quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Minha madrinha ...

Olívia de Cássia - jornalista

Acabei de saber do falecimento da minha madrinha Nenzinha, que estava acometida do Mal de Alzheimer, já há alguns anos, em União dos Palmares. Viúva há vários anos de meu padrinho Durval, dela vão ficar as lembranças da minha infância, de quando eu ia tomar a bênção em sua casa, aos domingos e datas religiosas,  e dos passeios com meu padrinho Durval Vieira.

Madrinha Nenzinha morava em frente à pracinha do cinema, numa casa enorme de esquina e, seguindo as tradições, quando eu era menina, todo domingo ia visita-la. Depois que fomos morar na Tavares Bastos, todo dia ela passava na porta lá de casa e conversava com minha mãe.

Antigamente os padrinhos significavam os segundos pais de uma criança. Meus pais os escolheram, pela proximidade que tinham com eles, porque meu pai negociava com compra e venda de cereais também, da mesma forma que meu padrinho Durval, e por outras questões que não sei explicar.

Hoje em dia esse costume cristão se perdeu na modernidade, embora a igreja continue a pregar os mesmos princípios. Eu mesma, desde criança, fui madrinha de muitos meninos e meninas, mas confesso que muitos hoje em dia eu nem conheço, porque o tempo foi nos afastando.

No interior, principalmente na roça, muitos pais e mães procuravam tomar como padrinhos dos filhos pessoas em situação de vida melhor, talvez pensando em garantir segurança para seus filhos, já que segundo a tradição cristã, os padrinhos seriam os segundos pais, nos casos desses virem a falecer.

Criei laços de afeto com minha madrinha e sua família. Tem gente que pensa que ser madrinha ou padrinho é apenas presentear a criança com bons brinquedos e só. “Mas as madrinhas e os padrinhos são muito mais do que isso e precisam ter valores morais e espirituais, bem como pensamentos, semelhantes aos dos pais”, talvez tenha sido por isso que Nenzinha e Durval tenham sido escolhidos para serem meus padrinhos.

Minha madrinha não costumava sair de casa, a não ser para ir às missas, na Igreja Matriz de Santa Maria Madalena ou à feira, aos sábados, mas era com meu padrinho que eu dava muitos passeios, inclusive às festas de seu Pedro Moco, no Jatobá, para correr de bacos e tomar refrigerante, ou nas festas da Rua da Ponte, em frente à antiga fábrica de doces.

Que Deus, em sua infinita bondade, dê um lugar de paz e de luz à minha madrinha. Vai com Deus, madrinha Nenzinha!!
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