sábado, 24 de março de 2012

Combate à violência contra as mulheres

Foto de Nádia Seabra
Olívia de Cássia-jornalista

O combate à violência contra as mulheres é um tema recorrente nos fóruns de discussão feminina e dos movimentos sociais e precisa ser encarado, não como um caso de polícia, mas como um caso de saúde. Combater a violência precisa fazer parte da agenda de gestores públicos e das instituições competentes, como forma de se ter uma sociedade saudável e com qualidade de vida e bem-estar.

Uma mulher que passa por uma situação de violência carrega dentro de si um saldo negativo, de ranços e doenças psicológicas diversas. Não se pode combater a violência de uma forma isolada; é preciso que haja parcerias: entre o poder público, a escola e os meios de comunicação, entre outros setores.

No “I Seminário Lei Maria da Penha – Violência contra a mulher – Reflexões em Busca de Soluções”, realizado em Cuiabá, ocorrido na sexta-feira, 23, o tema foi discutido amplamente e as lideranças participantes chegaram à conclusão de que, além da união das instituições no combate para a erradicação da violência doméstica, são necessários trabalhos de resgate da autoestima das mulheres e crianças vítimas de violência.

O resultado do seminário foi divulgado ontem. Apesar de a Lei Maria da Penha ter sido sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em agosto de 2006 e ter entrado em vigor em setembro daquele ano, ainda é preciso muito para que a mulher se conscientize que precisa denunciar seus agressores.

Para o combate à violência contra a mulher, desde a década de 1980, o movimento de mulheres discutia a questão das casas de passagem. Hoje, em alguns estados esses locais estão instalados, mas é preciso que exista uma publicização disso e estrutura que acolha essas pessoas vítimas de abuso e de violência.

Uma estrutura que seja dada pelo poder público com psicólogos preparados para ouvir e atender os casos e todo o aparato possível. A mulher custa a entender, e esse é um aprendizado difícil quando se tem baixa autoestima, que é preciso que ela se ame primeiro para depois amar o outro.

Passei minha vida inteira sofrendo por amor; desde menina tive esse sentimento exagerado e muitas vezes, ou na maioria delas, eu permiti , mesmo de forma inconsciente, que eu fosse mutilada espiritualmente.

Sempre tive a tendência de ter amores platônicos, doloridos, arrasadores, feito os amores dos poetas de séculos passados e isso me machucou muito na vida. Meus amigos que me conhecem desde a infância sabem disso.

Passei por situações que posso dizer hoje, na maturidade, que foram de certa forma constrangedores e vexatórios, em União dos Palmares, para uma menina e uma adolescente em formação, que pensava diferente e via o mundo de uma outra forma, que queria mudar o mundo com seus ideais e suas poesias...

Não tive a devida compressão educativa de meus familiares, que não tiveram grandes formações acadêmicas e não sabiam como me ajudar. Meus pais não tiveram formação educacional, mas me ensinaram a ter caráter e a ser a pessoa que sou hoje, mas no campo dos sentimentos eu sempre fui uma pessoa frágil e isso me fez sofrer muito de alguma forma.

Nunca passei por violência física, doméstica, em momento algum, por parte de meu companheiro, mas a minha baixa autoestima era tão profunda, que quando veio a separação, foi a gota d’água para que eu não entendesse aquela situação e desencadeasse um processo depressivo que quase me levou à ruína.

É preciso que a gente entenda que não somos únicos, que ninguém é dono de ninguém e isso eu aprendi com muita dor e sofrimento e espero que muitas mulheres que fazem parte da minha família, como minhas sobrinhas e parentes, não venham a passar por isso. Que cada uma seja firme, na sua maneira de ser e entenda que nós mulheres somos guerreiras e não sobreviventes.

Na última quinta-feira recebi uma linda homenagem do Sindicato dos Jornalistas, programada pela Comissão de Mulheres da entidade. Recebemos a homenagem eu e minhas colegas jornalistas Bleine Oliveira e Raquel Rocha. A honraria é dedicada às mulheres jornalistas que lutam, por igualdade no trabalho, na vida e no movimento sindical. Muito grata a todos e lutemos pela vida!

2 comentários:

Anônimo disse...

Fantástico! Parabéns pela premiação. Você é uma pessoal muito inteligente e batalhadora.

Um abraço,

Jailton Alves, pra você, Jajá.

Olívia de Cássia-Jornalista disse...

Valeu, amigo Jajá.....

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