segunda-feira, 11 de maio de 2015

Casa Dom Bosco acolhe meninos em situação de risco em Maceió e precisa de voluntários

Trabalho social do padre Tito Regis se destaca na comunidade e deve ser ampliado

Olívia de Cássia - Repórter 

A Casa Dom Bosco é uma instituição não-governamental, localizada no bairro da Santa Amélia, em Maceió, construída em um terreno de 2.100 metros, que cuida de meninos em situação de risco. Os menores participam do programa de recuperação da Fundação D. Paulo II, mantenedora da Casa Dom Bosco, e existe há 23 anos.
A Casa Dom Bosco atende jovens do sexo masculino, moradores de rua ou dependentes químicos, que são encaminhados pelos conselhos tutelares, Juizado de Menores ou pela Secretaria da Paz. 
Segundo o padre Tito, inicialmente a Casa Dom Bosco trabalhava apenas com meninos de rua, que tinham os vínculos familiares destruídos - Fotos: Paulo Tourinho
A reportagem do Primeiro Momento foi conhecer a instituição e conversou com o presidente, o padre Tito Regis Rodrigues Silva e com alguns meninos assistidos pela casa. O padre Tito explicou que, no momento, 18 meninos estão fazendo parte do programa de recuperação, com mais 20 deles que já participaram e continuam na Casa, num total de 38.
No local, eles participam de oficinas, aprendem uma profissão e desenvolvem tarefas diárias como cuidar dos animais, plantar e cuidar da horta, forrar as camas, orações e toda uma programação espiritual que a Casa oferece; além de serem acompanhados diariamente por psicólogos e assistentes sociais, que fazem atendimentos individuais ou em grupo.
Segundo o padre Tito, inicialmente a Casa Dom Bosco trabalhava apenas com meninos de rua, que tinham os vínculos familiares destruídos; depois, com esse flagelo de drogas na cidade, que atinge não só meninos de rua, mas que têm família também, a instituição começou a acolher os dependentes químicos menores, entre 12 até 18 anos.
O programa que é oferecido aos jovens dura de seis meses a um ano, de acordo com o progresso do jovem adolescente, mas se precisar prolongar a permanência na Casa isso é feito. A instituição tem condição de abrigar 100 jovens, mas ainda falta equipe de trabalho para que isso aconteça, pois os recursos são escassos, segundo ele. 
O programa que é oferecido aos jovens dura de seis meses a um ano, de acordo com o progresso do jovem adolescente, ressalta o padre. 
Segundo ele, para o jovem se reinserir na sociedade, sem sofrer violência, seria necessário um programa continuado que acompanhasse também a família, quando ele sai do programa, pois na maioria das vezes, quando volta para casa sofre violência.
“A Casa Dom Bosco está precisando de voluntários na área técnica. Nós recebemos doação de alimentos, vestuário, mas precisamos de pessoas para trabalhar: odontólogos, psicólogos, pedagogos; essas frentes de serviços que a instituição necessita para desenvolver o trabalho”, ressalta o padre.
O padre Tito Regis argumentou que além desses profissionais, a casa também recebe estagiários na área de psicologia, para assistir e acompanhar esses meninos. “A obra de Dom Bosco no mundo este ano completa 200 anos e aqui existe graças a Dom Edivaldo Amaral, que era salesiano, e trouxe obra para Maceió”, destaca.
Segundo o padre Tito, a instituição tem uma parceria com a Secretaria da Paz (Sepaz), mas com essa mudança de governo, está esperando esses repasses e vivendo momentos delicados: “Não só a Casa Dom Bosco, mas as comunidades terapêuticas”, observa.
A fundação também sobrevive de doação da comunidade, que contribui mensalmente por meio de carnês; eventos religiosos e os produtos da padaria, feitos pelos meninos, que são colocados na hora da missa para venda à comunidade próxima da casa.

Instituição objetiva a profissionalização de menores

O objetivo da Casa Dom Bosco é a profissionalização desses meninos também na questão da laboterapia. Os jovens aprendem na instituição a lidar com o trabalho no campo, com a terra, criação de animais: são 13 galinhas, um pato, seis gansos, 20 porcos e 1.500 peixes tilápia no tanque, que também servem de alimento, além da horta cultivada e bananeiras.
Os jovens aprendem na instituição a lidar com o trabalho no campo, com a terra, criação de animais
“Nas primeiras horas do dia eles fazem as tarefas do campo; cuidam dos animais, colocam a ração, fazem a limpeza, troca de água; na horta, plantam e colhem, fazem acontecer o trabalho de manutenção da horta”, observa.
Além desse trabalho de ocupação, o padre explica que os meninos assistidos pela Fundação têm no local a parte espiritual: “Na formação religiosa dos meninos eles têm a oração, em muitos momentos dirigidos até por eles, onde elevam a Deus uma prece, a oração e louvor”, ressalta.
Além desse trabalho de ocupação, o padre explica que os meninos assistidos pela Fundação têm no local a parte espiritual

Jovens que participam das atividades da Casa Dom Bosco não querem mais sair

A reportagem conversou com alguns jovens que participam do programa oferecido pela Casa Dom Bosco e constatou que muitos não querem mais sair. Para o jovem se reinserir na sociedade, sem sofrer violência, seria necessário um programa continuado que acompanhasse também a família, pois quando ele sai do programa e volta para casa, muitas vezes se depara com ambientes insalubres e sofrem violência, de acordo com as informações do padre Tito.
Os adolescentes assistidos pela instituição têm contato com a natureza e atividades que elevam o espírito. Galvão, nome recebido quando chegou à Casa Dom Bosco, conta que os jovens atendidos pelo projeto viviam lá fora em ambiente de crime e violência. “Aqui, quer queira, quer não, eles têm que aprender a se harmonizar, ter harmonia que ele nunca teve lá fora”, destaca.
Galvão, nome recebido quando chegou à Casa Dom Bosco, conta que os jovens atendidos pelo projeto viviam lá fora em ambiente de crime e violência
João Bosco tem 16 anos, dois filhos e está na Casa porque disse que teve uma recaída. Ele acompanhou a equipe de reportagem e mostrou todo o espaço; disse que não queria sair mais da instituição, pois ali tem casa, comida, piscina e atividades esportivas e recreativas.
João Bosco explicou que um dos meninos já conseguiu emprego em um dos prédios próximos à Casa. “Ele já foi zelador e agora manda na limpeza do prédio. Aqui nós estudamos e fazemos todo tipo de curso: tem de eletricista, padeiro, curso técnico profissionalizante”, destaca.

Escola Carlos Novelo

O presidente da Casa Dom Bosco observa que a instituição tem uma escola própria para menores dependentes químicos que estão participando de algumas oficinas. “Terminamos agora a oficina de eletricista e estamos no momento oferecendo o curso de panificação; vamos ter um grupo grande de padeiros, prontos para o trabalho”, avalia.
Segundo o padre, a instituição ganhou uma escola que já existia e foi construída pelo empresário italiano Carlos Novelo, que faleceu. O prédio ficou ocioso e a Fundação Carlos Novelo da Itália transferiu o patrimônio deles no Estado para a Fundação João Paulo II, que é mantenedora da Casa Dom Bosco.
“A escola, funcionando os três turnos, poderia ter um número de 1.200 alunos; ela funciona para a Fundação Dom Paulo II e não está aberta à comunidade. Falta ainda alguma questão de regularização de documentos”, destaca.
A escola tem refeitório, laboratório de ciências, padaria. O padeiro José Maria é o instrutor da padaria e disse que todos os produtos de uma padaria comum ele ensina os meninos a fazer; os pães, bolos, biscoitos, bolachas mimosas são vendidos na missa, na Casa Dom Bosco.
O padeiro José Maria é o instrutor da padaria
“A massa do pão tem que passar no mínimo quatro horas descansando, cada tipo de pão tem a sua fermentação, de acordo com o tempo que eu quero assar eles. Se eu quiser colocar um pouco de fermento a mais, eu deixo menos tempo no forno; se eu quiser fazer o pão hoje e só assar amanhã, eu coloco pouco fermento. O ideal é que o pão asse mais”, ensina.
Os produtos de uma padaria comum ele ensina os meninos a fazer

Laboratório

O laboratório de ciências da escola foi doado pelo Rotary Internacional, que disponibilizou a quantia de R$ 35.902,00, em julho de 2008 e está todo equipado com microscópios, manequins que reproduzem a anatomia do corpo humano e de animais, esqueletos e um aparelho com uma réplica do sistema solar.
O Laboratória está todo equipado com microscópios, manequins que reproduzem a anatomia do corpo humano
O padre conta que hoje está na luta para sensibilizar o governo, no sentido de permanecer com a rede de assistência social em torno da Sepaz: “Um dos maiores anseios que nós temos hoje, não só em relação à Casa Dom Bosco, mas em todas as outras instituições”, observa.
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