quinta-feira, 28 de maio de 2015

Intolerância e ódio não são do bem

Olívia de Cássia – jornalista

Está na Declaração Universal dos Direitos Humanos e é importante que se lembre, sempre, que manifestações de ódio e intolerância, seja religiosa ou política é crime. “O crime de ódio é uma forma de violência direcionada a um determinado grupo social com características específicas”, diz o texto da DUDH.

Já comentei em artigo, em outra oportunidade, que não tolero esse tipo de manifestação e sempre vou combate-la. Recentemente, tivemos um exemplo de caso de intolerância religiosa contra a líder espiritual à Yalorixá Mãe Neide Oyá D´Oxum.

O caso foi parar na polícia e está rendendo um processos contra a assessora de imprensa Juliana Despírito, ex-namorada do ator Henri Castelli, que deverá ser intimada para depor no Rio de Janeiro, Estado onde mora, por meio de carta precatória.

Tudo começou quando o ator, que é filho espiritual de Mãe Neide, postou uma foto para homenageá-la no Dia das Mães, onde a filha estava vestida de baiana e no colo da ‘vó preta’. Por conta dessa postagem, a ex-namorada se sentiu ofendida tascou xingamentos nas redes sociais, que repercutiu em todo o país e até em sites de Portugal.

Pessoas intolerantes e sem noção fizeram os mais absurdos comentários, com incitação ao ódio e à violência e devem responder por isso também na Justiça. Outro exemplo nas redes sociais é o menosprezo e a baixaria daqueles que foram derrotados nas últimas eleições contra a presidente Dilma.

Todos sabem que o país está vivendo momentos de tensão, desde a campanha presidencial, mas isso não justifica esse comportamento agressivo, deselegante e disforme contra nossa principal liderança política.

No domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Brasil assistiu uma grave e cruel demonstração de ódio, machismo e misoginia à presidenta Dilma Rousseff, por meio da publicação da principal charge do Jornal o Globo. A ilustração feita pelo cartunista Chico Caruso, mostrou  Dilma de joelhos, prestes a ser degolada por um terrorista islâmico.

A charge foi uma verdadeira incitação ao ódio e violência contra a mulher, principalmente em meio ao atual clima de radicalização política em que vive o país. Isso depõe contra a democracia.

A charge foi veemente criticada nas redes sociais.  Por outro lado, esses mesmos internautas usuários das mídias sociais têm se mostrado intolerantes, mal educados, mal amados e sem noção.

Esta semana compartilhei uma imagem da presidente ainda menina com um texto afirmando sua coragem, valentia  e determinação e fui criticada severamente e com deselegância por alguns amigos virtuais, que não aceitam a opinião do outro e ainda se acham no direito de destilar ódio, veneno e desentendimentos.

 Eu não uso as redes sociais para isso, repito mais uma vez. Essa ferramenta me serve para divulgação do meu trabalho, diversão, fazer amizades e compartilhar mensagens engraçadas ou que eu avalie como interessantes.

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o crime de ódio é mais do que um crime individual; é um delito que atenta à dignidade humana e prejudica toda a sociedade e as relações fraternais que nela deveriam prevalecer. “Ele produz efeito não apenas nas vítimas, mas em todo o grupo a que elas pertencem. Assim sendo, podemos classificá-lo como um crime coletivo de extrema gravidade”.


Apelo mais uma vez para que os caros colegas se dignem a entender que a DUDH assegurou a igualdade entre todos os indivíduos. Independente do grupo social ou do modo de ser e agir, todo ser humano tem o direito ao tratamento digno e imparcial. A Constituição Federal do Brasil afirma como objetivo fundamental do país a promoção do bem-estar de todas as pessoas, sem discriminações. Espero que tenha me feito entender. Fiquem com Deus.
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