sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sessão na ALE discutiu e lançou livro sobre a questão dos povos indígenas

Evento foi proposto pelo deputado Ronaldo Medeiros; lotou o plenário Tarcísio de Jesus e contou com  participação de vários setores da sociedade alagoana

Olívia de Cássia - Repórter 

A Assembleia Legislativa realizou no plenário Tarcísio de Jesus uma audiência pública nesta sexta-feira, 11, onde discutiu a questão dos povos indígenas e fez o lançamento do livro Povos Indígenas do professor, jornalista e pesquisador Jorge Vieira.
O autor do livro Povos Indígenas, professor Jorge Vieira, cientista social e pesquisador, agradeceu ao deputado Ronaldo Medeiros pela sensibilidade e compromisso que tem demostrado pelos setores sociais e em particular as populações indígenas. Fotos: Paulo Tourinho
 A sessão foi requerida pelo deputado Ronaldo Medeiros e contou com a participação de vários setores da sociedade alagoana, entre professores, estudantes e vários representantes de povos indígenas do Estado.
“É um tema histórico e atual; vamos discutir a questão dos índios não só de Alagoas, mas do Brasil, uma questão que vem se arrastando há muitos anos. Depois da sessão vamos lançar o livro do professor Jorge Vieira, que trata do mesmo tema; de fundamental importância nos dias atuais”, observou o deputado.
O parlamentar destaca que os índios foram primeiros moradores do país: “Quando falamos na questão indígena a gente pensa que eles é que estão invadindo o território; pelo contrário.  Eles já estavam aqui antes de nós chegarmos. Hoje é uma luta muito grande, pela busca, pela retomada”, disse Medeiros.
Segundo o parlamentar, é necessário dar dignidade à população indígena, condições de os povos continuarem a trabalhar e manter a sua cultura. “A sessão é uma contribuição importantíssima da Assembleia para contribuir com o debate, principalmente sobre a questão da educação e saúde indígena e para todos nós”, observou.  
LIVRO
O autor do livro Povos Indígenas, professor Jorge Vieira, cientista social e pesquisador,  agradeceu ao deputado Ronaldo Medeiros pela sensibilidade e compromisso que tem demostrado pelos setores sociais e em particular as populações indígenas.
“Ele (Medeiros) tem apoiado em vários momentos essa luta e essa sessão só expressa o momento importante nessa caminhada, porque a situação dos povos indígenas hoje em Alagoas e no Brasil é extremamente difícil. Nós temos o caso de Mato Grosso do Sul, onde os índios estão sendo assassinados; foram expulsos de seus territórios e estão lutando pela terra”, destacou.
No Estado de Alagoas, o professor Jorge Vieira destaca que existem hoje 12 povos indígenas e desses, nenhum tem o seu território demarcado. “Tem povos inclusive que mora na periferia, como é o caso de Katökinn, Pariconha, é uma situação muito difícil”, ressalta.
Segundo o pesquisador, outra questão gravíssima é a educação indígena em Alagoas que, em pleno século XXI, não tem uma escola indígena, com garante a Constituição de 1988. “As crianças são obrigadas a estudarem nas escolas municipais, aprendendo o costume dos brancos e não tendo efetivamente aquela concepção teórica, pedagógica, uma escola diferenciada; um processo de apropriação de elementos culturais que vão ao encontro de à história de seu povo”, explicou.   
COMISSÃO
O índio Gecinaldo Xucuru-Kariri, membro da Comissão Permanente de Articulação e Mobilização pela Regularização do Território Tradicional da tribo Xucuru-Kariri de Palmeira dos índios, destacou que a sessão realizada pela Casa de Tavares Bastos é de fundamental importância, porque traz a realidade dos povos indígenas.
“Hoje em dia a gente sabe que os responsáveis por fazerem as leis estão tirando os direitos dos povos indígenas, que estão passando por um processo de regularização de terras, que é assegurado no artigo 231 da Constituição”, argumenta. Ele destaca que o movimento percebe uma série de ofensivas dos Poderes constituídos para que os processos não venham ser efetivados.
“O povo indígena permanece mobilizado e vai fazer com que esses territórios sejam demarcados e conclusos esses processos. A gente vê esse momento como de destaque para a atual situação em que vivemos; uma situação precária da própria saúde; da educação; e o desenvolvimento sustentável”, pontua.
Gercinaldo Xucuru-Kariri destaca que o Estado brasileiro não tem uma política eficiente que promova uma educação diferenciada e de qualidade estabelecido na legislação e também como a própria saúde indígena.
“Há muita dificuldade, por mais que haja assistência aos índios, deixa muito a desejar nos dias atuais. A população indígena cada dia aumentando e aí as políticas públicas não se aperfeiçoam para de fato atender a toda a comunidade”, avalia.
O professor Douglas Apratto Tenório, vice-reitor do Cesmac, prefaciador do livro de Jorge Vieira, disse na oportunidade que o autor do livro tem se empenhado na questão e a sua missa missão como professor e pesquisador a respeito dos povos indígenas, nenhum outro estudioso fez.
“Ele é a maior autoridade para falar sobre o tema em Alagoas. Fazer esse resgate de tribos que estavam esquecidas, hibernando na história como Kalankós,  Geripankós, Karuazus, Katökinns e Koiupankás e todas as outras que viviam às sombras; foi um trabalho que começou há muitos anos e ele faz isso com dedicação, cotidianamente; Jorge é um índio, porque os índios o respeitam pela sua história”, reforça.
Douglas Aprato também disse que fez parte da banca de doutorado do professor Jorge Vieira: “Uum trabalho belíssimo sobre o resgate dessas tribos que estavam esquecidas  e marginalizadas  e ele continua esse trabalho; nada mais justo de que às vésperas da emancipação política de Alagoas que o Estado tenha um livro dessa natureza e que reconhece o papel importante dos  nossos ancestrais indígenas, esquecidos pela história oficial. Nenhuma comemoração é tão importante como essa do livro do Jorge, na festa da emancipação”, pontuou.
Foram homenageados o pajé Antônio Celestino, do povo Xucuru-Kariri e o cacique Genésio Minranda do povo Geripankó Serão alagoano.  Hoje existem, segundo ele, cinco tribos no Sertão Kalankós,  Geripankós, Karuazus, Katökinns e Koiupankás, de Pariconha, Água Branca e Inhapi.
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