terça-feira, 8 de abril de 2014

Desabamento no Moinho Motrisa causa tumulto e deixa trânsito congestionado

Tribuna Hoje (foto)

Olívia de Cássia – Repórter

O desabamento de uma das três torres do Moinho Motrisa, na Avenida Comendador Leão, no bairro do Poço, na tarde de ontem, causou pânico e susto aos moradores da região e adjacências, soterrando carros e pessoas e causando tumulto. 

O acidente mobilizou várias viaturas do corpo de Bombeiros, moradores, Serviço de  Atendimento Médico de Urgência (Samu), Bope, Polícia Civil e outras unidades foram acionadas.

Segundo informações que circularam no local, na hora do acidente o sinal do cruzamento da Avenida Comendador Leão estava fechado e a confusão se estabeleceu. O trânsito foi desviado e os curiosos e a imprensa foram orientados a afastarem-se e ficarem longe, porque as outras torres cilíndricas corriam o risco de desabarem também. Há suspeitas de que tenha havido explosão, mas as causas do acidente ainda vão ser apuradas pelas equipes técnicas.

Vagner Falcão é dono de um cartório que fica vizinho ao moinho e disse que ouviu um grande estrondo, que parecia ser de um tsunami. “A ficha ainda não caiu, tinha várias pessoas no meu cartório, mas graças a Deus quem estava no local não foi atingido. Não sei se o acidente danificou alguma parte do prédio, mas todo mundo foi orientado a abandonar o local”, observou.

Seu Pedro Sobral era um dos clientes do cartório de Vagner Falcão e contou que escapou por pouco: “Eu estava no cartório quando ouvi o barulho, graças a Deus que eu não estava no carro;  se eu tivesse lá, tinha morrido, escapei por pouco”, ressaltou. O carro de Pedro Sobral foi danificado pelo acidente.

Seu José Damasceno, um popular que também estava no local, disse que estava trabalhando quando uma das colunas (silo) desabou e teve um susto muito grande: “Foi trigo para todo lado, o barulho ensurdecedor”, disse, entre assustado e nervoso.

A Vila Nossa Senhora do Carmo foi a parte mais atingida pelo acidente no Moinho Motrisa e os moradores foram obrigados a saírem de suas casas.  O jornalista Antônio Torres é morador do local há quarenta anos e estava sozinho quando aconteceu o acidente. A casa dele não foi atingida, mas o jornalista ressaltou que o moinho sempre foi uma preocupação dos moradores, porque já apresentava problemas com rachaduras.

 “Sempre teve problemas, onde tinha uma rachadura eles faziam enxertos até que chegou a esse ponto que é uma catástrofe. Eu estava sozinho, tenho uma pessoa que trabalha comigo, minha secretária, que teve que sair às duas da tarde e minha filha, que tinha almoçado comigo; uma vizinha da primeira entrada do lado esquerdo não estava em casa quando aconteceu, por isso que ela escapou”, disse.

O jornalista observou que o que aconteceu não se sabe e alguma coisa está embaixo desses escombros, e eu torço para que não sejam vidas humanas.  “Quem vai mais garantir que a gente tenha segurança morando aqui com esse moinho desse jeito?”, pergunta.

Antônio Torres disse que um coronel do Corpo de Bombeiros informou que os moradores da região teriam que evacuar o local, todo mundo sair de casa. “Quem tem familiar vai para a casa deles, quem pode deve procurar um hotel e eles vão ter uma avaliação técnica, acredito que até amanhã de como isso vai ficar”. Torres acredita que duas coisas podem acontecer na Comendador Leão: “Ou se mudam os moradores ou esse moinho tem que ser tirado daqui”, pontou.

Dona Geniza Correia de Araújo foi uma das pessoas resgatadas com vida e estava bem, apesar do susto e do nervosismo, mas policiais não deixaram que ela falasse com a imprensa.

A polícia de resgate,  guindastes, carro do Corpo de Bombeiros, máquinas e tratores foram usados para a retirada do trigo que soterrou carros e pessoas. Assim que o acidente ocorreu, em poucos minutos vários vídeos circularam na  internet e um deles foi o de um rapaz identificado como Thiago, que  gritava o tempo todo apavorado dizendo que o carro tinha ficado soterrado.

Policiais solicitavam a todo o instante para as pessoas se afastarem do local, inclusive a imprensa: “Pessoal, se afaste, facilite o nosso trabalho, vocês estão correndo risco ficando aqui, saiam, vão para perto do sinal”, gritavam os policiais.

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