena, principal festa da minha região, até o Carnaval. Mas Carnaval daqueles que a gente via quando eu era pequena, para a gente fazer o passo na Palmarina, ver os bobos na rua, o corso, charangas, carros alegóricos e muita alegria nas fantasias, nas músicas como os frevos, sambas, marchinhas e cirandas, entre outras tantas.

O Carnaval é uma das que festas que eu mais gosto, é uma explosão de alegria e como a própria tradição já diz, é festa para a gente se despojar de tudo, esquecer os problemas, as tristezas e viver por quatro dias as nossas fantasias de mundo ideal. Um mundo sem preconceitos, de muita festa e alegria.

Quando eu era criança, foi a minha tia Osória Paes, irmã mais nova da minha mãe, quem me iniciou na folia de Momo, em União dos Palmares. Ela arregimentava e convidava grupos de meninas, costurava as fantasias da gente, nos arrumava e nos deixava a caráter para pular muito frevo nas matinês do clube.

Além disso, ela sempre nos acompanhava nas festas; era muito alegre e divertida quando tinha saúde; eu tive a quem puxar nesse meu lado festeiro e festivo. Tenho tantas boas lembranças da minha tia, que gostava muito de fotos e sempre que fazia roupas novas para minha prima, mandava seu Lindolfo Cabral fotografar.

Outro dia meu irmão escreveu um texto sobre os antigos carnavais de União dos Palmares e lembrou que na década de 60 na cidade tinha escola de samba e muita animação.

Além da Associação Atlética Palmarina, o clube do Bangu era também onde se tocava muito frevo. No começo funcionava onde hoje é a Praça Benon Maia Gomes, quase toda destruída pela enchente de 18 de junho do ano passado.

Seu Edvar (pai do vereador Edvan, o Bobo) e Toinho Matias eram o símbolo dos carnavais de União. Representavam a alegria e ainda hoje Toinho não perde um batuque, mesmo com a idade que tem. Eu acho isso lindo, que disposição maravilhosa meu querido amigo tem!

Eles saiam de bobos e de porta em porta; quando eu era criança, outras moças da sociedade palmarina também saiam mascaradas dessa mesma forma. Eu tinha medo, meu pai proibia, até que um dia, ele descobriu que a minha tia levava a gente pro clube e ficou furioso.

Foi pedir permissão ao padre da cidade, porque era muito católico e achava que era tudo pecado. Isso quase no final da década de 60. O padre disse a meu pai que o pecado estava na cabeça das pessoas e a partir daí continuei a brincar com a permissão de seu João, mesmo que ele sempre visse a festa com certa restrição.

Dizem que o Carnaval teve origem em Portugal, hoje em dia já sofreu muitas variações e mudanças, mas eu o vejo como uma manifestação genuinamente nossa, com várias vertentes do folclore brasileiro, desde o boi bumbá, maracatu, o frevo e o samba, entre outras músicas.

Acho bonito e fico encantada quando vejo aquelas matérias sobre o Carnaval de Pernambuco e nos estados onde a tradição é muito preservada e valorizada, principalmente pelos jovens. Tenho saudade daquele Carnaval de antigamente das fantasias e da alegria, sem violência, que fazia com que a gente brincasse os quatro dias de folia, ficando tristes quando chegava a Quarta-feira de Cinzas.

Era nessa época que a gente aproveitada para dançar com nossos paqueras ou arrumar novos pretendentes a tal ou ficar vendo as amigas que arrumavam novos namorados durante os festejos de Momo. Dançávamos com a mão na cintura deles e eles com a mão no nosso ombro.

Não tinha a malícia de hoje em dia, apesar de alguns personagens da turma jovem aproveitarem para sair um pouco da linha. Mas era Carnaval e depois servia de resenha para o resto do ano na cidade.

Da mesma forma que meus pais não freqüentavam festas, muito menos bailes de Carnaval, quando eu tinha 13 anos comecei a brincar à noite com meu irmão mais velho, que também gosta de festas como eu, com os pais das minhas amigas e mais tarde com primas e depois com amigas.

Mas o Carnaval sofreu muitas mudanças e o de Alagoas teve várias fases. Ultimamente tem havido manifestações e esforços de resgate das tradições carnavalescas com o surgimento do bloco Pinto da Madrugada, Seresta da Pitanguinha, o ressurgimento de bailes à fantasia em clubes e isso é muito positivo.

Tomara que as autoridades tomem consciência disso, para que os jovens de hoje sejam informados e aprendam o verdadeiro sentido do Carnaval. Que venha a festa de Momo com a Vassourinha, muito frevo rasgado. Que todos tenham um bom Carnaval e que brinquem em paz e sem violência. E viva o Zé Pereira!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Antonio Albuquerque preside sessão na ausência de Toledo

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e foto)

O vice-presidente da Assembleia, deputado Antonio Aplbuquerque (PTdoB) presidiu a sessão da tarde de hoje da ALE, na ausência do presidente Fernando Toledo (PSDB), que precisou se ausentar por questões pessoais. A sessão contou com a presença de 18 deputados na Casa e foi praticamente de discursos.

Na sessão foi apresentado requerimento informando que o deputado Ricardo Nezinho (PTdoB) é o líder do partido na Casa. Na sessão de ontem o PMDB enviou requerimento informando que o deputado Olavo Calheiros é o líder do partido na ALE. Já o PMN designou o deputado Dudu Holanda como seu líder.

O deputado Judson Cabral (PT) fez um resumo de suas atividades no dia e informou que esteve visitando os desabrigados das enchentes, em União dos Palmares, durante toda a manhã. Cabral observou que a vida daquelas pessoas nas barracas é de muitas carências e necessidades e destacou o sofrimento daquelas pessoas.

O petista disse que fez questão de entrar nas barracas e conversar com alguns desabrigados, cujas dificuldades são muitas e precisam realmente de acompanhamento, se referindo à comissão que foi criada ontem, na ALE, para acompanhamento da construção das casas e outras dificuldades daquelas pessoas.

Outra discussão apresenta pelo petista foi a questão da aprovação do salário mínimo pelo Congresso Nacional, que passou de R$ 510 para R$ 545.

Em sua fala, na hora do expediente, Judson disse que o debate na Câmara em torno da aprovação do novo salário mínimo foi revestido de muita transparência, talvez fazendo críticas à Casa de Tavares Bastos, quando reclamou na sessão de terça-feira da falta de publicização sobre as emendas ao orçamento de 2011.

O petista foi aparteado pelos deputados Ronaldo Medeiros (PT), Temoteo Correia e Jeferson Morais (DEM). Temóteo ironizou o novo valor do salário mínimo e disse que “era muita festa por tão pouco”.

Ronaldo Medeiros ressaltou que foi durante o governo do ex-presidente Lula que o salário mínimo no Brasil saiu de um patamar de 100 doláres para 500 doláres. “O valor do mínimo não poderia ser maior. Em Alagoas, muitas prefeituras não poderiam pagar um valor maior”, disse Medeiros.

RODOVIAS

O deputado Jeferson Morais (DEM) cobrou providências do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) para reduzir os acidentes na BR-316. "Não sei o que acontece, principalmente na região do Pilar, mas os acidentes têm sido constantes e o Dbit deve adotar providências no sentido de sanar este problema", disse.

Resumo da semana na ALE

Olivia de Cássia – jornalista

A semana de trabalhos legislativos que termina hoje foi marcada na Assembleia pela movimentação e muitos discursos. Depois de vários adiamentos, debates e discussões, o Orçamento para o exercício 2011 foi votado, na terça-feira, 22, com dois meses de atraso, já que a peça orçamentária deveria ter sido apreciada e votada na legislação passada, até 15 de dezembro. (ver matérias abaixo)

Segundo alguns deputados, por conta de acordos que foram feitos e não cumpridos, não houve entendimentos: a votação do projeto foi adiada e ficou para os deputados eleitos para essa legislatura, a 17ª, tomarem essa atitude. Quando tomaram posse, os novos deputados argumentaram que não conheciam o conteúdo do projeto e solicitaram adiamento da votação.

Durante o processo, a oposição acusou a Mesa Diretora de não ter transparência quando não divulgou quais as emendas teriam sido aprovadas ou rejeitadas. Os parlamentares da ala da situação contestaram as argumentações da bancada da oposição e afirmaram que tiveram todo o tempo do mundo para tomar conhecimento do conteúdo do relatório.

E para que finalmente a LOA fosse votada, o governo do Estado teve que realizar várias reuniões de negociações e mandar emissários ao Poder Legislativo, no sentido de que esses enviados especiais pressionassem os deputados, para que o projeto do Executivo fosse aprovado.

Também teve discurso do deputado Olavo Calheiros (PMDB), com críticas ferrenhas ao governador Teotonio Vilela, que viajou para Portugal na quarta-feira passada, a quem acusou de fraco e incapaz. Olavo agradeceu a seus eleitores pelos seus mais de 29 mil votos recebidos, mas não facilitou um segundo para com o governador Vilela.

Disse que o governo fez “propaganda mentirosa” tornando a campanha (para o governo) desigual devido ao uso abusivo da máquina pública' e ressaltou que o governador tem influência do poder econômico do Estado. Agora eu pergunto: será que algum governo nesse país não tem influência do poder econômico?

O discurso do ex-deputado federal e agora deputado estadual, em algum momento pareceu uma mensagem de despedida. Começou sua fala dizendo que está mais para o fim do que para o meio de sua vida política e prosseguiu fazendo uma retrospectiva dos seus mandatos.

Calheiros disse que não acredita que o atual governo seja capaz de mobilizar a sociedade alagoana e que não acredita que seja capaz de “construir ambientes de paz e prosperidade”. Foi um discurso duro. O deputado disse ainda que o governo mostra-se “incapaz, fraco e de espuma”.

Natural de Murici, o deputado se reportou ainda ao que ele considera ser uma crise de credibilidade pela qual passa o Legislativo Estadual, afirmando que a Casa de Tavares Bastos, para ser respeitada, 'precisa se respeitar'.

Na mesma sessão, o deputado João Henrique Caldas (PTN) apresentou um requerimento solicitando a criação de uma comissão para acompanhar o trabalho de reconstrução das casas dos desabrigados das enchentes e fazer um acompanhamento sobre a situação dessas pessoas que estão sobrevivendo nas barracas de lona.

O jovem deputado de apenas 23 anos foi parabenizado pelos colegas e ficou na presidência da comissão que conta com mais outros integrantes: os deputados Olavo Calheiros, Sérgio Toledo, Joãozinho Pereira e Nelito Gomes de Barros.

Uma comissão que se vier mesmo a funcionar será de grande utilidade, já que aquelas pessoas que ficaram desamparadas necessitam de todo o tipo de assistência. Vamos acompanhar.

Alagoas violenta

Olívia de Cássia – jornalista

Uma pesquisa divulgada hoje aponta Alagoas como um dos estados mais violentos do País. Todo fim de semana a média é de 15 a 20 assassinatos, quase todos por motivo de envolvimento com drogas em nosso Estado.

Segundo a pesquisa, divulgada no Mapa da Violência, Alagoas lidera o ranking dos estados onde mais se mata no país. De acordo com o Ministério da Justiça, houve um aumento de 177,2% no número de homicídios, aumento registrado de 1998 até 2008.

Maceió aparece no mapa como a cidade mais violeta do país, onde são registrados 107,1 homicídios para cada 100 mil habitantes, registrando um aumento exorbitante de 222% no número de homicídios em Alagoas. Em termos populacionais no Estado, Maceió não é a cidade que concentra a maior proporção de assassinatos, mas aparece na 8ª posição.

No interior a situação não é muito diferente: todos os dias são noticiados casos e mais casos de assassinatos por motivos fúteis. A cidade do Pilar, distante 42 km da capital Maceió, registra atualmente um número de 110 homicídios para cada 100 mil habitantes, ficando na quinta posição. Já o município de Arapiraca, localizado na Região Agreste, aparece na 20ª posição, com taxa de 92,6 homicídios.

O Mapa da Violência indica que os jovens são as maiores vítimas, têm entre 15 a 24 anos e são os que mais estão sendo assassinados. Em toda Alagoas, a cada 100 mil habitantes, 125,3 jovens são assassinados. Somente em Maceió, esse número sobe para 251,4 homicídios para a mesma proporção de habitantes. Tornando assim, o estado mais violento do Brasil e Maceió a capital líder na violência nacional.

Segundo a pesquisa, enquanto a pobreza na região Nordeste vem diminuindo, a taxa de homicídios vem crescendo gradativamente. Estados como Alagoas e Bahia apareciam na parte de baixo do ranking da violência e agora ocupam as primeiras posições.

Os especialistas são unânimes em afirmar que os motivos das mortes são bem parecidos: endividamento por conta de droga e consumo exagerado delas, principalmente o crack que já se alastrou pelo interior.

No apanhado geral dos homicídios, o Paraíso das Águas só perdeu para Salvador. A notícia coloca o Estado, de novo, nas manchetes negativas dos grandes jornais. Apesar de as pesquisas mostrarem que a qualidade de vida melhorou nas camadas menos favorecidas da sociedade, isso não impediu que a violência tivesse um alto índice de crescimento.

De autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de Pesquisa do Instituto Sangari, o estudo produz uma radiografia da violência em todos os 5.564 municípios brasileiros, com base em dados do Ministério da Saúde. Por morte violenta são considerados os casos de homicídio, acidentes de transporte e suicídio.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sessão da ALE aconteceu com críticas ao governador

Foto de Olívia de Cássia
Deputado João Henrique Caldas apresenta requerimento criando comissão para acompanhar desabrigados das enchentes do ano passado


Olívia de Cássia – jornalista

A segunda sessão legislativa da semana na Assembleia, realizada nesta quarta, 23, teve a presença de 21 deputados no plenário. O deputado Olavo Calheiros (PMDB) usou a tribuna da Casa para fazer um duro discurso criticando o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Um longo discurso que parecia até uma mensagem de despedida, agradecendo a seu eleitorado pelos votos concedidos e endurecendo nas avaliações sobre o governador.

Calheiros chamou Téo Vilela de fraco e disse que seu governo era de papel. O peemedebista usou a hora do expediente para dizer que sua carreira “está mais para o fim do que para o meio”, fez uma retrospectiva da sua carreira política e que teve a oportunidade de começar a vida como deputado federal “e agora estou na Casa de Tavares Bastos”, disse ele.

Olavo observou que não acredita que o atual governo seja capaz de mobilizar a sociedade alagoana e seja capaz de “construir ambientes de paz e prosperidade”. O deputado disse que o governo se mostra “incapaz, fraco e de espuma” e que tem influência do poder econômico do Estado. Quem estava na sala de imprensa observou que parecia um discurso de despedida, tal a ênfase do deputado.

Quatro requerimentos foram votados na Ordem do Dia e um deles provocou discursos de elogios de vários deputados ao colega João Henrique Caldas (PTN), que apresentou um requerimento solicitando a criação de uma comissão para acompanhamento dos desabrigados das enchentes.

A comissão para acompanhamento das vítimas das enchentes dos rios Mundaú e Paraíba ficou assim constituída: JHC presidente, Nelito Gomes de Barros, Joaozinho Pereira, Sérgio Toledo e Olavo Calheiros.

O deputado Isanaldo Bulhões (PDT) usou pediu uma questão de ordem à presidência da Mesa e observou que a deputada Thaise Guedes (PSC) não está participando das sessões, porque o elevador de acesso para pessoas portadoras de necessidades especiais da Casa não está funcionando.

"Gostaria de solicitar ao presidente da Casa informações a respeito. A deputada Thaise Gudes me informou que não está parcipando das sessões e que gostaria de participar, porque o elevador não está funcionando. Inclusive me disse que gostaria de ter participado da sessão que aprovou o orçamento. Amanhã ela apresentará requerimento solicitando a resolução do problema", informou o pedetista.

O presidente da Casa, Fernando Toledo informou que as providências estão sendo tomadas, mas que o custo para o conserto do elevador é alto.

"Eu não sabia que o elevador estava com problemas, mas fui informado nessa tarde. Quanto ao elevador de acesso a pessoas com deficiência estamos providenciando o reparo", explicou o presidente.
Vinte e um deputados compareceram à sessão de hoje, na Casa de Tavares Bastos.

Impressões do dia...



Olívia de Cássia – jornalista

Todo mundo tem qualidades e defeitos. Ninguém é perfeito; eu sei que, da mesma forma que as outras pessoas, eu tenho infinitos defeitos também. Problemas que tento resolver e compensar, procurando ser melhor e me reparar. Mas confesso que é difícil quando se chega à minha idade.

A gente percebe que ainda falta muito para que objetivos sejam alcançados. Eu não queria ter me acomodado e parado de estudar como eu o fiz.

Eu dizia tanto isso na mocidade, que não ia me acomodar diante de uma situação estabelecida, mas quando as coisas vão se ajustando de certa forma, a tendência é o corpo relaxar e a gente ir vivendo a vida de maneira mais quieta.

Aí, quando vem uma crise, aquela luz vermelha de sinal de alerta acende nos dizendo para ficar atentos. Nesses tantos anos de vida já vivi diversas situações. Umas vexatórias e outras nem tanto. Algumas foram contornadas,outras ficaram sem solução e foram deixadas de lado. Paciência.

Mas nem por isso deixei de lutar por dias melhores e mais justos, sou persistente. Daquelas pessoas que não desistem facilmente, apesar da aparente fragilidade. Se não derem certo algumas iniciativas agora, vou em busca de outras soluções.

O que não posso é ficar como na atual situação em que me encontro, me sentindo impossibilitada de tomar atitudes, de fazer empreendimentos pessoais por conta de limitações, sejam elas de que modalidade se apresentarem.

Dizer que, como pensavam os antigos, “para o que não tem remédio, remediado está”, mesmo não acreditando que não possa ter remédio para isso. Alguém deve estar precisando desse tipo de serviço que estou oferecendo, que me proponho a fazer como profissional que sou.

Tenho sono, parece que a noite não foi suficiente para saciá-lo, preciso dormir ainda mais pelo menos uma hora. Estou aguardando atendimento no dentista. Enquanto isso, vou rabiscando no papel essas minhas impressões dessa manhã. Os olhos não querem obedecer.

Na sala de espera, várias outras pessoas também aguardam a vez. Cheguei uma hora antes do que foi marcado e fiquei aqui lendo até agora a pouco, mais o sono quer me dominar, além de coçar os olhos ardem muito, não estou aguentando de sono.

A moça do atendimento anuncia que um dos dentistas vai demorar porque está preso no engarrafamento provocado por uma batida na Avenida Fernandes Lima. Estamos na Pajuçara e os pacientes só serão atendidos às dez.

Eu deveria ter dormido mais um pouco, mas com a minha mania de chegar cedo nos lugares, fica difícil. Meu amigo Carlito Lima me anuncia por e-mail no Facebook que a escritora Argentina Adriana, que conheci quando da realização da I Flimar, de Marechal Deodoro, mandou um livro para mim.

Muita gentileza e carinho da parte dela, que tem uma editora por lá. Quem sabe com esse contato com ela eu não consiga dicas de como publicar meu livro de memórias e amplio minhas amizades!

Preciso publicar Mosaicos do Tempo, escrito desde 2004. De lá para cá já fiz tanta alteração no texto e revisão, que até já decorei quase tudo.

São essas as impressões que me ocorrem no começo da manhã desta quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011.

Deputados votam Orçamento; cinco foram contra


Olívia de Cássia – jornalista

Depois de dois meses de atraso, o Orçamento do Estado para este ano foi votado na Assembleia Legislativa na tarde desta terça-feira, 22. A votação aconteceu com cinco votos contra que foram dos três deputados do PT (Marquinhos Madeira, Judson Cabral e Ronaldo Medeiros), Isnaldo Bulhões Júnior (PDT) e Maurício Tavares (PTB.

Para se chegar a essa votação as discussões foram muitas e o governo do Estado teve que realizar várias reuniões de negociações e mandar emissários ao Poder Legislativo para que pressionassem os deputados no sentido de que a LOA fosse aprovada. Sem um líder na Casa, o Executivo teve que amargar o adiamento, por mais de uma vez depois que os deputados assumiram, em 1º de fevereiro.

Na verdade, a votação da Lei Orçamentária deveria ter acontecido até o mês de dezembro, mas alegando atraso no envio do QDD (Quadro de Detalhamento de Despesas), reclamado pela oposição, a votação foi adiada por várias vezes na legislatura passada e a Casa acabou deixando para os deputados que assumiram este ano o encargo de votarem o Orçamento.

O deputado Ronaldo Medeiros, líder do PT na Casa, na hora do expediente normal, usou a tribuna da Casa para dizer que diante de algumas notícias veiculadas na imprensa, “onde a oposição está sendo acusada de atrapalhar a votação do orçamento”, esclareceu que a Lei Orçamentária Anual (LOA) foi enviada para a ALE em 9 de setembro do ano passado e que só foi lida em plenário em outubro.

Medeiros reclamou que a legislatura passada “teve 107 dias para aprovar o Orçamento”. Ele argumentou que somente no dia 10 de fevereiro os deputados que assumiram a nova legislatura foram “convocados para a votação. São 12 dias para debater”, observou.
EMENDAS

O petista explicou que foi até a sala das Comissões para saber quais emendas seriam aprovadas no relatório. “As emendas foram indicadas pelo deputado Judson Cabral , supressivas e modificativas, mas continuamos sem saber o que foi rejeitado e o que foi aprovado”.

Em aparte o deputado Isnaldo Bulhões Júnior disse que é lamentável que o governo articule um discurso acusando a oposição pela não-votação do Orçamento. “A culpa é do próprio governo quando na enviou o QDD. Quando não entrou em recesso, quando entramos num acordo para votar o orçamento em janeiro”, disse ele.

Isnaldinho, como é mais conhecido o deputado observou que não teve recesso “aguardando ser chamado para a votação, a culpa não é da Assembleia, nem dos deputados de não ter votado o Orçamento”, disse ele.

Bulhões Júnior observou que o Regimento Interno da Casa tem que ser respeitado, “se não, não tem nenhum sentido”, destacou.

AA diz que seu mandato é do povo e que não é puxa-saco do governador

Em aparte, o deputado Antonio Albuquerque (PTdoB) reclamou que algumas informações discutidas em reunião dos deputados foi passada para a imprensa e chamou o colega que passou as informações de ‘fofoqueiro’. Disse que respeita a imprensa, mas que não a teme , porque seu mandato é do povo.

Segundo ele, foram publicadas informações indicando que teria se desentendido com o deputado Gilvan Barros (PSDB), no que foi desmentido pelo deputado. Albuquerque observou que todos conhecem o deputado Gilvan Barros e de acordo com ele, o desentendimento não existiu.

“Defendo a imprensa porque serve de pilar para a democracia, mas tenho lido um noticiário mentiroso, afirmando que o adiamento da votação tinha sido porque o deputado Antônio Albuquerque tinha ligado para o deputado Olavo Calheiros (PMDB) pedindo que fosse adiada. Se a imprensa alardeia mentiras desprezíveis, fico triste”.

O petebista disse ainda que defende o seu mandato com independência, que é aliado do governador, mas que “não puxo saco, se depender de mim o orçamento teria sido votado na semana passada, isso aqui não pode ser um palco de covardes” e observou que não tinha ‘óbice nenhum para que a votação fosse hoje’ (ontem).

COMUNIDADES TERAPÊUTICAS

Enquanto o deputado Antonio Albuquerque falava, o pessoal que estava na galeria da Casa aplaudiu. Além de observadores do dia-a-dia nas sessões, a ALE contou com a presença da Federação das Comunidades Terapêuticas, que dá apoio a dependentes químicos e que levou para a sessão 60 pessoas que são assistidas pela instituição.

O representante da entidade, identificado como Anderson, foi à sala da imprensa antes da votação do Orçamento e anunciou que se a LOA não fosse votada, na sessão desta terça ia chegar na Casa com 500 para pressionarem e fazerem um ato de protesto em frente do prédio do Poder Legislativo .

O deputado Judson Cabral (PT) protestou em sua fala a maneira como foi conduzido o processo de encaminhamento da votação do Orçamento. Declarou que votaria contra o parecer da comissão, pois segundo ele não votaria “naquilo que não conheço”.

Judson argumentou que o relatório (do Orçamento) é específico e que não existe mais comissão. “Minhas emendas foram protocoladas em tempo hábil, não foi dada publicidade sobre qual emenda foi rejeitada ou aprovada, uma emenda vai se agregar ao um documento público e como é que eu vou votar em emenda que não conheço?”, indagou.

Muito contrafeito, o deputado Judson disse ainda que os deputados estavam ali para “discutir politicamente, dentro do consenso e da coerência” e reclamou que votar no Orçamento daquela forma “é um golpe contra a boa política” .

O deputado Antonio Albuquerque retomou a fala, e em aparte ao deputado Judson, disse: “Vossa Excelência vem sendo um bom parlamentar, mas me permita discordar. O exercício do voto é pessoal e intransferível.

O deputado Gilvan Barros (PSDB), eleito relator especial do Orçamento, disse que as divergências são próprias do parlamento e que estavam votando orçamento para o Estado e não para Téo Vilela.

Barros argumentou que as críticas do deputado Judson não procedem, pois segundo ele, “teve todo o tempo do mundo para tomar conhecimento do conteúdo do relatório. Eu tenho uma admiração muito grande pelo deputado Judson Cabral, mas não aceito as críticas ao orçamento porque foi dado publicidade”, disse Gilvan Barros.

Depois de várias falas e argumentos contrários da oposição, o Orçamento para 2011 foi votado e depois vai para o Executivo para que seja aprovado ou vetado. Faltaram à votação os deputados Nelito Gomes de Barros (PSDB) e Thaise Guedes (PSC).

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Fevereiro está terminando...

Olívia de Cássia – jornalista

O mês de fevereiro é sempre mais curto, está quase acabando; hoje já é dia 21. Semana que vem tem contas para pagar. Algumas vão ter que ser deixadas de lado, enquanto não retomo a normalidade da minha vida. O carnaval já vem aí, festa que gosto muito, mas que esse ano vai depender do que acontecerá essa semana.

Hoje eu tinha uma entrevista de trabalho e foi transferia para amanhã, tomara que eu consiga a vaga. Fui à Igreja do Livramento rezar, pedir a Deus, a Nossa Senhora e Santa Maria Madalena proteção e que meus caminhos sejam iluminados e abençoados. São muitas as dificuldades, Deus sabe.

Encontrei Jaci Lucia, amiga de longas datas, minha ex-quase cunhada. Como é bom a gente encontrar pessoas amigas e conterrâneas pelas ruas e locais de Maceió! Hoje eu acordei com a boca dormente, um pouco alterada. Já me aconteceu isso outra vez; fiquei desconfiada, mas não há de ser nada.

Deus, na sua infinita bondade, vai me proteger de todo o mal, olhar pela minha saúde, pois preciso trabalhar para garantir o meu sustento. Não tenho mais meus pais para me socorrerem na hora da precisão. A saúde é frágil, mas preciso reagir. Estava tão concentrada nos meus pedidos, que nem vi quando Jaci saiu da igreja.

Fiz um pequeno currículo para apresentação à pessoa que poderá me disponibilizar uma vaga na assessoria. Não se faz mais currículo com muitas páginas, com todas as atividades, cursos e ações nos dias de hoje; tem que ser bem resumido, por que ninguém lê mesmo.

Na minha profissão de jornalista, pelo menos aqui em Alagoas, apresentação de papel com currículo não importa muito. O que vale mesmo é a sua experiência, com o reforço da indicação na hora do preenchimento da função.

Fui bem-indicada e espero que as minhas atividades e experiência também contem nesse caso. Que Deus esteja com todos nesse começo de semana.

Humildade não é submissão

Olívia de Cássia – jornalista

Humildade não quer dizer submissão; ser humilde é um ato de inteligência. Tem muita gente por aí precisando ‘baixar a bola’ e colocar o pé no chão. A gente leva tanta bordoada na vida, que se não aprende com isso, fica mais difícil viver.

Às vezes a gente vive feito mula empacada. Quando coloca uma ideia e um pensamento na cabeça não tem quem convença do contrário. Essa estratégia em alguns casos dá certo; outras não.

Com o tempo vamos aprendendo que o outro lado deve ser ouvido; há sempre dois lados da mesma moeda e esse é o princípio do jornalismo, mesmo que um desses lados pese mais em se tratando de credibilidade. Mas é sempre recomendável que a gente procure se inteirar da situação para não ser injusto com o outro.

Já fui personagem de uma história assim e vejo como é incômoda essa postura. A vida nos ensina, mesmo que da forma mais dolorida e inusitada. Muitas vezes quando percebemos o equívoco cometido, já não dá mais para reparar a situação. A vaca já foi pro brejo ou o leite já foi derramado.

E quando isso acontece, de percebermos bem mais tarde o erro que cometemos, muitas vezes entramos em parafuso, sem saber como agir diante do erro cometido. Nessas horas é sempre bom fazer um exame de consciência e procurar reconhecer a falha e pedir desculpas; é sempre muito salutar e honesto.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

PT pede adiamento de votação



Deputado Fernando Toledo bem que tentou, mas orçamento não foi votado


Olívia de Cássia – jornalista

Depois de muita peleja, discussões, interrupção da sessão por mais de uma hora, para entendimentos e leitura de emendas, os deputados alagoanos adiaram novamente a votação do Orçamento, quando tudo indicava que seria aprovado na tarde desta quinta-feira, 17.

Não adiantaram os apelos do Governo do Estado, que segundo se comenta nos bastidores da Assembleia, tem ligado constantemente para o presidente Fernando Toledo (PSDB) e feito reuniões com os parlamentares, no sentido de que aprovem o Orçamento, que já está atrasado desde dezembro do ano passado.

Se depender da oposição na Casa de Tavares Bastos, formada pelo Partido dos Trabalhadores, PMDB e parte do PDT, ainda vai demorar para que essa novela tenha um final feliz para o governo, que necessita dessa liberação para colocar em andamento as ações traçadas para esse ano.

Vale lembrar que muitos setores da sociedade dependem do Orçamento. A Lei Orçamentária Anual (LOA) deveria ter sido votado em dezembro passado, mas por conta dos pedidos de adiamento, negociações pressões ainda não foi liberada, para que o governo aprove ou vete.

A argumentação da oposição é a de que a Mesa Diretora não disponibilizou as emendas, para que os deputados tomassem conhecimento do seu conteúdo. O deputado Ronaldo Medeiros, novo líder do PT na Casa, disse que “há pontos obscuros” que ainda não foram esclarecidos.

O deputado Gilvan Barros (PSDB), indicado como relator especial do relatório do orçamento, apresentou requerimento pedindo dispensa de publicação do relatório da Peça Orçamentária. O deputado Judson Cabral (PT) foi contra a proposta de Barros, assim como os demais deputados da oposição.

Já o deputado Antonio Albuquerque (PTdoB) pediu maior celeridade com relação à votação do Orçamento. Ele disse que a preocupação do deputado Judson era pertinente, mas avaliou que “à luz do Regimento (Interno da Casa), o entendimento é era o de agilizar a votação para hoje”.

Antonio Albuquerque disse que os deputados têm que se ajudar “para aprovar logo essa matéria, pois temos essa responsabilidade com a sociedade e com o governo do Estado".

Vice-presidente da Casa, Albuquerque solicitou em requerimento verbal a suspensão da sessão, para que os deputados analisassem e discutissem as emendas e no final a matéria fosse votada.

“Solicito que a sessão seja suspensa e os deputados possam se dirigir à sala das comissões, para ver se (o documento) está condizente com a lei e os deputados possam subscrever o Orçamento”.

O presidente da Casa, Fernando Toledo (PSDB) atendeu o requerimento verbal e suspendeu a sessão “por uma hora”, mas os deputados demoraram lá na sala por quase duas horas e nada ficou definido na volta.

A oposição se retirou do plenário e o presidente encerrou a sessão, convocando os deputados para comparecerem e votarem a matéria na próxima sessão de terça-feira. Ele se retirou do plenário não muito satisfeito com o resultado. Compareceram à sessão 22 deputados.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Votação do orçamento novamente adiada na ALE


Olívia de Cássia – jornalista

Com a presença de 23 deputados, quorum mais que suficiente para que haja votação, o orçamento do estado para o ano de 2011 novamente não foi votado pelos deputados na sessão de hoje, 16. O pedido de adiamento foi feito pelo deputado Isnaldo Bulhões Júnior (PDT).

Alegando o cumprimento do regimento interno da ALE, assim, assegurando o adiamento por duas sessões, ele solicitou à Mesa que a votação não fosse feita.

“Não adianta aparecer com um ‘rolo’ compressor querendo aprovar o orçamento agora. Desde o mês de dezembro de 2010 as dúvidas entre a mesa diretora e o poder Executivo atrapalharam a apreciação da LOA, então, em nome da legalidade e do cumprimento do regimento da Assembleia Legislativa de Alagoas espero que seja respeitado o adiamento”, observou.

O orçamento deverá ser apreciado na próxima semana, assim, assegurando o desejo e a vontade da bancada de oposição na ALE.

Começam os trabalhos legislativos na ALE

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)


Começaram na tarde desta terça-feira, 15, os trabalhos legislativos da 17ª legislatura na Casa de Tavares Bastos. Não houve ponto de pauta além da instalação dos trabalhos e o presidente da Casa, Fernando Toledo (PSDB), em entrevista à imprensa, disse que o Orçamento é o único ponto de pauta na sessão de hoje.

A oposição, que pediu o adiamento da vortação na semana passada alegando falta de conhecimento do conteúdo do projeto, ainda faz observações e talvez hoje o orçamento de 2011 ainda não seja votado.

A sessão de instalação aconteceu com a presença do governador Teotônio Vilela (PSDB), secretários de governo, representantes do Judiciário e várias outras autoridades e representantes de setores da sociedade civil organizada alagoana.

O governador e o presidente da Casa, deputado Fernando Toledo (PSDB) passaram em revista a tropa da Polícia Militar, na entrada da ALE.

Em sua fala da tribuna do Poder Legislativo, o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) disse que Alagoas vive um novo tempo, fez um longo discurso de quase duas horas falando das ações positivas do seu primeiro governo, da perspectiva da vinda do Estaleiro Eisa e dos avanços conseguidos em sua gestão.

Sobre o estaleiro, falou que é fundamental para a economia de Alagoas, mas que depende agora da questão do meio ambiente. Téo observou que em seu primeiro governo houve redução da evasão escolar e falou de projetos realizados com sucesso.

Não esqueceu de dizer que sempre contou com o apoio do ex-presidente Lula na liberação de recursos para as obras do Estado. Ele destacou que sempre que precisou, o ex-presidente o atendeu. Todos sabem dessa amizade recíproca entre o ex-presidente Lula e o governador alagoano.

Depois da longa fala do governador que a imprensa brincou que parecia mais Fidel Castro falando (Téo se reportou a filósofos alemães como Dostoiévski e Gothe para fazer citações), foi a vez do primeiro secretário Inácio Loiola (PSDB), ex-prefeito de Piranhas, fazer uma fala de quase meia hora citando versos bíblicos invocando o Eclesiastes e também o patrono da Casa, Tavares Bastos.

Vinte deputados compareceram ao plenário. Os deputados Nelito Gomes de Barros, Flávia Cavalcante, Maurício Tavares, Olavo Calheiros e Antônio Albuquerque não compareceram ao plenário. Dos onze novatos, apenas Olavo não compareceu.

A assessoria de Tavares informou à imprensa que ele foi indicado pelo senador Fernando Collor (PTB) como líder da bancada no Poder Legislativo.

Em seu discurso, o presidente Fernando Toledo observou que se depender dos deputados as demandas do Executivo não sofrerão nenhuma represália.

"Seremos parceiros", disse ele, observando que a legislatura que terminou se caracterizou por momentos dramáticos, mas enfatizou que o parlamento contribuiu com os demais Poderes constituintes.

Fernando Toledo destacou que durante a legislatura passada mais de 500 projetos "se submeteram ao colegiado e não houve nenhuma proposição que deixasse de contar com a colaboração da ALE".

Toledo falou da criação da Comissão de Ética na Casa, só esqueceu de dizer que essa comissão ainda não entrou em funcionamento.

Em aparte, à imprensa, sobre o duodécimo, que foi a grande peleja do fina da legislatura passada, quando os deputados queriam aumento, ele disse que será o mesmo.

Os deputados devem ter chegando a um consenso junto ao governo, depois de tanta pressão, desde novembro do ano passado.

Durante seu discurso, o presidente tranquilizou os servidores da Casa de Tavares Bastos, afirmando que o advogado-geral da Unão deu um parecer favorável sobre o PCC observando da sua constitucionalidade.

"Aprendi na política a exercer a paciência e a tolerância no confronto de pontos de vista diferentes", disse Toledo, conclamando a todos para engrandecerem o Poder Legislativo. Após a sessão de instalação dos trabalhos legislativos foi oferecido um coquetel aos convidados.

Na primeira sessão efetiva de trabalhos no dia de hoje espera-se que os deputados cumpram com suas obrigações, compareçam ao plenário do Poder para debaterem e finalmente aprovarem o Orçamento, pois o Estado está engessado, precisando desse aprove para que ponha em prática suas ações.

Tem muita gente, políticas públicas, saúde e educação precisando dessa atitude. Vamos aguardar.

Resenha do dia

Olívia de Cássia – jornalista

Deu vontade de pedir arrego, desde ontem, mas hoje é um novo dia. Eu precisava acordar logo cedo e acionei o despertador da companhia telefônica para me acordar, pois precisava ir à dentista colocar a última sessão de flúor.

Resolvi ir a pé, do Centro onde moro até a Pajuçara, para economizar o dinheiro da passagem, fazer um pouco de movimento nas pernas e ver o mar. Saí de casa às sete horas e cheguei à Dental Máster às oito.

Nem deu para observar a paisagem como eu queria, absorta que estava em meus pensamentos. Fui caminhando ao lado do Clube Fênix, por ser mais movimentado e por precaução, pois me conheço e sei que quando começo a pensar me desligo de tudo.

No caminho, como sempre faço nessas horas, eu fui lembrando dos conselhos que meus pais me davam, principalmente minha mãe, dona Antônia, que sabia das minhas fraquezas e limitações diante do lado prático da vida e não queria que eu sofresse tanto. Era ela quem comandava tudo lá em casa.

Mamãe contava que penou muito para fazer a cabeça do meu pai, no sentido de que ele vendesse as poucas terras da Baixa Seca, para irem morar em União dos Palmares. Diante da insistência e poder de convencimento dela, meu pai vendeu tudo e migraram para a Terra da Liberdade.

Ela dizia que não queria ver os filhos sendo criados no mato, sem estudos, no entanto, mais tarde, quando estava já doente, dizia que era melhor que tivesse tido uma filha analfabeta, que lhe fizesse companhia. Dizia isso quando estava com raiva e magoada comigo.

Foram tantas as mágoas e os desentendimentos que tivemos! Quase nunca nos entendíamos, éramos tão diferentes uma da outra; eu sempre me identifiquei mais com meu pai, meu avô e meu tio Antônio. É tão visível isso, percebi depois de amadurecida essa questão.

Passados esses anos todos da sua morte e diante das dificuldades e atropelos que passo na minha vida, eu sinto tanto a falta dela, da sua rusticidade, das suas broncas, dos seus sábios conselhos, do socorro que ela me dava, sempre que eu estava precisando,mesmo que ela discordasse de mim, que isso chega a doer no fundo da minha alma. Mãe é mãe.

Meu primeiro computador, no começo da década de 90, foi ela quem comprou, a linha telefônica naquela época era comprada e muito cara, foi ela também a doadora. A casa onde moro foi ela quem construiu e mobiliou nos primeiros meses.

Nunca fui uma pessoa organizada, prática ou empreendedora: admiro muito quem o é, principalmente as mulheres vencedoras. Não me preparei para isso e hoje, aos 51 anos de idade, estou penando por não ter aprendido a cuidar de mim como eu deveria, como queriam meus pais.

Terminada a aplicação do flúor eu voltei pelo mesmo caminho, pela Avenida da Paz, imaginando uma forma e pedindo a Deus uma luz para encontrar uma solução para os meus problemas. Mas tão distraída eu estava, que nem percebi o quanto eu amanheci desequilibrada e tombando hoje, por conta da ataxia.

A questão emocional conta muito nessas horas e próximo ao Alerta Médico eu bati nas canas do vendedor de caldo que comercializa nas redondezas e derrubei tudo, sou um desastre mesmo.

Tentei explicar para o moço que não tenho muito equilíbrio, mas acho que ele pensou que eu, às dez horas da manhã, já tivesse bêbada e se pôs a me xingar e reclamar pelo desastre que provoquei. Saí dali com lágrimas nos olhos , paciência, tenho que me acostumar com isso, até que Deus não me permita mais.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O pesadelo de Rosalba

Olívia de Cássia – jornalista

Aquele sonho pesado não era um sonho normal de quem adormeceu tranquila. Rosalba se sentia sufocada, fazia muito calor naquela noite. Não conseguia sair daquele lugar, tornara-se prisioneira daquela situação.

Aquele homem corpulento a possuiu várias vezes e tinha domínio sobre ela, sobre o seu corpo e a sua alma, mas ela tinha consciência de que precisava sair dali, pedir socorro: “- Alguém me ajude”, pensava ela, mas não havia uma viva alma que pudesse socorrê-la e dar fim à sua prisão.

Estava refém daquele homem que ameaçava matá-la se ela tentasse sair da casa. Começou então a tecer estratégias na sua mente para se desvencilhar daquilo tudo. Já não sabia se era realidade ou se estava vivendo um dramático pesadelo.

De repente lhe vieram imagens de pessoas da sua convivência, de amigos e familiares. Pensou na infância sofrida, na mãe que morreu tão prematuramente, deixando o pai, pobre homem, com uma prole de dez filhos para dar conta: cinco homens e cinco mulheres.

As meninas vieram primeiro, mas o Juvenal queria filhos homens e assim foi deixando que viessem ao mundo, não queria que Margarida fizesse nada para impedir o nascimento dos filhos.

Sabia que na roça algumas mulheres utilizavam de rezas, beberagens e outros expedientes para jogar fora os filhos, mas ele proibiu que Margarida o fizesse e assim os filhos vieram ao mundo, um a um.

Juvenal era um homem temente a Deus e ao Padre Cícero, tinha muita crença de que melhoraria de vida e que a lavoura ia ser boa naquele ano, quando o décimo filho nasceu.

Rosalba veio ao mundo primeiro e como mais velha foi encarregada de cuidar dos irmãos quando a mãe faleceu. Pela lei da roça naquele tempo, os irmãos mais velhos cuidam dos mais moços.

O tempo foi passando e Rosalba queria mais, era uma moça cheia de sonhos e fantasias, como todas da sua idade. Não se conformava com aquela vida sofrida do pai, lá no mato, para dar o sustento aos filhos.

Quando ela ia na feira livre, aos sábados, em União dos Palmares, ela admirava as moças da cidade e pensava que queria ser assim, da mesma forma que elas, cheias de vitalidade e que na avaliação dela eram meninas felizes.

Um dia Rosalba foi no armarinho do seu Bilu e ao passar na calçada da loja do seu Zé Piloto deu de cara com aquele homem bonito, morenão, alto, forte, um deus do ébano que ela logo se engraçou.

Josefino tratou logo de se enfronhar para Rosalba, feito um pavão, no jogo da conquista e inventou um nome falso, porque não gostava do seu de batismo. Disse para ela que se chamava Jimmy, como o seu ídolo da Jamaica. E cheio de charme e gírias que Rosalba não entendia foi conquistando aquela moça simples, roceira, sonhadora e com vontade de ser feliz.

Agora ela estava ali, prisioneira dele, sem poder sair daquela casa imunda para onde foi atraída por Josefino, ou Jimmy, como ele costumava ser chamado pelos amigos.

- Se você me denunciar eu te mato!”, ameaçava ele, envolvido que estava com várias irregularidades que Rosalba descobriu fazia pouco tempo. No começo ela procurava entender as atitudes do homem por quem se apaixonara, mas agora, diante de tanta coisa ruim que ele fazia, estava decidida a sair daquela situação.

Mas o que fazer quando isso acontece? O que ela queria, na verdade era se ver livre daquela prisão, conquistar sua liberdade. Tinha medo de Josefino, ele era perigoso, mas Rosalba tinha sonho maiores na vida e queria vive-los.

Voltou a pensar no pai e nos irmãos que ficaram na roça e de repente entendeu que a felicidade que ela queria não estava onde ela pensava que fosse encontrar, mas, sim, junto da familia, ao lado do Juvenal, ajudando-o na lida da roça e tocando as terras na lavoura e na plantação.

E de repente, uma onda de coragem invadiu o pensamento de Rosalba e começou a traçar estratégias para sair daquele lugar fedido e sem dignidade. Aproveitou uma hora em que Josefino não aguentou mais o vigília e dormiu,abriu a porta da casa rústica onde estava prisioneira e se escafedeu no mundo, em busca da liberdade desejada.

Quando Josefino percebeu a fuga da mulher que queria como propriedade e que mantinha como prisioneira, ficou com muito ódio e enfurecido, mas já era tarde. A polícia invadiu o local apontado por Rosalba e numa troca de tiros aquele homem foi alvejado com dez tiros, sendo um deles na cabeça.

Agoniada e com muita sede Rosalba acordou. Faltava-lhe o ar puro para respirar. O lençol estava cobrindo seu rosto. Felizmente tudo não passou de um sufocante pesadelo, o dia estava lindo lá fora, é verão no Brasil.

Não sou dona da verdade


Olívia de Cássia – jornalista

Quando eu escrevo no blog ou em qualquer canto e falo daquilo que se passa no meu coração, das minhas inquietações, incertezas e da maneira como eu vejo o mundo, me sinto aliviada, tiro um peso de cima de mim, parece que fico mais leve.

Sempre gostei de escrever: seja para fazer poesias, artigos, confissões nos meus diários ou cartas para os amigos. Não escrevo apenas fatos do dia-a-dia, releases ou noticiários. Sempre gostei de expressar meus sentimentos por meio de palavras escritas, desde a tenra idade. É uma forma de me sentir mais útil, mais leve e melhor.

Gosto de me expressar sobre assuntos diversos, desde temas sentimentais, problemas existenciais, até opinar sobre o que está sendo discutido na sociedade e na mídia. Mas devo alertar aqui que eu nunca disse que sou dona de verdade nenhuma e qualquer um pode e deve discordar daquilo que penso e que falo. É dialético isso.

Quando coloco para fora uma ideia, coisas que estão me incomodando, não o faço esperando aplausos ou aprovação seja lá de quem for. Mas admito que quando alguém se identifica com o que escrevo, com minha maneira de ver o mundo, é claro que me sinto bem. Não sou hipócrita. Quem é que não gosta disso?

Um moço internauta leu um dos meus escritos postado no site Portal Literal, onde tenho inscrição, artigo que publiquei no blog e que também foi publicado na Tribuna Independente do domingo passado, 13, onde eu defendi o resgate das tradições, critiquei as músicas de péssimo gosto tocadas por aí, inclusive as que detratam as mulheres e são preconceituosas.

O rapaz que leu meu texto no Portal Literal achou ruim quando eu sugeri que essas músicas, tipo aquela que chama as mulheres de cachorras, deveriam ser tratadas com restrições. Ele avaliou que eu estivesse defendendo a volta da censura e desceu a lenha na minha fala.

Avalio que me achou conservadora na minha maneira de pensar, acho que entendeu mal o meu ponto de vista, ou entendeu do jeito que queria entender. Eu jamais defenderia a volta da censura, até porque sempre defendi a liberdade. Essa sempre foi minha bandeira.

Acho importante que as pessoas opinem a respeito do que escrevo e que tenham suas opiniões próprias e divergências. Até por que ninguém é obrigado a aceitar todas as minhas ideias, pontos de vista e avaliações.

Penso eu que cada um teve uma educação e uma formação diferenciada e eu tive a minha, penso diferente. Posso até ser avaliada como uma pessoa conservadora, mas conservadora daquilo que é de qualidade. O novo não quer dizer que seja bom. Mas eu não sou dona da verdade e se o fosse seria muito chato.

Acredito que há várias verdades no mundo. Há verdades pré-estabelecidas, conceituais e a verdade de cada um. A verdade para mim é um conceito muito amplo e subjetivo. A minha é diferente daquela das pessoas que aprovam esse tipo de música, mas eu respeito o que pensa cada um.

Só não gosto dessas músicas e tenho o direito de dizê-lo abertamente, acredito eu, que são de péssimo gosto. Sou de um tempo em que vivi minha infância e juventude em plena ditadura militar, mas nem por isso engolíamos todas as músicas que o regime aprovava e que tentava nos empurrar.

Ainda bem que vivemos numa democracia e a divergência de opinião é muito salutar. Do mesmo jeito que o internauta lá me criticou por eu ter falado mal das músicas de forró-malícia, Tarraxinha e outras do mesmo naipe, eu também tenho o direito de expressar a minha opinião e de discordar dele.

Cada pessoa observa a vida e as situações de uma forma e eu tenho também a minha maneira de ver o mundo. Só gostaria de não ser impedida um dia de expressar essa minha maneira de ser. A democracia pede passagem. Dá licença, meu senhor.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Minha insônia...

Olívia de Cássia – jornalista


Quando a gente está acostumada a uma rotina de vida, fica difícil quando ela é quebrada, pelo menos comigo funciona assim. Me acostumei a dormir tarde, a ficar horas e horas na frente do computador: seja escrevendo, baixando fotos. Em sites de relacionamento ou vendo notícias. Isso também acontece no fim de semana: é o meu trabalho e minha diversão, tarefas que cumpro com prazer e com satisfação.

Nunca tive medo de dormir só, de morar sozinha e de ficar sem companhia, mas no dia do apagão que aconteceu em quase todo o Nordeste, eu inventei de acender uma vela, quando cheguei da Tribuna Independente, daquelas de sete dias. Quando fui deitar, uma sensação estranha invadiu meu quarto.

Mal eu cochilava e fechava o olho, começavam a surgir vultos dentro do quarto, uma coisa pesada e sem identificação. Levantei e apaguei a vela e só assim conseguir dormir tranqüila. Nunca tinha vivenciado isso antes.

Tem duas semanas que minha rotina foi interrompida, por problemas técnicos e operacionais em casa. Nem sei quando isso vai ser resolvido, mas está me fazendo uma falta danada a tecnologia. O sono não vem com facilidade, acostumada que estou a dormir tarde.

Fui na estante e peguei outro livro já lido para matar o tempo. Por coincidência escolhi Insônia, de Graciliano Ramos, o Mestre Graça, cujo primeiro texto já começa tratando justamente da inquietação do autor diante da falta do sono ou da inquietação dele diante da interrupção da madorna.

Mas voltando à minha questão, para driblar a falta que o computador me faz, dormindo ligado e tocando meus CDs favoritos, ligo o rádio do celular na Educativa FM. O tempo está quente, ameaça chover.

Ligo um pouco o ar condicionado para refrescar o quarto; quando esfriar o ambiente, eu desligo o aparelho, para não gastar muita energia. Agora, mais do que nunca, tenho que fazer economia, diminuir as despesas.

Pego a câmera digital e constato que, mais uma vez, as pilhas estão descarregando e procuro resolver o problema. Semana passada, decidi que voltarei a usar a máquina fotográfica analógica, pelo menos de vez em quando, para que continue a ter utilidade por mais alguns anos.

Ainda tenho comigo mais quatro filmes que foram usados há três anos e não foram revelados. Resolvi testar para verificar se ainda têm validade. Pelo menos o que eu mandei revelar ainda prestou. Mudaram o sistema de revelação de fotos analógicas, com o avanço da tecnologia e o crescente uso das máquinas digitais.

Fotos que eram reveladas em 50 minutos, agora dão prazo de três dias e a gente tem que deixar um sinal, talvez como garantia de que vai mesmo buscar as fotos reveladas. Pelo menos comigo foi assim.

Para voltar a usar a máquina de filme vou precisar comprar novas pilhas, que não são tão baratas assim. Tenho mais fotos digitais em três a quatro anos de uso da nova tecnologia do que nos vinte anos que fotografo em máquina analógica.
O fato é que o filme limita o número de fotos a serem tiradas, também pelo preço da revelação e do novo filme. Com a digital a gente coloca tudo no CD e quase nunca revela.

O prazer não é o mesmo e eu conversava sobre isso outro dia com amigos. Na máquina digital a gente quer logo ver a foto e se não ficou boa, a gente deleta. No filme, não. Havia suspense, um mistério e a expectativa da revelação da foto, para ver se ficou legal. Volto à minha leitura, o quarto ainda não esfriou.

Sophia Loren, minha gatinha gestante, está com uma barriguinha enorme. Temo que ela não resista ao parto; ela é tão frágil e pequena! Não estou com recurso para levá-la a um veterinário.

Já preparei um cestinho para que ela fique lá quando tiver os filhotes. Ela está acostumada a dormir comigo todos os dias e vai estranhar quando não puder mais fazê-lo, por conta da ‘responsabilidade’ de mãe. Resolvo descer a escada e vou vê-la; está cansada e sonolenta, mas não quer ficar no cestinho.

No rádio toca uma música dos Beatles. Lembro da minha juventude em União dos Palmares; era tudo tão mágico, tão inocente. Uma pena que a gente não possa voltar no tempo, como naqueles filmes que a gente assiste na TV, onde os protagonistas entram na máquina do tempo e podem reviver e até mudar algumas coisas que foram vividas.

Da mesma forma que não se pode reviver o que já passou e voltando à realidade, resta apenas lembrar com doçura os bons momentos vividos naquele tempo.

Diário de bordo

Olívia de Cássia - jornalista

Passei o sábado fazendo uma retrospectiva dos meus 51 anos de vida, de alguns fatos do passado, envolvimentos amorosos e dificuldades outras; mas revisar essas passagens é sempre muito doloroso, às vezes é inevitável, tu sabes, meu diário. Quando isso acontece é sempre quando não estou muito bem, quando estou reflexiva e com algum ruído dentro de mim.

Todos esses pensamentos de agora devem ser por conta dessa dificuldade que estou passando, mas ela é passageira e será da mesma forma que foram tantas passagens em minha vida. Tudo vai passar, eu sei e a minha vida voltará à normalidade. Quando a gente está vivenciando isso deseja dormir e só acordar quando tudo tiver passado e o problema resolvido. Mas ninguém passa impune na vida.

O fato é que, com o fim da minha função em cargo comissionado na Assembleia Legislativa, fiquei um pouco perdida, tanto que quase todas as manhãs eu saio e fico vagando no comércio de Maceió, sem saber o que fazer. Desde o dia 1º de fevereiro deste ano fiquei sem a maior parte da minha renda e isso tem mexido muito comigo, com minha autoestima e com a minha cabeça.

Se já não dava para pagar todas as contas com o que eu recebia, imagina agora, com menos da metade, que é o prolabore da cooperativa, na Tribuna Independente. Procuro na pensar muito nessa questão. O dinheiro não é tudo, eu sei.

Já passei por situações bem piores, é um perrengue danado essa minha profissão. Mas me preocupa essa questão, mesmo que eu tente não pensar muito nisso. Na minha idade a gente se preocupa muito mais com estabilidade financeira e com a sobrevivência.

Nunca fui muito ligada nesses itens práticos da vida. Se a minha mãe não tivesse me deixado uma casa, que construiu antes de ir para outro plano, hoje eu ainda viveria de aluguel. A casa tem quase dez anos de construída e já apresenta algumas falhas e precisa de muitos reparos. São tantas contas, impostos e obrigações que nunca sobra nada.

Agora, com a perda de mais da metade do que eu recebia há seis anos, a história se complica ainda mais. Mas diário, eu tenho muitos planos ainda, apesar da idade e da pouca saúde.

Desde 2004 concluí o meu livro de memórias; de lá para cá já cortei e acrescentei muita coisa, cada vez que vou fazer uma revisão. Preciso agora fazer uma busca final e dar outra revisada. Minha amiga Eliane Aquino, amizade de longas datas, fez uma linda e generosa apresentação, mas até agora eu não consegui verba para a publicação.

Tudo é muito complicado e difícil para quem não tem influência política e dinheiro. O tempo está passando, já não sou uma jovem cheia de sonhos, estou na meia idade. Procuro levar a vida com mais humor e descontração, não querendo pensar tanto nas dificuldades físicas e materiais.

Meus pais, onde eles estiverem, dever estar tristes diante das minhas fraquezas e incompetências. Seu João me dizia que jornalismo não era profissão que desse para a gente tocar a vida e conseguir sobreviver com dignidade.

Até que tenho muitos amigos que vivem bem. Mas essa nossa profissão, além de talento é preciso ter santo forte, ter muita sorte e saber aproveitar as oportunidades, coisa que eu não soube fazer.

Confesso aqui, meu diário, que há alguns anos eu recusei propostas irrecusáveis, por conta dessa tal ideologia e maneira de pensar diferente. Pura besteira e imaturidade minha; agora estou sofrendo as conseqüências da minha ingenuidade.

Hoje eu não seria capaz de cometer uma loucura de recusar uma proposta de trabalho que não me afete a dignidade e a moral, mas que me dê qualidade de vida. Mas como dizem por aí, ‘o cavalo só passa selado na frente da gente uma vez na vida’.

Tu sabes, diário, que eu sempre fui muito tola, romântica e por causa desse lado meu, perdi essas oportunidades. Agora estou aqui, sem saber o que fazer, procurando uma alternativa de como fazer para restabelecer minhas finanças e assim poder dormir mais sossegada.

Na minha profissão, enviar currículo não adianta, ninguém dá valor. Já deixei até recado no Orkut e no Facebook, pois preciso pagar minhas contas e viver menos apertada financeiramente. Vou fazer de conta que esse fim de semana não existiu. Se bem que aproveitei para adiantar e terminar leituras.

Não coloquei a cara na rua durante o dia. O computador pifado, sem internet, um calor insuportável, eu passei a manhã e a tarde mudando de lugar para ler melhor. Sem grana para comprar novos livros estou fazendo uma releitura do que já tenho por aqui, os livros da minha pequena biblioteca.

A programação da TV não ajuda muito e ainda bem que a semana recomeça e pelo menos no horário da tarde e à noite ainda tenho a Tribuna Independente para trabalhar, graças a Deus. Quem souber de alguém que esteja precisando de assessor de imprensa estou disponível no horário da manhã e começo da tarde. Boa semana para todos!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Prostituição infantil...

Olívia de Cássia – jornalista

Especialistas constatam que a rede de prostituição no Brasil continua sem solução. Os casos denunciados aumentam a cada dia; antes ficavam encobertos, as pessoas tinham mais medo de denunciar. A prostituição infantil é um negócio rentável nos dias de hoje e talvez seja por isso que é difícil de acabar.

Dizem os estudos que a prostituição, principalmente a infantil, “transformou-se no terceiro mais rentável comércio mundial, atrás apenas da indústria de armas e do narcotráfico”.

Na avaliação dos especialistas, não só dos leigos como também dos instruídos, acreditam que os principais clientes que procuram pelos serviços das menores eram os turistas estrangeiros.
Esse tipo de prática tem se disseminado a cada dia mais no Brasil, mas não é um mal da sociedade moderna. A prostituição sempre existiu, está nos relatos bíblicos como uma das profissões mais antigas no mundo, desde os antigos reis; mudou apenas a logística.

Em países pobres da América Latina, como o Brasil, segundo as estatísticas, as meninas do campo de comunidades mais carentes estão mais vulneráveis. Elas vagueiam pelas ruas e calçadas à procura de homens com quem possam fazer programas para sustentarem as famílias.
Muitas são levadas a esse tipo de vida pelos próprios pais.

Geralmente não têm instrução, não sabem ler e não têm experiência de vida. São vítimas de um sistema corrupto, selecionadas por cafetões para serem exibidas e usadas, como se fossem uma mercadoria, no mercado sujo da prostituição.

Nas grandes cidades isso é quase que uma rotina, mas nos últimos anos essa prática tem acontecido com frequência em cidades do interior em crescimento. Importam para si as mazelas da sociedade dita moderna.

Recentemente, na cidade de União dos Palmares um fato desse foi noticiado nacionalmente, levando Alagoas novamente para as manchetes negativas da imprensa. Geralmente quem está por trás da prostituição infantil são pessoas influentes nas cidades, políticos, juízes, novos ricos, autoridades que deveriam cuidar das crianças e de pessoas menos favorecidas e que, no entanto, dão um péssimo exemplo para a sociedade.

Em casa, com certeza, são pessoas autoritárias e conservadoras com seus familiares, principalmente com as filhas. Entre algumas camadas pobres das sociedades e não só aí, nem bem as meninas menstruam a já são levadas para a prostituição. É comum os Conselhos Tutelares conviverem e receberem denúncia de meninas grávidas de até dez anos. Uma lástima isso.

O tempo passou...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Quando setembro vier, oito anos terão se passado desde aquele fatídico dia em que, por telefone, recebi a informação de que você não voltaria mais para casa e que depois teríamos uma conversa definitiva sobre a nossa situação, coisa que nunca aconteceu...

Oito anos foram necessários para que, finalmente, eu entendesse que existe vida além de tudo isso. Para que eu, finalmente, entendesse que a minha liberdade, individualidade, a minha felicidade e a fé que tenho em Deus não estavam na dependência de outra pessoa e que são fundamentais em minha vida. Itens principais.

Faz muito tempo que não te vejo, muitos anos foram preciso para que, mesmo distante e sem te encontrar, embora a gente percorra quase que o mesmo percurso, eu tomasse conhecimento da tua verdadeira personalidade, que agora, aos meus olhos de mulher curada e madura, mostrou quem realmente você é: uma pessoa egoísta, mesquinha, individualista e interesseira.

Quando a gente está apaixonada por alguém a mente parece que fica embotada, relevamos e fingimos que não enxergamos um monte de defeitos, de falhas do ser amado e vamos levando aquela situação, vivendo nessa enganação, tentando nos ludibriar, fingindo que estamos diante de outra pessoa, aquela que realmente sonhamos para nossas vidas, até que acordamos um dia. Nunca é tarde.

Todo o mal que me desejou e que tentou me fazer não conseguiu me destruir. Pode até ter me abalado, mas no fundo me fez uma mulher mais forte e mais corajosa diante da vida. Não tenho raiva de nada nem de ninguém. Já perdoei todo o mal que me foi feito , já é passado, passou.

Oito anos já se passaram até que eu entendi que hoje eu sou uma pessoa feliz, independente e que vislumbra novos horizontes, um mundo de paz, harmonia e tranquilidade. Já não quero para mim a burrice dos apaixonados. Quero estar diante da vida consciente daquilo que vou encontrar pela frente.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os golpes e seus protagonistas...

Olívia de Cássia – jornalista

Nem na igreja, nos dias de hoje, estamos livres de golpistas de plantão. Fui ao comércio para andar um pouco hoje e entrei na Igreja do Livramento, para rezar e fazer minhas orações. Confesso que não tenho muito esse hábito, mas quando dá vontade eu vou à igreja rezar.

Nesse intervalo, aparece um senhor, o tipo é o mesmo: um homem de roupa social, negro, magrinho e baixinho, camisa azul se aproxima de outro, com a mesma conversar que eu já tinha escutado no ponto do ônibus.

Não é uma pessoa aparentemente carente. Ele anda com uma pastinha transparente, como se estivesse resolvendo algum problema de papelada e tem um vocabulário correto, que dá para perceber que não é uma pessoa sem instrução.

O senhor que ele abordou estava fazendo as suas preces do outro lado do banco que eu estava e começou a contar que veio do Pilar resolver uma situação financeira, em Maceió, e que seu cartão ficou preso na máquina do banco e que estaria sem dinheiro para pagar a passagem de volta.

Com uma moeda de um real entre os dedos ele diz que falta dois reais para completar a passagem. O detalhe é que a figura, na semana passada, no ponto de ônibus, arrecadou dinheiro de várias senhoras contando a mesma ladainha.

Quando ele veio me abordar, me disse: “Antes que a senhora comece a fazer suas preces eu queria dar uma palavrinha”. E começou a contar a mesma história até que eu interrompi e disse que já o conhecia do ponto de ônibus e ele, imediatamente, deu a volta e sumiu da igreja.

Eu sei que a situação está difícil, de desemprego e miséria, mas tem gente que não quer trabalhar mais e encontra, agora, nessa facilidade que têm de se comunicarem, um meio de sobrevivência. Pedir na rua virou meio de vida, quando não furtam. Contam uma situação tão convincente, que acabam amolecendo o coração das pessoas.

Na Rua Pedro Monteiro, próxima à minha casa, acontece a mesma coisa: duas mulheres, inclusive uma grávida, fazem o mesmo. A grávida, de vestido vermelho, diz que o marido está internado na Santa Casa e que está precisando de dinheiro para completar a passagem para voltar para casa.

A outra fica do lado do Centro Formador de Recursos Humanos, da Sesau, e diz que veio de Atalaia e que também aconteceu um imprevisto e ficou sem o dinheiro da passagem para voltar para o interior. Pedem o tempo todo, a todo mundo que passa por ali, é irritante.
Já desmascarei as duas mais de uma vez e disse que fossem trabalhar.

Quem circula no Centro de Maceió, diariamente, pode encontrar com essas criaturas por aí. Não dá mais nos dias de hoje para a gente ser solidário e caridoso nesses casos; estou aprendendo. A rotina e essas práticas diárias nos últimos tempos vão nos deixando encaliçados.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Acreditar e ter fé...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Acreditar, ter fé, ter a certeza de que tudo vai melhorar. Essa tem sido a premissa que tenho adotado nos últimos tempos, em busca de dias melhores. A fé é um item fundamental, para que a gente possa continuar acreditando que a vida da gente pode ter outro rumo.

Acreditar e fazer valer esta fé. Continuar lutando e persistindo em busca daquilo que a gente acredita e que se baseia para constituir a rotina. Esse tem sido o meu lema e acredito que depois que o adotei me sinto melhor.

A gente tem duas opções: ou acredita e tem fé, ou é pessimista e não acredita em nada. Nesse caso a vida se torna muito árida e sem graça, avalio eu, pois quando eu era sim me sentia infeliz e angustiada.

Acredito que temos que ter o pensamento convicto de que a gente também pode contribuir com essa melhoria na nossa vida, sendo mais amável, sem ser submisso, e procurando ser melhor a cada dia. E espero continuar acreditando nisso por muito tempo.

É preciso resgatar as tradições

Olívia de Cássia – jornalista

O Carnaval é uma manifestação da cultura popular genuinamente brasileira. Para esta festa, foram criados vários tipos de músicas e também de danças, sendo que seu estilo pode variar de região para região. Antigamente, em Alagoas, valorizava-se mais o Carnaval.

Aos poucos os bailes nos clubes foram acabando e a festa de Momo passou a ser apenas nas ruas. Mas ao invés de se preservar os elementos da nossa cultura, a festa foi substituindo aos poucos os seus principais itens, as músicas e as fantasias. Ficou tudo meio sem graça mesmo.

Para mim o Carnaval é uma das festas mais bonitas do Brasil, da forma como era antes. Um Carnaval alegre, sem violência, com muitas plumas, brilhos, cores, fantasias, alegria, frevo, marchas, sambas e outras manifestações da nossa cultura.


É assim que vejo como deveria ser a folia de Momo em nosso Estado. Admiro os gestores que se empenham na continuação e no resgate da nossa cultura popular.

Fico triste quando na época em que se deveria tocar os frevos, sambas e marchinhas ouço as bandas tocando aquelas músicas de péssimo gosto que todo mundo escuta o ano todo, insuportáveis.

Músicas preconceituosas, que desvalorizam as mulheres e que mesmo assim elas cantam e repetem os refrões alegremente, sendo chamadas de cachorras e outros palavrões. A execução desse tipo de som deveria ser analisada e vista com restrição.

No dia 9 último, foi comemorado no Brasil, mais precisamente no Recife, o Dia do Frevo. O turismo de lá tira bom proveito disso e procura preservá-lo, encantando os turistas.

A cidade é invadida por visitantes, incluindo os daqui que saem à procura desse diferencial não encontrado na nossa terra.

Em Maceió, o Carnaval fica só nas prévias com o desfile dos blocos, incluído aí o Pinto da Madrugada, que procura preservar o frevo e a cultura do Carnaval, acompanhado dos Seresteiros da Pitanguinha e mais alguns poucos. Uma atitude positiva de se reviver os antigos e bons carnavais que já vivemos.

Em outros estados do Nordeste o resgate do Carnaval vem acontecendo aos poucos, com desfiles de blocos incentivados pelas prefeituras, garantindo ajuda de custo e toda a infraestrutura necessária.

Um exemplo disso é Fortaleza, que por meio de Edital, a prefeitura, por intermédio da Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), vem incentivando projetos, premiando cada um deles, além de garantir toda a logística da mais popular e democrática das festas.

Além disso, os blocos, que não são contemplados pelo edital, recebem também apoio logístico e divulgação.

O resgate da tradição, com bandas de sopros e metais, charangas e percussão e no repertório, frevos, marchinhas, xotes e sambas-enredos dão uma mostra de que o exemplo pode ser seguido pelos outros estados, a exemplo de Pernambuco que nunca deixou a tradição morrer.

Alagoas poderia adotar isso também. Em União dos Palmares, a gente tem agora só a opção da Pra Basiliano Sarmento, o Carnaval de clube acabou e as bandas que se apresentam na praça até tocam frevo, mas o que predomina são as músicas de forró-malícia.

Triste mesmo é a gente ouvir, nas rádios e nos shows, as músicas ‘Tarraxinha’, ‘Vou não posso não minha mulher não deixa não’ e outras pérolas do mesmo nível que também serão hits tocados no nosso Carnaval. Lastimável isso!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Santa Maria Madalena reúne milhares de fiéis em União

Fotos de Olívia de Cássia
Olivia de Cássia – jornalista

Dois de fevereiro, último dia da festa de Santa Maria Madalena, em União dos Palmares. Cada ano que passa mais gente segue a procissão. Este ano teve uma inovação: antes da procissão uma banda tocou músicas religiosas e empolgou muita gente que estava na Praça Basiliano Sarmento, à espera da saída das charolas dos santos, principalmente a de Santa Maria Madalena, padroeira da cidade, principal homenageada.

Fotografei o que pude e ao longo da semana vou disponibilizar flagrantes da festa, já que estou sem computador em casa. Acompanhei a procissão até o fim, mas de volta à igreja não pude entrar por conta do tumulto que se formou dos fiéis, dentro da igreja, depois da procissão.

As charolas voltam para a igreja e o povo invade, para ‘depená-las’ e tirar todas as flores que serviram para ornamentar, principalmente a de Santa Maria Madalena; acreditam que são flores abençoadas e que vão lhes trazer sorte.

Eu nunca tinha presenciado a cena da charola de Santa Maria Madalena voltando para a igreja de costas e sendo aplaudida e homenageada com papel picado prateado. Uma cena linda, emocionante, que me levou às lágrimas.

Fiz meus pedidos pra ela, para que interceda junto ao Pai e me ajude nas minhas dificuldades, que este ano serão muitas. Precisarei de muita força e de muita saúde para seguir minha rotina.

As noites de festa agora só começam tarde. O povo só chega à praça depois das onze horas. Antes não era assim. Começava cedo e no dia 2, depois dos fogos, meus pais iam pra casa. Esse ano nem fogos teve, muita gente lamentou isso. É um espetáculo tão bonito. As atrações musicais começam a tocar muito tarde nos últimos anos e o povo amanhece o dia na praça.

Às dez horas dessa quarta-feira os palmarinos começaram a chegar na praça. Eu cheguei pouco depois das nove horas, para observar o movimento. A festa agora está mais profana e menos religiosa, muitos católicos reclamaram disso também e do som que está muito alto e não permite que se converse durante os shows.

Teve gente que foi embora depois da procissão e reclamou porque o comércio local não fechou, como antigamente. No dia 2, nas décadas de 60, 70 e 80, era um dia em que as famílias se confraternizavam, recebiam visitas de fora e passava o dia comemorando até a hora da procissão.

Lá em casa mamãe sempre fazia uma buchada e meu irmão Petrúcio convidava os amigos dele do Banco do Brasil para participarem dos comes e bebes. Era o único dia que permitia essas festas lá em casa, porque quando eu queria fazer ‘assaltos’ com meus amigos era a maior confusão. Uma vez ela viajou e eu inventei de fazer uma festinha lá em casa e quando ela chegou e soube eu levei uma surra danada.

As propagandas dos patrocinadores também evoluíram com o passar dos anos. Antes eram apenas anunciados os patrocínios pelos locutores, no serviço de alto falantes de Maurino Veras, ou depois, com Lourdinha e Kleber Marques, ou por meio de faixas.

A comunicação como um todo em União acompanhou a modernidade, a evolução dos tempos. União dos Palmares entrou de vez na era da modernidade, com rádios, sites, blogs e outros meios de informação. Espero ano que vem ainda ter saúde e poder participar de novo, desse que é o maior evento da região.