quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O que veio depois

Olívia de Cássia – jornalista

Em outubro de 1988 foi promulgada a nova Constituição da República Federativa do Brasil. Resultado de muitos debates, seminários, passeatas e discussões relevantes para um período marcado pelo retorno à democracia.

Dizem que a nova Carta Magna trouxe consigo também as lutas dos movimentos de mulheres e suas reivindicações. Dessa forma, conceitos como "sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação" foram incorporados ao texto da nova Constituição.

Não é que a realidade atual reflita totalmente o que manda a lei, mas as mulheres passaram a ter visibilidade no documento, ao serem igualadas aos homens, em direitos e obrigações. Não foi uma luta fácil e ainda falta muito para a gente conseguir a igualdade de gênero.

Itens como a licença-maternidade, licença-paternidade, direito de poder ter intervalos para amamentar o filho, depois do fim da licença-maternidade, entre outras conquistas que revolucionaram a sociedade moderna, foram conseguidas, embora tenha havido muitas críticas à nova Constituição.

“O movimento feminista refletiu, também, no Brasil, na atuação das mulheres que incorporaram a busca pela modificação das práticas masculinas, bem como o respeito às diferenças entre mulheres e homens”, afirma  Tania Fatima Calvi Tait, da Universidade de Maringá.

Segundo Tania, a busca pela igualdade é colocada na ordem do dia e se reflete na luta por igualdade salarial, apoio às mulheres trabalhadoras e a participação da mulher na política, ocasionando discussões de ordem religiosa e familiar ao colocar em cheque o papel tradicional e culturalmente aceito da mulher na sociedade.

Uma discussão que se arrastou durante anos no movimento feminino foi a implantação das casas de passagem, que desde muito antes da aprovação da Constituição de 1988 eram alvo de grandes debates em seminários e encontros femininos.

A gente já discutia a sua criação nos diversos municípios alagoanos, baseado na necessidade da criação desses locais, por conta da violência contra a mulher, que já se alastrava no País. É um tema que ainda hoje vem à discussão, já que muitos municípios criaram as casas de passagem, mas não têm estrutura para receber a demanda.

As mulheres continuam sofrendo preconceitos diversos, mesmo que os tempos tenham mudado, a conjuntura é outra e os valores familiares, alguns foram deturpados. Naquela época Mãe solteira era discriminada pela sociedade, que na maioria das vezes não admitia essa mulher como uma pessoa séria.

A gente estudava sobre socialismo e a luta das mulheres pela sua libertação, para superar todo o preconceito. A partir da década de 1930 do século passado, ela conquista o direito de votar e foi Bertha Lutz a grande responsável por esse feito.

Das grandes violências sofridas pelas mulheres naquela época de faculdade, duas me marcaram bastante: uma foi a história da mulher que foi marcada com ferro de marcar bois, pelo marido insatisfeito com a traição, nos dois lados do rosto, em Alagoas.

A outra foi o caso de uma estudante universitária, do Sudeste do País, que teve o corpo todo queimado com álcool pelo namorado. Afora esses casos os de assassinatos que vêm acontecendo ao longo desses anos todos, ainda por ciúmes e falta de amor. Ainda temos muito o que lutar. Bom dia!

Ronaldo Medeiros diz que é preciso investir em programas sociais


Com Assessoria

Durante a sessão desta quarta-feira (27), da Assembleia Legislativa, o tema violência e combate à criminalidade foi alvo do discurso do deputado Ronaldo Medeiros (PT), que preside a Comissão Especial que acompanha o plano Brasil Mais Seguro implantado em Alagoas desde o ano passado.
Segundo o petista, no Estado, dez cidades são responsáveis por 70% dos crimes alagoanos e Maceió responde por 40%.

“Que ações estão sendo implantadas para mudar esses números¿ E o que me chama a atenção é que nessas cidades não há uma ação preventiva, o Governo do Estado tem que promover educação, saúde e assistência social, combater a criminalidade não é só colocar policial na rua”, afirmou Medeiros.

O parlamentar, que foi aparteado inúmeras vezes por seus pares na Casa, ainda questionou o problema social tendo em vista que grande parte da população vive na pobreza.

“Se não investirmos em programas sociais e em educação só teremos aumento na criminalidade. O Brasil Mais Seguro, como está, não vai dar certo, apesar de que eu torço para que seja um plano vitorioso”.

Ainda em seu pronunciamento, o parlamentar afirmou que é preciso incluir no plano a participação direta das Secretarias da Mulher, da Juventude, Emprego, Assistência Social, para que o “problema” da violência seja visto de todas as áreas.

“Vou me dedicar bastante a esta Comissão que acompanha o plano para que nada seja ‘mascarado’ e assim possamos cobrar ações concretas do Estado com base no material que recebemos dos órgãos competentes, pois é inadmissível em Maceió termos 140 mortes em dois meses”, observou Medeiros.

O petista ainda questionou: “Se com a Força Nacional aqui os números ainda estão assim imagina quando sair¿ Do jeito que está não pode continuar e nós deputados estaremos em alerta para cobrar e contribui para mudar essa realidade que hoje nos assombra”, finalizou o deputado Ronaldo Medeiros.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

As lutas das mulheres


Olívia de Cássia - jornalista

Comecei a frequentar as reuniões da Associação dos Moradores do Tabuleiro do Martins (Amotan) lá pelos idos de 1985, quando começamos a pensar na elaboração do nosso Projeto Experimental (monografia) para a conclusão do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que hoje é denominado TCC.

Naquela época, o movimento de mulheres em Maceió era ativo e a presidente da entidade era dona Ivanise uma senhora muito simples, mas que nos recebia com muita atenção. Na comunidade tinha muita mulher carente que frequentava a associação por conta da entrega tíquete do leite, que já naquela época era programa do governo.

A nossa aproximação com a entidade foi uma indicação do nosso orientador, professor Antònio Cerveira de Moura, para que nos entrosássemos com a comunidade e pudéssemos desenvolver a parte prática do trabalho por lá.

Acompanhávamos as reuniões da entidade e um ano e meio depois começamos a desenvolver essa parte, que foi muito atrapalhada, pois a gente  não tinha experiência nenhuma, mas que nos deu um pouco de suporte, já que nosso trabalho tinha como tema: “Em busca de uma comunicação alternativa da mulher”.

Nossa tarefa prática era fazer uma inserção de 15 minutos num programa de rádio veiculado num serviço de alto-falante tipo corneta, que era feito pelas colegas de curso Eunides Lins e  Carla Salignac, que também estavam terminando o curso e desenvolvendo seu trabalho no local.

No programa nós abordávamos os problemas vivenciados na época pela sociedade brasileira. O presidente do País era José Sarney, quando o país atingiu o ponto mais alto de inflação. Tinha fila nos supermercados para se comprar produtos, principalmente o leite e toda hora os preços  mudavam.

Falávamos da carestia, da violência contra a mulher, questões de saúde, da opressão e da submissão que a mulher sofria e todo aquele contexto vivido naquela época. Era tudo muito engraçado e difícil, pois fazer comunicação na porta de um abatedouro de aves ou na porta do Bar do Baixinho não era uma situação normal.

Apenas três vezes conseguimos o nosso intento, por problemas diversos que foram surgindo: ora os equipamentos não chegavam porque ficavam na associação e quem ficava responsável não levava ou por outro problema qualquer de apoio logístico.

Mas a parte teórica nos deu suporte para terminar o trabalho, depois de dezenas de entrevistas com lideranças femininas do Estado, visitas à Câmara de Vereadores e muita leitura. Lemos mais de 30 publicações e obter a nota nove foi a maior alegria para nós três: eu, Niviane Rodrigues e Rose Rocha.

Era a concretização do nosso sonho que a gente via acontecer, depois de tanta peleja, lutas e dificuldades para uma menina vinda do interior como eu  e ser a primeira da cidade a fazer jornalismo, indo de encontro à vontade de sua mãe.

Quando terminamos o curso, eu e Niviane já estávamos empregadas, no jornal Gazeta de Alagoas, o principal veículo do Estado, mesmo que aquela não fosse a função que sonhamos, antes de obter o diploma. De lá para cá muita coisa mudou.

Assumimos nossa profissão, mas a lembrança daquela experiência de luta universitária ainda me traz saudade. Antigamente o movimento de mulheres era muito forte e havia várias entidades femininas no Estado, que eu acompanhava de perto. Fosse indo  às passeatas, em reuniões ou em outra atividade qualquer.

As mulheres conseguiram muitos avanços na Constituição cidadã de 1988, mas o preconceito contra elas ainda não acabou e muitas lutas daquela época, incrivelmente, depois de tudo o que foi conquistado ainda exige um estudo aprofundado. Bom dia e fiquem com Deus. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Continuo lutando

Olívia de Cássia - jornalista

O calor á é insuportável, logo cedo. As pessoas começam a rumar para o trabalho, sozinhas, ou em grupo. Eu quase que não consigo sair da cama e quando finalmente aquele relógio interior anuncia o ultimato, eu levanto cambaleante, procurando um ponto de equilíbrio.

Às vezes não sei se praguejo ou se faço novas orações, agradecendo a Deus por ainda me conceder a graça de poder fazer minha higiene pessoal e tarefas diárias, sem precisar de outras pessoas.

É uma luta diária a de quem tem limitações e quando me levanto, tombo daqui, tombo dali, até conseguir um pouco de equilíbrio e descer a escada de casa para cuidar da vida. Nessas horas encontro uma força superior que me impulsiona a seguir em frente e me digo todo o dia:

“Levante, vá cuidar da vida, o mundo te espera lá fora, mesmo que para te dar uma lição. Não tenha medo, você vai conseguir, continue lutando em busca de seus objetivos”. Não é clichê, não é chavão.

E nessas horas eu agradeço a Deus por cada pequena conquista. O caminhar, ainda que cambaleante – minha capacidade de raciocínio, de poder fazer minhas leituras e ter muitos amigos.

Fiz muitos amigos ao longo desses anos. Uns mais e outros menos, mas a alegria de tê-los como aliados, pelo menos para me ouvir, já é uma vitória.

Tenho sono, não matei direito a preguiça e o que me vem agora à mente é como vou conseguir pagar tanta conta pendente e o outro mês já vem chegando. 

A esperança é que meu currículo resumido tenha chegado ao coração de alguém e eu possa conseguir meu intento. Preciso de qualidade de vida e conforto para prosseguir essa jornada. Bom dia!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Aprendizado

Olívia de Cássia - jornalista

Mesmo sabendo das dificuldades que eu ia encontrar pela frente na vida, não achava que fosse tão difícil; mas não é fácil a luta para quem não nasceu abastada e tem que sobreviver com muita garra, honestidade e trabalho.

As dificuldades e pelejas do mercado são muitas e desde aquele dia em que eu coloquei um ponto final nas minhas memórias, muita coisa aconteceu na minha vida; foram muitos os caminhos que percorri até aqui.

A morte da minha mãe naquele dezembro me trouxe muita incerteza, inseguranças e um vazio enorme na minha vida. Eu não sabia se ela tinha me perdoado por toda a minha desobediência, por toda aquela minha rebeldia.

Meu relacionamento já estava por um fio e pouco tempo depois também teve um ponto final. Eu que já tinha passado por uma terapia, tomado um monte de remédio para loucos tive que começar a reaprender a viver. Não é fácil, mas se temos força de vontade, apoio dos amigos e disposição para melhorar a gente consegue.

A partir daquele dia eu já não conhecia mais a pessoa com quem convivi durante quase 20 anos e que se tornara um estranho para mim. Uma pessoa fria, calculista, materialista e vazia. Não foi por aquele homem que eu havia mudado o rumo da minha vida, sacrificado algumas chances de crescer e entregado toda a minha vida, de corpo e alma.

A gente convive tanto tempo com o outro e não conhece ninguém. O ser humano é um mistério que eu busco entender todo dia. Por causa de interesses materiais as pessoas se transformam se tornam egoístas, se acham os donos da verdade e desprezam seus aliados e com quem convive.

Fui vítima dessa situação e hoje eu avalio com mais maturidade que a ingenuidade e o erro partiram de mim, que depositei toda a minha expectativa de vida em uma pessoa quando deveria ter procurado crescer e me aprofundar nas questões práticas da vida.

Por causa do meu lado utópico e sonhador eu fui alimentando sonhos de transformar o outro numa pessoa que ele não era e que jamais alcançaria ser. Talvez o meu cérebro tenha ficado atrofiado ou anestesiado para essas questões de sentimento.

Eu nunca fui de me ligar muito nas coisas da vida que eu ouvia e já sabia por meio dos livros. Vivia alimentada pelo meu sonho de ser jornalista e a vida sentimental era apenas um complemento daquela minha vida que eu fui levando, achando que estava sendo e fazendo a outra pessoa feliz.

Não entendia que estava vivendo com um homem eternamente insatisfeito, que não se contentava em ter apenas uma mulher e queria usufruir todas sem pensar nas consequências que viriam depois. Esse lado da vida eu conhecia nos livros que eu lia e nas histórias que escutava por aí afora, mas eu não absorvia nunca que aquilo ia acontecer comigo um dia. 

Diante de uma situação vexatória passada por ele eu fui parceira e mesmo sofrendo com a infidelidade, fiquei solidária, ajudei-o a superar aquilo, me tornei cúmplice de um erro estúpido e perdoei. O envolvimento com mulheres comprometidas foi algo que fiquei sabendo depois e aquilo me magoou bastante.

É muito duro a gente admitir uma derrota, mas quando a gente se fortalece diante do caos se torna mais segura. Eu procurei na psicologia e na sociologia todas as explicações para aquela situação vivida e para todas as que surgem atualmente ainda.

Não é fácil ser sozinha, surge todo o tipo de dificuldade e impedimentos, ainda mais quando a gente tem limitações de saúde. Dizem que o amor não prospera em um coração cheio de sombras e aquele deve ser desse tipo.

Até hoje eu procuro explicações para tudo aquilo, mas agora eu avalio que não vale mais a pena todo aquele sofrimento que eu vivi por conta de uma pessoa que não se importava comigo e queria apenas usufruir de alguma vantagem material que eu pudesse lhe proporcionar e depois avaliou que não tinha mais nada que pudesse lhe dar  lucros e dividendos, já que tinha sugado tudo o que eu tinha de melhor na vida.

São esses pensamentos que me vêm agora, nesse fim de domingo e  espero que logo se dispersem e me deixem ser feliz no meu trabalho e na vida. Boa semana e fiquem com Deus. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Nada posso....

Olívia de Cássia - Jornalista

Do lado do anexo da Assembleia Legislativa eu observo o movimento dos servidores que chegam tagarelando, animados para a jornada desta sexta-feira, último dia da semana e de trabalhos na Casa.

Assim como eu, certamente, muitos desses personagens estão vivendo seus dramas pessoais, tentando resolvê-los da melhor maneira possível, sem se mutilarem, sem se afetar interiormente.

Penso em mim, em algumas dificuldades que estou vivenciando esses dias. Eu queria ser mais forte hoje do que fui ontem, saber encarar todos os problemas de frente, sem desviar dos meus caminhos, objetivos e sonhos, sem desviar do meu foco.

Às vezes dói quando ouvimos de quem a gente ama, uma  pessoa da família, palavras duras, por conta de um entendimento equivocado de um gesto nosso, feito unicamente por amor, por uma preocupação maior.

E nessas horas eu morro por dentro, porque  tudo não passou de uma interpretação errada de um texto mal conduzido, mal elaborado. Meu lado fraterno está sensível, carente de afeto. Estou carente de mim, estou só.

Desperto dos pensamentos e agora chega a chave da porta do gabinete na Assembleia e entro para dar início à minha jornada de trabalho da manhã.

Amo o que faço, sou apaixonada pela minha profissão, ser jornalista era tudo o que eu queria na vida,  gosto de trabalhar e o trabalho me proporciona conforto, distração, alegria e até diversão.

Começa uma reunião de trabalho e no painel do data-show uma frase de Hermann Hesse, um dos meus autores preferidos na juventude me chama a atenção para esse momento vivido:

“Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo”. Sobreviverei.  Boa tarde!

Até que a morte nos separe

Olívia de Cássia – jornalista

Reciclar, renovar, refazer, reconstruir tudo de um ponto abandonado, do nada. Reconstrução da vida, encontro do meu eu. Não sou nada na vida se eu não tenho a presença da espiritualidade dentro de mim.

Busco ser melhor a cada dia, porque sou um ser errante, sou cheia de defeitos. Se alguém me ama fraternamente, sabe de todos eles. Eu quero a compreensão, a evolução. Fugir de tanto atropelo para não sair de cada um tão machucada e interiormente destroçada.

Às vezes a gente cria expectativas, se engana por conta disso e daí surgem as grandes decepções. Mas ‘muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte’. Desde menina me achava um pouco estranha, diferente das  outras crianças.

Procurava me enturmar e fazer amizades tentando me descobrir. Às vezes sou decepção e nessas horas eu fico triste quando descubro meus pecados mais feios. Eu pensei que fosse realizar os meus mais doces sonhos.

E a presença de mamãe nessas horas surge muito forte. Às vezes sorrindo, me encorajando outras de repreensão ou de exclamação, como se ela tivesse me dizendo: “Eu bem que te avisei minha filha”.

E nessa hora um choro incontido e agoniado jorra do mais profundo do meu eu e procuro nos quatro cantos da casa ou de onde eu tiver, um apoio, uma resposta, um suporte para me levantar e seguir em frente na vida.

É difícil a gente encontrar segurança, amparo, apoio e ele vem, esse apoio, de onde a gente não espera. Está na minha frente: os quatro felinos me rodeando e Malu e Otto no quintal, como se tivessem a me dizer: “Não se desespera, estamos aqui, nós te amamos, incondicionalmente; não vamos te abandonar,  até que a morte nos separe.

E é neles que encontro essa coragem para não esmorecer de vez diante do caos que às vezes se instala em minha vida. E busco e rebusco no mais profundo de meu ser as forças para recomeçar do nada, de um ponto. A vida segue em frente. Bom dia!

Secretaria de turismo de União realiza reunião da Instância de Governança da Região dos Quilombos

Por João Paulo Farias – Secom/UP
O município de União dos Palmares foi sede na manhã desta quinta-feira, 21, de um grande evento sobre turismo na Região dos Quilombos.A reunião da Instância de Governança, que envolve cinco municípios, discutiu o potencial turístico que União dos Palmares, Ibateguara, Murici, São José da Laje e Viçosa, podem oferecer ao país e ao mundo.

Quem participou pode assistir a palestras apresentando como trabalhar com o turismo no Estado e as formas de legalizar as atividades.

Para o prefeito de União dos Palmares, Beto Baia (PSD), o fortalecimento do turismo na região vem a ser um dos grandes projetos de seu governo. “Temos Zumbi dos Palmares como bandeira do nosso turismo, essa indústria sem chaminé, vai gerar muito emprego e renda na região”, disse Beto.

O prefeito destacou a importância da integração desses municípios e os investimentos que podem ser feitos para alavancar o turismo e atravessar as fronteiras do Estado.

Prefeito de União Beto Baia

“Tudo que chegar em União, chega na região, vamos explorar Zumbi, a Serra da Barriga, capacitar principalmente os jovens e parar de depender só da cultura da cana-de-açúcar; vamos sim desenvolver uma outra de forma de gerar emprego e renda”, concluiu, Beto.

A secretária de Turismo de União, Jacineide Maia, disse que “o momento é histórico para o município e região, entrelaçando o desenvolvimento sustentável para a geração de emprego e renda”.

Ela destacou ainda o privilégio de ter a Serra da Barriga, com o turismo único no mundo, por intermédio do Parque Memorial Quilombo dos Palmares. Além de União, a secretária falou da importância do turismo ecológico na região, com destaque para Murici, além do fortalecimento da rede hoteleira e artesanato.

Segundo Mel Bezerra, da Secretaria de Estado do Turismo, é necessário aproveitar o potencial turístico e atender a todos os segmentos, principalmente com uma interlocução de empresários da cadeia produtiva. “Fizemos o catálogo da Civilização do Açúcar e toda essa região foi contemplada”, disse.

O Presidente do Sindicato da Indústria e Confecção de Alagoas, Francisco Acioli, disse que toda a estrutura da Federação da Indústria, Senai, Sesi, está disponível para fazer parcerias com os municípios.

PRESENÇAS

Diversas autoridades compareceram à reunião: secretários de turismo dos cinco municípios, secretários o vereador Antônio Rosendo, (PT do B) do município de União, representantes da Secretaria de Estado do Turismo, do Sebrae, da Fundação Cultural Palmares, o presidente do Sindicato da Indústria e Confecção de Alagoas, representantes da Abih, da Maceió Convencion, empresários de União e sociedade civil.


Secretária de Turismo de União, Jacineide Maia
 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Quando falo de solidão...

Olívia de Cássia – jornalista

A solidão que me acomete agora às vezes é um sentimento de abandono, às vezes não: é apenas uma maneira de autodefesa minha. Maneira de encarar a vida e me conhecer melhor. A solidão é minha companheira de muitas horas, dos meus silêncios, meus segredos mais profundos.

Antigamente a gente do interior  vivia em grupos, fazia as refeições na mesa, com a família. Era a hora de atualizar vivências, de passar conhecimento e coragem para os filhos. Hoje eu não tenho mais isso na vida; perdi minha família, minha referência, não tenho filhos.

Como disse Machado de Assis em Dom Casmurro, não terei a quem passar o meu legado. Às vezes sinto-me só. Mas quando a solidão bate à minha porta, eu procuro uma presença espiritual para me orientar e me conduzir para o melhor de mim.

Quando falo de solidão, falo de um sentimento introspectivo, uma sensação de saudade, talvez saudade do que não foi vivido e do que eu vivi também. Saudade das coisas boas que eu vivi e daquelas que ficaram apenas na minha vontade de fazer. Solidão que há em mim.

Tenho saudade dos meus pais e de tudo aquilo que me ensinavam nas horas das nossas refeições lá em casa, em União dos Palmares. Meu pai dizendo aqueles versos embolados e engraçados, feito literatura de cordel ou falando de suas aventuras quando era solteiro.

Era muito bom tudo aquilo e eu me sinto só sem a presença deles em minha vida para me dar o suporte emocional que eu preciso nesse instante, em que vivencio tantos problemas da vida prática.

Eu não soube conduzir como deveria a minha vida. É uma sensação às vezes de inabilidade, inapetência, mas ainda preservo os valores que carreguei comigo por toda a vida. Os valores familiares que estão distantes da gente de hoje.

Dizem que a cura para a solidão familiar é o estar presente, mas no meu caso a única presença que tenho disponível é a minha mesmo e a dos meus filhotes de quatro patas. E nessas horas eu prefiro a companhia deles para não atrapalhar a vida dos outros que já têm seus problemas.

Tenho mania de solidão, solidão para fazer minhas reflexões, minhas leituras, meus escritos, minha vida de solteirice na maturidade. Mesmo sem querer a gente busca a solidão, todos os dias, é só dar uma olhada a nossa volta.

É uma solidão sem mesquinhez, sem atropelos essa minha. Talvez seja a oportunidade do crescimento interior, do autoconhecimento, da aprendizagem. Pouca gente sabe lidar com a solidão e para mim é um novo aprendizado a cada dia. Eu me dou muito bem com a minha solidão interior e a da vida prática. 

Quando falo de solidão...Boa noite e até mais tarde. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Governo do Estado vai se instalar no Sertão

 Fotos: Olívia de Cássia - arquivo
Plenário da ALE
Com assessoria

Na próxima semana, a  sede do Governo do Estado será transferida para o Sertão alagoano. O projeto que trata da matéria foi aprovado por unanimidade, na sessão ordinária desta quarta-feira, 20, na Assembleia Legislativa Estadual (ALE).  A sede administrativa do Executivo ficará instalada no município de Santana do Ipanema, entre os dias 25 de fevereiro e 1º de março.

Antes de ser aprovado, o projeto foi analisado por um relator especial, por tramitar em regime de urgência. Para que isso acontecesse, a sessão foi  suspensa por dez minutos, atendendo solicitação do líder do governo, deputado Edival Gaia Filho (PSDB).

Durante o processo de apreciação da mensagem do Executivo, o  deputado Joãozinho Pereira (PSDB) propôs que a Assembleia não apenas autorize a transferência da sede administrativa do governo, mas vá além e acompanhe as ações governamentais no combate à seca.

O presidente da Casa, deputado Fernando Toledo (PSDB) disse que a ALE já faz isso por meio de comissão. “Já fazemos isso, pois esta Casa já tem uma comissão especial nesse sentido”, observou  Toledo.

O deputado Judson Cabral (PT) lamentou ontem, durante a leitura de sua mensagem na reabertura dos trabalhos da Assembleia, que o governador Teotonio Vilela Filho não tenha se justificado quanto a não aplicação de R$ 10 milhões encaminhados pelo governo federal para ações de combate à seca.

Deputado Ronaldo Medeiros (PT)
Já o líder do PT, deputado Ronaldo Medeiros, propôs que a Assembleia realize uma sessão ordinária no Sertão alagoano, como condição de oferecer apoio aos sertanejos em suas ações.

PLANO JUVENTUDE VIVA

Sobre o lançamento do Plano Juventude Viva ao Estado,  o deputado Ronaldo Medeiros fez um pronunciamento no plenário da Casa de Tavares Bastos destacando a vinda para Alagoas  da secretária nacional de Juventude, Severine Macedo, para instalar o comitê gestor do Plano Juventude Viva no Estado.

Segundo Medeiros, essa atitude serviu para incentivar o plano e trazer recursos para Alagoas. Ele citou alguns desses valores, a exemplo do que foi  destinado para a saúde, onde já foram repassados R$ 310.000 para a Prefeitura Municipal de Arapiraca e R$ 200.000 para a Secretaria do Estado de Saúde de Alagoas pelo projeto Viva Jovem (vivajovem.com).

O petista ressaltou que para a Política de Juventude foram repassados para a Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos o total de R$ 1.254.400 e para o Município de Marechal Deodoro R$ 266.000, no projeto Estação Juventude, entre outros somando um total de R$ 3.236.112,80. Medeiros observou também que já estão previstos para 2013 outros repasses que totalizam R$ 26.184.161,79.

“Isso é mais uma prova de que o Governo Federal tem investido bastante no nosso Estado. O que lamento é observar que os planos de combate à violência só trabalham no combate, não desenvolvem outras ações paralelas como o incentivo e melhora da educação no Estado que continua com índices alarmantes de analfabetismo”, disse o deputado.

O petista complementou  ainda que sente “temor”, de que o programa Brasil Mais Seguro de fato não funcione em Alagoas. “Nós temos que repensar junto com o governo para que algo seja feito e mude o direcionamento que está sendo dado a este plano até o momento se não, nada vai mudar”, finalizou.

Secretaria de Saúde de União realiza mutirão de combate à dengue


Por João Paulo Farias – Secom/UP
A Secretaria Municipal de Saúde, por intermédio do Núcleo de Promoção à Saúde – Nups, realizou na manhã desta terça-feira, 19, um mutirão de combate ao mosquito transmissor da dengue, no bairro Santa Maria Madalena.

Dezenas de agentes de endemias estiveram visitando os lares e orientando os moradores sobre os riscos da dengue e de que forma combater esse vilão.

 Os entulhos que podiam ter lavras do mosquito eram recolhidos por funcionários da secretaria de infraestrutura.

Uma tenda foi montada defronte à Unidade de Saúde do bairro, onde era apresentado o ciclo de vida do mosquito, seu local de reprodução e os perigos que causa à saúde humana.

Segundo a secretária de saúde, Carla Theresa, o momento é de alerta, já que União dos Palmares registra 30 casos notificados da doença e 10% de infestação. ´"É necessário que a população ajude no combate à dengue, principalmente não deixando água parada”, disse. O mutirão de combate será realizado em outros bairros da cidade.

Secretária Carla Theresa
 

Um recomeçar...

Olívia de Cássia - Jornalista

É uma sensação estranha essa que eu sinto nessa tarde. Um misto de dor, decepção, inconformismo e tristeza. Mas estou pedindo a Deus para me iluminar para que eu deixe isso tudo de lado e continue a perseguir um mundo de paz, harmonia e tranquilidade.

Deixar as tristezas que me acometem nesta tarde para trás e desejar que o tempo se encarregue de resolver o que tem que ser feito. Estou me colocando à disposição da vida para iniciar uma nova etapa e meu currículo para apreciação.

Um recomeçar, onde eu possa realmente mostrar o meu valor e me sentir valorizada profissionalmente, seguir meu destino como tem que ser feito de agora em diante e me aprimorar no que eu já tenho feito, no meu trabalho na assessoria.

Escrever é minha verve; não há nada melhor do que isso em minha vida e também as minhas leituras, que me proporcionam grandes viagens culturais, muito aprendizado. Estou fugindo de problemas; já me bastam os que eu tenho diariamente.

Não tenho mais saúde para suportar assédio moral no trabalho, desvalorização profissional e total desrespeito.

Mas para isso, para o meu bem-estar, físico, psíquico e profissional eu tenho que empreender novas conquistas interiores, fazer novos planos de vida, me dedicar com amor e carinho ao que já tenho e buscar outros rumos. Deixar a pobreza espiritual e profissional de outros de lado e ser feliz. Boa tarde! 

Em União, Juventude Viva é apresentado ao governo municipal


Por João Paulo Farias – Secom/UP
A Secretaria Municipal de Infância e Juventude realizou na tarde desta terça-feira, 19, a apresentação ao governo municipal, do Juventude Viva - Plano Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Juventude Negra, lançado pelo governo federal, em setembro de 2012.

O evento contou com as presenças do prefeito Beto Baia, das secretarias de Administração, Saúde, Cultura, Turismo, Esporte e Educação, além dos membros do Conselho de Juventude que foram empossados.

Antes da apresentação do Plano, o prefeito do município, o médico Beto Baia, falou da crescente onda de violência que o município enfrenta há anos e de ações que podem ser feitas para minimizar essa situação.

“É necessário tirar esses jovens do mundo do crime, com educação, esporte e lazer, hoje as drogas é a principal causadora dessa violência”, observou Beto.

O prefeito empossou os membros do Conselho Municipal de Juventude e logo após, assistiu junto ao seu secretariado e equipe, a apresentação do Juventude Viva, ministrada pelo advogado especializado em Direitos Humanos, Pedro Montenegro.

Prefeito Beto Baia

O advogado mostrou os índices alarmantes da violência contra jovens, em sua maioria negros, no Estado, com destaque para União dos Palmares que ocupa a 4° colocação das cidades mais violentas de Alagoas.

“O Juventude Viva vai trabalhar as questões sociais, União pode se credenciar para obter muitos recursos para trabalhar vários aspectos com essa juventude”, disse.

Segundo o secretário da Juventude, Sérgio Rogério, o Juventude Viva, “apesar de nascido através de uma triste realidade, que é a violência, vem a trazer uma perspectiva de reduzir esses índices alarmantes”, disse.

Dando continuidade as atividades de apresentação do Juventude Viva, União dos Palmares recebe, na próxima sexta-feira, 22, o ator Darlan Cunha, que interpretava o “Laranjinha” no Filme Cidade dos Homens, ele é o garoto propaganda do projeto e vem para uma “roda de conversa”, com a juventude palmarina. O encontro ta marcado para as 9 horas no auditório da prefeitura.

Conselho Municipal de Juventude - Foto: Zulu Fernando







Advogado Pedro Montenegro
 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Fazer o quê?

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Não ter limite na vida,
Não pensar nas consequências,
Tem sempre alguém a amparar os maus feitos.
Não vai mudar nunca.
O que fazer nessa hora de dúvidas?
Fazer o quê? Não devia ter falado, não devia ter contado.
O mal por si se destrói. 
É preciso construir um mundo de paz, de querer bem.
Mas para quem não sabe o que é isso, fazer o quê?
Vê se não me apronta mais, seus deslizes só te prejudicam.
Você diz que não está nem aí para a vida. 
A categoria protesta e pronto.
Vamos fazer uma festa, o  tempo é de mudança, eu sei.
Não adianta reclamar: pensei  que estivesse atrasada para a festa
Vai rolar tudo de bom. Eu quero me permitir ser feliz e mais nada.
Notícias boas vêm de lá. O impossível pode acontecer.
Vá conhecer, estudar, se informar para crescer.
Eu quero ser, eu quero ver, eu quero crer...
Fazer o quê?

domingo, 17 de fevereiro de 2013

União dos Palmares é pré-selecionado para receber UPA



Interior de uma UPA


Por João Paulo Farias- O Relâmpago


O município de União dos Palmares foi pré-selecionado para receber uma Unidade de Pronto Atendimento – UPA. O anúncio foi feito pela secretaria municipal de saúde, Carla Theresa, durante entrevista ao Programa Mesa Z, na tarde deste sábado, 16.

As Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24 horas) funcionam como unidades intermediárias entre as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os hospitais e ajudam a desafogar os prontos-socorros, ampliando e melhorando o acesso dos brasileiros aos serviços de urgência no Sistema Único de Saúde (SUS).

As UPAs funcionam sete dias por semana, 24 horas por dia. Sua estrutura conta com equipamentos de raio X, eletrocardiografia, laboratório de exames e leitos de observação e soluciona em média 97% dos casos.

Secretária de saúde Carla Theresa - Foto: João Paulo Farias
No caso de União dos Palmares que é uma cidade pólo e a quinta maior do Estado, a UPA, vai desafogar o Hospital São Vicente Paulo, único no município que atende uma grande região.

Na próxima semana Carla Theresa estará em Brasília, onde irá tratar além de outros assuntos a vinda da UPA a União.



 
 

Quando a gente pensa...

Olívia de Cássia – jornalista

Acordei tarde neste domingo, 17 de fevereiro, por conta de uma pequena cervejada de ontem com a estudantada da Vieira Perdigão, rua onde moro em Maceió. Precisava dar vasão à angústia que estava sentindo, por conta de tanta informação negativa que tive acesso.

Mensagens que não são construtivas, que possam me conduzir para a felicidade. Quando a gente pensa que já viu de tudo, vem uma bomba e desfaz aquele pensamento anterior, de carinho e desconstrói nosso bem interior.

São muitas situações familiares que a gente não entende e que é melhor deixar de mão, já que têm outros donos para se importar. Mesmo assim causa impacto violento na nossa tranquilidade; estou assim, abismada ainda.

Resolvo ir a União dos Palmares, muito rapidamente, apenas para fazer um pagamento. Ainda sem minha identidade e meu título de eleitor, que perdi e ainda não entendo como aconteceu, mas a única explicação é a  que a minha carteira teria caído no ônibus naquele dia. Desde dezembro, ando com a cópia do BO, que fiz na internet no dia do ocorrido  e a xerox  da certidão de nascimento.

Fico me perguntando o que a gente faz quando tem uma grande decepção vinda por parte de uma pessoa que a gente ama e que nos surpreende cada dia mais com tanta irresponsabilidade.

Não sou uma pessoa tão conservadora e tento minimizar algumas situações, já que fui uma adolescente rebelde, mas a nossa rebeldia de antes era por outros motivos e não tinha nem comparação com esse comportamento que vejo agora nas jovens e nos jovens de hoje.

Já passei por situações de preconceito, vexatórias, por conta daquele meu jeito de ser, mas tudo tem um limite na vida e é preciso que alguém diga isso para quem de direito.  O problema da juventude de hoje, avalio eu agora, é de muita falta de limite e de responsabilidades que não são apresentados e nem exigidos.

Eu não tive filho, queria adotar no passado, depois na maturidade e já separada, mas com problemas de saúde, fui desaconselhada pelo médico e desisti. Era um grande sonho meu, desde a mais tenra idade.

Queria adotar uma menina, que eu já tinha escolhido até o nome: se chamaria Maria Clara, para quem escrevi um poema que se perdeu no tempo tal qual a minha vontade de adotar uma criança.

O tempo foi passando e hoje eu avalio, pela minha fragilidade e total atrapalhamento diante das coisas práticas da vida, que jamais teria condições de criar uma filha. Deus sabe o que faz e hoje eu até agradeço pelo fato de não tê-lo feito.

Tento ocupar meu tempo com muito trabalho, leituras, minha escrita e com tudo o que gosto de fazer. Eu não tenho autoridade e nem capacidade para dizer quem está errado ou o que deve fazer. Longe de mim tal coisa, mas a vida vai ensinando muito e vamos adaptando isso, aliado  à boa educação e orientação que tivemos.

Os tempos mudaram, os conceitos de família e do que é apropriado idem, para algumas pessoas, outras nem isso sabem o que é. Preciso me importar com  meus problemas, apenas, o que já é de bom tamanho.  Vida que segue em frente. Boa noite e uma boa semana para todos.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Meu sonho de consumo...


Olívia de Cassia - jornalista

Acreditar na vida é a única bandeira que me resta agora. Não posso ficar numa atitude apenas  contemplativa, ilusionaria; não tenho mais tempo para isso, mas falta-me aquele impulso maior ainda.

Gostaria de ter todo o tempo do mundo, ainda, para ler mais, viver mais, sorrir mais e bem dizer de tudo o que é bom e útil. Amo a vida, sei que meu tempo é curto, mas gostaria de ser contemplada com mais tempo de vida útil.

Quero me aproximar ainda mais  das coisas positivas, ver todos os filmes que eu não vi, ler todos os livros que não li, ouvir muito rock in roll ainda, aquela boa música que dá prazer e nos reconforta e frequentar todos os bons lugares que não frequentei ainda.

Quero fazer viagens, mesmo que sejam imaginárias e ainda fazer todos os amigos que não fiz, me aproximar de todas as pessoas que não me aproximei e bem dizer da vida. Viver o que vale a pena e deixar para traz todas as mágoas e ressentimentos que eu possa ter.

Quero deletar o que não valeu a pena e ter tudo de bom que vale a pena ainda na vida. São todos os meus pensamentos que tenho agora, nas últimas horas dessa manhã de sexta-feira, 15 de fevereiro.

Eu quero ter mais qualidade de vida para aproveitar tudo o que há de bom para se viver, sem preocupações materiais... Meu sonho de consumo....

Secretária de Saúde de União visita posto de saúde no bairro Newton Pereira


Por João Paulo Farias – Texto e Fotos- O Relâmpago 
Posto de Saúde do Conjunto Nilton Pereira

O bairro Newton Pereira, que foi construído para abrigar as vítimas das enchentes de 2010, conta hoje com mais de 2.000 residências e em breve será inaugurada a primeira Unidade de Saúde da Família daquele local, que vai atender a milhares de pessoas.

A informação foi repassada pela secretária de Saúde do município, a enfermeira Carla Teresa Leite, que esteve junto com uma equipe técnica da secretaria, visitando as instalações do posto. Ela disse que ficou surpresa com a estrutura e acessibilidade do local.

Segundo Carla Teresa, a unidade será chamada Tereza Romana, que atendia antes da enchente os moradores das extintas Ruas da Ponte, Jatobá e Juazeiro, que hoje residem no novo bairro.


Secretária Carla e equipe da saúde 
“Vamos funcionar o mais rápido possível; já temos a equipe pronta para trabalhar”, disse ela, ressaltando a economia que o município teve com a entrega desse posto à população, já que a unidade de saúde faz parte do Programa da Reconstrução das Enchentes. O bairro Newton Pereira receberá duas Unidades de Saúde.

“A comunidade não precisará ir ao centro da cidade para ser atendida, vamos melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, observou a secretária.

Segundo Carlos Roberto, responsável pela construção do Posto de Saúde, faltam pequenos detalhes na parte elétrica e pintura, para o local ser entregue à população. “Em pouco menos de um mês, estará pronto”, disse.

Secretária de Cultura anuncia a volta do Projeto Viola Enluarada


Por João Paulo Farias – Texto e Foto- O Relâmpago 

A secretária de cultura de União dos Palmares, Genisete Sarmento, anunciou na tarde desta quinta-feira, 14, a volta do Projeto Viola Enluarada, que traz o melhor da música popular brasileira na voz de bons cantores.

O Viola Enluarada nasceu em 1998 e durou dez anos e volta agora para a alegria dos apaixonados pela MPB, segundo Genisete, autora do projeto. “O Viola Enluarada sempre fez sucesso e agora tende a crescer e adquirir mais adeptos a uma boa música”, disse.

O primeiro show acontece na próxima sexta-feira, 22, na Estação Ferroviária, no centro da cidade e traz para União a cantora Elaine Kundera e convidados, a partir das 21 horas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

As mulheres violentadas

Olívia de Cássia – jornalista

Crescem as denúncias de violência contra as mulheres, no mundo. Nos últimos dias foram muitos os casos de agressão seguida de morte também em nosso Estado. Diante de tanto absurdo não podemos fechar os olhos, tapar os ouvidos e calar diante da barbárie cometida todos os dias e achar que isso é normal.

Precisamos voltar às ruas para mostrar nossa indignação diante disso. Já não bastam as agressões sofridas nos lares; as mulheres também são agredidas todos os dias na sua dignidade, em toda parte.

Segundo o editorial da revista Time, no Talibã, em nome do conservadorismo, as mulheres são mutiladas no corpo e na alma, algumas “por fugir da casa da família do marido".

“É  inconcebível que, no curso do terceiro milênio, ainda existam seres humanos submetidos a um atraso cultural que remonta ao obscurantismo da Idade Média, com leis e costumes cruéis e desumanos que superam o maquiavelismo do famigerado Santo Ofício da Inquisição, onde mulheres e supostos hereges foram sacrificados em nome de Deus”, diz o editorial da mesma revista.

No Brasil e em Alagoas mulheres são violentadas e mortas quase todo o dia. A questão é de conservadorismo de uma sociedade atrasada, de homens que não acompanharam a evolução dos tempos e ainda tratam suas mulheres como se fossem propriedades suas, objetos de consumo.

Aqui elas são submetidas a todo tipo de violência e coação. Nos lares- e não apenas em locais pobres- são vítimas de companheiros e maridos ensandecidos movidos pelo sentimento de posse, pela brutalidade, pelo abuso de drogas e do álcool e quando denunciam são mortas.

É preciso acabar com esse ranço coronelista e atrasado, mas reconheço que isso também depende de outros fatores que não só o da Justiça e da polícia. É preciso campanhas educativas nas escolas.

É necessário que nos planos de governo dos gestores se tenha a preocupação com políticas públicas para essas mulheres que não têm ainda meios de sobreviver sem a provisão desses agressores.  

Mas as formas de violência desenvolvida contra as mulheres não são só físicas e não se limitam apenas a companheiros e maridos: são formas psíquicas e não se dão só nos lares. No trabalho às vezes são disfarçadas: assédio moral, salários inferiores aos dos homens, assédio sexual, dentre outros fatores agravantes.

Segundo site http://www.assediomoral.org, especializado no tema, a humilhação no trabalho envolve os fenômenos vertical e horizontal. E isso tem acontecido não só com os trabalhadores homens, mas com  as  mulheres também.

“O fenômeno vertical se caracteriza por relações autoritárias, desumanas e aéticas, onde predomina os desmandos. Além disso, o assédio moral no trabalho não é um fato isolado; ele se baseia na repetição ao longo do tempo de práticas vexatórias e constrangedoras, explicitando a degradação deliberada das condições de trabalho”, diz o site. Boa tarde e fiquem com Deus!

Secretário de Juventude de União diz que tem grandes projetos para o município

Por João Paulo Farias – Foto de Suzeane Cavalcanti
        

O novo secretário da Infância e Juventude de União dos Palmares, Sérgio Rogério, concedeu entrevista na tarde desta quarta-feira, 13, no Programa Mesa Z da Rádio Zumbi, de União dos Palmares e falou sobre os novos desafios que assume agora na Pasta da Juventude.

Envolvido em movimentos sociais há mais de dez anos, Sérgio Rogério carrega uma vasta bagagem de experiência política. Em 2012, disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara de Vereadores pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e obteve uma votação expressiva, ficando como segundo suplente.

Serginho, como é mais conhecido, disse que aceitou assumir a Secretaria da Juventude, a convite do prefeito Beto Baía (PSD), porque tem extrema importância para o município, “pois União ainda tem uma juventude ociosa”, disse ele.

Sérgio observa que a  Secretaria da Juventude é nova e funcionava como anexo da Cultura. “Agora tem sede própria, vamos começar a criar identidade”, disse o secretário.

Ele destaca, entre os vários projetos que sua gestão pode desenvolver ao longo desses quatro anos, o ‘Juventude Viva - Plano Nacional de Enfrentamento a Violência contra a Juventude Negra’, lançado em 28 de setembro do ano passado em Maceió.

“O projeto, com a parceria da união (governos federal, estadual e municipal)  investirá cerca de R$ 70 milhões, em recursos novos, nas cidades de Maceió, Arapiraca, União dos Palmares e Marechal Deodoro, consideradas as mais violentas do Estado, onde serão implementadas mais de 30 iniciativas que integram 25 programas federais”, observa o secretário.

O secretário da Juventude informa que no dia 22 de fevereiro haverá um evento do ‘Juventude Viva’ em União, com a presença do ator Darlan Cunha, que interpretava o “Laranjinha” no Filme Cidade dos Homens.

Dando continuidade aos projetos que pretende realizar, Sérgio explica que pretende viabilizar em União dos Palmares  um cursinho preparatório para vestibular, em parceria com a Secretaria de Educação, além de outros.

 “Tenho muitas ideias, espero que entrem em vigor”, disse ele, acrescentando que no mês de março está prevista a realização da Semana Temática Antiviolência, que faz parte das atividades de um ano do Movimento Popular União Pela Paz.

A vida recomeça

Olívia de Cássia – jornalista

A vida recomeça depois do intervalo do Carnaval. A cidade ainda está lenta, em clima de feriado. Eu acordei com aquele aperto no peito de saudade do que não vivi no Carnaval, mas a gente pode fazer de conta que é sempre Carnaval na vida da gente.

São muitos os sonhos que ainda persigo no meu caminhar e tomara que eu ainda tenha vida útil para realizar todos eles.

Ontem peguei um ônibus para ir trabalhar, apreensiva, com medo de outro assalto. Entro, pego com dificuldade a bolsa que caiu no chão, para tirar o dinheiro da passagem e em seguida procuro um lugar para me acomodar e dar vasão aos meus pensamentos.

A mesma linha: Novo Mundo-Centro poucos passageiros, mas não há de acontecer nada de novo por aqui. Lembro que não li todos os e-mails que chegaram  à minha caixa postal nesse Carnaval.

Ainda estou sonolenta, apesar de ter dormido bastante esses dias, mas começo a pensar em momentos do passado. Eu não poderia dimensionar o que vinha pela minha frente, vendo minha mãe sem vida diante de mim.

Passei a ter a ideia fixa de que ela não tinha me perdoado pelas minhas desobediências. Meu relacionamento estava frágil e eu sentia que estava por um fio, mas eu tentava me apegar  àquela situação como se fosse a última tábua de salvação, como se não existisse mais nada que pudesse me conduzir ao equilíbrio.

Era nele que eu via ter onde me sustentar para não desabar de vez diante daquilo tudo. Via uma realidade que não mais existia, se é que algum dia tinha sido alguma coisa. Aquele homem não me amava; nunca me amou e na verdade só tinha se aproximado de mim com segundas e terceiras intenções.

Mas diante da minha fragilidade, complexo de inferioridade e inexperiência eu jamais acreditaria nisso, embora minha mãe tivesse me alertado, mesmo que tenha sido com seu jeito rude de ser, preconceituosa e me dizendo frases grosseiras.

Para minha frágil cabecinha era demais aquilo tudo que estava acontecendo e passei a imaginar que o meu mundo tinha desabado, por completo. Nem as teorias adquiridas com meus estudos sobre feminismo e marxismo adiantaram naquele vendaval vivido por mim.

Não havia mais teorias, raciocínio lógico, compreensão política e filosófica, diante daqueles problemas todos. Eu acreditava que tudo tivesse acabado para sempre em minha vida e precisei de muita força interior, ajuda profissional e de amigos, que eu procurava a todo o instante, para me reerguer e ser outra pessoa.

O tempo passou mas de vez em quando tudo vem à tona, não posso evitar.  Desperto para a vida: vou trabalhar. Bom dia. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Tudo o que há em mim..


Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Tudo o que há em mim
É essa força de vontade de viver..
Quero ter ainda a chance
De me encontrar algum dia...
Não quero ser um estorvo na vida
Quero pensar, viver, sonhar, sorrir...
Tudo o que há em mim...

Passa o tempo...

Olívia de Cássia - jornalista

Passei a terça-feira de Carnaval em casa, ‘brigando’ com a lentidão da internet. São três horas da manhã quando começo a escrevinhar esse texto e a situação já piorou faz tempo. Não consigo mais abrir algumas páginas e isso me irrita profundamente.

Sem ter o que fazer nem para onde ir, a única alternativa da terça-feira de Carnaval era minha leitura e a net  e nem assim funcionou. Sem falar nessa madrugada do calor insuportável. Já tirei uns cochilos no sofá porque estou tentando baixar algumas fotos no Ski Drive, para minha segurança, mas a paciência já vai longe. É tudo muito lento aqui.

Ligo o rádio do celular para lembrar que é Carnaval. Na rua onde moro o movimento o dia todo foi quase zero e não tenho o costume aqui de ficar nas portas, mas não ouvi nenhum barulho, sinal de que quem viajou ainda não voltou e que os poucos que ficaram não estão por aqui ou estão dentro de casa, da mesma forma que eu.

Me pus em reflexão no dia de hoje, o tempo da maturidade faz isso com a gente: ou se reflete o que foi feito e a gente tenta ser melhor a cada dia, ou não teria valido a pena chegar até aqui. Espero ter a graça de Deus de ainda ter muito o que refletir, pensar e melhorar com o aprimoramento.

Sou uma criatura fora dos padrões do que se possa pensar em normalidade, o  que a gente costuma ver por aí, sou esquisita mesmo. Eu não tive filhos, não tenho companheiro e moro sozinha com meus gatos e cães. As dificuldades da vida e da saúde  me impõem certos limites.

Confesso que fui me afastando da família, aos poucos. Não sei se esse problema neurológico me fez isso, mas às vezes me pego arredia, fugindo da companhia, sem querer, de pessoas que antes eu fazia questão de estar próxima. Também a maioria da família não me procura: elas por elas, sem caso pensado.

Lembro que minha mãe, talvez pela falta de liberdade ou de opções, todo domingo ela ia fazer visita a algum parente ou amigo em União dos Palmares; acho que esse era um costume que se tinha, mas eu não preservei isso e hoje até sinto falta disso.

Preciso voltar a visitar minha tia Noêmia, a única sobrevivente, irmã de mamãe. Estou devendo uma visita a ela faz tempo e ‘não sei por que cargas d’água’ eu não tenho ido visita-la. Sinto que preciso me reaproximar de alguns familiares, que já não visito faz tempo, mas é uma coisa e outra e acabo me dispersando. Não é por ruindade minha não.

Definitivamente eu não sou ‘normal’ feito as outras pessoas e comprovo isso a cada dia. Às vezes me ponho a refletir que se eu fosse outra pessoa e agisse de forma diferente, talvez minha vida fosse mais fácil, mas eu sou assim, não sei ser diferente disso que sou e avalio que a vida foi me conduzindo a esse comportamento que para muitos parece estranho.

Preciso arregimentar forças dentro de mim para ser diferente, para ser melhor. Às vezes me sinto um extraterrestre vivendo em terras áridas. Muitas vezes a companhia dos meus filhotes de quatro patas é mais reconfortante para a minha condição.

Penso que se procurar sempre a companhia dos outros vou incomodar com meus problemas, atrapalhar a felicidade alheia e assim eu vou levando essa minha vida enrolada e cheia de complicações que eu tento resolver sozinha.

E é nessas horas de profundidade reflexiva que lembro do que minha mãe pensava de mim: ela achava que eu não saberia conduzir minha vida sozinha, conhecia todas as minhas fraquezas e me queria uma mulher forte, feito ela, que enfrentou todo o tipo de adversidade e soube conduzir sua vida.

Era ela quem mandava lá em casa e queria conduzir o destino dos filhos. Não se conformava com a minha rebeldia e com a minha não-aceitação para aquele modo dominador, no que se referia a minha pessoa.

Nessas horas eu desejo a presença dela em minha vida, para me ajudar, me aconselhar e me dizer o que devo fazer, mesmo que na maioria das vezes eu não concordasse com sua maneira de pensar. Saudade é o que sinto nessa madrugada de Quarta-feira de Cinzas.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Eu te quero assim...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Eu te quero assim, muito e profundamente,
Com todo o apelo do meu corpo, nessa hora,
Com todo o querer da minha imaginação...
Meus olhos te procuram...
Incansavelmente, Inutilmente,
Já não estás mais aqui...
Eu te quero nessa hora, de apego,
De ilusão, de desejo... Pura alucinação...
Onde foi que te encontrei?
Quando foi que te perdi?
Pura imaginação, coração,
Desejos e quereres meus...
Eu te quero assim...

Vida

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Nesse instante de encontros
E despedidas da alegria,
Vamos pensando e querendo
Um novo reencontro de paz,
Para poder sonhar e querer mais
E sonhar e viver e querer...
Vida....

Terça-feira de Carnaval!

Olívia de Cassia - jornalista

Terça-feira de Carnaval e, na falta do que fazer referente aos festejos de Momo, além da internet aproveito para colocar a minha leitura em dia. A biografia do roqueiro Lobão é interessante, gosto de ler biografias, ainda mais sendo de uma pessoa irreverente assim.

No livro o compositor-cantor-roqueiro se desnuda e mostra como conheceu os artistas contemporâneos, inclusive Caetano, Cazuza e Chico e seus entreveros com Herbert Viana, da banda Paralamas do Sucesso. As biografias me atraem e me chamam atenção.

Mas deixando a interessante história de Lobão de lado, cá estou eu, em plena terça-feira de Carnaval, em casa, em Maceió, sem nada que me lembre de que hoje é o último dia dos festejos de Momo, a não ser o som da televisão anunciando as notas das escolas de samba do Carnaval de São Paulo.

Para completar meu complicado enredo, minha televisão está pifada desde outubro, sem imagem, apenas o som me tira do silêncio total. Coisas da minha vida atribulada e da minha crise financeira sem precedentes. Mas não posso reclamar da vida, faz parte da trama.

Nesse meu retiro forçado só resta a lembrança dos bons carnavais vividos, desde a infância, na minha querida União dos Palmares  e das experiências adquiridas com o tudo vivido. A gente nem podia imaginar que um dia eu ia ficar sem brincar Carnaval algum ano.

Eu era figurinha carimbada nos carnavais da Palmarina, ou nas brincadeiras durante o dia, as que antecediam nossos bailes de matinês e noturnos.

O tempo vai passando e a gente vai amadurecendo e aprendendo a viver com as adversidades e impedimentos que a vida nos traz. Em outros tempos infantes eu estaria esperneando e explodindo de raiva do mundo e mal dizendo da minha sorte.

Hoje em dia, graças a Deus e para o bem da minha saúde psicológica, já adotei uma postura amadurecida e diferente a respeito de tudo isso. Não vai mudar minha condição de vida se eu esbravejar contra o mundo pela minha falta de estrutura; pelo contrário, isso só faria mal ao meu espírito.

Quando a gente não tinha o que fazer no Carnaval, em União dos Palmares, saía batendo lata, cantando em grupo e nos divertindo com nossa falta do quê fazer, ou pegávamos carona e rumávamos para a vizinha São José da Laje, muitas vezes sem avisar em casa e quando chegávamos a confusão estava feita.

Éramos os jovens  ‘livres’  de amarras,  ou pelo menos queríamos ser. Não aceitávamos aquelas imposições que o sistema (nossos pais e os moradores da cidade) apresentava e quanto mais falavam de nós, aí era que queríamos nos rebelar e fazer traquinagens para dar mais motivos para falações.

Muitas vezes era só falácia nossa, para dar o que falar mesmo. Era um mundo nosso que a gente percebia que causava inquietação na sociedade local. Aquele nosso jeito irreverente e estabanado de ser, sempre fazendo as nossas ‘artes’ preferidas, sem nos importar com o que diziam de nós incomodava a muita gente.

Eu sinto muito a falta de tudo aquilo, da nossa juventude inquieta, da nossa solidariedade, da nossa união e da nossa intranquilidade e irreverência diante do mundo. Ai de quem ousasse nos contrariar, que aí sim, resolvíamos enfrentar aquilo tudo.

Eu costumo e posso dizer que fui uma adolescente rebelde, ‘revolucionária’ para minha época e desafiei os costumes. Era muito para a cabeça da minha saudosa mãezinha, que não entendia aquela menina esquisita que o povo falava tão mal.

Mas hoje é terça-feira de Carnaval, as lembranças são fortes  e os festejos de Momo se despedem, mais uma vez. Quem sabe ano que vem seja de mais cultura, mais atividades e mais vida. Espero ainda estar por aqui para viver muito mais. Boa tarde!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Domingo de Carnaval...



Olívia de Cássia – jornalista

É domingo de Carnaval e vou à minha União dos Palmares, para ficar mais perto das boas lembranças dos antigos carnavais. Coloco um colar de havaiana para dar mais um clima e lembrar a festa e pronto. Às vezes é preciso fazer de conta para deixar a vida mais suave. 

No sábado ficamos na porta saboreando uma geladinha e ouvindo músicas da época ao som de Alceu Valença, que é tudo de bom. Sempre nessas ocasiões fico a recordar a juventude e o muito que aproveitamos da vida. 

Vivi muitos bons carnavais em União dos Palmares, era tudo especial para nós, ou quando íamos a São José da Laje brincar. Tinha muito banho de chuveiro na rua e mela mela e frevo rasgado. 

Eu não gostava muito da sujeira que faziam na gente, mas caía na folia, afinal era Carnaval e ‘valia’ o sacrifício. Meu cabelo longo ficava todo empapado de uma mistura de farelo, ovo e mel. 

Era difícil tirar aquilo, além do fedor intenso de ovo que ficava, mas era tudo muito bom e sadio. Até os beijinhos no rosto e amasso roubados por acaso. Tudo muito rápido e sem muita malícia. ‘Recordar é viver’.

Tempo de a gente dançar e pular frevo nos bailes da Palmarina. Aquele grupo de meninas inocentes que ia arriscar uma paquera, se divertirem e brincar muito, aproveitamos a vida e fomos muito felizes, tanto que temos muito para contar. 

Era nos carnavais de União que sempre aparecia algum mocinho interessante na cidade, para as meninas paquerarem e sonhar com eles , de maneira fraterna e ingênua.

Fazíamos muitas festas e quando passei no vestibular de Comunicação Social fui comemorar o dia todo; fiquei de pilequinho. 

À noite tinha grito de Carnaval, era uma prévia na Palmarina. Dormi um pouco durante o dia e à noite já estava pronta para brincar de novo e lá estava eu, comemorando o sonho realizado. 

Foi o dia mais feliz da minha vida a realização de um sonho. 
Mas a vida continua e novos encantamentos vão surgindo e outros quereres vão chegando.

É Carnaval novamente e hoje estou saudosa e enquanto a van ia me conduzindo à terrinha querida eu ia viajando em pensamentos. Boa noite!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Bom Carnaval!

Olívia de Cássia – jornalista

É véspera de Carnaval e Maceió vai se esvaziando, para se transformar na capital do silêncio, em pleno período de frevo. É muito estranho isso. As pessoas vão deixando para traz a sua cultura, as tradições e a cada dia os jovens vão conhecendo menos, se ‘emburrecendo’, ouvindo aquelas músicas que escutam o ano todo.

As marchinhas de Carnaval,os sambas-enredos, os frevos e outras manifestações da cultura vão se restringindo a outros estados, menos o nosso. Quinta-feira, um grupo de ativistas culturais, acompanhados da vereadora Heloísa Helena, se reuniu para discutir o Carnaval de Maceió e o seu resgate. Tomara que consigam.

Estou desanimada hoje, em plena sexta-feira em que muitos lugares já há muito frevo no pé. Penso nas minhas responsabilidades, no meu endividamento financeiro, na bagunça financeira  que é a minha vida.

Preciso me estruturar, olho à minha volta, nos quatro cantos e procuro uma solução para tudo isso. “Deixa as águas rolar”, aconselha a marchinha de Carnaval que toca na escolinha ‘O Pequeno Príncipe’, em Jaraguá, em sua matinê para as crianças.

O ônibus vai passando bem em frente ao local e de repente lá vou eu me reportando à minha infância carnavalesca, em que tenho a minha tia Ozória, de saudosa memória, como principal protagonista desse enredo.

Nessas horas ela é muito presente em minha vida. Foi a responsável no gosto que tenho pelo Carnaval. Ela adorava costurar fantasias e organizava até bloco só de meninas para brincar nas matinês da Palmarina.

Esse meu lado festivo e festeiro eu herdei dela, que quando tinha saúde e sempre que podia não perdia um evento, em União dos Palmares, fosse a festa da padroeira, Carnaval ou  outra qualquer.

Minha tia era minha segunda mãe e era a quem eu fazia as minhas confidências; aquelas confissões que eu não tinha coragem de conversar com mamãe. Num dos carnavais em União, tia Ozória fez uma fantasia de índio muito bonitinha para mim e Rita, tudo igual.

Ela costumava nos vestir a rigor e era comum as pessoas nos encontrarem nas ruas palmarinas vestidas feito 'par de jarro', pois costurava roupas do mesmo modelo e do mesmo pano para nós duas. Parecíamos irmãs gêmeas eu e Rita.

Mas voltando à nossa  festa querida de Momo, eu não poderia deixar de relembrar do nosso carnavalesco número 1: Antônio Matias. De Toinho eu já falei várias vezes em meus escritos e é sempre bom lembrar a sua animação e alegria.

União dos Palmares deveria erguer um busto do nosso amigo, em homenagem a sua alegria contagiante que até hoje anima a todos nós palmarinos. É impressionante o seu vigor. Bom Carnaval!