terça-feira, 23 de setembro de 2014

“A presença Negra em Alagoas” faz resgate das raízes históricas alagoanas

Foto: Adailson Calheiros

Livro foi organizado pelos professores Douglas Apratto e Jairo Campos 

Olívia de Cássia – Repórter

Há séculos, nosso país vem lutando para destruir as heranças culturais africanas e impedir a afirmação política negra de identidade racial, mas a cultura brasileira é constituída de miscigenação de três raças e não há purismo em nosso povo.  Com o objetivo de fazer um resgate da identidade alagoana, o livro “A presença Negra em Alagoas” será lançado hoje, 23, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no bairro do Jaraguá.
O livro tem como organizadores os professor Douglas Apratto Tenório (vice-reitor do Centro de Estudos Superiores de Maceió - Cesmac) e Jairo Campos da Costa (reitor da Universidade Estadual de Alagoas - Uneal). O trabalho faz parte de um projeto de resgate de vários temas ligados à cultura e à história de Alagoas e à busca das raízes histórico-culturais dos povos que colonizaram o Estado.
Segundo o professor Douglas Apratto, nos últimos anos houve um avanço nas discussões, pela questão de a própria população negra lutar pelos seus direitos. “A presença Negra em Alagoas”, que foi patrocinado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae\AL),  traz a discussão da herança afrodescendente para nosso Estado e procura desmistificar essa questão.
“Antigamente os quilombolas eram considerados pela história de Alagoas como bandoleiros, que prejudicavam a economia alagoana. O negro sempre foi estereotipado como burro e  preguiçoso e a presença da cultura afrodescendente assim como a presença indígena é muito colocada de lado; se fundamenta muito pela nossa herança europeia”, pontua o professor.
O vice-reitor do Cesmac avalia que a questão do preconceito tem diminuído nos últimos anos: “É institucional; hoje você tem uma mudança, acho que houve um avanço pela própria população negra de lutar pela sua identidade. A identidade alagoana é negra; é indígena e europeia; mas principalmente a negra”, destaca.
O professor Douglas Apratto também destaca que o povo negro foi escavo e tinha uma conotação pejorativa na sociedade: “Difamente, porque o negro trabalhava; o bom  é você não trabalhar; a gente ainda tem um pouco disso; convenções sociais que Alagoas ainda tem  do poder; do tudo mandar; enriquecer; ter um carrão; o negro sempre foi estereotipado como burro e preguiçoso”, observa.
Segundo Douglas Apratto, o fato do perdão pela Quebra dos Terreiros, acontecida em 1912, concedido pelo Estado, “foi uma coisa interessante para se chamar a atenção para o fato, porque todos os artifícios foram utilizados para derrubar as oligarquia os Malta, mas o que se conseguiu mesmo foi a questão dos terreiros, porque Euclides Malta frequentava esses locais”, explica.  “A presença do Negro em Alagoas” é um trabalho multifacetado e também tem a colaboração  dos professores Cléber Costa de Araújo; Edson Bezerra; Zezito Araújo e Clara Suassuna Fernandes.
O professor e vice-reitor do Cesmac observa que em 16 de setembro de 2017, Alagoas completa 200 anos de emancipação política de Pernambuco: “Até lá quero ter um painel de diversos temas mais importantes de Alagoas; o próximo tema será a abordagem da questão indígena, que está sendo esquecida pela sociedade alagoana; depois a europeia e por fim da flora e da fauna do Estado”, pontua.
Aos poucos essa identidade negra abordada no livro está sendo buscada e restaurada. Segundo Douglas Apratto, ela vem sendo redescoberta: “Hoje já tem uma data dedicada, que é o 20 de novembro; tem o movimento negro; os núcleos quilombolas que existem. A ideia de mostrar que a nossa identidade é fortemente negra e apresentar essa questão identitária”, observa.
O livro “A presença Negra em Alagoas” durou dois anos para ser elaborado é um projeto de  resgate da cultura alagoana e faz parte de um calendário da Fapeal (Fundação de Pesquisa do Estado). É o décimo segundo calendário da instituição elaborado pelo professor Douglas Apratto e sua equipe, que resulta em livro.
O trabalho foi impresso na gráfica Grafmarques, com capa dura e tamanho tabloide; papel de qualidade e impressão colorida. Foram impressos mil exemplares da obra, que tem 106 páginas e também teve o apoio da editora Viva.
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