terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Tempos difíceis

Por Olívia de Cássia

Parece que 2016 não acabou mesmo. Embora eu tenha adotado uma nova prática em minha rotina, de ser otimista e encarar as dificuldades com suavidade, não quer dizer que vou me alienar e ficar indiferente à conjuntura do País, do meu Estado e da minha cidade natal, União dos Palmares.

Começando por União, a população está vivendo dias de terror com a seca e o desaparecimento do Rio Mundaú, principal manancial que abastece a cidade. O fenômeno aconteceu pelo descaso do ser humano com a natureza, a falta de cuidados que é de muitas décadas, poluição, desmatamento das margens e extinção da mata ciliar e falta de cuidado com as nascentes.

Tenho recebido apelos e muitas reclamações nas redes sociais sobre a escassez de água na minha cidade. E cenas que a gente só via no Sertão, no cinema, ou lá pros idos da década de 1960 do século XX quando não tinha água encanada nas torneiras, estão no cenário da cidade.

Além do descaso com o Rio Mundaú, a mata dos Frios está sendo devastada, com queimadas da floresta para plantações outras, segundo têm denunciado os blogs e sites locais. Daqui do meu cantinho eu fico me perguntando: cadê as autoridades competentes que não fiscalizam esses crimes e não punem quem o cometem.

Cometer crimes ambientais é tão grave quanto a corrupção que a gente ver estardalhaços na mídia e que causa indignações. A vida é uma joia preciosa e só podemos tê-la com conforto se o meio ambiente estiver preservado.

Cortar madeira clandestinamente, toca fogo na vegetação, jogar lixo no rio, desmatar suas margens e poluir suas nascentes é crime gravíssimo tanto quanto. É lamentável que só se comece a pensar nisso depois que o desastre ambiental acontece.

Enquanto todos rezam para a chuva cair, e tem que ser reza poderosa, vamos pensar nisso: começar educando as crianças, que são o futuro do país; fazer projetos que dignifiquem e restaurem as matas, com plantações de mudas nativas; replantar toda a mata ciliar e desassorear o rio.

Em Alagoas os problemas de violência continuam, embora algumas pesquisas indicam que tenha diminuído. No que diz respeito ao país, vai despencando ladeira abaixo, numa velocidade assustadora, com anúncios de privatizações e extinção de todos os projetos que beneficiaram a maioria dos trabalhadores.

As nomeações estapafúrdias de personagens envolvidos até o pescoço com a corrupção, não revolta aqueles paneleiros e personagens que foram às ruas protestarem contra a corrupção. A perseguição ao ex-presidente Lula e sua família vem desde 1989, sem que tenham provas absolutas do que afirmam.

É tudo muito revoltante e não falo aqui achando que haja santos em política, porque não existe. É um jogo muito sujo e indecente pelo poder, que não tem limites e enquanto isso a justiça que deveria ser imparcial para julgar os fatos, está toda envolvida até os dentes.

São alguns pontos que deixo aqui no blog para contribuir com o debate e para reflexão, já que terei que sair daqui a pouco. Tenham um bom dia e fiquem com Deus.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O tempo passou


Por Olívia de Cássia

O tempo voou para nós e para alguns com mais dureza. Nessa época do ano, em União dos Palmares, depois de passados o Natal, Ano-Novo, Festa da Padroeira, era tempo de a gente já pensar no Carnaval. Aula mesmo, só depois dos festejos de Momo. Temos de muitos encontros.

A cidade se enchia de amigos, familiares e visitantes e tudo era motivo de festa para nós, que apesar de não termos muitas opções como os jovens de hoje em dia, nos divertíamos muito. Cada idade tem a sua época e posso dizer que apesar dos problemas, eu fui e sou feliz.

Tive o privilégio de fazer amizade com várias gerações na minha cidade natal. Nunca fui CDF, mas não deixava de estudar por conta das brincadeiras e saídas no fim de semana. Sonhava com outro mundo.

Eu sabia que minha seara não era fazer cursos que exigiam tanto de mim, como Medicina, Direito ou Engenharia, como defendia minha mãe. A área de humanas sempre foi meu forte, coisa que minha mãe dizia, não dava dinheiro.

E ela estava adivinhando, na sua simplicidade de mulher do campo, as dificuldades são muitas; mas não teve jeito. Nunca fui afinada com a área de exatas e fui fazer jornalismo, para desespero dela.

Matemática para mim sempre foi um bicho papão, principalmente depois da surra que levei dela quando fazia o ensino primário, por ter tirado nota vermelha na matéria. Nunca aprendi nada, que desse para ir muito longe nessa área específica.

Meu lado era de sonhos, leituras, poesias, amizades, músicas e viagens que nunca fiz e ficava sonhando embalada na vivência dos meus amigos viajantes. Um lado mais suave da vida, que sempre tive afinidade.

O tempo passou; União já não é mais a mesma cidade faz muito tempo. Os amigos, a maioria se foi. Alguns para a eternidade e outros que ainda tenho a chance de encontrar vez ou outra, me fazendo relembrar da nossa juventude.

Os valores da gente de hoje já não são mais os mesmos que fomos criados. A gente não percebe as mudanças que acontecem dentro de nós. E quando menos esperamos, acontece uma transformação, sem que tenhamos noção de como tudo se deu.

Mudamos de repente, como se algo tivesse acontecido, uma revolução interior, que muitas vezes não sabemos explicar. Você amadurece com o sofrimento, com experiências e as vivências...Isso é maturidade.

A menina que existia em mim não morreu, mas foi se amoldando ao tempo; aprendeu a conviver com as complicações que vão surgindo. Quando falta a saúde, tudo o mais se descontrola, mas a gente tenta administrar o que a gente não pode mudar. O tempo passou e eu nem percebi. Boa tarde.

E agora, o que fazer?

Por Olívia de Cássia E agora, o que fazer? Essa pergunta me veio à baila, antes e depois da aposentadoria por invalidez e em alguns dias q...