quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Daquilo que eu vivi ...

Olívia de Cássia - jornalista

Sempre que meus tios chegavam do Rio de Janeiro do fim para começo de ano era uma festa para nós e tudo era uma grande novidade: saber notícias dos parentes e familiares distantes e um pouco sobre aquela terra maravilhosa, além do quê, a gente sabia que não ia apanhar dos nossos pais quando fizesse algo que não fosse do agrado deles, com visitas em casa.

Meus avós Olivia e Manoel ficavam numa alegria só ao verem a filha mais velha de volta, com os netos cariocas, quebrando um pouco aquela vidinha deles de ficarem todos os dias na porta da casa da Rua da Ponte olhando o movimento e o tempo passar; missa aos domingos da minha avó, ou pequenas visitas à casa dos meus pais.  

Eu ficava tão curiosa vendo meus primos se arrumarem para irem aos bailes de carnaval, quando eu era bem pequena, que dava uma vontade danada de participar de tudo aquilo. Desde pequena aprendi a gostar muito de festas com minha saudosa tia Ozória que era muito animada e não perdia um evento sempre que podia.

No final dos anos 1960 nos mudamos da Rua da Ponte, porque meu pai adquiriu uma casa na Rua Tavares Bastos, no centro de União dos Palmares, bem próxima à pracinha do cinema. O imóvel pertencia a Hamilton Baia, que era filho de dona Helena, senhora abastada da sociedade palmarina, proprietária da Fazenda Anhumas, onde nos anos 70 foram filmadas cenas do filme Joana Francesa. Isso para nós era uma referência.

Além da casa, papai também comprou o terreno do lado, onde tinha sido demolida outra residência e lá fez o nosso jardim, uma garagem e ampliou o imóvel. A casa era de corredor, como aquelas antigas da maioria do interior do Estado.

Vivi ali dos nove aos 23 anos, alternando com meus estudos do ensino médio no Moreira e Silva, quando mamãe alugou uma pequena casa em Maceió para que fizéssemos o científico no Cepa, ou  morar em casa de tios e de amigos por um tempo.

Na Tavares Bastos tudo era novidade  e com tanta menina e menino morando na vizinhança  foi fácil fazer novas amizades e viver outras aventuras da pré-adolescência. Todo domingo meu padrinho Durval Vieira ia me buscar de jipe para a gente fazer uns passeios pelas ruas de União ou pelos sítios e fazendas.

Íamos eu e Luciana Medeiros, sobrinha de madrinha Nenzinha,  terminando na fazenda do meu padrinho, a Sete Léguas, para a gente tomar banho de açude, colher frutas no pé e se divertir muito.  Era só felicidade o que a gente vivia.

Acho que fui um pouco bicho do mato, pois passava as férias na Barriguda do meu tio Antônio Paes e aos domingos, quando estava em União esses passeios com meu padrinho me encantavam.

Nos dia de domingo e datas religiosas eram sagradas para a gente fazer visitas aos padrinhos e tios e pedir a bênção. Fomos criados assim, embora com o tempo e a roda vida da vida a gente se separe das raízes e vá adquirindo novas experiências e novas vivências.

São essas histórias de vida  que vão constituindo a nossa formação e aprendizagem. Tudo vai contribuindo de alguma forma para o crescimento interior e para que tenhamos um pouco para lembrar na fase da terceira idade, essa que estou começando a viver agora. Boa dia!
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