quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O manifesto do Lobão...

Olívia de Cássia – jornalista
Ler para mim, além de ser prazeroso é um exercício diário maravilhoso. Por esse motivo,  levada pela certeza de que ninguém é dono da verdade, gosto de ler e conhecer os dois lados da  mesma moeda.
Gosto de ler tudo que cai em minhas mãos e estou nas últimas páginas, e surpreendentemente estou gostando, do livro do roqueiro Lobão “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”. Com um texto bem humorado e bem escrito, o roqueiro faz ácidas críticas ao sistema vigente, aos nossos atuais dirigentes políticos e a vários músicos da chamada MPB.
Guardadas as devidas proporções das críticas e as rixas do autor com alguns músicos, avalio que estamos precisando de textos assim para que a gente analise muita coisa da nossa história e que conheçamos a dos nossos políticos ditos de esquerda. A máscara caiu para muitos.
Li  ’50 anos a mil’, também do Lobão, gostei e resolvi me presentear no Natal com ‘Manifesto...” e com ‘Os Demônios de Casagrande’, que eu também recomendo. Como fala a apresentação da obra,’ Manifesto do Nada na Terra do Nunca (Nova Fronteira) questiona as bandeiras da falta de caráter, preguiça e precariedade levantadas pela Semana de Arte Moderna de 22 e profundamente fincadas em nossa cultura desde então. Este, no entanto, é apenas o ponto de partida para um texto em nada convencional’.
Na obra, além de diversas críticas, o autor discorda, ponto por ponto do texto de Osvald de Andrade, no Manifesto Antropofágico. E na atual ‘conjuntura’, precisamos de vez em quando dar uma sacudida na gente para que acordemos diante de tanta roubalheira, safadeza e irresponsabilidade de alguns políticos, lendo textos inteligentes como este.
“Tendo como base uma ampla pesquisa bibliográfica, além de sua não menos vasta experiência pessoal, Lobão, antes de promover qualquer polêmica, leva o leitor a pensar por conta própria e prova ser possível - e necessário - divergir com elegância”, observa o texto da apresentação do livro.
A gente está vivendo um momento de ‘patrulhamento’ como diz o próprio autor, onde não se pode criticar quem está no poder porque é visto como inimigo político. Já passei por uma situação parecida, anos atrás,  e como sempre defendi a liberdade de expressão, recomendo o texto do Lobão, para que cada um reflita sobre a nossa realidade.
Este ano será de muita baixaria nas redes sociais e nos locais de discussão, por conta da paixão que muitos nutrem pela política. E aqui eu peço licença para dizer que estou fora disso tudo. Cansei de defender figuras que não merecem sequer um pouco da minha atenção.
Já não estou mais na idade disso, meu tempo aqui é curto e vou aproveitar da melhor forma, com diversão e arte. Já passei do tempo das paixões políticas exageradas, em que eu chegava a discutir com as pessoas, defendendo figuras com unhas e dentes que hoje estão de conluio com o que há de pior na política brasileira.
Não estou aqui defendendo Lobão, porque não tenho procuração para isso, mas muita coisa do que ele fala no livro é verdadeira. A briga começou quando ele encampou uma bandeira de numeração dos CDs, que desagradou a muita gente na MPB. Não deixarei de apreciar meus ídolos da canção brasileira, mas é bom saber o que está por traz de cada detalhe.

Nesse caso, recomendo a leitura do livro e para quem quiser mais informações sobre essa pendenga do roqueiro com os demais nomes na MPB pode adquirir na internet pesquisando no Google. Boa leitura e boa tarde. 
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