A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma
página da editoria de Cidades, especial para domingo na Tribuna Independente. O material seria para
duas páginas, mas entrou anuncio e se resumiu a uma página apenas.
“As experiências de quase morte (EQMs) referem-se a fenômenos
relatados por indivíduos que passaram por situações críticas, como parada
cardíaca ou acidentes graves. Essas experiências podem incluir sensações de
paz, visões de luz intensa e a sensação de flutuar fora do corpo”.
Na primeira entrevista, Saulo de Tarso, nome fictício,
por solicitação do entrevistado, um médico alagoano cardiologista, que
passou por uma experiência de EQM, falou à reportagem da Tribuna Independente
sobre o fato, pelo Facebook.
“Eu tive uma linda visão quando tive o segundo infarto do
miocárdio e estava anestesiado e depois vim saber que passei por maus
momentos”, pontuou.
O médico contou que se desligou da sala quando estava passando
muito mal. “Vi luzes de todas as cores e
em plena consciência de que algo difícil estava me acontecendo, via todo mundo
na sala e me via também, pálido”, explicou.
Ele disse que olhava para os monitores cardíacos e gritava
para o anestesista: “faz isso, faz aquilo e ninguém me ouvia, aí senti um sono
profundo e uma mulher muito alta me disse: durma, teu mal foi embora”, destacou.
Depois de anos passados, ele faleceu, quando estava
clinicando em Arapiraca. Era também escritor. Eu soube do falecimento há pouco
tempo. Fiquei triste, que sua passagem tenha sido de paz e luz como desejou.
O médico Dr. Raymond Moody foi um dos primeiros a popularizar
o termo EQM, apresentando uma série de casos em seu livro "Life After
Life".
Desde então, vários estudos foram realizados para entender as
características comuns dessas experiências e sua relação com o contexto
cultural e psicológico dos indivíduos que as vivenciam.
Embora algumas EQMs ocorram em situações de 'quase morte',
outras podem ser relatadas em estados de trauma intenso ou durante experiências
extracorpóreas consideradas benignas, observa a pesquisa.
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Seu Aldemar Jambo tinha 73 anos quando o entrevistei.
Residente na Praia do Francês, disse que teve várias experiências que comprovam
a existência de vida após a morte; mas observou que é difícil falar dessas
experiências, porque as pessoas não acreditam.
Ele afirmou que não tinha religião. “Não frequento nenhuma,
mas acredito em Deus e aí não preciso de religião. Até agora não vi
necessidade”, ressaltou.
Disse que teve dois enfartes e um edema pulmonar. “Fui
para a Santa Casa dirigindo e passando mal, com braço ardendo; cheguei lá bem
ruim e fui logo atendido, eles me levaram para a UTI, fizeram o procedimento
devido e todo o tratamento”, observou.
Seu Aldemar observou ou que foi atendido por todos os médicos
da Santa Casa e eles tiveram que fazer uma cirurgia às pressas:
abriram-lhe o peito.
“A parte que lembro é que eu estava numa maca, me senti
flutuando e passei a viver deitado: eu saía passando pelas paredes da Santa
Casa e percorri o hospital quase todo; tinha muito sangue, muitas coisas e
mal-estar”, descreve.
Explicou ainda que nessa experiência, seu corpo foi seguindo,
em direção a um local como se fosse uma caverna muito escura.
“Entrei nessa caverna e vi mutilações, coisas horrorosas, e
fui passando; vi pessoas em sofrimento, mas eu não senti medo. Senti uma
sensação muito gostosa e aí fui colocado em cima de uma pedra: depois que
estava nessa pedra foi que vi uma luz vindo em minha direção, até que eu ouvi
me chamarem”, destacou.
Segundo ele, os médicos estavam revitalizando-o. “Acordei
assustado, mas a sensação na hora da luz era agradável. Aí retornei já havia diversos médicos em
volta, chamaram minha família e me recuperei aos poucos”, disse ele.
Ainda entrevistei outro cardiologista, presidente de uma
entidade que cuida de crianças carentes, esse espirita, mas entrou um anúncio e
a entrevistas que tinha a visão dele foi cortada.
Outra entrevistada para essa reportagem foi a psicóloga
Cláudia de Bulhões. Ela considerou que existe vida após a morte e que a
reencarnação é uma delas, asseverou.
“Não se pode dissociar mente de espírito; isso pode se
comprovar pela evidência (dos fatos). Nós podemos transitar pelo tempo
através da memória”, observou.
Cláudia de Bulhões foi aluna de Brian Leslie Weiss,
psiquiatra e escritor norte-americano, pesquisador sobre o tema. Suas pesquisas
incluem os temas reencarnação, terapia de vidas passadas e sobrevivência do ser
humano após a morte.
Uma edição do Globo Repórter, disponibilizada na internet,
com o título “A experiência de quase-morte”, diz que as visões de quem esteve à
beira da morte são impressionantes e traz dois personagens que descrevem uma
experiência parecida com a de Aldemar Jambo.
Médicos que trabalham em UTIs ouvem histórias ricas em
detalhes. Relatos de pessoas que não admitem a possibilidade de terem tido
alucinações. "Elas falam que isso foi a coisa mais real que já viveram na
vida. E é isso que diferencia de uma experiência conduzida por uso de drogas,
seja abusivo ou terapêutico", ressalta.
Não
sei explicar se acredito em espiritismo. Sou católica por tradição, sem mais
frequentar a igreja. O espiritismo é uma discussão profunda.
Tive visões que não sei se eram reais, na fase adulta, quando
tive depressão e usava remédios tarja preta, receitados pela psiquiatra. Em
estado de depressão, vi uma mulher vítima de feminicídio, em União. O termo
ainda não era usado.
Ela foi assassinada pelo marido, perante as duas filhas e o
pai dela quando abriu a porta e viu a cena, teve ataque fulminante e morreu.
Nessa mesma época também vi minha mãe me espreitando, como se
tivesse vindo conferir meu estado de saúde. Aprendi que nossa mente é um
mistério e capaz de criar situações diversas.