terça-feira, 18 de novembro de 2014

Mais um 20 de novembro para refletir

Olívia de Cássia - jornalista

E chegamos a mais um ano comemorativo à consciência negra no Brasil, quando se festeja o líder da revolução do Quilombo dos Palmares, ícone da luta pelos direitos dos negros no país, o herói da liberdade Zumbi dos Palmares, lembrado na quinta-feira, 20 de novembro.  

O Dia da Consciência Negra é de festa para o povo negro, para quem defende os direitos humanos, a democracia, a liberdade e a cultura, mas também é de reflexão e este ano tem que ser um pensar mais profundo diante de tantos acontecimentos racistas, intransigentes, reacionários e retrógrados que se deram no processo eleitoral brasileiro deste ano  e que ainda persiste por esses dias.  

Depois de muitos séculos desse grito de liberdade dado por nosso herói Zumbi, em defesa da liberdade e contra a escravidão, parece que uma parte da sociedade brasileira está embrutecida e retrocede em algumas questões do pensamento e de ações. Lamentavelmente não só adultos, mas jovens também.  

Por muito tempo, os meios de comunicação – refletindo a postura de boa parte da sociedade ocidental – fizeram o possível para desvalorizar qualquer estética ou aspecto de herança da cultura negra e ignorou a nossa mistura de raças.

Muitos brasileiros residentes no Sul e Sudeste demostraram o preconceito e o atraso político, blasfemando injúria, frases difamatórias e sua ignorância cultural nas redes sociais contra nordestinos.

Bem se vê que há falta informação a esse povo anestesiado por uma filosofia elitista, burguesa  que só percebe o próprio umbigo e suas vidas medíocres, desprovidas de afeto, conhecimento, de respeito, de fraternidade e de solidariedade. Não percebem o quanto são burros na sua ignorância.

Mesmo depois de tantos avanços como resultado das reivindicações dos movimentos sócias  e que foram implantados pelo governo federal, nesses doze anos, como a questão das cotas raciais nas universidades, políticas públicas para os menos favorecidos  e outros benefícios para um povo que foi escravizado e discriminado durante tanto tempo, ainda tem gente no país que defende o pior.

Essa gente ignora a dívida que o país tem com o povo negro, que foi tratado como burro de carga durante tantos séculos, para enriquecer o país e elite cafeeira e sucroalcooleira.

O 20 de novembro nos serve para reavivar a nossa história, os nossos conceitos, a nossa cultura e para que a gente pense que pode lutar ainda mais para conseguir a igualdade dentro da diversidade de cores, de ritmos e de pensamentos; esse caldo de cultura que é o nosso país. 

Precisamos fazer um resgate da nossa bela  herança cultural e resistir sempre, contra  a tentativa de que o país volte a um regime ditatorial, onde não se podia se quer falar mal do governo ou de quem quer que seja que estivesse no poder.

Precisamos garantir a nossa Constituição e enterrar de vez esse tipo de pensamento que só atrapalha o desenvolvimento e o crescimento do país. Nosso grito de liberdade, iniciado por Zumbi, tem que ser permanente e não se dispersar.

É  preciso reagir a cada gesto de tentativa de impedimento das nossas liberdades e execrar com veemência aqueles que tentam a todo custo desqualificar essa luta e o poder da democracia. Zumbi vive em cada um de nós; salve o povo negro, salve o herói da liberdade. Viva Zumbi!
Postar um comentário

Em livro, jornalista mostra como descobriu mais de 80 casos de doença rara na família

By Odilon Rios (Site Repórter Nordeste São grandes os desafios das pessoas que convivem com os efeitos da doença de Machado-Joseph, que é...