Desperto na madrugada de um sono inquieto e meio confuso. Eu
sonhei que um moço bonito me fazias
várias perguntas e questionamentos sobre assuntos que eu pensava já tínhamos
conversado antes, logo quando nos conhecemos.
E foi aí que acordei lembrando tudo, nessas primeiras horas
da madrugada que vai avançando. Uma madrugada de muitos espirros e nariz
obstruído que me impedem a respiração regular. Começou tudo de novo: crise
alérgica, espirros, dificuldade para dormir. Uma desgraça.
Mas o sonho que tive deve ter sido, meu Diário, resultado de
muitas cólicas e desse incômodo da minha saúde já abalada pela idade avançada. Eu
e Rihana Frederica, uma das minhas gatas, estamos aqui com insônia agora. Desço e vou à cozinha; preparo um efervescente, vitamina C e
como uma sobremesa de limão, dessas que vendem pronta, para ver se o sono
retorna. Rihana é folgada; deita em cima do celular abafando a música que toca
na madrugada da Rádio Educativa.
Acho que o sono não virá mais. Olho para o meu corpo,
retalhos do que fui um dia. Não tenho mais a vitalidade e rigidez da juventude,
uma pena isso, sinto falta do que fui um dia. Tenho saudade daquele tempo em
que me doei tão intensamente e só recebi deslealdades e ingratidões. Mas não devo pensar mais nisso; é passado, já passou, tenho
que seguir em frente, apesar de tudo e por tudo o que já vivi.
A garganta
começa a incomodar também. Vejo que vai ser longa essa noite. O engraçado é que cheguei em casa caindo de sono e não era
ainda meia noite. Me atirei na cama e dormir logo em seguida. Às duas horas da
manhã acordei nesse sobressalto estranho do sonho, acho que provocado, Diário, pela falta do respirar por conta da alergia.
Agora não consigo mais dormir e a insônia sempre me traz pensamentos
diversos: às vezes claros, ora atrapalhados e confusos. Os sonhos, esses que a
gente vive quando adormece, a gente não domina e não controla, dizem os
espiritualizados que é uma vivência da nossa mente. O ser humano é tão complexo, que Deus deve se atrapalhar em
seu direcionamento, interrogativamente, muitas vezes.
Sabe Diário, eu devo dar
muito trabalho para meu Deus. São tantas as minhas divagações que eu tenho que
ele deve ter trabalho comigo. Tenho tanta coisa confusa, sou tão complicada que ele deve muitas vezes duvidar de mim. Penso no amor, esse sentimento sublime e confuso que ele é ao
mesmo tempo.
Estou muito bem comigo, apesar de tudo, apesar da distância que me
separa daquela menina que eu era. Eu sinto, meu Diário, que ainda preciso viver
muito e intensamente, os sonhos que aquela menina complexada não viveu.
Será que ainda tenho tempo? Tempo de cantar o amor, tempo de
ser feliz? Tempo de desfrutar o que ainda posso viver, sonhar pensar,
idealizar? Já passa das 3 horas da manhã
quando coloco todas essas divagações introspectivas no meu notebook.
O galo da Estação Ferroviária, meu amigo das noites insones,
já cantou, parou e agora recomeça. Parece que eu e ele fizemos um pacto. Os gatos fazem a festa dentro
de casa. O tempo passa como um instante em nossas vidas. Eu não percebi o tempo
passar. Não posso congelar o tempo, mas pensando bem, congelar para quê?
Sinto cheiro de saudade. A saudade é um porto onde nossos
pensamentos atracam ou partem sem destino, navio da esperança. Espanto meus
medos. Não quero tê-los mais dentro de mim. O medo nos aprisiona e nos impede
de ser feliz. Ainda quero ser feliz. Será que ainda tenho tempo, Diário?
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