quarta-feira, 30 de abril de 2014

Se eu tivesse um amor...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira


Se eu tivesse um amor,
Daqueles amores
que são verdadeiros,
Com gosto de manhã
preguiçosa,
Amor com confiança e lealdade,
Eu queria que fosse eterno...
Se eu tivesse um grande amor
Eu queria que fosse
daqueles amores 
Que andam 
de mãos dadas pelas ruas
Até a velhice chegar,
sem se importar
com o mundo lá fora.
Um dia eu sonhei 
com um amor assim...
Se eu tivesse um amor...


terça-feira, 29 de abril de 2014

Querer...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Queremos às vezes 
o impossível  para ser feliz
Mas o que basta para isso,
às vezes está ali,
ao nosso alcance; 
mas vivemos brigando,
Querendo o que já não dá para ser.
Caso terminado, 
acabado, não tem jeito.
Não vale a pena o engano, o sofrimento.
Para ser feliz,  
basta estar bem, basta querer...
Deixar que a brisa mansa 
nos  beije o rosto,
Nos encante e nos mostre
o caminho, do bem.  

Vejo em cada olhar...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Cada olhar tem um significado,
O significado da vida.
Cada olhar é único, profundo,
Sombrio; de mil significados.
Cada olhar pontua uma dor,
Uma alegria e um desejo.
Eu vejo em cada olhar
Uma possibilidade,
de ser eu mesma.

E de repente...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

E de repente vem a luz
Que te mostra o caminho,
Para que a gente não continue
A percorrer por trilhas
Sem limites, Inúteis;
E de repente as lágrimas se foram,
O sorriso brotou no meu rosto
Fiquei mais forte e mais segura,
Já não tenho aquela dependência
Emocional que tinha antes.
Sobrevivi à tempestade,
às armadilhas da vida,
ao caos Interior...
E de repente vem ...

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Apesar de não ser tratada como doença, Síndrome da Pressa afeta 30% dos brasileiros

Olívia de Cássia – Repórter
(Imagens: ilustração internet)

A síndrome da pressa é um problema psicológico e comportamental que acontece com várias pessoas da atualidade. As pessoas costumam dizer que 24 horas é pouco tempo para realizar tantos afazeres.  

As características típicas da síndrome são: tensão, hostilidade, impaciência ao esperar, valorização da quantidade e desvalorização da qualidade, sono agitado, inadmissão a atrasos, busca por substâncias que controlam as emoções, interrupção da fala de terceiros, passos rápidos e outros.

Segundo estudo realizado pelo Internacional Stress Management Association do Brasil (Isma-BR), entidade que estuda os efeitos do estresse, o transtorno já atinge 30-% dos brasileiros. O problema não constitui uma doença, mas uma série de comportamentos que altera significativamente a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos.

A síndrome da pressa não é reconhecida e nem classificada na psiquiatria, porém é conhecida e estudada desde 1980.  Alguns especialistas a definem apenas como um processo acelerado de estresse. Desde os primeiros estudos são detectadas alterações na autoestima e na confiança do apressado, pois normalmente busca realizar uma quantidade de tarefas quase impossível.

Dessa forma, os sentimentos de frustração, autocobrança e incapacitação podem acarretar em outros problemas mais graves. Ilana Rodrigues, graduanda em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas, observa que diante do modo de organização social da sociedade moderna, que preza pela competição, a sobrecarga e a rapidez, a pressa é um mal necessário.

“E é a partir dessa realidade que tem aumentado gradativamente o índice de pessoas que sofrem da Síndrome da Pressa que está diretamente ligada ao estresse e apesar de não ser uma doença é um padrão de comportamento que altera significativamente a saúde e a qualidade de vida do indivíduo”, observa.

Segundo Ilana Rodrigues, apesar de a síndrome da pressa estar relacionada ao estresse em estágio avançado, os problemas têm origens diferentes: “Enquanto o estresse avançado é uma reação física e psicológica a uma situação ameaçadora ou angustiante, a síndrome da pressa é desencadeada por um conjunto de comportamentos que o indivíduo traz o estresse para si”, destaca.

Os especialistas avaliam ainda que a pressa constante pode acarretar uma série de doenças, dentre as quais, a depressão, transtornos alimentares, insônia, distúrbios gástricos, hipertensão. “Em algumas situações e profissões a pressa é um elemento importante, mas a partir do momento que ela deixa de ser necessária e se torna exigida, isso passa a ser um problema. Ou seja, quando o indivíduo começa a achar que para ser competente naquilo que faz é preciso fazer com rapidez”, ressalta. 

A psicóloga destaca ainda que muitas pessoas gostariam de diminuir o ritmo, mas não podem. Isso porque a maioria das empresas exige produtividade. “Além da carga de trabalho, ainda há a pressão de cumprir prazos, atingir metas e níveis de qualidade. Nesse contexto, como não ter pressa? A principal dica é tentar buscar um equilíbrio, priorizando momentos em que é realmente necessário acelerar, com outros em que é possível ter um ritmo mais lento”, ensina.

Segundo os especialistas, a mudança da rotina é a única forma de inibir a síndrome da pressa, já que essa ainda não tem tratamento específico, a não ser se estiver ligada à ansiedade ou a altos níveis de estresse. “Para melhorar a qualidade de vida e conseguir dar uma freada na pressa é importante relaxar com músicas leves, observar a natureza, dedicar-se mais à família, realizar tarefas fora do contexto diário, organizar as tarefas diárias priorizando as mais importantes, dormir no mínimo oito horas e alimentar-se de maneira saudável”, observa.

EXEMPLO

A comerciária Josicleia Macário, residente no bairro da Jatiúca, em Maceió, é um exemplo de pessoa que tem a Síndrome da Pressa. Ela conta que já consultou vários especialistas, mas o problema foi sempre tratado como estresse em alto grau, devido às tarefas que tem que desempenhar diariamente, no trabalho e em casa.

Josicleia conta que o último médico, um psiquiatra, receitou remédios controlados que a estava deixando muito pior. “Deixei de tomar os remédios, resolvi adotar outro tipo de vida para mm e meus filhos; corro menos, procuro ser mais flexível com os horários, mas ainda tenho pressa: tenho quatro filhos em idade escolar; preciso acordar cedinho para aprontá-los, deixar tudo em ordem para levá-los à escola e depois sigo para o trabalho, mas conto com a colaboração da minha mãe”, destaca. 

O alagoano Valdei Marinho de Omena disse que é muito apressado: “Acordo já com pressa; e a mulher já está com o café pronto; vou para o trabalho, brinco com todo mundo, mas acho que pressa me atrapalha um pouco a vida; nunca procurei um médico para saber se essa pressa constitui um problema; além disso, eu falo muito”, conta sorrindo.

LAZER

Os psicólogos avaliam que o primeiro passo para lidar com essa situação é admitir e entender o problema. O segundo é querer mudar. “Se a pessoa perceber que a pressa está prejudicando seu desempenho e sua qualidade de vida, então é hora de mudar sua postura”, diz Rossi. 

A mudança da rotina é a única forma de inibir a síndrome da pressa, já que essa ainda não tem tratamento específico. Para tanto vale técnicas de relaxamento, exercícios de respiração, atividades físicas e de lazer, ioga e psicoterapia ou outros meios que ajudem a pessoa a relaxar e desacelerar.

Carl Honoré, criador do movimento Slow (devagar, em inglês), conta que tomou consciência do ritmo que estava vivendo quando se viu comprando um livro infantil chamado Contos de 1 minuto. “Minha pressa estava fora de controle e eu estava desperdiçando momentos preciosos com meus filhos”, diz ele.


“É preciso questionar a pressa e buscar ver a beleza da lentidão. A vagareza se tornou uma palavra feia porque nós criamos uma ‘teologia’ da velocidade", comenta. "A velocidade é inquestionavelmente boa, mas, quando a valorizamos demais, acabamos depreciando sua contraparte, a vagareza, e criando um tabu. Só que isso não é verdade. As melhores coisas na vida são feitas devagar", analisa. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ainda há tempo...

Olívia de Cássia – Jornalista

O mês de abril já vai acabando, mas ainda é tempo de lembrar as comemorações no país pelo fim do golpe militar de 64, ocorrido em 31 de março ou 1º de abril para outros. Eu era criança, tinha quatro aninhos quando se deu o fatídico, mas lembro que meu pai tinha muito medo que saíssemos de casa.

Fui crescendo com essa ideia de proibições no juízo e isso me inquietava, nunca gostei que me proibissem de fazer alguma coisa, porque isso me impulsionava á curiosidade e à desobediência e fui me colocando contrária às proibições, muito embora eu não entendesse o que se passava no País.

Com o passar dos anos, aquelas campanhas políticas foram me envolvendo, por influência do meu querido e saudoso pai; no país e só tinha dois partidos: Arena e MDB. A Arena arregimentava os partidários do regime e conservadores e o MDB os democratas, comunistas, intelectuais e libertários da época e comecei a simpatizar com ele, embora não tivesse compreensão do que fosse aquilo na verdade.

No começo, meu pai, muito mais por temor de que viesse a lhe acontecer algo, votava na Arena; com o tempo, ele foi tomando gosto pela política e passou a votar nos candidatos do MDB. Gostava de ficar no viaduto próximo à pracinha do cinema, para conversar com os amigos sobre conjuntura política e saber das novidades da cidade, pois não tinha muita opção naquela época.  

Eu amava ir com meu pai aos comícios, segurando bandeirinhas simplórias e faixas daqueles candidatos do meu pai (incluindo e principalmente do nosso primo Afrânio Vergetti, o preferido de seu João).
Do golpe militar e de sua torpe história só fui entender mesmo, para falar a verdade, quando já estava na faculdade, porque no ensino fundamental e médio, pouco ficávamos sabendo das tramoias dos militares no país.

Nossa turma adolescente também não se importava muito por política, apesar da rebeldia da idade e do gosto pela contestação; éramos influenciados pelo movimento hippie, roqueiros  e libertários. Éramos contrários às imposições da época, àquelas proibições, mas sem um entendimento mais profundo do que fossem e do que significassem.

Ficávamos sabendo, uma vez ou outra, que as pessoas que se contrapunham ao torpe regime, desapareciam como num passe de mágica ou eram consideradas terroristas e inimigas da nação. Para ser mais resumida podemos nos situar em algumas lideranças de nosso Estado que, inconformados com o que se passava no país, foram consideradas inimigas da nação, como o jornalista Jayme Miranda.

Este ano fiz questão de prestigiar o ato show que lembrou o fim do regime e um filme passou pela minha cabeça. Lembrei da minha época de faculdade, pois quando passei no vestibular, a primeira orientação da minha mãe foi que eu tivesse cuidado com os comunistas. E para ser autêntica, foi com quem primeiro tive contato na Ufal: todos os colegas do PCdoB, comunistas e revolucionários, por quem tenho um imenso carinho até hoje, apesar do distanciamento do dia a dia.  

E foi no contato com os comunistas que comecei a ler Máximo Gorki; Mark, Lenin, Trotski, entre outros socialistas. Mas, pensando bem,  como eu sempre gostava de ler, desde a mais tenra idade; aos 14 anos eu li o Diário de Anne Frank e comecei a me inquietar com algumas questões a partir dali.

Eu não era uma adolescente totalmente alienada, porque sempre gostei muito de ler. E lia tudo que me chegasse às mãos: Os Sertões, Memória do Cárcere, Vidas Secas e tantos outros romances que começaram a me inquietar o juízo. E muito por isso, alguns pais de amigas minhas, irmãos e namorados aconselharam que se afastassem de mim ‘porque eu era muito sabidinha e gostava de ler’.

Que nunca mais se repita no Brasil aqueles anos de aflição e desespero; defendo a democracia em toda a sua totalidade, com erros e acertos. Que nunca mais tenhamos que abdicar da nossa forma de pensar e de nosso olhar crítico diante das injustiças. Viva a liberdade, salve a democracia.

Não sei o que dizer...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Não sei o que dizer,
quando não sei
entender ou decifrar
minhas emoções.
Um misto de saudade
Ou de contentamento.
Por ter me permitido viver.
Não quero sentir raiva
dos outros instantes,
O que passou,
tinha quer ser vivido:
assim estava escrito,
Nas tábuas da lei da vida...
Não sei o que dizer...

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Em cada canto...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Em cada canto que eu vou,
Levo comigo as boas lembranças.
Dos encontros da juventude,
Dos amigos que já se foram,
Da liberdade sonhada e vivida,
Das tardes de brincadeiras,
E grandes jornadas,
Das noites de poesia e magia,
Das músicas que partilhávamos juntos,
De todas os sonhos vividos...

Em cada canto que vou...

domingo, 20 de abril de 2014

Belezas do Rio São Francisco atraem turistas de vários estados e países

A preservação da história e da cultura, em Piranhas, a imponência da usina de Xingó e o lago represado encantam os visitantes

Olívia de Cássia – Repórter
(Texto e fotos)

As belezas do Rio São Francisco, no Estado de Alagoas, proporcionam o crescimento do turismo regional, atraem visitantes de vários estados e países e comprova aquela máxima de que o turismo não se resume apenas à beleza de nossas praias e lagoas. A reportagem da Tribuna Independente foi ao Sertão  e constatou que o turismo na região está crescendo e que o Nordeste não é só de sofrimento, terra árida e seca.

Em Piranhas, um pequeno município de pouco mais de 20 mil habitantes, localizado no oeste do estado, o visitante pode: além de fazer passeio de catamarã,  ter a oportunidade de saborear delícias da culinária local, além de fotografar a cidade, que preserva sua cultura e sua história. O município está localizado entre o Rio São Francisco e montanhas rochosas e arenosas; foi reconhecido como patrimônio histórico nacional pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan.  

No centro cultural da cidade, a prefeitura construiu uma praça para homenagear o cantor Altemar Dutra. “Altemar era um apaixonado por Piranhas e sempre que podia estava aqui e por isso a prefeitura mandou edificar uma estátua em sua homenagem e construir essa praça”, explica Márcio Nascimento, coordenador da excursão e empresário de receptivo.  

Márcio Nascimento, que levou um grupo de 15 pessoas para conhecer o Sertão, explica que a cidade ficou nacionalmente conhecida por ser o local onde a cabeça de Lampião ficou exposta após a decapitação. “Em Piranhas também foi rodado o filme Baile Perfumado, com o mesmo tema do cangaço. No museu da cidade o visitante pode ainda ver várias fotos de Lampião”, ressalta.

A cidade histórica tem tudo muito preservado: limpeza das ruas, casario antigo e conservado, a velha estação, com a Maria Fumaça, que está exposta na praça para que o turista leve de lembranças muitas fotos, e ao lado a beleza do Rio São Francisco.

Piranhas também tem uma igrejinha lá no alto de um morro; mirantes de onde é possível ver toda a cidade histórica e fazer belíssimas fotos. Márcio Nascimento explica que a cidade  oferece passeio de catamarã pela chamada Rota do Cangaço. “E para quem gosta de apreciar a natureza e caminhar por trilhas, uma opção imperdível é a fazenda Mundo Novo, o primeiro parque temático da caatinga do Brasil, também localizada no município de Canindé do São Francisco, em Sergipe”, pontua.

XINGÓ

A reportagem aproveitou o passeio para conhecer a Usina Hidrelétrica de Xingó, uma das mais importantes do país e que está levando melhorias à região.  A visita começa com a sala onde está entalhada em madeira a maquete da usina, de tamanho 500 vezes menor que o da original. Depois uma guia de turismo da empresa nos leva para um passeio para conhecer as barragens de desvio e as turbinas da usina.

 “É impressionante a grandeza da hidroelétrica: são seis turbinas. A usina é responsável pelo abastecimento de 25% da energia consumida pelo Nordeste”, explica a funcionária, que vai aos poucos fazendo um relato de como foi construída e o que foi preciso ser feito na região para que se adaptasse à construção.

Passeio pelo lago represado provoca emoções e aplausos

O passeio pelo lago represado pelas águas do Rio São Francisco, com a construção da Usina de Xingó, emociona e leva os turistas a aplaudirem o cenário.  “O sertão nordestino precisa apenas de um olhar especial, aplicação correta dos investimentos federais e políticas voltadas ao homem do campo”, observa amineira Márcia Ranulfo.

Ela estava a bordo do catamarã Luiz Gonzaga, fazendo o passeio;  Márcia Ranulfo, assim como outros turistas que estavam no barco, ficou encantada com o que viu: “É uma emoção indescritível isso aqui; uma beleza estonteante, difícil de a gente descrever. A gente vai se aproximando dos paredões e a emoção aumenta; em pensar que a natureza levou milhares de anos para esculpir essa maravilha”, pontuou.

Durante o passeio, um marinheiro vai explicando ao microfone as características do local: o catamarã Luiz Gonzaga tem porte para receber 250 turistas, distribuídos em dois pavimentos, um restaurante a bordo, músicas regionais que vão dando o clima para quem está no passeio. Aos poucos, o barco vai avançando pelas águas esverdeadas e transparentes do Velho Chico, mostrando as belezas lapidadas há milhares de anos e que parecem foram colocadas lá pelas mãos do próprio homem.

“O cânion do Rio São Francisco é o quinto maior do mundo e o maior em extensão navegável; possui águas verdes e transparentes e apresenta uma profundidade de até 170m e extensão de 65km e uma largura que varia entre 50 e 300 metros. As rochas das encostas são de granito avermelhado e cinza. Destaca-se nessa área o riacho do Paraíso do Talhado e o Morro dos Macacos”, explica o marinheiro.

O catamarã Luiz Gonzaga também tem medidas de segurança e logo no começo do passeio uma moça, por meio de gestos e com ajuda do marinheiro, vai ensinando como usar o colete salva-vidas, que fica disposto para os tripulantes usarem em caso de emergência.

Fernando Monteiro estava com um grupo de sete pessoas, vindas de São Paulo, chegou a Alagoas tinha dois dias e um pouco tímido falou da beleza do passeio; “Só falta o sol”, disse ele, ao olhar o tempo nublado e quente, com sensação térmica de 40 graus no barco.

A estudante Márcia Ramiro, da Paraíba, disse que gostou de tudo no passeio, inclusive de conhecer a hidrelétrica do Xingó. No catamarã ela disse que deseja voltar, assim que tiver oportunidade, para fazer o mesmo passeio.

PLATAFORMA


Chegando à plataforma, depois de uma hora de passeio, o catamarã dá uma parada de mais uma hora para o banho e quem se dispõe vai de barco pequeno até umas cavernas que existem entre um paredão e outro. No pequeno barco o passeio custa R$ 5. Na volta, o locutor-marinheiro vai dando mais explicações sobre o passeio.

“Calcula-se que os paredões, acima das águas, têm mais de cem metros de altura.  Alguns pesquisadores avaliam que em milhares de anos a área foi mar, que depois recuou e levou a parte amolecida e deixou os paredões com as formas que tem hoje”, explica.


O marinheiro ressalta que antes do represamento das águas do Velho Chico, o local era um riacho de apenas três metros de profundidade. “Depois, com a construção da usina de Xingó, o rio foi represando e tem uma profundidade de 120 metros e nem assim o rio chegou aos paredões”, conclui o marinheiro.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O descrédito do eleitorado

Olívia de Cássia – jornalista

Estamos vivendo um período na vida política brasileira, onde o total descrédito do eleitorado nas lideranças políticas tomou conta da população de tal forma, que todos foram igualados à mesma vala comum. Há um abismo profundo entre a sociedade e os que deveriam representá-la e fica difícil desfazer essa imagem, por mais que se queira, diante das evidências, muito mais agora, com as redes sociais e a internet. 

Além dos escândalos políticos dos últimos meses e do distanciamento do eleitor, os legisladores brasileiros contribuem para piorar a sua péssima imagem. Segundo uma pesquisa do Ibope, divulgada recentemente em uma revista nacional, uma imensa parcela de brasileiros (84%) acha que os parlamentares trabalham pouco e 52% consideram que não passa de 10% o número de bons deputados e senadores do país.

Ainda segundo o estudo, mais constrangedor do que isso, só os adjetivos que os entrevistados selecionaram para classificar os seus representantes. Pela ordem: desonestos (55%); insensíveis aos interesses da sociedade (52%); e mentirosos (49%)”. E ainda mais: “só pensam neles e no voto, não fazem nada que seja sem segundas intenções”. Na avaliação do sociólogo Demétrio Magnoli, os números são fruto do atual estado de degradação moral do Parlamento.

Quem tinha um discurso de oposição, passou a ser governo e termina utilizando as mesmos subterfúgios espúrios de seus adversários;  práticas que eram criticadas no passado e que agora são justificadas dizendo que quem estava no governo antes também o fez. Ora, ora, meus leitores: na minha avaliação um erro não justifica o outro. E agora o pecado virou uma rotina considerada ‘normal’.  E o eleitor fica como nesse imbróglio todo?

O jogo político é duro, todos sabem: uma eleição exige muito jogo de cintura, negociações, acordos e ‘custa os olhos da cara’. E cada um vai buscar recursos no lugar que encontra mais facilidade, nas negociatas e acordos  muitas vezes nem tão puros.

E aí é onde entra a discussão da necessidade de uma reforma política no país, já defendida por alguns democratas, em que o financiamento público de campanha entra em discussão;  questão que vem se arrastado no Congresso Nacional, pois é muito mais fácil empurrar com a barriga assuntos espinhosos, principalmente em ano eleitoral.

Em um de seus pronunciamentos na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em Brasília, a deputada federal Jô Morais (PCdoB-MG) falou sobre a ‘Perspectiva de superação das dificuldades, para avanço da participação feminina nas instâncias de poder no País’ e disse que a legislação política eleitoral do País serve às elites, aos que têm o poder econômico.

Uma assertiva que já conhecemos bem de perto. Ela também disse que o desafio maior do mundo político é fazer uma reforma política que efetivamente “retire e desmonte o maior eleitor deste País, que é o poder econômico, e construa listas fechadas, preordenadas, financiamento público, para que as mulheres possam, como os trabalhadores, os negros, os camponeses, participarem do debate político neste Poder”.

  Não conheço o tema a fundo,  mas avalio que a sociedade deveria ser chamada para discutir o tema e evitaria o financiamento de usineiros e grandes empresários para os políticos. O estranho é quando esses parlamentares que são beneficiados com o poder econômico fazem discursos falsos para quem não os conhecem, desbancando usineiros, latifundiários, representantes do capital.

Nesse caso não dá para a gente acreditar em certas figuras tarimbadas e espertas, que tentam ludibriar o pobre eleitor, que mal conhece o bê-á-bá da política, mas que também não é burro de canga e corda e não deve ser ignorado. Alguns eleitores avaliam que para acabar com a corrupção no país deve-se votar nulo, mas a gente sabe que isso não funciona, pois alguém tem que comandar os destinos da nação.

Eu avalio que a educação e conscientização do povo são os primeiros passos. A partir do momento em que a população se interessar pelas informações a respeito de política, economia, entre outros e cultivar o hábito da leitura, procurando entender o que está acontecendo, avaliar suas consequências e conhecer os autores dos atos ilícitos, o voto será seletivo, ou seja, políticos conhecidamente corruptos jamais serão eleitos novamente.

Mas essa conscientização da população é um processo lento e trabalhoso, as eleições estão chegando: procuremos aproveitar bem nosso voto elegendo pessoas de moral ilibada, ou que pelo menos sejam menos trapaceiras, que possuam valores inalienáveis ao ser humano. Já é um passo.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Empresa do Ceará é contratada para fazer demolição de silo

Foto de Sandro Lima
Olívia de Cássia - Repórter

No final da tarde de ontem, o Grupo Motrisa distribuiu nota à imprensa informando à população alagoana que a empresa cearense contratada para a remoção do silo desabado no último dia 7 de abril já se encontra em Maceió. Dois profissionais, um calculista e um engenheiro fizeram estudos técnicos necessários para a demolição, durante todo o dia.
Segundo Rafael Benedict, de acordo com o cronograma da empresa, na quarta-feira (16 de abril) os laudos técnicos junto com a documentação serão entregues a todos os órgãos competentes (Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, entre outros). “A partir daí, após a análise dos órgãos competentes será definido o dia da demolição do restante do silo, com a presença do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil”, observou.
Também no dia de ontem, os moradores vizinhos do Moinho se reuniram com advogados da empresa para pedir providências com relação as demandas ainda não atendidas. Segundo Rafael Benedict, a principal reivindicação feita pelos moradores é sobre o retorno deles para suas casas ou para imóveis providenciados pela empresa.
Ele destaca que o Moinho Motrisa está tentando agilizar a volta dos moradores  e do comércio para o local onde o risco de desabamento é bem menor, mas a liberação depende da autorização da Defesa Civil, que deve avaliar se é seguro o retorno.
No total, 26 famílias foram afetadas pelo desabamento e parte delas está hospedada em um hotel disponibilizado pelo Moinho. Mas, da mesma forma que as pousadas e hotéis que alguns moradores estão já estavam com reservas feitas para o feriado da Semana Santa, eles vão sair para se instalarem em casas alugadas com mobília pela empresa, que também contratou uma assistente social para dar auxílio aos que foram prejudicados com o acidente.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Minha mensagem para hoje

Olívia de Cássia - jornalista

É verdade que nosso país tem infinitos problemas, passamos por situações políticas diversas, mas temos uma democracia, que não é a ideal ainda, mas estamos aprendendo como se faz, aos poucos, pois o país viveu por muitos anos um período de exceção, onde não se podia sequer falar dos problemas e muito menos criticar quem estava no poder.

Jornais foram empastelados, jornalistas e democratas mortos e encarcerados, famílias foram destruídas pela falta de democracia no país e pouco se sabia do que se passava nos porões e nas dependências do DOI-Codi. E quando se denunciava as perseguições,  a pessoa era perseguida e morta misteriosamente.

Depois de muitas lutas e reivindicações dos movimentos populares o país conseguiu eleger o seu primeiro presidente pelo voto direto e de lá para cá tem sido um aprendizado constante. Não podemos abrir mão da liberdade conquistada a duras penas.

Os mais jovens não sabem disso, mas podiam muito bem conhecer a história do país por meio de leitura e também da própria internet, onde estão disponibilizados milhares e milhares de textos sobre o assunto.

É preciso que as pessoas conheçam primeiro a história do seu país e sua língua, para poder ter argumentos para criticar quem quer que seja. Vamos pensar nisso e adotar uma postura coerente.
Que sejamos  mais otimistas diante do caos, que sejamos propositivos e menos arrogantes. 

Que marchemos nas fileiras daqueles que querem ver um país melhor e mais justo, apresentando propostas de melhorias e não apostando naquela velha máxima do ‘quanto pior melhor. Esta é a minha mensagem de hoje.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Tolerância zero para a violência

Olivia de Cássia – jornalista

Todo e qualquer tipo de violência deve ser contestado: desde a violência física, psicológica, à política, mas eu não poderia deixar de falar essa semana, novamente, sobre a violência contra a mulher, que voltou à pauta dia, desde a divulgação da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), referente a 2013, que  reflete o conservadorismo da sociedade brasileira,  muito mais com relação à questão.

A violência é algo que se deve combater todos os dias, sem trégua, bem como toda a forma de opressão, avalio eu, no meu aprendizado diário.  Ao longo dos séculos estudiosos divulgaram textos relatando a questão de gênero, desigualdade social e o quanto as mulheres lutaram e ainda perseguem viver num mundo melhor e mais justo.

Muito já se falou e já se debateu sobre a violência contra a mulher no país (crianças, jovens e adolescentes), mas ao invés de os números reduzirem, têm se multiplicado consideravelmente e a gente não pode ‘baixar a guarda’. Temos que denunciar isso todos os dias, em cada minuto de nossa existência, para extirpar esse câncer da sociedade, não podemos nos conformar com esse estado de coisa.

Já escrevi nesse espaço vários textos sobre o mesmo tema, mas a minha indignação só aumenta à medida que vejo tantos casos se reproduzirem no país e principalmente em nosso Estado. Voltando à pesquisa "Tolerância social à violência contra mulheres" divulgada pelo Ipea, o instituto concluiu que 65,1% dos entrevistados acreditam que a vestimenta curta de uma mulher é motivo para a violência sexual.

O levantamento também apontou que 68,5% das pessoas consideram o comportamento feminino influência nas taxas de estupros.  Esse resultado causa-me espécie e me deixou embasbacada. Segundo os autores do estudo, muitos entrevistados veem o estupro como medida corretiva.

“As respostas dão a ideia de que a mulher merece e deve ser estuprada para aprender a se comportar”, diz um trecho do estudo. Meu estômago revirou diante de tais resultados. Depois de muitas críticas, o Ipea fez uma retratação quanto ao levantamento e reduziu de 65% para 26% o percentual de entrevistados que culpa a mulher pelos casos de estupro.

Mas apesar da redução, muitas lideranças ficaram ‘de orelhas em pé’  duvidando da credibilidade da pesquisa. Maurício Tuffani,  editor do blog Universidade, Ciencia e Ambiente, disse que a errata do documento  por meio de nota oficial do Ipea não pode ser considerada uma correção da questão à qual ela se refere.

“Na verdade, não há o que fazer para dar credibilidade a essa tentativa de estudo sobre o problema grave da sociedade brasileira da tolerância de agressões contra mulheres”. Segundo Tuffani, no estudo houve expressões de duplo sentido também em pelo menos outras três das 27 sentenças apresentadas a 3.801 pessoas entrevistadas na pesquisa.

“A presença de expressões ambíguas nessas quatro questões que figuram entre as mais cruciais para o objetivo do estudo impossibilita qualquer possibilidade de "salvar" o trabalho realizado pelo instituto”, observa.

Segundo o blogueiro, não há como obter nenhuma conclusão cientificamente válida do uso da afirmação "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". “As palavras "merecem" e "atacadas" induzem a interpretações diferentes dessa sentença”, diz. 

O que se sabe é que o número ainda é alarmante e muito ainda deve ser feito para tentar erradicar os casos de violência contra a mulher no Brasil. As mulheres devem ter seus direitos respeitados, e é importante discutir o assunto em escolas públicas para fazer o debate entre a juventude.

Que adultos iremos ter no país nas próximas décadas, com esse tipo de pensamento? O que é possível ser feito se não houver debate sobre essa temática nas escolas e nas comunidades, no sentido de conscientizar principalmente os mais jovens? Vamos pensar sobre o tema hoje?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Causa do acidente ainda não foi esclarecida

Olívia de Cássia – Repórter
(Foto: Tribuna Hoje)

A causa do desabamento de um dos silos do Moinho Motrisa, na Avenida Comendador Leão, na tarde de segunda-feira, 7, ainda não foi esclarecida . Segundo o assessor de Marketing da empresa, Rafael Benedict, as famílias que foram retiradas das casas estão sendo assistidas e foram deslocadas para hotéis da Pajuçara e Ponta Verde, em Maceió.
Os proprietários das vinte e três casas da Vila Nossa Senhora do Carmo, local mais atingido pelo desabamento de uma das torres, serão indenizados e Rafael Benedict observou, no final da tarde de ontem, que muita informação está sendo passada sem ter veracidade. “O Moinho Motrisa está dando e dará toda a assistência aos moradores”, pontuou.
 Segundo o assessor de Marketing, não foi confirmado se a causa do desabamento teria sido uma explosão. “Quem vai dizer e o laudo técnico, que deve ficar pronto em alguns dias; é difícil explodir um moinho e ainda é muito cedo para dizer; a reunião desta tarde deverá tirar as estratégias e ações a serem tomadas daqui por diante”, disse.
 Sobre possíveis prejuízos que o desabamento tenha causado  à empresa, Rafael observou que nesse momento o mais importante é dar assistência às famílias, acomodando  o pessoal primeiro.
MP
 A reportagem da Tribuna Independente ligou ontem à  tarde para o Ministério Público Estadual (MPE) para saber se a instituição vai abrir investigação sobre o caso. A assessoria informou que o procurador Sérgio Jucá está viajando, mas  a informação é a de que a priori o MP não vai interceder, a não ser que seja provocado.
“O MP vai aguardar a relatoria do inquérito e se for solicitado, o procurador geral do Estado, (Sérgio Jucá), designará  um promotor”, observou.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Desabamento no Moinho Motrisa causa tumulto e deixa trânsito congestionado

Tribuna Hoje (foto)

Olívia de Cássia – Repórter

O desabamento de uma das três torres do Moinho Motrisa, na Avenida Comendador Leão, no bairro do Poço, na tarde de ontem, causou pânico e susto aos moradores da região e adjacências, soterrando carros e pessoas e causando tumulto. 

O acidente mobilizou várias viaturas do corpo de Bombeiros, moradores, Serviço de  Atendimento Médico de Urgência (Samu), Bope, Polícia Civil e outras unidades foram acionadas.

Segundo informações que circularam no local, na hora do acidente o sinal do cruzamento da Avenida Comendador Leão estava fechado e a confusão se estabeleceu. O trânsito foi desviado e os curiosos e a imprensa foram orientados a afastarem-se e ficarem longe, porque as outras torres cilíndricas corriam o risco de desabarem também. Há suspeitas de que tenha havido explosão, mas as causas do acidente ainda vão ser apuradas pelas equipes técnicas.

Vagner Falcão é dono de um cartório que fica vizinho ao moinho e disse que ouviu um grande estrondo, que parecia ser de um tsunami. “A ficha ainda não caiu, tinha várias pessoas no meu cartório, mas graças a Deus quem estava no local não foi atingido. Não sei se o acidente danificou alguma parte do prédio, mas todo mundo foi orientado a abandonar o local”, observou.

Seu Pedro Sobral era um dos clientes do cartório de Vagner Falcão e contou que escapou por pouco: “Eu estava no cartório quando ouvi o barulho, graças a Deus que eu não estava no carro;  se eu tivesse lá, tinha morrido, escapei por pouco”, ressaltou. O carro de Pedro Sobral foi danificado pelo acidente.

Seu José Damasceno, um popular que também estava no local, disse que estava trabalhando quando uma das colunas (silo) desabou e teve um susto muito grande: “Foi trigo para todo lado, o barulho ensurdecedor”, disse, entre assustado e nervoso.

A Vila Nossa Senhora do Carmo foi a parte mais atingida pelo acidente no Moinho Motrisa e os moradores foram obrigados a saírem de suas casas.  O jornalista Antônio Torres é morador do local há quarenta anos e estava sozinho quando aconteceu o acidente. A casa dele não foi atingida, mas o jornalista ressaltou que o moinho sempre foi uma preocupação dos moradores, porque já apresentava problemas com rachaduras.

 “Sempre teve problemas, onde tinha uma rachadura eles faziam enxertos até que chegou a esse ponto que é uma catástrofe. Eu estava sozinho, tenho uma pessoa que trabalha comigo, minha secretária, que teve que sair às duas da tarde e minha filha, que tinha almoçado comigo; uma vizinha da primeira entrada do lado esquerdo não estava em casa quando aconteceu, por isso que ela escapou”, disse.

O jornalista observou que o que aconteceu não se sabe e alguma coisa está embaixo desses escombros, e eu torço para que não sejam vidas humanas.  “Quem vai mais garantir que a gente tenha segurança morando aqui com esse moinho desse jeito?”, pergunta.

Antônio Torres disse que um coronel do Corpo de Bombeiros informou que os moradores da região teriam que evacuar o local, todo mundo sair de casa. “Quem tem familiar vai para a casa deles, quem pode deve procurar um hotel e eles vão ter uma avaliação técnica, acredito que até amanhã de como isso vai ficar”. Torres acredita que duas coisas podem acontecer na Comendador Leão: “Ou se mudam os moradores ou esse moinho tem que ser tirado daqui”, pontou.

Dona Geniza Correia de Araújo foi uma das pessoas resgatadas com vida e estava bem, apesar do susto e do nervosismo, mas policiais não deixaram que ela falasse com a imprensa.

A polícia de resgate,  guindastes, carro do Corpo de Bombeiros, máquinas e tratores foram usados para a retirada do trigo que soterrou carros e pessoas. Assim que o acidente ocorreu, em poucos minutos vários vídeos circularam na  internet e um deles foi o de um rapaz identificado como Thiago, que  gritava o tempo todo apavorado dizendo que o carro tinha ficado soterrado.

Policiais solicitavam a todo o instante para as pessoas se afastarem do local, inclusive a imprensa: “Pessoal, se afaste, facilite o nosso trabalho, vocês estão correndo risco ficando aqui, saiam, vão para perto do sinal”, gritavam os policiais.

sábado, 5 de abril de 2014

Jornalistas debatem comportamento de assessorado e assessor

Fotos: Olívia de Cássia
Jornalista Carlos Gonçalves
Oficina fez parte da programação do último dia do 36º Congresso Nacional dos Jornalistas

Olívia de Cássia – Repórter

Neste sábado, 5, no Centro de Convenções Rute Cardoso, em Jaraguá, os jornalistas debateram em oficina, “A complexidade do comportamento do assessorado e do assessor de imprensa diante nas mídias sociais”, no painel ‘O Jornalismo e a Democracia Contemporânea’, no último dia de programação científica do Congresso Nacional dos Jornalistas.

A palestra foi ministrada pelo jornalista Carlos Gonçalves, assessor dos Correios e estudante de psicologia e abordou as várias questões ligadas ao tema. Segundo o jornalista, algumas instituições já estão se preparando e elaborando um manual de conduta do assessorado para atuação nas mídias sociais.

“O manual deve conter os motivos para o assessor usar as mídias sociais (Facebook, Twitter, etc); princípios gerais da conduta, diplomacia e netiqueta; monitoramento dos perfis e canais em mídias sociais; penalidades e consequências do uso incorreto das mídias sociais, que podem resultar em advertência, suspensão e até demissão”, observa.


Carlos Gonçalves ressalta que algumas empresas em Alagoas já estão correndo contra o tempo e elaborando o seu manual, para evitar alguns constrangimentos como os que têm ocorrido, de alguns assessores falarem mal das empresas para quem trabalham.

Durante quase duas horas os jornalistas debateram quais seriam os caminhos apontados daqui por diante com relação à conduta dos assessores nas redes sociais e se é possível dissociar o perfil pessoal do trabalho. Segundo ele, não é possível.

“A internet ficou meio que terra de ninguém; tem gente que tem discernimento, mas outros sem noção. A forma (o manual) não é uma ditadura, é uma maneira de dizer que existem limites e diretrizes, pois existem pessoas que se acham no direito de esculhambar A, B e C e isso já está lhe enquadrando com determinado comportamento”, destaca.

Outra coisa que  o meio já está percebendo, segundo ele, é que alguns partidos políticos já estão fazendo manuais para seus filiados usarem as mídias sociais. “O PT está fazendo uma cartilha para orientar os militantes, as eleições vêm aí e tem que se preocupar com os candidatos ou quem quer que seja, sobre a exposição da sua imagem”, pontua.

Na oficina os jornalistas apontaram exemplos e debateram a respeito das limitações que um manual de conduta pode trazer. Carlos Gonçalves avalia que é necessário bom senso para se utilizar as redes e que os assessores devem se policiar a respeito do que estão postando em seus perfis.

“Não é impossível dissociar a sua conduta pessoal do trabalho que você exerce (no caso dos assessores). Se você está num local, mal vestido ou com conduta não muito adequada, as pessoas não vão te ver como a pessoa tal e sim como fulano, que é assessor da instituição tal. Hoje em dia tudo passa pelas redes sociais, queiramos ou não. É uma mudança de cultura e de comportamento e as pessoas estão fazendo uma viagem. Não se passa nada que não se coloque nas redes numa exposição desnecessária”, argumenta.  

Quem é

Carlos Gonçalves é ex-integrante da Diretoria de Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas;  é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), pós-graduado em Gestão Empresarial, também pela Ufal, e graduando em Psicologia.

Atua como Assessor de Comunicação dos Correios em Alagoas há 20 anos. Há oito anos, leciona na Pós-Graduação de Comunicação e Marketing do Cesmac/AL, onde já ministrou as disciplinas ‘Relacionamento com a Mídia e com o Assessorado’ e ‘Comunicação Interna/Cultura Organizacional’. Atualmente, ministra a disciplina ‘Media Trainning’. Também atua como consultor para profissionais liberais, políticos e empresários.


 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Racismo é institucional e está em todo o sistema de comunicação

Foto: Sandro Lima

Olívia de Cássia – Repórter

Um dos temas abordados no I Encontro Nacional dos Jornalistas pela Igualdade Racial (Enjira) foi a Mídia e o racismo institucional, que teve como palestrante Washington Andrade, diretor do Portal Áfricas, da cidade de Araraquara, São Paulo. Segundo o jornalista, o racismo é institucional e está em todo o sistema de comunicação.

“O racismo é institucional, temos dificuldade de colocar o jornalista negro não só nas redações, como em todas as mídias e também na apresentação de jornais televisivos, pois eles (os empresários de comunicação) argumentam que há muita informação, no cabelo e nas roupas dos jornalistas negros”, observa.

Washington Andrade observa também que é difícil ver nas pequenas mídias o investimento do governo. “O governo continua investindo nas grandes mídias e é difícil a gente ver esse investimento nas pequenas mídias. Estamos discutindo no Enjira propostas que serão aprovadas e encaminhadas no final do evento para vários setores”, destaca.

Entre as propostas discutidas na tarde de ontem pelos jornalistas que defendem a igualdade racial estão: analisar o envio de pautas sobre as mulheres negras nas redações; moção de apoio à manutenção do sistema de cotas na Universidade Nacional de Brasília (UNB); apoio para manter pesquisa crítica e nacional sobre a cobertura racial no Brasil; moção de apoio ao Projeto de Lei que está tramitando no Congresso Nacional, a respeito de cotas nos concursos públicos, entre outras.

O evento contou com a participação de integrantes das Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojiras) de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Alagoas, Paraíba e Bahia, além do Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros do Rio Grande do Sul, que agregam profissionais engajados na discussão da temática, além de representantes dos demais sindicatos da categoria em outros Estados do Brasil.

Todas as propostas discutidas e aprovadas no I Enjira serão encaminhadas para o 36º Congresso Nacional que foi aberto ontem, com uma conferência de abertura ‘Jornalismo para humanizar a comunicação’, ministrada pelo do sociólogo francês Dominique Wolton, doutor em sociologia, diretor de pesquisa do Centro Nacional da Pesquisa Científica (CNRS) na França, seguida de um coquetel de confraternização de boas vindas.

O evento prossegue nesta quinta-feira, 3, às 8h, com credenciamento e uma plenária de aprovação do regimento interno; às 9h, palestra de Celso Schröder, ´residente da Federação Nacional dos Jornalistas, sobre a contribuição histórica do jornalismo para a constituiçãp da democracia.

E agora, o que fazer?

Por Olívia de Cássia E agora, o que fazer? Essa pergunta me veio à baila, antes e depois da aposentadoria por invalidez e em alguns dias q...