quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

É tempo de festa!

Olívia de Cássia – jornalista

União dos Palmares está vivendo o ponto alto de atividades festivas nessa época do ano. É a Festa de Santa Maria Madalena, principal evento turístico religioso, que acontece há 179 anos e leva milhares de visitantes e palmarinos nativos às ruas da cidade.

Os festejos a Santa Maria Madalena iniciaram no domingo passado, com a procissão do mastro, que levou mais de 20 mil pessoas a acompanharem a procissão, numa mistura de fé e devoção e a procissão da bandeira nesta quinta-feira, 23; o cortejo repete o mesmo ritual todos os anos: a bandeira sai da casa paroquial e percorre ruas da cidade, indo até a praça onde será erguida no mastro. 

A festa cresceu, ficou gigante e agora está em quase todas as ruas do centro da cidade. Antes se concentrava apenas na Praça Basiliano Sarmento, onde também eram armados os brinquedos, que agora ficam dispostos na Avenida Monsenhor Clóvis Duarte. É o Parque Lima, que se agigantou, tem brinquedo de todo tipo, mas que desde que eu era menina tinha a concessão para armar os brinquedos na festa de União.

As novenas e a programação festiva começam nesta sexta-feira, 24, e acontecem até o dia 2 de fevereiro, na igreja matriz e na Praça Basiliano Sarmento, respectivamente. No passado, era um tempo de a gente receber parentes e amigos em casa.

Para mim era a maior felicidade nessa época do ano, tudo era motivo de comemoração: receber primos e primas que chegavam do Rio de Janeiro e de Maceió, saber das novidades da família, da juventude da época e as nossas brincadeiras na hora de dormir todo mundo junto.

A festa já foi e está sendo ainda motivo de vários documentários, referências e livros contando a história dos festejos da padroeira. É a história do nosso município que se multiplica pelo mundo afora. E por mais que a gente conte algo a respeito do evento, há sempre um detalhe, uma resenha daqui e dali para a gente tentar matar a saudade.

Desde Jorge de Lima e Carlos Povina Cavalcante, que tão bem retrataram as festas da padroeira, até os escritos mais recentes, estão retratadas as lembranças de quem viveu uma juventude salutar e cheia de boas aventuras, de amizades que não se trocavam e nem acabavam, das boas lembranças da juventude na terrinha querida, que estão intrinsecamente ligadas à festa.

A União dos Palmares da nossa juventude rebelde, dos bailes de carnaval na Palmarina, dos desfiles nos carros alegóricos, das bandas de fanfarra na emancipação política, dos bailes noturnos com bandas famosas, que levavam a todos nós ao encantamento juvenil.

A festa da padroeira de União é tudo isso junto: está na memória de todos que viveram numa época de telegramas pedindo músicas para os paqueras, no serviço de alto-falantes de seu Maurino Veras, das mensagens românticas e inocentes de um tempo em que não havia tanta violência e a convivência era fraterna.

Reviver esse tempo dá uma saudade danada e uma vontade de chorar. Chorar de saudade e alegria ao mesmo tempo, por ainda poder estar nesse plano para participar e reviver tudo aquilo, apesar das mudanças do tempo, mas estamos aqui para ser feliz. Boa noite!
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