sábado, 31 de março de 2012

O Golpe Militar no Brasil

Olívia de Cássia – jornalista

Neste domingo, 1º de abril, completa 48 anos da instauração do golpe militar no Brasil, fato que para mim não merece comemoração nenhuma e sim desprezo. Um regime que o país viveu durante 20 anos e que desestruturou muitas famílias, com a morte de muita gente inocente, que só queria ver o país liberto.

O Golpe Militar de 1964 culminou com um conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, e que explodiu no dia 1º de abril, com um golpe de estado que encerrou o governo do presidente João Goulart, também conhecido como Jango.

Entre os militares brasileiros, o evento é designado como Revolução de 1964 ou Contrarrevolução de 1964. Passei muitos anos ouvindo esse termo ‘revolução’ e não entendia como esse episódio podia ser chamado de revolucionário, se o que se defendia era o atraso, o cerceamento da liberdade e do direito de ir e vir.

Naquela época, Jango havia sido democraticamente eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – na mesma eleição que conduziu Jânio Quadros do Partido Trabalhista Nacional (PTN) à Presidência, apoiado pela União Democrática Nacional (UDN).

“O golpe estabeleceu um regime alinhado politicamente aos Estados Unidos da América e acarretou profundas modificações na organização política do país, bem como na vida econômica e social”.

Todos os cinco presidentes militares que se sucederam deram continuidade a tal Revolução ou ao golpe, melhor dizendo. O regime militar durou até 1985, quando Tancredo Neves foi eleito, indiretamente, o primeiro presidente civil desde 1960.

Quando se instalou o Golpe Militar no Brasil eu tinha apenas quatro aninhos; nossa família passou um tempo morando vizinha a dona Nova , irmã de Lala da farmácia, onde hoje tem a AABB de União dos Palmares.

Se a memória não me falha, minha mãe dizia que nessa época tínhamos ido para lá por conta de uma das enchentes do Rio Mundaú. Meu pai, muito temeroso, não queria que a gente saísse de casa e passei minha infância, adolescência e juventude com o país vivendo nesse regime.

Fui crescendo e absorvendo os conhecimentos, lendo, me inteirando da história. Aquela falta de liberdade me incomodava, mas na adolescência a gente não se importava muito com o mundo lá fora.

Nosso mundinho particular e único falava mais alto. Naquele tempo, não parávamos para refletir sobre a gravidade da situação e do que estava acontecendo no país e procurávamos viver de forma que era como se as proibições não existissem para aquela época, no que se tratasse de nossos sonhos, do imaginário coletivo da juventude da época.

O que importava para nós era ser feliz, eram nossos amigos, as leituras, os estudos, a diversão e o lazer. Com o tempo fui lendo muitos livros a respeito do que era aquele regime e comecei a sentir muita raiva. Eu ficava tão revoltada quando lia aquilo, que a minha raiva e desejo de liberdade iam crescendo dentro de mim.

Não entendia isso: para mim, já naquela época tão jovem, o que tinha ocorrido no país quando eu era criança não era revolução, era golpe baixo mesmo. Mas isso eu só vim entender bem mais tarde, quando li, aos 14 anos, livros como ‘O Diário de Anne Frank’, que contava a história daquela menina judia tão sofrida e pude perceber o que essas questões políticas poderiam acarretar a uma pessoa.

Nunca simpatizei com a ideia do golpe, mesmo que quando menina não soubesse do que se tratava e naquela época o que a gente aprendia na escola era o que rezava na cartilha dos milicos.

Quando comecei a faculdade, em 1983, o país ainda estava vivendo sob o manto da ditadura e comecei a participar das passeatas e movimentos de libertação, porque de pronto entendi que aquele era o meu mundo e que aquelas pessoas tinham ideais parecidos com os meus.

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