domingo, 14 de abril de 2019

Estamos ficando sem memória...


Olívia de Cássia Cerqueira

Jornalista

Estamos ficando sem memória. O patrimônio arquitetônico das cidades está sendo destruído e ninguém toma providência, salvo raríssimas exceções como aconteceu em 2008 com a restauração do palacete que serviu de residência ao poeta Jorge de Lima, em Maceió, entregue aos alagoanos no dia 15 de dezembro daquele ano, com recursos do governo federal (governo Lula) e a intervenção do deputado Paulão (PT), que foi pessoalmente a Brasília solicitar os recursos para que a restauração acontecesse, embora a imprensa, na época, não tenha dado o destaque devido.

Também teve o empenhbo do dr. Ib Gatto, vale lembrar que a obra só saiu com esses esforços.

Salvo isso e algumas poucas obras, o resto está sendo literalmente tombado, ou seja, demolido, por causa da ganância de alguns empresários que só visam lucro e não têm consciência da destruição que estão causando à história do País e ao patrimônio cultural da humanidade. Estão mais interessados no lucro do que na preservação da identidade cultural das cidades.

Só para citar um exemplo, basta que o alagoano percorra o centro de Maceió. Na Rua do Imperador, dois casarões foram destruídos. Um foi sede do Diretório Central dos Estudantes na década de 80, quando o movimento estudantil de Alagoas era atuante, e agora serve de depósito de lixo para os catadores e recicladores.

O outro prédio, vizinho, depois que os proprietários faleceram, está quase todo destruído. As janelas foram fechadas com tijolos e logo se transformará em lucrativo estacionamento, a exemplo do que tem acontecido com diversos casarões de Alagoas.

Na Rua Barão de Atalaia, bem próximo a esses dois exemplos citados, outro casarão de cor rosa está só com a parte da frente inteira, mostrando o descaso dos nossos governantes com o patrimônio histórico e cultural.

Na Rua Pedro Monteiro acontece o mesmo. Casas que serviram de residência para a classe média de Maceió estão sendo derrubadas, transformadas em laboratórios, em estacionamentos e em pontos comerciais. Quando eu vejo uma situação igual a essa eu fico de coração partido.

Na minha cidade natal, União dos Palmares, o descaso não ficou por menos. Primeiro demoliram a casa onde morou a professora Salomé de Barros. Um casarão histórico ajardinado onde muitos dos seus alunos freqüentaram e que poderia ter se transformado em museu. Depois demoliram a Vila Magdala, antiga residência da família Cardoso, tradicional no município.

Outros exemplos em União foram a demolição da residência da família Sarmento, em frente à drogaria Palmarina e que hoje virou galeria, o fechamento da casa da professora e jornalista Maria Mariá, que é um museu.

Sempre que percorro as ruas, agora de táxi devido as limitações impostas oela Doença de \Machado Joseph, me ponho a observar tudo isso. Do shopping da Mangabeiras até o centro, sentido Santa Casa, é só bagaceira.

Em todo o Estado de Alagoas é possível perceber isso. É necessário que a Defesa Civil, as prefeituras, as secretarias de Cultura, o governo do Estado tomem uma providência imediata para que isso estacione e não aconteça mais, porque estamos correndo o risco de não deixar legado nenhum para as gerações que estão vindo, no que diz respeito à história do nosso País. É preciso atitude e uma atitude urgente, pois a cultura do nosso Estado pede socorro.

(Esse mesmo assunto eu abordei em 2008, em meu primeiro blog)


Um comentário:

Xadrezinha disse...

Dá tristeza essa constatação. A identidade cultural de patrimônio se desfazendo. É lamentável!

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