São João do carneirinho



Olívia de Cássia - Jornalista
Nessa época do ano no interior de antigamente era muita animação. Na União dos Palmares, na década de 1970, minha pré e adolescência, era tudo muito bom, embora eu vivesse num mundo interior de conflitos.
A Festa do Milho (Femil) criada na administração de Afrânio Vergetti de Siqueira, meu primo estimado, era tudo de bom. A Praça Basiliano Sarmento ficava lotada de forrozeiros e população comparecia em massa, mesmo com as chuvas intermitentes dessa época do ano.

Lembro que o palhoção era erguido no meio da praça, feito de madeira e palha de coqueiro e ficava lá durante todos os festejos juninos e até depois. Ao redor daquela grande palhoça ficavam várias barraquinhas de souvenir e comidas típicas que eram vendidas quase em sua totalidade, gerando emprego e renda.
As quadrilhas e brincadeiras de São João não eram como agora. As roupas para a dança era alguma coisa arranjada e costumizada de alguma peça que se tinha em casa. Antonio Matias, nosso carnavalesco, não perdia a animação com sua família também em época de São João.
Nessa época eu gostava mais de ficar como espectadora de tudo aquilo. Na adolescência, improvisávamos quadrilhas. Lembro pelo menos de duas que tenha dançado. Uma em frente à casa do então prefeito Rosiber Oliveira e outra na Sétima Coordenadoria Regional de Ensino, onde fizemos a primeira quadrilha estilizada e trocada de par. Eu fui o noivo da dança e meu terno e gravata foram emprestados de dr. Nilson, pai das minhas amigas Roseane, Rose e Rita Mendonça.
Nesse dia viramos a atração de União porque saímos às ruas num trator de seu Danclads Uchoa e éramos vistos como a elite da cidade. Nossa turma sempre estava inovando em se tratando de rebeldia. E como eu me divertia com aquilo tudo! Mas apesar de ter muita saudade daquilo tudo, chega um tempo que a vida te chama à responsabilidade das ideias e a decidir de que lado você vai estar, quando exigir de você um posicionamento.
Analisando nossas vivências, de ontem e de hoje, a gente pode estar seguro do que quer, mas chega um dia em que todas as lembranças vêm à tona e nos pegamos viajando em pensamentos, vivenciando coisas que fazem parte de um passado distante, da adolescência e juventude, mas que às vezes se faz tão presente que dói na alma da gente.
Todas essas lembranças nos servem de lição, são acontecimentos que fizeram parte do nosso crescimento interior, aquelas vivências mais profundas que influenciaram de alguma forma na nossa vida e construíram a nossa personalidade.
Acho que é isso o que faz a pessoa madura. Eu sou o que sou e nunca fingi ser diferente,  porque não posso passar para os que estão próximos de mim uma imagem diferente daquilo que nunca fui.
Quem me conhece sabe que eu sou assim mesmo: às vezes um pouco louca, romântica, antagônica ao extremo. Mas nunca dissimulada.  Sou feliz assim, não penso que seria diferente, foi a minha escolha. Aprendi a ser feliz na minha solteirice e tenho o meu trabalho como o foco da minha vida e tenho pensado nisso nos últimos dias, quando a saúde já está frágil.
Às vezes a gente se angustia pela falta de reconhecimento pelo nosso esforço, mas isso também faz parte do jogo. Não vamos esperar que tudo seja perfeito e que os outros também o sejam.
Tem momentos que nos pegamos fazendo interrogações, querendo saber o motivo de tais situações, mas nem isso vai tirar o foco se acreditamos e amamos o que fazemos.  Mas essa digressão de agora foi para lembrar meu São João, São João do carneirinho.....

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