quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Para quem se acha o melhor...



Olívia de Cássia – jornalista

Enquanto aguardo o horário de uma entrevista numa tarde calorenta da semana, vou pensando em algumas questões e em como funciona a cabeça de algumas pessoas. O ser humano é mesmo muito complexo, mas às vezes esquece que é na simplicidade que a gente se encontra.

Não adianta a gente procurar solução para nossos problemas em situações complicadas, em outras pessoas mais complicadas ainda, porque de complicada às vezes, bastam as implicações que surgem no nosso cotidiano, fruto muitas vezes da nossa própria incapacidade de interagir ou de outras circunstâncias mais complicadas. Mas melhor reparo, a melhor iniciativa é a simplificação: isso eu aprendi não faz muito tempo.

Tem gente que se orgulha, empina o peito e faz questão de querer mandar em todo mundo, em querer se impor, ser o dono da verdade e ser melhor que os outros: às vezes agindo até com arrogância em suas falas; só valoriza quem tem poder e dinheiro ou quem pode lhes dar um retorno, de preferência financeiro. 

Procuro me afastar dessa gente, sempre que posso, não por querer ser melhor, mas avalio que esse tipo de comportamento me faz mal, interfere na minha felicidade e no meu metabolismo.  Segundo a terapeuta floral Carolina Arêas, essas pessoas são de difícil trato.

“Conhecidos como pavio curto, não pensam duas vezes antes de explodir diante de qualquer contrariedade. Pior ainda se a sua opinião for diferente da deles. Pessoas que se consideram donas da verdade não poupam argumentos, palavras e o que mais for preciso para provarem que seu ponto de vista é sempre o certo”, observa.   

O escritor gaúcho Erico Verissimo escreveu muito sobre isso em suas obras, em seus romances de crítica social e observação da sociedade rio-grandense, fazendo uma análise geral do homem e suas variações de caráter, tanto da zona rural quanto urbana. Outros autores da minha preferência também abordaram esses temas.

Eu penso que ler ainda é a solução para a burrice, mas a intolerância e a falta de caráter, infelizmente, não se esvaem com a leitura e o aprendizado dos livros, embora eu acredite que ler é sempre um estimulante essencial em nossas vidas.

E como disse alguém outro dia:  “A leitura habitual e incessante provoca experiências místicas e rompe muros da mediocridade e da ignorância, inspirando o espírito a avançar em direção da luz, da sabedoria e do aprendizado ilimitado”.

Em ‘A intolerância dos Saberes diferentes’, Valdecy Carneiro escreve que é comum algumas pessoas, ao atingirem ou alcançarem um conhecimento ou reconhecimento, se colocarem na posição de julgadores dos seus semelhantes.

E ele argumenta: “Assusta-me a intransigência dos donos da Verdade. Por que os saberes não podem ser complementares, em vez de antagônicos? Por que é tão difícil compreender que a hipótese de um não exclui ou invalida, necessariamente, a hipótese do outro?”.

Segundo o autor, a afirmação de uma coisa, não é necessariamente a negação de outra coisa. “A convivência é uma arte. Penso que o ato de conviver passe por três fases, a saber: tolerância, respeito e aceitação”. Essa é a nossa reflexão para hoje. Fiquem com Deus.
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