quarta-feira, 28 de junho de 2017

Véspera de São Pedro

Por Olívia de Cássia

Hoje, 28 de junho, é véspera de São Pedro. Chove muito lá fora e me reporto aos tempos da juventude, fazendo um paralelo com o que vivo hoje. Jamais imaginaria que fosse me aquietar, pois não queria perder nem aniversário de boneca.

O tempo passou e voou tão rápido, que nem percebi a sua rapidez. Estava tão envolvida com o trabalho, que não tinha outros olhos para muita coisa lá fora. Lá se foram muitas perdas e sonhos que eu acalentava.

Não é que eu tenha deixado de sonhar, só que agora os pensamentos são dentro da realidade que me cerca. No temnpo da juventude eu já estaria me arrumando para o encontro com os amigos; mesmo que tivesse caindo tanta chuva como agora. E se meus pais impedissem, eu dava um show.

Agora, no abrigo do meu modesto lar, eu agradeço ao pai celeste por tudo. Pela família que me deu e pelos anjos que colocou no meu caminho, fazendo com que minha vida ficasse mais bonita.

Sou feliz agora, apesar da pouca saúde, das limitações do corpo, mas a cabeça ainda pensa. O cenário político entristece a gente, não dá para acreditar em tantos retrocessos num país que já viveu tempos sombrios.

Há uma crise moral, social e política. Me vêm à cabeça muitas lembranças, mas não vou deixar que me amoleçam e me deixem cabisbaixa.

Às vésperas de viajar para o Sudeste, minhas expectativas são outras. Vou conhecer novos ares, agora tenho todo o tempo, não preciso me preocupar com faltas ao trabalho e nem com desculpas e satisfações.

Sou livre e essa liberdade me basta, para ser o que sou. As festas juninas já estão chegando ao final e eu nem fiz questão de ir. Fui apenas a uma confraternização da minha cateria profissional e ponto.

Lá fora chove forte, alguém solta fogos em alguma parte da cidade. Me recolho por conta de uma virose e crise alérgica que me persegue com a mudança do tempo, mas vou melhorar.

Juca se assanha todo e late para um gato de rua que veio se abrigar aqui. Agora me pede colo e quer brincar com sua bolinha azul, a que mais ele gosta. Os gatos estão aninhados nas camas para espantar a preguiça e eu sigo espirrando desejando que o chá de limão com alho faça algum efeito positivo. No mais, é vida que segue e ter esperança. Boa noite.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Desestímulo

Por Olívia de Cássia

Estou vivendo um momento de desestímulo para escrever. Já passou de um mês, eu acho, desde a última vez que postei algo no blog. Andei adoentada, atribulada com a reforma da casa e depois, a conjuntura está tumultuada, estou desaceditada das nossas instituições e não tenho incentivo algum para discorrer sobre esse vale de lama que o Brrasil está atravessando.

Vasculho no fundo da mente algo inspirador, para que volte a escrever. Desde que me aposentei, esse foi o maior período que fiquei assim, sem ânimo, sem aquela impaciência que me leva a dizer algo sobre algum tema, mas sigo esperançosa por dias melhores. Para que eu possa tomar o curso normal das coisas.

Um tempo em que a gente volte a falar também de amore, de flores, de vida. De mensagens otimistas, de perspectiva de vida e de esperança. Boa noite.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Em tempo de reformas

Por Olívia de Cássia

Me ausentei por um tempo de atualizar o blog e a minha página no Facebook, por conta de estar com reformas em casa e não ter nem onde colocar o notebook para escrever alguma coisa. Nesse ínterim, meu tempo foi ocupado com assuntos domésticos e material de construção.

A minha reforma ainda não acabou, mas não estou ausente das grandes discussões nacionais ou da pauta diária local. Hoje é dia de greve geral contra as reformas do governo ilegítimo. Ligo a TV e vejo a âncora tratar o dia como um feriadão e discorrer apenas sobre os 'prejuízos' que a greve irá trazer ao país.

Em momento algum falam dos prejuízos que essas reformas da Previdência e a trabalhista vão resultar ao trabalhador brasileiro. E me ponho a pensar e a estabelecer alguns parâmetros.

A comparar a reação da população de outros países se algo parecido acontecesse por lá. Sou contra a violência, mas o povo tem que ir as ruas reclamar o que está sendo tomado. E aqui não vai a opinião partidária, mas cidadã.

O que é que os pais estão ensinando hoje em dia a seus filhos e o que eles estão aprendendo nas escolas, a gente não sabe. Estou sendo censurada numa rede social, por compartilhar postagens defendendo a greve geral e contra o golpe desferido no ano passado. Isso quer dizer que 2016 ainda não acabou.

O regime de exceção está sendo aplicado no pais, a democracia está sendo tomada por uma corja vagabunda de ladróes, comprovadamente e mesmo assim ainda tem gente se colocando conta a mobilização dos trabalhadores.

Copiei na minha linha do tempo no Facebook, um texto do amigo Carlos Madeiro, já que estou sendo impedida de compartilhar textos pertinentes ao tema, mas vou reproduzir aqui também já que acho bem oportuno.

Diz ele: "Você pode ser contra a greve. Não vá, é compreensível a omissão. O que não​ se pode tirar é o direito de luta das pessoas. Existem no Congresso duas propostas que afetam brutalmente as relações de trabalho e a aposentadoria", disse ele.

"São temas sérios demais, que não foram debatidos --a não ser com empresários-- e que as mudanças foram propostas por um governo​ interino. Não importa aqui se você defende esse ou outro ponto de vista. A greve é um grito do trabalhador que teme essas mudanças e vê a chance da vida piorar. Todos devem entender isso, independente de lado político. Ah, e se você acha de verdade que quem apoia a greve é para não prenderem Lula, pra defender o PT, procura uma terapia. E tenta curar ó odio que lhe faz mal e o aliena da realidade", observou Madeiro.

Sou de uma época que quualquer que fosse a medida contra trabalhadores e estudantes, estávamos na rua protestando, mesmo em época de ditadura militar. Me inquieto com a passividade das pessoas, principalmente os estudantes de agora, que já receberam o país numa democracia e a maioria que se abstém de se posicionar nasceu em lares com conforto.

Defendo a greve geral, sim. Embora esteja impedida fisicamente de estar em protestos e grandes aglomerados, por conta de problemas de saúde, mas faço a minha parte de outras formas. Vamos reivindicar nossos direitos e nas próximas eleições retirar essa corja vagabunda que tira o direito dos trabalhadores. É o que tenho a dizer hoje, parz reflexão.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Sobre o medo

Por Olívia de Cássia

Por causa do medo que eu tinha de tomar iniciativas que eu queria e precisava tomar, eu perdi algumas oportunidades de crescer e me realizar profissionalmente e pessoalmente, da maneira que sempre sonhei. O medo é uma limitação que nos aprisiona.

Dizem que ter medo de reconhecer erros é abdicar de todo potencial que pode ser descoberto após transcendê-los. Sonhei com muitas viagens, com reconhecimento profissional, em cobrir conflitos externos e em ser uma pessoa melhor.

Sempre fui uma sonhadora, idealista e luto por um mundo melhor para todos. No momento de agora, mais cética diante da atual conjuntura, não deixo de lutar pelos meus ideais, embora eu tenha mais paciência para determinadas situações. Ninguém é perfeito.

Agora na maturidade e fora do mercado de trabalho por conta da aposentadoria, estou em paz. Não pensei que fosse me acostumar tão logo afastada do trabalho, da reportagem, que sempre foi o meu sonho. Agora não adianta arrependimentos e frustrações.

Ninguém quer ter um problema de saúde grave, para se afastar do trabalho. A ataxia vai nos limitando, roubando os nossos movimentos, nos tornando mais frágeis. Mas ainda quero viver muitas situações de prazer pessoal, conhecer outras culturas e espero que não seja tarde demais.

Que ainda me seja dada uma oportunidade de melhorar, uma prorrogação, para que eu possa desfrutar o momento de agora. Talvez a psicologia explique o motivo de eu ter tanto medo e ter me libertado desse sentimento que vai nos consumindo e acabando com a autoestima.

Minha saudosa mãe, no seu cuidado e vigilância dobrada com a minha pessoa, àquela época, me dava muitos conselhos, à sua maneira e me fazia muito medo de tudo, para que eu não caísse em tentações da vida, por conta das amizades que eu tinha.

Ela preferia acreditar no que os outros diziam do que confiar em mim; muitas vezes entrávamos em conflito, por conta da nossa divergência de ideias; desses medos dela que depois eu absorvi com o tempo, mesmo sendo rebelde a maior parte do tempo, o que não me ajudou muito.

Foram momentos tensos, divergências de pensamentos, ideias e objetivos, deparando-nos com situações de conflito. Quando meu pai e minha mãe se foram passei a me questionar a respeito de várias questões interiores e a me perguntar se tinham me perdoado pelas minhas atitudes.

Agora compreendo que não foi por falta de amor que eles, principalmente minha mãe, agiam daquela forma comigo. Era a sua maneira de amar, com rusticidade, que eu não entendia. Com o tempo a gente vai desvendando os mistérios da alma.

Que todos possam ter essa compreensão da vida a tempo de redimir-se diante de nós, diante da vida. Bom dia.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Reformas que precisam ser feitas

Por Olívia de Cássia

Há mais de duas semanas que estou em reforma aqui em casa. Vou fazendo aos poucos, pois o dinheiro é curto; sem planejamento, não dá para fazer tudo de uma só vez. A pintura está quase terminada, mas faltam colocar piso e revestimentos. Tudo muito caro, mas que é preciso ser feito. Passei muitos anos sem fazer nenhum tipo de melhoramento no meu lar.

Comecei arrumando as gavetas do guarda-roupa, que estavam em confusão, tudo bagunçado. Não sou uma administradora do lar. Sou péssima nesta seara. E enquanto eu arrumava minhas roupas, lembrei das reflexões de Clarisse Lispector no livro A paixão, segundo G.H.

No livro a protagonista-narradora, que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, faz algumas reflexões sobre a vida. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário.

Depois do susto, ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco, processando-se, então, uma revelação. G.H. sai de sua rotina civilizada e lança-se para fora do humano, reconstruindo-se a partir desse episódio.

Não que eu me compare com a autora, seria muita pretensão de minha parte, mas toda vez que vou arrumar as gavetas do guarda-roupa, fico a pensar em algumas situações da minha vida.

A protagonista vê sua condição de dona de casa e mãe como uma selvagem. Tal qual a protagonista, não nasci para esse ofício, não sei quase nada de nada, sou um desastre. Clarice escreve: “Provação significa que a vida está me provando. Mas provação significa também que estou provando. E provar pode ser transformar numa sede cada vez mais insaciável.”

Estou me descobrindo com gosto de fazer novos experimentos em arrumação da casa, nunca fui muito de me dedicar a isso, mas estou gostando dessa nova fase da minha vida, depois de aposentada por invalidez.

Entendi que tenho que preencher meu tempo com foco e objetivo nas atitudes positivas, mesmo que meu dinheiro não comporte todas as minhas ideias de melhorar a minha qualidade de vida limitada pela Doença de Machado Joseph.

Quando terminar a reforma vou viajar, conhecer lugares que não conheço, desfrutar dessa paz que reina em mim, sem pensar nas dores do passado, que já ficaram para traz e focar na minha saúde, fazendo o que devo fazer para melhorar ainda mais a minha autoestima e minha espiritualidade já um pouco fraca.

São essas reformas pessoais de casa que precisam ser feitas;, mas para melhor. Não têm nada a ver com o que está sendo feito com o nosso país, que desce de ladeira abaixo todos os dias, com medidas indigestas para a maioria da população que precisa dos serviços do Estado para viver melhor. Tenham um bom dia.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A despedida

Por Olívia de Cássia

Meu bebê de quatro patas de doze anos, a Malu, virou uma estrela. Ela se submeteu a uma cirurgia de risco da vesícula e o veterinário já tinha me alertado de que ela poderia morrer, tanto na cirurgia quanto depois dela, mas que era preciso a intervenção, por conta do sofrimento da cadelinha toy.

Eu nunca tinha visto tanta pedra ser retirada de um animalzinho indefeso e nem sei como ela estava aguentando esse tempo todo. Se o ser humano tem um problema ele grita e diz, mas a Malu apenas olhava com aqueles olhinhos pra gente, para dizer que não estava bem.

Nem a palavra mágica passear a animava mais. Malu foi o melhor presente que eu ganhei, há doze anos, quando estava numa fase conturbada da minha vida. Foi presente do primo Edvaldo Siqueira, o Edinho, e veio para mim um bolinho de pelo de 700 gramas.

Algumas pessoas diziam que ela não sobreviveria naquela época. Durante todos esses anos, a Malu, com seu sorriso mais lindo do mundo, como eu dizia para ela rir para as visitas, só distribuiu meiguice, amor incondicional e amizade.

Dormia comigo e ultimamente já vinha dando sinais de que estava chegando a hora de partir, virar estrelinha. A minha estrela que vou continuar amando e lembrando pro resto da vida, como lembro de todos que vieram antes dela.

Nem pude chorar o luto da Malu, pois tive que me ausentar o dia quase todo de casa, por conta de consulta médica que estava marcada há alguns dias no Hospital Universitário, e não poderia faltar.

Deixei o corpinho da minha deusa para ser feito os procedimentos devidos por minha prima Isabell. Foi melhor assim. O ruim é não ter um cemitério para animais por aqui, para que a gente dê um enterro digno a um pedacinho de nosso coração que se foi. Eu não chorei ainda essa perda como eu deveria e queria.

A comprovação da ataxia me deixou menos sensível para chorar, em algumas situações, como era de costume, nos endurece o coração e nos deixa mais duros, devido a tanto remédio. Depois da comprovação da Doença de Machado Joseph, estou procurando não me emocionar.

Não passar por situações de estresse como estava acontecendo antes do benefício, pois isso só piora meu estado de saúde. As pernas travam, as carnes tremem, a gente cai e tomba com mais facilidade. Agora, devidamente medicada e com a fisioterapia, venho tendo melhor qualidade de vida.

Me mediquei antes de sair de casa, mas passei o dia no hospital para ser atendida e voltei em situação de cansaço físico e mental. Estou exausta e triste, mas o que me conforta é o sentimento de que se Malu tiver um espírito, ele está sereno e em boa companhia.

Amo essas criaturas e acredito que são anjos que Deus coloca em nossas vidas para tornar nossos dias mais amenos e suaves. Podem me chamar de louca, quem não gosta dos bichinhos, mas eu ‘conversei’ muito com Malu, antes da cirurgia. Uma espécie de despedida antecipada.

Disse para ela que ‘Francisquinho de Assis’ iria estar do lado dela e todos os espíritos de luz; falei do meu amor por ela, eterno, sincero e leal. Ela se foi, mas com a certeza de que era muito amada. Meu pedacinho de amor. Boa noite e fiquem com Deus!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Finalmente chove

Por Olívia de Cássia

Finalmente chove, para aplacar o calor infernal que está fazendo em Maceió. A rua está silenciosa. É noite de quinta-feira, mas poderia ser de qualquer dia. O tempo fechou, mas a quentura permanece. Agora tenho todo o tempo livre para pensar, me organizar e ler.

E ao contrário do que eu estava pensando, estou lendo menos depois da aposentadoria. Tenho um mundo novo para colocar em dia, mas me policio e me critico por isso. É preciso Organizar a casa, que está fora de ordem, sou uma péssima administradora do lar. Não nasci para essa função.

Tenho que providenciar algumas coisas, tomar conta dos meus bebês e depois de tudo em seus lugares, quero aproveitar o que me resta. Viver cada momento, descobrir mundos, viajar como eu sempre sonhei e não realizei.

Quero conviver mais na companhia dos amigos e perseguir dias mais suaves. Essas são as minhas metas, além de voltar com todo vapor às leituras, depois de tudo organizado.

Pipico, meu gato mestiço, sobe no apoio do notebook e pede carinho, reclama e faço um cafuné; Juca reclama atenção. Malu está pionga, doentinha, fez exame de; ultrassonografia hoje. A idade também chegou para minha deusa.

Hoje de manhã, foi para retirar os livros das estantes e colocar tudo em cima da cama, para que o rapaz recomece o serviço de limpeza e pintura. Dá muito trabalho, mas o contato com meus livros me faz bem; são meus companheiros de uma vida.

Estou naquela fase em que as mulheres sofrem com os calores da maturidade. Passo mal e desejo entrar numa banheira gelada. Ando um pouco com Malu e Juca, para que se acalmem. Parou de chover. Foi só um ensaio; está mais quente ainda.

Leio num site alternativo, que além de todas as maldades do governo maldito golpista, vão privatizar também Aquífero Guarani. “As negociações com os principais conglomerados transnacionais do setor, entre elas a Nestlé e a Coca-Cola, seguem “a passos largos”, informa o site.

Segundo o redator, representantes destas companhias têm realizado encontros reservados com autoridades do atual governo, no sentido de formular procedimentos necessários à exploração pelas empresas privadas de mananciais, principalmente no Aquífero Guarani, em contratos de concessão para mais de 100 anos. Chegamos ao fundo do poço, bem fundo mesmo.

Fico me perguntando o que será de nós, pobres mortais, diante de tantas injustiças e medidas destruidoras. Para hoje é o que tenho. Boa noite.


sexta-feira, 10 de março de 2017

A escolha de Sofia

Por Olívia de Cássia

Quando Sofia nasceu, não teve festa, nem muita alegria. O pai estava trabalhando; a mãe pariu sozinha e quando a parteira chegou ela já tinha vindo ao mundo. A mulher atravessou o rio e veio correndo; cuidou apenas dos procedimentos necessários a uma recém parida e seu bebê.

Naquele tempo de poucos recursos, casar e procriar era o destino de toda mulher, mais que uma obrigação. Os pais de Sofia vieram da roça e mal sabiam ler, mas ensinaram para ela e os outros filhos que tiveram, os conceitos mais preciosos que formam uma família.

Sofia foi crescendo livre, rebelde, não pensava em casamento e queria viajar e conquistar um futuro promissor. Vivia livre, no meio daquela comunidade carente de políticas sociais e foi entendendo certas nuances da vida. Ela não se contentava com o chamado destino que os mais velhos falavam. Avaliava que poderia mudar tudo aquilo, se preciso fosse.

E foi com esse objetivo que começou a se interessar pelos estudos, conviver com pessoas ligadas à arte, a música e aprendeu com elas a ter bom gosto. A mãe de Sofia, dona Mércia, não entendia o motivo de a filha viver com a cara nos livros, gostar de hobbies caros como escrever todos os dias para os amigos, a fotografia e colecionar coisas.

Internet e tecnologias nem sonhavam em existir no Brasil dos anos 60, 70, quando Sofia nasceu e viveu sua adolescência. Ela gostava de poesia e personalizou seu quarto com painéis de poesias, colagens tapeçarias e almofadas, coisas que ela produzia na adolescência para deixar seu quarto de um jeito adequado ao seu mundo. Era ali que ela gostava de passar horas a fio.

Já na adolescência vieram os primeiros problemas ‘sentimentais’. Sofia era do tipo romântica e se ‘apaixonava’ com facilidade por qualquer garoto, mesmo que nem se importassem com ela. Passou a ter baixa autoestima por isso. Se achava muito feia e desengonçada e foi esse complexo de inferioridade que a levou quase à depressão profunda, já àquela época.

Dona Mércia passou a fazer intervenções fortes e cotidianamente na vida de Sofia. Jogava remédios sem receita que a filha tomava para emagrecer, mesmo sendo magra. Colocava os irmãos e rapazes amigos da família para vigiar a filha rebelde.

Acreditava mais nos mexericos das beatas fofoqueiras do que na filha e assim castigava a menina a cada comentário maldoso que ouvia sobre ela, sem antes nem saber se era verdade. Primeiro batia. Foram várias surras que Sofia levou.

E quanto mais ela apanhava, mais se rebelava contra o sistema, que para ela significava a proibição, o veto à sua liberdade. E Sofia começou a ler e ler mais, até que um dia chegou a vez de fazer vestibular, escolhendo um curso que não era do gosto de sua mãe.

Os pais, naquela época, queriam filhos ‘doutores’ e fazer uma escolha fora da Medicina e dos cursos nobres era uma afronta à família. E mais uma vez Sofia se mostrou firme na sua escolha; queria escrever, ser escritora, poeta, jornalista. Não adiantaram as críticas negativas: foi em frente e seguiu o seu destino.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Preocupada, mas aliviada

Por Olívia de Cássia

Queridos leitores, perdoe-me a ausência por período tão longo, mas estava resolvendo querelas burocráticas da rotina diária de uma recém-aposentada e necessitada de auxílios médicos. Hoje me sinto mais aliviada com a chegada da aposentadoria, embora tenha sido por invalidez.

São dores e sintomas diferentes que vão variando no dia-a-dia, por conta da Ataxia, mas a gente vai resistindo do jeito que pode e procurando viver o que nos resta de forma mais suave, sem valorizar questões que não estão a o nosso alcance resolver.

No entanto, diante da atual conjuntura nacional, em que vemos a previdência social ameaçada e nossos direitos, conquistados com tanto suor e lágrimas, à beira de serem extirpados tão vilmente, não dá para a gente esperar atitudes sensatas, por mínimo que sejam, de nossos governantes.

A tal reforma da previdência é uma dessas questões que deixam qualquer cidadão consciente preocupado com seu futuro. São muitas medidas impopulares e danosas aos trabalhadores que estão sendo implantadas e anunciadas por um desgoverno golpista e usurpador que se apoderou do poder à custa de um golpe maquiavelicamente planejado.

Todo dia é uma novidade anunciada, com gafes proferidas publicamente e sem noção. E novidades para o mal do assalariado e do pobre. A história do Brasil é um elenco de golpes e molecagens. Basta consultar os livros de história ou rememorar as aulas que tivemos.

Não dá para a gente depositar um mínimo de crédito de confiança nos tais representantes e agentes públicos atuais. Todos ou a grande maioria envolvidos em corrupção, da mais simples, à mais cabeluda.

Como disse o blogueiro Davi Sena Filho, em artigo no site Brasil 247, de 26 abril de 2016, temos, sem sombra de dúvidas, uma das oligarquias mais atrasadas e reacionárias do mundo, porque tal burguesia, proprietária da casa grande, é acima de qualquer coisa antidemocrática, antirrepublicana e absolutamente antinacionalista.

Infelizmente, as nossas instituições foram tomadas por uma quadrilha, carcomida pela ambição, subserviência e arrogância. Muitos atores dessa seara se acham deuses diante de nós, pobres mortais. O que fazer diante de tudo isso é resistir e lutar até o fim. Para refletir Bom dia.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Tempos difíceis

Por Olívia de Cássia

Parece que 2016 não acabou mesmo. Embora eu tenha adotado uma nova prática em minha rotina, de ser otimista e encarar as dificuldades com suavidade, não quer dizer que vou me alienar e ficar indiferente à conjuntura do País, do meu Estado e da minha cidade natal, União dos Palmares.

Começando por União, a população está vivendo dias de terror com a seca e o desaparecimento do Rio Mundaú, principal manancial que abastece a cidade. O fenômeno aconteceu pelo descaso do ser humano com a natureza, a falta de cuidados que é de muitas décadas, poluição, desmatamento das margens e extinção da mata ciliar e falta de cuidado com as nascentes.

Tenho recebido apelos e muitas reclamações nas redes sociais sobre a escassez de água na minha cidade. E cenas que a gente só via no Sertão, no cinema, ou lá pros idos da década de 1960 do século XX quando não tinha água encanada nas torneiras, estão no cenário da cidade.

Além do descaso com o Rio Mundaú, a mata dos Frios está sendo devastada, com queimadas da floresta para plantações outras, segundo têm denunciado os blogs e sites locais. Daqui do meu cantinho eu fico me perguntando: cadê as autoridades competentes que não fiscalizam esses crimes e não punem quem o cometem.

Cometer crimes ambientais é tão grave quanto a corrupção que a gente ver estardalhaços na mídia e que causa indignações. A vida é uma joia preciosa e só podemos tê-la com conforto se o meio ambiente estiver preservado.

Cortar madeira clandestinamente, toca fogo na vegetação, jogar lixo no rio, desmatar suas margens e poluir suas nascentes é crime gravíssimo tanto quanto. É lamentável que só se comece a pensar nisso depois que o desastre ambiental acontece.

Enquanto todos rezam para a chuva cair, e tem que ser reza poderosa, vamos pensar nisso: começar educando as crianças, que são o futuro do país; fazer projetos que dignifiquem e restaurem as matas, com plantações de mudas nativas; replantar toda a mata ciliar e desassorear o rio.

Em Alagoas os problemas de violência continuam, embora algumas pesquisas indicam que tenha diminuído. No que diz respeito ao país, vai despencando ladeira abaixo, numa velocidade assustadora, com anúncios de privatizações e extinção de todos os projetos que beneficiaram a maioria dos trabalhadores.

As nomeações estapafúrdias de personagens envolvidos até o pescoço com a corrupção, não revolta aqueles paneleiros e personagens que foram às ruas protestarem contra a corrupção. A perseguição ao ex-presidente Lula e sua família vem desde 1989, sem que tenham provas absolutas do que afirmam.

É tudo muito revoltante e não falo aqui achando que haja santos em política, porque não existe. É um jogo muito sujo e indecente pelo poder, que não tem limites e enquanto isso a justiça que deveria ser imparcial para julgar os fatos, está toda envolvida até os dentes.

São alguns pontos que deixo aqui no blog para contribuir com o debate e para reflexão, já que terei que sair daqui a pouco. Tenham um bom dia e fiquem com Deus.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O tempo passou


Por Olívia de Cássia

O tempo voou para nós e para alguns com mais dureza. Nessa época do ano, em União dos Palmares, depois de passados o Natal, Ano-Novo, Festa da Padroeira, era tempo de a gente já pensar no Carnaval. Aula mesmo, só depois dos festejos de Momo. Temos de muitos encontros.

A cidade se enchia de amigos, familiares e visitantes e tudo era motivo de festa para nós, que apesar de não termos muitas opções como os jovens de hoje em dia, nos divertíamos muito. Cada idade tem a sua época e posso dizer que apesar dos problemas, eu fui e sou feliz.

Tive o privilégio de fazer amizade com várias gerações na minha cidade natal. Nunca fui CDF, mas não deixava de estudar por conta das brincadeiras e saídas no fim de semana. Sonhava com outro mundo.

Eu sabia que minha seara não era fazer cursos que exigiam tanto de mim, como Medicina, Direito ou Engenharia, como defendia minha mãe. A área de humanas sempre foi meu forte, coisa que minha mãe dizia, não dava dinheiro.

E ela estava adivinhando, na sua simplicidade de mulher do campo, as dificuldades são muitas; mas não teve jeito. Nunca fui afinada com a área de exatas e fui fazer jornalismo, para desespero dela.

Matemática para mim sempre foi um bicho papão, principalmente depois da surra que levei dela quando fazia o ensino primário, por ter tirado nota vermelha na matéria. Nunca aprendi nada, que desse para ir muito longe nessa área específica.

Meu lado era de sonhos, leituras, poesias, amizades, músicas e viagens que nunca fiz e ficava sonhando embalada na vivência dos meus amigos viajantes. Um lado mais suave da vida, que sempre tive afinidade.

O tempo passou; União já não é mais a mesma cidade faz muito tempo. Os amigos, a maioria se foi. Alguns para a eternidade e outros que ainda tenho a chance de encontrar vez ou outra, me fazendo relembrar da nossa juventude.

Os valores da gente de hoje já não são mais os mesmos que fomos criados. A gente não percebe as mudanças que acontecem dentro de nós. E quando menos esperamos, acontece uma transformação, sem que tenhamos noção de como tudo se deu.

Mudamos de repente, como se algo tivesse acontecido, uma revolução interior, que muitas vezes não sabemos explicar. Você amadurece com o sofrimento, com experiências e as vivências...Isso é maturidade.

A menina que existia em mim não morreu, mas foi se amoldando ao tempo; aprendeu a conviver com as complicações que vão surgindo. Quando falta a saúde, tudo o mais se descontrola, mas a gente tenta administrar o que a gente não pode mudar. O tempo passou e eu nem percebi. Boa tarde.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A Festa de Santa Maria Madalena


Por Olívia de Cássia

Há 182 anos os palmarinos celebram a sua padroeira, Santa Maria Madalena. É um ato de fé, religiosidade e devoção. Mesmo aqueles que não são católicos ou não professam a religião, reconhecem a importância do evento para União dos Palmares e região.

Além da demonstração da fé, muitos empregos são criados nessa época, movimentando a economia local. A festa cresceu, se agigantou e ocupa atualmente não só a Praça Basiliano Sarmento, como antigamente, mas grande parte do centro da cidade.

Os brinquedos, que antes ficavam armados ao lado da igreja matriz, agora são dispostos na Avenida Monsenhor Clóvis e no pátio da antiga Estação Ferroviária. A atual logística do evento lembra um pouco de como era na nossa lembrança da infância distante, mas está muito longe de ser como era.

Com o passar do tempo, o evento foi se agigantando, se adaptando às novas exigências de mercado, no que diz respeito a atrações artísticas, comércio, entre outros itens. Antigamente, a gente chegava cedo à praça, logo depois das novenas e também retornávamos cedo para casa: ficávamos no máximo até a meia noite, tal qual a Cinderela.

Os tempos mudaram os costumes e atualmente as pessoas só começam a chegar à Basiliano Sarmento quase que à meia noite e amanhecem o dia por lá. Tem shows de bandas que muitas vezes a gente mais madura não conhece e nunca ouviu falar. Dessas músicas de gosto duvidoso e muitas vezes profanas, que estão na moda hoje em dia. Não entendo isso.

Festa religiosa com música que fala de coisas tão fúteis e vamos dizer antiéticas para não dizer imorais. Em cidades como Pilar, bem pertinho da gente, só há apresentações folclóricas na festa da padroeira. A igreja não permite apresentações de bandas profanas.

A festa de Santa Maria Madalena não tem mais aquele romantismo de antes, o correio sentimental (os telegramas), que eram atração no evento e eram lidos por seu Maurino Veras e equipe. Tenho saudade daquele tempo de ingenuidade e alegria, quando a gente se confraternizava com os amigos, sem violência.

Também as músicas que eram tocadas na festa vinham do serviço de alto falantes Palmares, igualmente de Maurino Veras, pai da minha amiga de infância Rosemary Veras. As mesas da festa não eram tantas e não tinha esse viés comercial de agora, quando se coloca na praça quase 500 unidades.

Não quero dizer que o evento deveria permanecer como era antigamente, porque isso seria impossível, mas que pelo menos se preservasse um pouco da tradição, agora só lembrada nas procissões e novenário na igreja.

Naquele tempo, podíamos conversar tranquilamente com nossos amigos, parentes e conhecidos, sem precisar gritar tanto para que alguém nos ouvisse. Mas apesar de tanta mudança, a Festa de Santa Maria Madalena é a maior referência de evento religioso para o município e região e faz parte do calendário turístico-religioso do local.

Outras cidades do interior de Alagoas também celebram suas padroeiras nessa época do ano, mas festejar Santa Maria Madalena é lembrar do seu poder perante os católicos e aqueles que têm fé. É lembrar da nossa infância, adolescência e juventude, quando vivíamos nossos melhores momentos. Que Santa Maria Madalena nos proteja, proteja os palmarinos de todo o mal. Viva Santa Maria Madalena. Boa noite.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Resiliência


Por Olivia de Cássia

A gente vai se adaptando às necessidades que os dias vão exigindo e de uma maneira ou de outra temos que aceitar com resignação ou lutar com todas as nossas forças, para continuar vivendo e persistir na luta diária; mesmo que às vezes, em algum momento a gente fique duvidando da nossa capacidade de seguir em frente.

Me reporto à adolescência, quando acreditava que podia tudo e que não poderia viver sem determinadas atitudes ou situações. As festas e encontros eram indispensáveis. Acreditávamos que não podíamos viver sem aqueles eventos.

Mas a vida vai nos ensinando que nada é para sempre ou que nem tudo é como pensávamos ser e temos que acreditar que podemos continuar a viver, que as situações vão mudando de importância, se acomodando e que podemos ser felizes de outra maneira.

Ai de nós se não fosse essa capacidade de ter resiliência; de nos adaptar a outra maneira de vida, com outra rotina. São desafios que vamos enfrentando a cada dia; às vezes pela falta de maturidade ou entendimento da vida.

Fui muito intransigente quando jovem, complicada e depressiva na adolescência; cheia de inseguranças e de traumas e acreditava que era muito infeliz, mas aprendi com os tropeços que não somos donos da verdade e que não existe verdade absoluta.

Há outro mundo lá fora e que a vida é linda, apesar de às vezes ser dura e cheia de lições a dar. Sempre há outra vertente; o outro lado da moeda. O autor William Rezende disse que devemos simplificar os pensamentos.

“Tenha foco, mantendo os objetivos que te motivam vivos e acesos, como uma chama que mesmo através de uma chuva não se apaga, acredite e viverás faças e conseguiras", disse ele.

Não é que eu acredite em algumas lendas urbanas, mas avalio que devemos ser persistentes, sim, naquilo que acreditamos, em sonhos reais e palpáveis. E aqueles que vão se diluindo com o tempo e as vivências nos servem de lembranças com o passar dos anos, para acalentar e servir como quimeras.

E Rezende prossegue observando que o tempo voa, fatos ocorrem e que aquela pessoa que a gente tanto tinha apreço e que era parte de nós se vai na velocidade de um trovão.

“Isso pode parecer triste e depressivo mas sempre tem o outro lado da moeda aonde se conhece alguma ou algumas pessoas que nos faz olhar pra trás e pensar: aqueles tempos eram bons, mas, sem sombra de dúvida, os atuais são melhores", observa.

É essa certeza ou entendimento que nos faz acreditar que podemos ser melhores e que a vida continua, de uma forma ou de outra. Que todos tenham dias melhores e entendam que vale a pena acreditar que valeu a pena chegar até aqui. Que Deus esteja sempre presente nas nossas vidas. Bom dia de paz e bem.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Procissão do mastro; fé e religiosidade

Por Olívia de Cássia

No domingo, 15, acontece em União dos Palmares a tradicional procissão do mastro da Festa de Santa Maria Madalena, dando início aos festejos religiosos no município. São 182 anos de tradição, atraindo nativos e turistas de várias regiões do País.

Este ano não poderei ir por uma questão de logística, mas estarei com o pensamento voltado para a fé do meu povo e às preces a Santa Maria Madalena a quem daqui já peço a sua interseção na minha saúde e orações aos amigos.

O mastro da festa, a exemplo de anos passados, tem mais de 20 metros e o cortejo percorrerá cerca de três quilômetros, numa demonstração de fé dos católicos da região e será carregado nos ombros dos fiéis até a Praça Basiliano Sarmento, onde será erguido na presença de mais de 15 mil pessoas.

Muitos devotos fazem o percurso a pé, descalças e usando roupas pretas; outras amarram fitas e escrevem pedidos de oração e agradecimentos no mastro, antes de a procissão fazer o percurso por várias ruas da cidade.

Outras pessoas vão a cavalo, carroças, bicicletas e motocicletas. É emocionante ver o espetáculo da fé se manifestando em cada devoto, mesmo que alguns estão ali não pela fé que professam, sabemos disso. O calor também é quase insuportável, mas exaustos os católicos cumprem a missão, todos os anos.

Teve ano que a cerimônia do erguimento do mastro foi tensa, pois ele ameaçou cair. Segundo a lenda que corre na cidade, não é bom sinal quando isso acontece. Em 2011 arrisquei acompanhar a procissão a pé, quase correndo, com a ajuda da saudosa amiga Cleria Lilian (Kelly), mas me senti muito cansada, porque já naquela época os sintomas da Doença de Machado Joseph já eram aparentes.

Fé e religiosidade, um sentimento em cada rosto que vai cumprir com a sua obrigação de religioso, pagando penitências e promessas. Muitas pessoas aproveitaram para registrar a procissão, com celulares, máquinas e filmadoras.

Em 2012, o professor Zezito Araújo, da Universidade Federal de Alagoas, que é historiador, também fez o percurso fazendo filmagem do evento. O que impressiona é que a cada ano aumenta o número de pessoas que acompanham o cortejo.

É um evento importante para a renovação da fé, para quem acredita nos poderes de Santa Maria Madalena. Um ato religioso que se mistura com o profano, mas em nenhum interior do Estado tem uma procissão assim, acreditam os católicos.

A história de Santa Maria Madalena é de entrega a fé que ela tinha em Deus e da sua proximidade com Jesus Cristo. No dia 23 haverá a procissão da bandeira, que será erguida no mastro e nela ficará as nove noites de festa.

No dia 2 de fevereiro, considerado o principal da festa, haverá a procissão das charolas, que saem da Igreja Matriz junto com Santa Maria Madalena e percorre também várias ruas da cidade. O encerramento mesmo das novenas acontece no dia 3, com a retirada da bandeira do mastro. E viva Santa Maria Madalena, nossa padroeira!!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Será que dá para ser otimista?


Por Olívia de Cássia

Mal o Ano-Novo começou e a sequência de tragédias e notícias ruins já se acumulam, no quarto dia do ano. No Amazonas, um massacre de presos com muitas mortes, feridos e fugas, que já somam mais de uma centena de pessoas, confirmando o que todo mundo já sabe: o sistema prisional está falido e precisa ser repensado pelos setores competentes.

A matança no presídio de Manaus é uma das maiores desde a do Carandiru, ocorrido no Brasil, em 2 de outubro de 1992, quando uma intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo, para conter uma rebelião na Casa de Detenção de São Paulo, causou a morte de 111 detentos. O tema virou livro do médico Dráuzio Varela.

Além dessa tragédia no Amazonas, já aconteceram este ano: terremoto no Piauí e Maranhão, coisa nunca vista no Brasil, um louco psicopata assassinou em Campinas 12 pessoas, inclusive a ex-esposa e um filho menor e depois se matou; um atirador mata 39 pessoas em um ataque terrorista a uma boate na Turquia e outras tragédias diárias que vão se acumulando nesse início de ano.

Preciso ser otimista, mas não dá ânimo nem de a gente ver o noticiário. No que se refere ao sistema prisional brasileiro, não adianta investimento na construção de presídios, se não se capacita os detentos: não tem ressocialização e não se investe em educação e saúde. Os presídios são universidade para o crime e a a bandidagem e quem sai dali, sai bem pior do que entrou; está comprovado.

E em meio à crise política do Brasil, o governo ilegítimo de Michel Temer segue acumulando insatisfação, tomando medidas impopulares que só prejudicam os trabalhadores, causando mal-estar e revolta em quem sempre defendeu políticas públicas e melhoria na qualidade de vida para os mais necessitados.

Segundo o site Notícias Brasil, a crise política, as turbulências causadas pela Lava Jato e até início da era Trump, geram dúvidas entre investidores e empresas e atrapalham recuperação brasileira.

Segundo o Boletim Focus – pesquisa realizada semanalmente junto a instituições financeiras e economistas pelo Banco Central – divulgado na segunda-feira (2), o Produto Interno Bruto (PIB) deverá fechar 2016 com uma retração de 3,49%. Já para 2017, ele deverá ter uma alta de 0,5% – apontando, assim, uma lenta recuperação da economia brasileira.

Muitos acreditaram que com a saída da presidente Dilma Roussef, enganados pela mídia golpista, a crise cessaria. Em 15 de agosto do ano passado, o então presidente do Instituto Data Popular, agora no Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, disse que a decisão do futuro do país estava na mão de uma briga de torcida.

"Não se pode colocar a estabilidade do país abaixo do interesse político". Segundo Meirelles, foi um erro confundir quem estava insatisfeito com o Governo com apoio à saída da Dilma. Infelizmente, o Congresso Nacional, composto em sua maioria por políticos corruptos e envolvidos em escândalos e falcatruas votaram pelam saída da presidente.

Depois que assumiu o Palácio, Temer e sua gangue está destruindo programas sociais dos governos Lula-Dima; orquestra privatizar tudo o que veem à sua frente, toma as piores decisões para estudantes e trabalhadores. E ainda há uma horda que defende isso.

Segundo o jornal O Globo, edição de 28 de abril do ano passado, o objetivo do Ilegítimo é tornar o Estado mínimo, como deseja a direita brasileira. “O Estado deve transferir para o setor privado tudo o que for possível em matéria de infraestrutura”, diz a matéria de O Globo.

E a lista de notícias pouco alvissareiras prossegue: no Rio de Janeiro, a situação é catastrófica; o caos se instalou num Estado tão bonito, cantado e decantado há décadas pelos melhores músicos da MPB, pela beleza de suas praias e do seu povo.

Segundo uma nota da Rede Sustentabilidade do Rio, medidas irresponsáveis foram tomadas, ações populistas pré-eleitorais e a inversão de prioridades. “Grande número de isenções fiscais foram concedidas para atrair empresas que se instalaram no território carioca. Uma verdadeira farra fiscal”, observa.

Diante de tanta notícia tensa, deixo para nossa reflexão de hoje: será que dá para ser otimista?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O que esperar do Ano-Novo?


Por Olívia de Cássia

A dois dias para terminar o ano de 2016 dá um frio na barriga em pensar o que nos aguarda para 2017. É tanta safadeza, tanta desmoralização das instituições concebidas para proteger o cidadão e dos nossos representantes, que a gente se pergunta se ainda sobrará alguém para nos defender, quando precisarmos.

Acabei de chegar de um salão de beleza, onde fui retocar o tingimento do meu cabelo vermelho e ouvi uns diálogos de uma cliente e o dono do salão. A revolta da população é geral, apesar da confusão de ideias que fazem do que se passa no país.

Confusão proporcionada pelos meios de comunicação parciais e apoiadores do golpe, que, guardadas as devidas proporções, criminalizaram a política levando todos à mesma vala comum. Todos bem familiarizados com o que diz a grande mídia golpista e sem escrúpulo.

A mesma mídia que faz um tsunami quando se trata de acusações contra petistas e acusações sem comprovações ao ex-presidente Lula e marolinhas quando se trata de parlamentares do PSDB.

Nem um pio contra um tal senador perdedor nas eleições de 2014, que desde o dia seguinte às eleições prometeu que iria infernizar a vida da presidente Dilma e conseguiu fomentar toda essa crise institucional. Mas a mídia calou diante do depoimento que Aécio Neves foi dar esta semana à Polícia Federal. É vergonhoso esse comportamento parcial da imprensa brasileira.

O que esperar do Brasil em 2017 diante da total destruição que está sendo feita no país por um vice golpista que se apoderou sem voto do Palácio do Planalto e está tomando as piores medidas para o povo brasileiro, com seu pacote de maldades?

Li em um site hoje de madrugada que o urubu vai cortar muitas aposentadorias e benefícios de quem está nessa situação. Minhas preocupações aumentaram, já que estou em benefício desde abril e terei nova perícia em 12 de janeiro.

Diante do meu problema genético e progressivo não tenho condições de voltar ao batente e se cortarem o benefício, como vou sobreviver? Não fiz planos para o Ano-Novo e nem vou fazer. Estou preocupada com a situação de todos nós, brasileiros, simples mortais, porque os aquinhoados não estão nem aí para nada.

Aumentaram seus salários na calada da noite, aprovaram uma série de medidas antipopulares, querem privatizar tudo com a proposta do Estado mínimo, estão destruindo ainda mais a educação e a saúde com esse congelamento de recursos por 20 anos e estabeleceram a censura dos meios de comunicação, sutilmente.

O que diziam ser irregular no governo da presidente Dilma, com o propósito de tirá-la da Presidência, passou a ser encarado como legal, depois do escarcéu que fizeram para dar o golpe. E aqueles que alardeavam as tais pedaladas fiscais para gritarem Fora Dilma, agora estão caladinhos, ‘pianinho’, como diz um amigo meu.

Segundo matéria do portal Brasil 247, para tentar agradar a base aliada, a dois dias do fim do ano, Michel Temer vai anunciar a liberação de emendas parlamentares. “Interlocutores de Temer afirmam que o total a ser anunciado nesta quinta-feira, 29, será de R$ 7,29 bilhões.

Deste total, R$ 6,45 bilhões correspondem a emendas impositivas e restos a pagar desde 2007 e outros R$ 840 milhões àquelas de bancada; os valores foram fechados nesta quarta-feira, 28, mas podem sofrer alterações; as emendas são consideradas fundamentais na relação do Palácio do Planalto com o Congresso e, historicamente, o governo usa esse pagamento para facilitar a aprovação de projetos de seu interesse”.

Em resumo: é a famosa propina que será concedida a cada meliante que aprovar o projeto do vampiro. O que esperar de 2017? Pense nisso.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Considerações sobre o Natal

Por Olívia de Cássia

E no próximo sábado, novamente é Natal. O tempo passa tão depressa e como diz o poeta, quando percebemos não cumprimos as promessas do ano anterior. Eu já não faço lista de metas tem muito tempo e o que vier de positivo para mim será lucro.

Não farei planos e não prometerei nada a ninguém, nem a mim mesma. O que der para fazer e eu tiver condições, será feito. Só quero me organizar mais e ocupar o meu tempo, para não cair na ociosidade e mesmice. Peço a Deus só um pouco mais de tolerância.

Apesar de saber que estarei ficando mais velha logo nos primeiros dias do ano e que não sei o que me espera com relação às minhas limitações, torço para que acabe logo este ano. Que não haja mais nenhuma tragédia e que Deus tenha condescendência com nosso Brasil. Só ele poderá nos salvar.

Este ano não vai deixar nem um pingo de saudade para a maioria da população. Um ano difícil para a nossa Nação. O país está vivendo uma crise sem tamanho e tenho dito e repetido, ‘primeiramente e segundamente: Fora Temer golpista’, sempre que tenho oportunidade.

Infelizmente estamos vivendo um momento em que as instituições brasileiras perderam toda a credibilidade, há corrupção por toda a parte e roubalheira são parte da nossa realidade. A violência urbana se acentua, jovens pobres e negros de 14 aos 23 anos morrendo por causa do vício do crack.

Mas voltando ao nosso assunto em tela, em Maceió, o clima natalino está nas ruas da parte nobre da cidade, com turistas de tudo quando é lugar. Os maceioenses já se anteciparam às compras e os shoppings estão lotados desde o começo do mês.

As pessoas correm para as compras com vistas à festa que comemora o nascimento do Menino Jesus. Ainda na parte nobre da cidade, ruas, prédios residenciais e hotéis estão iluminados lindamente, com árvores de Natal e outras simbologias do mundo de lá, mas nada lembra a nossa região, nem o principal aniversariante.

O padre João César, da capela D. Bosco, no bairro do Prado, tem feito muitas críticas em suas pregações a respeito disso. A decoração natalina não tem nada a ver com nossa região e nem tem a lapinha.

Já o padre Alex Sandro Silva, em entrevista que me deu ano passado, lembrou que o Papai Noel é um símbolo capitalista e uma figura desvirtuada do Natal e que a Igreja alerta os católicos para essa confusão. Substituíram o menino Jesus pelo Papai Noel.

A igreja também lembra aos cristãos que “Cristo é a nossa esperança; esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas”, mas tudo isso é esquecido por muita gente quando sai da igreja.

Nessa época do ano – atitude que deveria acontecer durante todo o tempo -, o mundo cristão prega a humildade, a caridade, a fraternidade e a paz, mas isso está muito longe dessa realidade.

Há pouca fraternidade, a intolerância e o preconceito tem se revelado como verdadeiramente é e a paz tão sonhada muito longe de acontecer. Alguns países pelo mundo a fora em guerra brigando por questões religiosas e inocentes morrendo, sem piedade.

Que neste Natal saibamos ser melhor, que a paz e o verdadeiro espírito natalino esteja presente em cada coração. Que haja justiça, tolerância e amor fraternal. Boa noite e Feliz Natal. Que o Ano-Novo nos traga esperança.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Venho de andanças

Olívia de Cássia Cerqueira

Venho de andanças.
Algumas valeram a pena,
Como lições de vida.
Sou sobrevivente
Da minha agonia.
Não posso reclamar da vida.
Não posso reclamar da sorte.
Venho de andanças...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A insônia me pegou

Por Olívia de Cássia

Da mesma forma que agora deito-me logo cedo, a insônia me pegou. Inquieto-me. Os pensamentos voam longe. Vou para a cama na esperança que o sono chegue, mas tudo em vão.

Juca, meu filhote caçula de quatro patas requer atenção da ‘mamãe’. Desligo a TV à hora de novelas chatas, que não me dizem nada e só ligo num programa musical. Única coisa na semana que vale a pena assistir, para quem não tem TV a cabo.

O noticiário não vale mais a pena ver. Não traz notícias novas e nem interessantes e só repete a cantilena enfadonha de corrução na política brasileira. Não dá para confiar na tendenciosidade do que se relata na mídia. Estamos pobres de jornalismo.

Ouço Nirvana na voz de uma das concorrentes e me arrepio. Não há nada melhor do que uma boa música, interpretada por uma voz bonita. O que não dá para engolir são os comentários de certa técnica do programa, mas continuo assistindo.

Juca dorme aos meus pés na cama e Malu no chão; parece molinha com a idade. Os gatos ficam sempre por perto, de vigília, na escada, perto do quarto. Sinto-me confortada pelo amor que me dedicam. Sigo minha história pensando inquietamente e ansiosa. Já tomei um remedinho, mas não fez efeito ainda.

Preciso relaxar, pois amanhã tenho confraternização importante para ir, rever colegas de trabalho, agradecer e abraçar a todos pela lembrança de me convidarem apesar do meu afastamento e pelo carinho.

No Natal, depois de mais de 30 anos, não passarei aqui em Maceió: irei virar a noite em União, com meu irmão e sua família. Será um encontro carinhoso e afetivo, mas no ano novo estarei aqui, vendo os fogos na praia.

Maceió é o lugar que escolhi para viver, apesar de amar minha terra natal. A cidade está cheia de turistas e a parte privilegiada da orla está toda iluminada lindamente. A cidade do sol o ano inteiro está fazendo a alegria dos hoteleiros que estão com seus estabelecimentos lotados, com alta taxa de ocupação.

Juca e Malu despertam e os gatos estão atentos para qualquer movimento estranho na rua. Não consigo gostar de alguns gêneros musicais de agora, que a nova safra de músicos apresenta. As músicas não têm conteúdo e falam de futilidades; avalio que refletem muito a conjuntura social da atual sociedade brasileira e tudo isso que estamos vivendo.

Estou fazendo esta incursão e digressão pessoal de pensamentos, para não voltar no momento ao tema árido da política brasileira, cada dia mais pobre de debates construtivos e de credibilidade. Boa noite; vou tentar dormir.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

É o fim de tudo?

Por Olívia de Cássia

A vida tem sido generosa comigo, em comparação a outras pessoas que têm situações complicadas na vida, com problemas diversos e de difícil solução. Apesar do diagnóstico no começo do ano da Doença de Machado Joseph, venho perseverando para que meus dias sejam leves e de esperança.

Tenho procurado não pensar nas limitações que já se apresentam e naquelas que o problema pode me trazer. Preciso continuar acreditando que comigo poderá ser diferente do que aconteceu e acontece a muitos dos meus familiares e antepassados.

Apesar de tudo, procuro ser otimista, pois não custa nada. Mas no que diz respeito à atual conjuntura política do País, está difícil ser otimista diante de tanta injustiça, retrocesso, golpes; e da atual conjuntura imoral.

Este ano de 2016 - ainda bem está terminando-, trouxe muitas tragédias, mortes de pessoas queridas, outras pessoas importantes para a história, que lutam por um mundo melhor e mais justo, e isso tem me entristecido e desejado que o ano termine logo.

Diante de tudo, não vejo perspectivas alvissareiras no que diz respeito a nossa política e a nossos representantes e governantes. Estou desacreditada, cética e sem ânimo algum.

Eu já postei em uma rede social, que gostaria de ter saúde e força nas pernas para estar na rua protestando da mesma forma que fazia antigamente. Não consigo deixar de me indignar com tanta indecência, imoralidade, roubalheira, desonestidade e falta de caráter, daqueles que o povo escolheu para ser seus representantes.

Nos meus anos calejados de profissão, aprendi que em política não existem santos nem pureza de sentimentos: existem projetos e muita ânsia de realizá-los, muitas das vezes a qualquer preço.

Alguns seguem o caminho da retidão, São poucos, mas ainda existe. No entanto, a maioria envergonha quem tem ética e vergonha na cara. A direita brasileira, capitaneada pela grande mídia e seus coronéis, tiraram uma presidente eleita democraticamente pela maioria da população, para deixar no lugar um vice sem caráter, golpista e desonesto.

Dilma não aceitou o jogo deles e por isso foi posta pra fora da Presidência. Garanto que muitos enganados que foram às ruas com a camisa da CBF gritando contra a corrupção e pedindo a saída dela, hoje estão arrependidos e envergonhados.

O jogo na política é muito sujo e quem não tem envergadura se quebra. A mídia brasileira e a direita, há décadas tentam incriminar o ex-presidente Lula, desde o começo da sua liderança no ABC paulista.

São esses mesmos que agora estão no poder e que continuam tentando incriminar o ex-operário e a maior liderança que esse país já teve, doa a quem doer. Tentam envolvê-lo em tramoias sem comprovação e deixam parecer à população que ele é o líder da maior quadrilha de desordeiros.

Não sou ingênua, sei que foram feitos acordos para que Lula chegasse à Presidência do País e governasse por duas vezes, fazendo sua candidata se eleger e reeleger. E isso desagradou a corja, que agora está claro mais que nunca, armou para tirar Dilma pelo fato de ser mulher e de não ter aceito o que eles queriam.

Querem inviabilizar a possível candidatura de Luiz Inácio à Presidência em 2018. Estão desesperados, porque em todas as pesquisas ele aparece em primeiro lugar como o preferido da população mais pobre, como resultado das políticas públicas de seu governo, voltadas para a maioria carente.

Queiram ou não aceitar os opositores ao Partido dos Trabalhadores, foi nos governos Lula-Dilma que aconteceram os avanços no campo social, Foram consideráveis os programas de governo que foram implementados e que agora estão sendo extintos por um pacote de maldades aprovado pelo Congresso Nacional conivente, corrupto e sem moral.

Se houve irregularidades de alguns petistas, que paguem perante a Justiça, mas sem unilateralidade. Que todos sejam punidos e não apenas alguns escolhidos. Acabaram com os programas importantes e que beneficiaram mulheres, negros, estudantes e que levaram qualidade de vida para quem não tinha nenhuma, nunca antes implementados pelos governos que antecederam Lula.

O governo impopular, golpista e sem índole e seus seguidores no Congresso Nacional tiraram tudo de positivo que os governos do PT trouxeram para o povo brasileiro. Desta forma, nós que ainda tínhamos esperança e respeito pelas instituições brasileiras as vemos chegar ao limite do cretinismo e da imbecilidade.

Eu não acredito em uma sociedade que não seja liderada e governada pelas vias democráticas. O governo que está aí em seis meses destruiu o pouco que foi dado de positivo para os brasileiros. Será o fim de tudo?

• Olívia de Cássia é jornalista e está licenciada do batente por questões de saúde.


domingo, 4 de dezembro de 2016

Lamento de um rio...


Olívia de Cássia Cerqueira.


O Mundaú está morrendo
Socorram o Rio Mundaú.
Onde antes corria água
Agora é mato que se vê,
Tomando conta do seu leito.
Até árvore pequena está nascendo.
Dá vontade de chorar...
De ver o rio da minha infância
Clamando por socorro.
O rio Mundaú chora o descaso
Desmatamento, seca, poluição
Estão matando o rio federal.
Socorram o Rio Mundaú.
Replantem sua mata ciliar,
Arborizem suas margens,
Eduquem as crianças
Para amarem nosso rio
Não deixem morrer
nossas lembranças
Não deixem secar nosso rio.
Socorram o Mundaú....



Foto: Olívia de Cássia Cerqueira.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Até quando não sei


Por Olívia de Cássia

Os dias vão passando e vou seguindo tentando administrar situações difíceis: ora econômicas, outras de logística, de deslocamento, de rotina doméstica. E assim as horas vão passando, entre uma tragédia ou outra, que é noticiada.

Até quando vamos ver a impunidade vencendo, mesmo diante da grita do povo, com a aprovação dessa PEC do inferno ontem. Foi mais um tempero do golpe que se estabeleceu no país nos últimos meses.

Por outro lado, eu me recuso a ficar de cara o dia todo na televisão, vendo tanta desgraça explorada até o último bagaço, como dizia minha mãe. E quanto mais eles espremem, mais acham. Cenas chocantes e amarguradas que só o sensacionalismo sabe como fazer.

O Brasil vai afundando cada dia mais, entre uma corrupção e outra e me ponho a perguntar, se terá fim esse pesadelo, ou se ainda há maneiras de o país se reinventar e seguir os rumos da própria história.

Foram muitos os golpes nas terras tupiniquins, desde a implantação da República. Segundo Roberto Amaral, em artigo na revista eletrônica Carta Capital, nossa história é farta em exemplos de golpes de Estado, desde o Primeiro Reinado, mas nem todos podem ser classificados como ilegais, exatamente por terem sido operados dentro da ‘ordem’ e, portanto, sem violência e sem determinarem rupturas constitucionais.

Contam os historiadores que desde a sua origem, a elite brasileira sempre procurou controlar o essencial do poder regional e viver em situação subordinada com as elites estrangeiras, desconsiderando as necessidades essenciais da população pobre.

“No período da monarquia, eclodiram movimentos liberais, federalistas e separatistas (Balaiada; Cabanagem; Revolta Farroupilha, etc.). Esses movimentos foram traídos no seu nascedouro pelas elites regionais, temendo a adesão dos pobres e dos trabalhadores escravizados”.

Nossa história é muito rica em fatos que comprovam o quanto somos tão vulneráveis aos golpes. Na atual conjuntura, esse governo ilegítimo agoniza entre medidas atrasadas, retrógradas e retirando todos os direitos que foram conquistados pelos trabalhadores e movimentos sociais ao longo dos anos.

O mundo deu uma guinada e o Brasil, fazendo parte do mesmo contexto, voltou ao passado, em se tratando de garantias de direitos. Eles estão sendo tirados, menos dos bem aquinhoados.

E nessa aquarela de cores confusas e turvas vamos seguindo: ora ainda chocados, ora perplexos. Não posso ficar muda diante de tanta coisa que não concordo e que sempre lutei contra.

Podem me chamar de louca, mas o que seria do mundo desenvolvido se não fossem os loucos¿ Karl Marx disse que a função da imprensa é ser o cão-de-guarda, o denunciador incansável dos opressores.

Mas o que observamos no cotidiano é uma imprensa vendida, reacionária e do lado do opressor. “O dever da imprensa é tomar a palavra em favor dos oprimidos a sua volta. [...] O primeiro dever da imprensa é minar todas as bases do sistema político existente", disse ele.

sábado, 26 de novembro de 2016

Lamento


Por Olívia de Cássia

É com pesar que vejo a notícia da morte do comandante Fidel Castro nas primeiras horas da manhã deste sábado que já começa calorento nas redes sociais. Mas com bem disse o colega Carlos Madeiro em seu Facebook, pode se dizer tudo de Fidel, mas há que se considerar que em Cuba a educação e a saúde funcionam.

Para aqueles que o criticam sem nem ter conhecimento do que aconteceu quando da Revolução Cubana, eu recomendo leitura. A Revolução Cubana foi um movimento popular, que derrubou o governo do presidente Fulgêncio Batista, em janeiro de 1959. Um ano antes do meu nascimento.

Com o processo revolucionário foi implantado em Cuba o sistema socialista, com o governo sendo liderado por Fidel Castro. Recomendo mais informações no site http://www.suapesquisa.com/historia/revolucao_cubana.htm, entre outros.

Não estou aqui defendendo ditaduras e não sou a favor de uma revolução pelas armas, embora em algum momento da vida já cheguei a pensar assim. Sou pela democracia, revolução pela educação e políticas públicas, principalmente para os menos favorecidos.

Defendo a democracia, mesmo que torta, mas a gente tem que reconhecer as políticas públicas implantadas na ilha. O que pontuo aqui como lamentável são as agressões que se coloca nas redes sociais desde já.

O pior são os comentários que já colocaram em meu zap e em minha linha do tempo, por eu ter lamentado a morte do comandante. Desde a primeira eleição de Lula, agravando-se com a eleição e reeleição da presidente Dilma, tenho recebido algumas agressões por expor minha visão de mundo.

Quando defendi a presidente Dilma, alguns defensores dos paneleiros e os próprios me agrediram verbalmente e fui obrigada a bloquear no meu Facebook. Só para se ter uma ideia, do que me foi respondido por conta de uma postagem minha hoje, além das críticas a Cuba, que eu respeito, vejam só:

“É hora de celebrar a honra dos heróis que lutaram contra o socialismo no mundo. Hoje mais um capítulo desta história vai se pagando. Será que ainda convence esse discurso jornalístico de esquerda? Que papo antigo, chato: “Discurso de jornalista esquerdopata”.

Diante do exposto, eu pergunto: o que fazer diante de um discurso desses a não ser recomendar leitura? Outra eleitora do Bolsonito, então, nem se fala. Em oposição ao pensamento que respeito mas que considero atrasado, retrógrado e inapropriado, transcrevo aqui uma fala da internauta, Ana Mateus.

"O homem poderá desaparecer fisicamente, mas a sua obra e significado, viverão para sempre nos corações de quem luta por uma sociedade mais humana, mais justa e sem exploração do homem, pelo homem”.

E ainda: “O legado de um homem não se destrói com políticas pontuais de retrocesso, pois não serão estas a deter o curso da História, pelo contrário, só lhe darão força para a mesma continuar e nunca retroceder”. E assino embaixo. VIVA CUBA! VIVA FIDEL!". Bom dia.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Por um Brasil melhor

Por Olívia de Cássia

De volta ao nosso bate-papo, meu Diário, cá estou eu tentando seguir minha nova rotina de fisioterapia e pequenas caminhadas, na tentativa de retardar os efeitos da DMJ. Passei alguns dias de enfado, dores, cansaço, mas nem assim sossego, enquanto não escrevo e ponho para fora algumas inquietações que vêm do fundo da alma.

Fora do mercado de trabalho e licenciada, por motivos de saúde, acompanho de longe o movimento da categoria; a política brasileira e a conjuntura atual, que não é das melhores. Dá fadiga e revolta a gente acompanhar o noticiário, principalmente o televisivo.

Todos concordam que uma reforma política no Brasil é necessária, para que a sociedade civil tenha cada vez mais espaço nas decisões tomadas pelos nossos poderes. Isso já foi dito amplamente por especialistas e comentaristas políticos confiáveis.

No entanto, do jeito que a carruagem está andando, estamos indo para o fundo do poço. Não sei, sinceramente, se ainda dá para ter alguma esperança. Tem horas que ela foge de mim. O Brasil está vivenciando uma crise muito pior do que estava e só não enxerga isso quem não quer ver ou admitir o caos que se instalou no País depois que os golpistas tomaram conta do Palácio do Planalto.

Ficou bem evidente que os que foram às ruas pedir a saída da presidente, eleita legitimamente pela maioria dos brasileiros, não estavam preocupados com a corrupção, apenas queriam marginalizar e execrar apenas um partido e suas lideranças.

E não estou aqui isentando quem quer que tenha cometido irregularidade, seja de que lado for, como já escrevi várias vezes. Queriam tirar os direitos das empregadas domésticas, dos negros, pobres, mulheres e dos trabalhadores. Com a saída da presidente Dilma ficou mais do que escancarado o que queriam os golpistas.

Aliás, foram obrigados a noticiar ontem que no governo da presidente o país estava bem melhor. O ilegítimo e seus seguidores tomaram o poder de assalto e implantaram um retrocesso político, mental, cultural e social no país.

Mesmo assim, as panelas, que em 2013-2014 retumbavam nos apartamentos de luxo dos bairros nobres brasileiros silenciaram. Rogerio Dultra, em Análise de Conjuntura, Democracia e Conjuntura, Política, exclusivo para o site O Cafezinho, diz que o regime Temer faz água em velocidade assustadora.

“Envolto em denúncias de corrupção, em uma crise econômica aguçada por sua incompetência e pela ganância desenfreada das forças internacionais do capital que desejam saquear o país o mais rapidamente possível”, disse ele.

Segundo Rogerio Dultra, estamos assistindo o mais abrangente processo de criminalização da política no Brasil. “Desde 2013, o discurso de combate à corrupção – arma histórica da direita udenista – tem encontrado respaldo e materialidade no aparato judicial e repressivo do Estado”, avalia.

Para ele, o golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência trazendo à baila o embate da classe política tradicional com a burocracia policial/judicial tem produzido a erosão da lógica da legalidade como orientação do funcionamento das relações sociais.

Diante dos fatos, percebe-se que o Brasil está vivendo um estado de exceção. “As regras do jogo democrático estão sendo substituídas à luz do sol pelo podere arbítrio de um aparato institucional que deseja funcionar à imagem e semelhança da “Operação Lava-Jato”, isto é, sem controle”, avalia.

A Constituição de 1988 foi rasgada e cuspida, a chamada Constituição Cidadã do dr. Ulisses Guimarães. O estado democrático de direito foi ameaçado e está sendo destroçado a cada dia; a instabilidade do golpe cavalga para direções imprevisíveis e não podemos nos calar diante de tais fatos absurdos.

A população precisa voltar às ruas com mais frequência; parabéns à rapaziada da ocupação. Continuarei a perseguir uma sociedade mais justa, um mundo melhor para todos; defender as políticas públicas, principalmente para os menos favorecidos, mais investimentos em educação e na melhoria pela qualidade de vida do cidadão. Boa noite.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Consciência e ocupação

Por Olívia de Cássia

No próximo domingo acontecem as celebrações do Dia da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares e a todos os guerreiros e guerreiras que lutaram contra a escravidão no Brasil. Este ano, na data prevista, não estarei fisicamente no local, mas com certeza ficarei com o pensamento e coração voltados para as celebrações.

Desde a década de 1980, quando se iniciaram em União dos Palmares e na Serra da Barriga, as comemorações para homenagear Zumbi e o povo negro, branco e índio que se refugiou no quilombo, tenho participado e comparecido de alguma forma.

Por questões de limitações do corpo, por causa da Doença de Machado Joseph, estarei ausente fisicamente, sem esquecer o que representa e simboliza para nós que lutamos por uma sociedade mais justa e igualitária.

Embora avalie que todos os dias seja de a gente se policiar contra a intransigência e o preconceito manifestado seja de que modo for. Nunca devemos parar de lutar pelos nossos ideais e tenho esse compromisso: um pensamento que vai comigo até o fim dos meus dias.

Fiz uma visita ao local no domingo, 13; um passeio rápido para matar a saudade. Parece que me refaço cada vez que vou à Serra da Barriga. Num clima muito quente e de ausência de chuvas no local, constatei na ocasião que em cima da hora estão fazendo os reparos necessários.

Para quem não sabe ou esqueceu o que aprendeu na escola sobre o que representa Zumbi dos Palmares para a história do Brasil e do mundo, vale leitura, em tempos de retrocesso histórico, político, social e cultural, uma questão de ordem se faz necessária. Deveríamos deixar a ignorância intelectual de lado e procurar estudar o assunto, ser mais gentil com as pessoas que pensam diferente de nós.

Zumbi entrou para a história como o último líder do maior foco de resistência negra à escravidão no Brasil, no século XVII. O Quilombo dos Palmares, ao longo de 80 anos de resistência, foi o mais importante dos locais de resistência criados pelos africanos escravizados.

Contam os historiadores, que a prosperidade e a capacidade de organização do quilombo representaram uma séria ameaça para a ordem escravocrata vigente. Vários governos que controlaram a região organizaram expedições que tinham por objetivo estabelecer a destruição dele.

Os quilombos representam a luta daqueles que fugiram do cativeiro e da intolerância dos poderosos. O tema está tão atual que podemos fazer analogias ao que está acontecendo na sociedade brasileira e no mundo.

Nossos estudantes, que estão ocupando as escolas, estão dando exemplo aos marmanjos; raposas velhas na política brasileira, e me fazem ainda ter esperança: verdadeira lição de cidadania com as ocupações nas escolas, contra a PEC da Morte, que limita os gastos públicos por um período de 20 anos e a MP 746 (Medida Provisória), que reforma o Ensino Médio. Vale uma reflexão.





sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Estou de volta

Por Olívia de Cássia

Há mais de 15 dias sem escrever no blog, tive a sensação de que algo me faltava. Para quem tem o vício e o gosto pela escrita, é um sufoco danado: dá impaciência e angústia. Problema técnico resolvido, eis-me aqui com alguns questionamentos, alegria na família pelo nascimento de mais um membro e algumas inquietações pessoais que me afloram vez ou outra.

A notícia que está em pauta nos grandes meios de comunicação e nas redes sociais é a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tema que já viralizou na net. E sem querer me aprofundar nesse assunto já bem comentado, gostaria de tecer algumas considerações aqui.

O mundo neste ano de 2016 retrocedeu, ficou careta, conservador, homofóbico, racista, preconceituoso e outros adjetivos mais. Depois de três séculos da epopeia de Zumbi, que deu o primeiro grito de liberdade do Brasil, a gente fica se perguntando o que aconteceu com a sociedade?

Este mês de novembro é simbólico para todos aqueles que têm ideais de liberdade. Quando se reverencia Zumbi e comemora-se o mês da consciência negra no Brasil. Palmares era um quilombo pertencente ao estado de Pernambuco no século XVII.

Para lá iam milhares de negros, índios fugidos da escravidão dos engenhos e fazendas. O quilombo de Palmares, comunidade de quilombolas localizada na Serra da Barriga, em União dos Palmares, com uma área de 27 mil quilômetros quadrados; uma área equivalente a do atual estado de Alagoas.

Lá, Zumbi construiu uma fortificação onde viveram cerca de 20 mil pessoas, entre elas: brancos, negros e índios fugidos do cativeiro e em busca da tão sonhada liberdade. Tornou-se o símbolo maior dos que lutam por justiça social.

Depois de tanto tampo, os ideais de liberdade e igualdade propagados por nosso herói maior, foram subjugados nesse tempo de tecnologia de ponta. E como diria Cazuza, ‘eu vejo um futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades’.

A onda de revolta que acometeu aqueles que foram às ruas exigir a saída da presidente eleita pela maioria da população, sob acusação de corrupção, parou. Os paneleiros já não vão para as janelas de seus apartamentos de luxo gritar Fora Dilma.

A reclamação era contra a corrupção dos outros e não contra as suas próprias. Calaram-se diante do pacote de maldades do governo vampiro ilegítimo, contra trabalhadores, a educação, a saúde e os menos favorecidos.

São essas mesmas pessoas que vão no sábado ou domingo à missa rezar pedindo paz, a sua paz, falando em bondades em nome de Deus e esquecem que o Deus está dentro de cada ser humano. Basta olhar do lado e perceber suas necessidades.

Gente que olha apenas para os seus umbigos. Falam em corrupção, mas subornam o guarda, misturam água à gasolina, fazem gato na energia e negam um pedido de ajuda de quem precisa.

Que mundo é esse, onde a gentileza, a humildade e a honestidade passaram a ser objetos raros de consumo e quem as tem é posto à margem de seu grupo; muitas vezes da própria família!?

Onde não se respeita o pensar diferente e muitas vezes não é por falta de educação, é por ignorância intelectual mesmo. Li uma postagem na internet do meu celular, por esses dias, que não adianta o indivíduo ter diploma de ‘doutor’, se trata mal o ascensorista do elevador, o porteiro do prédio, o padeiro da esquina ou alguém que trabalha para si.

Antes de se ter um diploma, seja ele de que nível for, é necessário que se tenha a humildade de perceber que as chances que lhes foram dadas foram amplas e o melhor a se fazer é agradecer ao criador ou seja lá a quem for, pela oportunidade. Para refletir nesta sexta-feira, que marca a minha volta ao mundo dos blogs.

sábado, 22 de outubro de 2016

O choro não vem

Por Olívia de Cássia

Quero chorar, mas as lágrimas que antes jorravam com facilidade, já não me chegam assim. Tem horas que me sinto feito um zumbi, andando cambaleando, entre um desequilíbrio, uma queda e a falta de firmeza nas pernas.

Entre contradições; dores, perdas e experiências a gente vai seguindo em frente, tentando ser forte e acreditando que ainda posso ser eu. Antes, me bastava 'uma cara feia' e já estava eu a chorarando, não precisava de muito esforço.

A vida endureceu um pouco meu coração que já foi por demais magoado: muita experiência adquiri. A ataxia tira a sensibilidade da gente e nos torna mais céticos diante de fatos. Não quero me tornar uma pessoa fria que não se emocione com uma bela paisagem, uma bonita história de amor ou uma amizade sincera.

Não devemos fazer julgamentos e nem juízo de valor a respeito de quem quer que seja, muitas vezes sejamos tentados a isso. Quando me deparo com alguém muito rígido, frio e que aparenta não ter sensibilidade, me ponho a analisar com meus botões, o que tornou aquela pessoa tão insensível.

Não sou psicóloga, mas as experiências adquiridas que chegam com a maturidade, vai nos guiando e levando a entender algumas nuances que se apresentam no cotidiano. Amanheci pensativa com minhas dores físicas.

Quando me percebo ansiosa e inquieta, o jeito é colocar pra fora todo esse turbilhão de sentimentos que afloram, porque não adianta sair por aí falando pois nem mundo tem capacidade de mensurar esses sentimentos meus ou é obrigado a ficar ouvindo isso.

Não abro mão da simplicidade, da humildade, sem querer ser coitadinha ou inspirar dó seja lá de quem for. Dizem que algumas coisas simplesmente são, e não se pode querer mudá-las ou mesmo compreendê-las.

É assim que têm sido meus dias; não adianta me revoltar com a minha 'sorte', 'herança maldita', ou seja lá que nome eu vou dar às minhas limitações e impedimentos que chegaram com a falta de saúde. Não é fácil, mas não vou cair na cilada de ficar pensando o que está por vir; se é pior ou não do que o agora.

Gosto de estar com pessoas que me fazem bem. Pessoas positivas que me trazem um alento. Gente que gosta de cultura e de coisas boas. Infelizmente eu não posso dispor a toda hora da companhia de amigos assim e então corro para o teclado para descarregar todo esse sentimento que nem todos entendem.

Hoje em dia não é fácil falar de sentimentos; de ética e de boa conduta: parece que as pessoas foram contaminadas pela usura, materialidade e desamor. Tem horas que queria um colo para deitar e chamar de meu. Receber uns afagos e cafunés, como aqueles que a gente recebe da avó ou de pessoas queridas.

Mais um fim de semana chega, sem que eu tenha perspetivas de divertimento, de alívio das tensões e tenho que me contentar, ou pelo menos tentar, a aceitar o que vai chegando e o que me resta: ver a luz do dia; poder levantar, articular as palavras e ainda ter lucidez. Bom dia.

domingo, 16 de outubro de 2016

Eu vivi os anos 1980

Por Olívia de Cássia

No ano de 1980, quando perdi meu primeiro vestibular para Medicina, que era sonho da minha mãe, fiz a última viagem das muitas que costumava fazer quase todos os anos ao Rio de Janeiro, para onde mamãe me encaminhava, à casa dos meus tios, para me afastar das minhas amizades de União dos Palmares, que era uma preocupação dela.

Dessa vez fui ver se aventurava emprego em terras cariocas; já com 20 anos, apenas com curso de datilografia e o científico terminado, tinha meus sonhos de liberdade e independência bem aprofundados e queria deixar de depender dos meus pais.

Fiquei 'morando' no Rio de Janeiro quatro rápidos meses, passando temporadas na casa de um parente ou outro. Não tinha incursões por grandes aventuras por lá. Saídas só com os primos e primas, para programas com as crianças, que eu gostava muito.

Os passeios à Quinta da Boa Vista, Pão de Açúcar, à casa de familiares e à praia. Era o tempo da novela Água Viva. A violência já dava seus sinais naquela época, mas infinitamente menores do que hoje em dia. Nesse tempo, eu já começava a ir à quitanda, padaria e supermercados sozinha na Penha, onde minha tia Noêmia morava.

Ir à à Barra da Tijuca de ônibus, visitar duas amigas e voltar, ou para Realengo, à casa do meu tio José, até que recebi uma ligação de mamãe, informando que era para eu voltar às Alagoas, imediatamente: mamãe era quem determinava tudo em nossas vidas.

Minha prima Fátima Paes, com apenas 26 anos, estava nas últimas: metástase. Eu precisava passar meus últimos dias com ela. Éramos muito apegadas; foi muito sofrimento viver tudo aquilo. Avalio que o ceticismo de hoje se dá por conta de tanta perda.

Minha família, principalmente da parte do meu tio Antônio de Siqueira Paes, viveu muitas tragédias que dariam romances volumosos. Mas não vou fazer aqui incursões por elas, porque não é o foco do texto.

Foi na década de 80, que alcancei a universidade, depois de muita luta e muitas barreiras impeditivas. Fazer vestibular para jornalismo, numa época em que em União minhas amigas e amigos foram fazer medicina, engenharia, direito e outros cursos mais elitizados, causou revolta em dona Antônia, que sempre se via contestada por mim em sua forma de pensar.

As recomendações dela eram sempre as mesmas: 'cuidado com quem anda, cuidado com os comunistas'. E foi com quem primeiro me afinei no primeiro dia da faculdade, construindo amizades, tendo solidariedade deles. E Eu sempre transgredindo as determinações do sistema', que para mim, naquela época se chamava dona Antônia, com sua mão de ferro.

Hoje avalio que para minha mãe, conviver com uma filha rebelde naquele tempo não era fácil de entender. Ao contrário do que se pensa, tive muitos ensinamentos da minha mãe e deles não abro mão, apesar das nossas divergências de pensamentos.

Foi nesse tempo saudoso de faculdade que aprofundei minhas leituras e adquiri mais conhecimento e fui perdendo um pouco aquela ingenuidade; conhecendo mais da vida e do caráter das pessoas.

Em oposição a isso, me enredei na trama do sentimentalismo, que me embotou o pensamento por muito tempo e deixei de viver situações melhores e mais produtivas. Mas tudo isso faz parte da minha história de vida e não posso renegar.

Por conta desse atraso sentimental, quase deixava de lado minhas teorias e todo o aprendizado adquirido até então, me deixando levar pela tal submissão aos sentimentos. Demorou, mas a voz da razão falou mais alto e me livrou dos maus presságios, finalmente.

O especialista Gilberto Maragoni lembra que a volta da democracia (em 1985) possibilitou uma reorganização do movimento social, num patamar inédito até então. Ele destaca que nos países da América Latina esse período ficou conhecido como “a década perdida”, no âmbito da economia.

"No Brasil, a desaceleração representou uma queda vertiginosa nas médias históricas de crescimento dos cinquenta anos anteriores; mas sob o ponto de vista político, aquela foi literalmente uma década ganha", destaca.

Todas essas lembranças dos anos 80 me vieram hoje, depois de ser testemunha partícipe de tantas lutas e assistir o país sofrer um retrocesso e atraso que não estava na imaginação do mais pífio pensador. Bom dia.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Desorganização e caos

Por Olívia de Cássia

Talvez eu não tenha mais tempo para ver o que vai acontecer no Brasil daqui a 20 anos, quando estiver pago a cota do pacote de maldades do governo ilegítimo aprovado pela Câmara Federal. Mas o que o país está vivenciando, essa onda de atraso e retrocesso social, só vai ser percebida pelos mais jovens talvez quando nada tiver mais jeito.

Sou uma pessoa cronicamente desorganizada. Minha vida não tem sido fácil, como a de muitos brasileiros, mas bem mais estável em alguns aspectos do que a maioria que vai perder todos os benefícios adquiridos ao longo dos 12 anos dos governos Lula e Dilma.

Dependo do Sistema Único de Saúde-SUS que bom ou ruim é o que me tem valido nas horas de precisão, pois não tenho aporte financeiro para pagar planos exorbitantes de saúde. O desmonte na educação e na saúde está me deixando agoniada.

As políticas públicas que eram o carro-chefe do governo do PT estão sendo todas destruídas pela insanidade e incompetência de quem está no poder. Desorganização e caos é o que se apresentam por aqui, cotidianamente, e só poderemos ter dias melhores se o povo tiver consciência e voltar às ruas para protestar por todo esse desmonte.

No que se refere ao desmonte da minha vida pessoal, não posso atribuir culpas pelo meu mal desempenho na vida ou ao que aparece para eu resolver. Sou um desastre. Não fui treinada para as coisas práticas ou não me interessei para aprender e isso tudo agora me afeta de forma muito grave.

Vazamentos, entupimentos, reposição de peças; esses problemas que aparecem em casa, de ordem doméstica, me deixam em pânico, apavorada e eu fico sem saber o que fazer, mas sei que eles aparecem para me mostrar o quanto frágil eu sou nas tarefas do lar e na vida. Não vim ao mundo para administrar.

Ter problema neurodegenerativo não é fácil; tudo se complica a cada dia, as limitações do corpo vão falando alto, gritando, pedindo socorro, silenciosamente, e vamos dependendo mais dos outros para tudo, coisa que eu nunca esperei.

E vou ler para entender isso. Segundo a teoria do caos, uma pequena mudança ocorrida no início de qualquer situação, pode ter consequências desconhecidas no futuro. Talvez seja essa a explicação e entendo que nem tudo nesse rolo compressor deixa de ser positivo.

Diante desses imprevistos vou aproveitando para crescer, ou a vida oferece substância para isso. Que meus dias de ocaso sejam mais leves, para que eu ainda possa viver um pouco mais com suavidade e aproveitar o que me resta. Ainda tenho esperança, apesar de tudo. Bom dia e fiquem com Deus.