terça-feira, 27 de março de 2012

Jornalista Aldo Ivo faz 80 anos de vida hoje e comemora trabalhando

Fotos de Olívia de Cássia-arquivo
Olívia de Cássia – Repórter

Botafoguense de coração, o jornalista Aldo Ivo completa 80 anos de idade nesta terça-feira, 27 e foi comemorar a data com a família no final de semana, numa praia do Litoral Norte do Estado. “Vou tomar vinho, uísque e cerveja com a família no fim de semana, embora que moderadamente por causa da idade”, diz ele sorrindo. Ele acrescenta que está torcendo pelo CSE, porque Túlio Maravilha está no time e já jogou no Botafogo.

Quando Aldo Ivo nasceu, o Brasil passava por grandes transformações; pela primeira vez a mulher conquistava o direito de ir às urnas e as lutas pela liberdade no País se acirravam. Foi também em 1932 que aconteceu a Revolução Constitucionalista, Revolução de 1932 ou Guerra Paulista, que foi um movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, entre os meses de julho e outubro do mesmo ano, que tinha por objetivo a derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil.

Oficialmente, foi no dia 1º de março de 1949 que o jornalista Aldo Ivo teve sua efetivação na primeira empresa onde foi trabalhar, mas no final de 1948 já andava pela redação do extinto Jornal de Alagoas fazendo algum trabalho jornalístico. Na empresa dos Diários Associados de Assis Chateaubriand Aldo Ivo trabalhou durante 44 anos ininterruptos e só saiu de lá quando o jornal fechou as portas.

Foi na gestão de Aldo Ivo, como presidente do Sindicato dos Jornalistas, que o curso de Comunicação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foi criado, no final da década de 1970 do século XX. Aldo Ivo diz que apesar da idade não sente dificuldades para exercer a profissão, para escrever no jornal. “Tenho carta branca”, observa.

O veterano jornalista diz que é a favor da legalização do diploma, Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que está para ser votada no Senado Federal este ano. “Não tenho diploma, como outros da minha geração, mas sou a favor, porque, com o diploma, há mais preparo do profissional. Os jornalistas da velha guarda aprendiam nas redações”, explica.

Para que o foca (iniciante) permanecesse na profissão, Aldo diz que existia uma avaliação por parte dos editores. “Admiro os novos talentos que estão saindo da faculdade. O que não me acostumei ainda é com o jornal de domingo circular no sábado de tarde. Na nossa época trabalhávamos até na madrugada”, lembra.

O jornalista octagenário, que ainda está no batente, há 63 anos, não tem carro, não tem computador, não tem celular, anda de ônibus e de táxi e continua exercendo as suas atividades profissionais no semanário Tribuna do Sertão, de Palmeira dos Índios, onde faz a editoria de Turismo, e na assessoria da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea). Quem quiser entrar em contato com ele tem que ser por telefone convencional.

Como editor da área de turismo, avalia que o setor está crescendo cada vez mais no Estado, mas observa que o que está faltando é o governo e as entidades ligadas ao setor investirem no turismo de interior. “Acho que tanto o governo quanto as entidades do turismo deveriam procurar o interior”, observa.

Como exemplo de local para ser explorado, Aldo cita o município de Mar Vermelho, distante 119 km de Maceió. “O frio de Mar Vermelho é melhor do que Garanhuns. O município passou 50 anos esperando uma estrada e até hoje não tem nenhuma ação para que se desenvolva”, reclama.

Aldo conta que quando era conselheiro do Serviço Social do Comércio (Sesc), representando o Ministério do Trabalho, apresentou a sugestão para que a instituição construísse uma colônia de férias, em Mar Vermelho. “O Sesc argumentou que não tinha estrada e tinha que ter uma doação do terreno para construir”.

Na sua tentativa de implantar o turismo no município, Aldo explica que conversou com empresários hoteleiros para que Mar Vermelho começasse a ter o desenvolvimento. Segundo ele, também tem outras regiões no Estado que precisam disso.

VIDA PESSOAL

Irmão do escritor, jornalista, poeta e ensaísta Lêdo Ivo, ele diz que nunca explorou o fato de ser irmão de Lêdo. Aldo Ivo é um jornalista realizado, diz que os filhos estão encaminhados, é bisavô e diz que como profissional fez tudo o que chegou às suas mãos. Seu maior orgulho, segundo sempre conta, é ter uma filha que seguiu a carreira de jornalista também.

Alda Beatriz Ivo é coordenadora do departamento de turismo do SBT Nordeste e foi estagiária do governo Miguel Arraes, de Pernambuco. “Tenho muito orgulho de a minha filha ter seguido a minha profissão”, ressalta.

Outras pessoas que ele faz questão que conste na matéria são: a primeira mulher, Beatriz Nascimento Ivo, com quem teve cinco filhos, falecida aos 48 anos e que segundo ele conta lhe deu muito incentivo na profissão. Com 25 anos de casado Beatriz faleceu e depois de cinco anos sozinho voltou a casar com dona Maria Madalena Costa, com quem convive desde 1988.

Para se manter bem, Aldo Ivo diz que anda muito a pé, frequenta médicos e toma sete tipos de remédios ao dia. “Caminho muito, ando de ônibus ou de táxi e tenho meu lazer”.

Além disso, ele conta que participa das atividades da categoria. “Vou às festas do sindicato, participarei do 38º Congresso da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace)”, explica. Embora esteja afastado da cobertura nessa área, diz que está sempre inteirado dos assuntos discutidos.

CONTRIBUIÇÃO AO JORNALISMO


Homenageado em várias ocasiões de sua vida profissional, o jornalista Aldo Ivo é membro da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet) de onde já foi presidente. Ele destaca que começou na profissão como cronista esportivo e depois foi trabalhar na reportagem de Geral.

A jornalista Fátima Almeida, ex-presidente do sindicato da categoria, disse que conheceu Aldo Ivo quando iniciou na profissão e observa que ele deu uma grande contribuição ao jornalismo alagoano. Ela observa que Aldo Ivo nunca deixou de participar das atividades do Sindjornal.

“Conheci Aldo Ivo quando iniciei na profissão. Ele era militante sindical e um profissional competente, trabalhando no Jornal de Alagoas e nunca, em todo esse período, ele deixou de participar das atividades do sindicato e de exercer o jornalismo. Acho que é o profissional mais antigo em atividade em Alagoas e tem acumulada uma imensa contribuição ao jornalismo alagoano”, disse ela.

Fátima observa que o jornalista mais antigo na atividade em Alagoas teve um grande destaque na organização da categoria, como a criação do Sindicato dos Jornalistas, as lutas pela democracia e liberdade de expressão e pela implantação do curso de Comunicação da Universidade Federal de Alagoas. “Parabéns, Aldo”, finaliza.

“Convivo com José Aldo Ivo há quase 40 anos e posso dizer que se trata de alguém que ama, como poucos, a sua profissão. Se não valesse o seu trabalho como presidente do Sindicado dos Jornalistas e da Associação dos Cronistas Desportivos de Alagoas bastaria o empenho para a implantação do Curso de Comunicação em Alagoas para simplificar o seu apego às causas da categoria”, ressalta o jornalista Flávio Gomes de Barros.

Flávio Gomes observa que Aldo tem um mérito, pouco comum, hoje em dia, em qualquer atividade: “Nunca se deixou envaidecer pelos espaços profissionais ocupados. Duas características suas são a simplicidade e a fidelidade às amizades adquiridas. O respeito que tenho para com ele me torna até suspeito para falar mais sobre José Aldo Ivo”, resume Flávio. (Reportagem publicada no jornal Tribuna Independente desta terça-feira, 27-03-2012)

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