terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O Ano-Novo vai chegando...

Olívia de Cássia - jornalista

Natal e Ano-Novo para mim sempre foram datas que me deixavam introspectiva, chorosa e pensativa, saudosa de pessoas queridas e de coisas que eu nem avaliava que me fizessem tão densa, tão introspectiva. Os anos passaram e continuo sentindo as mesmas sensações, agora mais acentuadas com o peso da idade e com as perdas dos anos vividos.

Agora, o ano-velho vai se despedindo aos  poucos, nesta tarde saudosa, que cai, é quase noite, dando lugar aos novos ares de um novo tempo, do ano-novo que se  aproxima. A tarde está quente e faz lembrar nossas tardes de verão de muitos anos que já se passaram, de muitas vivências e de muito aprendizado.

Nessa época do ano lá em casa, em União dos Palmares, costumávamos receber muitas visitas, de parentes que moravam fora e dos primos que iam passar as festas em União. Era uma festa aquelas novidades: eu passava a noite toda de conversa e muita folia nas camas, fazendo guerras de travesseiros, fazendo confidências e ouvindo as das minhas primas.

Lá em casa não tinha luxo, mas não faltava o pão nosso de cada dia, pois meu pai sempre foi um homem provedor e trabalhador, baseado na fé que ele tinha e na sua perseverança. Era um tempo de muitas alegrias lá em casa, de muitas brincadeiras e muitas aventuras com os amigos, pelas ruas de União.

Não tínhamos shopping center, o Cine Imperatriz foi fechado, mas não faltava criatividade para que a gente fosse feliz. Quantas aventuras saborosas nós vivemos na terrinha amada! Na véspera de Natal a família ia para missa; no Ano-Novo isso se repetia, isso quando éramos crianças.

Quando adolescentes, ficávamos loucos para a missa terminar para irmos encontrar e confraternizar com os amigos ou ir para as boates nos divertir a noite toda. Lá em casa tinham muitas regras, que eu quase sempre quebrava e terminava apanhando muito por isso, literalmente.

A orientação dos meus pais era para dez horas estarmos todos em casa. Meus irmãos sempre chegavam primeiro e eu, para variar e confirmar minha rebeldia, sempre chegava à meia noite ou depois, cheirando a bebida e o resultado não era dos mais promissores.

Às vezes os amigos ou algum paquera me deixavam na frente de casa, batiam na porta e corriam, porque minha mãe era muito brava e não admitia que eu chegasse em casa com meninos, namorados ou amigos.

Se dependesse dela tinha me isolado numa bolha para que eu não tivesse tido contato com eles, do medo que ela tinha que eu sofresse por causa das minhas paixões, receio que ela não pôde impedir resultando em muitas brigas de nós duas.

Depois do tempo passado eu sinto falta até dessas rusgas que tínhamos; saudade dos conselhos que eu protestava e achava ultrapassados, como toda adolescente rebelde, saudade dos ensinamentos, da religiosidade do meu pai, da sua cumplicidade comigo e dos nossos encontros e bate-papos que me ensinaram tanto.

Hoje para mim, assim como no Natal, não será um dia de grandes comemorações, pois ainda está muito recente o falecimento do meu irmão Petrônio; no entanto eu tenho certeza de que ele está bem, de que está ao lado dos nossos pais e entes queridos que já se foram também.

Para finalizar, eu quero aproveitar o espaço do blog para desejar a todos os meus leitores um Ano-Novo de esperança, renovação da nossa fé, paz interior, saúde e harmonia, que o resto a gente corre atrás. FELIZ 2014!
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