sexta-feira, 31 de julho de 2015

O conceito de felicidade

Olívia de Cássia - Jornalista

Um dos mandamentos para a pessoa ser feliz, segundo alguns estudiosos, é viver o presente, tentar ser feliz e superar as dificuldades. Esse tem sido o meu foco, em uma idade que já não tenho mais tanta disposição; vigor, nem o fogo da juventude.
Estive pensando esta semana, como o tempo passou tão rápido em minha vida. E vem um filme de lembranças passadas, de momentos complicados, mas de muita experiência adquirida.
 Ouvi um comentário de uma das minhas cunhadas de que minha vida é uma eterna gangorra, se referindo às coisas que tenho passado na vida. Tem horas que assevero que sim, mas a vida de todo mundo é assim, com entremeados de altos e baixos.
A partir do momento que resolvi ser feliz e não supervalorizar os problemas, minha vida se tornou mais leve, apesar das limitações e ter diminuído algumas saídas. Dizem que a chave da felicidade está no passado - mais precisamente, nas memórias afetivas que você vai construindo ao longo da sua vida.
“Se você conseguir controlá-las, será muito mais feliz”. Pensando assim, eu posso dizer que sou muito feliz, pois guardo em mim as melhores lembranças da infância distante e os bons momentos vividos na adolescência e juventude.
A felicidade é um estado de espírito, uma combinação meio complicada, uma mistura do presente com o passado. Eu  posso ter sido uma adolescente problemática; de autoestima baixa; sem amor próprio e chorona demais.
Eu me debulhava em lágrimas por qualquer coisa e situação e apanhava da minha mãe por ter aqueles sentimentos tão angustiantes. Me sentia preterida pelas minhas paixonites da juventude e amava platonicamente, sem nunca ter sido correspondida.
Devo confessar que essa maneira de amar me trouxe sofrimento e pesar, mas alguns ensinamentos profundos também me trouxeram. Sou parte de um todo nesse universo, sei que vim aqui na terra para uma missão, embora não tenha tanta certeza disso.
 Às vezes me ponho a refletir e pensar no que diziam os antigos, que a vida é muito passageira. É uma passagem rápida essa nossa. “Tudo na vida vai e vem, mas há uma coisa que não se altera: o passado”.
Segundo alguns psicólogos, há momentos na nossa vida em que nós simplesmente não conseguimos deixar as coisas seguirem o seu destino, da mesma forma que temos dificuldade de enfrentar separações, sejam elas por morte, ou separação física.
Mas a gente tem que entender – e aprendi a duras penas – que “ninguém é propriedade de ninguém” e cada um tem que seguir seu rumo, em busca da própria felicidade.
Depois de muitas perdas, aprendi que a felicidade está dentro de cada um de nós: é só a gente se libertar daquilo que nos aprisiona e nos faz mal. Muitas vezes nós só descobrimos o que é a felicidade, depois de tempos passados e a gente começa a lembrar os instantes vividos e aí percebe o quando foi feliz e não sabia.

Exposição no andar térreo dos Correios lembra os 60 anos da queda do Gogó da Ema

Evento vai até hoje 31, e os interessados 

poderão conhecer um pouco da história


Olívia de Cássia - Repórter 
Uma exposição que lembra os 60 anos da queda do coqueiro torto Gogó da Ema, que caiu no dia 27 de julho de 1955 e era o símbolo mor de Maceió, na década de 1950, está acontecendo no andar térreo dos Correios, em Maceió e pode ser vista gratuitamente até hoje(31).
Uma exposição que lembra os 60 anos da queda do coqueiro torto Gogó da Ema, que caiu no dia 27 de julho de 1955 e era o símbolo mor de Maceió, na década de 1950 -  (Fotos: Adailson Calheiros)
Segundo o curador da exposição, o historiador e pesquisador José Bilu da Silva Filho, o evento é para fazer uma homenagem ao Gogó da Ema, que foi o símbolo de Maceió. “A exposição tem fotos, poesias que retratam o coqueiro; painéis e recortes de jornais antigos, que contam a história do coqueiro, que era atração de Maceió: é praticamente uma lembrança e cultura é muito difícil de se fazer hoje em dia”, observa.
Segundo contam os historiadores, o coqueiro foi plantado por dona Constança Araújo, no século XIX, no sítio Ponta Verde. “Temos fotos de autoridades posando para fotos no local e muitos turistas vinham de fora para conhecer”, observa.
Segundo o curador da exposição, o historiador e pesquisador José Bilu da Silva Filho, o evento é para fazer uma homenagem ao Gogó da Ema, que foi o símbolo de Maceió.
José Bilu conta ainda que o agrônomo Jesus era a pessoa que cuidava do coqueiro torto.  “Para se ter uma ideia, o Gogó da Ema é tão importante para a história de Maceió, que o pessoal hoje vai ao shopping e naquela época ia para a praia visitar o coqueiro para fazer piqueniques, fotografias e lazer; era um ponto de referência da cidade.  Muitas empresas  usam o coqueiro em suas  logomarcas, como símbolo de Maceió”, destaca.
Segundo José Bilu, que também é o presidente da Academia de Letras, Artes e Pesquisa de Alagoas e presidente do Clube Filatélico, como o tempo, o mar avançou muito, derrubou outros coqueiros, fazendo com que se pudesse divisar o Gogó, da praia ou do mar, quando se passava ou tomava banho.
Aos poucos o Gogó da Ema foi se tornando falado, cantado, em verso e prosa, adquirindo até celebridade internacional. Turistas ou passageiros, ao desembarcar, indagavam logo onde ficava o Gogó da Ema, segundo relatos de alguns pesquisadores.
“Era o local dos encontros entre namorados, que deixavam suas iniciais na árvore; de lá se observava, a lua cheia; um espetáculo visual dos mais encantadores. Foi o agrônomo Jesus quem me deu essas fotos antigas; faz muito tempo”.
Conta a lenda que o coqueiro caiu aos poucos, devagarzinho e imediatamente, pessoas que estavam nas proximidades cortavam as palhas e colheram os frutos. Em sua homenagem foi construída uma praça, próxima a área onde ele viveu.
Segundo José Bilu, o coqueiro tombou pela ação do tempo, mas muitos comentários surgiram à época, sugerindo até responsáveis pela queda da árvore. “Ganhei muita coisa dos colecionadores e fui catalogando tudo direitinho, a respeito do assunto e de outros temas. É importante mostrar para os jovens a nossa história.  Hoje eu tenho um acervo de mais de 1.800 fotos e recortes de jornais antigos”, complementa.
Entusiasta da cultura alagoana, o  historiador José Bilu comenta que os museus e o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas têm pouca frequência pelos jovens: “Parece que têm o bicho papão; eu vou fazendo o que posso pelo meu  Estado; o que posso fazer estou fazendo”, conclui.

sábado, 25 de julho de 2015

Nem para agradar e nem para confundir

Olívia de Cássia - Jornalista

Não vim para agradar e nem para confundir. Em tempo de ebulição política e de ideias, é bom a gente procurar conhecer o desconhecido: se acercar do maior número de informação, de um lado e de outro, e depois formalizar sua opinião sobre essa ou aquela questão, sem ofensas pessoais. É assim que tenho feito.

Desde muito cedo aprendi a ter um lado: o do oprimido e não o do opressor. Aprendi com seu João Jonas, meu pai, um homem religioso e de fé. Sempre tive a rebeldia na veia e o inconformismo com as desigualdades e algumas imposições, mesmo aquelas que eram passadas pelos meus pais, confesso.

Apanhei  muito por ser assim, fosse de fato ou pelas consequências da vida, e defender ideais que estavam mais para libertários e de esquerda; um  tanto quanto limitados na época e sem concatenação de horizontes.

Era tudo muito misturado, mas com as melhores das intenções na minha cabeça. Por qual motivo eu teria que aceitar a ideia de que pessoas que nascem com cor mais forte que a minha seriam inferiores, como tentaram colocar na minha cabeça desde pequena, inclusive na família?

Por que pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades de estudos e de vida que eu, por acaso seriam inferiores a mim? Por que muita gente ia para igreja quando eu era jovem e rebelde ao extremo, iam para a casa de Deus olhar a vida dos outros, inclusive a minha, ao invés de irem ter encontro com o Senhor ?

E comecei a fazer diversas interrogações diante daquilo tudo que eu via e presenciava: adultos que diziam palavras de fé e confiança, que proferiam uma coisa e que na prática se comportavam como pessoas mexeriqueiras e que falavam tão mal da vida alheia, diga-se também da minha, sem procurar ajudar ou entender os motivos de tais comportamentos ?

Por que atualmente as pessoas continuam, em pleno século XXI, não respeitando o modo de vida do outro e nem a maneira de pensar?  Por que tanta hipocrisia na sociedade, se o que importa na vida é a gente mostrar o que realmente é; sem se importar com a opinião do outro?

Por que muita gente ao invés de praticar o bem, ‘sem olhar a quem’ e procurar fazer o que tem que ser feito, se põe a falar mal de quem se propõe a fazer algo que preste para os menos favorecidos?

Por que muitas pessoas que não precisaram se esforçar para ter nada na vida, se incomodam tanto com o que é feito pelos menos aquinhoados? Por que incomoda tanto ver pobre comendo melhor e frequentar universidade, quando na minha época de estudante do ensino médio a gente só tinha duas opções em Alagoas?

Por que antes de falar mal de tal programa de governo ou de políticas públicas e sociais as pessoas não procuram primeiro ler do que se trata, mas prefere ‘emprenhar’ pelos ouvidos e falar abobrinhas em público e nas redes sociais?


Diante de um quadro não muito favorável, muita gente torce pelo pior, pelo desastre social e econômico, para poder tirar proveito político disso. Abomino essa prática que tem se alastrado tanto de um lado quanto do outro. Fica a reflexão. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Feira de Livros em Maceió reúne 800 editoras e 30 mil títulos


No evento, é possível encontrar obras com preços a partir de R$ 2, para crianças; valores vão até R$ 35, para adultos


Olívia de Cássia - Repórter - Tribuna Independente


Evento focado em apreciadores da leitura acontece em shopping da capital e segue até o próximo mês

Evento focado em apreciadores da leitura acontece em shopping da capital e segue até o próximo mês

Uma feira que está acontecendo no primeiro andar do Maceió Shopping, vizinho ao cinema, está oferecendo 30 mil títulos de cerca de 800 editoras, com temas diferentes, para um público diversificado. O evento está agradando o público alagoano apreciador da boa leitura e acontece até o próximo mês de agosto.
Segundo os organizadores da Feira de Livros, apesar da crise econômica que passa o país e por mais que se diga que as pessoas hoje em dia leem pouco, o setor de livros comemora as vendas. O Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), divulgou um estudo do  Instituto de Pesquisa Nielsen, a venda de livros no Brasil encerrou o primeiro semestre de 2015 com um aumento de 6,9% no faturamento, em comparação com o mesmo período de 2014.
O preço do livro ficou 1,6% mais barato no primeiro semestre deste ano, com uma média de R$ 37,97 a unidade, contra R$ 38,58 em 2014. Os números constam do Painel Especial das Vendas de Livros do Brasil.
Vindo de São Paulo, Alex Sandro Salomão é o coordenador do evento que está acontecendo em Maceió e confirmou que a feira tem umas 800 editoras diferentes. “Temos livro de Literatura Fantástica; romance; clássicos nacionais e internacionais; literatura variada para todo tipo de leitor. Nós não trabalhamos nem com didáticos nem com paradidáticos”, explica.
Com preços equilibrados, na Feira do Livro a reportagem encontrou exemplares comercializados a partir de R$ 2, para crianças; até R$ 35 para adultos. No local, é fácil encontrar livros de R$ 5 e R$ 10, como Os Únicos, de Asron Starmer, da Rai Editora.
Além desses, também é possível achar ainda O Diário de Anne Frank, edição definitiva por Otto H. Frank e Mirjam Pressler; A Culpa é das Estrelas, de John Green; livros de literatura fantástica, que caiu no gosto da juventude; títulos infantis como o Diário de um Banana; Caindo na estrada; gibis condensados da turma de Walt Disney, que podem ser encontrados com facilidade, logo no hall de entrada da feira.
“Livros de desenhos para pintar estão entre os mais procurados”
Segundo Alex Sandro, 90% dos livros são comercializados a R$ 10, tem muito romance policial e a grande pedida do momento são livros de desenhos para pintar. Ele pontua que a Feira de Livros também oferece  clássicos nacionais como: Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, além de A moreninha, Senhora, O Guarani, de José de Alencar e O  Primo Basílio, de Eça de Queirós”, entre tantos outros.
A jovem Thaila Vieira estava procurando alguns exemplares de seu gosto e disse que está adorando a feira: “Para quem gosta e tem o hábito de ler, não encontra muitos lugares que oferecem livros assim: aqui tem livros para todos os gostos; diversificado e por um ótimo preço. Está sendo muito bom”, argumentou.
Paulo Henrique estava acompanhando Thaila Vieira e disse que a diversificação de títulos na Feira de Livros é o que encanta o leitor, além do preço: “Estou aqui com ela, olhando que em cada prateleira a gente vê uma novidade. Eu gosto muito de livro policial e de fantasia, é o que estou procurando”, destaca.
(Foto: Sandro Lima)
Acompanhada dos pais na feira, Biane Saiuri disse que ganhou na escola título de aluno que mais lê livros
Paulo Henrique disse também que gosta dos livros de Agatha Christie (uma das mais conhecidas escritoras no mundo por seus melhores romances policiais e histórias de suspense e mistério).
Além da escritora de suspense, Paulo Henrique conta que gosta de livros do personagem Sherlock Holmes, criado pelo médico e escritor Sir Arthur Conan Doyle; e de livros de Sidney Sheldon (escritor e roteirista norte-americano, que durante sua vida publicou dezoito romances: todos alcançaram a lista de mais vendidos do jornal The New York Times). 
A jovem Biane Saiuri Lima tem dez anos, estava acompanhada dos pais e olhando um livro de desenhos para pintar, que ela disse gostar muito. “Eu tenho uma estante bem grande, cheia de livros”, conta Biane sorrindo. A menina disse que ganhou o título na escola de aluno que mais lê livros e disse que pega os exemplares na biblioteca e depois devolve. 
Bruna Valéria está trabalhando no evento e disse que está aprendendo e sendo incentivada a ler na feira. “Estou aprendendo a tomar o gosto pela leitura: quando você trabalha aqui procura ler mais e indicar para os clientes os que mais saem. Estar em contato com as crianças, incentivando elas a lerem é legal”, destaca.



Show de Cezzinha abriu o Projeto Cultural Encontros e encantou o público

Problema no ar-condicionado do Teatro Deodoro foi a única reclamação do artista e do público




Foto: Ana Paula Bernardino
Olívia de Cássia – Repórter

Muito bom o show de ontem à noite, no Teatro Deodoro, abrindo o Projeto Cultural Encontros, promovido pela Eventur’s.

A única reclamação, que teve início quando o artista, suando em bicas, reclamou brincando do calor: ‘Deve ser a crise’. O público concordou e as brincadeiras a respeito da temperatura ambiente duraram o todo o espetáculo.

Afora esse pequeno detalhe, Cezzinha mostrou o motivo de ter recebido o título de sucessor de Dominguinhos, que morreu no dia 23 de julho de 2013. Ontem foi aniversário de morte do artista.

O show também teve a excelente participação  especial do cantor Gaubi Vaz, do Mô Fio e da cantora Wilma Araújo. Músicas como Isso aqui tá bom demais; Eu só quero um xodó; Gostoso demais; Abri a porta, dentre tantas outras, fizeram parte do repertório. Além da excelente seleção musical e rítmica, Cezzinha tem presença de palco.

O artista  arrancou vários suspiros da mulherada presente (que não era a maioria mocinhas, mas senhoras ou mulheres depois dos 30 e 40), quando interagia com o público e dizia frases pontuais engraçadas, fosse comentando sobre a crise econômica ou sobre seus dotes masculinos.

“Êita serviço bom”, ou então, quando falou sobre o forró pé de serra e disse que gosta de dançar e que tem pegada; quando citou Elba Ramalho como uma das maiores artistas que ele já tocou e o público respondeu: ‘sei’ e ele rindo disse: “Quem não gosta?”, daí Cezzinha já tinha conquistado a plateia.  

Foi uma noite linda, alegre e contagiante e o público cantou o cancioneiro do mestre Dominguinhos, Luiz Gonzaga; músicas que fizeram sucesso na voz de vários artistas de bom calibre nacional.

Cezzinha mostrou que não é só o sucessor de Dominguinhos, com sua voz que realmente lembra a de seu mestre, mas pelo manejo e intimidade que tem com a sanfona de oito quilos que carrega durante todo o show, mostrando que tem que ter preparo mesmo para carregar  tantos atributos..Ufa!, Marcão, que venham outros shows maravilhosos. Parabéns.

(foto arquivo: Olívia de Cássia - Prêmio Braskem de jornalismo -8-11-2014-25 anos

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Revisitando Saramago

Olívia de Cássia - jornalista

Acordo às três horas da matina, com o rosnado de Malu, que não permite a subida do gato Jotinha à cama. Atenta aos ruídos da noite, sua audição se torna mais afiada, proporcionada pelo silêncio da madrugada.
Resolvo retomar a leitura de Saramago, não é um texto muito fácil, principalmente para quem não tem o costume de ler o autor. Ensaio sobre a lucidez é um romance de José Saramago, fazendo o jogo de claro-escuro penetrar em impasses contemporâneos.
“Num país qualquer, num dia chuvoso, poucos eleitores vindos de Lisboa após grandes cheias compareceram para votar, durante a manhã. As autoridades eleitorais, preocupadas, chegaram a supor que haveria uma abstenção gigantesca. À tarde, quase no encerramento da votação, centenas de milhares de eleitores não compareceram aos locais de votação”
Bom o texto não é fácil, confesso, apesar de estar acostumada a várias leituras, principalmente porque os parágrafos e os capítulos são imensos. Malu aniversaria hoje e apesar de ralhar com seus rosnados, concedo-lhe a permissão da transgressão de arengar com Jotinha, explicando a ela que ele é ‘seu irmão’ do coração.
Nessa revisita a Saramago a fome desperta, desço para traçar uma banana no meio da madrugada e resolvo escrever e colocar minhas inquietações. Ligo a TV e está passando um filme sobre guerras.
Tudo conectado. A humanidade ainda não aprendeu a viver com o contraditório. Algo se move do meu lado: os gatos me rodeiam, como se quisessem saber o motivo de eu ter saído da cama no meio da noite para vir escrever.
Mas voltando ao nosso tema inicial, voltar a visitar Saramago me instiga a retomar a leitura dos clássicos que deixei na estante há muitos anos. Tenho alguns exemplares maravilhosos, além dos pensadores, que adormecem na estante de metal, como que me indagando em qual momento vou reabri-los e ler.
“Formaram-se filas quilométricas, e tudo pareceu normal. Mas, para desespero das autoridades eleitorais, houve quase setenta por cento de votos em branco. Uma catástrofe. Evidentemente que as instituições, partidos políticos e autoridades, haviam perdido a credibilidade da população”, diz Saramago em seu ensaio.
Nessa leitura a gente vai percebendo alguns aspectos que estão atuais. “O voto em branco fora uma manifestação inocente, um desabafo, a indignação pelo descalabro praticado por políticos pertencentes aos partidos da direita, da esquerda e do meio. Políticos de partidos diferentes, mas de atuações iguais, usufruindo de privilégios que afrontavam a população. Os eleitores estavam cansados, revoltados”.
Qualquer semelhança com a atualidade será mera coincidência¿ “Os governantes, sentindo-se ameaçados, trataram de agir em nome da ordem, espiando, mentindo, torturando, explodindo, desesperando”, diz o autor.
E ele prossegue... “Alguns que viveram os horrores da cegueira branca, novamente sofreram. Os governantes, preocupados em salvar a própria pele, em garantir o poder, não perceberam que a cegueira branca de outrora, demonstrativo de que há muito o homem estava cego, tinham paralelo com o voto branco de agora, indicativo de que a população não perdera a lucidez. Estranhamente, não houve uma mobilização para o fato”.
O texto de Saramago parece de agora e recomendo a leitura, assim como outros autores de tão fino calibre. Malu e os gatos aquietaram-se. O filme ainda não acabou  e eu vou voltar à leitura até que o sono chegue novamente, pois preciso acordar cedo.

sábado, 18 de julho de 2015

Mesmo depois de reforma, pedestres continuam se arriscando

Ciclistas também atravessam no meio dos carros, sem se importarem com o perigo


 / Tribuna Independente

Fotos Adailson Calheiros
Pedestre e ciclista abusam da sorte e se arriscam atravessando pelo asfalto ao invés de recorrer a passarela, reformada e entregue à população há pouco tempo
Pedestre e ciclista abusam da sorte e se arriscam atravessando pelo asfalto ao invés de recorrer a passarela, reformada e entregue à população há pouco tempo

Mesmo depois da reforma da passarela na Avenida Durval de Góes Monteiro, no Canaã, bairro do Tabuleiro do Martins, alguns pedestres continuam abusando da sorte e atravessando a perigosa pista do bairro. A reportagem da Tribuna Independente esteve no local, na tarde de sexta-feira (17) e, do alto da passarela, presenciou vários pedestres se arriscarem e atravessarem a pista. 
Ciclistas e pedestres atravessavam no meio dos carros, sem se importarem com o perigo que estavam passando. A dona de casa Darlene Pereira de Queiroz disse que todo dia vai buscar os filhos na escola; mas vai pela passarela, e presencia pessoas passando pela pista, sem paciência e consciência: até mães com crianças.
“Na época da reforma da passarela, o povo aqui reclamava do perigo; depois que foi concluída a obra, que traz segurança para todos; muita gente se arrisca e prefere passar pela pista. A passarela é muito importante e dá tranquilidade para nossa locomoção”, destaca Darlene Pereira.
Dona Adriana da Conceição é outra moradora que comentou a falta de cuidados de muita gente. “Eu passo todo dia por aqui e me sinto segura com a passarela; a reforma foi importante, mas muitas pessoas não se importam de arriscar a vida e continua passando pela pista”, pontuou.
Aída Lorrane mora no Canaã e disse que muitas pessoas já morreram atropeladas no local, por conta de imprudência e falta de cuidados; foi o caso de um atropelamento com morte imediata há poucos dias no local de uma senhora, segundo conta.
Dona Francisca Maria dos Santos é moradora do Santo Amaro e tem a mesma opinião de Lorrane: disse que a construção da passarela veio dar mais segurança aos moradores, mas mesmo assim, muitos se arriscam e não têm consciência do perigo que correm. 
(Foto: Adailson Calheiros)
Muitos moradores da região aprovam passarela recém-reformada, que oferece mais segurança aos pedestres
Mas não é só gente imprudente que tem o bairro: muitos moradores conscientes também passam pelo local indicado: a passarela recém-reformada.  Até um cão vira-lata parece que tem mais juízo do que muitos seres humanos e foi visto atravessando a passarela na tarde de sexta, enquanto outros se arriscavam lá em baixo, apressadamente.
A reportagem tentou contato com a Superintendência de Trânsito de Maceió (SMTT) para saber se está sendo feita alguma campanha no local, de incentivo aos moradores para utilizarem mais a passarela, mas até o fechamento da edição, não teve retorno.
Código de Trânsito Brasileiro prevê punição para pedestre com comportamento abusivo
O artigo 254 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Lei Nº 9.503, de setembro de 1997, prevê punição para os pedestres que tiverem comportamento abusivo.  Segundo o texto do documento, “todos os cidadãos têm sua parcela de responsabilidade para manter o equilíbrio nas relações no trânsito”.
Tanto quanto os motoristas, os pedestres também estão passíveis de serem penalizados por comportamento abusivo e irresponsável no trânsito. A multa prevista para o pedestre equivale a 50% do valor da multa para motorista.  É considerada infração – leve.
É proibido ao pedestre: permanecer ou andar nas pistas de rolamento, exceto para cruzá-las onde for permitido; cruzar pistas de rolamento nos viadutos, pontes, ou túneis, salvo onde exista permissão; atravessar a via dentro das áreas de cruzamento, salvo quando houver sinalização para esse fim.
Ainda segundo a mesma lei, é proibido ao pedestre utilizar-se da via em agrupamentos capazes de perturbar o trânsito, ou para a prática de qualquer folguedo, esporte, desfiles e similares, salvo em casos especiais e com a devida licença da autoridade competente; andar fora da faixa própria, passarela, passagem aérea ou subterrânea e desobedecer à sinalização de trânsito específica.
(Foto: Adailson Calheiros)
Pedestres também podem ser multados por não obedecer lei de trânsito; valor equivale a 50% da multa aplicada ao condutor
Circulando pelas ruas de Maceió é fácil a gente encontrar comportamentos irresponsáveis cometidos não só por motoristas, mas pelos pedestres também, ao atravessarem apressadamente, muitas vezes sem prestar atenção ao sinal de trânsito;  atravessar fora da faixa de pedestre, como já aconteceu, tanto na Avenida Duval de Góes Monteiro, quanto na Menino Marcelo e em outras de grande fluxo de trânsito da capital.
FAIXAS APAGADAS
Por outro lado, em vários trechos das ruas de Maceió, a reportagem também notou as faixas de pedestres apagadas, dificultando a passagem dos pedestres. Mas mesmo sem essa sinalização, muita gente em um sinal do cruzamento no Tabuleiro do Martins, próximo ao Makro, se arriscava no final da tarde de sexta.
Seu José Pinheiro é um pequeno empreendedor e vende milho em um carrinho no local e disse que as pessoas que atravessam sem muita prudência e fora das faixas de pedestres estão cometendo um erro grave, colocando a vida em risco. “Tenho presenciado muito isso, mas o certo é as pessoas passarem pelo local apropriado, pois não arriscam a vida”, observa.
O funcionário de seu José Pinheiro, José Carlos,  também atentou para o fato e disse que as pessoas deveriam ter mais cuidado ao atravessarem a rua, nas faixas, mesmo que elas não estejam visíveis, “pois tem muita gente imprudente no trânsito”, observou.
À luz da lei, pedestres que insistem em colocar a vida em risco, atravessando debaixo da passarela, fora da faixa de pedestres, andar no meio da rua na, na faixa de passagem de ônibus “podem ser encarados como suicidas uma vez que estão cientes do perigo e, mesmo assim, atravessam em locais inseguros”.
Pelo texto da lei, quando o motorista está ciente da legislação de trânsito, pode, inclusive, representar  juridicamente contra o pedestre infrator por considerar que o colocou em situação de perigo com intenção de prejudicá-lo juridicamente. 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

As velharias de ontem...

Olívia de Cássia - jornalista

A noite já avança e com ela me vêm algumas inquietações  que vão me ocorrendo agora  em desordem, sem tempo cronológico. Procuro sempre o equilíbrio; não me desvirtuar do foco que tenho agora em minha vida.

No noticiário, como dizia Cazuza, as notícias são de ontem. Cada hora uma velharia a mais; outras palavras são necessárias; é muita ebulição. Em nome de Deus, alguns segmentos cometem dissabores há milênios, sem explicação que seja plausível.

O Deus que professo não é esse que muitos avaliam como carrasco e vingativo. Aquele que acredito é um ser justo e não preciso estar em igrejas para mostrar minha crença. Ele sabe de todas as minhas necessidades e sonhos.

Sonho com um mundo melhor e mais justo; uma sociedade onde as pessoas sejam tratadas com dignidade, sem arrogância, sem discriminação social e mentiras. Sonho com um mundo onde as crianças tenham tratamento cidadão e as mulheres não sejam violentadas em seus direitos.

Não professo essa demagogia dita cotidianamente em atos e discursos por aí. O país está nas mãos de tresloucados, como esse que aparece no noticiário, que ameaça tocar fogo na democracia, caso suas falcatruas venham à tona.

A presidente Dilma tem que ser firme, como tem sido até agora, enfrentando tempestades e turbulências. Não há de ser muito difícil para quem já enfrentou uma ditadura e todo tipo de desconformidade.

As avaliações jurídicas do contexto de agora diferem dos dois lados, mas o difícil é entender alguém que pense e aja como determinados personagens que mais parecem animações de quadrinhos infantis.

Mais uma hora se foi e cá estou eu, defendendo a democracia de novo e me colocando contra os pensamentos que sejam contrários a ela, por mais defeitos que tenha. Cheguei do trabalho e corro para o noticiário eletrônico e novamente me deparo com as mesmas picuinhas, insanidades e doses cavalares de muita sacanagem política.

É preciso ter muito discernimento, maturidade e leitura para entender toda essa gama de acontecimentos. Às vezes dá um nó, confesso. É muito imbróglio. A economia brasileira se encontra em dificuldades, sim, mas não é uma crise só nossa, ela é mundial e  vamos superar as dificuldades.

Segundo a agência Reuters a economia da América Latina deve crescer menos do que o previsto este ano. Isso acontece, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),  enquanto a região, dependente de exportações, enfrenta ameaças de medidas de estímulo no mundo desenvolvido e uma crise de dívida não solucionada na Europa.  


Mas eu não quero encerrar minha fala de agora falando em política, embora ela não esteja dissociada de mim o tempo todo. Quero desejar uma noite de paz e bem uma mensagem de alento e amor para todos. Boa noite. 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

De volta ao começo

Olívia de Cássia – jornalista

Vou iniciar meu texto de hoje transcrevendo o conceito de improbidade administrativa. “O ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de função pública ou decorrente desta. Segundo Calil Simão, o ato de improbidade qualificado como administrativo é aquele impregnado de desonestidade e deslealdade”.

É por causa dessa irregularidade que estamos às voltas com tanta Comissão Parlamentar de Inquérito e denúncias de corrupção e irregularidades, guardadas as devidas proporções. Muita gente se põe a comentar e a falar mal do país, por conta das notícias veiculadas de corrução e roubalheira, confundem alhos com bugalhos, como é do interesse dos que se dizem opositores e se põe a falar mal da corrupção que se agigantou no país.

Essa gente mesmo que fala mal de gestores e políticos foi quem colocou no Congresso Nacional e nos demais parlamentos tais políticos e nas próximas eleições voltarão a fazê-lo: por beleza, amizade ou falta de propostas e depois não lembra nem em quem votou.

Sobre a crise econômica do país tão alardeada na mídia, sabemos que não acontece só no Brasil, mas é uma constatação mundial, segundo os economistas e especialistas sérios, esse período de turbulência tende a arrefecer nesse segundo semestre. Tomara. Quem conhece uma pouco da história sabe que é por conta de fatores como a corrupção, improbidade e da falta de leitura que nascem a corrupção e o desalinho no mundo.

Voltando às atividades do parlamento, da janela da Assembleia Legislativa, numa pausa para o café, vejo o movimento da rua, em frente à Ladeira da Catedral: tudo continua como antes. Na calçada uma mulher jovem, sentada, todo dia, com uma criança nos braços, exposta à intempéries do tempo, sem comida, sem escola e sem lazer.

Todo dia é assim e de volta à rotina pela manhã, avaliava que o cenário tivesse mudado. Tudo igual, bem próximo a essa moça, um idoso pedinte, com a perna enfaixada. E fico me perguntando cadê as instituições que deveriam observar isso.

 É verdade que há dez anos essa cena era mais frequente e a miséria mais aparente, mas me causa estranheza que nem o Conselho Tutelar e nem um órgão do  poder público tenha atentado para a questão, que se dá bem no centro de Maceió, e na calçada da Igreja da Catedral Metropolitana. A criança já está em idade escolar de creche infantil e sendo usada para atrair possíveis doadores.  

Também diariamente, nos ônibus da capital alagoana, já se tornou uma rotina a prática dos pedintes e o curioso é que tem um rapaz ainda jovem, que já pede nos ônibus há mais de dois anos com o mesmo discurso, usa uma criança para pedir dinheiro.

Ele diz que a filha estava internada, que precisou de uma medicação que é cara e que deixou de vender as guloseimas no ônibus, porque precisa de dinheiro para a medicação e a alimentação da filha.

Mesmo diante desse quadro a gente tem que reconhecer que a miséria no País diminuiu depois da implantação do programa Bolsa Família, embora muita gente critique e chame de bolsa esmola.  Avalio ainda que na desvirtuação dos projetos, a corrupção  sempre aparece e falta fiscalização, mas tem muita gente que se aproveita disso e é preciso ficar de olho. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

No Graciliano Ramos, um açude para receber águas pluviais ameaça a saúde dos moradores

Sem limpeza e sem cuidados, 

local virou pasto de animais

e coloca a população em risco


Olívia de Cássia - Repórter
A comunidade do Graciliano Ramos, no Tabuleiro do Martins, em Maceió, está pedindo socorro para que a Prefeitura tome providências com relação aos transtornos causados pela falta de limpeza no terreno onde fica o açude da região.
Segundo seu Antônio Jorge Cavalcante de Melo, líder comunitário, a fedentina está tomando conta do ar devido a ligações de esgotos clandestinos. (Fotos: Paulo Tourinho)
Segundo seu Antônio Jorge Cavalcante de Melo, o açude do bairro está sem limpeza há vários meses e completamente sem estrutura para receber as águas das fortes chuvas que caem em nossa capital neste inverno. Seu Antônio é líder comunitário e disse que, além disso, a fedentina está tomando conta do ar devido a ligações de esgotos clandestinos. Sem contar com o jogo de empurra que acontece: a prefeitura diz que é com o governo e o governo diz que a responsabilidade é da administração municipal. 
Segundo ele, o açude do bairro está sem limpeza há vários meses e completamente sem estrutura para receber as águas das fortes chuvas que caem em nossa capital neste inverno
Faz tempo que os moradores reivindicam melhorais no bairro, mas até agora dizem que nada foi feito. Em fevereiro do ano passado, a comunidade  havia cobrado uma solução para o problema, e a Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (Slum) garantiu que a limpeza seria feita até o dia 31 de março, o que não aconteceu.
Seu Antônio Jorge disse que já foram várias as solicitações que enviaram pedindo providências ao poder público, mas até agora, nada e mais uma vez eles apelam para as autoridades
O líder comunitário disse que já foram várias as solicitações que enviaram pedindo providências ao poder público, mas até agora, nada, e mais uma vez eles apelam para as autoridades. “Se não tiver uma providência, os moradores do Graciliano Ramos vão fazer um abaixo-assinado e pedir providência ao Ministério Público. As luzes do bairro estão apagadas; aqui é uma área onde as pessoas caminham”, destaca.
Seu Antônio Jorge diz ainda que os moradores também não têm consciência e colocaram as ligações de esgoto no açude, o que causa fedentina no local, que foi construído para captar águas das chuvas.
Segundo o líder comunitário, os moradores também não têm consciência e colocaram as ligações de esgoto no açude, o que causa fedentina no local
“Estamos correndo o risco de uma nova enchente; a última que ocorreu foi em 2004 e até agora os moradores não foram indenizados. Aqui se tornou uma fazenda, tem animal de todo tipo e outro dia morreu um cavalo afogado; a população está correndo o risco de contrair doenças por causa da sujeira e do mau cheiro provocado pelas fezes que são jogadas in natura no local”, pontua.
Seu Antônio Jorge também reclama da inoperância da Associação dos Moradores do bairro e acusa os integrantes de coniventes. “A associação não faz nada, porque é conivente, tem integrante com o ‘rabo-preso’ e devia fazer alguma coisa, um abaixo-assinado e denunciar no MP”, avalia.

terça-feira, 14 de julho de 2015

População reclama que creche foi construída no Benedito Bentes no meio do nada

Olívia de Cássia - Repórter

Moradores do Benedito Bentes I estão reclamando do acesso a uma creche que foi construída pela Prefeitura de Maceió, nas proximidades dos novos conjuntos Condomínio Recanto das estrelas e Condomínio Acauã, em parceria com os governos estadual e federal, sem que a gestão municipal atentasse para a parte estrutural externa do terreno, que fica no meio do nada, num terreno isolado e sem segurança.  
Moradores do Benedito Bentes I estão reclamando do acesso a uma creche que foi construída pela Prefeitura de Maceió - Fotos: Paulo Tourinho
O calçamento do conjunto onde foi construído o prédio, só vai até o meio do terreno e até se chegar à creche, enfrenta-se o barro no verão e a lama e água no inverno
Segundo os moradores, a creche foi entregue no começo do mês de julho
Segundo os moradores, a creche foi entregue no começo do mês de julho e faz parte do Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância), mas a população do bairro reclama dos assaltos, que são constantes nas proximidades da creche e da dificuldade para os pais dos alunos terem acesso em tempo chuvoso, por conta da lama e das poças d’água.  
Seu Jadielson observa que a creche já está fazendo  a matrícula para crianças de zero a quatro anos de idade, mas avalia que deveria estender  para crianças de mais idade.
A reportagem visitou o local e presenciou a dificuldade que é transitar por ali.  O calçamento do conjunto onde foi construído o prédio, só vai até o meio do terreno e até se chegar à creche, enfrenta-se o barro no verão e a lama e água no inverno. O terreno baldio próximo à creche é cheio de lixo e entulho.
Segundo o morador Jadielson Simões ele passa pelo local todos os dias e testemunha a dificuldade que é transitar por ali, por causa da lama.  Seu Jadielson observa que a creche já está fazendo  a matrícula para crianças de zero a quatro anos de idade, mas avalia que deveria estender  para crianças de mais idade.
Segundo o morador Jadielson Simões ele passa pelo local todos os dias e testemunha a dificuldade que é transitar por ali, por causa da lama.
“Maceió é grande e as autoridades têm que ter responsabilidade: uma creche desse porte para crianças de 0 a 4 anos somente é muito pouco, deveria ter maternal e jardim infantil , não só tem menino dessa idade no bairro”, destaca.
Seu Jadielson observa que a creche já está fazendo a matrícula para crianças de zero a quatro anos de idade, mas avalia que deveria estender para crianças de mais idade.
Jadielson Simões destaca também que o trajeto entre os condomínios Recanto das estrelas e Acauã é muito longe e esquisito. “O calçamento foi feito pela metade e o resto é só lama”, destaca.  
José Rubens  é outro morador que falou à reportagem e disse que a obra da creche não está trazendo benefício para a comunidade. Segundo ele, a pista da Avenida Fernando Porto Malta foi feita até ali e parou. “Como é que as pessoas vão levar as criança para a creche, de manhã e buscar no começo da noite, com tanta lama?”, questiona.
José Rubens é outro morador que falou à reportagem e disse que a obra da creche não está trazendo benefício para a comunidade.
Segundo José Rubens, a população do bairro não tem condições de ficar com um acesso do jeito que está. “Eu não sei se a creche já está funcionando; foi inaugurada no começo do mês de julho, mas todo dia tem assalto a mão armada, de bicicleta, de moto nas redondezas”, argumenta.
Segundo José Rubens, a população do bairro não tem condições de ficar com um acesso do jeito que está.
André Cavalcante da Silva observa que não tem cabimento nenhum o descaso que está acontecendo no Benedito Bentes. “A prefeitura não pode deixar as crianças por conta da falta de segurança, escuridão, falta de acesso”, pontua.  
André Cavalcante da Silva observa que não tem cabimento nenhum o descaso que está acontecendo no Benedito Bentes.
O terreno baldio próximo à creche é cheio de lixo e entulho.
 A unidade escolar do Benedito Bentes foi construída num pacote de três creches e custaram mais de 3,8 milhões de reais aos cofres públicos em recursos do município e do governo federal, por intermédio do Proinfância. Mas apesar de todo o dinheiro gasto, o acesso à creche foi esquecido e os  moradores do bairro reivindicam providências.  

Construção de creches e pré-escolas são indispensáveis à melhoria da qualidade da educação

A construção de creches e pré-escolas, bem como a aquisição de equipamentos para a rede física escolar desse nível educacional, são indispensáveis à melhoria da qualidade da educação e está prevista no projeto do governo federal Proinfância.
O programa foi instituído pela Resolução nº 6, de 24 de abril de 2007, e é parte das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) do Ministério da Educação. Seu principal objetivo é prestar assistência financeira aos municípios, objetivando garantir o acesso de crianças a creches e escolas de educação infantil da rede pública.
Apesar de todo o dinheiro gasto, o acesso à creche foi esquecido e os moradores do bairro reivindicam providências.
Segundo o texto do projeto, as unidades construídas são dotadas de ambientes essenciais para a aprendizagem das crianças, como: salas de aula, sala multiuso, sanitários, fraldários, recreio coberto, parque, refeitório, entre outros ambientes, que permitem a realização de atividades pedagógicas, recreativas, esportivas e de alimentação, além das administrativas e de serviço.
Entre 2007 e 2014, o Programa investiu na construção de 2.543 escolas, por meio de convênios e a partir de 2011, com sua inclusão no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC2), outras 6.185 unidades de educação infantil foram apoiadas com recursos federais, totalizando 8.728 novas unidades em todo o país.
O Programa repassa também recursos para equipar as unidades de educação infantil em fase final de construção, com itens padronizados e adequados ao seu funcionamento. Mais de 2.500 municípios receberam apoio do FNDE para compra de móveis e equipamentos, como mesas, cadeiras, berços, geladeiras, fogões e bebedouros.

domingo, 12 de julho de 2015

Marlon Rossy leva alegria e descontração com suas imitações para todo o Brasil


Olívia de Cássia - Repórter
O maior imitador do Brasil, Marlon Rossy, conhecido por sua alegria e descontração nas imitações de mais de 30 personagens em seus shows, também ficou famoso depois de ter vencido o quadro ‘Se vira nos trinta’, no programa do Faustão, da Rede Globo, e ter sido eleito o maior imitador do País, no programa Tudo é Possível, da Rede Record, apresentado por Ana Hickmman.
O maior imitador do Brasil, Marlon Rossy, conhecido por sua alegria e descontração nas imitações de mais de 30 personagens em seus shows (Fotos: Paulo Tourinho)
São imitações de artistas como: Maria Bethania, Alcione, Tim Maia, Raul Seixas, Roberto Carlos Alcione, Elvis Presly, Cauby Peixoto, Caetano, Plácido Domingos, Andrea Bocelli, entre outros são imitados por Marlon Rossy,  que atualmente, além de shows humorísticos contagiantes, dá palestras motivacionais e faz shows corporativos, em empresas.
Formado em Administração, Marketing e linguagem corporal, ele inicia o nosso bate-papo brincando e diz que tudo começou com Marlon Eduardo de Oliveira Vitor, “que me dá menos dinheiro do que Marlon Rossy”.  Nascido em Atalaia, na Usina Ouricuri, ele conta que aos oito ou dez anos começou a trabalhar, quando os pais passaram por uma situação difícil e o pai teve que viajar para o Rio de Janeiro.
Formado em Administração, Marketing e linguagem corporal, ele inicia o nosso bate-papo brincando e diz que tudo começou com Marlon Eduardo de Oliveira Vitor
Marlon Rossy observa que sempre teve um diferencial com relação aos irmãos e dos sete foi o único criado pelos pais. Os outros seis ficavam com os avós. “A minha personalidade foi a mais original da minha família, por conta disso: meu pai, sempre muito divertido, minha mãe também  muito positiva e quem me inspirou primeiro foi ela”, observa.
Ele destaca que passava a tarde inteira cantando com a mãe. “As canções que cantava com minha mãe eram de Dalva de Oliveira, coisas do meu tempo”, brinca, elogiando a tonalidade voz da mãe, dona Maria José de Oliveira Vitor,  e diz que costumava imitá-la. “Eu acho que o meu tino da imitação já vinha daí. Eu era muito de observar o ambiente”, pontua.
São imitações de artistas como: Maria Bethania, Alcione, Tim Maia, Raul Seixas, Roberto Carlos Alcione, Elvis Presly, Cauby Peixoto, Caetano, Plácido Domingos, Andrea Bocelli, entre outros são imitados por Marlon Rossy
Marlon Rossy explica que quando mudou da usina para Atalaia, conheceu o pessoal que gostava de música: “Comecei a me meter nesse meio e um pouquinho antes eu era o cantor oficial das festas da escola, aquele do até logo professora passe bem”, diz sorrindo.
Todo evento que tinha musicalidade, Marlon Rossy conta que era convidado a participar. “A professora já me escolhia porque sabia que eu gostava disso. A questão das imitações, eu começava a brincar imitando os amigos na turma. Eu era uma espécie de mascote: não pagava nada, mas tinha a obrigação de divertir todo mundo e aproveitei essa experiência para o trabalho que eu faço hoje”.
Todo evento que tinha musicalidade, Marlon Rossy conta que era convidado a participar.
Aos 19 anos, o artista alagoano conta que mudou-se  para União dos Palmares e começou a tocar em banda que, segundo ele, foi muito importante na questão do seu conhecimento e variedade musical. “Em Atalaia a gente tinha uma musicalidade restrita: antigamente o barzinho se restringia em você cantar Canteiros; Maluco Beleza; Andanças e Flor de Lis”, pontua.

Em União dos Palmares  artista começou a ver a música de forma diferente

Marlon Rossy explica que quando foi para União dos Palmares, foi muito especial e começou  a ver música de uma forma diferente, “que me obrigava a ser melhor cantor, para poder interpretá-la. Isso foi muito bom  para minha carreira. Minha escola musical forte foi União dos Palmares, que tinha uma presença forte dos artistas de Maceió, que toda semana iam para barzinho”, explica.
Marlon Rossy explica que quando foi para União dos Palmares, foi muito especial e começou a ver música de uma forma diferente
Segundo o imitador, a própria cultura do local já era muito forte, “o fato de ser a Terra de Zumbi, já fortalece o sangue cultural, tinha uma dedicação a mais à cultura, foi fundamental na minha formação musical e conhecimento de artistas. Posso dizer que eu multipliquei o meu repertório, infinitamente”, destaca.
Marlon explica que não se dedicou somente à MPB, à musica cabeça, “eu também tocava Chitãozinho & Xororó e eu não deixei o brega de lado. Fiz seis horas sem parar na Pindoba 6, no Sueca, na Várzea Grande (zona rural de União). As pessoas não sabem os sítios que eu toquei. Eu mesmo carregava o carro, montava o som, ligava e desmontava, era ‘multimídia”’, diz sorrindo.

Primeiro personagem

O primeiro personagem que imitou, Marlon explica que  foi num concurso de miss, em União dos Palmares, onde queria fazer diferente,  uma surpresa: fez um strip-tease  cantando a música Rogéria .
“Em  1997, na Palmarina (clube da cidade),  não era uma coisa racional de se fazer. Eu tocava na Banda Contágio, de seu Manoel Leite, e no meio do desfile soltei a música no teclado e comecei a tirar a roupa. Por baixo do terno tinha um sutiã  e quando apareceu, foi uma bomba lá. No outro dia meu público estava dividido ente o escândalo e a diversão, mas eu tinha que dá um passo diferente”, avalia.
O primeiro personagem que imitou, Marlon explica que foi num concurso de miss, em União dos Palmares
Segundo Marlon Rossy, União dos Pamares lhe tratou muito bem. “Eu cresci de acordo com o adubo que eles colocaram em mim; tanto que chegou um momento que eu não conseguia mais ficar em União”.

Reconhecimento

O imitador show também observa que o artista formado pelo público ele vai se tornar um artista sempre lembrado;  “mas o que é formado pela fábrica, é efêmero: está aqui agora e se não for aproveitado naquele momento, não aproveita mais , porque vai sumir. Já fez o papel dele e é isso”, destaca.
O imitador show também observa que o artista formado pelo público ele vai se tornar um artista sempre lembrado
Marlon Rossy também pontua que 90% das imitações que faz são indicadas pelo público. “Dez por cento são aquelas que eu imito ruim”, diz com modéstia. “O público sugeria voz que eu nunca imaginei que eu fosse cantar como: Andrea Bocelli e Belchior e fui praticar e consegui. A importância do público é fundamental para minha carreira”, ressalta.

 Maior imitador do Brasil

“Eu conquistei o título de maior imitador do Brasil, fui para o Faustão, no Se vira nos trinta, hoje tenho uma abertura muito boa nas TVs, mas teve o caminho das pedras. Depois que se ganha um título desse, você tem que fazer algo para o público não sentir falta. Eu escuto muito o rádio, estou na rua estou observando, é preciso muito estudo e muita preparação”, avalia.
“Eu conquistei o título de maior imitador do Brasil, fui para o Faustão, no Se vira nos trinta, hoje tenho uma abertura muito boa nas TVs, mas teve o caminho das pedras.
Com 18 anos de carreira solo e no meio artístico desde 1988, Marlon Rossy conta que musicalmente fazia de tudo.  “Se precisasse que eu cantasse numa noite de carnaval, eu cantava;  se precisasse que puxasse um bloco de carnaval, eu ia, durante onze anos fui puxador oficial da Turma da Rolinha,  entre outras atividades”.
Em 2007 ele conta que começou a fazer o show ‘Uma noite como você nunca riu’, voltado para o público turista, mas é aberto ao público local: de três a cinco por cento do público que vai é local e é lotado, segundo ele. Neste sábado, 11, fará o espetáculo em uma churrascaria na Ponta Verde.
“Nesse trabalho com turismo eu criei uma linguagem nacional, que eu posso trabalhar com eles aqui ou ir até as regiões e poder ser entendido. Eu aprendi que o ouvir é fundamental para quem, trabalha com o público. A gente tem um problema muito sério de vocabulário por região. Às vezes uma expressão que a gente faz de alegria, em outro local é de tristeza, de raiva. Esse contato com esse público facilitou essa comunicação”, pontua.
Marlon avalia que a imitação é um terreno muito vasto
 Segundo Marlon Roassy, ter sensibilidade é importante, porque o artista não constrange o público. “Meu espetáculo é o primeiro de humor no Brasil que não tem palavrão, o mínimo que seja; eu evito e comecei a ver isso, depois de ter ido a alguns shows em Fortaleza onde tinha famílias com crianças e eu pensei: ‘preciso evitar isso em meus shows’. Às vezes  o cara é o que mais fala palavrão para a esposa e para o filho, mas quando ele está em sociedade, não quer  isso para a família, quer proteger, porque isso escandaliza”, avalia.
Além de ser sucesso em vários estados do País, Marlon Rossy recebeu o título de cidadão honorário de União dos Palmares
Marlon avalia que a imitação é um terreno muito vasto, “eu estou detentor desse título, depois, quando tiver outro concurso, passo a faixa para outro;  é uma coisa muito perigosa. Eu sou muito grato; tudo isso foi muito importante, mas chega um momento que você tem que parar de concorrer; o crescimento é para conquistar, depois o crescimento maior tem que ser o que você mantém naquele patamar”, avalia.
Além de ser sucesso em vários estados do País, Marlon Rossy recebeu o título de cidadão honorário de União dos Palmares; Atalaia “onde o pessoal reuniu coisas da minha vida que eu nem lembrava”;  Teotônio Vilela e Junqueiro.

Alguns instantes. Vivendo por aí...