quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Falta de interesse e questão financeira podem gerar desinteresse por seguro residencial

Foto: Adailson Calheiros 
Olívia de Cássia – Repórter

Por falta de interesse, não ter o hábito ou por questão financeira, muitos alagoanos ainda não têm o seguro residencial e deixa de usufruir as vantagens de sua cobertura. Segundo Adalmo  de Medeiros Júnior, proprietário da corretora de Seguros Discreta, em Alagoas pouca gente procura o seguro residencial, porque, segundo ele, em Maceió não tem esse hábito.  “Apenas nos condomínios fechados isso acontece com alguma frequência. Em dois anos o aumento foi de 15%, não cresceu mais do que isso”, informa.
Adalmo de Medeiros destaca que tem 28 anos de mercado nesse ramo e durante esse tempo no Estado, se ele fez 100 clientes foi muito. “Não teve sinistros de roubos em residência de algum segurado cliente meu: não temos estatísticas, porque não é todo mundo que tem o hábito de seguro residencial em Alagoas, diferente do Sul”, ressalta.
O corretor disse à reportagem que o que aumentou no Estado foi a procura pelo seguro de automóveis, por conta dos altos índices de roubos e arrombamentos e também o seguro empresarial, que é obrigatório.  “Em Maceió rouba-se cerca de 350 carros por mês, o maior índice do Nordeste”, avalia.
Ele destaca que a Rua Gonçalves Dias, no Farol, onde fica sua empresa, todos os prédios já foram arrombados. “Muita gente não sabe, mas um seguro residencial cobre problema de encanamento na residência, danos causados por incêndios, queda de raios e explosão causada por gás empregado no uso doméstico e suas consequências, tais como desmoronamento, impossibilidade de proteção ou remoção de salvados, despesas com combate ao fogo, salvamento e desentulho do local”, explica.
O empresário observa ainda que no seguro residencial pode haver outras coberturas, como, por exemplo, “as que indenizam danos decorrentes de incêndios provocados por explosão de aparelhos ou de substâncias de qualquer natureza ou decorrentes de outras causas como terremoto, queimadas em zona rural, vendaval, impacto de veículos, queda de aeronave, danos elétricos”, dentre outros itens.
O corretor  pontua que para o seguro cobrir qualquer problema apresentado, o segurado tem que provar, por meio de um Boletim de Ocorrência e levantamento de todos os objetos que possui, por meio de notas fiscais. “Se alguém entra na minha empresa e leva um computador ou outro objeto, tem que ter a nota fiscal para o seguro cobrir; da mesma forma é em uma residência”, descreve.
Sindesg pensa diferente e diz que seguro residencial tem crescido em Maceió
O presidente do Sindicato das Seguradoras de Alagoas (Sindesg), Armando Carvalho, quando entrevistado pela reportagem mostrou que tem outra visão sobre o assunto: disse  que a  procura pelo seguro residencial tem crescido em Maceió e que os alagoanos estão se precavendo mais.
Esse crescimento, segundo ele, no último ano, foi de cerca de 60%. “O fator custo torna mais evidente as vantagens em se contratar um seguro residencial, pois podemos considerar que seu custo varia de cinco a nove vezes menor em relação ao seguro de automóvel, proporcional ao bem segurado”, observa.
Segundo Armando Carvalho, esse resultado se dá: primeiro pela maior informação por parte das seguradoras e corretoras aos seus clientes e a natural comparação de custo-beneficio feita por eles. “Comparando com o que se paga por um seguro de veiculo, o risco nesse segmento é  muito menor”, destaca.
O presidente do Sindesg ressalta que o seguro residencial é essencial,  “principalmente, pelo alto número no crescimento de assaltos a residências e por conta da insegurança que assola a nossa sociedade”.  Segundo ele, as coberturas principais contratadas são: a básica Incêndio;  explosão e fumaça;  danos elétricos;  impacto de veículos; quebra de vidros; subtração de bens, vendaval, queda de granizo, responsabilidade civil familiar, perda de aluguel e desmoronamento.
“Muita gente não sabe, mas as seguradoras também oferecem assistência 24h à residência segurada: para chaveiro, encanador, eletricista, concerto de fogão, geladeira, microondas, e tem até consulta a Pet Shop para os cães”, pontua.
Segundo a Superintendência de Seguros Privados, vinculada ao Ministério da Fazenda, houve um aumento do seguro residencial de 57%, de janeiro de 2012 a agosto de 2013. “Em Alagoas foi pago em seguro residencial, em janeiro de 2012, R$ 416,051 e em agosto de 2013, R$ 645.835”, diz a superintendência.
Roubos e arrombamentos de residências de classe média aumentaram no Estado
A reportagem conversou com o delegado Alcides Andrade, da Delegacia de Roubos e Furtos e ele disse que apesar de a polícia ter intensificado as operações e prendido muitos arrombadores de residências, ainda há muitos soltos no Estado. “Estamos numa guerra urbana, prendemos nesses quinze dias diversas quadrilhas, houve uma diminuição nessa modalidade, mas ainda tem muitos bandidos soltos. Eles procuram nas residências objetos de valor como joias; dinheiro e atuam mais em bairros de classe média como a Gruta, Pinheiro e Sanatório”, conta o delegado.
Alcides Andrade avalia que a maioria dos alagoanos não tem o seguro residencial porque não conhece os benefícios que ele proporciona.  “Os ladrões têm a cultura de que a casa é o lugar mais adequado para encontrar o objeto que estão procurando e é por isso que as pessoas devem ficar mais atentas quando forem sair de casa e na volta: ficar observando se a rua é pouco movimentada, não guardar objetos de valor em casa, como joias e grande quantia em dinheiro e, se a pessoa tiver condições financeiras, colocar câmeras de filmagens”, ressalta o delegado.
SDS
A reportagem tentou por duas semanas obter a estatística da Secretaria de Defesa Social do Estado (SDS) sobre os números de roubos e arrombamentos a residências em Maceió e no Estado, mas, por telefone, a assessoria informou que “os dados não estão consolidados de roubos e furtos a residências, porque o setor de estatística da instituição está sendo reestruturado” e que “não tem  números que possa divulgar”.
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