quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Projeto Velas Artes‏ leva cultura alagoana para o mar

Olívia de Cássia - Repórter \ Primeiro Momento

No domingo, 4, a partir das 10h, cerca de 20 jangadas desfilarão por três horas entre o Alagoinhas, na Ponta Verde, e a Praia de Pajuçara, onde exibirão os trabalhos criados pelos artistas plásticos alagoanos. O mesmo desfile irá se repetir no dia 5 de dezembro em comemoração aos 200 anos da cidade de Maceió.

A ideia da revitalização da proposta foi de Mirna Porto, para festejar o aniversário da capital alagoana. No Armazém Uzina eles pintaram as velas e reuniram a imprensa para falar da proposta: são estilos diversos e cada um mostra sua criatividade nas artes plásticas, jogando com cores e elementos da cultura alagoana.

“Mirna teve a ideia de revitalizar o Projeto, que foi idealizado por Gustavo Leite, há 21 anos; ela chamou os artistas que participaram das primeira e segunda edições; as pinturas foram feitas nas velas, que terão elementos da cidade de Maceió e serão expostas nas jangadas no domingo”, observa o artista plástico Paulo Caldas, que trabalha com artes desde criança.

Paulo Caldas disse ainda que se sente muito horado em participar desse projeto “e agradecido por ter sido lembrado a participar dele”, destacou. Rogério Sarmento disse que é a primeira vez que está participando do projeto, que segundo ele está trazendo muita harmonia entre os artistas alagoanos.

“Estou achando uma delícia participar do Velas Artes, são três dias de festa e os artistas estão todos numa harmonia só, ajudando um ao outro. A minha tela é a pastora; em homenagem à Vera Arruda. O tema é o filé; a colcha de retalho, a chita e a diana do pastoril, homenageando Alagoas com as cores da bandeira”, disse ele.

Rogério observa que da mesma forma que todos os artistas envolvidos no projeto “são da raiz, vão colocando nas telas um pedancinho do Estado. Uma das velas tem as cores da bandeira do Brasil em balões. Já Paulo Caldas está usando filé, o mar de Maceió; cada um tem a sua criatividade”, destaca.

O artista plástico Lula Nogueira está participando do Velas Artes pela segunda vez e disse que em sua tela-vela está homenageando o bairro do Jaraguá, onde ele pintou a Estátua da Liberdade, que está localizada nos fundos do Museu da Imagem e do Som (Misa).

“Jaraguá foi um bairro boêmio, várias vezes e continua sendo; um bairro que tem a aura da liberdade, atrai os artistas e tem história. Precisa de mais atenção”, observa. Segundo Lula Nogueira, o interessante desse projeto é a convivência dos artistas, trocar ideias, a harmonia, compartilhar o trabalho com a maioria da população.

 “A arte está muito desvalorizada hoje em dia e é preciso levá-la para a população; popularizar, para que o pessoal que frequenta a praia tenha conhecimento, democratizar a arte e essa maneira de produzir também, abre um leque de possibilidades; a acolhida foi muito boa, a crítica também”, destaca.

Outro artista estava fazendo uma homenagem para o músico Beto Leão, que está com problema de saúde sério e hospitalizado. Já  Suel fez uma homenagem para o músico Hermeto Pacoal, tendo feito uma imagem gigantesco do ‘buxo’ da música, que nasceu em Lagoa da Canoa.

Presidente do GGAL diz que movimento sofreu um retrocesso com o Estatuto da Família


Olívia de Cássia – Repórter Primeiro Momento

A aprovação do texto principal do projeto que define família como a união entre homem e mulher, no último dia 24 de setembro, na Câmara dos Deputados, na avaliação do movimento LGBT alagoano foi um retrocesso. A comissão aprovou o relatório por 17 votos favoráveis e cinco contrários, mas quatro destaques ao texto ainda precisam ser aprovados.

Nildo Correia é presidente do Grupo Gay de Alagoas [GGAL] pelo segundo mandato e está nas mobilizações desde o ano de 1997. Ele comenta que, infelizmente, a aprovação do Estatuto da Família foi um grande retrocesso para o movimento LGBT e a luta por direitos humanos.

“Infelizmente o estatuto não vem só tirar os direitos dos LGBTs, das famílias formadas por pessoas homoafetivas, mas também o direito de lares comandados por mães e pais solteiros; até netos criados por avós”, avalia.  

Uma das grandes lutas atuais da categoria é tentar assegurar  os direitos dentro das questões dos planos municipais e estaduais de educação. 

“Infelizmente, essa bancada fundamentalista tenta implantar a ideologia religiosa, querendo, inclusive, conturbar a questão dos direitos de discutir a diversidade sexual nas escolas; o direito de combate à pedofilia”, entre outras questões.

O presidente do Grupo Gay de Alagoas também destaca que os setores conservadores batem muito na questão de que o Plano de Educação que, segundo ele, objetiva discutir sexualidade e não promiscuidade.

“É uma forma criminosa que eles usam em querer conturbar a opinião pública e criminalizar os movimentos sociais. Queremos uma política de qualidade, de combate à pedofilia; a essa sexualidade precoce dos jovens; devemos discutir, sim sexualidade, para evitar que jovens a partir de 11, 13 anos não engravidem tão cedo”, destaca.

A discussão da sexualidade entre jovens defendida pelo movimento, segundo Nildo Correia, é para evitar que as crianças nasçam de pais precoces, sem hipocrisia; discutir uma política de prevenção das DSTs\Aids; de prevenção e combate à exploração sexual dos dias de hoje.

Sobre o aumento da transmissão HIV entre pessoas heterossexuais, ele disse que antes considerada uma doença de homossexuais, atualmente, o grande número de pessoas infectadas são mulheres heterossexuais, casadas, que foram infectadas pelos companheiros e maridos que têm relacionamentos fora e acaba levando o HIV para dentro de casa.

“Essas mulheres, infelizmente, são educadas, mesmo sabendo que seus maridos são infiéis, a não exigirem o uso do preservativo e um dos itens desse Estatuto da Família é proibir o uso do preservativo; o uso da pílula do dia seguinte; proibir a vacina contra o HPV para meninas a partir de nove anos, dizendo que é uma afronta à família”.

Afronta, na avaliação do presidente do GGAL, “são os homens heterossexuais, por exemplo, levarem o HIV para suas companheiras; uma menina nos dias de hoje, aos 11 anos, engravidarem; sendo infectadas por doenças sexualmente transmissíveis. Isso, sim, eu tenho certeza, que é um afronta à família”, pontua.

Alagoas ainda é um dos estados que mais discrimina e mata homossexuais

Nildo Correia avalia que Alagoas é um dos estados que mais discrimina e mata homossexuais. “Somos o Estado que tem mais vítimas de homofobia; nos dados de 2014, Maceió aparece como a capital mais vulnerável com relação a agressões físicas e morais”, destaca.

Ele observa que, segundo estatísticas do Grupo Gay da Bahia, a população LGBT de Maceió é vulnerável 300 vezes mais, onde a pessoa pode ser assassinada ou sofrer uma agressão e  entende também que há a necessidade de uma política pública efetiva e afirmativa no Estado no combate a esses crimes homofóbicos.

RENILDO DOS SANTOS

“Eu posso dizer que o caso de maior repercussão tenha sido o de Renildo [dos Santos, vereador de Coqueiro Seco, assassinado e decapitado, esquartejado vivo, em virtude da homofobia], mas nós temos muitos casos como o do professor no interior, que foi amarrado e arrastado por uma moto, em praça pública, como um troféu e teve parte do seu corpo esfacelado”, pontua.

Outros casos de violência e truculência contra pessoas que se relacionam homoafetivamente foram citados por Nildo Correia. Ele destaca que esses exemplos precisam ser mostrados para a sociedade.
“A realidade dessas pessoas é, como se não bastasse ser uma vítima, por serem homossexuais: são humilhadas, torturadas, têm a imagem ainda sendo esfacelada para poder morrer”, reclama.

Nildo explica ainda que outra luta do movimento é contra toda forma de preconceito no país. “No momento o movimento luta muito para garantir essa política afirmativa dentro das escolas; contra a homofobia, contra o femicídio; o racismo e o preconceito contra a diversidade cultural afro nas escolas ”, reforça.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Ex-prefeito de Maceió, Djalma Falcão diz que acredita na força criadora da juventude

Olívia de Cássia - Repórter \ Primeiro Momento

Presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro [PMDB] durante 20 anos, o ex-deputado federal; ex-prefeito de Maceió, jornalista e advogado Djalma Marinho Muniz Falcão disse que acredita na força criadora da juventude e que torce pelo bom desempenho do governador Renan Filho [PMDB] e do prefeito Rui Palmeira [PSDB].

Djalma Falcão concedeu entrevista ao portal Primeiro Momento em seu apartamento; comentou que os partidos políticos são organismos vivos e necessitam do oxigênio da juventude, para fortalecer as células. Ele argumenta que os jovens têm esse idealismo que a vida política necessita. Foto Paulo Tourinho

 “Torço para que eles entendam os novos ventos da política e possam realizar uma boa administração no Estado e na Prefeitura de Maceió e atendam os anseios populares; se fizerem isso, receberão o meu aplauso”, destaca.
Sincero defensor da renovação dos quadros políticos dos partidos e crítico do governo federal, ele diz que a pior coisa da sociedade é a desonestidade intelectual. “O pior desonesto é aquele que é intelectual”, avalia.
Djalma Falcão concedeu entrevista ao portal Primeiro Momento em seu apartamento;  comentou que os partidos políticos são organismos vivos e necessitam do oxigênio da juventude, para fortalecer as células. Ele argumenta que os jovens têm esse idealismo que a vida política necessita.
“A política necessita do oxigênio da juventude, que tem reservas e idealismo; sempre defendi a vanguarda e acredito que a juventude atual luta realmente em favor de modificações profundas da estrutura política, econômica e social do Brasil: avalio que a juventude quer a unidade universal; é idealista, lutadora, mas é dispersiva”, pontua.
Democrata por convicção, o ex-prefeito de Maceió lembra que na época da ditadura ele abrigou em sua casa várias lideranças da política alagoana, que fugiam da polícia. “E eu dizia: o que der para vocês dá para mim, mas graças a Deus nunca ocorreu [prisões]”, explica.
 Magoado com algumas personalidades do meio político do Estado que ele diz serem incompatíveis com a política decente, Djalma Falcão destaca que não pode transferir as mágoas passadas dos desafetos para os filhos que estão atualmente na política.
“Isso contraria a minha formação jurídica. O Direito Penal diz que a pena não pode ser transferida do condenado para outro”, analisa. O ex-prefeito também falou da questão dos refugiados e disse que é preciso um olhar especial para esse povo.
“O papa Francisco, que eu considero a maior personalidade da atualidade, disse que as pessoas usam a ideologia para esconder valores. Você vai encontrar boas pessoas tanto no sistema capitalista quanto no socialista. A globalização, com a necessidade de sobrevivência das sociedades, quebrou todas as barreiras ideológicas”, analisa.

 Advogado culpa a licenciosidade pela crise no governo

 O advogado Djalma Falcão destaca que é por consta da licenciosidade que o Brasil está  vivendo essa crise no governo. “Muito grave, inquietante: era do Mensalão, Petrolão e a Operação Lava Jato, mas graças a Deus temos um magistrado jovem [juiz Sergio Moro], que está passando o Brasil a limpo e já condenou e prendeu várias autoridades”.
Para Djalma Falcão, a presidente Dilma Roussef está com 7% de aprovação, índice baixíssimo, os governos estaduais, Congresso Nacional e Assembleia Legislativa estão totalmente carentes de representatividade. Foto: Paulo Tourinho
Segundo ele, nunca se imaginava que pessoas mais ricas do Brasil como grandes empreiteiros; ex-ministros; senadores; ex-governadores, fossem para a cadeia. Um fato que é estarrecedor, segundo o ex-prefeito de Maceió, é que Alagoas não atinou ainda para um fato totalmente desabonador.

“Toda uma representação político-parlamentar do Estado está 100% comprometida com a Operação Lava Jato. Ou já denunciados formalmente, ou sob investigação; isso é uma vergonha para Alagoas. Esse é um fato que deve ser notado e que enodoa o nome de Alagoas e dos alagoanos”, reclama.

Segundo ele, o País está vivendo uma crise sem precedentes: “O dólar alcançou a barreira dos R$ 4; a inflação está aí corroendo tudo; o custo de vida sem qualquer responsabilidade, doméstica e familiar. Hoje se compra uma mercadoria por um valor e na semana seguinte já se compra por outro preço; é a corrosão do dinheiro, diante das necessidades de abastecimento”, explica.

Para Djalma Falcão, a presidente Dilma Roussef está com 7% de aprovação, índice baixíssimo, os governos estaduais, Congresso Nacional e Assembleia Legislativa estão totalmente carentes de representatividade.

“Ter voto não significa ter representatividade. Se fizer hoje uma enquete nacional séria e perguntar a opinião dos brasileiros se querem o Congresso fechado, infelizmente a maioria vai concordar que presidente, deputado e senador, todos saiam, porque eles não estão respondendo às expectativas de quem os elegeu”, descreve.

O ajuste fiscal proposto pelo governo ele diz que é uma armadilha em cima dos melhores interesses da sociedade. “Eles mexeram com a aposentadoria, com os servidores públicos, INSS, querem reduzir as pensões dos trabalhadores e meter a mão no FGTS, que pertence aos trabalhadores; querem voltar a CPMF, com o que de alguma maneira interessa à sociedade, o pobre”, explica.

O verdadeiro ajuste fiscal, necessário, na avaliação do ex-prefeito, deveria ser: todos vão contribuir, mas de maneira proporcional e seletiva. “Vamos poupar o povo brasileiro que tem pequenos salários, que já se matam para sobreviver, e vamos arranjar dinheiro de quem ganha muito”, diz ele.

Djalma avalia que quem vai lucrar com as medidas impostas pelo governo são os bancos, os banqueiros, e que esse é um ajuste fiscal para sufocar o povo e permitir a impunidade com que age o setor financeiro do país.

Democrata, Djalma Falcão diz que respeita o voto popular e não defende a saída da presidente Dilma

Olívia de Cássia - Repórter - Primeiro Momento

Djalma Falcão destaca que, apesar das dificuldades da atual conjuntura política, tem um grande respeito pelo mandato da voz do povo, pela soberania do voto popular: “Sem soberania não há democracia e a melhor saída é a democracia; sem democracia vamos cair na situação de 1964, e aí não tem limites”, ressalta.

Segundo o político, o PSDB; PFL [atual DEM]; PMDB; Solidariedade são todos partidos de aluguel. “Essas pessoas são herdeiras do descalabro político administrativo e social do Brasil”, complementa. Foto Paulo Tourinho


O ex-prefeito argumenta que a presidente Dilma está aplicando o remédio que ela não queria aplicar, “se utilizando da proposta do candidato Aécio Neves [PSDB], para empurrar goela abaixo do povo, mas mesmo assim eu não faço coro com aqueles que querem o impeachment  dela: em primeiro lugar porque foi o resultado da soberania da sociedade, porque sinceramente, eu não vejo, com raríssimas exceções, uma alternativa para o Brasil”, pontua.

Segundo o político, o PSDB; PFL [atual DEM]; PMDB; Solidariedade são todos partidos de aluguel. “Essas pessoas são herdeiras do descalabro político administrativo e social do Brasil”, complementa.   

Militares praticaram crimes e criaram DOI-CODI

Segundo Djalma Falcão, os militares praticaram os crimes de sequestro; assassinato; demissões do serviço público; perseguiram lideranças democratas; criaram o Doi-Codi. No tempo anterior, a política era feita de maneira extremada, a paixão política predominava. Aí vem a queda da ditadura militar, e eu m sinto honrado de ter combatido a ditadura militar”, ressalta.

“Eu era líder do MDB na Câmara e dei a minha contribuição. Posso garantir a todos, sem estardalhaço,  com absoluta firmeza, que eu nunca fiz concessão a tudo aquilo que ofende a minha consciência e a minha consciência é o farol que me guia na vida pública e particular. Não interessa o que dizem a respeito, leiam a história, e vão encontrar um homem decente, correto, digno”, avalia.

Com dois livros escritos sobre a trajetória política do Estado [Um homem e seu destino e  Episódios], Djalma diz que tem um acervo guardado, entre fotos e jornais, sobre toda a swua vivência política no Estado e no país.

“Tenho mais de 3.500 páginas guardadas, além de mais de 500 fotos sobre vários aspectos. O que posso dizer é que foi exatamente a partir da instalação da Nova República, em 1985, quando elegemos Tancredo Neves, que tivemos o infortúnio de ele não tomar posse e termos na Presidência da República a figura da ditadura que é José Sarney”, lembra.

Segundo ele, o período anterior a 1985 [1945-1985], havia o embate quase embrutecido no campo da política e o pós-ditadura. “A triste constatação a que eu cheguei é que não há termos de comparação possível entre os políticos antes de 64 e 85 e os políticos pós esse período”, avalia.

Djalma analisa ainda que com a criação dos partidos, ainda quando havia MDB, o velho Movimento Democrático Brasileiro, que era comandado por Ulysses Guimarães, e um grupo seleto, a política era feita em torno de princípios e patriotismo, consciência política.

“Com o desaparecimento de dr. Ulysses Guimarães, o MDB, que havia se transformado em PMDB, se tornou o maior e mais detestável partidão de aluguel brasileiro, até hoje. Totalmente descaracterizado; 90% da direção do partido, hoje,  pertencia à ditadura militar, foram os responsáveis pelos crimes ocorridos na época”, recorda.

Arquivo vivo da história política do Estado, Djalma Falcão analisa impeachment de Muniz Falcão

Olívia de Cássia - Repórter \Primeiro Momento


Arquivo vivo da história política do Estado, Djalma Falcão comenta que acompanhou todo o processo impeachment movido contra o governador Sebastião Muniz Falcão, seu irmão. Segundo ele, aquele era um período completamente diferente do de hoje. Até hoje, mais de 50 anos depois, o episódio é considerado um dos mais significativos da história alagoana e ainda suscita discussões sobre a figura de Muniz Falcão e seu governo.


Djalma Falcão comenta também que de outro lado estava a luta de políticos e militantes que tinham visões socialistas; libertárias, mas sufocados pelo peso do poder econômico, aliado com o poder das oligarquias.Foto: Paulo Tourinho

“Eu era estudante de Direito e com atuação no jornalismo alagoano por onze anos e acompanhei todo o processo, que ocorreu na vigência daquele período democrático de 18 anos entre o fim da ditadura do governo Vargas, em 1945, e o golpe militar de 1964”, explica.

 “O processo de impeachment movido contra Muniz Falcão é o retrato perfeito e acabado de uma luta desigual em Alagoas: de um lado o poder econômico, concentrado geralmente com os usineiros; também naquela época os donos de fábricas de tecido, plantadores de cana e os plantadores de fumo somavam mais de 60% da economia do Estado”, pontua.

Djalma Falcão comenta também que de outro lado estava a luta de políticos e militantes que tinham visões socialistas; libertárias, mas sufocados pelo peso do poder econômico, aliado com o poder das oligarquias.

Naquele tempo, segundo o ex-prefeito, outra personalidade da política alagoana, Silvestre Péricles, desenvolveu uma luta quase excessiva contra o Sindicato de Usineiros. “Em 1946 se elegeu governador do Estado e rompeu com esses setores de poderosos”, pontua.

Nessa época, a UDN, que sempre representou a essência destas castas políticas, segundo ele, ensaiou um processo de impeachment contra Silvestre Péricles, mas ele tinha em seu favor, o respaldo do chefe militar mais poderoso e mais respeitado do Brasil, que era o general Pedro Aurélio de Góes Monteiro, e a proposta não prosperou.

Djalma Falcão comenta que Silvestre Péricles, levou a coisa na brincadeira e falou: ‘impeachment é uma palavra inglesa e não se aplica no Brasil’. “O Silvestre perdeu a eleição para Arnon de Mello e Arnon restabeleceu o poder político aliado do poder econômico do Estado”, destacou.

Em 1954, Muniz Falcão que já tinha sido deputado federal, lançou-se candidato ao governo, venceu Arnon de Mello e foi o mais votado nas eleições para governador de Alagoas. Segundo Djalma, por iniciativa própria; pelas suas convicções humanísticas; sua visão social avançada, Sebastião Muniz Falcão retomou a bandeira das lutas populares contra a hegemonia do poder político e econômico do Estado de Alagoas e por isso teria sofrido o processo de impeachment.

“Eu quero deixar bem claro para a posteridade , qual foi a motivação do fato: não havia nada de improbidade que atingisse a honradez de Muniz, que morreu limpo de tudo isso; ele tinha integridade. O recolhimento aos cofres do Tesouro do Estado, ele não tirou;  acrescentou dinheiro”, destaca.

Djalma Falcão conta ainda que tinha uma verba, que era paga, mensalmente,   por um cidadão  que entrou numa concorrência pública e ganhou o direito de explorar a Loteria do Estado de Alagoas,  o jogo do bicho, que foi instituído no final do governo de Arnon de Mello; uma lei que ele mandou para a Assembleia Legislativa, mas não tinha sido regulamentada.

“O dinheiro foi recolhido para um fundo social que se destinava a ações incipiente, privadas; segunda coisa, ele assegurava a liberdade política das oposições, que estavam sendo perseguidos, foram essas as causas”, explica.

Segundo Djalma Falcão, o governador Muniz Falcão cumpriu toda as etapas do processo de impeachment, e ao final de 20 dias de afastamento do Governo do Estado, foi julgado e foi absolvido sem qualquer arranhão na sua dignidade.
Segundo matéria do jornalista Fábio Costa, publicada em jornal em 2010, A sexta-feira 13 de 1957, dia da votação do impeachment do governador Muniz Falcão,  transformou a Assembleia em uma praça de guerra.

Tiroteio e morte na ALE marcou a história de Alagoas

“No início da tarde do dia 13 de setembro de 1957, uma sexta-feira, um grupo de deputados chegou ao prédio da Assembleia Legislativa de Alagoas com uma peça de vestuário muito pouco adequada ao clima da cidade nessa época do ano. Num calor de 38ºC, os parlamentares estavam usando pesadas capas de chuva, sob as quais tentavam ocultar metralhadoras”, observa o jornalista Fábio Costa, em matéria em O Jornal, em 2010.

Segundo o relato, “mal entraram no plenário, sem dizer uma palavra, abriram fogo a esmo, provocando a reação de deputados que já estavam entrincheirados no local. O intenso tiroteio durou cerca de 40 minutos e deixou um deputado morto e várias pessoas feridas, entre elas um jornalista carioca e um servidor da casa. O motivo do bangue-bangue: a votação do pedido de impeachment do governador Sebastião Marinho Muniz Falcão”.
Dos 35 deputados estaduais, 22 estavam contra o governador. No dia da votação do impeachment, o próprio Muniz Falcão teria pedido que sua bancada não comparecesse à sessão, entretanto, o deputado Humberto Mendes (PTN), seu sogro e líder do governo, discordava dessa posição. Ilustração
Dos 35 deputados estaduais, 22 estavam contra o governador. No dia da votação do impeachment, o próprio Muniz Falcão teria pedido que sua bancada não comparecesse à sessão, entretanto, o deputado Humberto Mendes (PTN), seu sogro e líder do governo, discordava dessa posição.

Segundo relato de jornais da época, Mendes e os deputados Claudionor Lima e Abraão Moura decidiram ir à Assembleia dispostos a “matar ou morrer” e não atenderem nem mesmo aos apelos do arcebispo de Maceió, D. Adelmo Machado, para que fossem desarmados.

“Portando metralhadoras, os três rumaram para a Praça D. Pedro II e, agitados, condenavam os golpistas, sob aplausos da multidão que se aglomerava no local em apoio ao governador. Os deputados oposicionistas também estavam preparados para o confronto”, diz o texto.

Segundo relatos da história, o boato que corria na cidade era que Humberto Mendes havia encomendado 22 caixões para o enterro coletivo da bancada. Por precaução, foram montadas barricadas com sacos de areia para proteger a Mesa Diretora”, contam os jornais. [Mais informações sobre o tema no lin khttp://textofinal.blogspot.com.br/2010/05/sexta-feira-13-que-abalou-alagoas-em.html.


Fonte:http://1momento.com.br/noticias/politica/arquivo-vivo-da-historia-politica-do-estado-djalma-falcao-analisa-impeachment-de-muniz-falcao

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Médica e escritora, Rosiane Rodrigues lança seu 13º livro, na Casa da Palavra


Evento reuniu setores ligados à cultura alagoana: escritores; jornalistas; músicos, poetas, entre outros personagens
Olívia de Cássia - Repórter

A médica psiquiatra; poeta, compositora e escritora Rosiane Rodrigues Cavalcanti lançou na noite desta quinta-feira, 24, na Casa da Palavra, nova obra literária intitulada Solidão do Céu, seu décimo terceiro livro.
Nessa coletânea de poesias, a autora faz uma reflexão sobre a vida, o amor, o ser, prometendo levar o leitor a pensar e dar a sua própria interpretação. A apresentação do livro foi feita pela jornalista Ivone dos Santos. Fotos Paulo Tourinho
Com um auditório lotado de representantes da cultura alagoana, a noite de autógrafos teve apresentações artísticas especiais como recitação de poesia, declamação de Paulo Poeta e o ator Chico de Assis; apresentação musical de Leureny Barbosa e Didha Lyra.
Nessa coletânea de poesias, a autora faz uma reflexão sobre a vida, o amor, o ser, prometendo levar o leitor a pensar e dar a sua própria interpretação. A apresentação do livro foi feita pela jornalista Ivone dos Santos.
“Fui convidada por Rosiane Rodrigues para fazer a apresentação do livro e gostei do que vi. Esta é a mais nova obra da autora e tive o prazer de introduzir o leitor no novo ciclo de sua poesia; é uma leitura intimista e estimulante”, disse ela.
Em seu comentário, Ivone dos Santos observou ainda que apesar de vários afazeres, a autora ainda encontra tempo para escrever, com sua maneira própria, ideias e sentimentos: “Todas as poesias de Solidão do Céu são especiais”, pontua.
A jornalista comenta que um dos livros da autora já está na segunda edição “e por meio dele ela nos leva a conhecer uma linda história da sua cidade natal, Piranhas”, observa.
Já o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas, quebrou o protocolo e disse que todo livro que Rosiane lança tem uma simbologia muito forte, “mas para nós, piranhenses, que somos ufanistas por natureza, é muito mais”, destacou.
O presidente do TJ disse que participou do lançamento do primeiro livro da autora [O inocente]: “Nós, principalmente os mais jovens, quando líamos, aquelas passagens com enfrentamentos das questões do amor, chorávamos. Confesso que chorei muitas vezes”, pontuou.
O desembargador comentou que nunca viu um povo tão chorão como o povo de sua terra natal. “Este lado cultural da Rosiane não parou por aí. Eu tenho impressão que já já nós voltaremos aqui para participar de mais um lançamento, se Deus quiser”, destacou.  
A festa contou também com a presença da secretária Melina Freitas, que fez a abertura e finalizou o evento; a juíza Fátima Pirauá, presidente da Almagis; deputado Inácio Loiola, entre outras autoridades.

Secretária Melina Freitas disse que médica é a mestra maior

A secretária estadual de Cultura, Melina Freitas, fez uma fala no lançamento de Solidão do Céu e disse que Rosiane Rodrigues, apesar de ocupar o cargo de secretária-adjunta, “é a mestra maior: por sua experiência, sua competência; generosidade e humildade”. Segundo Melina, a médica e escritora, diariamente, compartilha com a equipe a boa maneira de se trabalhar e conviver com os colegas de trabalho.
 “E quero aqui falar da minha satisfação, orgulho de fazer parte dessa equipe: Rosiane é uma grande escritora, multifacetada, é uma grande artista, musicista, já fez parte de um grupo musical em Piranhas, tocando acordeom, se apresentando algumas vezes. Nesse momento ouso dizer que ela consolida seu trabalho, sua produção literária com Solidão do Céu”, destaca.
Melina observou ainda que o livro de poesias  Solidão do Céu “é de uma primorosidade: ela nos apresenta os sentimentos de uma forma tão incisiva, o amor se torna tão próximo, tão possível, que eu considero um presente ter tido a oportunidade de fazer parte disso”, argumenta.
A secretária disse ainda que o evento foi muito bem organizado e que toda a intelectualidade alagoana estava presente. “É um momento especial para a cultura, onde percebemos que Rosiane se consolida como uma grande escritora. Nós conseguimos fazer um momento de integração; isso é muito importante e positivo para quem faz cultura em Alagoas”, avalia.
EMOÇÃO
Emocionada, Rosiane Rodrigues disse que esse é o seu décimo terceiro livro. “Esse é um livro de poesia, mas tenho livros de pros;  científicos; de poesias;  sobre psiquiatria; de contos, de história e memórias, a história da minha cidade, Piranhas, que é uma cidade linda. Sou autora da letra e do hino do lugar, que tenho paixão”, pontuou.
Rosiane Rodrigues Cavalcanti é poeta e compositora; membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores; Grupo Literário Alagoano; Associação Alagoana de Imprensa; Confederação Internacional de Autores e Compositores, Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais e Sócia Honorária Ada Academia Maceioense de Letras.
Entre suas obras publicadas, destaca-se:  O inocente (1967), Alma e Poesia (1977), Uma vida simplesmente (1983), Pêndulo da vida (1985), Chispada (1986), Bico de luz (1990), Piranhas, retrato de uma cidade (1999), Pequeno Dicionário de uma Psiquiatra (2001) e A tentação do anjo (2001), entre outros.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Piloto surdo luta por reconhecimento no país


João Paulo é o primeiro portador de deficiência apto a voar e sonha mudar a legislação brasileira
Olívia de Cássia - Repórter

Apaixonado por aviação, João Paulo Marinho dos Santos, 29 anos, tem problemas de audição e é o primeiro piloto com deficiência auditiva apto a voar no Brasil, mas esbarra na legislação brasileira. Ele luta por reconhecimento junto à Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] pelo direito de pilotar aeronaves e exercer a função de piloto privado no país.
Graduado em Ciências da Computação, João Paulo trabalha na Casa da Indústria, já trabalhou em Recife em empresas na área de tecnologia e colocou vários vídeos no You Tube, objetivando chamar a atenção das autoridades brasileiras. Fotos: Paulo Tourinho
 O jovem comenta que levou sua demanda para o governador Renan Filho (PMDB), que ficou sensibilizado com sua reivindicação e se propôs a verificar os meios possíveis para ajudar João Paulo. Graduado em Ciências da Computação, João Paulo trabalha na Casa da Indústria, já trabalhou em Recife em empresas na área de tecnologia e colocou vários vídeos no You Tube, objetivando chamar a atenção das autoridades brasileiras.
João Paulo é credenciado desde 2013 como o primeiro piloto surdo do Brasil, segundo a Escola de Aviação Civil NAV Treinamentos, no Recife. Confiram os vídeos provando suas habilidades na pilotagem: http://www.youtube.com/watch?v=sd1zXr87f18 ehttp://www.youtube.com/watch?v=1q3GC1IIg-I.
O Primeiro Momento foi conversar com João Paulo, por intermédio do pai, Paulo Marinho, e da intérprete de Libras Kelly Oliveira, para contar a história do jovem aos nossos leitores. João Paulo nasceu com perda da audição devido a problemas durante a gestação e vem tentando inserir à lei brasileira um dispositivo que lhe permita voar, a exemplo do que já existe nos Estados Unidos.
“Lá, já é possível para surdos conseguirem a certificação de piloto de avião, mas com restrições. Surdos podem ser pilotos em modalidades que não requerem comunicação via rádio – por exemplo, pilotando aviões usados na agricultura, ou aqueles com propagandas”, explica.
Nos EUA É permitido ser piloto “privado” ou “recreacional”, mas não em outras modalidades (A regulamentação pode ser encontrada, em inglês, no site da FAA, autoridade aeronáutica dos EUA: http://www.faa.gov/pilots/become/deaf_pilot/).
Segundo ele, isto é possível porque, em certas condições, em aeroportos menores onde não há torre de comando, o piloto confere visualmente se há outros aviões na rota antes de decolar ou pousar. “Nestes casos, a surdez não atrapalha. A presença de um instrutor ouvinte pode ajudar. Mas há limitações com relação aos modelos de aviões e condições de voo”, destaca.
PERSISTÊNCIA
A questão é muito complicada, mas  seu Paulo Marinho comenta que à época da graduação do filho, toda vez que chegava em casa, reclamava dessas dificuldades, “mas eu já disse para ele que não pode pular as etapas, tem que ir devagar, tudo é uma caminhada. Se fosse desse jeito não seria bom, porque aí você não valoriza e do jeito que ele fala, pensa que vai conseguir logo”, comenta Paulo Marinho, pai do jovem.
Segundo seu Paulo, João quer transformar o hobby de voar em uma profissão e vem tentando articular com a Anac a mudança na legislação e a inclusão do sistema Padrão Surdo da Aviação. Foto: Paulo Tourinho
Segundo seu Paulo, João quer transformar o hobby de voar em uma profissão e vem tentando articular com a Anac a mudança na legislação e a inclusão do sistema Padrão Surdo da Aviação. “Caso este novo modelo seja adotado no Brasil, aeronaves terão equipamentos com tecnologia adequada para converter informações em textos, garantindo acessibilidade durante os voos para pilotos com deficiência auditiva total”, explica.
“Já estive algumas vezes com diretores da Anac conversando exatamente sobre essa mudança na legislação para contemplar os portadores de deficiência. Mostrei a eles que vem crescendo no país o número de surdos interessados em pilotar aeronaves e que, apesar da limitação auditiva, todos nós somos capazes de guiar aeronaves com segurança”, pontua.

Regulamento diz que candidato deve ser capaz de ouvir com intensidade normal

O Regulamento Brasileiro da Aviação Civil n° 67, que trata dos requisitos para a concessão de Certificado Médico Aeronáutico (CMA), no item 67.221, dispõe que o candidato deve ser capaz de ouvir uma voz em intensidade normal em pelo menos um dos ouvidos. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), esse regulamento já foi entregue por diretores da agência a representantes de surdos interessados na carreira de piloto.
Entretanto, aprovado nos testes teóricos da Escola de Aviação Civil de Piloto Privado, no Recife, e reprovado no CMA devido à deficiência auditiva, João Paulo vem tentando que o Brasil incorpore, assim como há em outros países, princípios para inclusão de pessoas com perda total da audição na aviação brasileira.
“A mudança da legislação com a inclusão de princípios que beneficiem portadores de necessidades especiais é necessária para que pessoas surdas possam exercer a função de piloto de aeronaves no país. Em outros lugares, a exemplo dos Estados Unidos, pilotos surdos operam até mesmo aviões comerciais de grande porte, a exemplo de Airbus e Boeing”, pontua João Paulo.
Seu Paulo é administrador de empresas e gerencia um condomínio em Maceió e conta que João Paulo é o mais velho e que tem mais duas filhas. “Eu diria que João Paulo é um desafio; eu e minha esposa demos  para ele tudo o que tínhamos de melhor”, observa.

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