quarta-feira, 31 de março de 2010

Servidores ocupam a ALE e declaram greve; categoria teve o reforço dos policiais que prometem
aquartelamento dia 7 de abril

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Os servidores da Assembleia Legislativa ocuparam o prédio da Casa de Tavares Bastos no fim da tarde de ontem e impediram que houvesse sessão no primeiro dia da semana para os trabalhos legislativos. No começo da manifestação os ânimos estavam exaltados e houve servidor que tentou forçar a porta da ALE par entrar, em seguida as portas foram abertas e eles tentaram invadir o plenário quando foram impedidos pela segurança da ALE.
A categoria promete radicalizar, na próxima segunda-feira, 5 de abril, caso não haja a incorporação dos quinquênios e do Plano de Cargos e Carreiras dos Servidores (PCCS), esperado há 21 anos, como tinha ficado acordado anteriormente com a Mesa Diretora.
Depois de momentos de tensão uma comissão, junto com o presidente do sindicato, foi recebida pelo presidente Fernando Toledo (PSDB), mais alguns deputados, mas a presença da imprensa na reunião não foi permitida e os jornalistas ficaram aguardando na ante-sala da presidência.
O que foi conversado entre eles parece que não agradou muito ao presidente do Sindicato da categoria, Ernandi Malta, que quando saiu da sala da presidência deu mais declarações à imprensa, inconformado com o que ele chama de falta de compromisso com os trabalhadores do Poder Legislativo, quando não incorporou, já no salário pago nesta terça-feira, 30, o retroativo de janeiro e fevereiro, nem os quinquênios.
A entidade dos servidores da ALE reclama da falta de respeito da Mesa Diretora e, antes de ser recebido pelo deputado Fernando Toledo, Ernandi Malta se queixou do primeiro secretário, deputado Jota Cavalcante (PDT) que segundo ele “desdenha dos servidores”.
No final da reunião o presidente da Assembleia, Fernando Toledo, recebeu a imprensa para dar sua versão aos fatos. Os deputados, que até aquele momento o acompanhavam durante a reunião com os servidores, deixaram a sala por uma porta lateral e não se pronunciaram.
Toledo observou na coletiva à imprensa que está com o firme propósito de fazer a implantação desse PCCS e disse que não há descumprimento da lei, como acusa o sindicato. Ele garantiu que o enquadramento funcional já está sendo feito, mas segundo ele, existem situações diferenciadas em relação à vida funcional de cada um dos servidores.
O presidente da Casa de Tavares Bastos destacou que o que existiu foram dificuldades técnicas, e que a implantação de alguns casos foi feita, e que não restava nenhuma dúvida, mas que outros “são nebulosos”. “A situação funcional dos servidores dessa Casa é muito conturbada”, afirmou.
Comenta-se nos bastidores da Casa que há servidores que só chegam no local nos dias de pagamento ou de mobilização do Sindicato e isso estaria atrapalhando a implantação desse Plano de Cargos.
AQUARTALEMANETO
No começo da noite os servidores da ALE tiveram o reforço dos policiais que reclamam da falta de compromisso do governador Teotonio Vilela (PSDB) com a categoria. Foram feitos vários discursos inflamados e o presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Wagner Simas, disse que no próximo dia 7 de abril haverá um aquartelamento e que vai haver uma assembleia da categoria em frente à Casa de Tavares Bastos, quando eles, mais uma vez, vão se juntar aos servidores da Casa.

terça-feira, 30 de março de 2010

Servidores da Assembleia anunciam paralisação para hoje

Olívia de Cássia - jornalista

Inconformados com o que dizem ser a falta de compromisso com a categoria, os servidores da Assembleia Legislativa anunciam uma paralisação para hoje, a partir da uma hora da tarde.
Eles reclamam que apesar do que a Mesa Diretora divulgou não foi liberado o reajuste, quinquênios, vantagens que foram garantidas com a aprovação do Plano de Cargos e Carreiras pelos deputados, desde o ano passado.
O salário dos servidores da Casa de Tavares Bastos foi liberado hoje, mas com o mesmo valor dos meses anteriores e eles prometem que vão fechar as portas do palácio da Praça Pedro II, no Centro de Maceió, até que a lei seja cumprida e os deputados liberem o que eles têm de direito para receber.

domingo, 28 de março de 2010



Zumbi: Mito e Realidade

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Para a maioria do povo afro, dos movimentos sociais e do movimento negro mundial, incontestavelmente, a figura do líder negro Zumbi dos Palmares, o herói que formou um exército de mais de 30 mil homens na Serra da Barriga, a cinco quilômetros da cidade de União dos Palmares, é o principal símbolo de resistência e liberdade do país.
Mas para os moradores da Serra, diferente do que diz a história, Zumbi não simboliza isso. Foi o que constatou a professora Rosa Lúcia Correia, relações públicas e professora da Faculdade Integrada Tiradentes - Fits.
Rosa Lúcia Correia ensina nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda da Fits, em Maceió e fez sua dissertação de mestrado com a temática Zumbi dos Palmares e a Serra da Barriga”. No trabalho, a professora Rosa aborda a influência do mito de Zumbi na manutenção do território da Serra da Barriga.
Para colher dados que substanciasse seu texto, ela fez seu trabalho de campo no local, durante dois anos e meio, e diz que dormia no posto da guarda, no período de 2002 a 2005. Rosa conta que entrevistou todos os moradores da área tombada pelo governo federal e algumas famílias fora desse trecho, para entender a percepção que eles têm do mito de Zumbi na vida deles.
“Foi possível perceber que a maioria vive na miséria e na época do meu trabalho de campo estavam fora dos projetos do governo, depois que saí de lá foi que começaram a fazer parte desses projetos”, observa a professora.
Ela diz que desde que esses sitiantes “perderam e foi diminuída a área de plantação deles e houve um conflito com os grandes proprietários, com o governo municipal e com o governo federal, que hoje administra a Serra”, observa a professora.
Rosa destaca que no entendimento dos moradores da área tombada pelo governo federal, Zumbi foi o culpado de eles terem perdido a área de plantação. “No entendimento desses moradores a história de Zumbi foi uma invenção e em nome de uma história de liberdade se privou a liberdade deles”, diz ela.
Segundo a professora, a única diferença de discurso é dos mais novos, pois eles não acham Zumbi ruim, porque em época de festas na serra eles ganham algum trocado vendendo comida ou bebida, “mas os mais velhos consideram uma invasão de privacidade na serra, na sua área de plantação”, explica.
Outra reclamação dos moradores da Serra da Barriga, segundo a professora Rosa, é que em época da festa do Dia da Consciência Negra há depredação na sua plantação.
Este ano a professora Rosa finaliza sua tese de doutorado e abordará outra vertente do seu estudo de caso: ela diz que de vez em quando volta à Serra da Barriga e abordará em sua tese de doutorado, “Como a história de Zumbi dos Palmares se transformou num mito nacional de matriz afro-brasileira”, finaliza.

sábado, 27 de março de 2010

ENQUETE
Em quem você vota para o Senado nas próximas eleições?
Na enquete realiza pelo blog, Heloísa Helena e Pinto de Luna empataram com seis votos, equivalente a 46% dos votos. Renan Calheiros e José Costa também empataram com um voto, correspondente a 7%.
Me deu saudade do tempo

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira ©

Me deu saudade do tempo ...
Do tempo em que
Todos nós estávamos juntos,
Em busca de um mesmo ideal...
Tempo de arte, tempo de sol,
Tempo de vida.

Tenho saudade de mim,
Saudade da vida,
Saudade de mim.

Onde está aquela
Menina que sonhava tanto
E que aos poucos foi acordando...
E descobrindo o mundo?

Onde está aquela menina
Que vivia em busca de dias melhores?
Em busca da vida, da poesia, do amor?
Onde está aquela menina?
Menina ingênua, que amava e sofria...

sexta-feira, 26 de março de 2010

A Semana

Olívia de Cássia – jornalista

Está circulando na cidade o novo informativo semanal de Maceió. É o jornal A Semana,que tem como editor geral o jornalista Gabriel Mousinho. A Semana tem design moderno e profissionais competentes como os jornalistas Kelmenn Freitas, Gustavo Moura, Elen Oliveira, Waldson Costa e Roberto Amorim. O informativo tem formato tablóide inglês e vai circular toda quinta-feira.
Difícil viver...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira ©

Difícil dizer o que se
Passa no meu coração.
São sentimentos contrários
Que se misturam
E se juntam num emaranhado
De intrincadas descobertas e tramas.
De um mundo que se torna
Muitas vezes imperceptível,
Cheio de situações equivocadas,
Traições, contradições,
Evocações se misturando ao medo,
Ao anseio e à saudade.
Viver não é difícil.
Difícil é conviver com ideais,
Com contradições.
Tem horas que eu penso
Que não vou conseguir
E acho que vou desistir de tudo.
Mas em seguida
Uma força interior me domina
E me diz que preciso reagir...
Para seguir em frente,
Firme e forte,
Sem ter medo da vida,
Sem ter medo da morte
Ou da sorte,
Sem traumas
E sem ressentimentos.

Paulão faz críticas ao governo e pede explicações sobre investimentos em publicidade

Olívia de Cássia - jornalista
(Texto e foto)

Na sessão ordinária desta quinta-feira, 25, da Assembleia Legislativa, o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), apresentou requerimento solicitando do governador Teotonio Vilela Filho explicações que levaram o Executivo a investir em publicidade oficial mais do que estava orçado inicialmente.
De acordo com o parlamentar, é questionável também o fato de as agências publicitárias estabelecidas em outros estados receberem a preferência na preparação das peças publicitárias.
Outra crítica do deputado Paulão é que o governo Téo Vilela está gastando exageradamente com publicidade, superando todos os governos anteriores, enquanto que efetuou cortes no orçamento para áreas essenciais como o Fundo Estadual de Saúde, cortes na área de segurança e educação. “Isso é muito grave”, observou.
Em seu pronunciamento Paulão destacou que o valor aprovado na peça orçamentária altera o documento. Ele também denunciou que o gasto com publicidade no governo do estado deva ser de 11 milhões e que está havendo desvio de verba para a comunicação no Estado.
Outros deputados apartearam o deputado Paulão e também se pronunciaram sobre o teor do requerimento apresentado por ele. Isnaldo Bulhões Júnior (PDT) lembrou que o assunto é tema recorrente e motivo de outros debates na Casa. “E esta Assembleia não pode ficar calada sobre essa questão”, observou Bulhões. O deputado Judson Cabral (PT) disse que o governo não tem prioridade em suas ações e que está fazendo propaganda enganosa nos meios de comunicação.
RETIFICAÇÃO
O deputado Paulão fez uma retificação na ata lida da sessão anterior a respeito de sua fala sobre o PCC dos funcionários e disse que tinha se reportado ao que ouviu dos servidores da Casa, a respeito dos atrasados de janeiro e fevereiro e que o presidente Fernando Toledo (PSDB), ausente na sessão de ontem, ficou de dar um parecer ontem. Toledo ficou de consultar as secretarias da casa (pessoal e financeiro) sobre o assunto.

quarta-feira, 24 de março de 2010


Sessão da ALE não teve número suficiente para aprovar projeto

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Quase não teve quórum suficiente para que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Fernando Toledo (PSDB) desse por aberta a sessão desta quarta-feira, 24, na Casa de Tavares Bastos. Foi o deputado Marcos Barbosa (PPS) quem completou a cota mínima – nove deputados – para que Toledo convidasse o seu colega de bancada, o agora tucano Gilvan Barros, para assumir a segunda secretaria e fizesse a leitura da ata da sessão anterior.
Terminada a leitura da ata, o deputado Ricardo Nezinho (PTdoB), que assumiu a primeira secretaria, leu os pareceres das comissões a respeito de projetos que estão tramitando na Casa; todos em consonância com as propostas apresentadas e não houve nenhum parecer contrário.
Depois da sessão iniciada, mais três deputados chegaram ao plenário: Paulão, Fernando Duarte e Isnaldo Bulhões Júnior, fazendo um total de doze parlamentares no plenário. Mas quando o presidente solicitou que Nezinho fizesse a verificação de quórum para dar início à Ordem do Dia, só estavam presentes dez deputados, inviabilizando qualquer votação, que só pode acontecer com o mínimo de 14 deputados.

Sendo assim, com essa ausência da maioria na Casa, não houve condições de colocar em segunda votação o projeto aprovado ontem de equiparação de salário dos procuradores da ALE com os do Estado. Se houver número suficiente, talvez a matéria vá para votação na sessão de amanhã, última da semana.
O deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT) solicitou informações do presidente a respeito do Plano de Cargos dos Servidores e disse que foi abordado por alguns funcionários que querem informações sobre os atrasados. Fernando Toledo explicou ao deputado Paulão e aos demais parlamentares que irá consultar as duas outras secretarias da Casa (pessoal e financeiro) e que na próxima sessão (amanhã) dará um parecer. Toledo solicitou que Paulão aguardasse um pouco.
O deputado Fernando Toledo (antes de encerrar a sessão) informou que tendo em vista debate ocorrido na Casa na sessão de terça-feira, sobre o perigo que o Estado está correndo de perder as instalações do estaleiro Eisa, o prefeito de Coruripe, Max Beltrão (foto), estava na ALE para conversar com os deputados, ‘preocupado com o assunto”.
Em entrevista à imprensa, Max Beltrão disse que tinha ido à ALE agradecer aos deputados pelo apoio e disse que burocracia está emperrando o andamento dos trabalhos do estaleiro em Coruripe. Disse que ia fazer um apelo para que todos se sensibilizassem e destacou que se tiver ingerência política nessa questão, prefere entregar o mandato, quando foi indagado pelos repórteres se estava havendo ingerência política nessa questão. Vamos aguardar até amanhã para ver o desenrolar dos fatos.

Patrimônio público destruído

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

O casarão da foto, segundo informações publicadas no site Alagoas 24 Horas de ontem, está ameaçado de vir abaixo. Nesse local, na década de 80, morava um casal de velhinhos e já naquela época não tinha manutenção de sua estrutura. O prédio está localizado na Rua do Imperador, em Maceió.

Ao seu lado, outro prédio, onde já funcionou o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Alagoas (DCE/Ufal, também na mesma época, igualmente está em ruína e serve de depósito de lixo para recicladores. Há comentários de que ambos servem de apoio para usuários de drogas.
A falta de cuidado com os prédios antigos já é uma prática em nosso estado. Tanto na capital quanto no interior do Estado e isso é lamentável. Em União já demoliram o casarão onde morou a professora Salomé da Rocha Barros e o casarão da família Sarmento que foi transformado em galeria.
Não se tem cuidado com o patrimônio histórico que depois, na maioria dos casos aqui na capital, vira estacionamento. Ao invés de demolir essas joias preciosas, deveria ser feito reparo nas estruturas desses casarões que são fragmentos da nossa história e essa história está se perdendo numa velocidade estonteante.
Essa prática vem de anos atrás. Outro casarão, na Rua Barão de Atalaia, em frente ao Espaço Cultural dos Bancários, também foi transformado em estacionamento, mas pelo menos deixaram a fachada pintada em rosa. Atenção, senhores gestores, vamos ter mais cuidado com o nosso patrimônio histórico, vamos ser cidadãos.

Servidores protestam nas ruas contra Projeto de Lei

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Servidores do Estado e do município estão nesse momento percorrendo várias ruas do Centro de Maceió, em protesto contra o Projeto de Lei das Organizações Sociais do Executivo, que está tramitando na Assembleia Legislativa. Segundo as lideranças, o projeto objetiva “entregar para as entidades privadas a gestão e os serviços públicos das principias áreas sociais, como saúde, educação, assistência social, meio ambiente e outros”.
Várias lideranças dos movimentos sociais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Trabalhadores na Educação (Sinteal), Sindicato dos Médicos (Sinmed) saíram em passeata da Secretaria de Finanças do Município com destino ao Palácio República dos Palmares, para protestar contra o projeto.

Portando cartazes chamando o governador de “Téo Sunami”, faixas de indignação e uma “Carta ao Povo de Alagoas”, eles observam em suas falas que as Organizações Sociais, que atualmente já são uma realidade no estado da Bahia, reduz, a responsabilidade do Estado sobre as políticas públicas e as transferem para o setor privado subsidiando-o com recursos públicos.
Além disso, as lideranças dos servidores dizem que esse projeto do governo do Estado “atende a proposta privatizante do PSDB” e garantem a aquisição de bens e serviços sem processo licitatório, entre outras colocações. Assinam a Carta distribuída pelas entidades, o Conselho Estadual de Saúde de Alagoas – CES/AL e o Fórum em Defesa do SUS e Contra a Privatização.


Quanto tempo...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Quanto tempo
O tempo disporá
Até que não saiba mais quem sou?
Quanto tempo terei para reinventar
Minha vida
De forma que ela
Tenha um outro sentido??

Quanto tempo terei
Para tomar as rédeas
Do destino
E seguir em frente
Em busca
De algo mais??

Para o deputado Paulão, aprovação constitui uma anomalia
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Deputados aprovam aumento para procuradores da ALE

Olívia de Cássia – jornalista

Com a presença inicial de 18 deputados na Casa de Tavares Bastos, os deputados estaduais aprovaram na tarde desta terça-feira, 23, em primeira votação, projeto da Mesa Diretora da Assembleia que ‘dispõe sobre a política, funções e fixação do valor dos subsídios dos procuradores do Poder Legislativo e dá outras providências’.
Com essa aprovação os vencimentos dos procuradores passarão dos atuais R$ 9,6 mil para R$ 17 mil, o que representa um reajuste de quase 100%. A matéria, além de equiparar o salário dos procuradores do Legislativo com o dos procuradores de Estado, ainda autoriza a Procuradoria Geral do Estado a fazer a defesa privada dos deputados estaduais.
Para o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT) – que votou contra a matéria seguido do deputado Judson Cabral (PT), a equiparação constitui uma anomalia.
Paulão observou que quando o projeto chegou à Casa, ele havia cobrado “um estudo de impacto financeiro, o que foi feito, segundo a Mesa Diretora. Contudo, além de reajustar o salário dos procuradores da Assembleia, a matéria também beneficiará os muitos procuradores hoje aposentados, segundo Paulão.
Ele observou que a matéria, logo quando chegou à Casa, havia recebido parecer discordante do deputado Rui Palmeira (PSDB), que integra a Comissão de Constituição e Justiça.
O mais grave, segundo o petista, “é saber que os procuradores de estado, ao invés de realizarem uma defesa pública, agora também poderão fazer a defesa dos deputados estaduais indiciados na Operação Taturana [que investigou esquema milionário de desvio de recursos do Legislativo], que não mais precisarão contratar advogados”.
O projeto deve retornar à pauta da sessão desta quarta-feira (24), quando provavelmente será novamente aprovado, com os mesmos dois votos contrários, seguindo à sanção do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).
OUTROS ASSUNTOS
Em suas falas os deputados abordaram novamente a questão da violência no Estado e destacaram o assassinato da garota Jéssica em Arapiraca. O deputado Jeferson Morais (DEM) usou a tribuna da Casa para cobrar agilidade nas investigações e captura dos assassinos, no que foi aparteado pelos deputados Antonio Albuquerque (PTdoB) e Gilvan Barros (PSDB), que se solidarizaram com a fala do colega parlamentar.
O deputado Alberto Sextafeira (PSB), líder do governo na Casa, leu a abertura da coluna do Zé Elias do domingo, feita pelo jornalista Enio Lins, que chamava a atenção sobre o risco que o Estado corre de perder a instalação do estaleiro Eisa.


Serra da Barriga foi tombada há 24 anos

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e foto)



Dia 21 de março foi aniversário de tombamento da Serra da Barriga, localizada no município de União dos Palmares. O ato de tombamento aconteceu por meio do Decreto nº 95.855, que reconheceu o local como Monumento Nacional, após ter sido tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico) em janeiro de 1986.
Dez anos depois, o movimento negro brasileiro conseguiu junto ao Governo Federal consagrar Zumbi dos Palmares como herói nacional. Zumbi foi reconhecido devido a sua luta, incansável pela liberdade, organização e resistência no maior e mais importante mocambo.
Localizada na Zona da Mata alagoana, a 92 km de Maceió, a Serra da Barriga “foi berço de liberdade de milhares de guerreiros quilombolas que viverem uma nova forma de vida, totalmente diferente da que queriam seus opressores, como povo escravizado e sem dignidade humana”, diz um texto da Fundação Palmares, em seu site. Salve Zumbi!

sábado, 20 de março de 2010

A chuva

Por Olívia de Cássia Correia de Cequeira ©

A chuva
Solta pingos,
Refletidos
Brilhantemente
Na luz de um poste qualquer...

Dependendo do momento
Que estejamos passando,
Ela poderá traduzir um mundo
De emoções, tristezas...

Ela traz saudade...
Mistura-se confusamente na noite,
E em pensamentos eu apelo, Interrogo...
Mas ela, a chuva, nada me diz.
E eu fico a observá-la.
A música fala da chuva,
Da saudade de algo inesquecível,
Talvez criado por uma cabeça
E um coração cheios de carências...
Necessitados de todos os tipos de Emoções,
Que possa sentir um ser humano real,
Perfeito na sua imperfeição,
Feliz na sua infelicidade,
Satisfeito na sua insatisfação.

Jorgraf realiza planejamento estratégico

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

A Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos de Alagoas– Jorgraf realizou na manhã deste sábado, 20, na sede da Tribuna Independente, um planejamento estratégico oferecido pela OCB /AL, – Organização das Cooperativas de Alagoas, tendo como facilitador o professor Antônio Costa, da Universidade Federal de Alagoas.
Após a exibição de vídeos educativos, foram feitos trabalhos em grupo e oficinas com os participantes, que sugeriram estratégias e ações para que a cooperativa amplie o leque de serviços oferecidos aos alagoanos.

Na sua exposição de motivos, o professor Antônio Costa deixou claro que “primeiro é necessário saber o motivo de um plano estratégico” e que para se realizar esse plano “a gente tem de se valer com as ferramentas que possui”, disse ele.
Segundo Costa, a cooperativa existe para dar lucro, pois, “antes de mais nada, a gente precisa pagar as contas”, destcou.

Os cooperados se dividiram em equipes e apontaram os problemas e soluções necessárias para o bom funcionamento de uma entidade do porte da Jorgraf
O presidente Antônio Pereira lamentou a ausência de alguns cooperados da Jorgraf e avaliou o evento como importante para a troca de ideais, sugestões e o aprendizado das duas categorias: jornalistas e gráficos.
No final do evento, ficou a proposta para que seja elaborado um projeto no sentido de angariar recursos para que a entidade amplie seu leque de serviços, como a criação de um portal e de um núcleo de eventos, no sentido de ampliar a prestação de serviços, já que atualmente possui apenas um produto que é o jornal Tribuna Independente.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Tempos que mudam

Olívia de Cássia Cerqueira - Jornalista

Aprendi muito cedo que em política tudo pode acontecer. Desde a época da infância, convivi em União dos Palmares com os pormenores da política interiorana. Naquela época existiam apenas duas opções: Arena e MDB. A Arena servia aos militares e seus seguidores e o MDB aglutinava políticos das mais diversas matizes ideológicas que se contrapunham ao regime.
No começo da década de 70, meu pai deixou de votar nos candidatos que até então votava, os da Arena, e aderiu às propostas dos candidatos do MDB. Começou a se inteirar mais da política e passou a acompanhar e votar no primo-político Afrânio Vergetti de Siqueira, que começava a dar os primeiros passos na política palmarina. Mas meu pai tinha receio de se expor até por que naquela época o regime militar era muito rígido e perseguidor.
Em União se formaram duas correntes: a dos partidários de Manoel Gomes de Barros (Mano), e a dos simpatizantes de Afrânio Vergeti de Siqueira, duas lideranças que se fortaleceram no município. Passei a acompanhar os comícios, influenciada pelo meu pai que não perdia um evento daqueles. Era um entusiamo para ele e para nós também, apesar dos anos de chumbo que o País vivia.
Nós íamos aos comícios na boleia e em cima dos caminhões, junto com o povão. Nos sítios e fazendas ficávamos em cima do palanque improvisado; na cidade participávamos segurando bandeiras e cartazes dos nossos candidatos.
Dessa época, eu já mocinha, lembro de um dos comícios mais lindos que participei, na Praça Antenor de Mendonça Uchôa, em União. Naquele tempo, José Costa, José Moura Rocha e Mendonça Neto empolgavam com seus discursos fortes e eloquentes. Era um exercício de oratória para eles.
Nesse comício do MDB, o pernambucano Marcos Freire estava presente. Era uma das maiores lideranças do País, na época. Irmão do senador Roberto Freire (hoje PPS e ex-PCB), Freire começou seu forte discurso com uma oratória irretocável. Foi interrompido pela banda de fanfarras do Mário Gomes, uma escola do município.
Quando a banda diminuiu o toque e nós pudemos ouvir o que Roberto Freire dizia, ele fez uma alusão à música de Chico Buarque que fazia sucesso à época e falou: "Antigamente o povo parava para ver e ouvir a banda passar, hoje a banda passa e o povo de União está aqui, para ver e ouvir os candidatos do MDB e suas propostas". Foi mais ou menos assim a argumentação de Marcos Freire, que foi muito aplaudido. Lamentavelmente, anos depois, morria em desastre misterioso de avião; até hoje não se soube a causa de fato de sua morte.
Mas continuei acompanhando comícios e participando com distribuição de santinhos e panfletos por muitas vezes em União, sendo que algumas vezes fui incompreendida pelos pais de algumas amigas que me olhavam desconfiados. De uma forma ou de outra eu estava sempre me envolvendo, apoiada pelo meu pai que ficava todo entusiasmado com aquele meu interesse em partiipar da sua festa favorita.
Anos depois fui compreendendo que o jogo da política é muito pesado e não tem mais aquela atitude ingênua do episódio da banda de fanfarras de União. No interior, o entendimento é diferente da capital. As pessoas não votam por propostas, em sua maioria votam pela amizade. Não alcançam e não avaliam o motivo de adversários ferrenhos do passado serem correligionários nos dias atuais. Ainda sonham com o romantismo de outrora, com a política dos anos 80, quando o povo foi às ruas do País pedir eleição direta para presidente da República.
O momento que estamos vivendo é outro bem diferente de antes, mas é preciso assimilar que a política é a arte de conchavos e acertos que vão de acordo com o interesse de cada um pretendente ao cargo ou de partidos que são filiados e quem não for muito forte para entender e absorver tanta mudança de postura é melhor ficar longe disso tudo.

(Esse texto foi publicado em blog anterior, no link http://oliviadecassiajornalista.zip.net/arch2009-05-01_2009-05-31.html dia 18 de maio de 2009 e publicado na Tribuna Independente)

quinta-feira, 18 de março de 2010





Falta de quórum inviabiliza sessão na ALE


Olívia de Cássia –Jornalista
(Texto e fotos)

Um dia depois de um plenário lotado de pessoas da sociedade civil para participar da homenagem ao ministro da Previdência, José Pimentel, que foi agraciado com a Comenda Tavares Bastos, não houve sessão na Assembleia Legislativa na tarde de hoje. Apenas oito deputados compareceram ao plenário, neste que foi regimentalmente o último dia para a realização das sessões na Casa.
Feita a chamada pelo secretário Jota Cavalcante, apenas oito deputados deram o ar da graça na Casa: o presidente Fernando Toledo (PSDB), os deputados Jota Cavalcante(PDT), Judson Cabral (PT), Ricardo Nezinho (PTdoB), Temotéo Correia (DEM), Gilvan Barros (PSDB) Jeferson Morais (DEM) e o deputado Alberto Sextafeira (PSB), líder do governo na Casa que é o aniversariante do dia.
Da mesma forma que não houve trabalho legislativo no plenário, repetindo a mesma situação da semana passada, depois da derrubada do veto do governador Teotonio Vilela (PSDB) aos duodécimos do TC, MP e ALE, os deputados ficaram conversando e resolvendo problemas burocráticos.
Na sessão de quarta-feira, antes da homenagem ao ministro da Previdência, a ALE votou alguns projetos, o que não ocorria desde a derrubada do veto governamental aos reajustes de duodécimos, na quarta-feira passada, 10.
O Governo do Estado deve agora, segundo o que se comenta na imprensa, recorrer na Justiça contra os aumentos aprovados na Casa de Tavares Bastos. Avalia-se também que esse recorrer na Justiça por parte do governador Téo Vilela, não será uma tarefa fácil, porque depende de parecer da Procuradoria Geral do Estado.
Segundo a repórter Niviane Rodrigues, da Gazeta de Alagoas, em matéria publicada hoje, “a medida não deverá vir com a mesma velocidade com a qual os deputados incluíram os reajustes no Orçamento, aprovaram e derrubaram o veto do governador”.
Segundo a matéria de Niviane, além de depender de um parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) para decidir se recorre ou não, “Téo Vilela também vai precisar vencer a ameaça de perder o apoio da maioria folgada que mantém na Casa de Tavares Bastos”. Da mesma forma que a próxima sessão só haverá na terça-feira da semana que vem, pode ser que até lá o governador tenha encontrado um meio termo.


Ministro Pimentel recebe Comenda Tavares Bastos


Olívia de Cássia - Jornalista
(Fotos e texto)


O ministro José Pimentel, em sessão ocorrida na tarde desta quarta-feira, 17, recebeu da Assembleia Legislativa a Comenda Tavares Bastos, no Plenário Tarcísio de Jesus, com a presença de um auditório lotado de lideranças dos movimentos sociais e autoridades diversas. A comenda foi proposta pelo deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT). Além de vir a Alagoas receber essa medalha, o ministro também cumpriu agenda de inauguração de agências do INSS nas cidades de Santana do Ipanema, Maribondo e Viçosa e nesta quinta, 18, faz mais uma atividade na cidade de Murici.
José Pimentel é natural da cidade de Picos, no estado do Piauí. Atualmente está licenciado do mandato de deputado federal – está no quarto mandato - para exercer o cargo de ministro da Previdência.
A sessão solene teve a presença do presidente da Casa, deputado Fernando Toledo (PSDB), além dos deputados ; Ricardo Nezinho (PTdoB); Judson Cabral (PT); Cícero Ferro (PMN) e Gilvan Barros (PSDB).
Segundo o deputado Paulão, a concessão da Comenda Tavares Bastos é em reconhecimento aos benefícios que o ministro tem trazido para Alagoas, com a construção de novas agências do INSS nos municípios. Ele destaca que o Estado possuía, no início do governo Lula, três agências da Previdência Social na capital e 11 no interior.

“A partir da gestão do ministro Pimentel foram criadas e já estão em funcionamento 23 novas agências, além das outras previstas ainda para este ano, o que apresenta um avanço incontestável”, explica Paulão.
Antes de iniciar a solenidade de entrega da Comenda, o ministro José Pimentel conversou com jornalistas na sala reservada aos deputados e disse que estava honrado em receber a Comenda Tavares Bastos.
Ele destacou os números da Previdência Social no Estado e disse que o volume de recursos injetados por mês na economia alagoana com o pagamento de benefícios e aposentadorias chega a R$ 210 milhões, totalizando cerca de R$ 3 bilhões por ano, para cerca de 410 mil aposentados e pensionistas. “Nós somos hoje o maior pagador de folha do estado de Alagoas, observou o ministro.
Pimentel relatou que até 2003 eram necessários 180 dias para a concessão de um benefício de aposentadoria “hoje sai em apenas 30 minutos e estamos expandindo a nossa rede de agências em todo o Nordeste”, disse ele, acrescentando que em Alagoas, ” teremos agências próprias em pelo menos 42 municípios. Hoje (ontem) inauguramos as novas agências dos municípios de Santana do Ipanema, Maribondo e Viçosa e amanhã (hoje) estaremos entregando a nova agência de Murici”, disse ele.
A sessão contou com a presença do ex-governador Ronaldo Lessa, do corregedor-geral do Tribunal de Justiça, desembargador José Carlos Malta Marques, do gerente-executivo do INSS em Alagoas, Ronaldo Medeiros, do ex-vereador Pedro Alves, representando o prefeito de Maceió, Cícero Almeida; da procuradora-chefe da República em Alagoas, Niedja Kaspary e do vereador por Maceió, Dino Júnior (PCdoB), Isac Jacson, da CUT, entre outras lideranças do Estado que se fizeram presentes no Plenário da ALE.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A mercearia do meu pai

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira– jornalista


Meu pai tinha uma mercearia na Rua da Ponte, local que antigamente dava acesso à entrada de União dos Palmares, pela estrada de barro. Foi com o fruto do seu trabalho naquele estabelecimento e no armazém de compra e venda de cereais que ele tirou o nosso sustento. Todo sábado eu e meus irmãos íamos ajudar a despachar (vender) as mercadorias, porque o movimento era grade ali. O espaço ficava muitas vezes lotado.
Os matutos e feirantes que moravam nos sítios e na Serra da Barriga, quando terminavam de vender seus produtos na feira, iam pra lá fazer as suas compras semanais ou mensais. Meu pai vendia fiado e nós anotávamos todas as contas em cadernetas; toda semana, quinzena ou mês, os muitos fregueses do meu pai saldavam suas dívidas.
Era uma relação muito mais de confiança que se tinha. A maioria pagava tudo certinho, mas meu pai também levou muito calote e quando se aposentou meu irmão teve trabalho para fazer o levantamento dos fiados e para efetuar as cobranças. Meu pai não era de cobrar aos devedores, porque ficava com vergonha. Nesse aspecto eu também puxei a seu João Correia.
Os cavalos dos fregueses ficam na porta da mercearia, amarrados por uma corda e uma vez meu pai sofreu um acidente quando foi descarregar milho ou feijão. Levou um coice do animal, que o deixou ferido e nós ficamos preocupados. A medicação que se dava quando acontecia acidentes no interior, no primeiro atendimento, era dar para a pessoa acidentada cerveja preta.
Eu passava horas e horas na mercearia do meu pai e hoje eu vejo que aquele local me serviu de laboratório. Quando não estava ajudando a vender as mercadorias eu ficava lendo, fazendo Palavras Cruzadas e aproveitava o tempo ocioso para resolver o Jogo dos Erros, as Diretas e o de Caça-Palavras.
Pegava jornais antigos como o Jornal dos Esportes, que tinha um papel rosa choque; jornais que meu pai comprava em quilo para embrulhar as mercadorias como sabão, pacotes de café e outros produtos e ficava resolvendo aqueles jogos.
Seu João Jonas, como era conhecido meu pai, era um homem caridoso e às sextas-feiras ele dava mais esmolas que nos outros dias. Mendigos e pedintes faziam fila na mercearia para receber a cota que o meu pai distribuía toda semana. Ele colocava para cada um uma quantidade de cada produto da cesta básica: café, açúcar, charque, farinha, sabão, peixe salgado e bacalhau, que naquela época era alimento de pessoas menos favorecidas, ou outro produto que a pessoa necessitada requisitasse.
Naquela época – décadas de 60 e 70 – não existiam supermercados e lojas de conveniência e as pessoas compravam os seus produtos de primeira necessidade nas mercearias no interior. O prédio da mercearia ainda erguido na Rua da Ponte e sempre que passo por ali renovo as minhas saudades. Foi naquela rua que eu nasci e tenho comigo as doces lembranças da infância já distante.

terça-feira, 16 de março de 2010


Sonhos

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Essa juventude minha
Que os anos vão consumindo...
Ah, quantos sonhos acalentados
Em meu cérebro de menina
E de mulher...
Sonhos tantos,
Quase todos acabados,
Sonhos desvairados,
Endoidecidos,
Sonhos...
Viveis em tantas cabeças,
Em tantos cérebros...
Marcantes para o resto da vida.
Tantas vezes irrealizáveis...
Sonhos lindos de criança,
De menina, adolescente,
De mulher...

Deputado diz que terra de Zumbi é marcada por violência

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e foto)

Em pronunciamento na tribuna da Casa de Tavares Bastos na tarde desta terça-feira, 16, o deputado Paulo Fernando dos Santos (PT) disse que o município de União dos Palmares, na Zona da Mata alagoana, é marcado por violência. O pronunciamento de Paulão se deu por conta de uma sessão pública que aconteceu na cidade durante a manhã para discutir o assunto.
Paulão criticou a falta de segurança no Estado e particularmente na Terra da Liberdade e disse que a situação é grave, mas em União dos Palmares existem singularidades, como a de o acúmulo de cargos por parte do delegado Regional, Cícero Lima. Segundo Paulão, o delegado é considerado um excelente profissional e também estaria desempenhando funções como delegado municipal.
“Em União existem 200 inquéritos parados na delegacia e uma pilha de inquéritos mal feitos. Sem contar que há cerca de dois anos não é realizado júri na cidade, o que aumenta a sensação de impunidade”, observa Paulão, acrescentando que "União é marcada pela violência".
O petista criticou o Governo e a prefeitura do município por conta do tráfico de armas e drogas e observou que “90% dos recursos que chegam para a Polícia Civil e Militar são federais e ainda sim não são aplicados no combate ao crime”, destacou.
Paulão concluiu lembrando que o município de União dos Palmares está incluído no Cadastro Único de Convênio (Cauc) do governo federal e, portanto, impedido de receber recursos da União.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amor platônico

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Dizem que o amor é uma invenção.
Invenção de quem não se sabe ainda,
O amor, ah, o amor...
É uma invenção
Dos poetas apaixonados,
Dos tolos e carentes de afeto...
É um sentimento que não se explica,
Apenas se sente,
Com mais ou menos
Intensidade do que se deveria...
Dependendo da situação
E do envolvimento,
Poderá trazer alegrias ou decepções,
Decepções que devoram e matam...
De saudade e de falta de afeto...
O amor, ah, o amor...
Sentimento dos romances imortais...
Amor dos poetas mais sensíveis,
Mais observadores,
Mais sofredores...
Amor dos apaixonados...
Minhas dores

Olívia de Cássia – jornalista

Sinto dores por todo o meu corpo. Agora eu sei o que sentia a minha avó Olívia Maria, que era acometida de dores ciáticas, reumatismo e reclamava constantemente dos incômodos que esses problemas causavam.
O peso da idade já me mostra isso. Tem dias que tudo se mistura: as limitações que já começo a passar, como levar tombos e não ter mais equilíbrio, as dores de cabeça, enxaquecas e angústia me consomem o juízo.
Todos esses sintomas sinalizam o peso da idade, a saúde não mais tão firme, se é que algum dia eu a tive em seu perfeito estado, e a urgência de realizar o máximo do que eu puder de metas daqui pra frente. Tenho pressa, já não posso esperar, já não posso apostar fichas em investimentos em longo prazo. Não tenho mais tempo.
É urgente que eu ultime determinadas coisas, pois não tenho tempo de sonhar mais como antigamente, à espera de que um dia as coisas acontecessem como num passe de mágica em minha vida, preciso correr atrás.
Estou inquieta, eufórica e com esperança de que agora, a curtíssimo prazo, eu realize um sonho da juventude: a publicação do meu primeiro livro em gráfica. Sonhei muito com isso a vida inteira e lutei todo esse tempo para que isso viesse a acontecer.
Estou buscando parcerias para a concretização desse momento e avalio que esse ano poderei comemorar essa conquista. Que venham os parceiros; todos serão bem-vindos.

Executiva do PT cria comissão para discutir eleições 2010

A Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), reunida na quinta-feira, 11, decidiu por unanimidade eleger uma comissão que irá discutir com os partidos da Frente Popular pró-Ronaldo e Dilma – formada pelos partidos PMDB, PT, PDT, PTD, PCdoB e PP -, para discutir com esses partidos a composição das chapas majoritária e proporcional.
A comissão é formada por Joaquim Brito (presidente), Adelmo dos Santos (secretário de Assuntos Institucionais), Tomaz Beltrão (secretário geral e os deputados Paulo Fernando dos Santos (Paulão) e Judson Cabral.
A executiva também deliberou o dia 17 de abril a data para discutir tática eleitoral do partido. O local para esse encontro ainda vai ser definido.

domingo, 14 de março de 2010

Hoje é o Dia Nacional da Poesia

Olívia de Cássia - jornalista

A poesia é uma arte literária e, como arte, recria a realidade. O poeta Ferreira Gullar diz que o artista cria um outro mundo “mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata”. Para outros, a arte literária nem sempre recria. É o caso de Aristóteles, filósofo grego que afirmava que “a arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra”. Fernando Pessoa diz em sua poesia Autopsicografia que “o poeta é um fingidor finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”.
Hoje, 14 de março, comemora-se o Dia Nacional da Poesia, a data coincide com a comemoração do nascimento do escritor baiano Castro Alves, o poeta dos escravos. Castro Alves foi um poeta do Romantismo, autor de belíssimas obras como o “Navio Negreiro” e Espumas Flutuantes”. Sua arte era movida pelo amor e pela luta por liberdade e por justiça.
Em todos os cantos do mundo há, em todo os momentos, alguém evocando sensações, impressões e emoções por meio de sons e ritmos harmônicos, por meio da poesia. Ela expressa a alma dos poetas e dos cantadores e nasceu na Grécia, berço da Civilização Ocidental, com as obras Ilíada e Odisséia de Homero.

(Esse texto foi a abertura da minha matéria Recriando a Realidade, publicada na Tribuna Independente, no dia 14 de março de 2008 e republicada no meu primeiro blog no link http://oc-cerqueira.zip.net/arch2008-03-01_2008-03-15.html. Quem quiser pode conferir)
(Republicação de texto)

O medo é uma prisão

Olívia de Cássia - Jornalista

Descobri, depois de muitos anos de vivência e amadurecimento, alguns meses de terapia, muito sofrimento e crises existenciais constantes que o medo é uma prisão para a alma e um portal para a destruição pessoal. O medo sufoca, nos subjuga e nos deixa com um grau de insegurança tão grande que passamos a duvidar da nossa capacidade profissional e intelectual e da capacidade de superar obstáculos.
Com o medo em nossas vidas podemos perder a personalidade, a saúde e até a vida se não tivermos força e ajuda externa para superá-lo. Vivi a juventude cheia de medos e tabus, tentando ser feliz, me rebelando contra modelos pré-estabelecidos, indo de encontro aos meus pais, principalmente a minha mãe, e sendo contrária a quase tudo o que eles me ensinavam com relação a certos assuntos que consideravam importantes. Coisas de adolescente rebelde, sem causa.
Nasci e me criei em uma família religiosa, de tradição católica, com todos os dogmas e ensinamento que a Igreja proporcionava e ainda hoje proporciona e apesar de tudo, de todos os preconceitos, da hipocrisia que está embutida na religião, de todas as críticas que faço a essa minha crença posso dizer que agradeço a Deus, agora, pela educação que eu tive e pelos ensinamentos que me foram passados pelos meus pais. Se não tivesse tido essa orientação e muita fé em Deus talvez hoje não tivesse superado tantos obstáculos que agora me parecem tolices.
Em 2003, depois de muita turbulência em minha vida, veio revelação das minhas fraquezas interiores e da minha fragilidade emocional que abalaram a minha saúde. Nessa época eu precisei de ajuda médica profissional para conseguir superar aquele momento, pensava que fosse ficar louca e fui fazer terapia aconselhada por minha amiga Bleine Oliveira, também jornalista.
Ela me indicou a doutora Lourdgleid Soares, a melhor em terapia e psiquiatra renomada no Estado. Naquela época acho que Lourdgleid avaliou que eu estivesse ficando doida mesmo, diante das besteiras que eu dizia e fazia e acho que estava pirando mesmo.
Precisei tomar remédios controlados pois não conseguia dormir, comer, nem me controlar, eu chorava o tempo todo. Eu estava chegando ao fundo do poço, quase perdi minha personalidade, minha individualidade e achava que tivesse perdido também a minha felicidade. Avaliava naquele momento que aquela moça tinha me tomado o bem que eu achava fosse mais precioso e a culpava pela minha separação e por tudo aquilo que eu estava passando. Eu estava errada.
Errei em muita coisa na vida, inclusive na maneira como eu estava conduzindo a minha rotina: sendo submissa e contrária a tudo o que sempre tinha pregado na minha curta vida de militância feminista. Aquilo que eu havia aprendido na faculdade e nos movimentos sociais eu tinha esquecido e estava pregando tudo ao contrário.
Hoje eu sei que muita coisa que aconteceu comigo foi por conta da minha insegurança, da fragilidade, dependência e do medo. O medo de ser feliz. Não tem coisa melhor do que a maturidade para nos dar discernimento e coragem. Coragem para lutar, enfrentar a vida e ser feliz. E é o que estou fazendo e vivendo agora. Tentando ser feliz, tanto na vida pessoal quanto profissional e isso me permite ter mais uma chance diante de Deus a de ser avaliada por tudo o que fiz até agora.

(Esse texto foi publicado no meu blog anterior e está no link http://oliviadecassiajornalista.zip.net/arch2009-04-01_2009-04-30.html - também foi publicado na página de opinião do jornal Tribuna Independente)
Tenho vivido...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Tenho vivido
momentos oscilantes,
entre altos e baixos.
Há dias em que me sinto bem,
que estou acreditando na vida,
mas há instantes
em que uma tristeza profunda
se apossa de mim
e não consigo agir
com razão e precisão....
O que será feito da vida?
O que será feito de mim?

sábado, 13 de março de 2010


Sobre os interesses de cada um...

Olívia de Cássia - Jornalista

Em 18 de maio de 2004 eu escrevi o seguinte texto que recupero agora porque gosto muito do escritor Érico Verissimo. Aí vai o escrito...
“É tão difícil julgar os homens, que até mesmo Deus, para fazê-los, espera primeiro que eles morram”, diz o Sermão da Montanha da Bíblia, reproduzido no romance Olhai os lírios dos campos, de Érico Veríssimo. O romance trata da falta de caráter do personagem Eugênio, que faz tudo na vida por dinheiro, inclusive abandonar o seu grande amor, Olívia, que o ajudou a se formar em medicina e a ser um homem reconhecido e respeitado na sociedade.
Na novela que a Globo exibiu, a personagem de Olívia foi vivida pela atriz Nívia Maria. Eugênio vende até a alma ao diabo, casa-se com outra mulher, rica, por interesse, e vive uma vida de angústia, apesar do sucesso profissional, termina na mais pura miséria e depois morre. Os romances às vezes nos revelam muito do que vem na alma humana e a frase da Bíblia é tão perfeita que vale uma reflexão.
“Tenho pensado muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro” diz Olívia, em carta a Eugênio, “eles deviam se inspirar nos lírios dos campos que nem tecem nem fiam, e no entanto, nem Salomão, com toda a sua essência e profundidade, conseguiu se vestir como um deles”, diz ela.
É um romance de uma profundidade inigualável e todas as pessoas deviam ler, para conhecer melhor o que vai do submundo da alma humana, porque às vezes a gente convive vários anos com uma pessoa e não chega a conhecê-la, ou não quer enxergar o que vai dentro dela.
As falhas do caráter, os defeitos, as imprecisões, a falta de amor e de pureza no coração, parece que ficam embotados na mente de quem convive com pessoas assim. Só muito tempo depois é que percebemos o quanto fomos ludibriados. São pessoas que querem viver uma vida dupla, de aventuras, sem responsabilidades e sem limites morais. Que querem viver sem conseqüência e acham que são os donos do mundo e que são poderosos porque são machos e que podem ter todas as mulheres e com elas terem todo tipo de aventura, sem perceber que a vida, mais na frente, pode dar uma grande rasteira.
São falhas no caráter humano que a psicologia explica muito bem. São pessoas que só amam a si mesmo e, como Narciso, personagem que costumava se admirar no reflexo das águas de um lago, só enxergam o seu próprio umbigo e a sua própria imagem.
Tem pessoas que só se aproximam da gente, pensando em tirar um grande proveito. Usufruem o que temos de melhor, nos usam e depois nos relegam a um bagaço de cana. Eu estou aprendendo na vida que devemos ter muito cuidado com quem se aproxima de nós e que devemos tentar descobrir que tipo de interesse essas pessoas têm para conosco. É preciso ter muito cuidado com isso. Falo de cadeira, de experiência própria.
Quem você acha que deve ser o novo governador de Alagoas?
Se a eleição fosse hoje, Heloísa Helena iria para o segundo turno, com 27% disputando com Teotonio Vilela que obteve 22% dos votos. Ronaldo Lessa e Màrio Agra ficaram em terceiro lugar, com 16%. Fernando Collor obteve 5% dos votos, segundo de Ricardo Barbosa e a opção outro candidato que obtiveram 1% dos votos.

Tranquei as portas

Por Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Tranquei as portas
do meu coração
para não mais sofrer...
Para não mais sofrer
De tanta dor escondi no fundo da minha alma
todo e qualquer sentimento
Inquietante...
Que traga alguma vã esperança
De um dia te encontrar novamente...

quinta-feira, 11 de março de 2010



A ressaca depois da derrubada do veto
Olívia de Cássia-jornalista (texto e fotos)

Depois do corre corre de ontem para a votação do veto do governador Teotonio Vilela, não houve quorum hoje na Assembleia Legislativa Estadual (ALE), que só contou com a presença de sete deputados no plenário, número que inviabilizou o começo da sessão que deve contar, no mínimo, com nove deputados. Sendo assim os sete parlamentares presentes ficaram por ali jogando conversa fora, falando de política que é o assunto preferido deles ou concedendo entrevista para alguns jornalistas que estavam lá.
A maioria já sabia que depois de uma votação na ALE é bem difícil haver deputados suficientes para que haja trabalho legislativo na Casa de Tavares Bastos. Na ressaca de hoje os comentários de bastidores ainda eram sobre qual dos quatro deputados não tinha votado a favor da manutenção do veto do governador aos aumentos dos duodécimos do Tribunal de Contas, da ALE e do Ministério Público, já que tinham declarado essa intenção verbalmente no plenário.
Outra resenha comentada pelos jornalistas foi sobre a atitude do deputado Cícero Ferro (PMN) que distribuiu adesivos do senador Fernando Collor (PTB), segundo se comentava, já lançando o ex-presidente candidato ao governo do Estado. Nesse caso, se o ex-presidente vier a ser mesmo candidato, jogará um balde de água fria nas pretensões de Ronaldo Lessa de ser candidato ao governo pelo chapão.
É bem provável que isso venha a acontecer visto que o senador já tomou a mesma atitude de se lançar de última hora ao governo, na eleição que disputou com o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) ao governo do Estado. “Ele é dado a esses rompantes”, como diria um amigo meu.
Mas voltando ao contexto da Assembleia, em ano eleitoral e precisando garantir muitos votos para se reeleger, a maioria mesmo aproveita para fazer campanha junto a suas bases, no interior do Estado, ainda mais sendo esse um ano atípico que terá uma Copa do Mundo pelo meio para ocupar as mentes dos brasileiros apaixonados por futebol.
Vamos aguardar semana que vem para ver se o governador vai mesmo entrar na Justiça contra a decisão da maioria dos deputados de derrubar o veto do Executivo. Até lá.



Insônia

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

São quase quatro horas da manhã...
Me pego insone, inquieta e dispersa...
Pensando na vida, pensando no nada...
E fico querendo que os anos pudessem voltar...
E eu pudesse viver cada minuto perdido, cada minuto da vida...
e pudesse voltar no tempo e me fazer mais bonita...

O tempo foi cruel...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

O tempo foi cruel comigo...
Levou a minha juventude,
Levou meus anos dourados...
Mas me deu experiências..
Diversas...
Me tirou muita coisa...
Mas não me tirou ...
A sensibilidade...
e os sonhos juvenis...
Me deixou insegura...
E agora, o que faço...
Com essa armadilha do tempo,
E do vento??
O vento???
Armadilha adolescente...
Que teima em me
Envolver....
Numa trama perigosa
E aflita....
Estou com medo de mim....
Do que eu posso sentir...
Com medo do mar....
De amar ...
De ser assim...
Inconseqüente...
Não sou assim...
Fútil e urgente...
Não fui assim...
Não ajo assim...
Não sou assim...
Pura armadilha do tempo...
Que quer me enganar
Fingir que não sabe....
Que não posso sonhar....
Que não posso me envolver...
Que não posso sonhar...

Escrito em 01/08/2009

quarta-feira, 10 de março de 2010

Fotos de Olívia de Cássia Correia de Cerqueira


Votação dos vetos na tarde desta quarta-feira, na Assembleia Legislativa
Deputados derrubam veto do governador

Olívia de Cássia – Jornalista

Em sessão na Assembleia Legislativa na tarde desta quarta-feira, os parlamentares alagoanos derrubaram o veto do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) aos duodécimos da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), Ministério Público (MP) e Tribunal de Contas (TC). O único valor mantido foi do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL).
O veto foi derrubado por 16 votos favoráveis e apenas três contrários, placar que significou uma surpresa, pois na votação do parecer sobre a matéria, emitido pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa, quatro deputados se colocaram contra a derrubada do veto: Judson Cabral (PT), Paulão (PT), Rui Palmeira (PSDB) e Antonio Albuquerque (PTdoB).
“Algum deputado se enganou e votou de forma equivocada", avaliou Rui Palmeira. "Mas a derrubada do veto já era esperada. Nossos posicionamentos foram conhecidos por todos e sabemos que a maioria quer o aumento do duodécimo", disse o parlamentar.
De acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA-2010), o duodécimo do poder Judiciário obteve um aumento de 16% no montante que corresponde a R$ 21 milhões. Já a Casa de Tavares Bastos, ainda segundo o Orçamento, passará a contar com R$ 119,5 milhões (R$ 6,5 milhões a mais que o projeto do governo); o TC terá 57,9 milhões (R$ 1,2 milhão a mais) e o MP terá R$ 81,3 milhões (R$ 3,8 milhões a mais).
Para vetar os reajustes dos duodécimos, o governador Teotonio Vilela Filho argumentou que eles seriam “inconstitucionais", por ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal, e iriam "contrariar o interesse público”.
A votação do parecer da Comissão de Fianças aconteceu em primeiro lugar, antes da votação dos vetos, depois da leitura longa e cansativa feita pelo deputado Jota Cavalcante (PDT). Segundo informações, teria sido redigido das duas às três e quinze, hora do início da sessão , mas pelo o que ficou entendido na Casa, esse parecer já teria sido redigido anteriormente e já estava pronto, esperando apenas a hora oportuna para vir à tona.
Enquanto o deputado lia o extenso documento, nos bastidores da imprensa houve comentários de que o presidente da Casa, Fernando Toledo (PSDB) teria dito que houve negociações com o Palácio República dos Palmares para que houvesse esse cenário na ALE. O governador Téo Vilela, numa jogada de mestre, teria vetado os aumentos dos duodécimos das referidas instituições por conta de esse ano ser atípico, eleitoral, para não ficar mal na fita perante a opinião pública.
Com isso, os deputados derrubariam o veto e para a sociedade ficaria a informação de que o governo entraria na Justiça contra essa decisão, no sentido de reverter a situação. “Avalio que o Téo não vai entrar na Justiça contra essa decisão”, disse uma jornalista que estava na sala de imprensa.

O deputado Fernando Gaia Duarte (PMN), relator do parecer da Comissão de Orçamento, disse que a decisão do governador, quando vetou os reajustes dos duodécimo, não teria se baseado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), como teria sugerido em seu parecer. “O que o Governo fez, ao vetar os reajustes dos duodécimos, foi baseado em política administrativa do que em embasamentos ligados à LRF, já que ela se reporta, apenas, quando da necessidade de reajustar salários de servidores”.
ADESIVOS DE COLLOR
No começo da sessão de hoje, o deputado Cícero Ferro distribuiu adesivo do senador Fernando Collor, pelo vidro que separa a imprensa do plenário. De volta a sua cadeira no plenário ficou fazendo gestos indicando que era para colocar o adesivo no peito. Isso aconteceu enquanto o deputado Ricardo Nezinho fazia a leitura das atas de sessões anteriores. Depois foi a vez do deputado Marcos Barbosa (PPS) mostrar os adesivos de Collor que estavam com ele.
O que ficou entendido para os jornalistas, nesse caso dos adesivos é que o senador Fernando Collor prepara sua estratégia para sair candidato ao governo. Como ficará o chapão, caso isso venha a acontecer?

Ministro será agraciado com a Comenda Tavares Bastos

Olívia de Cássia – Jornalista
(oliviadecássia@yahoo.com.br)

O ministro da Previdência Social, José Barroso Pimentel, receberá a Comenda Tavares Bastos da Assembleia Legislativa Estadual (ALE), numa homenagem proposta pelo deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT). O requerimento solicitando a sessão foi aprovado por unanimidade na Casa da de Tavares Bastos e a solenidade para a entrega acontece no próximo dia 17, quarta-feira, às 16h30.
“O Projeto de resolução apresentado por mim e aprovado por unanimidade na Casa de Tavares Bastos tem por objetivo homenagear com a concessão da Comenda Tavares Bastos o ministro José Pimentel, pelos benefícios que ele vem trazendo para Alagoas”, observou o petista.
Ele destaca que o Estado possuía, no início do Governo Lula, três agências da Previdência Social, na capital e onze no interior. “A partir da gestão do ministro Pimentel, foram criadas e já estão em funcionamento, 23 novas agências e estão previstas ainda para este ano um total de 50, o que apresenta um avanço incontestável representando mais de 400% de crescimento do serviço de atendimento à população alagoana”, explicou Paulão.
Atualmente o INSS transfere mais de 210 milhões de reais para 410 mil aposentados e pensionistas alagoanos, injetando na economia local cerca de três bilhões de reais anualmente.
Paulão disse que dentre as ações desenvolvidas à melhoria do atendimento aos segurados do INSS destacam-se: “a implantação do novo sistema de concessão de benefícios em até 30 minutos; Plano de Expansão da Rede de Agências da Previdência Social, com a construção de 720 novas unidades do Instituto em todas as regiões do País e o envio de carta-aviso as segurado que reúne as condições necessárias para aposentadoria por idade”.
Entre as cidades que estão sendo contempladas com os benefícios da Previdência Social estão: Atalaia, Boca da Mata, Cajueiro, Campo Alegre, Coruripe, Craíbas, Feira Grande, Igaci, Igreja Nova, Joaquim Gomes, Junqueiro, Limoeiro de Anadia, Maragogi, Marechal Deodoro, Mata Grande, Matriz do Camaragibe, Pilar, Piranhas, São José da Laje, São José da Tapera, São Luiz do Quitunde, São Sebastião, Tetônio Vilela, Traipu, Porto Calvo, Santana do Ipanema, Viçosa, Porto Real do Colégio, Pão de Açúcar, Murici, Maribondo, Girau do Ponciano e Ouro Branco.
HISTÓRICO
José Barroso Pimentel nasceu em 1953, no município de Picos (PI). É advogado, sindicalista e bancário do Banco do Brasil. Em 2006 foi reeleito para o quarto mandato de deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores do Ceará, com 86.502 votos. É especialista em matérias Previdenciária e Tributária. A convite do presidente Lula licenciou-se, em junho de 2008, da Câmara dos Deputados, para assumir o cargo de ministro da Previdência Social.
Terra de Zumbi

Por Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Terra de Zumbi.
Foi na Serra da Barriga
que o negro sonhou,
seu sonho forte de liberdade...

Terra de Zumbi...
Foi na Serra da Barriga
que o negro cantou,
seu canto forte de liberdade...

Terra de Zumbi...
Foi na Serra da Barriga
que o negro viveu,
seu canto forte de liberdade,

Terra de Zumbi...

Deputados não analisam veto de Téo

Olívia de Cássia – Jornalista

Apesar de a peça orçamentária já estar na Casa de Tavares Bastos, diferente do que alguns setores da sociedade alagoana esperavam na tarde de ontem, a sessão para análise do veto do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) aos duodécimos da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), Tribunal de Contas (TC) e Ministério Público (MP) não ocorreu nesta terça-feira (9).
A sessão chegou a contar com 16 deputados, mas depois diminuiu para 13, número insuficiente para votar a matéria. Os deputados da bancada da oposição – Paulão e Judson Cabral, do PT – cobraram uma posição da Mesa Diretora da Casa. O deputado Alberto Sextafeira (PSB) foi quem presidiu os trabalhos, por conta do licenciamento do presidente Fernando Toledo (PSDB).
O deputado Paulo Fernando dos Santos argumentou na tribuna da Casa que para a votação da matéria houve união dos parlamentares e que o presidente Toledo teria dito que o Orçamento 2010 teria sido um parto difícil. O líder da oposição na Casa observou que está havendo um estranhamento na bancada do governo, dentro do PSDB.
Segundo Paulão, está havendo uma crise do Poder Executivo com a sua bancada na Casa de Tavares Bastos.
“A bancada de oposição, mais os deputados Antônio Albuquerque e Rui Palmeira foram contra o aumento do duodécimo e por isso votamos contra a matéria. O governo vetou o aumento e devolveu a matéria para essa casa, agora queremos esclarecimento, porque está havendo um estranhamento dentro da bancada do governo e a Casa vai ter que analisar o veto. Estou percebendo a configuração da Mesa e as pessoas que lidam com a parte orçamentária não estão aqui”, disse Paulão.
O deputado Antônio Albuquerque fez um aparte à fala do deputado Paulão e disse que da mesma forma que votou contra o aumento do duodécimo “sou favorável a manutenção do veto e parabenizo vossa Excelência pela preocupação com o assunto”, disse Albuquerque ao deputado Paulão.
O líder do governo, Alberto Sextafeira (PSB), que presidiu os trabalhos na tarde de ontem, em resposta ao pronunciamento de Paulão, observou que a Casa tem uma responsabilidade grande e que não haverá adiamento da votação da votação. “O veto já foi lido na sessão de hoje e haverá uma reunião da Comissão para discutir a matéria”, observou.
CÍCERO FERRO
O deputado Cícero Ferro (PMN) usou a tribuna da Casa para dizer que os responsáveis pelo atentado contra ele estão soltos e trafegando livres em Alagoas e que eles chegaram a ser presos na cidade de Imperatriz, no Maranhão, mas o Tribunal de Justiça de lá concedeu um habeas corpus.

terça-feira, 9 de março de 2010

Trabalho voluntário faz mais bem a quem o executa

Olívia de Cássia
Repórter

(foto: reprodução do jornal da ALE/out/2007)



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O voluntário é um ator social e agente de transformação que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade. Doando seu tempo e conhecimentos, a pessoa que se dedica à filantropia realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa, como às suas próprias motivações pessoais, sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico, político, emocional.
Seu Romildo da Silva, 46 anos, é uma dessas pessoas que atuam com a solidariedade ao seu próximo. Ele diz que trabalha como voluntário no Lar São Francisco de Assis desde os 19 anos, semanalmente, e conta que dá banho nos idosos, faz a barba e ajuda na limpeza do abrigo. Além dessas atividades, faz campanhas para arrecadar leite, fraudas geriátricas e lençóis para o abrigo, contando com a colaboração de amigos e de pessoas que se sensibilizam com a causa.
Romildo argumenta que é espírita e iniciou-se na doutrina aos oito anos quando teve um problema de saúde sério e foi desenganado pelos médicos. Ele conta que sua mãe o levou a um padre e esse padre doou a sua mãe o livro o Evangelho Segundo o Espiritismo; a partir daí ele observa que sua mãe fazia as orações e a leitura do Evangelho com ele e começou a freqüentar a Federação Espírita do Estado de Alagoas até hoje, mas avalia que ficou curado muito mais pela sua fé.
Seu Romildo diz que recebeu um chamado para trabalhar com idosos carentes. “Eu preciso mais deles do que eles precisam de mim”. Para fazer o seu trabalho de voluntário Romildo da Silva conta que começou visitando as penitenciárias com uma equipe. Hoje, além do abrigo, ele destaca que faz distribuição de sopa às segundas, quartas e sextas, da meia noite às duas da manhã, para os moradores de rua, no Conjunto João Sampaio I.
Ele diz que o trabalho da sopa é feito com a doação da comunidade. Cada um contribui de uma forma nos ingredientes. Além da sopa ele também distribui macarrão aos domingos, quando sai do abrigo Lar São Francisco de Assis.
Seu Romildo é funcionário da Assembleia Legislativa de Alagoas há muitos anos e trabalha como ascensorista no elevador da ALE. Ele explica que quando chega em casa a sopa já está quase pronta e cuida apenas do complemento do trabalho, inclusive a distribuição. Ele argumenta que tanto a distribuição da sopa quanto a do macarrão só é feita depois que faz a leitura do Evangelho.
Seu Romildo é uma dessas pessoas na sociedade que fazem a diferença, ajudando seu próximo sem olhar a quem. Quem quiser contribuir para o trabalho do seu Romildo deve procurá-lo todas as tardes na Assembleia Legislativa, de terça a quinta-feira, no horário da tarde. Ele aceita doações de roupas usadas, calçados e de alimento que ele distribui com os mais necessitados.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres ainda são minoria na política
Olivia de Cássia – Jornalista


Apesar de serem maioria na sociedade brasileira, as mulheres por aqui ainda ocupam poucos cargos na política e de direção. A legislação eleitoral brasileira determina que devem ocupar 30% dos cargos eletivos. Segundo a Agência Brasil, são menos de 10% nos cargos políticos do país.
De 513 parlamentares que compõem a Câmara de Deputados, apenas 45 são mulheres. Na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), duas mulheres ocupam a cadeira do parlamento (Cathia Lisboa Freitas e Flávia Cavalcante); Cláudia Brandão assumiu a vaga de conselheira no Tribunal de Contas (TC). Em Maceió a Câmara de Vereadores conta com cinco vereadoras.
A candidatura de duas mulheres à Presidência da República, um fato inédito no Brasil, vem tomando corpo na cena política, segundo os analistas políticos. No entanto, encobre ainda uma realidade de crescente, mas ainda baixa, incidência de mulheres nas instâncias do poder. Tem partido político que ainda não despertou para essa consciência e em época de eleição termina convidando candidatas só para preencher o que diz a legislação, mas sem dar a devida valorização às mulheres
As pré-candidaturas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pelo PT, e da senadora Marina Silva, pelo PV, são consideradas um avanço na luta pela maior participação das mulheres na política brasileira. Entretanto, para as próprias mulheres que fazem parte desse cenário, ainda há um longo caminho a ser percorrido em busca da igualdade com os homens. A luta das mulheres vem desde o começo dos séculos.
A proporção de mulheres na Câmara dos Deputados em relação ao número de homens reflete a maciça predominância masculina. De 513 parlamentares que compõem a Casa, apenas 45 são mulheres. Nenhuma delas ocupa cargo na Mesa Diretora. No Senado, a situação não é diferente. Das 81 vagas, apenas dez são ocupadas por mulheres.
No último dia 3 de março, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que garante a participação de pelo menos uma mulher nas mesas diretoras da Câmara, do Senado e das comissões permanentes chegou à pauta de votação da Câmara. “Ficou lá por apenas meia hora. Em apenas meia hora foi retirada”, reclamou a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), ex-prefeita de São Paulo, autora da proposta.
“Este é só mais um indicador da dificuldade e resistência dos homens em dividir com as mulheres os espaços de poder”, disse a deputada. Erundina apresentou a proposta, que é uma espécie de cota para mulheres nas instâncias decisórias, com a justificativa de “corrigir a injustiça histórica que existe no Brasil, de exclusão das mulheres dos espaços de poder do Congresso Nacional”.

“Nos 185 anos de existência do Poder Legislativo no Brasil, nenhuma mulher ocupou vaga na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Na década de 80, havia quatro deputadas como suplentes. Mas, de lá para cá, nem para suplente a gente consegue que as bancadas, cujos líderes são homens, indiquem mulheres para ocupar os espaços que são de direito de seus partidos”, critica.
Ela argumenta que a maior participação da mulher na política deve ser vista dentro do processo de consolidação democrática. “Não há um real compromisso com a democracia quando 51% da população brasileira, as mulheres, ocupam menos de 10% da representatividade política no país.”
O curioso é que a argumentação para que a PEC fosse retirada de pauta veio carregada de elogios e discursos sobre a valorização feminina. O deputado Gerson Peres (PP-PA), que se colocou contrário à proposta, alegou que reservar um lugar para a mulher na Constituição “é humilhante para o Brasil”. Logo depois, tentou explicar: “A mulher tem direito a dois, três, quatro lugares. Seus partidos é que são obrigados a obedecer à proporcionalidade e colocá-las lá. Isso aí é fazer da Constituição um livro de anotação”.
Apesar dos obstáculos, a pesquisadora da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) Luana Simões Pinheiro avalia que as possíveis candidaturas femininas ao mais alto cargo eletivo do país são sinal de amadurecimento da sociedade, no entanto, ainda longe do ideal. Desde que os direitos políticos foram assegurados às mulheres, o número de deputadas e senadoras tem aumentado. Apenas uma deputada federal foi eleita em 1933, após o novo Código Eleitoral. Já em 2006, foram empossadas 46 deputadas. No Senado, foram quatro as senadoras, com a renovação de dois terços das cadeiras da Casa.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), líder do governo no Congresso Nacional, lamenta que ainda haja um descompasso entre os esforços femininos e os espaços conquistados na política, mas destaca que o atual cenário pré-eleitoral é “um bom indicativo da nossa ascensão na luta contra o preconceito e no equilíbrio de gênero nos poderes”.
Com o objetivo de ampliar a participação da mulher na política, o governo pretende propor mudanças na legislação eleitoral. Sob a coordenação da SPM, ligada à Presidência da República, uma comissão tripartite, com representantes do Executivo, do Legislativo e da sociedade civil, elaboraram um anteprojeto de Lei de Reforma Eleitoral. Essa proposta não está acabada e se encontra em fase de consulta pública. As pessoas interessadas em enviar sugestões de mudanças na Lei Eleitoral devem encaminhá-las para o endereço eletrônico anteprojetoreformaeleitoral@spmulheres.gov.br, até o dia 2 de abril. (Com informações da Agência Brasil)

domingo, 7 de março de 2010

Hoje...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira


Hoje amanheci com alma de poeta,
Triste e solitária como só aqueles que
Amam sem ser amados sabem ser.

Amanheci com uma dor no peito,
Com um nó na garganta e com
Um sentimento exagerado e
Louco de sair por aí gritando
E dizendo das coisas que estou
Sentindo.....

Hoje amanheci triste, com saudade
De tudo, com saudade da vida,
Com saudade de nós...

Um sentimento arrebatador
e maluco tomou conta de mim
Hoje uma ansiedade e dor da saudade
Tomou conta da minha alma
e do meu ser....
Só para me lembrar da falta
Que eu sinto
De você...


Mistério
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

O frio, o vento e o tempo passam...
E eles me dizem que estou
chegando ao fim...

Não sei se é o fim que procuro,
no qual existe um meio.
Só sei que anseio, desejo,
sinto, amo.

E o tempo passa, rápido como um furação, levando os restos de esperança.
A esperança de vencer, crescer
e brilhar.

Brilhar como as estrelas,
no seu brilho belo e encantador,
que a todos encanta e seduz.

E eu fico aqui, a esperar
no tempo que o vento e as estrelas,
ou próprio sol me respondam,
me entendam e me traduzam
o mistério...Que mistério?!
Em Busca de uma Comunicação Alternativa da Mulher

Olívia de Cássia - jornalista



O nosso trabalho “Em Busca de uma Comunicação Alternativa da Mulher”, finalizado em 1988, teve como objetivo a realização de um programa de rádio para as mulheres e foi realizado na Feirinha do Tabuleiro, em Maceió, por absoluta falta de apoio das rádios que procuramos à época: Rádio Clube de Rio Largo e Maceió-FM, pertencentes ao mesmo grupo.

O Projeto Experimental, hoje denominado TCC, faz parte das disciplinas obrigatórias na conclusão do Curso de Comunicação Social, onde deveriam constar uma parte prática e outra teórica.

Durante um ano freqüentamos a comunidade do Tabuleiro do Martins, a fim de que pudéssemos concluir nosso objetivo – o programa de rádio, com a participação das mulheres que freqüentavam a feira -.

Nos reuníamos no correr da semana com as mulheres e a diretoria da Amotam – Associação dos Moradores do Tabuleiro, na Rua do Arame, e, no sábado, realizaríamos os programas.

Embora a presença de cerca de 50 mulheres nas reuniões, sabíamos que estavam ali apenas em busca do assistencialismo prometido com a ajuda da LBA – Legião Brasileira da Assistência, para a distribuição do tíquetes do leite do programa do Governo Sarney e enxovais prometidos às gestantes.

Os poucos programas que conseguimos realizar aconteceram na porta de um abatedor de frango, o Galeto da Quitéria, que nos cedia a energia para que pudéssemos instalar as cornetas (sistema de auto-falante), o amplificador e os dois gravadores que usávamos.

Nossa programação acontecia durante 15 minutos e era feita dentro de um outro programa de rádio, das colegas, também concluintes do Curso de Comunicação Social, Eunides Lins e Carla Salignac, que nos concedia o horário. Dessa forma, às vezes, dada a extensão do programa delas, o nosso ficava prejudicado.

Mesmo que não tenhamos alcançado o êxito desejado - as mulheres inteiradas à nossa proposta - , conseguimos àquela época despertar a atenção de alguns ouvintes, que todos os sábados nos esperavam na porta do Galeto da Quitéria.

E quando falávamos sobre violência , a questão da saúde e as agressões e discriminação sofrida pela mulher, principalmente se ela for pobre e negra, sentíamos receptividade por parte dos ouvintes, que participavam concedendo depoimentos de suas vivências diárias na comunidade.

Conseguimos fazer quatro programas, levando a médica responsável pelo posto do Tabuleiro, que discorreu sobre o aborto, violência e o Sistema Único e Descentralizado de Saúde, implantado à época pelo governo Sarney.

Embora a presença das autoridades em saúde tenha deixado acanhadas aquelas pessoas, conseguimos, também, depoimentos dos homens que falaram principalmente sobre a violência contra suas filhas e mulheres.

Outros problemas foram abordados como: carestia, custo de vida, Comissão de Sistematização da Constituinte (quando explicávamos o que era), o Centrão (explicávamos também o que era e para que e quem servia), as propostas levadas pelas mulheres para serem aprovadas na Constituinte e tantos outros assuntos que julgávamos importantes para a comunidade.

O resultado obtido não chegou ao que desejávamos, pois contaram ali a nossa inexperiência, as condições em que eram realizados os programas, sem nenhuma estrutura, o desinteresse de alguns membros da Associação pelo tema Mulher e também a falta de consciência da discriminação, da própria mulher do Tabuleiro.

Como exemplo tivemos o da vice-presidenta da associação, à época, que deu seu depoimento num dos nossos programas dizendo que apanhou do marido, mas que “se é ruim com ele, pior sem ele”, mostrando o quadro de submissão em que vive a mulher, principalmente nas camadas mais pobres da sociedade.

Mas a nossa realização pessoal se completou, quando, apesar das exigências burocráticas impostas à época pelo sistema universitário, tivemos que aprender, na marra, tudo o que não tínhamos visto durante os quatro anos e meio do curso.

Por conta da boa orientação que recebemos do professor e sociólogo Antònio Cerveira de Moura, formos obrigadas a ler, pesquisar, estudar e buscar um acervo de dados, que nos foi bastante enriquecedor. Tivemos que ler e reler, fazendo resumos e fichamentos junto às entrevistas, cerca de 60 volumes entre livros, revistas e jornais, que complementaram o trabalho.

Dentro desse contexto teórico abordado, destacamos os seguintes aspectos: a exploração do sistema capitalista contra a mulher, abordagens teóricas sobre a origem da opressão da mulher, o contexto da mulher no Tabuleiro, capítulo sobre o movimento de mulher alagoano, onde inserimos uma aparte sobre as quilombolas – mulheres do quilombo - que tiveram como líder a mãe de Ganga Zumba, Aqualtune, líder das mulheres negras na época dos quilombos.

Esse capítulo foi publicado na Revista Presença da Mulher, ano V, nº 19 0 Abril/Junho de 1991, cuja manchete principal foi Mulher Poder e Trabalho. Embora tenha sido publicado com defasagem de dados, pois o trabalho foi concluído e apresentado em 1988, coisa que a revista não destacou, sentimos-nos muito recompensadas pelo reconhecimento do nosso projeto, em âmbito nacional.

Foram entrevistadas em agosto de 1988, todas as lideranças das entidades de mulheres de Maceió e no final do trabalho tivemos que dispor dos scripts, relatórios e entrevistas para a conclusão e análise global do trabalho. Nossa equipe foi formada de três componentes: eu, Niviane Rodrigues e Maria Rosiane Rocha.

O projeto Experimental foi um trabalho que nos deu muita satisfação em ser produzido, pois o tema mulher é fascinante e ainda tem muito o que ser discutido e aprofundado, apesar dos avanços conseguidos com a promulgação da Constituição de 1988.

Feito a três mãos, e cada uma tendo que dispor de uma tarefa, o segundo passo que precisávamos dar era tentar publicá-lo, com algumas referências atualizadas, para que não ficasse engavetado e fosse distribuído nas escolas e colégios, bem como em bibliotecas públicas. Essa foi a nossa proposta inicial, quando tivemos a idéia de executá-lo, mas nunca conseguimos publicar.

De lá para cá não mudou muito a situação da mulher da periferia de Maceió. Todos os dias os noticiários indicam que a violência contra a mulher tem aumentado, mesmo depois da promulgação da Lei Maria da Penha pelo presidente Lula. A lei está ameaçada de não ser colocada em prática porque segundo que foi divulgado na imprensa, alguns juízes se recusam a aplicá-la em alguns itens.

Nesse 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, vamos fazer uma reflexão sobre nosso papel na sociedade e analisar de que forma estamos contribuindo para diminuir as desigualdades sociais e para difundir a paz em nossa comunidade. (Olívia de Cássia Correia de Cerqueira – jornalista)
O que é o amor?

Olívia de Cássia - Jornalista


Quando eu era adolescente, vivia a decantar o amor em todas as suas manifestações. Sonhava com um mundo onde as pessoas amassem sem cobranças, sem sentimentos de posse, sem obsessão, sem controle.
Sonhava com a liberdade e com um mundo melhor para todos. Um mundo onde os valores e as pessoas fossem respeitados. Sonhava com uma sociedade justa, sem preconceitos e sem hipocrisias, e foi com essa base de pensamento que pensei construir o meu mundo.
O tempo foi passando e a vida tratou de ocultar alguns sentimentos puros e sinceros que existiam dentro de mim. Tornei-me uma mulher; com o amadurecimento, vieram as frustrações, a realidade, a rotina do dia-a-dia- que mata qualquer sonho romântico - a necessidade de trabalhar e ter que dar conta das responsabilidades, da economia doméstica, ter que dar conta de mim.
E na roda-viva da vida os sentimentos, os sonhos, a vontade de viver e ser livre, a necessidade de lutar por um mundo melhor, foram sendo substituídos pela voz da razão, que me informava que não era bem assim...
A razão podou aquela menina sonhadora e apaixonada, que amava e intensamente e achava que aquele amor era a razão da sua existência. E a menina acordou e chorou. Chorou a sua perda. A perda da RAZÃO! (Texto produzido em Maceió (AL), 14.10.92)

E agora, o que fazer?

Por Olívia de Cássia E agora, o que fazer? Essa pergunta me veio à baila, antes e depois da aposentadoria por invalidez e em alguns dias q...