Serigrafias de Carybé podem ser vistas em exposição gratuita no Sesc Centro até março

Olívia de Cássia - Repórter

Até o dia 4 de março está aberta no Sesc-Centro, na Rua Barão de Alagoas, Maceió, para visitação, a exposição gratuita  “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”. Os grupos interessados devem agendar visitação à mostra, que pode ser vista de 12h às 18h.
Até o dia 4 de março está aberta no Sesc-Centro, na Rua Barão de Alagoas, Maceió, para visitação, a exposição gratuita “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”. (Fotos: Adailson Calheiros)
A itinerância da mostra é uma realização do Arte Sesc, projeto de circulação cultural criado em 1981 pelo Departamento Nacional do Sesc e tem o objetivo de promover o intercâmbio cultural e democratizar o acesso de diferentes públicos à produção artística do país.
O  projeto propõe divulgar a arte nas suas nuances, formas e expressões, características que sobrepõem as criações, tendo o Brasil como um celeiro cultural de diversidades e estilos. Fabrício Barros recepcionou a reportagem e deu esclarecimentos sobre o evento.
Segundo Fabrício, a exposição “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”, será ampliada até março para atender ao público de escolas.
“Esse ano a gente está chegando a 35 anos com o Projeto Arte Sesc, que é o mais antigo de circulação artística que o Sesc tem. Dentro de artes visuais, a gente recebe várias exposições ao longo do ano, em especial o Carybé, que chegou em Alagoas o ano passado, fez Teotônio Vilela e Palmeira dos Índios e agora está aqui em Maceió, sempre de segunda a sexta, de meio dia às 18h, para o público espontâneo”, observa.
Segundo Fabrício, a exposição “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”, será ampliada até março para atender ao público de escolas. “É quando eles estão retomando das férias, pós-carnaval, a gente vai até março para ter essa mobilização de escolas e outras instituições que queiram visitar”, explica.
A exposição é composta de obras originais de Carybé, que criou sua obra baseado nos livros de Jorge Amado. Dono de traços simples que revelam expressões e movimento nas cores vibrantes de suas obras, Carybé foi um dos homens que incorporou a missão de apresentar a cultura popular ao universo erudito, aplicando seu talento no registro de cenas cotidianas características do Brasil.
“São 30 criações originais do Carybé, que o Sesc passou a ter, a partir de uma parceria  com a Centro Cultural Banco do Brasil, e está compondo o acervo Sesc. São obras produzidas em cima da obra literária O compadre de Ogum, que inicialmente foram criadas para uma ilustração da TV. Jorge Amado fez o livro e quando foi para a minissérie da TV o Carybé fez a ilustração, em 1997”, destaca.
As ilustrações são de figuras da Bahia e da cultura afro-brasileira, que retratam aquele momento, que Jorge Amado tem na sua obra. “Carybé também acompanhava movimento de terreiros, mas não fazia registro de imediato, no momento da celebração, por respeito e só fazia as ilustrações quando chegava em casa, à noite, do que tinha vivenciado”, comenta.  
Entre palavras e traços, Carybé criou em diversos suportes e formatos. O que é explorado na exposição O Compadre de Ogum, no Sesc-Centro, em Maceió, é o seu trabalho em conexão com a literatura.
A obra de Carybé constitui uma apresentação da estética do candomblé para o próprio Brasil, assim como Jorge Amado fez na literatura. O Compadre de Ogum é a segunda parte do romance Os Pastores da Noite, publicado em 1964.
Todo o acerto tem uma sequência, a ordem que está no livro. Dentro da exposição também, do dia 20 a 23 de janeiro, teve oficinas de gravura, ministrada por Alice Barros, fazendo experimentações com 20 alunos, público de iniciação e também com quem já lida com artes visuais; o resultado também está em exposição no local.

QUEM FOI

Hector Julio Páride Bernabó nasceu na Argentina, em 1911 e quando tinha apenas oito meses seus pais se mudaram para a Itália. Ainda na infância, aos nove anos, a família fixou-se no Rio de Janeiro onde ele ganhou o apelido de Carybé, que o acompanhou por toda a vida, assim como as artes plásticas e a paixão pelo Brasil.
Somente depois de formado pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro o artista foi conhecer seu país natal, onde viveu por alguns anos até conseguir o que ele chamou de trabalho dos sonhos: viajar a bordo de um navio registrando cenas do Brasil em pinturas que eram vendidas para jornais.

Serviço

Exposição O compadre de Ogum
Local: Galeria de Artes da Unidade Sesc Centro
Período de visitação, de 20 de janeiro a 04 de março de 2016, de 12h às 18h.
Agendamento para visitação de grupos: 3326-3133
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