sábado, 5 de setembro de 2026

Experiência de quase morte


 Por Olívia de Cassia Cerqueira



A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para domingo na Tribuna Independente. O material seria para duas páginas, mas entrou anuncio e se resumiu a uma página apenas.

“As experiências de quase morte (EQMs) referem-se a fenômenos relatados por indivíduos que passaram por situações críticas, como parada cardíaca ou acidentes graves. Essas experiências podem incluir sensações de paz, visões de luz intensa e a sensação de flutuar fora do corpo”.

Na primeira entrevista, Saulo de Tarso, nome fictício, por solicitação do entrevistado, um médico alagoano cardiologista, que passou por uma experiência de EQM, falou à reportagem da Tribuna Independente sobre o fato, pelo Facebook.

“Eu tive uma linda visão quando tive o segundo infarto do miocárdio e estava anestesiado e depois vim saber que passei por maus momentos”, pontuou.

O médico contou que se desligou da sala quando estava passando muito mal.  “Vi luzes de todas as cores e em plena consciência de que algo difícil estava me acontecendo, via todo mundo na sala e me via também, pálido”, explicou.

Ele disse que olhava para os monitores cardíacos e gritava para o anestesista: “faz isso, faz aquilo e ninguém me ouvia, aí senti um sono profundo e uma mulher muito alta me disse: durma, teu mal foi embora”, destacou.

Depois de anos passados, ele faleceu, quando estava clinicando em Arapiraca. Era também escritor. Eu soube do falecimento há pouco tempo. Fiquei triste, que sua passagem tenha sido de paz e luz como desejou.

O médico Dr. Raymond Moody foi um dos primeiros a popularizar o termo EQM, apresentando uma série de casos em seu livro "Life After Life".

Desde então, vários estudos foram realizados para entender as características comuns dessas experiências e sua relação com o contexto cultural e psicológico dos indivíduos que as vivenciam.

Embora algumas EQMs ocorram em situações de 'quase morte', outras podem ser relatadas em estados de trauma intenso ou durante experiências extracorpóreas consideradas benignas, observa a pesquisa.



Seu Aldemar Jambo tinha 73 anos quando o entrevistei. Residente na Praia do Francês, disse que teve várias experiências que comprovam a existência de vida após a morte; mas observou que é difícil falar dessas experiências, porque as pessoas não acreditam.

Ele afirmou que não tinha religião. “Não frequento nenhuma, mas acredito em Deus e aí não preciso de religião. Até agora não vi necessidade”, ressaltou.  

Disse que teve dois enfartes e um edema pulmonar.  “Fui para a Santa Casa dirigindo e passando mal, com braço ardendo; cheguei lá bem ruim e fui logo atendido, eles me levaram para a UTI, fizeram o procedimento devido e todo o tratamento”, observou.

Seu Aldemar observou ou que foi atendido por todos os médicos da Santa Casa e eles tiveram que fazer uma cirurgia às pressas: abriram-lhe o peito.

“A parte que lembro é que eu estava numa maca, me senti flutuando e passei a viver deitado: eu saía passando pelas paredes da Santa Casa e percorri o hospital quase todo; tinha muito sangue, muitas coisas e mal-estar”, descreve.

Explicou ainda que nessa experiência, seu corpo foi seguindo, em direção a um local como se fosse uma caverna muito escura.

“Entrei nessa caverna e vi mutilações, coisas horrorosas, e fui passando; vi pessoas em sofrimento, mas eu não senti medo. Senti uma sensação muito gostosa e aí fui colocado em cima de uma pedra: depois que estava nessa pedra foi que vi uma luz vindo em minha direção, até que eu ouvi me chamarem”, destacou.

Segundo ele, os médicos estavam revitalizando-o. “Acordei assustado, mas a sensação na hora da luz era agradável.  Aí retornei já havia diversos médicos em volta, chamaram minha família e me recuperei aos poucos”, disse ele.

Ainda entrevistei outro cardiologista, presidente de uma entidade que cuida de crianças carentes, esse espirita, mas entrou um anúncio e a entrevistas que tinha a visão dele foi cortada.

Outra entrevistada para essa reportagem foi a psicóloga Cláudia de Bulhões. Ela considerou que existe vida após a morte e que a reencarnação é uma delas, asseverou.

“Não se pode dissociar mente de espírito; isso pode se comprovar pela evidência (dos fatos). Nós podemos transitar pelo tempo através da memória”, observou.

Cláudia de Bulhões foi aluna de Brian Leslie Weiss, psiquiatra e escritor norte-americano, pesquisador sobre o tema. Suas pesquisas incluem os temas reencarnação, terapia de vidas passadas e sobrevivência do ser humano após a morte.

Uma edição do Globo Repórter, disponibilizada na internet, com o título “A experiência de quase-morte”, diz que as visões de quem esteve à beira da morte são impressionantes e traz dois personagens que descrevem uma experiência parecida com a de Aldemar Jambo. 

Médicos que trabalham em UTIs ouvem histórias ricas em detalhes. Relatos de pessoas que não admitem a possibilidade de terem tido alucinações. "Elas falam que isso foi a coisa mais real que já viveram na vida. E é isso que diferencia de uma experiência conduzida por uso de drogas, seja abusivo ou terapêutico", ressalta.

Não sei explicar se acredito em espiritismo. Sou católica por tradição, sem mais frequentar a igreja. O espiritismo é uma discussão profunda.

Tive visões que não sei se eram reais, na fase adulta, quando tive depressão e usava remédios tarja preta, receitados pela psiquiatra. Em estado de depressão, vi uma mulher vítima de feminicídio, em União. O termo ainda não era usado.

Ela foi assassinada pelo marido, perante as duas filhas e o pai dela quando abriu a porta e viu a cena, teve ataque fulminante e morreu.

Nessa mesma época também vi minha mãe me espreitando, como se tivesse vindo conferir meu estado de saúde. Aprendi que nossa mente é um mistério e capaz de criar situações diversas.


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