domingo, 28 de agosto de 2016

Para refletir neste domingo


Por Olívia de Cássia


Um domingo de alegria e muita paz para todos nós, apesar dos pesares. Mas não devemos transformar nossas expectativas em dramas, culpa ou angústia. Penso neste momento que nos dias de tristeza, a gente aprende a pensar em positividade. No meu caso tem sido assim.
Tenho pensado em lugares que só fui em pensamentos ou nas viagens das leituras que faço, nos bons momentos vividos, nos amigos que conquistei ao longo dessa minha passagem aqui na terra e na esperança de tempos melhores.

Se não for assim, a gente não suporta a carga que pesa em nossos ombros. Para algumas pessoas essa prática pode parecer doidice, alienação e uma fuga. Mas pensar positivo não é alienação e não quer dizer que a gente está alheio ao que se passa em nossa volta ou em nosso país.

Às vezes tenho ido de encontro a situações vexatórias que não quero aqui expor das nossas lideranças, mas me furto a fazer críticas a quem de direito, embora saiba que essas avaliações minhas talvez não sejam levadas em conta, por certos políticos arrogantes do nosso ciclo, que se acham os 'donos da verdade'.

E é por essa 'peitica' que chegamos a essa situação de crise absoluta. Mas quem sou eu para tecer avaliações conjunturais diante de 'dinossauros' da política, enclausurados nas suas verdades 'absolutas, , esperando a hora de dar o bote.

Já passei por algumas situações de quase desemprego por conta de expor meu modo de pensar. E não tem nada pior para um profissional do que se ver diante de um possível desemprego ou desempregado, por pensar diferente . Felizmente encontrei na vida pessoas solidárias.

Hoje, já afastada do trabalho, por motivo de saúde, me ponho a pensar em tudo aquilo, sem guardar mágoas ou sentimentos rancorosos dentro de mim. Os momentos de intempéries fazem parte da vida de todo mundo e posso dizer que, apesar das dificuldades, venci o medo de ter medo de tudo.
Há muito tempo, em priscas eras, eu era mais radical na minha forma de pensar. Mas hoje avalio que algumas coisas que eu entendia como a serem seguidas, continua valendo, mesmo me pondo mais flexível diante do caos.

Miguel Lucas, em artigo 'Insista no pensamento positivo', disse que a nossa motivação para fazer o melhor vem do pensamento. "Cada ação que temos é precedida por um pensamento que inspira essa ação. Mas, quando deixamos de pensar (devidamente), perdemos a motivação para agir", escreveu.

Segundo Lucas, grande parte de nós passa o nosso tempo de vigília em automático, como se estivéssemos a sonhar, onde esse sonho se desenrola sem a nossa consciência debitar o quer que seja.

"Fazemos mais um dia as mesmas coisas da mesma forma, com o mesmo ritmo, criticamos os outros e a nós mesmos com as mesmas frases, como se tivéssemos decorado o guião de um peça de teatro e a fossemos recitando, dia após dia", avalia.
Para refletir neste domingo. Desejo a todos muita alegria e positividade. Bom dia.

domingo, 21 de agosto de 2016

Ontem sonhei

Olívia de Cássia Cerqueira Ontem sonhei com meu primeiro amor. que há muito já se foi para outro plano. O amor lindo, que quase foi para sempre. Mas não foi um sonho bom... Então perguntei para Deus, Qual o motivo de nem em sonhos pudemos Ficar juntos, para desfrutar A companhia um do outro. Acalentando os nossos sonhos, De paz, de amor, fazendo poesias, Ouvindo nossas músicas e nos amando até a eternidade. Ontem sonhei...

sábado, 20 de agosto de 2016

Quem somos e para onde vamos?

Por Olívia de Cássia

Dizem que as lembranças da infância nos ajudam a descobrir quem de fato somos e são essenciais para desvendar nosso verdadeiro eu:  para cultivar relações mais saudáveis, de acordo com o psicólogo americano Kevin Leman, autor do livro O Que as Lembranças de Infância Revelam Sobre Você (Ed. Mundo Cristão).

Essas memórias, segundo o autor "permitem enxergar por trás de todas as fachadas e defesas, chegando ao fundo daquilo que a pessoa realmente é e não quem ela está tentando ser", avalia o autor, especialista em assuntos relacionados à educação e à família.

As crianças costumam ter sonhos com heróis, acreditar em contos de fadas e viver em fantasia, mas que eu me lembre, com minhas amigas da infância isso não acontecia e elas já tinham conhecimento logo cedo de como nascem as criancinhas e não acreditavam em Papai Noel, da mesma forma foi comigo.

Com essas amigas comecei a aprender, muito precocemente para a época, algumas situações do mundo adulto. Da mesma forma que nasci na Rua da Ponte e vivi ali até os nove anos de idade, as meninas da comunidade já eram bem sabidas e nas nossas conversas elas passavam os conhecimentos adquiridos, as curiosidades e as descobertas.

Tenho na memória alguns episódios nem tão positivos hoje em dia como minhas disfunções fisiológicas e encontrava os banheiros  da escola sempre fechados a chave, situação que me dificultava conter as vontades e fazer ali mesmo o que se faz no banheiro. Eu sou muito atrapalhada desde a infância.

Apanhei muito das meninas na escola e só me defendia em último caso. Não nego que algumas vezes perdi o controle, briguei com uma colega, minha vizinha, no Rocha Cavalcante, na saída da escola, não sei por qual motivo, que me rendeu ficar com a garganta inflamada vários dias, por conta dos apertos que levei e uma pessoa sem falar comigo, até hoje.

Outra situação foi a briga com minha amiguinha de infância Gracinha Melo, que ainda hoje me envergonho disso e quando nos encontramos que lembro, damos boas risadas.  Situações constrangedoras que ainda hoje me fazem relembrar com arrependimento.

Levava muito puxão nos cabelos compridos e uma vez quebrei uma régua da professora da infância porque ela me acertou na cabeça, fato que me rendeu o castigo em frente ao quadro da escola e a algazarra dos colegas.

Mas na escola da infância também vivi belos momentos de participação nos grêmios infantis, nas passeadas de desfile cívico, participar de jograis no Monsenhor Clóvis em datas comemorativas e cantar em inglês sem saber dessa língua.

Outra peraltice que fiz, ainda na Rua da Ponte foi quando minha mãe foi ao comércio e me deixou trancada a chave dentro de casa: ainda hoje tenho fobia disso. Quando vou ao banheiro em casa fico de portas abertas e tenho pavor se me deixam trancada em qualquer lugar.

Lembro que dessa vez eu aprontei o maior escândalo com meus gritos e rasguei toda a minha roupa, o que me rendeu uma bela surra quando mamãe chegou em casa e me viu malcriada, com a roupa rasgada. Se fosse hoje em dia, a situação tinha sido complicada.

Antigamente, muitas mães deixavam os filhos presos, se por acaso trabalhassem ou para ir resolver alguma coisa na rua. Tempos de poucos entendimentos. Eu apanhava muito por conta dos meus banhos es condidos no Rio Mundaú.

Já naquele tempo não tinha muita saúde e quando ia ver os desfiles com minha mãe ou ia com ela na rua, voltava sempre nos braços, por conta de dores agudas nas pernas, que os médicos da época nunca descobriam o que era.

Também tive todas aquelas doenças da infância, até febre tifoide, menos rubéola. Aquela febre rendeu a tristeza dos meus avós, principalmente do meu avô Manoel Correia Paes, seu Né Tibúrcio, que achava que eu ia morrer daquela doença. Sempre fomos muito ligados.

Aliás, sempre fui ligada aos entes queridos masculinos mais velhos da família. Meu avô, meu tio Antônio Paes de Siqueira e meu pai, de quem eu tenho os exemplos mais bonitos e também aqueles não tão criativos.

A adolescência foi um dos períodos mais complicados e difícil de viver, para uma menina daquela época, com a cabecinha a anos luz de distância da ignorância e do atraso que a sociedade vivia naquela época, um pouco diferente dos dias de hoje, quando as moças levam os morados para dormirem em casa e vice versa.

Meu quarto tinha quatro portas: duas na frente e duas de lado e uma vez o amigo Everaldo Mala Veia, de saudosa memória, ousou entrar e sentar no baú da minha avó para conversar comigo.
Quando ele saiu levei uma surra da minha mãe por ter ousado levar um menino para a minha casa, principalmente por tê-lo deixado entrar no quarto, mesmo minha mãe estando do lado, ouvindo nossa conversa.

Ela não entendia o motivo de eu ler tanto, fazer palavras cruzadas e já naquela época revelar tanta foto e comparar tanto livro. Por conta de eu não gostar de fazer as tarefas domésticas que me eram destinadas, coisa que nunca pareciei, ela reclamava o tempo todo.

Mas hoje amanheci com saudade de tudo. Saudade da infância, da juventude, dos amores inocentes e platônicos, do primeiro amor e de tudo de bom que vivi, tempos já tão distantes. E apesar de tudo, chego à conclusão de que as lembranças da infância realmente, como dizem os estudiosos, nos fazem saber quem somos. No meu caso eu sou não sei para que vim, mas com certeza com alguma missão. Bom dia.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Peço a Deus misericórdia

Por Olívia de Cássia

Peço a Deus todos os dias para me livrar de situações vexatórias, ou que me deixem acabrunhada e sem noção de meus atos. Da mesma forma que sou um pouco atrapalhada e já passei por muitos perrengues na vida, depois que tive certeza da Doença de Machado Joseph tomei outro rumo, outra direção.

A gente reaprende a agir de outra forma, de uma maneira mais suave, tentando ser sempre positiva e enfrentando com dignidade tudo o que vai aparecendo: as limitações, os impedimentos, com esperança e perseverando, sem hipocrisia e sendo realista.

Sempre fui muito festeira e venho pensando de uns dias para cá como irei para os shows das festas do Maceió Verão, em comemoração ao aniversário da capital alagoana, como venho fazendo nos últimos anos, com a juventude da Vieira Perdigão (O Beco), nossa rua querida.

Não venham querer me impedir de sonhar e de querer o melhor: eu só quero ser feliz, aproveitar o que ainda me resta, ter bons momentos, passear e ser feliz da maneira que me for permitido.
Também não deixei de sonhar com dias melhores para o nosso país, apesar das dificuldades que estamos vivendo.

Está difícil acreditar nas lideranças políticas. Mais do que nunca temos que ser bem seletivos; procurar o menos ruim ou o que tem o comprometimento com o social, com o coletivo.
Não adianta a gente querer ficar procurando chifre na cabeça de cavalo.

A vida vai nos ensinando, com as experiências, quem foi que teve mais disposição de luta, quem teve projetos mais ousados para os menos favorecidos e quem se perdeu no caminho da ambição e da roubalheira.

Desde menina aprendi com meu pai a ir a comícios, gostar de  política e de toda a discussão que se apresenta. Hoje nem sei se vale mais a pena e se meu pai fosse vivo e lúcido se ainda se entusiasmaria com tanta irregularidade e corrupção.

Mas não falo aqui de uma corrução seletiva, temos que olhar para todos os lados. As guerras no mundo são deflagradas por conta da insensatez dos homens, da ganância e da ânsia pelo poder, não é de hoje.

Se formos rever a história vamos observar quantos golpes foram dados, não só no nosso Brasil, mas em toda a América Latina. Um ex-ministro do Paraguai disse que é de muita importância para qualquer um que se interesse pela política latino-americana, estar sempre atento.

 Isso porque, segundo ele, tem que observar  os acontecimentos  e ver o que eles significam. Temos que ter uma postura crítica diante das situações, procurar o que se apresenta como favorável não apenas para nós, mas para a coletividade.

Mas essa é a minha maneira de pensar e ver o mundo. Apesar da dureza da vida, quero continuar a trilhar por esse caminho. Peço a Deus misericórdia. Boa noite.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Em tempos de Jogos Olímpicos

Por Olívia de Cássia

Em dias de Olimpíadas, em que a mídia procura de tudo para vender como notícia os atletas se tornarem heróis na telinha, a gente vai vivendo dias difíceis, com esse governo interino e golpista, que passou por cima de 54 milhões de votos dados à presidente Dilma, sem ter nenhuma prova confirmada de que ela tenha cometido irregularidade.

Enquanto isso, no Palácio do Planalto se instalou uma gangue de corruptos, comprometidos até a medula com a corrupção e com a operação Lava Jato. Mas as autoridades que estão cuidando do caso, só enxergam irregularidades nos políticos do Partido dos  Trabalhadores.

Não estou aqui querendo "tapar o sol com a peneira", mas que as punições fossem estendidas para todos os citados e investigados, que foram pegos com a  mão na massa da corrupção e das irregularidades.

As eleições de outubro estão às portas e certamente muitos desses citados vão participar de alguma forma: seja influenciando, financiando ou se candidatando também. Só os tolos acreditam que o Fora Dilma foi para combater a corrupção.

Está mais do que claro que a direita não aceitaria que ficasse mais tempo no poder um governo que teve programas fundamentais voltados para os menos favorecidos. Programas que facilitaram a entrada de jovens pobres e negros à universidade e a chegarem às Olimpíadas deste ano.

O governo Lula (2003-2010) foi marcado por melhorias sociais em todos os setores. Em oito anos de governo, avanços nos setores de economia e inclusão social.

 Índices históricos de crescimento econômico e redução da pobreza garantiram ao ex-metalúrgico 83% de aprovação popular – o maior patamar entre presidentes desde o fim da ditadura – e a eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff, uma estreante nas urnas.

Com a alavancada de Lula nas pesquisas como provável presidente às eleições de 2018, isso deixou coronéis, empresários conservadores da política brasileira apavorados e inconformados com os avanços e melhorias para as camadas menos favorecidas, pois não poderiam mais trocar favores por votos e nem ter pobres no cabresto, feito burro de canga.

Tenho assistido todos os dias a novela global Velho Chico, gravada em terras alagoanas e com participação do ator alagoano Chico de Assis e que tem um enredo instigante: ainda é o retrato da realidade não só do Nordeste, onde os coronéis mandaram e desmandaram nas terras tupiniquins e hoje não se conformam com as mudanças.

A novela, apesar da licença poética, sem máscaras e com uma atuação brilhante de atores veteranos e novatos, mostra os subterfúgios e tramoias utilizados no mundo político brasileiro. É um enredo que instiga a gente a refletir sobre a atual conjuntura.

O que fazem os poderosos quando se sentem ameaçados pela fiscalização de um vereador, que não está fazendo nada mais do que cumprir o seu papel de parlamentar e o inconformismo de a filha ter se apaixonado pelo seu desafeto, levando-o a atitudes de violência cometida por seus capangas.

No Brasil dos dias de hoje, em tempos de Olimpíadas, onde o mundo está voltado para o Brasil, a atleta nadadora Joana Maranhão foi ameaçada até de morte, com xingamentos e inconformismo de alguns coxinhas, por não ter alcançado o pódio e pela atleta ter posições políticas diferente das suas opiniões, e por apoiar Lula e Dilma.

Não se concebe no século 21 tanto retrocesso de uma sociedade que está produzindo jovens agressivos, conservadores e alienados. O que está acontecendo com a juventude brasileira?, eu pergunto.

Segundo Patrícia Saboya, a violência é, seguramente, o problema que mais aflige e preocupa os brasileiros nos dias atuais. "Ela medievaliza as relações humanas, deixa a sociedade aterrorizada e gera uma sensação de impotência diante do crime".

Infelizmente, ainda segundo Saboya, nesse cenário de medo e insegurança sempre surgem teses arriscadas e precipitadas e é necessário agirmos com cautela nesse debate. As estatísticas mostram que a violência se transformou em uma das principais causas de morte de jovens.

De acordo com o Unicef, 16 crianças e adolescentes brasileiros morrem por dia, em média, vítimas de homicídios. E as pessoas com idades entre 15 e 18 anos representam 86,35% dessas vítimas. É de fundamental importância que sejam garantidas as políticas públicas para a educação e não que elas sejam cortadas, como foi anunciado pelo governo interino golpista.

Outros cortes nos programas implementados por Lula e Dilma já foram anunciados também, prejudicando ainda mais os trabalhadores e os pobres assalariados e os miseráveis. Cadê os inconformados que bateram panela pedindo a saída da presidente Dilma? Para refletir.

domingo, 31 de julho de 2016

Eu não desisto

Por Olívia de Cássia

Eu não desisto. Tento levar a vida com suavidade: esse é o meu lema de uns tempos para cá, pois com a ataxia, vivemos numa montanha russa: um dia e mais fácil outro mais difícil. Só que no meio deles tem sempre alguma perda.

Avalio que a vida é assim para a maioria das pessoas; não está fácil para a maioria e a gente não pode ter tudo o que quer. Agradeço a Deus todos os dias pelas amizades que fiz ao longo da vida e é esse detalhe mais que importante, que tem feito meus dias melhores.

Tenho tido dias de dores, incômodos, mas também de afeto e solidariedade. Nos últimos tempos tem sido assim: de encontros, palavras suaves, solidariedade e muito afeto. As ações que estão sendo feitas por todos no sentido de que eu tenha melhor qualidade de vida, são demostrações de muito acolhimento e carinho.

Atitudes de pessoas que eu nem conhecia pessoalmente, mas que têm feito a diferença em minha vida. Por incrível que pareça, passei a adotar comportamentos mais positivos, pois da mesma forma que sempre fui muito persistente, eu não desisto fácil dos meus objetivos.

Participo de vários grupos de pessoas que têm o mesmo problema que o meu, muitos dos quais já estão muito  fragilizados. Aproveito para ter o máximo de informações do que possa vir a ter mais tarde, se os sintomas virem a se agravarem.

Peço a Deus a cada dia para que retarde isso em mim e que quando eu tiver que partir para outro plano, se eu merecer, que seja de uma forma mais amena, diferente dos meus que já se foram.

Alguns amigos me aconselham a deixar de seguir esses grupos para não ficar impressionada com a Doença de Machado Joseph, mas eu sou muito consciente do que posso vir a sentir, pois tenho experiência de vida do que seja, pelo fato de vivenciar tantos casos na família.

O fato é que vou lutar sempre para ter qualidade de vida e dias de ocaso melhores. Tem horas que é difícil, mas tento não pensar em como vai ser daqui por diante e viver um dia de cada vez.

O momento agora é de curtir e aproveitar o que a vida ainda tem para me oferecer, sem me importar com o que possa acontecer nos próximos anos. Não tenho o direito de ficar remoendo negatividade.

Eu tenho uma vida ainda para viver e desfrutar de momentos importantes e felizes e quero vivê-los todos: ler, ter meus bebês de quatro patas por perto, boas risadas com os amigos, lembrar das traquinagens boas que participei com eles, passear. ir ao cinema, curtir os sobrinhos-netos e ser melhor a cada dia.

Procuro não deixar para eles um legado ruim e sim boas lembranças do que fui e do que ainda me resta. Sabe Diário, dizer aos amigos que vivam, que aproveitem e que não se importem com quem leva a vida querendo nos derrubar. Boa noite.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Venho matutando ...

Por Olívia de Cássia

Venho matutando algo para escrever, mas desde que me ponho diante da página em branco do Word o assunto tem me fugido, se dispersado. Penso que estou ficando velha ou misturando os  assuntos.

Culinária da minha avó, Rua da Ponte, brincadeiras da infância, adolescência complicada, amigos, nossas vivências, amores impossíveis, romances que não vingaram, brigas em casa, família, meus pais, viagens que não fiz e que agora quero fazer, política, conjuntura atual e outros que tais.

Todas essas pautas são corriqueiras em minhas lembranças, agora que tenho todo o tempo do mundo para me ocupar em pensamentos, mas me ponho a perguntar, quando se trata dos passeios, se terei tempo suficiente para fazer as belas viagens que não fiz e fazer as fotos que tanto quis.

Sei que agora, com as limitações da saúde já não poderei ir a todos os lugares, por conta do desequlíbrio. Mas ainda penso que posso muito ser feliz, da forma que não fui no passado. Sei que dia 20 de novembro vai ser mais difícil ir á Serra da Barriga, com tanto movimento por lá, mas ainda quero  participar de algumas pequenas aventuras.

Ir na minha querida Serra só se for para passear com acompanhante por conta do terreno irregular e em poucos lugares. Quero ainda  me encontrar com amigos, jogar conversa fora, falar de alegria e de coisas boas.

Sabe, meu Diário, penso em fazer muitas coisas boas e desejar o que for de bom para todos aqueles amigos que têm feito tanto por mim, desde que saiu o diagnóstico da Doença de Machado Joseph.

Alguns que até nem me conheciam e que têm demostrado solidariedade e carinho para comigo. Isso é impagável e por mais que eu agradeça, não é o suficiente para tal e sou eternamente agradecida a todos.

Ouço a discografia de  Maria Bethânia e relembro momentos da juventude, quando a gente amava platonicamente e sonhava em realizar as mais doces fantasias. As leituras, pelo menos, me permitem viajar um pouco, mas não são suficientes, porque preciso diversificar os movimentos e ações, para não atrofiar de vez.

De resto, por hoje, tentarei lembrar do que eu queria falar anteriormente e não consegui, para dar vazão a toda essa inquietude que às vezes se apodera de mim. Quero diversão, cultura e arte. Querer ter qualidade de vida não é pecado, não impede que queiramos e lutemos por um mundo melhor e mais justo. Boa noite.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O valor da vida

Por Olívia de Cássia

A gente parece que dá mais valor à vida quando vai chegando ao ocaso; quando a gente vê as chances irem diminuindo; as possibilidades encurtando. Tem muitos anos que resolvi me dar mais uma chance, pensar diferente do que eu era, em algumas situações.

A chance de não viver reclamando da vida e nem sendo tão negativa. Essa palavra eu já descartei da minha vida, apesar de não ser imune aos dias nem tanto ensolarados que se apresentam.

Eu nunca fui uma pessoa ligada às coisas práticas da vida e nunca soube administrar a burocracia, sou avessa a isso, é da minha índole, não tem jeito. Hoje, afastada do trabalho, me vi tendo que resolver situações da administração do lar e outros pormenores que me deixam mais atrapalhada ainda.

Admiro muito quem resolve tudo com facilidade e prática, mas a essa altura da minha vida, não vou chegar lá. Sabe, meu diário, são tantos os questionamentos e coisas que não domino nessa altura da minha vida, que às vezes me ponho nervosa.

Mas tenho que ter calma para que tudo se resolva a contento. Não posso mais me apavorar diante das situações e nem me estressar. Minha saúde não permite. Tem um adágio que diz que toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.

Eu tenho tentado não me preocupar tanto com mais nada, a não ser em retardar os efeitos maléficos e impeditivos da ataxia. Esse atualmente é o meu foco. A vida da gente  é cheia de mudanças, que às veses são dolorosas, mas em outras ocasiões  são lindas, ou as duas coisas.

Tento ver a minha atual realidade, como uma maneira de perceber que tenho pessoas lindas ao meu favor, querendo o melhor  para mim e isso me deixa envaidecida no melhor sentido da palavra e eternamente agradecida e acarinhada.

Dizem alguns especialistas do comportamento que quando o amadurecimento chega na  vida da gente, vai nos tornando uma pessoa melhor a cada dia, pois com as novas experiências os  nossos defeitos são amenizados com os anos de aprendizado.

Eu tenho aprendido muito, desde que tudo aconteceu em minha vida: as perdas que tive, que foram muitas; o abandono, o entristecimento; a certeza das limitações. Mas também tive conquistas que me enriqueceram interiormente e que me fazem melhor.

E nessas horas eu agradeço a Deus a cada amanhecer que ainda me é permitido e desejo um mundo mais fraterno, mais solidário e mais justo, principalmente para os menos aquinhoados. Vou continuar lutando, a vida me deu esse direito.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O que será?

Por Olívia de Cássia

Amanheceu. O dia está lindo e ensolarado, trazendo esperança, depois de ontem, que foi de promessa de chuva e frio. Começo minha rotina diária, brinco com Juca, levanto e procuro fazer alguma tarefa que ainda me é permitido pelas limitações que me chegam.

Procuro não pensar em como será daqui pra frente. Vou caminhar um pouco na rua e tomar banho de sol. Volto para casa e me impaciento: estou quase terminando a leitura de 'Como eu era antes de você'. Um livro que me faz pensar em muitas situações futuras.

Termino as pequenas tarefas diárias e ligo o notebook, para me inteirar do noticiário. As notícias são as de sempre e nada promissoras; me entristeço: 'Tentativa de fuga de nove reeducandos é impedida no presídio Cyridião Durval'; 'Temer promete obras a senadores indecisos'; 'Temer determina retirada de urgência do pacote anticorrupção'.

"O presidente interino Michel Temer autorizou a retirada da urgência na tramitação das leis anticorrupção da presidente Dilma Rousseff. A informação é do líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE)", diz o informe que leio.

Está tudo tão claro e cristalino esse golpe contra a democracia, que os golpistas nem tentam mais esconder da sociedade. E as nossas instituições desacreditadas fecham os olhos quando lhes interessa a situação.

Por que só se importam quando a corrução é do lado de cá?, não que eu concorde com qualquer irregularidade que seja. Mas os outros salafrários vão ficando impunes, acobertados pela parcialidade daqueles que se julgam os donos do mundo.

E me pergunto onde esse país  vai parar? O que será de nós com esse golpe? Em pensamentos procuro teoricamente uma saída para toda essa situação. Procuro definições nos livros que leio, na internet e acho citação, bem pertinente.

“Ponha-se no poder qualquer medíocre ou louco e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo", diz o texto.

Segundo o argumento, em pouco tempo o tal se torna um golpista perigoso e impertinente. Só que o que foi colocado aí no Planalto não não foi pelo povo e isso é o mais perigoso, porque o Brasil já viu filmes bem parecidos.

E me reporto aos tempos do Coronelismo; enxada e voto, livro que li na faculdade, de Victor Nunes Leal. Um livro que foi editado há mais de meio século e que continua atual, apesar do desaparecimento quase completo do país agrário que o inspirou.

O livro de Victor Nunes Leal descreve o coronelismo, um sistema arcaico e brutal, que foi o principal sustentáculo político da República Velha (1889-1930). Segundo o autor, já na República, os ex-cativos e seus descendentes logo se incorporaram à esfera de influência eleitoral dos herdeiros da casa-grande.

"Desse modo, sucessivos governos estaduais e federais se elegeram com os “votos de cabresto” dos grotões. Embora há muito a supremacia dos caudilhos rurais seja apenas um episódio de nossa história, suas nefastas consequências ainda se fazem sentir na arcaica distribuição fundiária do país", observa.

E tem muita 'autoridade' por aqui que acha que o mundo não mudou e que ainda se vive debaixo das botas dos coronéis da política brasileira. Como escreveu William Nozaki, na revista  Carta Maior, os desafios para o próximo período são gigantescos, mas sempre é bom lembrar que "os problemas da democracia só se resolvem com mais democracia".

É preciso um novo olhar para o Brasil e a política brasileira. Não adianta fechar os olhos e dizer que a gente tem raiva de política. E por mais que às vezes eu chegue a entender a opinião de pessoas bem próximas, não consigo me desagarrar da ideia de que a gente tem que lutar por um país melhor e por dias mais justos e dignos para os menos favorecidos.

Penso também que se cada um fizer sua parte e não esperar apenas as decisões de governo, criticando tudo, sem ação e sem mostrar soluções, não vamos a lugar nenhum. Quero ter esperança, quero acreditar que ainda podemos vislumbrar dias melhores. Bom dia.

sábado, 2 de julho de 2016

O aprendizado ...


Por Olívia de Cássia

Fugindo um pouco da minha rotina levantei mais cedo neste sábado de tempo nublado, pois estava aguardando a visita de amigos queridos da minha querida União dos Palmares. E mesmo com a bagunça e desarrumação que está em minha casa, é sempre bom a gente conversar e falar do que nos vai  no coração.

Sou uma pessoa muito indisciplinada para algumas questões, mas nessa altura da vida é difícil estabelecer outra rotina de grandes mudanças. Sabe, meu Diário, nunca deixarei de ser grata pelos amigos que Deus colocou em minha vida e pelas pessoas do bem que eu aprendi a diferenciar.

Sempre tive carinho, amor e respeito pelos amigos e embora saiba que existem algumas distinções, cada dia prefiro acreditar no melhor. As energias positivas e de bem-querer são sempre bem-vindas.

Acredito ainda na gratidão e generosidade do ser humano, porque sou testemunha disso, em várias ocasiões da minha vida e não só agora, que as limitações da ataxia chegaram. Como disse um artista popular, vamos acreditar no melhor do ser humano, porque de situações escandalosas e de conduta não bem avaliadas e abusivas o mundo está repleto.

Sempre fui uma pessoa idealista; os personagens com essa característica sempre me atraíram: desde os do livros que leio, até as das novelas que assisto.  Gosto de gente simples, gente que não ergue a ponta do nariz para os menos afortunados.

Como disse Jéssica Doni, eu gosto de gente que não tem vergonha de rir andando sozinho se lembrou de algo engraçado, mesmo que o achem maluco. Eu falo sozinha e também com meus animais.

"Eu gosto de gente verdadeira, que não forja sentimentos, que transbordam. Que sente ciúmes, que emburra, e que desfaz o bico se recebe um dengo. Eu gosto de gente que ri de si mesmo quando fala alguma coisa incrivelmente errada. Eu gosto de gente simples, que se dispersa vendo onde aquela formiguinha vai carregando seu grão", observa.

Quando eu era criança, ficava horas no degrau da casa da minha avó vendo o movimento das formigas e até onde elas queriam chegar. Desde a minha infância eu sempre me dei bem com gente considerada meio estranha.

Gente "que olha dos dois lados pra atravessar a rua, mesmo sabendo que ela é de uma mão só. Eu gosto de gente natural, de cabelo bagunçado, que assume os cachos rebeldes, de cara de sono, de sorriso largo, de coração grande. Eu gosto de gente" e isso é muito bom.

Mas eu também tenho o outro lado solitário, de gostar de ficar sozinha, no meu mundinho. Sempre fui assim. No meu quarto da Rua Tavares Bastos eu decorava as paredes com tudo o que fosse de mais 'estranho' para alguns e nas portas do guarda-roupa fazia colagens com paisagens e poesias.

Lembro de um texto que li e que não lembro a autoria agora que diz o seguinte:  "Com o tempo a gente aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou".

Juca e Malu, dois dos meus bebês de quatro patas,  ficaram ouriçados com a presença de Margarete e Saulo: obrigada, amigos, pela visita e mensagem de positividade. Juca acha que todo mundo tem quer brincar com ele, jogar a bolinha para ele pegar. Fica assim o dia inteiro, até quando a noite chega e finalmente se acalma para dormir.

Hoje é o mensário dele: faz cinco meses. Desde que chegou aqui em casa, há um mês, só me traz alegria e descontração. São muitas brincadeiras; é uma criança. Ele quer ficar assim o dia inteiro e se a gente não faz o que ele quer, se põe a mordiscar o nosso calcanhar.

Malu se coloca a sorrir e mostra os dentinhos, com seu sorriso largo e costumeiro, dando boas-vindas a quem chega por aqui. Ela adora crianças e receber visitas; pensa que vai passear.

O encontro de hoje foi de boas lembranças saudosas da nossa Rua da Ponte, em União dos Palmares, das coisas boas do passado que vieram à tona e um halo de luz sempre emana desses contatos. Sejam sempre bem-vindos. Bom dia e bom fim de semana para todos.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Entre livros e álbuns de retratos

Por Olívia de Cássia

Entre meus livros e álbuns de retratos antigos, além dos arquivos de fotos digitais, vou pensando na vida já nas primeiras horas da manhã. Olho-me no espelho e as mudanças não são nada promissoras. Marcas do tempo, do envelhecimento e da idade.

Sabe Diário, abro o computador e o Facebook me mostra lembranças de tempos atrás. De fotos que eu tirava já na juventude, de amigos queridos, compartilhamentos de mensagens e de situações e notícias que não saíram de evidência, como as notícias políticas do nosso país.

Lembro Cazuza que dizia: "São notícias velhas, de ontem", quando eram críticas negativas que se referiam ao Barão Vermelho. Na juventude a gente não se importa com a opinião alheia e quase sempre dá as costas aos falatórios.

Tio Antônio Paes de Siqueira, quando tinha saúde, ficava no bar da sinuca, na Avenida Monsenhor Clóvis e lá ouvia o falatório ao meu respeito, sobre 'possíveis envolvimentos' e lá ia ele contar para minha mãe, que não ficava nada satisfeita com aqueles comentários e me batia antes de procurar saber se eram fatos reais.

Avalio que se a gente for viver  dando tanta satisfação ao mundo, a gente não é feliz, não faz o que quer e o que tem vontade de fazer. Eu vivi minha adolescência entre momentos de felicidade com os amigos e situações angustiantes em casa, porque meus pais, principalmente minha mãe, não me aceitavam como eu era.

Isso tudo eu vivi na minha adolescência e juventude e recordo de o quanto eu era vítima de falatórios e críticas dos mais velhos, por ser uma jovem com a cabeça no futuro, que não queria viver no cabresto.

Hoje eu entendo que para a mentalidade dela, filha de senhor de engenho, nascida e criada na na roça, com todas as proibições daquela época, era difícil alcançar a minha cabecinha efervescente e sonhadora.

Me rebelei contra tudo, não admitia que falassem de mim pelas costas, avaliassem o que não sabiam e não viviam. Era um costume muito da época em União dos Palmares e não só por lá, a gente viver em bandos.

Tínhamos o nosso modo de ver a vida e me achava rebelde por demais. No entanto a nossa rebeldia era de poucos, porque quando se tratava de opiniões conservadoras, muitos repetiam as falas e opiniões dos fofoqueiros e fofoqueiras de plantão, sem nem saber o que se passava em minha vida.

E por ironia do destino, na maturidade fui descobrir tanta limitação em se tratando de saúde e perceber que vou ter que depender dos outros para as tarefas mais simples: logo eu que lutei tanto para morar sozinha, ter minha independência e ser livre, ter meu cantinho de leitura e solidão.

Hoje sou consciente de que num futuro bem próximo vou precisar da presença de outra pessoa, para cuidar das pequenas  tarefas de casa e das minhas também. Eu só espero que esse período possa ser retardado o mais longe que seja possível com a fisioterapia, porque isso tem me deixado apreensiva por demais. Bom dia.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Nunca deixe de sonhar

Por Olívia de Cássia

Peço a Deus em pensamentos que me dê fé e forças, qualidade de vida e retardamento dos efeitos da ataxia. Sou muito cética  diante da vida e já não acredito em ilusões. Hoje em dia perdi um pouco a capacidade de sonhar aqueles sonhos que sonhava na juventude.

Não sou muito de rezar como meu pai fazia sempre e depois também a minha mãe, mas tem dias que parece ser mais difícil a labuta. De repente a gente se vê de pés e mãos atadas diante de uma situação mais prática. "Sem lenço de sem documento", como disse Caetano.

A Doença de Machado Joseph é uma ataxia hereditária dominante e degenerativa, identificada há apenas 18 anos, transmitida em 50% dos casos dos portadores, e que conduz o paciente por uma crescente incapacidade motora, sem alterar o intelecto, culminando com sua morte. Tento não pensar que esse dia está chegando mais rápido.

A característica genética de cada um faz com que os tratamentos sejam praticamente individualizados. Segundo os especialistas, para garantir a qualidade de vida, sempre se trabalha a funcionalidade e continuidade do movimento, de preferência com uma equipe multidisciplinar liderada pelo neurologista, que, no fim das contas, é quem dita a linha do tratamento.

Ouço notícias ruins todos os dias, de todos os lados e é impossível não me envolver e fingir que está tudo às mil maravilhas. Por mais que se tenha alguma expectativa de vida, não tem notícias de cura para o nosso problema. A ataxia não tem cura ainda.

Por outro lado, a intolerância que a gente vê todos os dias na televisão e nas redes sociais é absurda e nos deixa perplexa como esses atentados mundo afora. E nosso país está vivendo sua pior crise de identidade moral e política.

Aqueles que foram às ruas pedir a saída da presidente Dilma estão calados e omissos diante desse governo interino golpista. Tento ser otimista, porque o pessimismo só nos leva a um abismo maior, mas está difícil conviver com tudo isso. Tudo junto sufoca a gente.

Não é só o pessoal, é tudo junto e misturado que nos faz introspectivos a cada dia. Procuro me acercar de tudo o que tem de melhor, ser positiva, conviver com pessoas do bem e fazer boas leituras, participar de programações interessantes, mas até isso fica limitado.

Queria ter mais recurso, já que agora tenho todo o tempo para ir às atividades culturais que sempre me ressenti de não poder participar antigamente. Ainda estou tentando me acostumar com a nova rotina. Mas de repente percebo que não é só uma questão de tempo. É muito mais que isso. Não quero ficar apática diante de tudo.

Quero continuar a ser uma pessoa pensante e consciente do que se passa à minha frente. As questões de saúde não podem me tornar uma pessoa isolada e sem questionamentos. Pelo contrário: quero não ter medo de ter medo e não ter medo mesmo.

Quanto mais eu tenho tempo, mas eu penso nas injustiças e na violência que se comete todos os dias contra os mais vulneráveis. O mundo está mais feio; as pessoas estão mais preconceituosas, intolerantes, estão regredindo e esquecendo de sonhar: só pensem no poder e no dinheiro.

Isso não quer dizer que eu seja tão pura ao ponto de querer viver franciscanamente, pois o dinheiro serve para suprir as necessidades básicas, para a diversão e para a cultura e isso para mim é o bastante, se eu pudesse ter. Mas não quero viver na neurose de querer ter tudo.

Vejo gente jovem que não sonha mais, não tem aquele brilho nos olhos que nos tornava exóticos e interessantes na mocidade e isso me deixa um tanto quanto pensativa. O que será dessas pessoas que não têm sonhos e ideais? Para refletirmos hoje. Boa tarde.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

E se fosse isso ou aquilo?

Por Olívia de Cássia

Meu texto de hoje propõe mais uma reflexão: vivemos a vida em corda bamba, às vezes constantemente,  tendo que escolher uma das alternativas que se nos apresentam ou o que é possível viver e fazer. Ou isso ou aquilo e por que não aquilo outro?

O tempo passa muito rápido em nossa vida, sem que a gente perceba e como diz o poeta, quando a gente vê, já é noite'. Segundo os filósofos a gente não deve deixar o tempo passar e perder o que poeria ganhar se não fosse pelo medo de tentar. Eu confesso que sempre fui muito medrosa e por medo deixei de viver algumas coisas.

Augusto Branco disse em um de seus textos que quando estamos muito tristes,  é como se estivéssemos atravessando um desfiladeiro em uma corda bamba. "O que tem embaixo é um abismo, e o que está acima é o céu", diz ele.

Para Augusto Branco, se você olhar pra baixo, você verá o abismo. "O abismo atrai o olhar, mas o abismo é morte certa, e ao olhar para ele você pode entontecer e cair. Portanto, nunca olhe para o abismo. Mas também não olhe para o céu", disse ele.

Segundo esse pensador, o único lugar para o qual você deve olhar é para a frente, onde está o horizonte. "O horizonte é onde está tudo o que você pode descobrir, viver e alcançar. Basta seguir em frente", diz ele.

Em seu poema 'Ou isto  ou aquilo', Cecília Meireles escreveu que: "Ou se tem chuva e não se tem sol\ ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva!", pontuou.

Eu sempre me perguntei se não era possível uma terceira via. Mas hoje em dia avalio que esse é um exemplo plausível de que a gengte não pode ter tudo na vida. "Se se tem saúde e juventude, não se tem dinheiro", ou vice versa para todas as coisas. Temos sempre que escolher.

A vida é uma escolha constante e não adianta a gente achar que não: "Somos fruto das nossas escolhas", segundo alguns, mas sinceramente falando, eu não escolhir ser herdeira de um problema neurológico e não escolhi viver num perrengue danado. Duvido muito dessa fala, em alguns momentos.

Carol Andrade também escreveu que depois de tanto tempo é que foi  entender que não existe destino, porque se você mudar uma peça do seu presente, ela pode mudar todo o seu futuro.

Mas entendo que não adianta a gente lamentar o que já foi e o que já viveu. Em alguns momentos da minha vida eu vivi a lamentar algumas situações, mas com o tempo fui percebendo que não adianta nada 'chorar o leite derramado'; que o que passou não vai mudar.

São ensinamentos que parecem jargões repetitivos, mas que às vezes nos confortam. Aprendi com as dificuldades que devemos sempre estar atentos e não julgar os outros querendo fazer juízo de valor antes de qualquer coisa. Para hoje é o que tenho. Boa noite e fiquem com Deus.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Um dia de interrogações

Por Olívia de Cássia

Sabe Diário, hoje o dia foi de introspecção; interrogações; leitura, cansaço, sono, de lembranças, - algumas cheias de saudades -. O que me preocupa, Diário, é que eu não quero ficar pensando no que virá, na situação que me espera daqui para frente, mas é impossível não pensar e não ficar preocupada.

As lembranças de papai, do sofrimento pelo qual ele passou e de meu irmão Petrônio são muito presentes em mim, em cada pequeno gesto meu. E quando me indagam quando é que eu comecei a sentir os sintomas da ataxia, eu nem sei mais dizer, faz tanto tempo!

Mas a piora mesmo aconteceu de uns anos para cá, embora que moderadamente mais atrás, e mais rapidamente do ano passado para cá. Percebi que não consigo mais subir numa cadeira para pegar algo na estante de livros; isso aconteceu este ano.

Até dezembro do ano passado,  mesmo com sacrifícios, eu ainda conseguia lavar o piso da casa, mesmo com medo de escorregar e cair. Este ano fui percebendo que as limitações aumentaram, consideravelmente.

Aos poucos fui tendo a certeza de que precisava de ajuda, de socorro para ter um pouco mais de qualidade de vida e felizmente um grupo de amigos se mobilizou e empunhou essa bandeira. Sou eternamente grata a todos pela força e incentivo que me proporcionaram.

No começo eu não queria aceitar, com vergonha do que pudessem achar, mas depois cedi. Mas não quero ficar deprimida de novo; no entanto, tem momentos que é necessário a gente se abrir e falar de coisas ao vento.

Hoje eu pensei que seria melhor que eu tivesse chorado muito, como antigamente, que eu me derretia por qualquer situação e tivesse colocado todas as minhas inquietações e questionamentos para fora, num desabafo particular.

Mas até isso a ataxia tira da gente: a sensibilidade e a fragilidade parece que vai sumindo da gente. Vai nos endurecendo aos poucos e nos torna mais cética diante dos problemas da vida. Talvez essa seja um proteção que o próprio cérebro vai encontrando, para nos proteger de alguma forma.

Hoje eu não senti muitas dores e cheguei na fisioterapia mais animada e disposta, mas quando cheguei em casa, um misto de preocupação e inquietação tomou conta de mim: não preparei almoço e fui me deitar. Dormi até o meio da tarde, quando levantei e fiz uma besteira para comer, mesmo assim, sem muito gosto e vontade.

Essa sensação não é nova para mim; costuma me acontecer quando estou pressentindo algum acontecimento ou quando preciso escrever urgentemente e colocar alguns sentimentos para fora. Se não o fizer, morro sufocada pelas palavras que teimam em sair.

Tenho consciência de que não posso me fechar em copas e guardar para mim todas as minhas preocupações e expectativas; é melhor desabafar com alguém e o Diário, meu amigo de tanto tempo, é o meio mais indicado.

Não sou muito de guardar sentimentos e às vezes avalio que me exponho até demais na vida. Isso pode ser um fator positivo ou fazer um efeito contrário, dependendo da situação pela qual esteja passando.

Eu não quero mais passar por uma situação de depressão e nem de baixa autoestima, como antigamente, quando eu não me valorizava e tive as energias drenadas por esse sentimento pesado e não afetivo.

Sempre gostei de cultura, de programas festivos com os amigos, mas agora eu entendo que a locomoção não está fácil e tudo fica mais impeditivo, mas não impossível. Preciso encontrar um mote nessa seara da cultura e da arte, para não sucumbir. E quer a alegria volte a povoar os corações. Boa noite.

sábado, 11 de junho de 2016

Conversando com meu Diário

Por Olívia de Cássia

Querido Diário, volta e meia recorro a ti, para conversar um pouco, já que minhas opções hoje em dia não são muitas, devido à minha atual reclusão, por força das circunstâncias e limitações.

Me desculpa se comentarei alguma coisa que não seja pertinente a esse nosso diálogo\monólogo nosso, de uma noite de sábado, em casa e sem opção que não seja esta.

Hoje eu queria falar de poesia, de suavidade e boas vibrações, porque acredito que isso atraia energia positiva. Os dias estão muito pesados, ultimamente, para a conjuntura do país e do mundo. Aqui a corrupção anda à solta e alhures também, além da violência e da falta de amor.

Tenho evitado falar em coisas negativas e que não sejam de incentivo para mim, uma tática que já adotei faz tempo. Mas tem momentos que a reflexão fala mais alto, diante de tanta notícia negativa desse governo provisório corrupto, resultado de um golpe muito baixo no Congresso Nacional.

Ontem foi dia de  mobilização em todo o país e, embora a mídia tradicional tenha mostrado muito rapidamente; ter  incluídas as mobilizações na pauta do noticiário já é um avanço, mesmo porque, em tempos de internet; Mídia Ninja, sites alternativos e blogs, seria impossível o noticiário omitir as grandes mobilizações exigindo o Fora Temer; volta Dilma e por um Judiciário transparente e apartidário.

São tantas as ilações que vemos na internet e é necessário ficar de olho e atento. A gente tem que fazer um esforço e colocar o exercício da dúvida, procurar meios alternativos para adquirir conteúdo e informações diversificadas.

Respeito muito, e já o disse nesse mesmo espaço, várias vezes,  quem pensa diferente de mim, contanto que tenha argumentos convincentes e que sejam respeitosos e cordatos. Do contrário, não é pertinente ficar jogando hipocrisia, maledicências e palavrões nas postagens e mídias sociais dos outros.

Felizmente já consegui fazer uma boa limpeza das minhas redes sociais e retirar pessoas intransigentes e sem educação e sem noção do que dizem e espalham por aí. Os que se opõem ao meu modo de pensar, mas que respeitam e não me incomodam, continuarão sendo amigos virtuais com todo o respeito que sempre tive e tenho.

Mas euu queria retornar à minha fala inicial e falar de amor, já que estamos às vésperas de um festejado e recorrido Dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro e das causas impossíveis. Eu nunca fui de acreditar em simpatias, mas nessa época do ano, no interior do Nordeste, as moças casadoiras se oriçavam e algumas ainda mantêm a tradição, todas tentando conseguir um pretendente.

Fosse por brincadeira ou coisa séria, nunca me dediquei a esses costumes e nunca fui de ser contemplada e perseguir esse objetivo. Talvez a minha formação e meu modo de pensar a vida não tenham me levado a tais ilações, mesmo tendo sido uma adolescente romântica, mas rebelde.

A todos os meus leitores e leitoras eu desejo um domingo de muita paz e que o Dia de Santo Antônio, comemorado na próxima segunda-feira, 13, seja de muita festa de comemorações. Do meu lado eu fico com as lembranças das festas da infância e adolescência, que é o que me resta a fazer. Ultimamente meus dias têm sido de lembranças. Boa noite e fiquem com Deus.

domingo, 5 de junho de 2016

Desde quando a mortalidade nos torna lúcidos?

Por Olívia de Cássia

De um tempo para cá venho pensando nesse tema que não é muito comum e nem suave. Hoje vou falar de um assunto que muita gente não gosta e evita falar, mas que é o caminho de todos nós: a morte dos seres humanos. É questão bastante discutida pela filosofia no mundo.

Segundo o teólogo Leonardo Boff, "tudo ocorre dentro de um imenso processo de evolução. Nesse processo tudo vem regido pelo equilíbrio entre a vida e a morte. A morte não vem de fora. Ela se encontra instalada dentro de cada ser", explica.

Já Simone de Beauvoir (1908-1986), em seu romance "Todos os homens são mortais", de l946, demonstra o absurdo de uma vida mortal como a nossa ser imortalizada. E argumenta que esta condição seria um "inferno".

"Nada deste mundo satisfaz a estrutura do desejo que habita famintamente o ser humano insaciável", acrescenta Leonardo Boff. "De pouco valem os mil estratagemas de prolongamento da vida. Chega o momento em que, mesmo a pessoa mais velha do mundo, tem que morrer", acrescenta o teólogo.

"Apesar da discussão de que a morte traria ao homem um esclarecimento da sua condição, e que esta teria um impacto de como ele viveria o período, não é a garantia de que sua vida seria digamos "bem vivida" e compartilhada de forma pacífica e mais igualitária em relação aos seus pares", destaca.

Quando eu era adolescente costumava ir muito ao cemitério, em União dos Palmares, e ficava por lá horas a fio, sentada nas catacumbas dos meus familiares. Naquele lugar silencioso, onde só escutava o barulho de alguns insetos ou de pássaros, eu conversava e desabafava num monólogo existencial com meus entes queridos.

Falava dos meus pequenos problemas de adolescente e dos conflitos que vivenciava naquela época. Mas apesar desse costume, a prática foi minguando até que eu deixasse de ir a esse local. Eu também costumava frequentar a igreja e ia à missa todo fim de semana.

Na missa dos jovens eu cantava, participava e chorava muito. Hoje esse hábito quase não mais existe. Era uma menina com baixa autoestima e sentimental e há pouco tempo descobri outras pessoas que tiveram ou tinham essa mesma rotina de ir a cemitérios.

Talvez eu fizesse isso pela dor da perda dos meus avós e outros familiares; da extrema necessidade de ser ouvida e não encontrava guarida em algumas situações. Minha família, primos e parentes sempre foram cercados por tragédias e mortes, por motivo de cânceres ou de acidentes, o que me tornou um pouco cética diante da vida.

Na infância eu fui muito ligada aos meus avós e ao meu tio Antônio Paes de Siqueira e frequentava o engenho da Barriguda nas férias escolares. Sendo assim senti muito todas essas mortes que aconteceram na família desse meu tio, de forma muito frequente e trágicas, e isso me trouxe muito sofrimento e um certo amadurecimento diante desses assuntos.

Meu tio perdeu a primeira esposa dois filhos de acidente e quatro de câncer. Vendo umas entrevistas de filósofos na internet, o assunto me veio  á baila e resolvi falar um pouco sobre ele. Na minha modesta avaliação, morrer simplesmente não é doloroso, doloroso para mim é ficar dando trabalho a terceiros e sofrendo de algum mal incurável.

Por isso, tenho pedido a Deus, se me for de direito, que não me deixe ficar na dependência de outras pessoas, vegetando em cima de uma cama ou na cadeira de rodas, até que a morte chegue e me consuma o último instante.

Se eu tiver alguma dívida com o divino quero pagá-la, mas não dessa forma, embora eu saiba que não está em nossas mãos decidir. Dizem que ninguém morre antes da hora e que já está tudo determinado quando viemos ao mundo.

Nas religiões esse tema é visto de forma diferenciada. Pesquisei que para os muçulmanos, segundo a história, Alá (o seu Deus) criou o mundo e por essa razão trará de volta todos os mortos no último dia. Todos terão direito a um julgamento começará uma nova vida depois da avaliação divina.

Já o espiritismo, doutrina do século XIX criada pelo francês Alan Kardec, defende a continuação da vida após a morte num novo plano espiritual ou pela reencarnação num outro corpo. Esta doutrina acredita que podem ser invocados os espíritos dos mortos, pois após a morte física, o espírito ascende a uma outra realidade onde se aventura numa nova vida.

Como na Igreja Católica, os evangélicos acreditam que há um julgamento para a alma e que esse mesmo julgamento resulta na condenação (ida para o inferno) e ou na eternidade da alma (céu).

A diferença entre as duas religiões é que os evangélicos acreditam que a alma faz uma grande viagem e a ressurreição só acontecerá quando Jesus voltar à Terra, na chamada “Ressurreição dos Justos”, ou, então, aqueles que forem condenados ao Inferno terão uma nova oportunidade de ressurreição no “Julgamento Final”.

Os evangélicos sustentam que a morte física é resultado do pecado. Quando Deus criou o homem, não o fez para envelhecer, adoecer ou morrer, mas porque o homem optou por se afastar do criador, por renunciar os ensinamentos, acabou por escolher o caminho do pecado e da desobediência e consequentemente o caminho da morte.

A morte para os católicos vem com os conceitos de um céu, de um inferno e de um purgatório. A avaliação dos atos de cada um na sua vida terrena decide para qual destes lugares vai a alma repousar eternamente.

Ainda segundo a história, os católicos consideram que a alma é única e por essa razão não regressa reencarnada em outros corpos físicos. Para eles, os únicos princípios são o da imortalidade e da ressurreição e não o da reencarnação. Cada crença e cada religião tem o seu conceito a respeito da morte.

Às vezes quero acreditar em alguns preceitos religiosos, em outras situações, acho tudo lenda e literatura e lembro do que minha mãe dizia, que não acreditava em assombração e nem que os mortos pudessem voltar. Segundo ela, se fosse isso verdade, os entes queridos voltariam para dizer se era bom ou ruim a quem ficou na terra.

Dizem alguns filósofos que não importa na vida o tanto que se viveu, mas o legado que a pessoa deixou para os seus. Raimon Alves, em artigo publicado na mídia eletrônica, disse que qualquer que seja a duração de sua vida, ela é completa.

Segundo ele, a utilidade  da vida não reside na duração e sim no emprego que lhe dais. "Há quem vive muito e não viveu; meditai sobre isso enquanto o podes fazer, pois depende de vós, e não do número de anos, todos vividos", observa.

Para Marcelo Galli, a morte é amedrontadora, mas motor da ação também e pode ser o elemento para enfrentar a vida de maneira filosófica. Já Márcia Tiburi, no seu "Filosofia em comum" (Editora Record, 2008), faz o seguinte questionamento acerca do tema: "Desde quando a mortalidade nos torna lúcidos? Ou ela nos torna cada vez mais irracionais e bárbaros em perpétua guerra de todos contra todos?", questiona.

Para refletir nessa noite de domingo e começo de uma nova semana. Boa noite.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

A vida é um eterno recomeço

Por Olívia de Cássia

O corpo dói, os impedimentos físicos e limitações chegam para lembrar que já não posso tudo. Sabe Diário, às vezes penso que estou bem pertinho do fim; em outros momentos, na minha fértil imaginação, que eu posso tudo se eu ainda quiser.

Mas eu queria mesmo era estar saudável para sair por aí, como antigamente, na juventude, na época da faculdade, aproveitando a noite de sexta-feira, recebendo um banho de cultura e voltar para casa refeita.

Nos sonhos e na imaginação a gente pode tudo.  Renato Russo já dizia em sua poesia: "Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem ou que seus planos nunca vão dar certo ou que você nunca vai ser alguém".

Acredito nessa assertiva porque passei a minha vida persistindo em meu sonho e acredito que a gente só concretiza aquilo que sonha um dia se tentar e tentar e tentar, mesmo que esse sonho esteja lá no fundo da nossa alma e avaliamos que tudo aconteceu por acaso; o que não foi o meu caso.

Eu persegui muitos sonhos a vida inteira, desde a mais tenra idade. Posso afirmar que realizei poucos e um deles foi o de conseguir me formar jornalista; o principal deles. Me emancipar, morar sozinha, sem a interferência de terceiros. Na minha juventude isso era tudo.

Sempre coloquei a minha profissão acima de muita coisa ou de qualquer coisa e hoje reflito se isso foi bom ou se foi o que deveria ter sido feito, mas assim o fiz e não me arrependo do que foi feito.
Deixei de viver outras situações normais na vida, mas cada escolha  nossa é cercada de renúncias.

Eu escolhi a profissão que tenho por amor; estar afastada dessa atividade me entristece e vem a certeza de que não vou poder exercê-la mais como eu gostaria: tenho que me acostumar com isso, ou preencher esse vazio com terapias ocupacionais e outros que tais.

Tudo na vida da gente tem limite, tem hora para começar, tem o meio, tem o fim e a vida é sempre um recomeço, não importa onde você parou. "Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo; renovar as esperanças na vida e acreditar em você de novo", observou Paulo Roberto Gaefke em seu poema Recomeçar.

Em A revolução da alma, o mesmo autor diz que ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue a sua alegria, a sua paz, a sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém.

"Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja. A razão de ser da sua vida é você mesmo. A sua paz interior deve ser a sua meta de vida", observa.

Segundo Roberto Gaefke, quando sentir um vazio na alma, quando acreditar que ainda falta algo, mesmo tendo tudo, remeta o seu pensamento para os seus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe dentro de si.

"Pare de procurar a sua felicidade cada dia mais longe. Não tenha objetivos longe demais das suas mãos, abrace aqueles que estão ao seu alcance hoje", comenta.

Eu tenho aprendido muito na vida e a maturidade me trouxe algumas certezas, desilusões e discernimento do que devo aceitar e do que não devo. Não devo aceitar jamais as injustiças e não deixarei de lutar por dias melhores e mais justos. A vida é um eterno recomeço. Boa noite.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A gente tem que decidir ...


Por Olívia de Cássia

Então chega aquele momento que a gente tem que decidir. O poeta já dizia que uma hora ou outra a gente tem que decidir se fica, se segue em frente ou se dá alguma chance ao que ficou lá trás.  É difícil, mas  o melhor a fazer é tomar a decisão e seguir em frente.

A gente precisa ter um pouco de dignidade e perceber quando não há mais motivos para ter esperança e supervalorizar o outro que nunca soube te dar o devido valor.  "Na dúvida, largue a incerteza no meio do caminho e siga por onde os sinais forem mais fortes".

Mas não pense, meu Diário, que eu tenha agido e pensado sempre assim: foi preciso o peso da idade e dos anos vividos;  que a vida batesse muito no meu lombo; me levasse quase ao fundo do poço, para que, aos poucos, eu tenha ressurgido das cinzas, feito a fênix, aquele passo da mitologia grega.

Apesar das limitações físicas de hoje, sem sombras de dúvida, eu posso dizer que sou uma mulher livre de amarras e impedimentos internos que me  consumiam a alma. Livre de qualquer sentimento opressor e que me levava a ter tão baixa autoestima.

E como é ruim esse sentimento de inferioridade que eu carregava comigo. Por causa disso cometi desatinos; as pessoas não me entendiam ou não procuravam entender que eu era uma menina e jovem tímida, em busca de seu eu, querendo acertar na vida.

Me humilhei até ao ponto que um ser humano jamais deve chegar: de pedir perdão sem nada ter feito, quando eu mesma era a vítima daquilo tudo: vítima da minha ingenuidade e insensatez. A gente tem que tomar as rédeas do destino e decidir.

Num dia qualquer a gente amanhece disposta e aí  age como deveria ter sido  em toda a vida e mesmo que venha a se arrepender depois, não importa: o importante é decidir.  Não ter medo de ter medo e se libertar de todas as amarras que nos impedem de ser feliz. Independente de qualquer coisa, sem fingimento, sem querer ser o que não é.

A vida vai nos levando por caminhos distintos. Fernando Pessoa, em 'O Livro do Desassossego', disse que "a decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida".

E reflito que quase sucumbi a essa decadência que fala Pessoa  mas, felizmente, por mérito meu ou do destino, ou seja lá de que entidade espiritual tenha sido, sobrevivi àquela tempestade, Diário. Boa noite.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

No meu tempo era assim...

Por Olívia de Cássia

 O filósofo e professor Leandro Karnal falando sobre a utopia da melhor idade, em uma de suas palestras, observou  que quando a gente começa a usar o termo 'no meu tempo era assim', é porque já estamos velhos.

Envelhecer não é fácil e muito menos quando a saúde da gente já não está tão presente. E nos pomos a lembrar dos bons momentos vividos e que jamais voltarão. Eu envelheci faz tempo, mas por enquanto só no corpo.

Na alma ainda carrego sonhos, não tão doces e ingênuos como eram antes, mas eu me recuso a envelhecer, como dizia minha mãe americana Rosa Amada Gil. "Seria bom se tivéssemos permanentemente a juventude", diz o professor em sua palestra.

Na conversa em uma universidade, ele  cita a lenda de Peter Pan, um garoto que se recusa a crescer. Tem gente que não cresce nunca e carrega dentro de si a síndrome do garoto flautista. São pessoas inseguras, imaturas, dependentes, irresponsáveis, têm acessos de raiva e dificuldade em manter um compromisso afetivo.

Apesar de não demonstrarem, costumam ter baixa autoestima; são muitos e estão em vários lugares, independentemente de país ou conta bancária, observa o site Vai e vem da vida.

 A velhice vem lembrar que não somos eternos e que estamos um dia mais próximo do fim, observa o professor Leandro Karnal. "No meu tempo marca o declínio final" e não tem jeito", diz ele.

O filósofo interpela seu público observando que,  "com o impacto das técnicas de manutenção da juventude artificial, qual seria o desdobramento de um corpo "sempre jovem" para uma alma que vê o envelhecimento como apodrecimento sem significado?"

Karnal destaca ainda que quando somos jovens buscamos independência e sabedoria, mas, quando a alcançamos estamos velhos e desejamos de volta o vigor da juventude. "Será que passamos a vida esperando pela idade em que seremos plenamente felizes?", pergunta.

Sempre observo nas conversas que tenho com familiares e colegas, quando o assunto vem à baila, que a gente deveria envelhecer até uma certa idade e depois retornar à juventude. Esse tema é muito complexo, mas estimulante.

O professor cita o filme "O Curioso Caso de Benjamin Button", Nova Orleans, 1918. Benjamin Button (vivido por Brad Pitt) nasceu de forma incomum, com a aparência e doenças de uma pessoa em torno dos oitenta anos mesmo sendo um bebê.

Ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Button rejuvenesce. Quando ainda criança ele conhece Daisy (Cate Blanchett), da mesma idade que ele, por quem se apaixona. É preciso esperar que Daisy cresça, tornando-se uma mulher, e que Benjamin rejuvenesça para que, quando tiverem idades parecidas, possam enfim se envolver.

Quando somos jovens a gente acha que pode tudo, não pensa em futuro tão distante, mas em viver o agora e não pensamos na velhice; pelo menos grande parte da minha geração. Hoje em dia os jovens são bem mais práticos e o mundo não é um conto de fadas: a realidade já bateu à minha porta faz tempo.

Dizem que todos nós temos medos de morrer, de uma forma ou de outra. Eu não tenho medo da morte, em si, tenho receio do futuro que me espera, de me tornar dependente de terceiros até para as mínimas tarefas diárias, tal como meu pai. Tenho medo de ter medo.

Comentando a palestra  do professor no canal You Tube, Danielle Yuri Yutani Dani observou que a curiosidade nos faz envelhecer porque o conhecimento é incessante. "Quando queremos voltar no tempo temos a vontade de conhecer por nós. Quando você olha no espelho o passado se transforma, porque o que você era ontem não é o mesmo de hoje. Ou seja, fomos quem somos", filosofa.

Mas o que vale na vida, "o que a torna mesmo interessante é viver o presente; o passado é colocado em pauta por falta de opção ou saudosismo, em vários sentido nós ganhamos e perdemos", comenta Sier Sol Oicnama Amancio.

O ator e diretor Woody Allen disse que na sua próxima vida,  quer viver de trás para frente. "Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia", disse ele.

Mas a cada notícia de falecimento de alguém bem próximo, aquela luz vai acendendo dentro de mim e vem à mente aquela assertiva de que restam os bons momentos a serem vividos ainda, outros a serem lembrados, os sonhos que foram sonhados, construídos ou não. Para refletir nesse final de tarde.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Com muita saudade....

Por Olívia de Cássia

De repente dá aquele aperto no peito, aquela saudade das participações nas passeatas, das fotos dos movimentos que eu fazia e tudo me veio à tona hoje. Naquela época, enquanto eu estava na rua, nos movimentos de reivindicação, aquele que eu achava fosse meu companheiro e parceiro estava me traindo a cada esquina, mas essa é outra história.

Não me arrependo um milímetro de ter ido às ruas protestar contra a falta de liberdade, contra a ditadura, por diretas já e outras mobilizações das mulheres alagoanas. Nessa época nós também estávamos terminando o TCC e precisávamos acompanhar o movimento, já que o tema do trabalho se reportava a essa seara.

Foram tempos de aprendizado, muita leitura, conhecimento, amizades que me fizeram mais fortes do que eu era. Leituras sobre feminismo, informações sobre mulheres guerreiras que lutaram e colocaram suas vidas em perigo.

Sempre gostei muito de fotografia e desde a faculdade eu registrava os movimentos, as mobilizações e outras paisagens. Muita coisa se perdeu no caminho, mas ainda consegui salvar algumas fotos daquela época.

Da mesma forma que as meninas da turma não gostavam muito de ir ao laboratório, eu ficava lá, horas a fio, com os meninos, para aprender um pouco sobre revelação de fotos. E aquela arte me encantava.

Eu gostava de sair às ruas, quando Maceió era uma cidade pacata, para fotografar, sem pauta e nem compromissos e também em União dos Palmares. Fotografei passeatas, mobilizações, monumentos históricos, praças, pessoas e coisas.

A fotografia me encanta, é como se a  máquina fotográfica fizesse parte do meu corpo, fosse um apêndice útil e indispensável e também passei a usá-la para disfarçar um pouco os tombos e meu jeito atrapalhado de ser, embora eu nunca tenha confessado isso; talvez por timidez.

Desde o primeiro comício do Lula em Maceió; greves dos bancários, onde eu trabalhava na sede do sindicato, encontro de mulheres, passeatas e atos do primeiro de maio e protesto das mulheres nas ruas.

Fotografar para mim é mais que um hobby, faz parte da minha vida e embora agora já afastada do trabalho, quero continuar a fazer uso dessa ferramenta para me distrair. Às vezes as pessoas não entendem teu modo de ver as coisas.

A luz é a principal mola mestra da fotografia, mas outras nuances também se destacam e dependem do olhar de quem está fotografando.  Mas esse texto seria para falar de saudade. Saudade de um tempo em que  a gente participava de mobilizações, quando o país ainda vivia uma ditadura e depois as participações foram minguando.

Tive a honra de fotografar Luiz Inácio Lula da Silva em Alagoas. A primeira foi no primeiro comício que ele fez, na rua em frente à Assembleia Legislativa; na greve dos Bancários em 1991; no Espaço Cultural da Reitoria da Ufal, que ainda funcionava na Praça Sinimbu, onde ele autografou para mim duas fotos que eu tinha feito dele no comício.

Fiquei tão nervosa na hora com aquele contato com o maior sindicalista que o Brasil já teve, que quase não me contive. Também fotografei Lula em União dos Palmares,  na caravana da esperança, na Palmarina, para uma palestra com trabalhadores rurais.

Nessa época ele percorreu todo o país; outra oportunidade foi fotografá-lo no Parque Hotel Quilombo, onde a equipe foi almoçar e todos nós acompanhamos.

Desde a minha juventude eu tive consciência da luta de classes e sempre fiquei do lado do oprimido. Na década de 1980 assisti, também na reitoria, uma palestra do mestre Paulo Freire e fiquei encantada.

Na palestra ele criticava os livros de alfabetização do Nordeste, numa época em que o nordestino não conhecia sequer o que era uva, maça e outras frutas. "Vivi viu a uva", dizia a cartilha da Amanda, que eu me alfabetizei. E fiquei pensando naquilo que ele disse.

O mestre falou da pedagogia do oprimido e levou o auditório lotado a aplaudi-lo. Meu tempo de universidade, posso dizer, que apesar das dificuldades e limitações que tínhamos foi um tempo de aprendizado, de boas amizades e conhecimento. Falo tudo isso com muitaa saudade. Boa noite.

domingo, 22 de maio de 2016

Sobre a adolescência e de outros que tais

Por Olívia de Cássia

Quando a gente é adolescente costuma supervalorizar pessoas e coisas, como se fossem mais importantes do que são. Pelo menos comigo aconteceu assim; eu era uma pessoa de baixa autoestima e admirava nas pessoas o que eu não conseguia ser.

Segundo meu amigo rastafári Thiago Correia, eu fui a primeira mulher alternativa de União dos Palmares; isso por conta da minha rebeldia; roqueira, fui a primeira jovem a fazer vestibular para jornalismo naquela época e não costumava discriminar as pessoas de classe diferente da minha.

 Sempre gostei de rock in roll e de boa música; namorei um ex-hippie de 24 aos aos 17  e embora ele fosse pessoa conhecida da família, quase parente, fomos muito discriminados pela sociedade conservadora da época.

O namoro foi quase platônico, durou um mês apenas, mas durante seis anos sofri o pão que o diabo amassou por conta desse amor impossível. Por mais que minha mãe se colocasse contrária e tramasse alguma coisa para me fazer esquecer aquele sentimento, mais ele aumentava.

As beatas que iam para a igreja, já naquela época, quando me viam ficavam cochichando como se eu fosse alguma portadora de doença contagiosa. A discriminação era semelhante ou pior do que existe hoje, para quem se arrisca a pensar diferente.

Já àquela época, influenciada pelos movimentos de libertação, pelas minhas leituras, eu já avaliava a conjuntura de forma diferente, embora fosse uma adolescente romântica e ingênua, tanto que brinquei de boneca até aquele dia do beijo que me marcou para o resto daqueles dias.

O movimento hippie nasceu entre os anos 60 e 70, a década em que teve seu maior reconhecimento e desenvolvimento, seu lugar de origem foram grandes comunidades dos Estados Unidos.

Naquela época vários artistas eram símbolo do movimento, como o cantor e compositor Raul Seixas; Jimmy Hendrix, Os Beatles; John Lennon, entre outros. Os hippies defendiam o conceito “Paz e Amor”, mas negavam o nacionalismo, o patriotismo e as causas de violência e guerras. Aqueles jovens defendiam os valores da natureza, e desconfiavam do poder econômico e militar.

Segundo a literatura, no final dos anos 60 e início dos anos 70, o desenho animado Scooby- Doo foi feito por animadores que homenagearam à cultura hippie, além disso um personagem da série seria hippie (o Salsicha), mas não foi aprovado, então homenagearam os hippies imitado um carro desenhos floridos (Mistery Machine ou Máquina Mistério) que imita os carros coloridos e libertys dos anos 60 e 70.

Isso tudo acontecia, sem que nós tivéssemos essas informações, mas as influências do movimento foi se expandindo pelo mundo e por incrível que pareça, já naquela época chegou a União dos Palmares.
Minhas pulseirinhas alternativas e algumas roupas customizadas que eu usava foram alvo da fúria da minha mãe e ela queimou as minhas roupas, deixando poucas peças no guarda-roupa.

Talvez esse meu lado contestador tenha me influenciado a fazer jornalismo, apesar de eu ser considerada pelas pessoas do movimento hippie como uma 'filhinha de papai careta, que não fumava maconha, apesar da fama".

Depois de anos passados e já na faculdade, fiquei sabendo que alguns personagens da minha terra me achavam metida e intolerante, pela minha forma de pensar a vida. Hoje eu penso e repenso; me ponho no lugar da minha mãe, sei que para ela era difícil me entender.

Minha mãe nunca acreditava quando eu desmentia os falatórios sobre a maconha; preferia acreditar nas Candinhas fofoqueiras e mal amadas. Primeiro ela me castigava e depois ela procurava saber da verdade.

E esses eram os principais motivos das  nossas discórdias tão visíveis para toda a União. Eu corria para a casa das amigas e lá encontrava o apoio e a compreensão das mães das minhas amigas, que me conheciam mais profundmente que minha mãe, porque quase nunca conversávamos amigavelmente.

Eu não tenho crise nenhuma em falar dos problemas da adolescência, das crises existenciais, talvez seja por isso que passei tão pouco tempo na terapia e resolvi escrever sobre tudo aquilo; escritos que nunca publiquei.

Não é que eu não amasse a minha mãe,  pelo contrário; mas ela me tratava como se tivéssemos sido inimigas em outras vidas. Talvez no plano espiritual tudo isso, todos os meus dramas tenham uma explicação.

Minha mãe tinha uma personalidade muito forte e dominadora e como filha de senhor de engenho, tinha o espírito coronelista e dominador. Ela queria que todo mundo estivesse ali, submetido às suas ordens, o problema todo era a minha desobediência e rebeldia que ainda trago comigo, talvez justificando a assertiva de que pau que nasce torto morre torto" e não tem jeito. Boa tarde.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

O sono já se foi...

Por Olívia de Cássia

Querido Diário, às três horas da matina o sono já se foi tem mais de horas. Fui dormir cedo; tem sido um hábito corriqueiro e fazia tempo que não escrevia durante a madrugada. Ouço o barulho do caminhão vindo recolher o lixo da rua e ao longe as conversas dos garis: trabalhadores batalhadores que merecem todo o nosso respeito.

Meus gatos e cães dormem tranquilos o sono dos anjos. Hoje recebi a visita de amigas de União e fomos ver uma comédia, para aliviar um pouco as tensões e nos desviar das notícias indigeríveis da política brasileira.

Mas não consigo me desligar do noticiário e informações que me chegam de tanta asneira, trapalhadas, rabujice e indecência do chamado governo interino que prefiro chamar de golpistas, como todos os jornais do mundo noticiaram.

Só quem não percebeu foi Rosa Weber que intimou a presidente Dilma a explicar o motivo pelo qual chamou de golpe o atual governo. Sabe de nada a inocente. Vivemos dias intranquilos onde a população já não acredita na Justiça e nos poderes constituídos.

O silêncio da noite às vezes no faz refletir sobre situações passadas e presentes: tanto pessoais quanto conjunturais. Hoje encontrei num supermercado  uma moça da minha cidade natal que quase não reconheci, pois tivemos pouca aproximação, e nos pusemos a conversar sobre traições e infidelidade do ser humano e como é difícil de se conviver com isso.

A traição em todas as suas formas e situações é a pior covardia de um ser humano. Tanto nos relacionamentos pessoais, de amizade e ou corporativos. Dizem que o tempo e a vida se encarrega da lei do retorno, mas eu não sei mensurar se quando chega essa resposta o autor da traição estaria lembrado do que fez ou arrependido de tão sórdida atitude.

E fico me perguntando muitas vezes, onde está a justiça que as pessoas tanto dizem que existe. Mas esse não é um assunto da minha seara e deixo a quem de direito possa fazer um estudo aprofundado a respeito dessa querela.

Mas me indago como pode haver pessoas tão cínicas, sem escrúpulos que acham que nunca vão ser descobertas em suas 'espertezas e atitudes abjetas. Vejo injustiças sendo cometidas a todo o instante ao meu redor.

O país está passando por uma das suas maiores crises políticas, sendo corroborada por uma imprensa corrupta, que sempre esteve do lado do poder econômico e dos poderosos e lamento tudo isso.

Vi no noticiário alternativo os argumentos do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e dá nojo de ver a cara cínica da figura e de pensar que muita gente foi para a rua, para defender pessoa tão sem escrúpulo.

Segundo ele avalia, colocar dinheiro num “trust” é a solução para qualquer lavagem de dinheiro do mundo e no Brasil isso tem se tornado rotina. De acordo com o site Tijolaço, o que Cunha diz quando 'doa ao “trust”, o dinheiro não é dele mais.

Numa entrevista que concedeu, disse que o dinheiro era mulher 171 que tem,  ex-jornalista da Globo e ele apenas um usuário da conta. Chama a todos (instituições e pessoas) de idiotas. É muito cinismo.

Por outro lado, o tal governo provisório, permeado de corruptos que diziam lutar contra a corrução, vem cometendo trapalhadas e retrocessos desde o primeiro dia. Sem contar a nomeação de sete ministros envolvidos na Operação Lava Jato, que o juiz Sérgio Moro ignora.

Só valia o seu interesse para comprometer o PT, Lula e Dilma. É muito ódio a um partido que fez tanta benfeitoria para os menos favorecidos, atitude que revolta elite endinheirada e alguns setores da classe média remediada, que está se achando rica.

A sacanagem mais recente foi sitiar a presidente Dilma no Palácio da Alvorada. A mídia golpista não denuncia, mas as redes sociais e sites alternativos, ainda bem que existem e têm mostrado para o mundo o que o Brasil está vivendo.

A 'República das Bananas' comandada por patetas corruptos, insanos e desconexos. A informação foi passada pelo senador Jorge Viana (PT), em discurso na tribuna do Senado.

O parlamentar afirmou que, para ver a presidenta, qualquer pessoa precisa passar por uma barreira e um militar fortemente armado: "A presidente eleita está sitiada?", perguntou.

Segundo o site Rede Brasil Atual, o petista apelou aos ministros da área militar para que interceda na questão. O senador do PT disse que havia acabado de visitar Dilma.

“Eu estava com o presidente do Congresso Nacional e tivemos que nos identificar, esperar um bom tempo para que telefonemas fossem dados para ver se nós podíamos passar para fazer uma simples visita à presidente Dilma. Isso significa que a presidente eleita está sitiada? Que país é esse? Que governo provisório é esse?”, indagou.

Cada dia fica mais claro que a Operação lava Jato não foi criada para investigar a corrupção no país e sim o Partido dos Trabalhadores e suas lideranças e incriminá-los de qualquer jeito.

Em várias delações premiadas, o senador Aécio Neves (PSDB) foi citado e nem assim o juiz abriu inquérito para investigá-lo, pois o nobre magistrado, como já foi noticiado largamente tem ligações muito próximas aos tucanos.

Só para clarear um pouco meus leitores do blog, em janeiro do ano passado, o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, foi acusado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal de ser transportador de dinheiro de propinas do doleiro Alberto Yousseff.

Segundo o noticiário da época, Careca disse em depoimento à PF do Paraná que, em 2010, entregou R$ 1 milhão ao então candidato a governador de Minas Gerais Antônio Anastasia (PSDB) para repassar a soma a Aécio Neves.

Em agosto de 2015, o doleiro Alberto Youssef afirmou, durante depoimento à CPI da Petrobras, que Aécio Neves recebeu dinheiro de corrupção envolvendo Furnas, subsidiária da Eletrobras. “Eu confirmo (que Aécio recebeu dinheiro de corrupção), disse o doleiro.

As denúncias, no entanto, foram engavetadas. A assessoria de imprensa de Aécio afirmou que Youssef apenas disse que ouviu dizer que o senador recebeu propina, não que ele recebeu dinheiro de corrupção.

Também à época e em nota, o PSDB disse que as declarações dadas por Youssef à CPI não foram “informações prestadas, mas sim ilações inverídicas feitas por terceiros já falecidos”, a respeito do então líder do PSDB na Câmara dos Deputados, podendo, inclusive, estar atendendo a algum tipo de interesse político de quem o fez à época”.

E conmo sempre acontece quando a corrupção se refere aos tucanos, nada foi investigado e tudo continua como antes: investigações só servem para as supoistas irregularidades cometidas pelos desafetos da mídia, da Justiça e do podre Congreso Nacional.

 Só para a gente refletir um pouco nessa madrugada, quase amanhecendo já. Uma ótima sexta-feira para todos.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Que Deus nos livre da intolerância

Por Olívia de Cássia

Querido Diário, bom dia. Mais um tempo em que me foi permitido acordar e levantar, apesar da dificuldade. Acordei me sentindo mais disposta; hoje foi dia de fisioterapia e tenho me empenhado muito a não faltar um dia sequer, para continuar a minha luta.

Agora há pouco, quando voltada no táxi, vim observando a paisagem e o movimento dos transeuntes. Adiante uma mãe empurrava o filho adolescente na cadeira de rodas, também vindos de lá da fisio e fiquei pensando que aquela criança talvez não tenha tido nunca a oportunidade de caminhar como tive e ainda tenho.

E tal qual a Pollyana dos livros da adolescência,  me pus a procurar desculpas para minha situação e agradecer por ainda estar no atual estágio da ataxia. Não é pieguice; são formas que a gente vai encontrando na nossa mente, para contornar a situação e não se deixar levar pelo desespero.

Freud, citado pelo jornalista e escritor Roberto Drummond, em seu livro Hilda Furacão, leitura que só agora estou fazendo, disse que nos momentos difíceis da vida, nós nos infantilizamos. Isso tudo talvez como uma forma de suavizar cada situação, avalio eu.

No livro, o escritor fala de jornalismo, literatura, realidade e ficção. Fala de um tempo em que o repórter ia para a rua caminhando ou de ônibus, porque as empresas não concediam transporte para tal.

Em algumas passagens fala de um jornalismo romântico e saudoso que não existe mais e do desejo que ele tinha de cobrir conflitos, tal qual eu, quando pensei em ser jornalista. Achava que ia cobrir guerras, da mesma forma que Euclides da Cunha, em Os Sertões.

Nessas horas um sentimento de saudade evoca as minhas lembranças de adolescente e jovem sonhadora, que era criticada naquela época pela família e alguns amigos da terrinha, pelas minhas pretensões de ser jornalista, poeta, ou escritora. Fui a primeira da minha época a ter tal atrevimento na União dos Palmares da década de 1980.

Eu era muito romântica e me comovia facilmente com histórias dramáticas, feito Romeu e Julieta, um clássico de Shakspeare. E quanto mais eu lia, mais alimentava meu sonho, escrevia alguns versos e textos, mostrava para uma vizinha próxima, que me achava infantil,  ingênua e romântica.

Sem contar a oposição ferrenha da minha mãe, dona Antônia, às minhas expectativas de ser jornalista. "Faça medicina, direito ou outro curso, mas esse é de doido e maconheiro", dizia ela. Eu era uma menina sonhadora, naquela época e ainda acreditava no amor leal, sem traições.

No amor que era capaz de enfrentar todas as barreiras que aparecessem para ser vivido. E lutei muito para que meus sonhos se tornassem realidade; mas nem tudo o que a gente sonha é capaz de realizar; aprendi mais tarde com a vida e os impedimentos que tanto lutei para superar.

Mas voltemos ao dia de hoje, que amanheceu ensolarado e me trazendo um pouquinho de esperança: tanto na vida pessoal quanto na atual conjuntura do país. Apesar desse golpe desmoralizado, proporcionado pelos partidos que fazem oposição aos governos Lula e Dilma, me vejo esperançosa com as mobilizações dos movimentos sociais e estudantes.

Era preciso sacudir a moçada. Os estudantes e as mulheres, principalmente,  pelo país afora, vêm mostrando que não foram feitas para ser recatadas e do lar e sim para lutar pelos seus direitos e os dos menos favorecidos.

Por que lugar de mulher é onde ela quiser estar. Em todos os lugares, independente de credos e ideologias. É preciso que a gente mostre o descontentamento, a insatisfação e o inconformismo com toda essa palhaçada política que o país está vivendo.

Movimentos fascistas, conservadores e de direita forçaram a volta ao poder a qualquer preço e esqueceram que não estamos mais vivendo a época do coronelismo, embora com o golpe o Brasil está voltando ao século IX.

Li no portal Vermelho, que a atriz Letícia Sabatella, ativista na defesa da democracia, assim como outros cidadãos, desde que assumiu o seu posicionamento contra o impeachment  nas redes sociais é alvo constante de ataques ofensivos de internautas.

Não só em sua página no Facebook, mas agora pela própria imprensa conservadora que manipula seus dizeres na tentativa de caracterizar a atriz como uma incitadora de intolerância e ódio.

E me reporto a um texto conceitual que li no Facebook do colega Cassio Araújo, da Ufal, militante daquela época. O texto disserta sobre o fascismo. "O fascismo é o regime político da intolerância, da truculência, da tirania e do ódio ao que é diferente, por isso é inimigo figadal da democracia", diz o texto.

Segundo ele, o fascista tem desprezo pela vontade da maioria e dos mais necessitados em detrimento da minoria e dos mais aquinhoados. "Ser fascista é não saber discutir e nem dialogar, arvorando-se o dono da verdade", observa.

Além disso, segundo esse pensamento, o fascismo é utilizar-se da violência verbal, e até física, para mostrar que tem razão, interditando qualquer discussão e é o que estamos vendo todos os dias nas redes sociais. A intolerância com quem pensa diferente.

 "O fascista faz uso da intimidação para não ser contestado. Usa, ou defende o uso, de todos os meios possíveis e imagináveis para a tomada do poder, inclusive por meios aparentemente legais, ou por meios violentos e cruéis, para instalar um governo para os poderosos", diz o texto.

É o que está acontecendo com o dito governo interino, que me recuso a chamar de presidente, já que golpistas para mim não me representam. Bom dia.