segunda-feira, 31 de março de 2014

Desejo de paz

Olívia de Cássia – jornalista

De vez em quando bate na gente aquele sentimento indefinido: um misto de saudade, tristeza, indignação e descontentamento. 

Nesse momento é hora de a gente não se deixar abater; colocar um sorriso no rosto, pensar positivo e acreditar que podemos mais.

Sou feliz agora, desde quando deixei de acreditar em mentiras, enganações e falácias. A gente precisa acreditar que pode ser mais forte, mais equilibrada e não se deixar abater por aquele sentimento que não vale mais a pena sentir.

Não adianta querer mudar uma situação irremediável, uma causa perdida e sem jeito. Um dia eu quis acreditar que isso poderia acontecer numa determinada situação, mas devemos nos conscientizar de que precisamos acreditar que podemos fazer e ser melhores do que fomos antes, sem mágoas e sem apelação.

Me pego pensando nas besteiras que passei em tempos passados e em no quanto fui imatura querendo forçar uma situação que não tinha mais jeito. Talvez não tenha sido tanto a incompreensão, mas a vontade de que aquilo fosse diferente, de que desse certo.

Eu não acreditava naquele desprezo, indiferença e traição, achava que outra pessoa tivesse culpa do fato acontecido, que alguém estivesse roubando meus dias melhores, ‘minha felicidade’. Mas que dias melhores eram esses, meu Deus? Como a gente é ingênua em acreditar em tanta mentira?

Às vezes o que imaginamos ser uma fatalidade na nossa vida é apenas a porta para o amadurecimento, para a felicidade, um caminho para que a gente perceba o quanto estava sendo ingênua e tola.

Numa gostei de mentiras e às vezes fingia que acreditava nelas para continuar a viver da forma que eu achava que fosse a felicidade. Mas que felicidade era essa que me fazia sofrer? Por que fui tão tola ao ponto de acreditar que alguém ia mudar por mim?

Dei todas as chances, proporcionei oportunidades de crescimento interior, de formação  de personalidade, mas quando a outra parte quer apenas usufruir o que você tem de melhor para tirar algum proveito material, isso se chama vigarice.

Mas o que me sucedeu naquele temo, não foi só a mim; muitos anos se passaram e durante todo esse tempo vivi aprendendo a apagar  todo aquele sentimento doído, de mágoas e descontentamento.

Já não me sinto ferida agora por tais informações recebidas e apenas peço a Deus e rezo para que haja paz e serenidade em minha vida. Está sendo e será de paz minha vida daqui por diante.


Já não espero nenhuma retribuição de qualquer sentimento tolo: apenas procuro viver cada minuto da vida, cada instante, buscando a felicidade que já habita dentro de mim.

 Posso dizer que agora eu sou feliz, que encontrei a paz e a harmonia em cada situação, em cada momento e que desejo um mundo de paz, de contentamento, sem mentiras, sem enganações. 

sexta-feira, 28 de março de 2014

Turismo sexual será debatido na Barra de Santo Antônio

Evento é promovido pela Secretaria da Mulher do município, entidades civis e religiosas
Olívia de Cássia - Repórter
No sábado próximo, 29, a Secretaria Municipal da Mulher da Barra de Santo Antônio, entidades civis e religiosas, com apoio da Prefeitura local e da Tribuna Independente, encerram as comemorações do mês da mulher com um debate que terá como tema o Turismo Sexual na Copa do Mundo, que acontece no próximo mês de junho.
O objetivo é alertar as autoridades do Estado para esse problema, que está na ordem do dia das discussões das entidades civis e dos governos.  Segundo os organizadores do evento, as comidas típicas, praias, monumentos históricos e festas, não são as únicas atrações turísticas procuradas por estrangeiros.
“A imagem da mulher brasileira, associada à sensualidade, colabora para o aumento do turismo sexual no Brasil, especialmente no Nordeste.  Precisamos unir nossas forças para alertar nossa comunidade contra esse e outros abusos e proteger nossas jovens de turistas mal intencionados”, diz a assessora da Secretaria da Mulher,  Rubia Alves.  
Rubia Alves observou ainda que o evento quer também conscientizar  as mulheres do município de que existe uma secretaria para dar apoio a elas, por conta de no local estar havendo muita violência contra as mulheres e a Copa do Mundo preocupa, segundo ela. “O tema Turismo Sexual na Copa do Mundo está sendo debatido em todo o País e é um alerta às autoridades”, observou.  
A programação do debate sobre turismo sexual está prevista para começar às 9 horas, no Clube Barra Mar, na Ilha da Crôa, com: abertura; música especial, encenação teatral; palestras com uma nutricionista e outra com a promotora Salete Adorno; sorteio e vídeo sobre a temática.  Às 15 horas haverá uma caminhada contra o turismo sexual e outros abusos, com saída da Chã da Barra, para alertar a sociedade sobre esse problema.
O QUE É
O turismo sexual é um grave problema que está presente nos grandes eventos como Olimpíadas, Copa do Mundo, Carnaval e outros e tem preocupado as autoridades brasileiras. Segundo informações dos organizadores do evento, já existem pacotes prontos para serem vendidos a turistas alemães que vêm para o Nordeste, direcionados para o turismo sexual e é preciso conscientizar a população sobre isso.  
Outra informação é que as cidades balneárias do Estado estão preocupadas com a proliferação da violência sexual nessas cidades. “Há 15 dias, na Barra de Santo Antônio, na Ilha da Crôa, três bandidos estupraram uma jovem e não se sabe a procedência dos meliantes”, observa.  
Governo brasileiro  está preocupado com o problema
Em pronunciamento em rede de TV, no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência, disse que existe uma preocupação maior  das entidades e do governo com a questão do turismo sexual com a aproximação da Copa.
“Soltamos uma grande nota por causa daquela camiseta que a Adidas lançou, que induzia ao turismo sexual no Brasil. A camisetinha escrito em inglês “Faremos um gol”, ao lado de uma mulher bem provocativa. Eles estavam querendo fazer o gol do turismo sexual. Não aceito em hipótese alguma que nenhuma empresa ou ninguém faça uma ilação com a Copado Mundo e o turismo sexual. Receberemos muito bem os turistas, mas não admitiremos turismo sexual. E exigirei da Adidas uma reparação. Não é só retirar a camiseta do ar. Eu não admito, a presidente Dilma não admite, o governo como um todo é tolerância zero com o turismo sexual”, ressaltou.
No seu perfil no Twitter, a presidente Dilma Rousseff ‏afirmou que o Brasil irá combater o turismo sexual durante a Copa do Mundo. Segundo Dilma, o governo brasileiro aumentará os esforços na prevenção da exploração sexual de crianças e adolescentes e os ministérios do Turismo, das Mulheres e dos Direitos Humanos estarão envolvidos no projeto de combater a exploração sexual. 

    quarta-feira, 26 de março de 2014

    Minha mãe Antônia

    Olívia de Cássia - jornalista

    Minha mãe era uma pessoa obstinada e cética em alguns casos. Quando queria uma coisa ia à luta e ai de quem se atravessasse no caminho dela, principalmente se o objetivo fosse com relação aos filhos.  Se algum menino se aproximasse de mim, ela não contava história: ia na casa dele e falava com os pais, para pedir que se afastassem de mim. Ela era assim, possessiva.  

    Quando terminei o ginásio, no Colégio Cenecista Santa Maria Madalena, em União dos Palmares, da mesma forma que ela tinha feito com relação aos meus irmãos, conseguiu uma bolsa de estudos para mim, com a esposa de seu Ezíquio Correia, então prefeito de União, para que eu estudasse em Maceió e pudesse ter um trocado para pagar a passagem do ônibus e o lanche.

    Vim estudar na Escola Moreira e Silva, no Cepa, para fazer o Científico, pois queria fazer vestibular e m União, naquela época, só tinha o curso normal, o pedagógico. Terminei a oitava série ginasial em 1975 e em 76 já estava na escola, em Maceió. Naquela época, escola pública era valorizada e lá estudavam muitas lideranças que hoje assumiram cargos importantes no Estado e na política.

    Fui morar numa casinha velha, de poucos recursos, de propriedade de seu Marinho, um senhor que possuía várias casinhas de aluguel em Maceió, no Centro e redondezas. A casa  já era na Vieira Perdigão, coincidentemente a rua que moro hoje.

    Meus irmãos tinham transformado numa pequena república, onde abrigava vários estudantes de União, mas quando eu cheguei lá eles saíram e ficamos eu e meu querido irmão Petrônio, que já cursava o terceiro ano no Moreira.

    Dona Antônia queria ter uma filha médica, custasse o que custasse, mas essa não era a minha seara e creio que para ela foi a maior decepção da vida, quando fui reprovada no meu primeiro vestibular, que fiz para Medicina para agradá-la;  anos depois quando fiz para Comunicação Social e fui aprovada, depois de várias tentativas, ela não aguentou e desabafou: “O curso é tão ruim que foi o último que anunciaram na televisão”.

    Em 1982, naquela época, o saudoso Luiz Tojal anunciava os aprovados na Ufal, pela TV Alagoas e falava todos os cursos: Comunicação foi o último e quando meu nome foi anunciado eu nem acreditei e na casa da minha tia Ozória caí em prantos.

    Fomos para a antiga Reitoria comprar o kit do fera, eu e minha prima Rejane, que também tinha sido aprovada em Educação Física e no outro dia, de madrugada, viajamos de trem, devidamente vestidas nas nossas camisas de fera, para União dos Palmares, cantarolando músicas da MPB.

    Lembrar toda aquela fase  traz um misto de saudade e contentamento, por ter realizado meu sonho de ter sido aprovada no curso que eu queria, pois fazer jornalismo, escrever ou ser escritora era meu sonho da infância, mesmo com as opiniões contrárias de mamãe.

    Os perrengues que passamos na profissão são imensos, mas quando fazemos aquilo que gostamos, com amor e dedicação, a vida fica mais leve e podemos dizer que somos felizes, apensar de tudo.

    Mas a obstinação da minha mãe não parou e ela continuou a lutar por aquilo que queria, até quando ficou mais debilitada e colocou uma ideia na cabeça: pedir de presente a família, o túmulo da prima Luiza que ela tanto gostava.


    Ela queria ser sepultada no local e assim, toda semana ela ia varrer e cuidar do local, até que veio a falecer e foi sepultada, junto da prima que tanto admirava.  Estranhamente não quis ficar junto do meu pai e dos meus avós. Assim era minha mãe: forte, destemida e cética e quem quisesse atravessar na sua frente ela passava por cima. 

    segunda-feira, 24 de março de 2014

    Felicidade...

    Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

    Felicidade é um estado de espírito
    Felicidade é o que sinto agora,
    Quando me sinto completa.
    Um preenchimento espiritual,
    Alimentado pela satisfação
    Do meu trabalho, do que eu posso
    Informar, formar e transmitir...
    Alegria por ser eu mesma,
    Sem disfarces, sem temor.
    É tarde, o sol já vai se pondo
    E vejo meus dias de ocaso
    Se aproximarem, é a vida.
    Do nada eu vejo tudo
    Estou bem, é a vida...

    domingo, 23 de março de 2014

    Veterinários, protetores e donos querem cemitério para animais

    Fotos: Adailson Calheiros
    Rinaldo Ferro sugere que em Maceió seja instalado um local,
     onde o proprietário possa velar o seu animal
    Olívia de Cássia – Repórter
    A relação do homem com os animais de estimação é muito antiga e quem os tem em casa cria laços de afeto e amizade. Atualmente, são tratados como membros da família, recebendo todo carinho e atenção. Só quem tem animal em casa e os ama pode entender essa relação de cumplicidade e afeto.
    Mas como fazer quando esses laços são interrompidos intempestivamente pela morte do amigo e companheiro de tantos anos e não se tem um local apropriado para colocar o corpo?  A reportagem da Tribuna Independente foi ouvir proprietários, cuidadores e veterinários sobre a falta de cemitérios para animais na capital alagoana, que já dá mostras de crescimento populacional, mas falta urbanidade em alguns aspectos.
    Todos os personagens ouvidos nessa matéria reclamaram a falta desse serviço e o problema que acarreta à saúde pública, quando os animais mortos são jogados e deixados em terrenos baldios, contaminando o meio ambiente. O problema vem se acentuando e é uma questão de saúde pública que precisa ser resolvida urgentemente.
    A jornalista Luciana Martins perdeu o seu cão de estimação e da mesma forma que mora em apartamento, se viu em apuros por dois motivos: pela tristeza de ter perdido o amigo e pela preocupação por não ter onde fazer o descarte do corpo.
    “Tive um cachorrinho que conviveu comigo e meus familiares ao longo de 17 anos e faleceu por velhice. A doença chegou de forma rápida, o rim deixou de funcionar e em apenas três dias ele não resistiu, apesar de todos os esforços do veterinário e nosso; eu me vi numa situação desesperadora porque moro em apartamento e não sabia onde enterrá-lo”, observa.
    Luciana Martins conta que o veterinário orientou que procurasse a casa de um parente ou de um amigo para enterrá-lo, mas ela disse que os seus familiares mais próximos também moram em apartamento.
    “Lógico que eu não queria jogar o meu cachorro no lixo, afinal foram 17 anos de convivência e quem tem um animal sabe o apego que se cria; é como se fossem um membro da família. Quem cuida de um parente idoso, quando ele morre quer jogar no lixo? Tenho certeza que não e esse também foi o meu sentimento”, ressalta.
    Anestesiada com a perda do animal e sem saber o que fazer, ela conta que a primeira ideia foi procurar um amigo da família: “Prontamente ele me disse que eu poderia enterrar num terreno, em sua casa, o que para mim foi maravilhoso porque sabia que o meu cão não estava largado, jogado por aí. Eu tive esta sorte e quem não tem? O que faz com seus bichinhos?”, indaga.
    NECESSIDADE
    A jornalista reforça a necessidade de em Maceió ter um cemitério para animais, com urgência, pois acredita que muitas pessoas devem enfrentar este mesmo problema. “Ter um lugar para enterrar um animal de estimação seria o ideal: do ponto de vista sentimental, pois o dono poderia visitar o seu animal quando sentisse saudade e também do ponto de vista da saúde da população”, pontua.
    Ela lembra ainda o mau cheiro e as doenças que podem ser transmitidas pelo descarte dos animais em terrenos baldios e acrescenta que esse também é um problema de saúde pública. “As autoridades competentes deveriam pensar nisto”, sugere.
    Proprietário diz que desistiu de ter animal em casa 
    pelo atropelo que passou
    O jornalista Gerônimo Vicente também passou pelo mesmo problema de Luciana Martins e relata o drama da família quando Flipper, o cão da família, teve um problema de saúde e morreu.  A questão agora era o local onde enterrá-lo.
    “Ainda meio confuso com a notícia, peguei a lista telefônica e, na secção animais, achei uma clínica, no Benedito Bentes, que anunciava o funcionamento de um cemitério para animais”, explica.  Gerônimo Vicente disse que ligou para a clínica, ainda de madrugada, e foi atendido pelo vigilante do local. “Perguntei o preço e a resposta foi a de que o serviço custava R$ 700 (valor de 2010), quando ocorreu esse caso. Considerei altíssimo o preço, mas fiquei curioso com a novidade”, argumenta.
    O jornalista destaca que diante da falta de opção para o enterro de Flipper, a família o levou para Coruripe, onde tem um imóvel com espaço, além de ter sido o local onde ele havia brincado muito nos dois anos de vida.
    “Na volta, postei a novidade sobre o cemitério para cachorro em Maceió e, para minha surpresa, a maioria dos colegas desconhecia esse tipo de empreendimento e queria mais informações. Lembro que a jornalista Sílvia Falcão foi a primeira dos colegas a demonstrar interesse em saber sobre esse empreendimento”, relata.
    Depois deste triste episódio, por falta de espaço e por apego demasiado ao animal, Gerônimo Vicente disse que prometeu não ter mais cachorro em casa, para evitar o drama que a família passou para enterrá-lo. “Imagino aquelas pessoas que não dispõem de opção e são obrigadas a jogar os animais mortos em lixões!”, exclama.
    FARSA
    A reportagem da Tribuna Independente apurou a informação sobre o cemitério de animais do Benedito Bentes e constatou que o local foi interditado e fechado, pelos órgãos públicos, porque, apesar de cobrar R$ 700 dos donos dos animais, os proprietários da clínica jogavam os pets em cova rasa ou em lixões. A história se espalhou por toda a cidade e a clínica foi autuada, interditada e fechada.
    Na internet, em alguns sites, ainda permanece a informação do cemitério para animais em Maceió e também de outros bairros, mas quando a gente acessa os endereços são em outros estados do País.

    Animais mortos são descartados nas clínicas como lixo hospitalar

    Médica-veterinária Patrícia Magalhães
    A veterinária Patrícia Karla de Luna Magalhães, proprietária de um centro veterinário no bairro do Poço, disse que soube desse caso e que na época os veterinários ficaram até animados quando souberam da existência de um cemitério, mas depois do acontecido, tudo ficou na mesma. “Outra informação é de uma pesquisa que foi feita em um evento no Centro de Convenções sobre um crematório para animais, mas depois não soubemos mais de nada”, disse.
    Patrícia Magalhães explica como é feito o descarte dos animais mortos nas clínicas, na ausência de um cemitério apropriado: “As clínicas têm um frízer e esses animais quando vêm a óbito são colocados ali. A maioria tem convênio com uma empresa e quando tem cadáver eles passam para pegar. No nosso caso só fazemos o diagnóstico (Raio X, exames de fezes, de urina, de sangue) e a empresa faz o recolhimento do material de análise clínica como lixo hospitalar.
    O veterinário Rinaldo Ferro, com especialidade em cardiopatia canina, observa que o cachorro deixou de ser aquele animal que vivia no quintal das casas e comia restos de comida. “Hoje ele está dentro de casa e é um filho de quatro patas para seus donos e quando chega aquele momento de se despedir, de ir embora, é aquele desespero”, observa.
    Rinaldo Ferro observa que em sua especialidade muitos cães vêm a óbito e é aquela dificuldade na hora do descarte. “Trabalhei em São Paulo dois anos e lá a prefeitura recolhia os cadáveres dos animais que morriam nas clínicas e hospitais veterinários, bastava ter na clínica uma câmara fria, tipo frízer e eles recolhiam”, destaca.
    Segundo o médico-veterinário, aqui em Maceió o recolhimento é feito, mas é um serviço privado, que o faz como lixo hospitalar. “A gente tem vários encargos na clínica, os normais: Corpo de Bombeiros, Instituto do Meio Ambiente (IMA), porque somos considerados uma empresa poluente, mesmo tendo o destino correto dos resíduos hospitalares, e Vigilância Sanitária, nenhum desses órgãos faz esse serviço e mesmo que fizesse não trataria o animal como se fosse um membro da família”, considera.
    Rinaldo Ferro sugere que em Maceió seja instalado um local, onde o proprietário possa velar o seu animal; fazer até uma pequena cerimônia, colocar uma lápide, ter um local onde velar o animal. Segundo ele, em São Paulo foi aprovada uma lei que dispõe sobre o animal poder ser enterrado no mesmo local que o seu dono. “Eu imagino que tem que ser a iniciativa privada realmente, para fazer isso daí”, pontua.

    Dona de casa recolhe e cuida de animais de rua 
    e dá exemplo de amor incondicional
    Lívia Maia é protetora e cuidadora de animais de rua
    Em Maceió, no bairro da Jatiúca, uma dona de casa, protetora de animais de rua, dá exemplo de amor e solidariedade, sem pedir nada em troca. Lívia Maia, 39 anos, recolhe e cuida de animais de rua há mais de 20 anos e atualmente tem em casa nove animais contando com os seus. Os inquilinos, como ela chama os que estão prontos para adoção, são quatro gatinhos  da cor laranja encontrados na rua e um cachorro da raça Dachshund, de três meses, apelidado no Brasil de Cofape.
    Lívia Maia conta que já chegou a ter dez animais em casa e os gatinhos foram encontrados ainda com as placentas e os cordões umbilicais à mostra. “Eles foram jogados e deixados no local; as pessoas ainda têm muito preconceito, principalmente com gatos e só querem adotar os de raça. Eu pensava que não fossem sobreviver sem a mãe, mas hoje em dia, quando eu vejo os quatro vivos, recompensa. Eu nasci pra isso; alguns dizem que é carma”, argumenta.
    A cuidadora  é dona de casa, não trabalha fora e diz que faz bazar com doações de objetos que recebe. A renda do que vende no bazar ela reverte para pagar as despesas com castração, vacinas, ração, remédios e o que precisar. Lívia Maia explica que quando está em apuros e precisa, tem a parceira de uma veterinária, que sempre está disposta a ajudá-la, mesmo que não tenha dinheiro para pagar a consulta ou outro serviço veterinário.
    Além desses animais, ela explica que recolheu uma cadela da raça Dálmata que foi atropelada na Polícia Rodoviária Federal. “Eu ia passando com 14 gatos castrados e pensei: ‘Meu Deus, onde vou colocar essa cachorra e eu olhava e dizia, não posso deixar aqui. Coloquei dentro do carro e trouxe e estou com ela até hoje’”.  Segundo Lívia, a cadela fica num hotelzinho (a dez reais a diária) porque não tem espaço em casa para acomodá-la. “Eu não tinha como deixar ela lá, atropelada e na chuva, com a perna quebrada;  ela é um doce, já tem de quatro a cinco anos, mas moro em cima da casa da minha mãe e não tenho espaço”, pontua.
    A protetora explicou à reportagem que quando morre algum dos animais cuidados por ela, procura um terreno baldio, já que a casa onde mora atualmente não tem quintal. Ela explica que quando soube que tinha um cemitério apropriado para os animais saiu procurando, mas não encontrou. “Morreu uma gatinha aqui, eu embalei e fui procurar um terreno onde pudesse enterrar”.
    SONHO
    O amor e a dedicação da dona de casa é tão grade
     que ela revela não comer carne de nenhum animal
    Lívia Maia relata que seu sonho era fazer um cemitério para os animais, porque em Maceió não tem o serviço “e você está destinado a enterrar o seu animal de estimação em terreno baldio. Poderia existir também um crematório, como existe em Recife; é mais higiênico, mais prático. Se você não enterra direito o urubu come”, descreve.
    O amor e a dedicação da dona de casa é tão grade que ela revela não comer carne de nenhum animal. Sem emprego e renda definida, ela conta que o que tem de renda é o aluguel de uma casa:  “Tem horas que o marido olha para mim e diz: parou aqui”, conta sorrindo, mas diz que não consegue deixar os animais abandonados. “Eu acho assim, se eu não for buscar,  ninguém vai e então eles vão morrer ali”, explica.
    Conhecedora do mundo animal como poucos, Livia Maia diz que são muitos abandonados nas ruas. “Eu entro no meu Facebook e tem um monte de mensagem (sugerindo adoção), mas eu não posso cuidar de todos, por mais que eu ganhe ajuda de um e de outro, não dá; hoje em dia as pessoas jogam não só vira-latas, mas animais de raça também”, conta.
    Ela ressalta que o gasto com os gatinhos recém-nascidos cuidados por ela era de R$ 90 por semana, “porque eles eram muito novinhos e eu tinha que comprar o leite Nam, primeiro semestre e um suplemento vitamínico, porque eles não tinham mãe”, ressalta.  Ela diz que pegou um gato persa com sérios problemas de saúde, porque a dona não o quis mais por conta de o bichano soltar muito pelo.
    “O gato chegou cheio de problemas, porque passou muito tempo sem comer e agora está internado numa clínica, mas eu não tenho condições de pagar”, ressalta. Outro gato socorrido por Lívia Maia e que agora faz parte da família é um persa branco que ela encontrou num esgoto, todo sujo de lama.
    “Ele parecia um monstro, cheio de carrapatos, os olhos inchados de infecção, eu nunca tinha visto um gato com carrapato, parecia uma jaca, todo sujo”, conta. Ela destaca que o pet shop não o aceitou lá de tão horrível que estava. “Fui ao Centro, comprei uma máquina de contar o cabelo e tosei”, explica.
    A dona de casa ressalta ainda que faz o que for preciso em benefício dos animais.  “Eu organizo bazar e o que eu puder arrecadar a renda é revertida para eles. Hoje eu ganhei uma cama de solteiro, uma tábua de passar ferro, uma espreguiçadeira; a gente leva para o bazar, vende por um preço bem em conta e o dinheiro é revertido em castrações, medicamentos e ração”, pontua.
    A reportagem entrou em contato com a Superintendência de Limpeza Urbana (Slum), mas foi informada pela assessoria que quando é comunicada de alguma animal morto na rua, recolhe e encaminha para o aterro sanitário. Ligamos cinco vezes para a SMCCU (Superintendência Municipal de Convívio Urbano), para saber se existe alguma intenção de se instalar em Maceió um cemitério para animais, mas o celular estava temporariamente desligado.  

    sexta-feira, 21 de março de 2014

    Tribuna Independente chega à edição nº 2.000, apesar das dificuldades

    Edição significa a vitória de todos os que fazem o jornal, com trabalho e dedicação
    Olívia de Cássia – Repórter
    Nesta sexta-feira, 21, a Tribuna Independente chega a sua edição número 2.000, apesar das dificuldades e entraves que tem enfrentado no dia a dia.  A Tribuna é o principal carro-chefe da Jorgraf (Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos de Alagoas), que completa sete anos no próximo mês de julho.
    Para o presidente Antonio Pereira, chegar a esta edição do matutino é um marco histórico: “Em nível mundial nós somos uma cooperativa única que reúne duas categorias: jornalistas e gráficos, e eu não conheço na história do Brasil nenhuma que tenha tido uma periodicidade tão permanente como a nossa”, argumenta.
    Segundo Pereira, a edição desta sexta-feira da Tribuna Independente “é uma data histórica, por conta de todo esse processo que nós vivemos. Toda e qualquer empresa  tem suas dificuldades,  momentos de insatisfação  e estresse; todo empreendimento sofre altas e baixas, ainda mais nós que já vamos completar sete anos: não tem como não passar por período de turbulências”, reforça.
    A diretora comercial da Tribuna, Marilene Canuto, disse que chegar até esta edição significa uma vitória: com muito trabalho, esforço e dedicação de todos; um público muito grande para anunciar, ler e os assinantes.
    “Quando nós começamos com a edição número 1, chegávamos às empresas e os empresários  nos olhavam desconfiados, sem acreditar muito na proposta e nós chegamos até aqui é uma vitória. Eu só tenho a agradecer: à equipe que formamos, que é batalhadora, competente, comprometida com a informação, com o assinante e com o leitor; isso não tem preço”, ressalta.
    Marilene observa ainda que a maior conquista hoje da cooperativa é mostrar para o público, para a sociedade, “que com união e trabalho podemos fazer uma coisa acontecer e nós estamos fazendo isso”, explica.
    José Paulo Gabriel, diretor financeiro da Tribuna, disse que a edição 2.000 é mais uma das muitas conquistas que a cooperativa tem pela frente. “Eu sempre fui muito otimista com relação à Tribuna; nunca me deixei abater pelas dificuldades, apesar de ter o pé no chão; sempre acreditei no potencial de todos os que fazem a empresa e esse é um momento para a gente comemorar; uma vitória”,  pontuou.
    O responsável pela circulação do jornal, Alexandre Moreira, disse que a edição número 2.000,  para os cooperados, significa mais que um sonho: “Uma realização, vindo de lá de trás como a gente veio, sem perspectiva nenhuma, com relação às causas trabalhistas,  e conseguir  montar a cooperativa, saindo do zero, sem ajuda de ninguém, chegando aos sete anos com a cooperativa enxuta, com equipamentos, postos de trabalho garantidos, eu não tenho palavras para dizer da satisfação de como as coisas aconteceram”, disse Moreira.
    Carivaldo Nascimento, da área administrativa da Tribuna Independente, também falou sobre os sete anos do jornal e sobre a edição desta sexta-feira e disse que foi com muito sacrifício que a Tribuna Independente chegou até aqui: “Mas estamos na luta, com muita dificuldade, com muito sacrifício, e em momento algum pensamos em desistir”, finaliza.

    quarta-feira, 19 de março de 2014

    Impossível não se apaixonar pelo Sertão


    Olívia de Cássia – Repórter

    Eu ouvia algumas autoridades falarem e ressaltarem as belezas do Sertão, mas só conhecia aquela realidade dos livros e dos noticiários: de terra seca, clima semiárido, plantações mortas;  apenas a palma servindo de alimentação para o gado; solo empobrecido e da luta dos sertanejos pela sobrevivência, reforçando aquela tese de que “o sertanejo é sobretudo um forte”.

    Nascida na Zona da Mata, na Terra da Liberdade, até então eu não tinha ido aqueles lados, de onde, segundo minhas pesquisas, vieram os meus primeiros ancestrais se espalhando por Capela, União dos Palmares, Murici, Branquinha, Atalaia e pelos rincões desse país.

    Ano passado, por motivo de trabalho, comecei a conhecer algumas cidades sertanejas e fui me encantando aos poucos pela região. O Sertão alagoano tem riquezas e belezas variadas e só precisa que os governantes tenham um olhar especial pelo local.

    Este ano tive o privilégio de fazer meu primeiro passeio pelos cânions do São Francisco, conhecer a hidroelétrica do Xingó e a cidade lapinha de Piranhas: me apaixonei de imediato e,  encantada com tanta beleza, vou voltar  ao local sempre que puder.

    Não é à toa que falam com tanta paixão do Sertão. Luiz Gonzaga imortalizou o seu amor pela sua terra, falando do sofrimento de quem mora na região, devido à escassez de chuvas e solo arenoso e escritores como Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, que tanto dissertaram em suas obras a respeito da peleja que é viver em lugar insalubre.

    Mas o Sertão não é só de sofrimento e o turismo na região dos cânions do São Francisco está crescendo e cada dia, atraindo muitos visitantes ao local. Quem vai fazer o passeio tem vontade de voltar.

    Visitei o local no último sábado do mês de fevereiro e é fascinante quando o catamarã vai se aproximando daqueles paredões, cuja água represada pelo lago formado depois da construção da usina hidrelétrica não atinge nem a metade daqueles morros gigantes.

    São paredões rochosos gigantescos, onde pedras formam esculturas naturais, que até parece foram esculpidas pela mão humana. São morros de pouca vegetação e muito pedregulho, que formam um conjunto harmonioso com as águas do Velho Chico, um dos rios mais importantes do País e que precisa de mais cuidado para não morrer e se tornar esgoto, como muitos nos municípios brasileiros.

    O Rio São Francisco atravessa regiões com condições naturais das mais diversas e tem cinco usinas hidrelétricas.  Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Alagoas são estados por onde o rio passa, com sua beleza natural e que enche os olhos de quem vê.

    Em Alagoas, as obras do Canal do Sertão aviva a esperança dos sertanejos, mas preocupa alguns pelo fato de algumas lideranças rurais avaliarem que as águas vão ser úteis muito mais para grandes fazendeiros. É preciso que haja fiscalização.

    Em Pernambuco, as ações de revitalização do rio São Francisco envolvem obras de grande alcance ambiental que objetivam barrar a poluição e o assoreamento do Velho Chico. O  trabalho pretende melhorar as condições de vida da população ribeirinha dos municípios do raio de atuação da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba.

    Segundo informações, as obras integram o Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério da Integração Nacional, e outros 14 ministérios, sendo a Codevasf uma das executoras das ações.

    Assim como lá, por aqui aqui é preciso incremento de ações para que o Velho Chico seja recuperado nas áreas onde já tem assoreamento, para não prejudicar o povo do Sertão. O programa das cisternas, de autoria do Governo Federal, ajuda muito, mas é urgente e necessário que se desenvolva programas alternativos para aliviar a dor dos agricultores daquele lugar. Impossível não se apaixonar!

    domingo, 16 de março de 2014

    Alimentação saudável e atividades físicas podem prevenir surgimento do câncer

    Ações de promoção à saúde e de prevenção às doenças surtem efeitos positivos
    Olívia de Cássia – Repórter
    Escolhas saudáveis na alimentação e nas atividades do dia a dia são medidas importantes de a gente se proteger contra o câncer, segundo os especialistas.  Eles avaliam que o indivíduo que pratica atividade física regularmente terá uma vida mais saudável do que os sedentários. Segundo o professor de Educação Física e personal treiner Alysson Nobre, evidências científicas vêm sendo acumuladas mostrando que a atividade física é uma forma primária de prevenção do câncer.
    “Pesquisadores acreditam que isso seja devido ao fato de o exercício auxiliar o conteúdo do colo a se mover mais rapidamente, mantendo as pessoas magras e diminuindo o nível sanguíneo de insulina e triacilglicerol, ocasionando um ambiente metabólico menos favorável ao tumor”, observa.
    Segundo Alysson Nobre, homens fisicamente ativos apresentam uma redução de 30 a 40% na redução do risco do câncer do colón, “pois a atividade física aumenta o peristaltismo colônico, promovendo uma diminuição no tempo de trânsito intestinal, o que reduz a probabilidade de praticantes de atividade física incidência de câncer de colón”, destaca.
    Já as mulheres fisicamente ativas, segundo o professor e personal, apresentam redução de 20 a 30% no risco de câncer de mama, quando comparadas às sedentárias: “O que pode ser explicado pelo fato de que praticantes de atividade física têm nível de produção de estrogênio diminuído, fator que interfere no desenvolvimento do câncer de mama pelo fato de que muitos tipos desta neoplasia serem hormônios dependentes e que uma maior concentração desse hormônio facilita o desenvolvimento da doença”, ensina.
    Outro tipo propenso a desenvolver a doença, segundo ele, são os indivíduos obesos e com sobrepeso, que têm um risco maior em desenvolver algum tipo de neoplasia relacionada a hormônios, “tendo em vista que na obesidade pode ocorrer um aumento de 100 a 200% na secreção de insulina em relação às taxas de indivíduos com peso normal, devido à redução de sensibilidade à insulina ou redução do número de receptores da substância”, destaca.
    Alysson Nobre orienta que as pessoas façam atividades físicas, aconselhando que seja feita uma avaliação médica antes de se exercitar. Outra dica, segundo ele, é que a pessoa escolha o  que proporciona mais prazer: “Pratique atividade física sob orientação do profissional de educação física, pelo menos 30 minutos de exercícios, de duas a cinco vezes por semana”, observa.
    Exposição a fatores de risco do cotidiano aumentam a chance de se ter a doença
    Segundo a médica Maria Roseane Tenório Mendonça, professora-doutora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), as pessoas estão cada vez mais expostas aos fatores de risco cancerígenos, dependendo do estilo de vida adotado por cada uma, como os nossos hábitos em relação aos comportamentos saudáveis. “Alimentação adequada, atividade física regular, não fumar, beber em momentos sociais e moderadamente, dormir bem, adotar medidas de relaxamento em curtos intervalos do dia, dentre outros”, pontua.
    Roseane Mendonça explica que os avanços científicos, nas três últimas décadas, evidenciaram que os pacientes podem se proteger do câncer e também contribuir com a força vital interna, associado à terapêutica adequada, “pois todos nós carregamos em nossas ‘malinhas pessoais’, genes cancerígenos que podem ser despertados ou bloqueados, dependendo dos comportamentos que adotamos na vida”, destaca.
    Segundo a professora-doutora, ações relacionadas à atenção primária, como as de promoção à saúde e de prevenção às doenças, desde que bem indicadas, surtem efeitos positivos que vêm despertando o interesse dos profissionais de saúde em todo mundo, pois representam uma arma poderosa de combate ao câncer no contexto da saúde pública.    
    O médico oncologista Paulino Vergetti Neto observa que o câncer é uma doença genética, que pode ou não ser hereditária ou adquirida. “Alguns deles são congênitos; a doença é considerada crônica degenerativa e é hoje a que mais se cura”, pontua. Segundo ele, no Nordeste, entre as mulheres, a maior incidência entre os cânceres é o do colo do útero e os das mamas; entre os homens é o câncer de pulmão e o da próstata.
    Segundo o oncologista, a maior luta e a mais interessante que se tem conquistado na atualidade é a descoberta de novas drogas anticâncer e os novos tipos de abordagens quimioterápicas, radioterápicas e cirúrgicas. Mas ele observa que a prevenção ainda é o caminho mais promissor para se enfrentar a doença.
    “Vacinas estão sendo usadas, outras em fase de desenvolvimento. Esta é uma das áreas mais promissoras na terapêutica atual do câncer. As grandes universidades mundo afora têm investido verdadeiras fortunas para desenvolver meios tanto de prevenção como terapêuticos”, destaca.
    CAUSAS
    Paulino Vergetti argumenta que hoje são conhecidos vários fatores causadores da doença, desde os nossos próprios hormônios. “Há cânceres que estão diretamente ligados às irradiações vindas do sol e de outros lugares do cosmos. Elas causam alterações em nosso corpo que alteram o funcionamento dos genes, locais intracelulares que regulam toda a nossa fisiologia, daí afirmarmos que todos eles são doenças genéticas”, explica.

    Segundo o médico, a gordura é outro vilão, principalmente para as mulheres, no que se refere aos cânceres das mamas e em ambos os sexos no que diz aos cânceres do aparelho digestivo. “A alimentação desbalanceada, a falta de exercícios físicos naturais, a excessiva exposição às radiações solares, o estresse da vida moderna e a exposição a certas substâncias presentes nos produtos artificiais que consumimos diariamente, tudo isso contribui para seu aparecimento”, pontua.

     Nutricionista de Promoção à Saúde destaca trabalho em comunidades carentes

    O Dia Mundial de Combate ao Câncer, lembrado no último  dia 4 de fevereiro, levou a  Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS), por meio da Coordenação de Promoção e Educação em Saúde (Copes), e com o apoio da coordenadoria geral dos Distritos Sanitários, a desenvolver ações comunitárias com a Carreta da Mulher, na Praça Pingo D’Água, no Vergel, no Benedito Bentes e outros locais de Maceió.
    O objetivo do projeto é envolver mulheres que fizeram exames no local e na oportunidade foram passadas orientações sobre a importância de uma vida salutar, com exercícios físicos e uma boa alimentação. Segundo Vânia Nascimento, coordenadora do projeto, durante a ação foram detectados três casos de cânceres em mulheres do bairro do Vergel;  a atividade teve o objetivo de promover a prevenção.  
    Na ação da SMS, a nutricionista Kelly Barros conta que proferiu várias palestras sobre a importância de uma alimentação saudável e sobre alimentos livres de oxidantes, além de outras orientações educativas de saúde alimentar.
    “Expliquei um pouco à comunidade sobre alimentação, os alimentos que aumentam as chances de se ter um câncer e os preventivos. Dentro daqueles que interferem no surgimento de um câncer estão aqueles de maior densidade calórica, como dos de fast food e os industrializados”, destaca.
    Além de aumentar o peso, segundo ela, as células gordurosas do corpo ativam o processo inflamatório, que podem acarretar no surgimento de um câncer. “Por causa desses alimentos que são industrializados, que possuem alta densidade calórica, a alta quantidade de sal nesses alimentos também interfere no surgimento dos processos inflamatórios, quando ingeridos em alta quantidade, como nos alimentos industrializados que têm alta quantidade de sódio”, explica.
    Paciente relata que obteve a cura depois de passar por vários tratamentos agressivos
    Giovana Andreatto é assessora de comunicação na Assembleia Legislativa e especialista em Marketing Político; ela conta que teve um linfoma de Hodgkin, que é uma forma de câncer que se origina nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático. “O meu estava localizado no mediastino e descobri porque começou a aparecer alguns "carocinhos" no meu pescoço”, explica.
    A assessora de comunicação argumenta que fez três anos de tratamento: descobriu a doença em julho de 1993 e terminou o tratamento em outubro de 1996. “Ao todo foram 27 sessões de quimioterapia e 40 de radioterapia”. Nesse intervalo de três anos de tratamento, com mais ou menos dois anos ela descreve que recebeu alta da quimioterapia para fazer a radioterapia e teve uma recaída.
    “Voltei a fazer a quimioterapia e foram anos de muito sofrimento: o tratamento tinha muitos efeitos colaterais como: vômito, fraqueza, queda de cabelo; os corticoides me fizeram ficar muito inchada e com certeza se não fosse minha fé em Deus e a força da minha família eu não teria conseguido, principalmente porque eles também não desistiram de lutar comigo”, destaca.
    Segundo Giovana, a pior parte do processo foi quando rompeu uma veia em seu estômago: “Quase morri porque não descobriam o que era: eu defecava e vomitava sangue direto. Comecei a ficar muito fraca e fiquei um tempo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até descobrirem o que era. Nessa época, meus pais, desacreditados com o tratamento que eu vinha fazendo aqui em Alagoas, me levaram para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde temos parentes”, ressalta.
    OPÇÃO
    Segundo Giovana Andreatto, não tinha nenhuma restrição alimentar no tratamento prescrito pelos médicos que a atenderam e por conta de estar muito fraca não tinha como fazer atividade física. “Precisei fazer várias transfusões de sangue à época e estive várias vezes internada. Hoje, por opção minha mesmo, mantenho uma alimentação muito saudável”, revela.
    Passado esse tratamento, há seis anos, Giovana Andreatto descobriu que tinha câncer de tireoide e precisou se submeter a uma cirurgia. “Tirei a tireoide e também contraí uma insuficiência cardíaca que os médicos acreditam ser ainda consequência do tratamento. Por conta da insuficiência cardíaca tenho algumas restrições para atividades físicas, mas faço caminhadas”. Giovana conclui que está curada do câncer.

    Calendário escolar do Estado e do município foi adaptado por causa da Copa

    Divulgação
    Escolas da rede particular também vão se adequar ao período de jogos da Seleção Brasileira
     Olívia de Cássia - Repórter
     Este ano o calendário nas escolas do Estado, do município de Maceió e das universidades foi alterado por conta dos jogos da Copa, que terá início no próximo mês de junho. As escolas da rede particular também elaboraram o seu calendário de acordo com suas próprias demandas, segundo Bárbara Heliodoro  Costa e Silva, presidente do Sindicato das Escolas de Ensino Particular do Estado (Sinepe\AL).
    A Tribuna Independente apurou que existem quatro calendários na rede particular de ensino que as escolas podem se adequar e algumas vão compensar suas aulas no sábado. Nos dias de jogos do Brasil não haverá aulas, a exemplo das escolas públicas.
    “O calendário escolar está na proposta pedagógica de cada escola que segue a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). São 200 dias letivos e 800 horas de aula no ano”, observa Bárbara Heliodoro.
    Ela destaca que este ano houve a necessidade de as escolas se adequarem aos dias em que o Brasil vai jogar e cada escola estabelece o seu calendário. A presidente do sindicato destacou que tem unidade escolar que iniciou suas aulas em janeiro e outras em fevereiro, de acordo com o que avaliaram melhor, algumas vão compensar suas aulas, se houver necessidade.
    REDE MUNICIPAL
    As aulas na Rede Pública de Ensino da capital começaram no dia 20 de janeiro e seguem determinação de lei federal que regulamenta o calendário escolar de 2014. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Educação (Semed), na rede municipal o calendário foi antecipado pelo mesmo motivo.
    Mais de 60 mil alunos, matriculados nas 131 escolas integrantes da Semed terão aulas até o dia 12 de junho, quando começa o recesso escolar, até o dia 13 de julho. O período compreende o espaço em que ocorrem os jogos do mundial.
    Na rede municipal de ensino de Maceió apenas quatro das 135 unidades de ensino não concluíram o ano de 2013 e, por isso, prosseguem com o calendário do ano passado. Essas escolas tiveram problemas diversos, o que as impediu de conclusão do ano letivo no prazo correto.
    Um exemplo, segundo a assessoria, está o caso da escola Pedro Barbosa, que passou por uma reforma e a impediu de concluir o ano passado. As escolas que atendem a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) seguem a mesma programação das demais unidades de Educação Básica.
    O encerramento do calendário de 2014 está mantido para o mês de dezembro, isso porque o período de recesso estendido na metade do ano será compensado com a antecipação das aulas.
     Escolas do Estado terão recesso de 12 a 19 de junho
    As escolas da rede estadual de ensino também entrarão em recesso de 12 a 29 de junho de 2014, período que coincide com a realização dos jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. A medida, que segue orientação do Ministério da Educação (MEC), foi divulgada em portaria da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE) publicada no Diário Oficial do Estado (DOE).
    Nas unidades que concluírem o ano letivo 2013 no mês de dezembro passado, o ano letivo 2014 começou no dia 3 de fevereiro, enquanto as escolas com calendário diferenciado iniciaram 2014 em outras datas. Caso a seleção brasileira se classifique para as outras fases da Copa, da mesma forma não haverá aula nos dias de jogo, e as unidades escolares deverão acrescentar dois dias letivos ao seu calendário para a reposição dessas datas.
    UFAL e UNEAL
    Na Universidade federal de Alagoas (Ufal) as aulas começaram no dia 10 de março, mas trabalhou um calendário flexível e cinco dias foram acrescidos ao calendário, totalizando 105 dias letivos, em decorrência do período da Copa do Mundo, a ser realizada entre os meses de junho e julho. Os dias de jogos do Brasil serão tidos como feriado total.
    A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) disponibilizou seu calendário na internet, no site da instituição. Nos dias de jogos da Seleção Brasileira na primeira fase da Copa Mundial de Futebol (dias 12, 17 e 23) haverá um recesso no turno do jogo.

    sexta-feira, 14 de março de 2014

    Jornalista Valmir Calheiros é sepultado em clima de emoção

    Fotos: Sandro Lima
    Amigos ressaltam o legado deixado pelo historiador, pesquisador e profissional ético

    Olívia de Cássia – Repórter

    Em clima de muita emoção e saudade, o jornalista Valmir Calheiros de Siqueira foi sepultado na tarde desta sexta-feira, 14, no Cemitério Nossa Senhora Mãe do Povo, em Jaraguá, depois de ter sido velado no Sindicato dos Jornalistas (Sindjornal), no bairro do Prado, durante toda a manhã e parte da tarde.

    Valmir Calheiros faleceu em decorrência de problemas cardíacos aos 69 anos de idade. Familiares e amigos se despediram lembrando o legado que ele deixa; o amor pela profissão, as muitas histórias que contava e seu acervo histórico sobre o jornalismo alagoano.  O jornalista e pesquisador teria escrito pelo menos dois livros, que deixou praticamente prontos para serem editados.  

    A presidente do Sindicato dos Jornalistas, Valdice Gomes, disse que ainda não consegue mensurar a perda para o jornalismo alagoano com a partida do amigo. Segundo ela, o Sindicato já conversou com a família sobre o acervo deixado por ele.

    “O que a gente tem de memória do sindicato é graças ao Valmir. A sua morte foi uma perda precoce, pela sua produção, sua vitalidade, um profissional que contribuía com a história política e do jornalismo de Alagoas; eu acho que no dia a dia é que a gente vai sentir a falta dele”, disse.

    A presidente do Sindjornal observou ainda que toda vez que a categoria precisava de uma informação, recorria a Valmir Calheiros, que era reconhecido pela memória invejável que tinha; o conhecimento e a vivência da história. “Fica a gratidão de ter convivido com ele, por ter sido aquela pessoa de uma inteligência rara e um senso de humor criança”, lembra.

    Valdice Gomes também destacou que o legado que o jornalista Valmir Calheiros está deixando para as futuras gerações de jornalistas “é fundamental não só em termos do que ele produziu de reportagem, nos 50 anos de jornalismo, mas do que ele contribuiu com os profissionais, em não se perder de vista a história do jornalismo, para que a gente entenda o futuro”, destacou.

    Para Adelmo dos Santos, Valmir Calheiros foi um dos jornalistas mais corretos da sua época

    O ex-presidente dos sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas, Adelmo dos Santos, disse que Valmir Calheiros foi um dos homens mais corretos que conheceu no jornalismo, em sua época de sindicato. 

    “Era um companheiro sempre solidário e nos momentos em que a gente mais precisava, ele estava junto; uma pena que nessa nossa categoria, aos poucos, os profissionais mais antigos de batente estejam indo para outro patamar, para o andar de cima, mas é esse o caminho que Deus nos deu”, disse Adelmo dos Santos.

    Emocionado, o jornalista e chargista Enio Lins também falou com carinho e gratidão do jornalista  Valmir Calheiros, o ‘Seu Cara”, como era carinhosamente chamado na categoria.

    Ênio Lins lembrou o compromisso ético que ele tinha na elaboração das matérias jornalísticas e disse que Valmir foi uma espécie de pai para ele, quando se iniciou na profissão: “Naquela época não tinha escola de jornalismo e a gente se baseava nos mais antigos para escrever. Ele deixou um legado de ética, simplicidade e humildade", ressalta.

    Enio Lins observou ainda que Valmir Calheiros nunca buscou aplausos com as informações, mas, sim, levar o conteúdo informação com verdade até o leitor. “Ele era um profissional que sempre se pautou pela verdade, independente de pressões políticas. Sem dúvida, fará uma grande falta para o jornalismo alagoano. Perdemos um grande cara, infelizmente”, pontuou.  

    O jornalista Aldo Ivo, que recentemente completou 65 anos de jornalismo, contemporâneo da velha guarda, disse que ficou surpreso com a notícia da morte de Valmir Calheiros e que ele era uma enciclopédia: “Ele sabia das datas e tudo que acontecia nos jornais; conhecia a história dos jornalistas e a morte dele deixa uma lacuna; não sei quem vai substituí-lo, eu penso que ninguém. Ele sabia recordar toda a história; tinha tudo na cabeça. A imprensa de Alagoas e de todo o Brasil está de luto”, destacou.

    REFERÊNCIA


    Outro jornalista que falou sobre a morte de Valmir Calheiros foi Ailton Vilanova, colunista da Tribuna Independente. Ele disse que a morte de Valmir foi uma perda irrecuperável, pois ele era  uma referência para o jornalismo da sua época.

    “Fomos contemporâneos, trabalhamos juntos na Gazeta de Alagoas e eu tive grandes lições de humildade; ele viveu a vida toda para o jornalismo: pesquisador, inteligente, culto: nunca ouvi do Valmir uma palavra que depreciasse um colega; era um conciliador; uma inteligência privilegiada”, pontuou.


    E agora, o que fazer?

    Por Olívia de Cássia E agora, o que fazer? Essa pergunta me veio à baila, antes e depois da aposentadoria por invalidez e em alguns dias q...