domingo, 20 de julho de 2014

Balanço ...

Olívia de Cássia - jornalista

O domingo vai terminando e com ele a certeza de que estou tranquila com a minha consciência, apesar de um sentimento saudoso no coração e vontade de ter alguém para abraçar e falar das minhas dores. Tarde de plantão e a vida vai seguindo, mas devo ter deixado de fazer um ‘zilhão’ de coisas que deveria ter feito na vida, mas não deu, não foi possível, não tive aporte para isso.

 Às vezes a gente tem momentos de introspecção e reflexão sobre a vida e isso tem acontecido muito comigo, principalmente agora, pela falta de saúde e de outros itens essenciais à vida. Quando a gente chega à idade que eu cheguei, começa a fazer balanços do que viveu e do que deixou de viver.

Não sei mensurar se isso é bom ou prejudicial, mas acontece comigo. Parece que foi ontem que tudo começou e já se perdeu no tempo: a infância, a juventude, os amigos; muitos já se foram e outros se distanciaram. A vida vai levando a gente por caminhos diversos e hoje eu dizia isso para uma amiga. 

Engraçado é que quando somos muito jovens queremos atingir a maioridade, ser dono do próprio nariz, ter liberdade para fazer o que acha que deve, ter responsabilidades e assumi-las. Pelo menos era o que eu e boa parte da minha geração pensávamos, mas naquela época tínhamos outros valores, outros conceitos, outras vivências. 

Pois bem. Não digo que eu tenha me arrependido de qualquer que seja a burrice que eu tenha cometido; e devo ter feito muita besteira na vida e  tenha dado tropeços maiores do que devia e que devo, mas todos eles me serviram e me servem de lições, como a gente costuma dizer.

Dos amores que eu tive eu posso dizer que foram pouquíssimos e todos eles trouxeram experiências doloridas; deixaram marcas e talvez não tenham se estruturado a contento. Eu era uma menina tola, ingênua, não sabia nada da vida.

Mas ouvi certa vez de uma pessoa que é tolice dizer que esse ou aquele relacionamento não deu certo. Ela me disse: ‘deu certo enquanto durou’. Talvez eu tenha que rever meus conceitos e comece a pensar assim.

Sou de uma geração ‘rebelde’, que queria mudar o mundo; a rebeldia fazia parte de nossas vidas, em todos os sentidos: fosse para contestar o que queriam nossos pais, fosse para contestar o que tivesse estabelecido pela sociedade. Para nós o importante era discordar; tínhamos que quebrar as regras e esse meu comportamento e modo de ver a vida me custou algumas situações dolorosas.

Eu vivia às turras com minha saudosa mãe; uma mulher guerreira e lutadora, que não aceitava aquilo de uma menina e na sua simplicidade queria dominar tudo: não se conformava com aquela garota rebelde, queria os filhos, o marido, a casa e qualquer situação sob a sua guarda, tutela e vontade.  E na maioria das vezes ela foi  vencedora em seus anseios.

Eu avalio agora, quando chegada a maturidade que as nossas desavenças não passavam de provas de amor. Minha mãe amava tanto os filhos que queria que todos vivessem segundo suas regras, seus costumes, maneira de ver o mundo e fosse qual fosse a sua filosofia de vida que ela tivesse.

Não percebia que já naquela época o mundo começava a mudar. Muitas vezes, além do preconceito que era muito marcante na personalidade de mamãe, ela se colocava autoritária ao extremo e queria que entendêssemos as suas razões por aqueles meios muitas vezes não tão democráticos e nem politicamente corretos, se é que eu posso dizer assim do seu comportamento. Com meu pai o relacionamento era sempre mais ameno.

Ai que saudade que eu tenho deles, meu Deus. E nessas horas aflitas, de pequenas inquietações e muita carência afetiva, sinto falta daquele jeito deles, dos cuidados redobrados para que eu não fizesse tanta besteira e na sua simplicidade sabiam o que queriam para a família e para o bem dela. Boa noite com saudades!!
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