quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Discurso vazio ...

Olívia de Cássia – jornalista

Não me considero atualmente uma militante de esquerda como já fui em outros tempos, por questões diversas e de saúde que não cabem no momento discutir, mas  devido ao ódio, preconceito e xenofobia despertados nessa campanha eleitoral, difundidos nas redes sociais e nos meios de comunicação, reavivou em mim aquela chama que estava adormecida, e quando eu sou provocada eu quase me espalho.

As revelações de caráter de alguns têm me deixado estarrecida e perplexa e esse contraditório serviu como mote para que eu reagisse e não me contentasse em ficar no plano contemplativo apenas, diante dos comentários ofensivos e agressivos contra nossa militância.  

Como postei e tenho postado, sou jornalista e cidadã e o fato de eu ter um posicionamento político de declarar meu voto à presidente Dilma,  isso não interfere no meu trabalho, até porque, quando eu escrevo, faço reportagens que retratam a opinião dos meus entrevistados, mas quando escrevo na minha coluna semanal de opinião, o nome do espaço já o diz. É minha opinião.

Sou imparcial quando precisa, mas o momento é de posicionamento. Militei nos movimentos sociais à época da faculdade e mesmo tendo ficado de fora dos movimentos por algum tempo, isso não quer dizer que eu tenha abdicado dos meus ideais.

Respeito opiniões contrárias às minhas e nunca fui ao espaço de ninguém para insultar ou destratar aqueles que pensam diferente de mim, como já me posicionei essa semana. Por outro lado, vejo muita gente propalar um discurso vazio contra a corrupção; acusarem a militância de coniventes e cegos e falaram sobre irregularidades diversas como se do outro lado houvessem santos de conduta ilibada e sem rabo preso.

Política e seu meio não é igreja. Falar de pimenta na corrupção dos outros é refresco. Muitos dos que acusam o PT e a presidente da República de corruptos estão enlameados até o pescoço no mar de lama e esquecem das corrupções pequenas que são cometidas pelos seus e que cometem em sua rotina de vida.

Percebo muita gente falar de corrupção quando tem familiares diversos empregados nas Folhas 108 e 112 da Assembleia Legislativa Estadual, folhas fantasmas, sem dar um dia de serviço sequer na Casa de Tavares Bastos. É de bom alvitre que esses agressores pensem primeiro no que dizem e espalham, porque o que falamos sem provas pode ter efeito contrário.

Essas pessoas inconsequentes deveriam ter pelo menos a decência de não agredir os outros e reconhecerem que o poder corrompe, destrói nas melhores famílias, para quem não sabe lidar com ele. Quem se mete em querelas e cargos de poder tem que engolir muito sapo, se amoldar ao sistema, ou então pular fora se não quiser ser acusado de conivente.  

Os denunciantes daqui, alguns,  são pessoas que têm familiares de deputados ou de ex-deputados e de secretários de governo, sem trabalharem, que têm butiques no shopping, apenas para lavagem de dinheiro sujo, fato que já foi denunciado em várias legislações na Casa de Tavares Bastos e ainda falam do mal lavado. É preciso ser paciente, mas às vezes ela quase me falta.

Há muito não se via tanto ódio destilado contra um partido político, como disse o ex-presidente Lula; nem na ditadura militar que foi a fase mais vergonhosa e triste da história desse País, mas espero que haja uma reflexão profunda e os ânimos se acalmem daqui por diante. 

Domingo é dia de festa, a festa da democracia, quando vamos escolher  quem vai continuar a promover mudanças no País, ou quem não tem responsabilidade nenhuma com isso. Muita gente que alimenta esse clima insalubre na sociedade o faz de má-fé; outros não sabem e não procuram se informar, mas se vivessem em uma ditadura, não teriam liberdade para tal. Pela paz e pelo bem, espero que haja paz em nossos corações. Boa noite!


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