quinta-feira, 15 de maio de 2014

Nosso 13 de maio de 1888

Álvaro Barboza
Álvaro Barboza - Procurador do Estado e palmarino

Até o dia 13 de maio de 1888, o Império do Brasil era a única nação que mantinha o regime escravocrata no continente americano. Por mais de 350 anos o Brasil foi o maior país escravagista de todo hemisfério ocidental. Cerca de 10 milhões de homens de cor negra foram trazidos como escravos do continente Africano para as Américas, 40% desses homens tiveram como destino o território Brasileiro.

Submetidos toda sorte de agruras foram responsáveis pela economia durante o Brasil colônia, cujo caminhar resultou na independência e formação do Brasil Imperial.

A aristocracia rural e senhores de escravos apoiavam e davam sustentação ao governo e, em contrapartida, recebiam títulos de nobreza não hereditários. Esse sistema de trocas e de favores interessava tanto ao governo quanto a aristocracia rural.

Na segunda metade do século XIX, o movimento pela abolição da escravatura já se apresentava como um movimento urbano, enquanto a escravidão permanecia como uma realidade tipicamente rural.

Nesse meio tempo nas áreas urbanas a escravidão sofria forte declínio. No Rio de Janeiro o número escravos que era 100 mil caíra para 7 mil entre 1864 e 1887. Em São Paulo, os 4 mil escravos registrado em 1872 ficaram reduzidos a seiscentos em 1887.

Em 1884, as províncias do Ceará e do Amazonas foram as primeiras a abolir a escravidão no Brasil. Tal fato foi em decorrência da luta de jangadeiros Cearenses liderados por Francisco José do Nascimento conhecido como "Dragão do Mar", que se recusavam a transportar para navios grupos de escravos vendidos para fazendeiros do Sul do país.

Apesar de algumas leis e pressões internas e externas o Brasil tentava por todos os meios conter os esforços abolicionistas. A situação chegou ao ponto que a Inglaterra, a maior potência econômica e militar da época se viu obrigada a atacar navios negreiros e bombardear portos brasileiros.
Assustado o parlamento do império Brasileiro aprovou uma lei que, pós fim ao tráfico negreiro. Não. Não era ainda o fim do tráfico.

Com o tão esperado fim do tráfico negreiro criou-se uma nova forma de mercância de escravos no Brasil. As províncias do norte em decadência econômica passaram a vender seus escravos para os barões de São Paulo e Minas Gerais. Como resultado dessa nefasta política - os impostos cobrado pela venda do escravo em 1862, se constituíram na maior parte da arrecadação da província das Alagoas.

Depois de algumas conquistas do movimento pela abolição, o Brasil demorou vários anos para se encontrar novamente com à causa abolicionista. O tema que estava em consentido repouso, de repente ganhou as praças, as rua de todo pais, clubes antiescravista, jornais, sociedades e, finalmente da própria igreja.

O crescente movimento pelo fim da escravidão saia das ruas em direção ao trono imperial do Brasil. Até que a princesa Isabel assumindo pela terceira e última vez a regência do império decretou o fim da regime escravocrata no Brasil.

Olhando-se para o 13 de maio de ontem e, comparando-o com o 13 de maio de hoje, conclui-se, que ainda temos de completar nossa abolição, pois persiste um traço rancoroso e bastante sutil da escravidão, qual seja: o preconceito contra negros, mulatos, índios e pobres.
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Alguns instantes. Vivendo por aí...