domingo, 31 de outubro de 2010

Um grito de vitória pela democracia


Olívia de Cássia – jornalista

Terminada a apuração para a Presidência da República, a candidata Dilma Roussef, do PT, venceu a eleição no segundo turno com 55,59% dos votos válidos no Brasil, equivalendo a 53.582.366, contra 44,28% de seu adversário, José Serra (PSDB). Não foi uma vitória fácil para nossa agora presidenta. Nesse segundo turno houve muita abstenção, em todo o País. Em União dos Palmares, as sessões estavam praticamente vazias durante todo o dia e muita gente apostou nisso, achando que com essa abstenção, ela perderia a eleição.
Dilma enfrentou de tudo nessa disputa, desde acusações por conta do seu passado de luta contra a tirania dos militares, foi chamada pejorativamente de lésbica como se o fato de ela ser ou não homossexual pudesse interferir na sua gestão e outras calúnias e barbaridades que foram espalhadas na internet como uma praga, como a questão da polêmica sobre o aborto e o boato de que não acreditaria em Deus. Esses boatos impediram que fosse eleita no primeiro turno.
Novata nos palanques, Dilma sabe que não é fácil ser mulher nesse país, mesmo com os avanços que conseguimos ao longo dos séculos, mesmo com o avanço da sociedade e com a chegada do século XXI. Ainda há muito preconceito de gênero e isso precisa acabar. Somos a maioria na sociedade, trabalhamos, pagamos impostos, assumimos nossas responsabilidades e temos cidadania para enfrentar qualquer situação.
Por mim essa peleja teria acabado no primeiro turno, pois o País ficou parado à espera desse resultado para resolver algumas questões. Como eu tinha dito antes, dificilmente quem sai na frente no primeiro turno, é derrotado no segundo, mesmo que os que fazem oposição, orientados por marqueteiros e assessores de plantão, façam de tudo para aconteça. Não aconteceu.
De Lula disseram que era analfabeto e que não saberia governar o País. Soube tanto que foi reeleito para o segundo mandato e muita gente ainda queria um terceiro. De Dilma começaram a dizer que é incompetente, feia, arrogante. Economista, essa mulher estudiosa foi presa em 1970, aos 19 anos, passou três anos no presídios e suportou tortura para não entregar os amigos, coisa que muito macho não aguentou.
Dilma é uma mulher de fortes convicções, não abdicou de um projeto que sempre defendeu. Temos agora na história do nosso País a primeira mulher presidente que vai saber honrar, o País todo espera, o mandato que lhe concedeu.
A indicação do presidente Lula foi acatada pela maioria dos brasileiros que aprovam a gestão de Lula em mais de 80%. Fizemos história elegendo por duas vezes um ex-operário vindo da classe trabalhadora, o nosso presidente, e agora elegemos uma mulher indicada por Lula para ser a nossa governante principal.
Aqueles que fizeram de tudo para que ela saísse derrotada dessa disputa agora vão ter que respeitar o resultado da democracia e fazer uma oposição consciente, fraterna e sem apelação. É isso o que esperamos.

sábado, 30 de outubro de 2010




O Brasil vai fazer história neste domingo. Milhões de eleitores e eleitoras vão escolher entre dois projetos de país.

De um lado, o país do passado, de recessão, desemprego e exclusão social, representado pelo nosso adversário. De outro lado, o país que está dando certo, com o povo vivendo melhor, com mais comida na mesa, maior poder de consumo e mais oportunidades na vida, com emprego e salários em alta, e com a mais ampla democracia: o país de Lula e Dilma.

Dilma é a garantia de que o Brasil seguirá mudando para melhor, dando continuidade ao trabalho iniciado por Lula, cujo governo é ótimo ou bom para 83% da população.

A militância dos partidos da Coligação "Para o Brasil Seguir Mudando" está mobilizada e confiante no sucesso do nosso projeto e da nossa candidata. E assim deve ficar até a apuração do último voto: firme, preparada, vigilante e pronta para vencer mais este desafio.

Fique atento a quaisquer irregularidades que porventura tenha conhecimento de agora até domingo. Seja mais um fiscal do voto livre que vai levar a primeira mulher à Presidência da República do Brasil. Abaixo, listas dos advogados e da fiscalização eleitoral nos Estados.


Plantão Jurídico nos Estados/ 2º Turno
Fiscalização nos Estados/ 2º Turno



Equipe Dilma13

Assassinato de animais domésticos


Olívia de Cássia – jornalista

Estou indignada, triste e revoltada com a falta de sensibilidade e a ruindade do ser humano no que diz respeito aos maus-tratos e extermínios dos animais, em especial os animais domésticos. Da mesma forma que fazem com eles são capazes de fazer com qualquer ser humano, sem piedade. Algumas pessoas acham que podem fazer todo tipo de maldade com os animais e passarem impunes na vida. Com certeza vão ter retorno por conta da maldade praticada, eu acredito nisso.
Ontem à noite, dois gatos de rua que os moradores alimentavam, a gata persa de minhas sobrinhas e uma cadela de um vizinho foram envenenados. O veterinário confirmou que colocaram peixe com chumbinho dentro. Todos sabem que o chumbinho é um veneno perigoso que mata os ratos, cuja venda está proibida mas continua sendo comercializado por aí.
Minhas sobrinhas levaram a amostra do material encontrado em frente da minha casa, junto ao saco de lixo. Hoje pela manhã, minha gatinha Nana Caymi, de apenas cinco meses, filhote da minha gata Lolita, também foi vítima dessa atrocidade. Esse tipo de assassinato já está se tornando recorrente por aqui, não é a primeira vez. E não foi por acaso o envenenamento pois se era peixe enrolado com o veneno foi colocado com a intenção de matar os gatos.
Há uns quatro anos aconteceu o mesmo. Houve uma matança de gatos e cachorros por aqui que foram envenenados, na Vieira Perdigão, fundos da Estação Ferroviária. Minha cadela Dalila, a pastor alemã do filho de uma vizinha, três gatos que a gente da rua dava comida, as gatas das minhas sobrinhas e até os quinze gatos que eram criados soltos no pátio da estação e que uma senhora viúva alimentava todas as noites foram sacrificados nessa época, envenenados com o mesmo produto.
Nessa época eu denunciei o caso à imprensa e o O Jornal e a TV Gazeta vieram fazer matéria sobre o assunto por aqui, o difícil é achar um culpado ou culpada pela matança, mas isso tem que acabar, não pode passar impune. Não podemos conviver com gente dessa espécie. Eu sei que existem muitas pessoas desse calibre por aí. Gente egoísta que só pensa em si, que acha que os seres humanos são os únicos que devem viver na face da terra.
Precisamos engrossar o coro daqueles que lutam por uma sociedade mais fraterna e mais solidária. Os animais são criaturinhas de Deus, seres indefesos que só precisam de carinho e amor e que nos retribui com amor em dobro. Quem mata animais indefesos tem coragem de praticar maldades com crianças, velhos e com pessoas impossibilitadas de se defender. É necessário dar um bata em tudo isso.
As autoridades precisam tomar uma providência e punir com severidade esse tipo de atitude. É a mesma situação que estão fazendo com os moradores de rua, eu avalio. Vamos fazer uma campanha pela paz em nossos corações, para que o ser humano tome consciência de que é isso que o mundo está precisando. Que todos tenham um ótimo fim de semana. (Atualizado às 16h9)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Das agressões nas campanhas eleitorais


Olívia de Cássia - jornalista

A campanha eleitoral nesse segundo turno felizmente já está terminando e fugiu do controle do TRE . Chega às raias da baixaria, tanto nos programas eleitorais quanto nos comentários postados na internet, embaixo das matérias. Tem muita gente que gosta disso, da raia miúda, da picuinha, do disse-me-disse, das mentiras e xingamentos pessoais.
Política não é isso, “é um conjunto de regras relativas ao exercício de administração pública; arte ou habilidade de governar bem; conjunto de objetivos que orientam a administração de um governo (plataforma); conjunto de objetivos que orientam a execução das leis”, é a arte de defender o bem comum e assim deveria ser. Na prática não funciona assim, é uma briga pelo poder e nada mais.
A Constituição brasileira nos garante o direito de ir e vir, de sermos independentes e escolher aquele candidato que achamos mais identificação, seja ele ideal ou não. Dei uma percorrida nos blogs e sites e li os comentários dos internautas sobre esse processo eleitoral atual e alguns são permeados de palavrões, de comentários indevidos e de opiniões pessoais bem abaixo da qualidade desejada. Em nada contribui isso com o processo democrático e com a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna.
Cada um de nós, sejamos ocupantes de cargos importantes ou não, tem o direito de expressar e de emitir opiniões, mas devermos observar as boas regras do comportamento e da civilização. Li no blog A Palavra, do jornalista Ivan Nunes, uma matéria sobre a opção de Beto Baia, assim como Ivan meu amigo de infância, de votar no governador Téo Vilela para o governo do Estado.
Beto tem o direito de apoiar quem ele quiser, é um cidadão livre, paga impostos e mesmo que eu discorde de sua visão política ele tem esse direito. Votei em Beto para prefeito, ele é meu amigo desde a Rua da Ponte, quando nossos pais eram comerciantes lá. Não entendi o seu apoio ao ex-presidente Fernando Collor no primeiro turno, mas ele tem o direito de apoiar quem ele acha que é mais indicado para ele, mesmo que a gente discorde disso.
Dizem que a opção por apoiar Collor no primeiro turno foi pela promessa do ex-presidente de que não deixaria fechar o HGU, promessa que eu não acredito que cumprisse, mas foi uma opção dele. Vi vários comentários com palavras de baixo calão e frases que exprimem pobreza de espírito e falta de educação. As pessoas precisam entender que democracia se faz com o contraditório.
Toda essa baixaria não contribui em nada com o crescimento de ninguém e só empobrece a democracia. Essa semana, em São Paulo, os movimentos sociais realizaram um manifesto público contra a baixaria nas eleições e contra o que eles avaliam “o golpismo midiático” e teve como objetivo chamar a atenção da população brasileira para a partidarização de grande parte da mídia brasileira.
As distorções na cobertura das eleições deste ano tiveram início desde a pré-campanha, quando foram exploradas questões de domínio público, como a “ficha falsa” da candidata Dilma Rousseff e a suposta elaboração de dossiê contra representantes de partidos de oposição. Fiquei estarrecida quando ouvi de uma colega que trabalha em rádio o comentário de que “Dilma está proibida de entrar nos Estados Unidos porque é terrorista”.
Perdi o controle e disse a essa pessoa que muito me admira uma mulher que trabalha em comunicação ter esse tipo de pensamento. Está havendo uma postura de super valorização de denúncias infundadas, que podem ser facilmente investigadas, numa tentativa de tirar proveito político disso tudo. Assim é a política na prática e a gente deve ter muito cuidado com esse tipo de avaliação. Lamento mesmo tudo isso e tomara que essa eleição acabe logo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Programação do Mês da Consciência Negra


5 de novembro

Solenidade de Abertura do Mês da Consciência Negra
Local: Auditório da Prefeitura Municipal de União dos Palmares
Horário: 9h

II Caminhada “Respeitando as Diferenças”
Concentração: Escola Municipal de Salomé da Rocha Barros
Horário: 15h
Chegada: Praça Basiliano Sarmento

Inauguração do Memorial Jorge de Lima
Local: Casa do poeta Jorge de Lima
Horário: 17h

Programação Cultural
Local: Praça Basiliano Sarmento
Horário: 18h

6 e 7 de novembro

Mostra Quilombola de Cinema
Local: Auditório da Prefeitura Municipal de União dos Palmares
Horário: 14h às 17h / 19h às 22h

9 a 11 de novembro

II Ciclo de Palestras: Quilombo dos Palmares Vive!
9/11 - Movimento Negro em Alagoas
10/11 - Quilombo dos Palmares
11/11 - Arqueologia na Serra da Barriga
Horário: 19:30h
Local: Auditório da Prefeitura Municipal de União dos Palmares

12 de novembro

Missa em Ação de Graças e Ritual de Lavagem da Praça Basiliano Sarmento e da Casa do poeta Jorge de Lima
Local: Praça Basiliano Sarmento
Horário: 17h

13 de novembro

Beleza Negra de Muquém
Local: Comunidade Quilombola Muquém
Horário: 19h

13 e 14 de novembro

II Encontro Alagoano de Hip-Hop
Local: Auditório da Prefeitura Municipal de União dos Palmares, Auditório da SEMED, Espaço Cultural Acotirene e Quadra de Esportes Municipal
Horário: 14 às 22h / 09h às 22h

14 e 15 de novembro

Fórum Alagoano de Capoeira
Local: Auditório da Prefeitura Municipal de União dos Palmares, Espaço Cultural Acotirene e Quadra de Esportes Municipal
Horário: 9h às 18h

15 de novembro

Encontro Palmarino de Religiosos de Matriz Africana
Local: Auditório da Prefeitura Municipal de União dos Palmares
Horário: 9h às 18h

18 de novembro:

Beleza Negra de União dos Palmares
Local: Praça Basiliano Sarmento
Horário: 19h

19 de novembro

Jornada de Turismo
Local: Quilombo Park Hotel
Horário: 09h às 18h

18 a 20 de novembro

Programação Artística e Cultural
Local: Praça Basiliano Sarmento
Horário: 20h às 03h

20 de novembro

XXIX Corrida da Consciência Negra
Largada: Prefeitura Municipal de União dos Palmares
Horário: 08h
Chagada: Serra da Barriga

Homenagem aos Heróis Quilombolas
Local: Serra da Barriga
Horário: 10h

Desfile Cívico
Local: Avenida Monsenhor Clóvis Duarte
Horário: 15h

Programação Artística e Cultural
Local: Praça Basiliano Sarmento
Horário: 17h às 03h

Fonte: Mês da Consciência Negra 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

Normalidade


© Olívia de Cássia – jornalista

Finalmente a situação aqui em casa volta à realidade. Desde ontem o moço da companhia telefônica veio fazer o reparo, isso porque ameaçamos cancelar a linha, depois de quinze dias aguardando o conserto e as desculpas eram sempre a renovação dos prazos. Era um fio solto apenas e não demorou cinco minutos para o problema ser resolvido. Volto à cena em casa; terei mais tempo para postar meus textos e me conectar com o mundo.
Hoje foi o último dia de caminhadas na praia para os candidatos, não fui à orla, mas quando estava indo para shopping, vi o trânsito interrompido, muito barulho, muitas bandeiras, congestionamentos no trânsito e muita reclamação também de quem precisava passar por ali e o trânsito estava interrompido em alguns trechos.
Esta é a última semana para os dois candidatos a presidente e os candidatos ao governo do Estado mostrarem as suas propostas e programas de governo. Tomara que tudo acabe logo e que a baixaria não descambe para o fundo do poço. O País e o Estado precisam voltar à normalidade e tocarem a rotina pra frente.
Na Assembleia Legislativa Estadual a LOA, Lei Orçamentária Anual precisa ser debatida e aprovada até o fim do ano, assim como alguns requerimentos e matérias importantes para o Estado. Até agora só aconteceram duas sessões depois do primeiro turno e só deve haver alguma outra depois do segundo.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O “Caboquinho” e o Passarinho


Olívia de Cássia – jornalista

Minha tia Josefa Paes de Siqueira era a filha mais velha dos oito filhos que meus avós Manoel e Olívia tiveram. Minha mãe contava que essa minha tia que não cheguei a conhecer, casou-se muito cedo com José Antônio da Silva e tiveram três filhos: Julião, Olival e Edleuza. Josefa faleceu muito cedo deixando os três filhos muito pequenos e cada uma das irmãs ficou com um dos filhos para tomar conta, mesmo ainda sendo crianças também.
Tia Ozória assumiu os cuidados com Julião, o mais velho; Olival ficou com minha mãe e Edleuza com minha tia Noêmia. A vida na roça era muito difícil naquela época e mesmo meu avô Manoel Paes de Siqueira sendo proprietário de terras e senhor de engenho, minha mãe e minhas tias tinham que trabalhar muito capinando mato ou plantando para terem alguma coisa.
Minha mãe contava que quando tia Noêmia casou foi embora para o Rio de Janeiro e numa das visitas que fez à irmã, viajando de navio até a cidade maravilhosa, levou meu primo Olival e conseguiu um internato para ele numa instituição de menores denominada de O Pequeno Jornaleiro. Esses meus primos passaram muitas dificuldades na vida e minha família foi marcada por vários acontecimentos tristes, alguns permeados de tragédias ou de fatos inusitados.
Olival e Julião ficaram adultos e montaram oficina mecânica e conseguiram se estabelecer durante alguns anos no Rio de Janeiro; de vez em quando visitavam minha família, quando ainda morávamos na Rua da Ponte, em União dos Palmares. Quando chegavam lá de carro, aquilo para nossa vida de criança era um fato extraordinário, uma festa.
Me afeiçoei a esses primos que só vim conhecer já adultos. Depois de muitos anos já estabelecidos e bem de vida no Rio de Janeiro, por conta de um atropelamento que aconteceu com Olival, quando estava dirigindo um dos carros, eles resolveram voltar para Alagoas e montar oficina em Maceió para ficar mais perto dos irmãos, pois depois que minha tia Josefa faleceu, tio José Antônio casou com outra Josefa, prima da mulher falecida.
Em nossa família os casamentos entre primos eram comuns e os médicos avaliam que por conta desses relacionamentos dos nossos antepassados entre primos de sangue é que a ataxia se desenvolveu com tanta frequência, tendo já atingido, segundo o que andei pesquisando, mais de oitenta pessoas. A outra tia Josefa (que na verdade é nossa prima legítima) teve seis filhos com tio José Antônio, nada mais justo do que Olival e Julião quererem ficar mais perto da família. Vieram e montaram oficina na Vieira Perdigão, onde anos depois muitos membros da nossa família se instalaram na capital alagoana.
Minha prima Edileuza casou com um meio irmão do meu pai, tio Pisciliano e com ele teve cinco filhos; esse meu tio era problemático e bebia muito, dava muito trabalho e a família vivia em dificuldade. Meu pai tentou ajudar o irmão problemático de alguma forma, mas não conseguiu e anos depois ele resolveu ir tentar a vida no Rio de Janeiro, mas lá ele morreu atropelado por um ônibus.
Devido a esse casamento da nossa prima com um tio, passamos a chamá-la de tia também e isso era uma confusão danada na nossa cabeça de criança. Não entendíamos aquele relacionamento de uma prima que se tornou nossa tia depois.
Depois de viúva tia Edleuza casou novamente; dessa vez foi feliz no segundo casamento, teve mais um filho, tornou a ficar viúva com o filho caçula ainda criança, mas tocou a sua vida, mesmo com sacrifício e muita luta e ainda hoje mora no subúrbio do Rio de Janeiro.
Instalados em Maceió, Julião e Olival montaram sociedade com um dos irmãos da madrasta Josefa e tocaram a oficina, mas o índice de alcoolismo nessa profissão naquela época era mais acentuado. Julião contraiu uma doença renal e precisou passar várias vezes por hemodiálise até que faleceu, na Santa Casa.
Olival se tornou um nômade, andarilho, não se firmou na profissão que aprendeu e o vício o levou a falir a oficina. Fazia muitas amizades, era uma pessoa muito querida de todos, apesar dos problemas que às vezes criava. Ele gostava de ler muito e de trocar informações comigo sobre os livros que lia, mas quando estava bêbado mal dizia alguns familiares dos quais tinha alguma queixa, recitava os versos de Augusto dos Anjos e levou sua vida assim, sem compromisso com nada, nem com ninguém.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Está tudo confirmado para o II EPA

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e foto)

Os preparativos para o II EPA – Encontro com Palmarinos Ausentes já estão quase concluídos e confirmados. O evento acontecerá no prédio do antigo Colégio Santa Maria Madalena, em União dos Palmares, dia 14 de novembro.
Segundo Ladorvane Cabral (foto), organizador e idealizador do EPA, a camisa para o ingresso no local custará R$ 20 e a Banda Contágio Tropical animará a festa, com possibilidade também de haver outra atração musical.
Da mesma forma como aconteceu ano passado, na primeira parte do evento haverá uma missa na Igreja Matriz de Santa Maria Madalena, na Praça Basiliano Samento. “Após a missa, a segunda parte acontecerá a partir das 10 horas, no prédio do Santa Maria Madalena, local de grandes e boas lembranças de tantos palmarinos”, disse Ladorvane.
Ele destaca que o EPA já é o maior evento social de União dos Palmares “e será fundamental contar com a participação de todos os palmarinos que moram fora da cidade e dos nativos que querem reencontrar amigos; uma oportunidade de rever familiares e amigos que vivem distantes, em um clima de festa e harmonia”, finaliza.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Paulão diz que ritmo da ALE só deve voltar depois da eleição


Olívia de Cássia- jornalista
(Texto e fotos)

Desde o fim do primeiro turno das eleições, acontecido no dia 3 de outubro, só houve uma sessão na Assembleia Legislativa. Na tarde ontem, 19, primeiro dia de trabalhos legislativos na Casa de Tavares Bastos, a situação se repetiu. Na hora regimental apenas quatro deputados estavam em plenário: Paulão, Judson Cabral, Jota Cavalcante e Alberto Sextafeira. Depois da chamada apareceram os deputados Ricardo Nezinho, Fernando Toledo, Cathia Lisboa Freitas, Flávia Cavalcante e Marcos Barbosa, mas não teve mais jeito.
O deputado Paulão observou que o esvaziamento da Casa é histórico no período pós-eleitoral e acredita que o ritmo só volte ao normal após o segundo turno. À imprensa, ele falou da campanha presidencial, do pleito para o Governo do Estado e destacou que está empenhado na Campanha da Dilma à Presidência e de Ronaldo Lessa para governo do Estado.
Observou que está otimista com a campanha. “Pela primeira vez a esquerda perdeu em Maceió, mas eu acredito numa virada. Há a possibilidade de uma virada de Lessa em Maceió”, disse Paulão, que está fazendo parte também da coordenação da campanha do pedetista em Alagoas.

Paulão destacou que o grande desafio deste segundo turno é tentar reduzir o número de abstenções no dia 31, cujo percentual foi grande no primeiro turno e pode ser ainda maior no segundo. Sobre o fato de não ter sido eleito para a Câmara Federal, ele disse que tinha clareza da dificuldade e sabia dos riscos quando aceitou o desafio.
O petista explicou que o motivo de ter se candidatado à Câmara Federal foi para fortalecer a candidatura de Dilma. "Eu tive como objetivo melhorar a base de Dilma no Congresso, também não estava mais motivado para ficar nessa Casa. Eu não queria mais ser deputado estadual, cansei", argumentou.
O líder do Partido dos Trabalhadores na Assembleia lamentou o fato de a esquerda ter perdido em Alagoas, com a derrota nas urnas de nomes como Heloísa Helena, Mendonça Neto, Régis Cavalcante e José Costa. "Independente de composições partidárias, esses nomes participaram de todas as lutas sociais no Estado" e disse que ainda não discutiu sobre seu futuro político, “só a partir do próximo ano, quando deixar a Assembleia”, finalizou.

Estou sozinha no mundo


Olívia de Cássia - jornalista

Estou sozinha no mundo; não tenho medo da solidão, eu tenho medo é de um dia ficar dependendo de terceiros e não mais poder ser eu mesma. Por que depender de outras pessoas para as tarefas mais corriqueiras, simples e pessoais deve ser a pior coisa na vida para uma pessoa que, assim como eu, está acostumada a se virar sozinha. A gente se sente pequena, sem chances, sem metas, sem chão.
Eu sei que por causa da ataxia, esse problema hereditário da minha família, a tendência é essa: eu ir piorando, enfraquecendo, me tornando um ser fraco, debilitado, quase vegetativo. Esse problema não tem cura, tem tratamentos paliativos.
A degeneração dos membros superiores e inferiores, da fala e da visão é coisa certa nesses casos; minha esperança é que o agravamento do problema demore muito a chegar para mim e que eu não tenha que ser mais carente do que já sou, mais dependente, de tudo e de todos.
Já apresento várias debilidades agora e reconheço que tenho muitas fragilidades nas tarefas práticas na vida. Falta-me equilíbrio para andar, vestir uma calça comprida, ver um filme de legenda. As pernas estão fracas. Já não sou uma mulher que toma a frente das tarefas domésticas, tenho a certeza de que preciso de alguém para me ajudar com elas.
Serviços de manutenção da casa, reparos, alguns impedimentos ou entraves que me aparecem sempre me põem em polvorosa, em agonia, sem chão e procuro recorrer a outras pessoas para me socorrerem. É sempre assim. Por mais que eu tenha lutado para tomar conta de mim, hoje já não tenho tanta força para lutar, para seguir em frente sem medo da vida. E isso tem me entristecido bastante.
Tenho alguns medos, não sou tão forte como foi minha saudosa mãe. Ela sim não tinha medo de nada. Mas eu não sou assim, puxei mais ao meu pai, que tinha um lado mais sensível e mais dependente dos outros, embora ele tenha sido um guerreiro que lutou pela sua sobrevivência e a de toda a família.
Quando veio o problema da ataxia, meu pai teve que se render aos cuidados da minha mãe e do meu irmão, em União dos Palmares, teve que se conformar com a situação. Mas pelo menos teve quem cuidasse do seu debilitado corpo; eu não terei, pelo menos voluntariamente.
E é por conhecer muito de perto essa estranha realidade desse problema neurológico que ultimamente dei para pensar nessa minha vida tão desorganizada, tão sem rumo e cheia de inseguranças, inseguranças que estão me deixando mais frágil nessa minha vida já tão cheia de questionamentos e incertezas.
Eu não soube ser firme e não consegui me firmar na vida, tocá-la de uma forma que me desse o conforto que minha mãe tanto desejava para mim. Reconheço que devo tê-la decepcionado muito, também e até nesse lado e isso me põe inquieta, pensante. O que será feito da vida? São tantas as interrogações que me vêm à cabeça que não sei como fazer para me livrar de tanta preocupação que me chega quando me ponho a pensar o que vai ser feito de mim.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Entrevista que concedi a Franco Maciel no Blog A TERRA DA LIBERDADE

Conte-me sua vida: Olívia de Cássia

A jornalista Olívia de Cássia Correia de Cerqueira nasceu no dia 9 de janeiro de 1960, na cidade de União dos Palmares.

"Nasci na minha querida Rua da Ponte, em casa, naquela casinha que ficava entre o Bar da Nivalda e a mercearia que foi do meu pai, quase em frente ao posto de gasolina de seu Nininho." (Olívia de Cássia)

Entrevista

BLOG: Qual a maior lembrança que você tem da sua infância ou adolescência em União dos Palmares?

OC:
Da minha infância, minha maior lembrança afetiva é na Rua da Ponte, hoje destruída pela última enchente do dia 18 de junho, fato que me doeu muito quando vi tudo aquilo acabado.

Foi na Rua da Ponte que meus pais iniciaram a vida, quando vieram da roça recém-casados e ali constituíram um patrimônio, tirando assim o nosso sustento. Em primeiro lugar com um pequeno hotel, que depois veio a falir, depois com a mercearia e o armazém de compra e venda de cereais, além das casinhas de aluguel que possuíram ali, no começo da rua.

Outra forte lembrança que eu tenho é a do meu avô Manoel Correia Paes e da Minha avó Olívia, os pais da minha mãe. Convivi muito de perto com eles, éramos muito ligados. Quando foram para outro plano eu estava com 15 anos, sofri muito.

Também as brincadeiras da infância, os banhos no Rio Mundaú. Além dos meus avós, também meu tio Antônio Paes de Siqueira completa minhas lembranças da infância, meus passeios e férias na Barriguda, tudo era muito encantador para nós. Tivemos uma infância muito sadia, de muitas aventuras e brincadeiras e de muitos amigos.

Já da adolescência, as escadarias do Rocha Cavalcante, o Cine Imperatriz, a Praça Antenor de Mendonça Uchoa e a Avenida Monsenhor Clóvis eram os nossos points de encontro. Fiz muitas amizades em União dos Palmares, muitas das quais já se perderam pelo tempo, seja com a partida prematura de alguns amigos, como o meu querido Alonsinho, ou pela roda-viva da vida que separa quase todo mundo.

Nossa turma da adolescência era composta de rapazes e moças de todas as idades e classes sociais, não tínhamos distinção naquela época e os relacionamentos eram mais fraternos e duradouros, tanto as amizades quanto os namoros.

BLOG: Como surgiu a idéia de criar um blog?

OC: A idéia do blog surgiu justamente por eu gostar de escrever sobre assuntos diversos. Desde as minhas poesias, que eu sentia vontade de publicar e não tinha como, até os artigos e dramas pessoais e meu livro de memórias, que publiquei em um deles em pequenos capítulos.

Com essa nova ferramenta nas mãos, resolvi criar o primeiro e assim fui indo, publicando textos, fotos. Já estou no quarto blog, porque os espaços dos outros expiraram, por conta do excesso de fotos que eu postava. Agora estou colocando mais textos e poucas fotos, que eu reservo para o Orkut e que muita gente reclama pelo excesso.

BLOG: Sente falta de morar em União dos Palmares?

OC: Sinto muita falta de União dos Palmares, até andei sondando os preços de imóveis, pequenos apartamentos, na esperança de alugar algum, mas a especulação imobiliária na cidade está excessiva e fora das minhas posses, mas não desisti ainda. Penso, em quando me aposentar, ter meu cantinho na terrinha, mas vai ter que ser um lugar onde eu possa criar meus bichinhos de estimação.

Quase toda semana eu viajo a União, seja para alguma atividade política, seja para ficar de bobeira ou rever amigos e familiares. Amo minha terra natal e sinto falta dos bons momentos que aí vivi. Às vezes eu fico analisando e avaliando se essa saudade que sinto, às vezes exagerada, não é de uma União diferente, onde muitos amigos da adolescência já não estão mais nesse plano e a conjuntura da cidade era bem diferente do atual contexto que estamos vivendo.

BLOG: Como é a vida de jornalista?

OC: A vida de jornalista é uma correria sem fim, mas eu não saberia mais viver de outra forma. Trabalho os três horários e venho em casa apenas para o almoço e o banho e volto, quase sempre, todos os dias, depois das onze.

Ser jornalista foi a profissão que escolhi por amor, sonhava em cobrir guerras, feito Euclides da Cunha em seu romance 'Os Sertões'. Sempre fui muito sonhadora.

Sobreviver de jornalismo é um perrengue danado em Alagoas e eu tenho consciência de que deveria, em paralelo, ter seguido outra carreira que me proporcionasse mais conforto e mais bem-estar. Mas eu devo admitir também que eu sou muito desorganizada.

Não dou muito valor a dinheiro, se eu ganhasse o que me bastasse para minhas despesas, já seria o suficiente para o meu pequeno conforto, não sei administrá-lo e ele foge das minhas mãos quando eu menos espero. Nesse ponto eu não puxei a minha mãe, que era muito organizada e muito segura. Eu sou muito ‘mão aberta’ e gasto com muita facilidade. Tenho consciência de que preciso me disciplinar nesse sentido.

BLOG: O sonho de seus pais era de que fosse médica, eles se chocaram quando decidiu estudar jornalismo?

OC: Quando eu era criança, meu pai queria que eu seguisse a carreira religiosa, que fosse freira, e eu dizia a ele que nunca ia me casar. Minha mãe queria que eu fosse uma mulher independente, que não casasse, que fosse médica ou que seguisse outra profissão, menos jornalismo. Da mesma forma que eu sempre fui muito rebelde e contestadora, fui fazer jornalismo.

Sempre gostei de poesia, de leitura, de música de boa qualidade, de escrever e me identificava com a profissão de alguma forma. Minha mãe me criticava e dizia que jornalismo era profissão de doido e de maconheiro.

Quando eu passei no vestibular de Comunicação Social, habilitação em jornalismo, quando cheguei lá em casa, toda sorridente, ela me disse: 'O curso é tão ruim que foi o último que saiu na televisão'. Naquela época, a TV Alagoas divulgava ao vivo a relação dos aprovados, que era lida pelo professor Luiz Tojal. Fiquei triste com aquela reação dela e nunca esqueci aquela frase apoteótica da minha saudosa mãe.

Já meu pai não costumava interferir muito, mesmo que não gostasse da minha escolha, mas dizia que ser jornalista não ia me render o suficiente para eu me sustentar. Mas meu pai gostava muito de ler e eu levava jornais para ele, mesmo quando já estava bem acometido pela ataxia. Eu contava minhas histórias para ele. Éramos muito amigos e papai me confidenciava suas aventuras da juventude, sempre sorrindo. 'Era tudo brincadeira', dizia ele, quando mamãe estava perto e o assunto fosse de alguma namorada que ele teve.

BLOG: De quem foi a idéia do jornal "O Relâmpago"?

OC: A idéia foi da minha amiga Genisete Lucena, eu fazia a diagramação, escrevia alguns artigos e alguns textos e fotos. Genisete era a editorialista, editora e repórter também, tanto de texto quanto repórter fotográfica. Nádia Seabra ficava com a parte comercial.

Foram momentos muito bons aqueles de quando fazíamos o jornal, embora algumas autoridades do município não tenham entendido a proposta de uma imprensa comunitária fiscalizadora dos atos dos nossos governantes.

Era muito divertido fazer 'O Relâmpago', desde a confecção dos textos, à diagramação, levar pra gráfica e vendê-lo na feira de União. Era uma resenha dia de sábado.

Eu já contei em um dos meus textos, que de um lado da Rua Orlando Bugarim tínhamos leitores assíduos do boletim, mas do outro lado, ninguém comprava, era vendido a 50 centavos. Quem comprava a mim não comprava às meninas e vice-versa. Tínhamos leitores cativos. Foi uma aventura maravilhosa.

BLOG: O jornal bem que podia voltar a ser publicado, não é?

OC: Tenho saudade, mas não sei se hoje é mais possível, até por que o momento que estamos vivendo hoje é outro. Com a invenção da internet e a criação dos sites e blogs, perdeu um pouco o encanto. Mas quem sabe, não é? Nada é definitivo na vida e isso eu aprendi com a maturidade e as pancadas que levei na vida.

BLOG: Conte-nos um pouco sobre o livro "Mosaicos do Tempo”?

OC: Mosaicos do Tempo é meu livro de memórias. Uma proposta que eu sempre carreguei dentro de mim. Até porque quando era adolescente, como citei lá em cima, costumava escrever tudo o que acontecia comigo nos meus caderninhos. Desde os conflitos com minha saudosa mãe, até as decepções amorosas e as poesias.

BLOG: De onde surgiu a idéia do livro?

OC: Decidi escrevê-lo numa das minhas crises existenciais. Saí da terapia, que vinha fazendo tinha quatro meses, porque fiquei muito abalada depois da minha separação do meu casamento em união estável de quase vinte anos, e como não tinha mais condições financeiras de pagar à terapeuta, eu disse pra ela e tomei a decisão de fazer minha própria terapia colocando para fora todo aquele sentimento reprimido, todas as minhas histórias, desde a infância, até a separação.

Aí comecei a escrever e num dia só, quando terminei com o dia amanhecendo, eu tinha escrito dez laudas de papel A4. E comecei a resgatar a minha história de vida, desde a infância na Rua da Ponte e na Barriguda, os conflitos da adolescência, os amores, a morte dos meus pais e fui em frente. Quando terminei, eu tinha escrito 180 páginas em dois meses. Terminei em 2004, mas de lá para cá, sempre que retomo para fazer algum acréscimo ou alguma revisão, eu vou mudando um pouco o texto, cortando expressões mais carregadas que eu tenha colocado na hora da emoção.

BLOG: Quando será publicado?

OC: O livro está pronto, falta-me agora dinheiro para levar para a gráfica. Fiz vários orçamentos. No começo do ano fiquei muito esperançosa, vibrei com a possibilidade de conseguir patrocínio para a publicação.

Duas gráficas de São Paulo se mostraram interessadas, mas pelo contrato que mandaram para eu assinar, eu não teria direitos sobre a obra e fiquei receosa de perder os originais para a gráfica.

Tive algumas promessas de ajuda de alguns parlamentares estaduais. Falei com minha amiga Eliane Aquino e ela fez a apresentação, mas deu desânimo com a falta de interesse e eu não era louca de levar o original pra gráfica e depois não ter dinheiro para arcar com aquela despesa. Agora ele está de stand by, como a gente diz em jornalismo.

BLOG: O que fez você sair de sua terra natal?

OC: Saí de União dos Palmares para estudar o segundo grau. Naquela época só tinha o Pedagógico, que preparava os estudantes para ensinar crianças de primeira a quarta série. Vim para Maceió para fazer o curso médio, o Científico, como se chamava naquela época o Ensino Médio. Depois de reprovada no meu primeiro vestibular, que fiz para Medicina, voltei para União. Fiquei vindo todos os dias no ônibus dos estudantes para fazer o cursinho. Fui reprovada de novo.

Por incrível que pareça, fiz quatro vestibulares para poder, finalmente, realizar meu sonho de fazer jornalismo. Nesse intervalo voltei para União dos Palmares e fiquei durante mais cinco anos, tentando emprego e estudando. Aí mamãe conseguiu que eu ficasse como ouvinte, durante um certo período, no CETEPA, porque eu não queria ficar sem estudar.

Depois, por insistência dela, fiz o Pedagógico. Me formei em 1982 e finalmente no fim desse ano eu prestei vestibular para jornalismo e passei. Nessa época eu era funcionária da Usina Laginha, foi meu primeiro emprego no escritório do Almoxarifado da empresa.

Foi quando comecei a ganhar experiência em trabalhar, pois eu não sabia fazer nada. Meu pai só queria que a gente trabalhasse depois que terminasse os estudos. Mas aí, quando eu voltei de Maceió, quando tinha vindo fazer a inscrição do vestibular, fui demitida pela falta, ou coisa parecida. Foi a demissão mais bem-vinda que eu já recebi.

BLOG: Como está a sua vida atualmente?

OC: Minha vida atualmente é só trabalho mesmo. Passei cinco anos sozinha, depois da separação. Aí tive um namoro de um ano e meio, mas agora é uma grande amizade e vou seguindo em frente, em busca de dias melhores e mais justos, acompanhada dos meus bebês de quatro patas: meus gatos (tenho sete com os filhotinhos que a minha gata pariu e que estão prontos para doar) e meus cães que amo muito, a Malu e o Oto.

BLOG: O que você acha do blog "A Terra da Liberdade"?

OC: O Terra da Liberdade, sem querer desmerecer os demais blogs dos meus amigos palmarinos, é um dos melhores da terra. Essa proposta de resgatar a história de União e as pessoas que construíram esse enredo, é muito construtiva. Quando você falou naquela época que o blog poderia parar, eu fiquei triste. Felizmente você não foi em frente com a idéia de desativá-lo e hoje ele presta um grande serviço à população de União dos Palmares.

Quando foi que te perdi?


© Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Preparo-me para dormir,
Mas o sono não vem...
Revejo fotos, revejo o passado...
Passa um filme na minha cabeça...
Vejo nós dois por aí,
vivendo, amando, querendo...

Quando menos espero,
Me vêm as lágrimas ....
Lágrimas de saudade,
saudade do passado,
Da vida vivida,
dos amigos, de você..

Você que não merece mais
um minuto sequer
do meu pensamento...
Vejo-te e me vejo nas fotos
Ali o tempo não passou.
Estamos jovens,
Ávidos de desejos, de sexo,
de vida...
Minha vida que se foi...
Onde foi que nos perdemos?
Onde foi que me perdi?
Quando foi que te perdi?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dos preconceitos contra as mulheres


Olívia de Cássia-jornalista

Mesmo tendo vencido muitas barreiras, lutado pela liberdade de expressão, por uma sociedade mais justa, por um país mais fraterno e enfrentado batalhas das mais violentas como a da ditadura militar, as mulheres ainda sofrem uma carga descomunal de preconceitos em nossa sociedade.
No Brasil, a sociedade evoluiu em vários aspectos, introduziu o gênero feminino no mercado de trabalho, por que não teve jeito de evitá-lo. A duras penas, as mulheres conquistaram o direito de votar e ser votadas, na década de 30, mas mesmo assim ainda é marcante a discriminação, as injúrias e as difamações que inventam quando ela se destaca e galga outros degraus mais avançados ou decide enfrentar uma candidatura a algum cargo em eleições.
No trabalho a mulher procura mostrar sua competência, pois a concorrência é grande e apesar dos avanços conseguidos ao longo dos anos, mesmo provando suas qualidades profissionais e muitas vezes trabalhando muito mais que muitos homens, ainda recebem salários inferiores na maioria das profissões que exercem.
Mulher é um bicho desdobrável mesmo, acorda cedo, faz mil e uma coisas ao mesmo tempo, cuida da casa, dos filhos, trabalha fora e ainda tem tempo para conciliar tudo isso com o companheiro e a família, mas ainda é vista com muito preconceito e discriminação.
Falo isso porque tenho acompanhado essas lutas de perto. Na década de 80 participei de muitas atividades políticas, quando cheguei de União, recém-aprovada no vestibular, e frequentei atividades de mulheres aqui em Maceió. Por incrível que possa parecer, vejo agora que naquela época era mais avançado o pensamento, quando a gente ia pra rua lutar por eleições diretas pra presidente e por democracia.
Observo nos dias de hoje muitas mulheres jovens, meninas ainda, com opiniões preconceituosas sobre determinadas questões que a agente não via naquela época. Essas mninas-moças de hoje em dia não se informam, não lêem sobre o que se passou no País, vivem num mundo alienado, onde o que importa é se a chapinha dela ficou mais bem feita do que a da outra.
Estamos vivendo uma caça às bruxas, semelhante à da idade média, com esse posicionamento de algumas entidades religiosas a respeito da candidata Dilma e isso vai de encontro a todos os preceitos democráticos que um dia defendemos. Nem na época da ditadura se viu uma coisa dessas.
Avalio com muita tristeza e decepção que ainda existe muito preconceito de gênero no Brasil; não é porque os tempos mudaram que ele tenha acabado. É o que dá para a gente depurar do resultado dessa campanha sórdida contra a candidata do Partido dos Trabalhadores. É impressionante como uma fofoca se espalha na internet e toma corpo causando tantos estragos como tem causado todo esse embuste que tem sido difundido por pessoas inescrupulosas que não pensam no bem comum, mas apenas no poder pelo poder.
Nesse fim de semana participei de uma atividade na Feira dos Terrenos, em União dos Palmares, uma panfletagem de Dilma com companheiras do Partido dos Trabalhadores. Confesso que saí dali triste e constrangida com algumas reações da juventude e principalmente de jovens mulheres, com relação à nossa candidata. Reproduzem como se tivessem certeza dos boatos e afirmam que votavam em Dilma, mas que agora desistiram por conta dessas conversas.
Não dá para a gente se conformar com isso. Uma pena que essas pessoas, principalmente os mais jovens, sejam tão alienados a esse ponto. Aconselho aqui que façam algumas leituras introdutórias e procurem ver além do que diz a Globo e a Veja e que sejam críticos, mas que sejam fraternos.

CAMPANHA PRESIDENCIAL


PETRUCIO MANOEL CORREIA DE CERQUEIRA
Bancário

Já houve no Brasil campanhas sujas, safadas, difamatórias, mas, como a atual, para a Presidência da República, que eu me lembre, nunca houve, nem na época collorida.
Nunca vi, nem ouvi, tantas acusações, tantas imputações de ações delinquentes como esta que está sendo transmitida diariamente pelas inserções do PSDB no rádio e na televisão, contra a DILMA.
O PSDB tem na essência partidária, o não reconhecimento das ações de labutos do funcionalismo público, tudo para eles tem que ser privatizado, e, agora, de repente, aparece na televisão, dizendo que querem proteger as empresas estatais, sendo elas: Correios, Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Para começo de conversa já ficou de fora: Embrapa, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste.
A Embrapa é uma das maiores pesquisadoras de agropecuária do mundo. Não é à toa que temos hoje o Serrado como sendo o maior celeiro do mundo, produzindo: soja, milho, girassol, gado, algodão e etc., graças à Embrapa.
Outra questão é o funcionalismo público no Governo do PSDB. Nesta questão sou testemunha, não ocular, mas, presencial. Assumi como meu primeiro emprego no Banco do Brasil em 1976, na época da ditadura militar, mas nunca vi e nem presenciei um regime como o do PSDB. Nem a ditadura ganharia dos propósitos ditos pelo PSDB. Não sou de ferro, pedi demissão do Banco do Brasil no governo FHC. O que mais me deixou revoltado foi saber depois que era isso que ele queria, enfraquecer o funcionário do Banco do Brasil para privatizá-lo. Graças a Deus não deu tempo.
Hoje, felizmente e graças a Deus, há três anos, consegui voltar para emprego na área pública, passei no concurso da Caixa Econômica Federal. Quando lá cheguei, por obra e graça do Sr. FHC, a Caixa tinha nos quadros uma média de 35.000 funcionários terceirizados (sem concurso); começou a mudar com o Lula.
Agora, em plena campanha mentirosa, vem esta figura do Sr. José Serra, prometendo mundos e fundos para o funcionalismo público Federal. Como diz o ditado, "quem não te conhece que te compre".
Outra safadeza do PSDB e do Serra: difamar a Dilma. Para o Serra e o Tarso (que está quase maluco porque vai ficar de fora da mamata), tudo de ruim que tem no Brasil, e, o que irá acontecer, a culpada é a Dilma.
Como pode o Serra alegar que a Dilma fará isso ou aquilo, que é contra isso ou aquilo, se até agora ela só ocupou cargo de "ministra ou secretária de Estado?". Diferentemente do Sr. Serra que tem culpa no cartório, quando na passagem pela prefeitura e pelo governo do Estado de São Paulo, como já foi divulgado nos debates.
Outro assunto que não gostaria de aqui mencionar é sobre o aborto. Como pode uma pessoa que já usou de tal artifício alegar que é contra? (Não sou eu que está afirmando. Foi publicado no site UOL, de 16.10.2010. (A Srª Mônica Serra fez aborto em 1992).
Não estou aqui apelando para que se vote em "A" ou "B", estou só analisando o que está sendo posto pelas propagandas e pelos debates. Reflitam.
"Tricotar" as idéias será de bom alvitre, para que no futuro não nos furtemos de arrependimentos tardios.

sábado, 16 de outubro de 2010

O lenga lenga que precisa terminar


Olívia de Cássia - jornalista

Mais uma semana sem internet em casa, são nove dias já e não tenho retorno da operadora de telefonia fixa sobre o problema. O telefone de repente ficou mudo de novo e não consigo acessar a internet. É muito ruim ficar em casa sem ter a opção de comunicação com o mundo lá fora. Antigamente a gente sobrevivia muito bem sem essa tecnologia, mas hoje ela é fundamental para a nossa vida, tanto para o lazer quanto para o trabalho e no meu caso preciso muito desse aparato tecnológico para o desenvolvimento das minhas funções profissionais.
Ainda bem que nos dois locais de trabalho eu posso me valer desse expediente, até porque preciso dele para efetuar minhas tarefas corriqueiras. Ou então me socorro com os vizinhos.
Falta uma semana para o segundo turno da eleição, confesso aqui que estou cansada de hipocrisia, de mentiras e de tanta fofoca difundida na internet e nos meios de comunicação. Determinado autor que não lembro o nome agora já disse que é nas horas cruciais que a gente tem conhecimento da realidade do nosso país, da evolução ou involução cultural da sociedade em que vivemos.
Como tem gente de mentalidade pequena, tacanha, preconceituosa e atrasada, ainda, no nosso País! É impressionante isso. Mensagens negativas que a sociedade vai nos transmitindo ao longo da vida , herança do atraso que muita gente absorve e reproduz refletindo nessas horas, na maneira de pensar e de ver o mundo.
Gente, o mundo mudou, sabia? Estamos no século XXI, despertem! Não vejo a hora de isso tudo terminar. Dá um cansaço danado, o País está parado esperando o resultado do segundo turno das eleições. Por mim tudo tinha terminado no primeiro. É muito desgaste. Dilma vai ganhar, eu tenho essa convicção, a maioria dos brasileiros vai expressar o reconhecimento do trabalho do presidente Lula nas urnas, como forma de reconhecimento, mas essa ida para o segundo turno está gerando muita ansiedade.
A oposição ao governo Lula quer porque quer desgastá-lo perante a sociedade e à opinião pública, mas ele está com mais de 80% de popularidade e como não conseguem, despejam toda a sua ira em Dilma.
Espalham boatos, mentiras sem fundamento, arquitetam um plano sórdido para incriminar a ex-ministra Dilma e levá-la para a vala comum tentando igualar a candidata do presidente Lula ao que tem de pior na política. Sabem por que? Pelo simples fato de ser uma mulher, mesmo que ela tenha demostrado competência e valor.
O preconceito de gênero é grande e pasmem, não só dos homens. Ouvi muitos comentários pobres de muitas mulheres. Essas pessoas de mentalidade pequena não querem e não têm coragem de enfrentar o presidente e ficam enxovalhando a vida de Dilma com coisas de baixo nível. Uma repórter, não sei de onde, numa das atividades da candidata Dilma, numa entrevista, sem ter nada de contextual foi indagá-la se ela seria Lésbica. Minha gente, o que é que tem a ver isso? Mesmo que Dilma fosse homossexual ninguém tem nada a ver com a opção sexual ou a vida pessoal dela, isso é uma safadeza e um disparate sem tamanho.
Parece que por mais que a sociedade evolua nos anos e nos descobrimentos da tecnologia, mais a gente vai descobrindo o atraso e o preconceito se alastrando como um vírus devastador, em toda a parte, nas igrejas e nos locais de trabalho. Pense nisso!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

ALE realiza sessão e derruba vetos do governador


Sessão contou com a visita de Benedito de Lira e Tony Cloves

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Quarenta dias depois de ter realizado a última sessão legislativa e sessenta sem aprovar nenhuma matéria, os deputados finalmente compareceram ao plenário da Casa de Tavares Bastos, nesta quarta-feira, 13, e apreciaram algumas matérias que estavam pendentes na ALE, depois de um entendimento de lideranças solicitado pelo deputado Isnaldo Bulhões Júnior. Um dos projetos apreciados na tarde desta quarta-feira foi o veto do governador Teotonio Vilela ao Plano de Cargos e Carreira do Tribunal de Contas, que foi derrubado pelos parlamentares.
A sessão teve início no horário regimental e depois da chamada 21 deputados estavam presentes ao Plenário Tarcísio de Jesus; na segunda chamada, na hora da votação das matérias, apenas 16 estavam no local. A tarde foi de muitos agradecimentos dos deputados que saíram vitoriosos no pleito do último dia 3 de outubro. O primeiro parlamentar a fazer uso da palavra, nas explicações pessoais foi o deputado Antonio Albuquerque (PTdoB) que agradeceu os votos recebidos e disse que essa foi uma das campanhas mais difíceis que enfrentou.
O deputado foi um dos afastados em 2007 pela Operação Taturana da Polícia Federal e passou nove meses longe da Assembleia Legislativa, junto com mais nove deputados, acusados de um desvio de quase 300 milhões, quando estava exercendo a presidência da Casa. Albuquerque cumprimentou os funcionários da Casa em plenário e destacou algumas ações da sua gestão quando presidente da ALE.
Enquanto o deputado falava, o deputado federal e senador eleito Benedito de Lira (PP) cumprimentava jornalistas que cobrem os trabalhos da Casa e fez questão de cumprimentar um a um indo em seguida para o plenário, convidado pelo presidente Fernando Toledo (PSDB). Lira foi o mais votado para o senado, tendo recebido 940 mil votos. Ele também cumprimentou os funcionários do Poder Legislativo, a quem agradeceu a grande votação que teve. Depois dos cumprimentos se retirou, segundo sua assessoria, porque ia fazer uma viagem ao interior do Estado. Foi uma rápida aparição.
O deputado Nelito Gomes de Barros (PSDB), reeleito para o seu terceiro mandato, apresentou requerimento parabenizando a cidade de União dos Palmares pela passagem da data da sua emancipação política, que aconteceu nesta quarta-feira, 13. Também fizeram uso da palavra os deputados Gilvan Barros (PSDB) e Judson Cabral (PT), que igualmente agradeceram a votação recebida.
Judson Cabral aproveitou sua fala para solicitar da Mesa Diretora uma cópia, impressa ou eletrônica da Lei de Diretrizes Orçamentária (LOA) para que todos os deputados tomem conhecimento do conteúdo que vão analisar. Ele também cobrou um posicionamento sobre o corte de energia elétrica acontecido na semana passada e disse que compareceu ao plenário quando do corte de energia e que se sentiu constrangido.
“Quero destacar alguns episódios que vêm ocorrendo nesta Casa e solicito que a Mesa esclareça (falta de energia na ALE), pois o dudodécimo está sendo repassado com regularidade e é preciso que a Mesa passe as informações (para os deputados). Me senti constrangido com a ocorrência da semana passada”, observou o petista. Outra fala de Cabral foi de solidariedade à candidata do PT à Presidência da República, Dilma Roussef, que segundo ele, vem sofrendo ataques na internet e na mídia.
Em resposta ao questionamento de Judson Cabral, o presidente Fernando Toledo disse que “houve um enorme equívoco da Eletrobrás em ter suspendido a energia. Nosso compromisso está sendo cumprido”, disse Toledo, observando que a Eletrobrás fez a suspensão com relação a um acordo de dez anos atrás (gestão de Ziane Costa). “Estamos com um entendimento na Justiça, foi uma medida extrema e retomamos o processo de entendimento”, complementou.
TONY CLOVES
Outro político que apareceu na Assembleia, na hora em que os deputados estavam reunidos para entendimento de lideranças, com a finalidade de analisarem o PCC dos funcionários do Tribunal de Contas foi o ex-candidato Tony Cloves, que teve destaque no debate promovido pela TV Pajuçara quando fez várias cobranças ao senador Fernando Collor.
Cloves disse que seu partido decidiu que não vai apoiar a coligação de Ronaldo Lessa (PDT), da Frente Popular, por causa da sua aliança com o senador Fernando Collor (PTB). Ele disse que foi vetado na empresa de Collor no dia do debate da Gazeta e disse que enquanto não saiu a liminar do Supremo Tribunal Eleitoral impedindo-o de participar do debate foi bem tratado, mas que depois se sentiu acuado numa sala, sendo vigiado por funcionários das Organizações Arnon de Mello.
Segundo Cloves, Ronaldo Lessa inviabilizou qualquer pensamento sobre ele (de apoio a sua candidatura). “A coligação do Lessa é complicada por causa do Collor e meu partido (o PCB) resolveu não apoiar, se não fosse o Collor eu tenho certeza que o partido se coligaria”, disse Cloves, acrescentando que em nível nacional o PCB está apoiando a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Ele observou que o objetivo agora é fortalecer o seu partido e que “se precisar, fazer novamente o que fez na campanha fará tudo de novo”.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mães que deixaram saudade


Olívia de Cássia – jornalista

De repente, paro a leitura de Teoria do Jornalismo, do professor e jornalista Felipe Pena, para pensar nas minhas duas mães que tive a sorte de ter em minha vida. A minha mãe biológica e a minha mãe americana, Rosa Amada Gil, uma grande amiga que conheci já numa idade madura e a quem aprendi a respeitar e querer muito bem.
Minha mãe biológica me conhecia a fundo, por inteira, sabia de todas as minhas fraquezas e limitações: práticas e emotivas. Procurou me abrir os olhos várias vezes, conhecia-me mais do que eu mesma, tinha uma percepção aguçada sobre tudo e condenava a minha fraqueza e fragilidade diante das coisas da vida, diante do amor.
Dona Antônia fez de tudo e lutou muito, do seu jeito, para que eu nunca me apaixonasse, para que me tornasse uma mulher independente, forte, brava, capaz de enfrentar todas as tempestades, que surgissem em minha vida.
Era uma mulher forte, determinada e não tinha medo da vida, não tinha medo de nada. Minha mãe enfrentava a vida de frente, procurava romper todos os obstáculos que aparecessem em sua frente e tomava as rédeas dos nossos destinos como uma leoa diante de uma presa que quisesse abocanhar seus filhotes.
Era uma mulher de fibra, guerreira e tinha lá o seu jeito rude e realista de ver a vida e de me abrir os olhos diante da sua percepção da realidade e de tudo aquilo que ela previa terminava acontecendo comigo. É impressionante isso.
Minha mãe procurou me mostrar o erro que eu estava cometendo em minha vida pessoal, mas eu achava que fosse exagero dela, que tivesse raiva de mim e fui desobedecendo todas as suas determinações ao longo da minha vida e me ferrei com isso. Como fui tola diante de tantas questões. Agora eu vejo isso com muita clareza, mas talvez um pouco tardiamente.
Rosa Amada Gil, minha mãe americana, eu conheci já na maturidade, depois de casada e tornou-se minha grande amiga, minha confidente, companhia dos passeios culturais em Maceió, idas ao cinema, visita a museus, companhia das nossas farras e com quem eu desabafava minhas angústias, incertezas e fraquezas.
Mesmo depois que ela voltou para os Estados Unidos, sua terra natal, nós continuamos a nos comunicar, até que partiu para outro plano e deixou um vazio enorme em meu coração. Sinto muito a sua falta.
Hoje, de repente, me deu uma saudade danada dessas duas mulheres que fizeram parte da minha vida. Duas mães que tanto me ensinaram e procuraram me mostrar a realidade da minha vida que eu tanto procurava fugir para não sofrer ainda mais.
Passados todos esses anos da ausência delas, que tanto bem me quiseram, nesse instante de saudade, carência afetiva e de tantas incertezas na vida, eu queria reverenciar essa saudade e falar da falta que ambas me fazem. (12-10-2010)

Procurando alternativas


Olívia de Cássia – jornalista

Feriado de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Crianças. Telefone fixo com problemas, sem opção de internet em casa e sem alternativas para me livrar dos meus incômodos pessoais resolvi sair, para afastar os fluidos negativos e ver um filme lá no Centerplex, no shopping Pátio Maceió. O local estava lotado de pais, mães, crianças e jovens; a fila do cinema enorme e foi preciso estar com muita paciência ou vontade de me distrair um pouco para aguardar a vez.
Entrei na fila para trocar a cortesia que recebi pelo ingresso no cinema às 15h e saí às 15h30. Não dava mais para ver o filme com a Julia Robert, já tinha começado e então fiquei aguardando na poltrona de espera por uma sessão de 17h30, já que Tropa de Elite eu vi no sábado último e quem aguardava na fila para ver o filme com boa atuação de Wagner Moura, o moço da segurança veio avisar que só tinha ingressos agora para as 21h; o restante das sessões esgotou a venda. É um bom filme.
Ainda bem que sempre ando com um livro, o que me salva da ansiedade da espera em filas e locais onde tenho que aguardar por muito tempo. Fiquei ali aguardando o horário de “Coincidências do Amor”, uma comédia romântica leve e divertida para quem, como eu, queria fugir um pouco dos problemas rotineiros, pois para acabar de completar o pacote de inconveniências meu celular pifou, deu uma pane. Fazer o quê quando essas coisas acontecem com a gente? Parece coisa feita. Toc, toc, toc.
Enquanto aguardava o horário da sessão, lia e ao mesmo tempo observava o movimento ao meu redor. Quanto mais gente saía da fila da bilheteria, outro tanto chegava; prova de que quando se tem boas ofertas de lazer e cultura, as pessoas sempre dão um bom retorno. Tem muita coisa boa na área de cultura na cidade para a gente ver, o problema é que nos esbarramos sempre na questão financeira, pois não é tão acessível o preço da diversão em Maceió.
Lá no shopping do Benedito Bentes, dava para observar que a população frequentadora de lá não é a mesma do Shopping Maceió, a gente pode distinguir o público de menor poder aquisitivo, mas que nem por isso deixou de ir para a diversão com a família, mesmo que ali os preços de comida e diversão também não sejam baixos.
É preciso que as pessoas que lidam com arte, diversão e cultura no Estado observem um pouco isso. As pessoas menos favorecidas financeiramente também podem e precisam frequentar bons lugares, precisam, se ainda não têm o costume, aprender a consumir coisa boa, filmes de bom gosto, shows com a mesma qualidade e também necessitam de diversão. (12-10-2010)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dos brinquedos de criança

Olívia de Cássia – jornalista

Eu tinha poucas bonecas e elas eram baratinhas, porque minha mãe não costumava comprar brinquedos caros para a gente, mas a boneca que eu mais gostava na minha infância era a Karina, que foi um presente da minha tia Ester, meia irmã do meu pai. Só perdi a Karina porque numa das visitas que recebemos de São Paulo, eu já adolescente, um dos meus irmãos jogou a boneca no carro dos paulistas na hora em que iam embora e não pude fazer nada; fiquei injuriada em ter perdido minha boneca preferida.
Além da Karina eu tinha a Rute, que era de um plástico bem molinho, com um coque na cabeça e ganhou esse nome por conta da primeira versão da novela Mulheres de Areia que tinha duas irmãs gêmeas: Rute e Raquel, sendo que a Rute era do bem. Mas eu possuía também a Wanderleia, a Vanusa e outras de pano e baratas, da feira livre, que eu dava nome de artistas da época, coisa que faço agora com meus gatos e cachorros; sempre coloco nomes de celebridades que eu admiro, escritores, poetas, cantores, atores; os meus ídolos.
Hoje em dia as meninas entram no mundo adulto muito cedo e deixam as bonecas para namorar sério e até engravidam ainda crianças. Eu era muito ingênua e até os 17 anos brincava de boneca e só me desfiz dos brinquedos que ganhava do meu avô e de mamãe quando comecei a namorar mais sério, depois da primeira paixão, com vergonha de que o namorado pudesse me achar muito infantil.
Eu e Yelma Cardoso passeávamos com as nossas ‘filhas’ na garupa da bicicleta, na calçada grande, em frente à Praça Antenor de Mendonça Uchoa, a pracinha do Cine Imperatriz, em União dos Palmares. Minha amiga tinha as bonecas Suzy, que era a moda da época, como a Barby de hoje em dia. Eu não tive bonecas da moda e nem possuí bicicleta quando criança ou adolescente; tinha uma vontade danada, mas costumava pegar carona nos brinquedos das amigas mais aquinhoadas do que eu e Yelma e Yenya Cardoso eram essas amigas.
Uma vez eu tomei emprestada para dar uma voltinha a bicicleta vermelha Monark nova de Rosimary Veras, mas como sou desastrada, me desequilibrei lá na Rua do Cangote, levei uma queda, me machuquei toda e o brinquedo da minha amiga ficou todo torto. Não sei o que ela disse para seu Maurino e dona Rosinha quando chegou em casa, e também não lembro qual a desculpa que lhe dei ou o que fiz para diminuir a vergonha e a culpa. Até hoje eu falo desse mico para minhas amigas.
Nós brincávamos também de cozinhar, lá no quintal de doutor Nilson Mendonça. Mas da mesma forma que eu nunca fiz nada que prestasse na cozinha, quando criança isso era muito pior e as amigas Nelminha e Roseane faziam a culinária, que comíamos com muito gosto. Nas brincadeiras de boneca e de casinha eu era sempre uma filha ou mãe sozinha que cuidava das crianças, representadas nas minhas fantasias pelas bonecas, cujo companheiro tinha morrido ou vivia viajando a negócios.
Eu arrumava os brinquedos que o meu avô Manoel e minha mãe me presenteavam, embaixo da mesa da sala e ficava no local por horas a fio, no meu mundo de fantasias, conversando e interpretando aquela encenação com as bonecas, que naquela época eram as minhas confidentes.
O tempo passou, a pureza da infância foi se perdendo pelo tempo e a maturidade exige da gente atitudes, coerência, responsabilidades e outros itens do mundo adulto. Quando a gente cresce vai seguindo a vida cada um pro seu lado, tomando rumos diferentes, mas as lembranças da infância permanecem. Com essas lembranças a gente procura fazer um link e entender o que somos hoje.

Para vencer uma batalha

Olívia de Cássia – jornalista

Daqui para o dia 31 de outubro, quando acontece o segundo turno das eleições para presidente e governador, muitas conversas, muitas mentiras vão ser espalhadas nas redes de comunicação do País, no sentido de enfraquecer a candidatura da ex-ministra Dilma Roussef, do PT. Eu posso estar equivocada, mas acho que a eleição deveria acontecer apenas em um turno, até para se evitar esse tipo de expediente que estamos presenciando no Brasil.
A história tem mostrado que, exceto algumas exceções, quem sai vitorioso no primeiro turno dificilmente perde no segundo. Então, pra que desperdiçar tanto tempo e dinheiro com isso? Por outro lado, o conservadorismo que predomina em nossa sociedade ainda é muito forte e a gente fica com mais clareza disso em época eleitoral.
Mesmo a ex-ministra Dilma Roussef sendo a candidata do presidente Lula, aquele que fez o melhor governo que esse País já teve, essas forças contrárias que ocuparam o comando do Brasil durante tantos anos, com sua política de privatização e de terra arrasada, querem voltar ao domínio e não se conformam em ter perdido o posto, principalmente porque perderam para um presidente que veio da classe trabalhadora.
Agora, querem enfraquecer a candidatura de Dilma, porque é a escolhida pelo presidente Lula para sua sucessão no Palácio do Planalto. Uma mulher de luta, guerreira e que não se curvou e nem enfraqueceu, mesmo tendo sofrido tortura na época da ditadura militar por lutar por um País livre da tirania dos militares e por uma sociedade mais justa e mais igualitária.
José Serra (PSDB) pega carona, na sua propaganda para o segundo turno, na votação da ex-ministra Marina Silva, ambientalista, ex-ministra do governo Lula e ex-militante do Partido dos Trabalhadores que agora está no Partido Verde. No programa deste domingo, 10, Serra repetiu o nome de Marina em sua propaganda, seguindo uma orientação de seus marqueteiros de plantão, com o claro objetivo de puxar para si esse eleitorado da ambientalista, alguns mais ligados ao meio ambiente e outros mais conservadores.
Quem conhece o ex-ministro de FHC sabe que em São Paulo ele é conhecido como o governo do pedágio e aquele que segue a política da privatização, tendo como ícone o ex-presidente Fernando Henrique, que em seus oito anos no Palácio do Planalto entregou a Vale do Rio Doce e quase privatiza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. É o mister privatização.
O príncipe da burguesia, com doutorado na Sorbone e professor da USP não fez em seu tempo de governo o que um ex-operário vindo das classes trabalhadoras conseguiu fazer no País: livrá-lo das garras do FMI, avanços primorosos na economia, implantou diversos programas sociais e melhorou a qualidade de vida das classes menos favorecidas com sua política habitacional, entre outras políticas sociais. E é isso que eles não se conformam. O conceito de política é a luta pelo bem comum, mas não é isso que a gente vê na prática, é apenas uma luta do poder pelo poder e nada mais.
Com essa propaganda negativa contra Dilma, eles tentam afastá-la do páreo com o intuito de voltar ao poder. Estão usando a mesma arma que usaram quando Lula foi candidato a presidente. Dilma vem sofrendo, desde o fim do primeiro turno, um verdadeiro bombardeio na internet e na grande mídia. É uma postura machista, atrasada, que não quer admitir que uma mulher, mesmo tendo mostrado sua capacidade e competência intelectual assuma a direção do País. (10-10-2010)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Amigos e compadres que se foram

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Olívia de Cássia – jornalista

Ainda não tinha falado em meus escritos dos meus compadres que já não estão mais nesse plano. Quero destacar aqui Lili e Aristeu que foram duas pessoas presentes em minha infância em União dos Palmares. Dois jovens que namoraram se apaixonaram e casaram e tomaram meus pais como compadres e por tabela eu terminei sendo madrinha dos filhos também.
Quando Aristeu e Lili casaram foram morar numa casinha de aluguel que era de propriedade do meu pai, na Rua da Ponte, nessa época nossa família também morava lá, inclusive meus avós Manoel Paes e Olivia e minha tinha Ozória. Naquela época a infraestrutura das casas era pequena, não tinha água encanada nas residências e Lili lavava os pratos e as roupas no Rio Mundaú, além do banho, como a maioria das famílias ribeirinhas.
Eu fui uma criança que não parava em casa na rua da Ponte, vivia nos quintais das casas, no rio ou de brincadeira com as amigas. Quando não estava na casa dos meus avós e das amigas, era na casa de Lili e Aristeu ou dos pais de Lili que eu me abrigava. Fosse para conversar com os moradores ou por curiosidade de criança mesmo.
Quando minha comadre engravidou do primeiro filho, meu afilhado Wellington que Deus já levou pra outro plano também, eu não saía de lá e quando ela estava de resguardo eu procurava ajudar de alguma forma fazendo algumas tarefas para ajudá-la.
Aprendi a banhar o menino, fazer o mingau e a tomar conta dele, enquanto a minha comadre ia pro rio fazer suas tarefas domésticas. Quando eu não estava na escola, corria para a casa dela e gostava de prestar aquela pequena ajuda a minha amiga e comadre. Aristeu não tinha emprego fixo, não que eu soubesse, mas era curioso na área de eletrônica e conseguia alguns serviços que lhe rendiam algum dinheiro.
Meu compadre também ajudava no posto do irmão Nininho, família de luta, guerreira e que aprendemos a respeitar e amar. Sinto saudade daquela gente querida. Aristeu se foi muito cedo, teve problemas sérios de saúde e minha comadre teve que se virar para criar os quatro filhos.
Depois de Wellington chegou o Ailton e esse eu e mamãe batizamos às pressas porque o menino apresentava um quadro grave de saúde e a crença no interior era a de que não poderia morrer pagão. Corremos pra igreja: eu, mamãe e meu pai e imploramos ao padre que o batizasse imediatamente para que a criança não morresse sem receber o sacramento.
Felizmente meu querido afilhado escapou, cresceu e virou um homem lindo do olhão azul e sempre que o encontro quando vou a União dos Palmares lhe dou a bênção e um abraço fraterno.
Minha comadre também teve duas meninas (Andréia e Adriana-que também são minhas afilhadas), mas quando nasceram nossa família já tinha se mudado da Rua da Ponte, só meus avós permaneceram, mesmo assim continuamos com nossa amizade e contato. Há mais de três anos Lili também se foi e hoje eu quero dedicar esse texto e todo o meu carinho para aquele casal querido que muito fez parte também da minha infância querida na saudosa Rua da Ponte. Que Deus os abençoe onde estiverem.

Prédio da Assembleia continua sem energia

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e foto)

O prédio da Assembleia Legislativa Estadual (ALE) continua às escuras por conta do corte de fornecimento de energia pela Eletrobrás devido ao descumprimento de acordo no pagamento das parcelas que foram agendadas. Desde ontem ao meio dia a suspensão de energia vem causando transtornos na Casa de Tavares Bastos.
Os gabinetes dos deputados estão fechados porque é impossível ter expediente sem energia devido ao abafado, calor e escuridão. Ainda não se sabe quando o problema será resolvido e a sessão de hoje à tarde está comprometida, caso o pagamento não venha a ser efetuado.
A assessoria da Mesa Diretora observa que foi devido a um problema antigo, da época da ex-deputada Ziane Costa e a direção da Casa não quer pagar débitos de gestões passadas, mas a direção da Eletrobrás confirmou à imprensa que a instituição terá que pagar.
Por conta disso os funcionários lamentam nos corredores que a direção da Casa tenha deixado isso acontecer. Aliás, são várias as reclamações do corpo funcional. A categoria afirma que os acordos firmados na época da greve não foram cumpridos, o décimo-terceiro salário dos servidores que normalmente é parcelado em duas vezes (junho e dezembro), até agora não se sabe nem se vai ser pago. “Foi a pior Mesa Diretora que já passou por aqui”, reclama um funcionário.
Enquanto o problema da energia elétrica na ALE não é resolvido, alguns funcionários voltaram para casa e outros ficaram por ali, ao redor do prédio ou nas portas dos gabinetes colocando os assuntos em dia e lamentando o acontecido. Eles argumentam que os deputados que dirigem a Assembleia deixaram apenas acabar a apuração da eleição para mostrarem o que realmente estão fazendo com o Poder Legislativo. (Atualizado às 12h03)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Por falta de energia e de quorum Assembleia não realiza sessão

Olívia de Cássia – Jornalista
(Texto e fotos)

Faltou energia no prédio da Assembleia Legislativa Estadual desde o meio dia desta quarta-feira, 6, segundo dia regimental de sessões ordinárias no plenário da Casa. Mas mesmo que esse problema tivesse sido resolvido até as 15h15, prazo-limite de realização das sessões plenárias, apenas o deputado Judson Cabral (PT), reeleito para o segundo mandato, compareceu ao local.
Em entrevista à imprensa, Judson Cabral disse que não sabia explicar se o problema da falta de energia no prédio da ALE foi por questões técnicas ou por falta de pagamento como estava sendo especulado nos corredores da Casa de Tavares Bastos. Alguns funcionários comentaram nos corredores que não só energia, mas papel higiênico, copos descartáveis, água e café também estariam faltando na despensa do Legislativo. “Só deixaram mesmo terminar a eleição”, comentou um funcionário que não quis se identificar.
O presidente Fenando Toledo (PSDB) não compareceu ao plenário da Casa para prestar esclarecimentos à imprensa se o problema da energia foi por falta de pagamento ou de disjuntor.
CÍCERO FERRO
Outro assunto que movimentou a curiosidade dos jornalistas que cobrem a Casa de Tavares Bastos, na tarde desta quarta-feira, foi o comentário de que o deputado Cícero Ferro (PMN), que não conseguiu se reeleger e ficou como suplente da coligação do senador Fernando Collor (PTB), estaria pressionando o vereador Dudu Holanda, eleito para uma cadeira de deputado na próxima legislatura, a não assumir o mandato e permanecer como vereador por Maceió.
Ferro não compareceu ao plenário da Casa para falar sobre isso e segundo essas fontes, o ex-presidente Fernando Collor estaria sendo acionado para resolver a questão, já que Cícero Ferro foi um de seus principais cabos eleitorais nas eleições deste ano.
De acordo com informações divulgadas na imprensa, se o vereador Dudu Holanda assumir o mandato como deputado estadual, Cícero Ferro tem problemas com a Justiça e corre o risco de ser preso pela Justiça comum.
Ele é acusado de ser mandante em pelo menos dois assassinatos: o de seu primo Jacob Ferro e do vereador Fernando Aldo, além de ter desafiado o Judiciário várias vezes na tribuna da Assembleia. Ferro perderia a imunidade parlamentar o que deixaria o principal cabo eleitoral de Collor em maus lençóis.
LOA
Com a não-realização de sessões na Casa, a LOA - Lei Orçamentária Anual, que já se encontra na Casa para ser debatida pelos parlamentares, deixa de ser discutida prejudicando assim o andamento dos trabalhos no Legislativo, problema que o deputado Judson Cabral destacou desde a terça-feira, 5.
Outras matérias como os vetos do governador Teotonio Vilela (PSDB) à LDO – Lei de Diretrizes Orçamentária (que seriam pelo menos quatro) também deixaram de ser votados na ALE, mesmo terminada a campanha dos deputados estaduais, embora alguns ainda estejam empenhados no segundo turno das eleições para presidente e governador, pleito que acontece no próximo dia 31 de outubro. Pode ser que até lá a Casa de Tavares Bastos viva clima de recesso, mesmo o presidente Fernando Toledo tendo dito na terça-feira que faria um esforço para que os parlamentares alagoanos voltassem a freqüentar o plenário nesta quarta-feira e fizessem o dever de casa. Vamos aguardar.

Voto Dilma no segundo turno


Olívia de Cássia – jornalista

Assim como no primeiro turno, votarei na ex-ministra Dilma Roussef (PT) no segundo, para dar continuidade ao projeto do governo Lula. Como disse Jorge Furtado, em artigo em seu blog, espero que meus amigos continuem sendo meus amigos e que não deixem que a política estrague as amizades. Isso a gente não deve fazer nunca.
Já vi muitas amizades descerem pelo ralo e se perderem no labirinto da vida, tanto em União dos Palmraes quando aqui em Maceió, por motivos políticos; a história já mostrou que não vale a pena. Devemos separar um assunto do outro. A divergência de ideias faz parte da democracia e não podemos querer que todo mundo tenha a mesma linha de pensamentos que a nossa.
Eu tive esse exemplo em minha vida e hoje eu não digo que tenha conquistado imizades, porque isso eu não quero ter na minha vida, mas algumas pessoas ficaram indiferentes comigo. Na década de 90 algumas lideranças partidárias de uma agremiação de esquerda em Alagoas queriam me ver pelas costas, pelo simples fato de eu ter afirmado, em artigo publicado no jornal Gazeta de Alagoas do dia 1º de maio de 1994, que discordava da aliança do partido com o ex-governador Divaldo Suruagy e com o meu conterrâneo Manoel Gomes de Barros, o Mano.
Nunca tive nada de pessoal contra nenhum dos dois políticos, a questão foi que indaguei no meu artigo, como um partido que se dizia de esquerda, comunista, estava fazendo aliança naquela época com duas pessoas pertencentes a partidos que eram totalmente contrárias a sua linha de pensamento. Naquela época eu era muito radical, todos que me acompanham sabem disso.
Com o tempo eu fui aprendendo que em política tudo é possível, dependendo do momento. Faz parte da democracia a mudança de pensamento. Hoje eu sei que se a esquerda não tivesse se aliado com aquelas forças que consideravam atrasadas, não teria chances de chegar à Presidência do País.
E é isso, esse poder de aglutinação, que admiro no presidente Lula, a sua capacidade de articulação de unir forças contrárias e divergentes em torno de seu governo. Sou sua fâ de carteirinha, apesar de algumas críticas que possa fazer ao seu governo. A constatação desse fato, não quer dizer que ele tenha que se corromper também, embora tenham havido denúncias de irregularidades de algumas lideranças de seu governo, isso também não se pode esconder, mas essa é uma avaliação à parte que a gente tem que fazer observando as regras da boa convivência.
Na eleição deste ano eu vejo com antipatia e revolta a propaganda antiDilma que os conservdores, ligados a igrejas ou não, tentam difundir, enveredando na baixaria contra a candidata do PT. Política, como todos sabem, é um jogo muito sujo, a arte de se fazer conchavos e para estar nela o indivídio, seja ele homem ou mulher, tem que engolir muito desaforo, ter a cara de pau e ignorar as calúnias. Vejo amigos meus se desentendendo por causa de política e fico triste com isso.
Quem viveu na década de 70 em União sabe do que estou falando. A briga ferrenha que se dava entre os partidários de Mano e de Afrânio, que gerou intrigas e desavenças entre famílias e ainda hoje tem gente assim. Eu encaro a política hoje como uma forma de a gente ver o mundo e não uma arma contra aqueles que divergem de nós. Precisamos aprender a lidar com o contraditório pois ele faz parte de uma sociedade democrática e fraterna. A divergência é de ideias.
A campanha para o segundo turno, no rádio e na TV, começa nesta sexta-feira. Espero que a oposição ao governo Lula e a candidata Dilma trave uma batalha com propostas, com coerência e caráter, sem entrar na baixaria que coloca pessoas pouco esclarecidas contra um projeto que eles nem absorveram a importância ainda.
O projeto de Lula será continuado pela sua sucessora Dilma Roussef e eu tenho não treze, mas todos os motivos do mundo para votar no 13 para a Presidência do nosso País. Deixo a reflexão.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Bastidores da ALE



Sem quorum para sessão, deputados se cumprimentam e concedem entrevistas

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Depois da ressaca do primeiro turno da eleição, não houve quorum para que houvesse sessão, nesta terça-feira, 5, primeiro dia de trabalhos legislativos na Assembleia, cuja legislatura atual está se despedindo. Apenas os deputados estaduais Isnaldo Bulhões (PDT), Jeferson Morais (DEM) e o presidente da Casa, Fernando Toledo (PSDB), estavam presentes no plenário, no horário regimental. Outros cinco deputados (Judson Cabral (PT), Sérgio Toledo (PSDB), Fernando Duarte (PMN), Maurício Tavares (PTB) e Rui Palmeira - PSDB) chegaram depois.
Depois de ter sido feita a chamada pelo deputado Isnaldo Bulhões, o presidente encerrou a sessão e os deputados ficaram por ali em clima de confraternização, sendo cumprimentados pelos funcionários da Casa e concedendo entrevistas para a imprensa que cobre a ALE.
O presidente Fernando Toledo disse aos jornalistas que muitos deputados aproveitaram o dia para descansar devido à correria da campanha eleitoral. “Espero que a partir de amanhã a Casa volte ao ritmo normal para que ainda nesta semana possamos votar projetos que estão parados”, observou.
Sobre o resultado das eleições no dia 1º de outubro, ele disse que a a maioria dos deputados conseguiu se reeleger e alguns alçaram voos maiores como os deputados Rui Palmeira e Arthur Lira, eleitos para a Câmara Federal. Toledo não quis adiantar se será candidato a reeleição para presidência da Casa. Ele acredita que ainda é cedo, já que a atual legislatura termina somente em janeiro. “Agora vamos aguardar a definição do segundo turno para governador do Estado e presidente da república”, destaca.
O presidente da ALE reforçou seu apoio ao governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), mas enfatiza que é importante que a Casa tenha sintonia com qualquer candidato eleito.
A Assembleia Legislativa deve colocar em pauta ainda esta semana, a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), cuja finalidade é estabelecer as metas e prioridades do governo para o exercício financeiro do ano subsequente e que estava em apreciação.
O deputado Judson Cabral (PT), reeleito para o seu segundo mandato de deputado estadual, destacou a ampliação da bancada do seu partido e disse que o Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia irá lutar por um espaço na nova Mesa Diretora. Cabral disse que, se necessário, terá a mesma postura combativa na próxima legislatura, e afirmou que o PT está empenhado agora em eleger Ronaldo Lessa governador do Estado.
SUPLÊNCIA
O deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão), líder do Partido dos Trabalhadores na Assembleia, não se elegeu deputado federal e ficou na primeira suplência da coligação. Na manhã de hoje ele fez um agradecimento, por meio de sua assessoria, à sua militância e apoiadores pelo apoio recebido durante a campanha.
“Quero agradecer aos alagoanos e alagoanas que acreditaram na nossa candidatura a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores e dizer que, apesar de não termos atingido o percentual quantitativo de votos para ficar na titularidade do cargo, a votação que recebemos nos permitiu a primeira suplência da coligação”, observou.
Paulão obteve o total de 36.621 votos que, segundo ele, foram conquistados “com muita luta e desempenho da militância que nos acompanha, da nossa equipe e de apoiadores”.
O petista acrescenta que nessa eleição o partido do presidente Lula amplia sua bancada no parlamento estadual de dois para três deputados, fato que segundo observa fortalece a agremiação na Assembleia Legislativa Estadual (ALE), na próxima legislatura.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A resposta das urnas


Olívia de Cássia – jornalista

O País amanheceu de ressaca, uma ressaca eleitoral depois de um pleito em que o brasileiro votou em presidente, governador, deputados estaduais e federais e senadores. Para aqueles governadores que já foram eleitos no primeiro turno e para os candidatos que não conseguiram se eleger este ano, a experiência de agora pode servir de lição. Uma boa lição.
O grande fenômeno nas urnas, em nível nacional, foi o palhaço Tiririca (PR), eleito com 1.354 milhão de votos e levou consigo mais quatro parlamentares para a Câmara Federal. Tiririca usou de toda a sua irreverência como palhaço de circo mambembe, fenômeno que conquistou o país por meio de vídeos na internet, tendo sido eleito pelo maior colégio eleitoral, o de São Paulo, que tanto critica os alagoanos por não saberem escolher seus candidatos.
Segundo o agora parlamentar declarou, não sabe o que faz um deputado federal e conquistou a simpatia do eleitorado afirmando que quando chegasse lá diria. Pois bem, agora vai ter que aprender a lição e saber os deveres civis de um deputado federal, para transmitir a mensagem ao eleitorado que acreditou na sua propaganda anarquista.
No âmbito da Presidência, a ex-ministra Dilma não se elegeu logo no primeiro turno, como indicavam as pesquisas dos principais institutos do País. De última hora os adversários lançaram mão de uma arma perigosa: a calúnia, difundida amplamente na internet e no boca a boca, fato que tirou alguns votos de Dilma que migraram para a candidata do Partido Verde, Marina Silva.
Evangélica de formação, ninguém esperava que os marqueteiros da candidata verde fossem usar de má-fé e espalhar um boato de que Dilma teria dito que nem Deus impediria sua vitória. Coisa de baixo clero mesmo e que indignou grande parte dos brasileiros. Espera-se que o mal entendido seja desmentido e que a candidata do presidente Lula consiga conquistar os votos do eleitorado de Marina.
Para o Senado, em Alagoas, a grande surpresa foi a vitória esmagadora do deputado federal Benedito de Lira (PP), que superou a votação do senador Renan Calheiros, até então favorito na campanha. Os propagandistas do Biu ousaram com uma peça de marketing diferenciada, usando uma caricatura semelhante a uma xilogravura (o Cabeça) que conquistou os votos dos alagoanos.
Foi a maior votação para a vaga, no Estado de Alagoas, derrotando a vereadora e ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), que era a candidata líder das pesquisas, antes da propaganda eleitoral, preferida de alguns intelectuais, juventude e crianças. Há quem diga que Loló foi derrotada por falta de humildade, pelo seu estilo bateu levou.
Aliás, a falta de humildade é uma característica que venho acompanhando no meio político e que tenho presenciado em muitas lideranças que precisam fazer uma reciclagem intelectual, espiritual e logística. Tem muita gente que era favorita e que perdeu votos por isso e é bom que os pretensos candidatos a futuras eleições façam uma reflexão sobre isso.
Na Assembleia Legislativa houve uma renovação de onze deputados, mas o quadro ainda não está definido por conta da não-computação dos votos dos deputados João Beltrão (PRTB) e Alberto Sextafeira (PSB) que estão enquadrados na Lei da Ficha Limpa. O cenário pode mudar ainda.
União dos Palmares elegeu dois deputados: Nelito Gomes de Barros (PSDB) e Jeferson Morais (DEM), nascido na Usina Laginha. Nelito manteve seu mandato, mas muita gente, quando ele se elegeu no primeiro, argumentava que não ia passar daquele. Engano, contrariando as expectativas, o filho do ex-governador Manoel Gomes de Barros manteve a tradição da família e conseguiu se reeleger. Teve os seus méritos, seja de que maneira tenha sido.
Muita gente em União critica o fato de Nelito ter sido reeleito, ontem eu comentava que ele está no seu papel, garantindo o seu status quo. Tem gente que passa o tempo todo criticando os parlamentares, mas na hora de votar, votam nos mesmos que criticam a vida toda; se vendem por 50 reais, votam por obediência, por tijolos e outros benefícios.
Avalio que essas pessoas que venderam o voto e que votaram dessa forma não têm o direito de criticar Nelito ou outro parlamentar. A culpa não é dele e sim de quem acha que ele está errado, mas vota nele. O que acham os meus leitores????

Alguns instantes. Vivendo por aí...