quinta-feira, 29 de maio de 2014

Torço para que o Brasil ganhe a Copa

Olívia de Cássia - Jornalista

Estou torcendo pelo Brasil, hoje e sempre e quero que ele ganhe a Copa, sim, independente de corrupção, de faltar ainda muita coisa a ser conquistada, independente da violência que campeia lá fora.  Essa propaganda do contra espalhada nas redes sociais para mim é uma tolice.

Como disse o blogueiro Adriano Tonon, em artigo intitulado ‘Eu não concordo com os protestos contra a copa’, o dinheiro que tinha que ser gasto, já foi. “Deixar de ter Copa aqui não vai trazer o dinheiro de volta. O que era pra ser feito e não foi feito, também não será feito. Simples assim”, observa.

Assim como Adriano, eu penso por outro lado. “São Paulo não precisa da Copa para ser a cidade mais importante do país. Da América Latina, na verdade. Com Copa, sem Copa, as coisas vão continuar acontecendo por aqui. Shows, festas, passeatas, infraestrutura, governo corrupto, investimentos, violência,  reuniões de negócio, exposições, arenas de futebol” e outras coisitas mais.

Toda essa divulgação negativa, para mim, só evidencia o complexo do vira-lata, expressão criada por Nelson Rodrigues, para definir a mania dos brasileiros de se inferiorizarem perante o resto do mundo. Ora, por que o Brasil não tem condições de seciar uma Copa do Mundo?

Quando estava para ser definido se a Copa 2014 seria aqui, muita gente ficou de esguelha, esperando o resultado para começar a detonar: aprovada a proposta, alguns espernearam e outros ficaram calados; agora se rebelam.

Certamente se não tivesse sido escolhido o Brasil, os que torcem para que não dê certo seriam os primeiros a reclamarem dizendo que o país é tão incompetente que não tem capacidade nem para bancar um campeonato mundial. Aceito o desafio, não adianta a torcida do contra, vai haver e falta pouco para começar, preparemos nossos corações para torcer.

Eu vinha num ônibus do Benedito Bentes via Centro, nesta quinta-feira, 29, e uma senhora de pouca instrução estava dizendo para outra que nessa Copa ia morrer muita gente. Olhei para a senhora com ar de indignação e disse: ‘Minha senhora, acabe com essa história’ e a outra que ouvia a conversa concordou comigo.

Mortes acontecem todos os dias, não por conta da Copa, mas da sociedade violenta, da falta de valorização da educação, de uma sociedade corrompida, de políticos mal intencionados e de tantas outras coisas. Mas todos esses males e mazelas não são de agora e não vão acabar se não tiver Copa.

Muita gente que está torcendo contra é impossível dissociar o fato da questão política: são em sua maioria os opositores do governo federal. Os que fazem oposição ao governo Dilma espalham e difundem no noticiário e nas mídias sociais muitas notícias falsas e outras bem negativas contra o governo, incitando movimentos nos dias dos jogos. Isso não se faz, para mim, isso é falta de caráter ou desinformação, me desculpem os que pensam ao contrário.

Eu não sou burra e nem doida e sei que o futebol já foi muito usado no país, na época da ditadura militar, para anestesiar mentes e corações. Enquanto 90 milhões naquela época em ação estavam torcendo pela seleção, dezenas de brasileiros estavam sendo torturados e mortos nos Doi-Codis da vida, mas agora os tempos mudaram.

Muitos desses agourentos que agora torcem ao contrário,  naquela época não estavam nem aí para o que acontecia nos bastidores da política brasileira e nem ligavam para direitos humanos e acreditavam em tudo o que os militares diziam. De repente vejo uma horda que sempre esteve do lado do poder, que nunca lutou por um Brasil melhor e mais justo, se armando contra tudo e contra todos, num ato de rebeldia tardia.

Por que na época dos militares e de outros governos reacionários esse pessoal não se insuflou? Será que não havia corrupção e roubalheira naquela época? Certamente que havia só que os jornais e os meios de comunicação eram empastelados e proibidos de dizer qualquer coisa contra o governo, e quando falavam, o que os repórteres escreviam era substituído por receitas de bolo. Boa tarde!
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