terça-feira, 13 de outubro de 2015

Jorge de Lima

Olívia de Cássia - Jornalista

O poeta Jorge de Lima será o homenageado na VI Flimar, Festa Literária de Marechal Deodoro de 11 a 15 de novembro, quando estarão no local escritores de renome e toda nata da cultura e literatura alagoana. Nosso poeta maior merece todas as homenagens, mas parece que os moradores da nossa União dos Palmares ainda não dimensionaram a importância de sua história.

Não atentaram ainda para a rica história do local, que além de Jorge de Lima, Maria Mariá e Zumbi teve e tem heróis anônimos; guerreiros e guerreiras que sobrevivem com dificuldades no dia a dia do local, e que merecem todo o respeito da comunidade.

Fiz uma visita ainda este ano, para fazer matéria para o portal Primeiro Momento, à  Casa do Poeta Jorge de Lima, transformada em Memorial na gestão do então prefeito Areski Damara de Omena de Freitas Júnior (o Kil) e reinaugurada em 5 de novembro de 2010.

O local guarda um pequeno acervo do poeta palmarino e peças de escavações da Serra da Barriga, que pertenceram aos quilombolas e apesar da beleza, ainda falta, na minha opinião, uma biblioteca que contemple o porte, tanto do poeta quanto da história do lugar.

A Casa fica aberta de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, em horário comercial e fecha nos fins de semana, o que continua gerando algumas reclamações dos visitantes  que chegam à cidade para visitar o acervo.

O Memorial Jorge de Lima retrata a memória e a trajetória de um dos poetas brasileiros mais importantes do País, parnasiano, que depois aderiu ao modernismo. Jorge Mateus de Lima nasceu em União dos Palmares, em 23 de abril de 1893.

Foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor. Era filho de comerciante rico e mudou-se para Maceió em 1902, com a mãe e os irmãos. Em 1909 foi morar em Salvador onde iniciou os estudos de Medicina.

Jorge concluiu o curso no Rio de Janeiro em 1914, mas foi como poeta que projetou seu nome. Neste mesmo ano publicou o primeiro livro, XIV Alexandrinos. O poeta voltou para Maceió em 1915 onde se dedicou à medicina, além da literatura e a política.

Quando se mudou de Alagoas para o Rio, em 1930, montou um consultório na Cinelândia, transformado também em ateliê de pintura e ponto de encontro de intelectuais. Dizem as más línguas que saiu do Estado corrido, porque havia se interessado por uma mulher casada, o que lhe rendeu alguns inconvenientes.

O poeta reunia-se no Rio de Janeiro com personalidades como Murilo Mendes, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Nesse período publicou aproximadamente dez livros, sendo cinco de poesia.
Ele também exerceu o cargo de deputado estadual, de 1918 a 1922 e com a Revolução de 1930 foi levado a radicar-se definitivamente no Rio de Janeiro. Em 1939 passou a dedicar-se também às artes plásticas, participando de algumas exposições.

Segundo os especialistas na obra do poeta, em 1952, publicou seu livro mais importante, o épico Invenção de Orfeu. Em 1953, meses antes de morrer, gravou poemas para o Arquivo da Palavra Falada da Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos.

O acervo de União dos Palmares é composto por fotos e painéis com poemas e trechos importantes de livros de Jorge de Lima. Em um dos painéis, está ilustrada a visão simples que o escritor tinha sobre si mesmo.

Grande parte do acervo dessa compilação da obra do poeta teve a contribuição de Francisco Valois, poeta já falecido, pesquisador e amigo de Jorge de Lima.  O acervo do Memorial Jorge de Lima é considerado de suma importância para o Estado e o município.



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