quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Saldo positivo da Flimar repercute fora do Estado

Escritora Miriam Sales e a jornalista Catarina Buriti
avaliam IV Flimar (foto
: Olívia de Cássia)
Escritora baiana e jornalista paraibana elogiam evento e sugerem que seja incluído no calendário internacional de festas literárias

 Olívia de Cássia – Repórter


A escritora baiana Miriam Sales conversou com a reportagem do blog e fez uma avaliação da IV Feira Literária de Marechal Deodoro (Flimar), ocorrida de 25 a 28 de setembro passado. Ela faz elogios para o secretário de Cultura e organizador do evento, Carlito Lima, e ressalta que ele é a alma da festa: “Cristiano e os patrocinadores são o motor. Sem recursos não se faz festas e sem o apoio governamental, nada se realiza”, observa.

Esta foi a quarta vez que a autora participou da Festa Literária de Marechal  e observa que a cada dia o evento cresce mais no conceito dos participantes e dos leitores.  A escritora ressalta que toda festa literária, a exemplo da Flimar, traz benefícios ao escritor brasileiro.

“Dá-lhe visibilidade e o põe em contato com o público, o que é deveras importante. Como a literatura é solitária, as festas, bienais e palestras são sempre muito benéficas ao escritor”, explica.

Miriam Sales concorda que o patrocínio das empresas e o apoio da mídia é fundamental para o sucesso do evento. “Tudo isso junto, mais o entusiasmo e o espírito empreendedor do Carlito (Lima) fazem da Flimar uma das mais belas festas literárias do pais, com um jeito próprio e alagoano de ser, caloroso, participante e no meio de cenários paradisíacos. Deveria estar inclusa no calendário internacional de festas literárias”, sugere.

De quinta-feira até sábado, nomes importantes e consagrados uniram-se a escritores em começo de carreira: jovens poetas e jornalistas famosos do passado, mas ainda atuantes compareceram ao evento e respiraram cultura durante a Flimar.

 “O que mais gosto na Flimar é a diversidade e o respeito à “prata de casa”: autores alagoanos têm sempre voz e vez por aqui”, ressalta. As homenagens aos alagoanos Cacá Diegues (cineasta)  e Graciliano Ramos (escritor) também foram destacadas pela escritora baiana.

 “Os participantes dessas mesas trouxeram informação e cultura sobre esses nomes consagrados, beneficiando o público numa linguagem quase sempre clara e interessante. Eu mesma, que estudo Graciliano há muito tempo, aprendi peculiaridades desconhecidas sobre ele, inclusive, seu lado romântico que me surpreendeu”, revela.

Todo esse envolvimento com a cultura, além das palestras sobre literatura é destacado por Miram Sales como muito importante para Marechal Deodoro.  “Criar uma festa deste porte é um desafio que só mesmo o Velho Capita pode enfrentar: por isso o admiro tanto”, disse ela.  

Pelo o que se pôde perceber, a  Flimar  satisfez a todos: envolveu literatura, ecologia, arte, passeios, música, shows, exposições, assuntos de interesse local e comunitário, além do magnífico sarau, o “point de Marechal”, segundo Miriam Sales.

A AUTORA

Miriam Sales é contista e cronista: tem cinco livros publicados: A Bahia de Outrora, já na 4ª edição (esta última em DVD); Contos Apimentados  e Contos e Causos , já na 2ª edição e em e-book Maktub e As Filhas do General.

Como editora e presidente da Editora Pimenta Malagueta, ela conta que já foram publicados  20 livros de autores brasileiros e portugueses. “Organizamos três seletas, sendo que a última foi sobre poesia, que será lançada na Bienal da Bahia, em novembro próximo. Também publicamos 15 livros digitais”, informa. Toda a obra da autora está no site de busca Amazon.

Miriam Sales também escreveu um livro memorialista e, em novembro, vai publicar  livros digitais com os mais de 2.000 artigos seus escritos na Internet, em sites e blogs. Segundo o  Google, ela tem mais de um milhão de leitores na rede.

“Só publicados pelo site Artigonal, mais de 500.000 leitores. É só ir lá e conferir, já sou  ‘alagobaiana’ e estar aqui , para mim, é uma festa. Não venho só para e pela Flimar; meu marido, um português, adora Alagoas e sempre estamos num resort em Maragogi ou na praia de Pajuçara, em Maceió”, revela.

Miriam finaliza nossa entrevista dizendo que Alagoas está de parabéns pela Flimar. “Esta realização, que há quatro anos enriquece a cultura alagoana, deveria se estender a outras cidades, como Palmeira dos Índios , Penedo, entre outras cidades históricas do Estado. O problema é que faltam Carlitos. Estou pensando em criar um movimento, o carlitismo, para que toda essa festa se estenda a todos os recantos deste Estado de Graça, que é Alagoas”, conclui Miriam Sales.

Jornalista fez análise sobre a obra de Graciliano Ramos

Mesa redonda sobre Graciliano Ramos
trouxe neto do escritor -Foto de Olívia de Cássia
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Via Facebook, o blog entrevistou também a jornalista paraibana Catarina Buriti que participou de duas  mesas-redondas fazendo análise da obra do escritor alagoano Graciliano Ramos no último dia da Flimar. Esta foi a primeira vez que a jornalista participou do evento e foi convidada em razão de pesquisar a obra de Graciliano Ramos sob uma perspectiva ambientalista, especialmente no ambiente do Semiárido. 

“Graciliano nos deixou um legado de uma literatura que trata de forma muito sensível a relação entre o ser humano e a natureza. As duas palestras foram em torno da visão diferenciada de Graciliano em Vidas Secas:  uma sobre a personagem Sinhá Vitória e outra sobre o romance Vidas Secas’, pontua.

Catarina Buriti tem formação em História e em Jornalismo e, atualmente, faz doutorado em Recursos Naturais, o que, segundo ela, proporciona a visão ambientalista da obra de Graciliano Ramos. Sobre a Flimar ela disse que “é uma festa maravilhosa, uma riqueza não apenas para a população de Marechal, de Alagoas, mas para todo o Nordeste e o Brasil”.

A jornalista observa ainda que a Flimar é uma festa “que coloca em evidência a literatura, arte e a cultura, sob diferentes perspectivas, por exemplo, a mulher, o meio ambiente, entre muitos outros aspectos multifacetados que fizeram parte do Festival”.

Morando atualmente em Campina Grande (PB), Catarina trabalha no Insa (Instituto Nacional do Semiárido), como assessora de Imprensa e destaca que o maior saldo positivo da festa é a troca, a interação, a articulação, as novas parcerias que surgem a partir deste encontro e conhecimento das obras e dos autores.

Ainda sobre a Flimar ela ressalta que Carlito Lima tem realizado um grande esforço para tornar esta festa cada dia vez maior e melhor.  “Eu já a conheci como uma festa grandiosa e estou encantada. Foi muito interessante fazer amizades e o contato com as pessoas que dedicam a vida à literatura a à arte, sem falar das belezas naturais e culturais do Estado”, finaliza.


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