sexta-feira, 8 de abril de 2016

Revisitando textos antigos

Olívia de Cássia – jornalista

Fui revisitar alguns escritos meus, para escrever o artigo da semana e observei que as notícias anteriores não são velhas. Na seara política o lenga lenga continua, desde 2014, agravado com a solicitação da saída da presidente Dilma e as trapalhadas de algumas autoridades jurídicas que avaliam que são deuses.

Ando cansada de bater na mesma tecla, mas não abro mão dos meus princípios. Vendo a postura de alguns personagens da nossa política, fico imaginando em que lugar foram parar suas argumentações antigas, modo de ver a vida; ideologias pregadas. É muita hipocrisia o que a gente vê por aí, tentando enganar os tolos e ludibriar a credibilidade alheia.

E enquanto isso, a máquina administrativa do país está estacionada, nada caminha por força dessas circunstâncias. Não querem deixar a presidente trabalhar. Projetos sociais que precisam ter continuidade, que tiraram muitos brasileiros da miséria absoluta e que por isso revoltam a direita, estão sem encaminhamentos.

Esses setores da oposição, que cometem trapalhada, bizarrices e atos ridículos em público, não querem deixar o governo trabalhar, para terem a argumentação de que não está fazendo nada. Erros foram cometidos, é verdade, mas isso não justifica o ódio social das camadas dominantes aos menos favorecidos, a um partido. Isso não dá o direito de quererem o impeachment de Dilma.

Se querem mudanças, aguardem a eleição, em 2018, e votem em seus candidatos, mas deixem a Dilma trabalhar.  Eu nem argumento mais com algumas pessoas, que se recusam a enxergar o óbvio e embotaram suas mentes para outras informações. Pensamentos atrasados, na minha avaliação, mas que respeito da mesma forma que o exijo para mim.

Gente agressiva, intransigente movida pelo ódio, rancor, falta de educação e sem compostura, eu já estou ignorando os comentários e deixando no limbo. Vivemos numa democracia e nem isso eles aceitam, porque não têm noção do ridículo que é querer que todo mundo pense igual.

Estamos lutando pela nossa democracia que foi conquistada ao longo de tantas lutas, mortes e violência, orquestradas por um regime nojento, de exceção, que não admitia que pensássemos diferente. E é isso que essas pessoas não querem entender. Defendem o ódio pelo ódio.

Como disse o professor Leandro Karnal, quando vejo um jovem defendendo a ditadura, entendo que ele precisa de uma aula de história; quando vejo um adulto fazendo o mesmo, ou é má-fé, ou perdeu a memória, ou estava morando em outro plana quando tudo aconteceu.

Nossa educação está capenga, com professores apenas decorando conteúdos a serem transmitidos; alunos que não respeitam mais o professor, que por sua vez é vítima de agressão e violência na sala de aula.

Pais que relaxam na educação dos filhos e deixam a cargo das escolas um papel que seria deles. Li um artigo na internet, no site da revisa Brasil Escola, que entramos no século XXI com muitas mudanças na educação.

O texto trata da seguinte questão: ao mesmo tempo em que a escola desenvolve-se, ela, juntamente com a família parece perder o poder e o espaço que outrora tiveram na formação do indivíduo, pois as crianças começaram a entrar mais cedo na escola, fato que pode favorecê-las (quando a criança é bem acompanhada pelos pais) ou prejudicá-las (quando os pais por deixá-la durante muito tempo na escola geram, um sentimento de descaso em relação ao seu desenvolvimento).

Outro dia eu conversava com uma universitária da área de saúde e ela perguntou o que eu estava lendo e eu mostrei um livro da escritora ucraniana naturalizada brasileira Clarice Lispector e a moça me disse: “Essa escritora já escreveu coisas melhores, agora não estou gostando muito dos livros que ela está escrevendo”.

Fiquei calada, para ela não passar vergonha, pois Clarice morreu em 1977 e ninguém é obrigado a conhecer todos os escritores, mas fiquei com vários questionamentos e a certeza de que é preciso mais investimentos na educação. Fiquem com Deus.
Postar um comentário

Em livro, jornalista mostra como descobriu mais de 80 casos de doença rara na família

By Odilon Rios (Site Repórter Nordeste São grandes os desafios das pessoas que convivem com os efeitos da doença de Machado-Joseph, que é...