quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Doação de cabelos para pessoas com câncer melhora autoestima de alagoanos

Projeto de estudante de Direito beneficia pessoas que passam por tratamento quimioterápico 

Olívia de Cássia - Repórter

Um projeto de responsabilidade social beneficia pessoas que estão passando por tratamento quimioterápico e estão tendo a oportunidade de melhorar a autoestima de alagoanos e de pessoas de outros estados. É o projeto de doação de cabelos para perucas que em Maceió é de autoria da estudante de Direito Marcella Lessa Santos, 25, e foi encampado pela Apala (Associação dos Pais dos Leucêmicos de Alagoas). 

Atualmente o projeto tem um salão de beleza  conveniado (localizado em frente ao antigo Shopping Iguatemi) que corta os cabelos de graça sem receber nenhum benefício, tudo como  forma de doação. Segundo Marcella Lessa, o projeto não tem data de validade e todas as doações podem ser entregues em sua residência, no bairro da Jatiúca.

O projeto, segundo ela,  nasceu no dia 12 de março deste ano, quando sem nenhum motivo especial ela decidiu que cortaria o cabelo para dar início à campanha em Maceió. “No dia seguinte, cortei meu cabelo e publiquei a foto explicando o motivo do corte no meu perfil de uma rede social. O resultado de várias curtidas e comentários, foi a emoção de ver as pessoas querendo participar também. Na mesma semana já recebi doações e a campanha só foi aumentando”, explica.

O projeto de doação de cabelos tem atualmente um perfil oficial para a campanha, que é o @projetodoesuasmadeixas no instagram, onde a criadora da ideia faz publicações diárias sobre a proposta, incluindo fotos de doadores, avisos, pedidos de doação de sangue para pacientes em estado grave ou com o quadro da doença necessitando do transplante e comunicados em forma de documentos emitidos pelas próprias instituições que são beneficiadas.

Segundo Marcella Lessa, praticamente todos os interiores do Estado fazem doações, além de  outros estados  da federação que não têm esse tipo de projeto. Ela explica que todas as doações serão entregues no final de ano para o Projeto Fios do Bem, na cidade que Natal/RN, que tem parceria com o hospital do câncer da cidade e possui uma oficina própria para a confecção de perucas”, informa.

Marcella Lessa pontua ainda que o projeto cresceu tanto que outros estados buscaram  informações de como proceder, do que fazer, de alternativas para crescer, como é o caso do projeto de Salvador. A estudante acrescenta não sabe mensurar quantos doadores atualmente tem o projeto.

“Hoje não consigo passar um número exato de doadores, pois alguns entregaram direto na Apala e os que chegaram em minhas mãos  foram entregues e outras centenas serão entregues em outras instituições. Vale salientar que não temos nenhum vínculo com órgão governamental e principalmente político. Todos os eventos realizados pelo projeto são feitos de verba própria e de doações, como o mutirão que realizamos em um povoado da cidade de Marechal Deodoro”, ressalta. 

INÍCIO

Marcella Lessa observa que, de início, o objetivo da campanha para doação de cabelos era ajudar a Apala,  onde entregou  várias mechas de cabelos que seriam usadas para a confecção de perucas para as crianças e adultos assistidos pela instituição.

“Tivemos o apoio da psicóloga Sandra (Agrele), responsável pela triagem que é feita na Apala para saber quem realmente quer usar a peruca, pois não basta fazer a peruca e entregar ao assistido, alguns deles não necessitam apenas da peruca; muitos casos só pedem um lenço para usar na cabecinha careca que já faz parte da vida e é aceita com muito amor. A aceitação da população é grande: graças a Deus, que pessoas de outros estados que não têm projeto desse tipo, mandam sua doações para Maceió”, destaca.

Marcella Lessa argumenta que se sente na obrigação de deixar tudo muito transparente para qualquer pessoa ter acesso, mesmo não sendo doador.  “Muitas pessoas me perguntam se o motivo para criar o projeto foi de ter algum portador do câncer ou da leucemia na minha família. Negativo. Há quase dez anos perdi minha avó materna portadora de leucemia e por alguns anos não conseguia entender o motivo de ela ter morrido tão rápido sem nenhum tratamento que conseguisse curá-la ou que ao menos proporcionasse mais alguns anos de vida. Mas hoje, o meu objetivo de criar essa campanha, foi realmente ajudar ao próximo”, pontua. 

A autora desse projeto solidário beneficente diz que participa de outras campanhas : “Desde mais nova fazia minha festa de aniversário (12 de outubro)  e pedia os presentes (brinquedos) para fazer doação para crianças nas ruas. Há uns seis anos organizo campanhas de arrecadação de alimentos, roupas, sapatos e brinquedos usados ou novos para doações em datas comemorativas, mas  todos os donativos podem ser entregues qualquer época do ano, pois quando não tenho campanha prevista, repasso as  doações para outras campanhas que são realizadas na cidade”, ressalta.

Raíssa Novaes cortou as longas madeixas e disse que não se arrependeu do que fez. “Eu soube que a Apala estava fazendo uma campanha e que alguns cabeleireiros estavam cortando para doação. A campanha acabou em junho e eu fui cortar em julho, aí eu mesma levei o cabelo na instituição e conheci o projeto de perto. Foi tranquilo e outras amigas minhas ficaram interessadas”, observou.

Raíssa Novaes disse ainda que gostou de ter participado da campanha. “Achei interessante porque fiz uma pessoa que está passando por uma situação difícil um pouco feliz; estou adorando o cabelo curto e muita gente elogiou o corte”, disse a jovem.

Os cabelos cortados com esse fim viram perucas que são destinadas a adultas e crianças que lutam contra a doença e estão com a autoestima baixa, por conta da queda dos fios. Em todo o País a ideia está se proliferando e salões de beleza se engajaram na causa, incentivando a iniciativa.  Para que a mecha possa ser doada, é preciso que tenha o comprimento mínimo de 10 cm e que a cabeleireira seja comunicada antes de passar a tesoura, para que possa fazer o corte correto, prendendo a parte que será retirada com uma liga (elástico).

As redes sociais têm sido aliadas nesse tipo de ação. É por meio da internet que pessoas do mundo todo divulgam doações e acabam estimulando outras a fazerem o mesmo. Há, inclusive, crianças mobilizadas em ajudar a causa.


A reportagem ligou para a Apala para falar com a psicóloga Sandra Agrele, mas ela  está viajando de férias. 
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