segunda-feira, 23 de maio de 2016

Com muita saudade....

Por Olívia de Cássia

De repente dá aquele aperto no peito, aquela saudade das participações nas passeatas, das fotos dos movimentos que eu fazia e tudo me veio à tona hoje. Naquela época, enquanto eu estava na rua, nos movimentos de reivindicação, aquele que eu achava fosse meu companheiro e parceiro estava me traindo a cada esquina, mas essa é outra história.

Não me arrependo um milímetro de ter ido às ruas protestar contra a falta de liberdade, contra a ditadura, por diretas já e outras mobilizações das mulheres alagoanas. Nessa época nós também estávamos terminando o TCC e precisávamos acompanhar o movimento, já que o tema do trabalho se reportava a essa seara.

Foram tempos de aprendizado, muita leitura, conhecimento, amizades que me fizeram mais fortes do que eu era. Leituras sobre feminismo, informações sobre mulheres guerreiras que lutaram e colocaram suas vidas em perigo.

Sempre gostei muito de fotografia e desde a faculdade eu registrava os movimentos, as mobilizações e outras paisagens. Muita coisa se perdeu no caminho, mas ainda consegui salvar algumas fotos daquela época.

Da mesma forma que as meninas da turma não gostavam muito de ir ao laboratório, eu ficava lá, horas a fio, com os meninos, para aprender um pouco sobre revelação de fotos. E aquela arte me encantava.

Eu gostava de sair às ruas, quando Maceió era uma cidade pacata, para fotografar, sem pauta e nem compromissos e também em União dos Palmares. Fotografei passeatas, mobilizações, monumentos históricos, praças, pessoas e coisas.

A fotografia me encanta, é como se a  máquina fotográfica fizesse parte do meu corpo, fosse um apêndice útil e indispensável e também passei a usá-la para disfarçar um pouco os tombos e meu jeito atrapalhado de ser, embora eu nunca tenha confessado isso; talvez por timidez.

Desde o primeiro comício do Lula em Maceió; greves dos bancários, onde eu trabalhava na sede do sindicato, encontro de mulheres, passeatas e atos do primeiro de maio e protesto das mulheres nas ruas.

Fotografar para mim é mais que um hobby, faz parte da minha vida e embora agora já afastada do trabalho, quero continuar a fazer uso dessa ferramenta para me distrair. Às vezes as pessoas não entendem teu modo de ver as coisas.

A luz é a principal mola mestra da fotografia, mas outras nuances também se destacam e dependem do olhar de quem está fotografando.  Mas esse texto seria para falar de saudade. Saudade de um tempo em que  a gente participava de mobilizações, quando o país ainda vivia uma ditadura e depois as participações foram minguando.

Tive a honra de fotografar Luiz Inácio Lula da Silva em Alagoas. A primeira foi no primeiro comício que ele fez, na rua em frente à Assembleia Legislativa; na greve dos Bancários em 1991; no Espaço Cultural da Reitoria da Ufal, que ainda funcionava na Praça Sinimbu, onde ele autografou para mim duas fotos que eu tinha feito dele no comício.

Fiquei tão nervosa na hora com aquele contato com o maior sindicalista que o Brasil já teve, que quase não me contive. Também fotografei Lula em União dos Palmares,  na caravana da esperança, na Palmarina, para uma palestra com trabalhadores rurais.

Nessa época ele percorreu todo o país; outra oportunidade foi fotografá-lo no Parque Hotel Quilombo, onde a equipe foi almoçar e todos nós acompanhamos.

Desde a minha juventude eu tive consciência da luta de classes e sempre fiquei do lado do oprimido. Na década de 1980 assisti, também na reitoria, uma palestra do mestre Paulo Freire e fiquei encantada.

Na palestra ele criticava os livros de alfabetização do Nordeste, numa época em que o nordestino não conhecia sequer o que era uva, maça e outras frutas. "Vivi viu a uva", dizia a cartilha da Amanda, que eu me alfabetizei. E fiquei pensando naquilo que ele disse.

O mestre falou da pedagogia do oprimido e levou o auditório lotado a aplaudi-lo. Meu tempo de universidade, posso dizer, que apesar das dificuldades e limitações que tínhamos foi um tempo de aprendizado, de boas amizades e conhecimento. Falo tudo isso com muitaa saudade. Boa noite.

domingo, 22 de maio de 2016

Sobre a adolescência e de outros que tais

Por Olívia de Cássia

Quando a gente é adolescente costuma supervalorizar pessoas e coisas, como se fossem mais importantes do que são. Pelo menos comigo aconteceu assim; eu era uma pessoa de baixa autoestima e admirava nas pessoas o que eu não conseguia ser.

Segundo meu amigo rastafári Thiago Correia, eu fui a primeira mulher alternativa de União dos Palmares; isso por conta da minha rebeldia; roqueira, fui a primeira jovem a fazer vestibular para jornalismo naquela época e não costumava discriminar as pessoas de classe diferente da minha.

 Sempre gostei de rock in roll e de boa música; namorei um ex-hippie de 24 aos aos 17  e embora ele fosse pessoa conhecida da família, quase parente, fomos muito discriminados pela sociedade conservadora da época.

O namoro foi quase platônico, durou um mês apenas, mas durante seis anos sofri o pão que o diabo amassou por conta desse amor impossível. Por mais que minha mãe se colocasse contrária e tramasse alguma coisa para me fazer esquecer aquele sentimento, mais ele aumentava.

As beatas que iam para a igreja, já naquela época, quando me viam ficavam cochichando como se eu fosse alguma portadora de doença contagiosa. A discriminação era semelhante ou pior do que existe hoje, para quem se arrisca a pensar diferente.

Já àquela época, influenciada pelos movimentos de libertação, pelas minhas leituras, eu já avaliava a conjuntura de forma diferente, embora fosse uma adolescente romântica e ingênua, tanto que brinquei de boneca até aquele dia do beijo que me marcou para o resto daqueles dias.

O movimento hippie nasceu entre os anos 60 e 70, a década em que teve seu maior reconhecimento e desenvolvimento, seu lugar de origem foram grandes comunidades dos Estados Unidos.

Naquela época vários artistas eram símbolo do movimento, como o cantor e compositor Raul Seixas; Jimmy Hendrix, Os Beatles; John Lennon, entre outros. Os hippies defendiam o conceito “Paz e Amor”, mas negavam o nacionalismo, o patriotismo e as causas de violência e guerras. Aqueles jovens defendiam os valores da natureza, e desconfiavam do poder econômico e militar.

Segundo a literatura, no final dos anos 60 e início dos anos 70, o desenho animado Scooby- Doo foi feito por animadores que homenagearam à cultura hippie, além disso um personagem da série seria hippie (o Salsicha), mas não foi aprovado, então homenagearam os hippies imitado um carro desenhos floridos (Mistery Machine ou Máquina Mistério) que imita os carros coloridos e libertys dos anos 60 e 70.

Isso tudo acontecia, sem que nós tivéssemos essas informações, mas as influências do movimento foi se expandindo pelo mundo e por incrível que pareça, já naquela época chegou a União dos Palmares.
Minhas pulseirinhas alternativas e algumas roupas customizadas que eu usava foram alvo da fúria da minha mãe e ela queimou as minhas roupas, deixando poucas peças no guarda-roupa.

Talvez esse meu lado contestador tenha me influenciado a fazer jornalismo, apesar de eu ser considerada pelas pessoas do movimento hippie como uma 'filhinha de papai careta, que não fumava maconha, apesar da fama".

Depois de anos passados e já na faculdade, fiquei sabendo que alguns personagens da minha terra me achavam metida e intolerante, pela minha forma de pensar a vida. Hoje eu penso e repenso; me ponho no lugar da minha mãe, sei que para ela era difícil me entender.

Minha mãe nunca acreditava quando eu desmentia os falatórios sobre a maconha; preferia acreditar nas Candinhas fofoqueiras e mal amadas. Primeiro ela me castigava e depois ela procurava saber da verdade.

E esses eram os principais motivos das  nossas discórdias tão visíveis para toda a União. Eu corria para a casa das amigas e lá encontrava o apoio e a compreensão das mães das minhas amigas, que me conheciam mais profundmente que minha mãe, porque quase nunca conversávamos amigavelmente.

Eu não tenho crise nenhuma em falar dos problemas da adolescência, das crises existenciais, talvez seja por isso que passei tão pouco tempo na terapia e resolvi escrever sobre tudo aquilo; escritos que nunca publiquei.

Não é que eu não amasse a minha mãe,  pelo contrário; mas ela me tratava como se tivéssemos sido inimigas em outras vidas. Talvez no plano espiritual tudo isso, todos os meus dramas tenham uma explicação.

Minha mãe tinha uma personalidade muito forte e dominadora e como filha de senhor de engenho, tinha o espírito coronelista e dominador. Ela queria que todo mundo estivesse ali, submetido às suas ordens, o problema todo era a minha desobediência e rebeldia que ainda trago comigo, talvez justificando a assertiva de que pau que nasce torto morre torto" e não tem jeito. Boa tarde.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

O sono já se foi...

Por Olívia de Cássia

Querido Diário, às três horas da matina o sono já se foi tem mais de horas. Fui dormir cedo; tem sido um hábito corriqueiro e fazia tempo que não escrevia durante a madrugada. Ouço o barulho do caminhão vindo recolher o lixo da rua e ao longe as conversas dos garis: trabalhadores batalhadores que merecem todo o nosso respeito.

Meus gatos e cães dormem tranquilos o sono dos anjos. Hoje recebi a visita de amigas de União e fomos ver uma comédia, para aliviar um pouco as tensões e nos desviar das notícias indigeríveis da política brasileira.

Mas não consigo me desligar do noticiário e informações que me chegam de tanta asneira, trapalhadas, rabujice e indecência do chamado governo interino que prefiro chamar de golpistas, como todos os jornais do mundo noticiaram.

Só quem não percebeu foi Rosa Weber que intimou a presidente Dilma a explicar o motivo pelo qual chamou de golpe o atual governo. Sabe de nada a inocente. Vivemos dias intranquilos onde a população já não acredita na Justiça e nos poderes constituídos.

O silêncio da noite às vezes no faz refletir sobre situações passadas e presentes: tanto pessoais quanto conjunturais. Hoje encontrei num supermercado  uma moça da minha cidade natal que quase não reconheci, pois tivemos pouca aproximação, e nos pusemos a conversar sobre traições e infidelidade do ser humano e como é difícil de se conviver com isso.

A traição em todas as suas formas e situações é a pior covardia de um ser humano. Tanto nos relacionamentos pessoais, de amizade e ou corporativos. Dizem que o tempo e a vida se encarrega da lei do retorno, mas eu não sei mensurar se quando chega essa resposta o autor da traição estaria lembrado do que fez ou arrependido de tão sórdida atitude.

E fico me perguntando muitas vezes, onde está a justiça que as pessoas tanto dizem que existe. Mas esse não é um assunto da minha seara e deixo a quem de direito possa fazer um estudo aprofundado a respeito dessa querela.

Mas me indago como pode haver pessoas tão cínicas, sem escrúpulos que acham que nunca vão ser descobertas em suas 'espertezas e atitudes abjetas. Vejo injustiças sendo cometidas a todo o instante ao meu redor.

O país está passando por uma das suas maiores crises políticas, sendo corroborada por uma imprensa corrupta, que sempre esteve do lado do poder econômico e dos poderosos e lamento tudo isso.

Vi no noticiário alternativo os argumentos do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e dá nojo de ver a cara cínica da figura e de pensar que muita gente foi para a rua, para defender pessoa tão sem escrúpulo.

Segundo ele avalia, colocar dinheiro num “trust” é a solução para qualquer lavagem de dinheiro do mundo e no Brasil isso tem se tornado rotina. De acordo com o site Tijolaço, o que Cunha diz quando 'doa ao “trust”, o dinheiro não é dele mais.

Numa entrevista que concedeu, disse que o dinheiro era mulher 171 que tem,  ex-jornalista da Globo e ele apenas um usuário da conta. Chama a todos (instituições e pessoas) de idiotas. É muito cinismo.

Por outro lado, o tal governo provisório, permeado de corruptos que diziam lutar contra a corrução, vem cometendo trapalhadas e retrocessos desde o primeiro dia. Sem contar a nomeação de sete ministros envolvidos na Operação Lava Jato, que o juiz Sérgio Moro ignora.

Só valia o seu interesse para comprometer o PT, Lula e Dilma. É muito ódio a um partido que fez tanta benfeitoria para os menos favorecidos, atitude que revolta elite endinheirada e alguns setores da classe média remediada, que está se achando rica.

A sacanagem mais recente foi sitiar a presidente Dilma no Palácio da Alvorada. A mídia golpista não denuncia, mas as redes sociais e sites alternativos, ainda bem que existem e têm mostrado para o mundo o que o Brasil está vivendo.

A 'República das Bananas' comandada por patetas corruptos, insanos e desconexos. A informação foi passada pelo senador Jorge Viana (PT), em discurso na tribuna do Senado.

O parlamentar afirmou que, para ver a presidenta, qualquer pessoa precisa passar por uma barreira e um militar fortemente armado: "A presidente eleita está sitiada?", perguntou.

Segundo o site Rede Brasil Atual, o petista apelou aos ministros da área militar para que interceda na questão. O senador do PT disse que havia acabado de visitar Dilma.

“Eu estava com o presidente do Congresso Nacional e tivemos que nos identificar, esperar um bom tempo para que telefonemas fossem dados para ver se nós podíamos passar para fazer uma simples visita à presidente Dilma. Isso significa que a presidente eleita está sitiada? Que país é esse? Que governo provisório é esse?”, indagou.

Cada dia fica mais claro que a Operação lava Jato não foi criada para investigar a corrupção no país e sim o Partido dos Trabalhadores e suas lideranças e incriminá-los de qualquer jeito.

Em várias delações premiadas, o senador Aécio Neves (PSDB) foi citado e nem assim o juiz abriu inquérito para investigá-lo, pois o nobre magistrado, como já foi noticiado largamente tem ligações muito próximas aos tucanos.

Só para clarear um pouco meus leitores do blog, em janeiro do ano passado, o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, foi acusado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal de ser transportador de dinheiro de propinas do doleiro Alberto Yousseff.

Segundo o noticiário da época, Careca disse em depoimento à PF do Paraná que, em 2010, entregou R$ 1 milhão ao então candidato a governador de Minas Gerais Antônio Anastasia (PSDB) para repassar a soma a Aécio Neves.

Em agosto de 2015, o doleiro Alberto Youssef afirmou, durante depoimento à CPI da Petrobras, que Aécio Neves recebeu dinheiro de corrupção envolvendo Furnas, subsidiária da Eletrobras. “Eu confirmo (que Aécio recebeu dinheiro de corrupção), disse o doleiro.

As denúncias, no entanto, foram engavetadas. A assessoria de imprensa de Aécio afirmou que Youssef apenas disse que ouviu dizer que o senador recebeu propina, não que ele recebeu dinheiro de corrupção.

Também à época e em nota, o PSDB disse que as declarações dadas por Youssef à CPI não foram “informações prestadas, mas sim ilações inverídicas feitas por terceiros já falecidos”, a respeito do então líder do PSDB na Câmara dos Deputados, podendo, inclusive, estar atendendo a algum tipo de interesse político de quem o fez à época”.

E conmo sempre acontece quando a corrupção se refere aos tucanos, nada foi investigado e tudo continua como antes: investigações só servem para as supoistas irregularidades cometidas pelos desafetos da mídia, da Justiça e do podre Congreso Nacional.

 Só para a gente refletir um pouco nessa madrugada, quase amanhecendo já. Uma ótima sexta-feira para todos.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Que Deus nos livre da intolerância

Por Olívia de Cássia

Querido Diário, bom dia. Mais um tempo em que me foi permitido acordar e levantar, apesar da dificuldade. Acordei me sentindo mais disposta; hoje foi dia de fisioterapia e tenho me empenhado muito a não faltar um dia sequer, para continuar a minha luta.

Agora há pouco, quando voltada no táxi, vim observando a paisagem e o movimento dos transeuntes. Adiante uma mãe empurrava o filho adolescente na cadeira de rodas, também vindos de lá da fisio e fiquei pensando que aquela criança talvez não tenha tido nunca a oportunidade de caminhar como tive e ainda tenho.

E tal qual a Pollyana dos livros da adolescência,  me pus a procurar desculpas para minha situação e agradecer por ainda estar no atual estágio da ataxia. Não é pieguice; são formas que a gente vai encontrando na nossa mente, para contornar a situação e não se deixar levar pelo desespero.

Freud, citado pelo jornalista e escritor Roberto Drummond, em seu livro Hilda Furacão, leitura que só agora estou fazendo, disse que nos momentos difíceis da vida, nós nos infantilizamos. Isso tudo talvez como uma forma de suavizar cada situação, avalio eu.

No livro, o escritor fala de jornalismo, literatura, realidade e ficção. Fala de um tempo em que o repórter ia para a rua caminhando ou de ônibus, porque as empresas não concediam transporte para tal.

Em algumas passagens fala de um jornalismo romântico e saudoso que não existe mais e do desejo que ele tinha de cobrir conflitos, tal qual eu, quando pensei em ser jornalista. Achava que ia cobrir guerras, da mesma forma que Euclides da Cunha, em Os Sertões.

Nessas horas um sentimento de saudade evoca as minhas lembranças de adolescente e jovem sonhadora, que era criticada naquela época pela família e alguns amigos da terrinha, pelas minhas pretensões de ser jornalista, poeta, ou escritora. Fui a primeira da minha época a ter tal atrevimento na União dos Palmares da década de 1980.

Eu era muito romântica e me comovia facilmente com histórias dramáticas, feito Romeu e Julieta, um clássico de Shakspeare. E quanto mais eu lia, mais alimentava meu sonho, escrevia alguns versos e textos, mostrava para uma vizinha próxima, que me achava infantil,  ingênua e romântica.

Sem contar a oposição ferrenha da minha mãe, dona Antônia, às minhas expectativas de ser jornalista. "Faça medicina, direito ou outro curso, mas esse é de doido e maconheiro", dizia ela. Eu era uma menina sonhadora, naquela época e ainda acreditava no amor leal, sem traições.

No amor que era capaz de enfrentar todas as barreiras que aparecessem para ser vivido. E lutei muito para que meus sonhos se tornassem realidade; mas nem tudo o que a gente sonha é capaz de realizar; aprendi mais tarde com a vida e os impedimentos que tanto lutei para superar.

Mas voltemos ao dia de hoje, que amanheceu ensolarado e me trazendo um pouquinho de esperança: tanto na vida pessoal quanto na atual conjuntura do país. Apesar desse golpe desmoralizado, proporcionado pelos partidos que fazem oposição aos governos Lula e Dilma, me vejo esperançosa com as mobilizações dos movimentos sociais e estudantes.

Era preciso sacudir a moçada. Os estudantes e as mulheres, principalmente,  pelo país afora, vêm mostrando que não foram feitas para ser recatadas e do lar e sim para lutar pelos seus direitos e os dos menos favorecidos.

Por que lugar de mulher é onde ela quiser estar. Em todos os lugares, independente de credos e ideologias. É preciso que a gente mostre o descontentamento, a insatisfação e o inconformismo com toda essa palhaçada política que o país está vivendo.

Movimentos fascistas, conservadores e de direita forçaram a volta ao poder a qualquer preço e esqueceram que não estamos mais vivendo a época do coronelismo, embora com o golpe o Brasil está voltando ao século IX.

Li no portal Vermelho, que a atriz Letícia Sabatella, ativista na defesa da democracia, assim como outros cidadãos, desde que assumiu o seu posicionamento contra o impeachment  nas redes sociais é alvo constante de ataques ofensivos de internautas.

Não só em sua página no Facebook, mas agora pela própria imprensa conservadora que manipula seus dizeres na tentativa de caracterizar a atriz como uma incitadora de intolerância e ódio.

E me reporto a um texto conceitual que li no Facebook do colega Cassio Araújo, da Ufal, militante daquela época. O texto disserta sobre o fascismo. "O fascismo é o regime político da intolerância, da truculência, da tirania e do ódio ao que é diferente, por isso é inimigo figadal da democracia", diz o texto.

Segundo ele, o fascista tem desprezo pela vontade da maioria e dos mais necessitados em detrimento da minoria e dos mais aquinhoados. "Ser fascista é não saber discutir e nem dialogar, arvorando-se o dono da verdade", observa.

Além disso, segundo esse pensamento, o fascismo é utilizar-se da violência verbal, e até física, para mostrar que tem razão, interditando qualquer discussão e é o que estamos vendo todos os dias nas redes sociais. A intolerância com quem pensa diferente.

 "O fascista faz uso da intimidação para não ser contestado. Usa, ou defende o uso, de todos os meios possíveis e imagináveis para a tomada do poder, inclusive por meios aparentemente legais, ou por meios violentos e cruéis, para instalar um governo para os poderosos", diz o texto.

É o que está acontecendo com o dito governo interino, que me recuso a chamar de presidente, já que golpistas para mim não me representam. Bom dia.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O tempo fechou...

Por Olívia de Cássia


O tempo fechou no Centro de Maceió e vai chover. Parece que um toró daqueles se aproxima da costa; o céu escureceu e o calor é insuportável. Malu aproveita para tirar uma sesta no degrau da escada; os gatos estão dormindo nos degraus acima.

Otto está lá no lugar dele, de gravatinha e tudo, esperando um afago meu, para tirar mais uma selfie. São meus filhotes, meus queridos amores. Me arrisco a adotar outro bebê de quatro patas miniatura que chega hoje, para preencher meus dias incertos.

Sei que vou enfrentar algumas críticas: “Pra que outro animal aí”. Não sei; me apaixonei pelo Juca. Posso não ser uma boa companhia na atual conjuntura. A rabugice da idade e as manias que eu tenho podem não fazer bem a quem quer se aproximar, mas procuro suavizar uma pouco, para não me tornar insuportável.

Não quero ser uma velha cheia de preconceitos, atrasada e caduca; procuro me reciclar, apesar das limitações financeiras e físicas. Pelo menos isso de bom a rebeldia da adolescência me trouxe. Quero tornar meus dias por aqui melhores e mais estimulantes.

Com o afastamento do trabalho, por motivos de saúde, estou procurando focar minha vida em fisioterapia, leituras, caminhadas, mas preciso encontrar um norte, uma ocupação, diversão, para não atrofiar de vez e ocupar meu tempo.

Para quem estava acostumada a sair de casa para trabalhar os três horários, se ver de repente em casa, muda tudo: sua rotina, o tempo e o repensar a vida, de forma que esse repensar também não se torne um fator angustiante. Mas parece que a ficha não caiu de todo para muita coisa na vida ainda.

Tento encontrar respostas para algumas perguntas que surgem no meu interior, mas como elas não vêm, estou procurando me adaptar à nova vida de quase deficiente, acometida de uma doença neurológica, degenerativa e progressiva. Situações imprevistas que podem acontecer com qualquer pessoa; não foi só comigo, eu sei.

Mas ainda tenho tempo de pensar e acreditar que posso lutar para ter melhor qualidade de vida e vou lutar por isso; seja lá o que Deus quiser. Não encontro resposta para minhas indagações; não tenho perspectivas de cura, sei disso, mas os tratamentos paliativos que eu puder fazer, vou enfrentar, até o fim, até quando for possível fazer.

Fiquei muito impressionada na semana passada com uma visita que fiz a umas primas, em União, e as encontrei agressivamente já em estado avançado da ataxia e fiquei me perguntando se nossa família merece passar por tudo isso.

Tentei subir em uma cadeira esta semana, para pegar um objeto em cima da estante e senti minhas forças diminuídas, não posso mais fazer certos esforços físicos; não tenho equilíbrio e minha coordenação motora começa a ficar comprometida.

Não quero chegar àquele estágio final, de dependência absoluta de terceiros, até para fazer a higiene pessoal e outras tarefas íntimas. É tudo muito constrangedor. A ataxia é um transtorno neurológico caracterizado pela falta de coordenação de movimentos musculares voluntários e de equilíbrio.

 É normalmente associada a uma degeneração ou bloqueio de áreas específicas do cérebro e cerebelo, mas no nosso caso não afeta a memória. Ainda bem, que pelo menos isso ainda posso fazer. Pensar, escrever, ler e ver a vida. Por enquanto. É quase noite; boa tarde. 

domingo, 15 de maio de 2016

De uns tempos para cá...

Por Olívia de Cássia

Querido Diário, bom dia. De uns tempos para cá ando introspectiva, pensando na vida e no tudo que ela me trouxe. Não posso dizer que eu seja uma mulher igual às que conheço, mas ninguém é obrigado a ser cópia dos outros.

Mas eu não me dobro e não me curvo às imposições. A rebeldia é e sempre foi a minha marca principal: discordar de algumas ideias do senso comum e não me conformar com a opressão, o desamor e as injustiças.

Sempre tive esse direcionamento em minha vida, desde que fui assimilando as primeiras concepções de vida e desde a infância fui percebendo as injustiças do mundo.

A luta pelos direitos das mulheres foi uma questão que sempre acompanhei de perto, desde a adolescência e nunca me conformei  com o conceito atrasado e retrógrado de que a mulher teria que ser subserviente e escrava do lar e que o casamento na igreja seria um destino selado.

Para mim deveria ter restaurantes comunitários e lavanderias da mesma forma, onde pudéssemos fazer as nossas refeições, sem que precisássemos perder tempo com afazeres domésticos e ao invés disso, usaríamos o nosso tempo para a preparação intelectual e cultural, para viver a vida, enfim.

Estamos vivendo no país  um momento  crítico, uma volta ao século XIX, em ideias, concepções, com o golpe de estado que foi dado na presidente Dilma pelos partidos que fazem oposição ao seu governo.

E como disse o internauta Osmar Dos Santos Lima, Dilma é uma mulher de fibra e eu  votei nela por conta do apoio do Lula; “agora caso precise votarei pela pessoa honesta que é, e ainda farei campanha”, observou.

“Aos meus amigos, colegas e familiares que não gostam da Dilma só lamento por vocês, prefiro votar em uma mulher honesta, que votar nos barões da política alagoana, e outros ratos em geral”, disse ele.

Respeito todos os meus amigos que pensam diferente de mim, mas não é possível que tanta gente conceituada como filósofos, jornalistas, economistas, governos internacionais, artistas de primeira monta estejam fazendo avaliações erradas a respeito de tudo o que estamos vivendo. Prefiro seguir e assimilar o que dizem e estar desse lado.

Um dos exemplos do que afirmo acima é o de um dos mais influentes juízes da Europa, em entrevista ao jornalista Paulo Moreira Leite, do site Brasil 247. O magistrado espanhol Baltasar Garzon, o mais novo integrante da relação de juristas de prestígio reconhecido que têm críticas à Operação Lava Jato -- e também denuncia o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Segundo ele, o processo de impeachment de Dilma é uma farsa, com uma  finalidade política evidente.. “Num país onde todos os partidos estão envolvidos em esquemas de corrupção, você não pode optar por um investigar apenas um deles, o Partido dos Trabalhadores. Ou investiga e pune todos os implicados, ou fará um trabalho que não tem a ver com Justiça mas com política”, pontuou.

Outra questão apontada é que se o afastamento da presidente tivesse sido por conta das pedaladas,  e o movimento que foi às ruas pelo impeachment fosse contra a corrupção, eles estariam batendo panelas e na rua contra Temer, que nomeou sete ministros envolvidos em irregularidades, inclusive um advogado do PCC.


Sem contar a seleção do ministério que não tem uma mulher, nenhum negro. Total exclusão. Só tolos, ingênuos e desinformados manipulados pela mídia acreditam nisso. E o pior é que já têm um pensamento construído e não adianta a realidade mostrar o contrário do que pensam. Analisam apenas o que é bom para o seus status quo e o resto que se dane. 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Sem palavras



Por Olívia de Cássia

Eu não tenho palavras para expressar sobre o que estou sentindo hoje, num momento em que o país passa pela política mais rasteira, mais sórdida e retrógrada da sua história.   

Só digo uma coisa: a história não perdoará os traidores, nem aqueles que ficaram do lado do que tem de pior na escala sórdida da política brasileira. 

Pelo menos desse pecado eu não serei acusada. Meus sobrinhos, sobrinhos-netos e afins poderão dizer que eu sempre estive do lado do oprimido, do mais fraco e não vai ser agora que mudarei de lado. 

Mesmo com tudo isso o que está acontecendo, essa conjuntura louca, atrasada, diminuta, continuarei a lutar por um mundo melhor para aqueles que mais precisam; pelo direito das mulheres, dos negros e todos aqueles que se sentem discriminados na sociedade. 

Minha mensagem hoje é de profunda decepção, mas quem sabe o momento sirva para que saiamos disso tudo mais forte. Boa noite.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

As estratégias ...



Por Olívia de Cássia

O dia amanheceu lindo e ensolarado trazendo uma brisa de esperança. Foco nela (a esperança); vou fazer uma pequena caminhada na rua e tomar um pouco de sol. Os gatos e meus cães Malu e Otto estão felizes com a minha nova rotina de ficar em casa, quase que o tempo todo. Eles não gostam quando saio e agora estão satisfeitos com minha nova vida. 

Mas eu avalio que necessito adotar outras atividades ocupacionais para não ficar só na rotina de internet e leitura e agora muito mais de celular, para não atrofiar de vez. Não posso ficar nesse vício. Quero acompanhar a conjuntura política de perto e tudo é muito tentador, às vezes eu não resisto, mas preciso decidir. 

Como disse Fernando Barichelo, nossa vida diária é feita de decisões. Vivemos tomando decisões sobre tudo. Algumas são simples e imediatas, outras são mais complexas e exigem reflexão, diz ele. 

Tudo depende da estratégia que vamos adotar a partir daquele encontro ou desencontro. Há vários tipos de decisões na vida da gente; muitas delas vão marcar a nossa vida para sempre; trazer experiências enriquecedoras e outras não merecem nem a lembrança, mas tudo é um aprendizado. 

Os resultados de cada decisão que tomamos estão conectados e precisamos sempre decidir entre o partir e o ficar, rir ou chorar, desistir ou lutar, como disse Cora Coralina. “Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir”, poetizou Cora. 

E eu tomei a minha decisão e decidi lutar, embora seja difícil o caminho. Sou muito persistente quando quero uma coisa; não sou de desistir fácil das situações. Isso já me rendeu muito sofrimento, mas foi o lado que resolvi ficar. 

Segundo Caio Fernando de Abreu, quando você dá um passo à frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás. E muita coisa já ficou para traz na minha vida! Ficaram para traz muitos amigos da infância e adolescência; a ilusão de que todos pensavam feito eu, que desejavam um mundo melhor para a sociedade, independente de classe , cor e religião e muitas outras alternativas. 

“Há escolhas que importam: amar ou odiar. Ser um herói ou um covarde. Brigar ou se entregar, viver ou morrer. Essa é a escolha importante. E nem sempre ela está nas suas mãos", pontuou outro autor que agora a memória me falha e não lembro o nome, mas aquilo que eu escolhi eu assumo.  

Nos dias de hoje a intolerância, o ódio, o rancor estão tão presentes na sociedade, que está difícil a gente dizer de que lado está, se você não  tem coragem de assumir as suas escolhas publicamente. Eu não tenho medo, nunca tive: meu lado é daquele que defende o oprimido, o mais fraco, independente de credo, raça, cor ou opção política ou de gênero. 

Rodrigo Franco, em artigo sobre coletividade e comportamento, escreveu que a política de hoje é o abismo entre pessoas e escolhas. Por que se você tem uma visão diferente de algumas pessoas, elas passam a te agredir verbalmente, sem ao menos respeitar sua visão de mundo, se importando apenas com aquilo que lhe traz conforto e ao seu núcleo familiar e o resto que se dane. 

Li num site religioso, que isso pode ser orgulho porque a pessoa acha-se melhor que os outros. “Pode ser alguém com temperamento colérico, explosivo que ainda não aprendeu a moderar sua maneira forte de expressar suas emoções”.

Ou nesse caso específico, se trata de uma pessoa com insegurança emocional, pois elas em geral atacam de graça justamente por causa da insegurança interior que talvez nem elas mesmas percebam que têm. Bom dia e uma ótima sexta-feira.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Querido diário, bom dia ...



Por Olívia de Cássia

Querido Diário,  estou de volta. Mais um dia em que me foi permitido levantar, embora que com muita dificuldade. Fiz alguns exercícios antes de levantar da cama hoje, senti dificuldade. Para os portadores de ataxia, cada dia é mais um dia de agradecimento e perseverança.

Fui andar um pouco na rua e comecei a elaborar esse texto na mente. Acordei com uma sensação estranha e de saudade. Saudade de um tempo em que eu não parava de ‘bater perna’ na minha querida União dos Palmares.

Eram idas rua acima, rua abaixo: fosse para postar cartas para os amigos e familiares, quase que diariamente, pegar livros nos Correios ou fotos reveladas, o que gerava muitos falatórios nas beatas e fofoqueiras de plantão.

Afora essas saídas que eu considerava de fundamental importância naquela época, como opção para sair de casa eu ainda tinha a ida à casa das amigas da adolescência, algumas até para brincar de bonecas. Isso já na Rua Tavares Bastos, depois que saímos da querida Rua da Ponte.

É fato. Até meus 17 anos eu ainda brincava de bonecas e tinha meus brinquedos de casinha, diferente das meninas de hoje, que muito cedo largam os sonhos infantis. Fazíamos gostosas paneladas: isto é, minhas amigas cozinhavam, já que desde menina nunca tive apreço por essa arte. 

Brincávamos de ‘cozinhado’ no quintal das amigas; andava nas bicicletas empestadas delas, porque nunca possui uma, naquela época de sonhos, embora desejasse muito. E para me desviar dos desejos de consumo da adolescência, papai dizia que quando eu completasse 18 anos eu teria um carro. 

Hoje acho tudo muito engraçado. Doce ilusão. Seu João era uma pessoa linda; amo-o tanto e ainda tenho tanta saudade, que às vezes esqueço que todos nós temos que morrer algum dia e que se ele tivesse nesse plano ainda estaria mais debilitado do que já estava.

Aos 96 anos, a não ser que se tenha saúde de ferro, não é possível estar bem, principalmente para um portador de ataxia, que não chega a tanto. Mas lembrar do meu pai e da minha mãe também, da fortaleza que ela tinha, me dá mais estímulo para continuar na luta. 

A continuar perseverando até quando Deus quiser. Sei que não tenho muito tempo pela frente, minha estada por aqui será mais curta ainda, mas antes de partir para o encontro final eu quero ainda fazer muitas coisas, escrever sobre a vida, falar sobre poesia; ler muito e deixar um legado para os meus sobrinhos e sobrinhos-netos, já que não pari descendentes.

Quero deixar uma mensagem de alegria, de muito bem querer, desejar que eles aproveitem o que a vida tem de melhor e mais importante para oferecer e ter esperança por dias melhores, mesmo estando muito difícil a gente vislumbrar no país atualmente momentos de lucidez, com tudo isso que está passando na política brasileira. 

Mas apesar de avaliar como importante para todo cidadão consciente conhecer todos os meandros da política e ter boa informação, avalio hoje não é só disso que se vive e estou aprendendo a me reinventar e colocar mais suavidade na vida. Bom dia.  

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Por que sou contra o golpe ...



Por Olívia de Cássia 

Às vezes as pessoas não entendem o que a gente fala e pensa e se põem a fazer críticas infundadas; não é porque sejam sem leitura, mas sim porque não se colocam no lugar do outro para tentar mensurar o que vai dentro de cada um, ou pelo menos respeitar aquilo que pensa o seu semelhante. 

Não precisa ser politizado, filósofo ou estudioso em políticas sociais; basta ter sensibilidade, ou até mesmo lembrar o que pregou o maior revolucionário da história, que foi Jesus Cristo. São pessoas que costumam frequentar igrejas e templos, mas que não absorvem a mensagem e se utilizam desse ambiente para enganar tolos e usufruir benefícios pessoais por meio da fé alheia. 

E como disse o papa Francisco: “Não se anuncia o Evangelho para convencer com palavras sábias, mas com humildade, porque a força da palavra de Deus é o próprio Jesus Cristo, e somente quem estiver com o coração aberto pode acolhê-lo”.

Pessoas intolerantes, reacionárias e mesquinhas, na maioria das vezes, pregam da boca para foram em nome de Deus, vulgarmente, a todo o instante, para encobrir seus defeitos e suas irregularidades. Apenas para justificar suas vidas vazias e cheias de ódio, preconceito, rancor e intimidar os mais fracos e despossuídos. 

Ando muito decepcionada com o ser humano e a disseminação desses sentimentos negativos e pesados, que afloram a cada dia nas redes sociais. Tenho me policiado todo dia para não me tornar uma pessoa mesquinha.

Estou tentando  me disciplinar para fugir mais dessa rotina de rede social e não me deixar contaminar com tanto ódio, xenofobia e raiva dos pobres, que conseguiram melhorar de vida nos últimos 12 anos.
Os mais aquinhoados, em sua maioria, criminalizam os movimentos sociais, sindicatos, o Partido dos Trabalhadores. Criam filhos odiando o seu próximo e sem que os ensinem a ter humildade e compaixão e ainda os orientam a ter o coração cheio de sentimentos que não evoluem de forma suave no ser humano. 

Não estou aqui santificando ou beatificando os governos do PT, mas tenho consciência e não sou cega a ponto de não enxergar que em outros governos passados não se via tanta melhoria nas classes menos favorecidas e nem filhos de gente pobre  sendo doutorandos.

Sou lúcida e consciente dos erros que foram cometidos por alguns que se embeveceram pelo poder e pelo dinheiro, traindo seus ideais, mas sendo justa. Sei muito bem o que se passa nos meandros da política e não só no Brasil, mas no mundo todo.

Basta ter um pouco de curiosidade e pesquisar aqui mesmo, na internet, sobre a segunda guerra mundial, por exemplo, onde mais se cometeu atrocidades Crimes de Guerra e violações cometidas pelos aliados contra civis ou soldados do eixo.

Ou se preferirem para não ir tão longe, conferir em reportagens antigas e atuais, em blogs e sites de confiança, a história de golpes no Brasil. Tem livros que podem ser baixados de graça como a República dos Golpes (de Jânio a Sarney), de Luiz Adolfo Pinheiro, para tentar entender um pouco a história do nosso país.

Juristas renomados já explicaram extenuadamente as tais pedaladas fiscais e disseram que decretos de verbas suplementares não afetaram a meta fiscal. Mas o golpe já está montado no país e o machismo impera, querendo colocar para fora a primeira mulher presidente do Brasil e que não está envolvida em irregularidades. Boa tarde. 

Alguns instantes. Vivendo por aí...